sexta-feira, 1 de maio de 2009
Historiadores desmontam as teses de Colombo italiano, espanhol, etc...
Para mais elementos, recomendamos os sítios seguintes:
cristovaocolon.com
colombo.do.sapo.pt
Espanha desconhece Condestável e pouco destaque dá à Batalha de Aljubarrota
A opinião é de Hipólito de La Torre Gómez, professor da Universidade Nacional de Educação à Distância (UNED) espanhola que, em declarações à Agência Lusa, lamentou o facto de, em Espanha, se conhecer "pouco ou nada da História de Portugal", inclusive em momentos como o que viveu o Condestável, onde o vínculo entre os dois países é evidente.
"Não se conhece, ou então conhece-se muito isoladamente, entre um ou outro sector. Vejo isso pelos meus alunos, inclusive da cadeira de História de Portugal", afirmou.
La Torre - especialista em história ibérica - admitiu que o desconhecimento sobre Portugal continua a ser preocupante, estando no caso da História a agravar-se, dando como exemplo uma aula onde comprovou que nenhum dos seus 40 alunos sabia quem fora Luís de Camões.
"Eu estudei na escola quem era Camões. O grande poeta épico português, como dizíamos na altura. Agora chegam à Universidade e não sabem sequer que existiu", lamentou.
"Infelizmente, também não conhecem figuras importantes espanholas, mas, no caso de Portugal, a visão 'peninsularista' dos espanhóis leva a que vejam Portugal apenas como aquela franja de terra à beira do Atlântico e não entendam a dimensão de aprofundamento geopolítico português, a profundidade atlântica e os caminhos do mar", disse.
Daí que, neste cenário, o desconhecimento sobre D. Nuno Álvares Pereira possa ser mais facilmente entendido, tornando-se um figura de especialistas e desaparecendo da dinâmica do retrato histórico da formação ibérica.
"Pode haver alguns estudos medievais onde o assunto é tocado, mas passa-se muito por cima e não se dá importância à Batalha de Aljubarrota", disse.
"Claro que a História é escrita pelos vencedores e, por isso, os vencidos não se interessam muito em aprofundar as suas derrotas. Assim, Nuno Álvares Pereira tem muito mais importância em Portugal", frisou.
O mesmo ocorre, por exemplo, na confusão feita regularmente em Espanha sobre quando ocorreu a independência de Portugal, que líderes espanhóis tendem a fixar em 1640 e não em 1143.
"Acho difícil que um espanhol entenda o que ocorreu entre Portugal e Espanha em 1640. Mas também não conhecem a data de 1143, tristemente, porque acho que cada vez se conhecem menos datas", afirmou.
"O período de 1640 acaba por ter aqui mais destaque porque se relaciona mais com a crise na monarquia hispânica, por momentos como a separação da Catalunha. Por isso saltam 1143", disse.
Já sobre Nuno Álvares Pereira, o historiador admitiu ser provável que sectores da Igreja espanhola, "que respondem também a interesses nacionais", possam, durante algum tempo, ter dificultado os esforços para canonizar o Condestável.
"Não estranharia que pudessem ter tentado levantar obstáculos para reconhecer essa figura como uma grande soldado e um dos grandes artífices da forja de Portugal", salientou.
"Mas, actualmente, não creio que em Espanha possa haver sectores que coloquem alguma reserva", disse.
Até porque, considerou, a canonização é "um reconhecimento justíssimo de uma figura muito notável no campo militar e religioso" e que "reúne as condições do famoso soldado-monge".
Uma personalidade que hoje, volvidos tantos séculos, continua a ter "uma grandeza fora de dúvida", que torna "justificável qualquer tipo de exaltação que tenha, ou que sempre teve em Portugal".
"O Santo Condestável tem muita actualidade. Tem uma profunda vocação social, uma entrega completa e sempre utilizou o poder militar e político em benefício do povo, renunciando a todas as honras e grandezas. É um exemplo eterno, tanto para a sociedade actual, como para o futuro", considerou Hipólito de La Torre Gómez.
O professor da UNED mostra-se esperançado que a canonização de Nuno Álvares Pereira contribua para novo passo no conhecimento espanhol sobre a história portuguesa, recordando que tentativas no passado de fomentar o conhecimento mútuo sempre "naufragaram".
A este propósito, lembrou uma comissão luso-espanhola de integrou, na década de 1990, a qual procurou estabelecer normas mínimas para "enxertar a História dos dois países, uma na outra".
Nas suas aulas, procura forçar um pouco o tema da história portuguesa, verificando a surpresa dos seus alunos quando vão descobrindo alguns detalhes.
"Temos de recuperar alguns dos nossos marcos históricos. É a única forma de nos explicarmos, de tomar consciência do que ocorre no presente e de perceber o que devemos fazer. Até mesmo noutros sectores, como a economia e o direito, onde a matéria histórica se está a perder, há que repensar os novos padrões de estudo", disse o universitário espanhol.
"Seria uma pena que não se aproveitasse a figura de Nuno Álvares Pereira e este momento para recuperar uma época de esforço colectivo (.), aproveitando os exemplos desta figura que, apesar de ser o nosso vencedor, também é um figura de Espanha", disse.
A Verdade - Banco de Portugal
Imagine que tinha conseguido um emprego em que lhe
pagavam um salário de 300 000,00 por ano, lhe atribuíam um
potente BMW 530D com motorista para passear, e o Estado ainda
lhe concedia crédito bonificado para comprar casa!
Era caso para perguntar: Crise? Qual crise?
Perguntará o leitor onde é que existem empregos desses.
Pois a verdade é que esses empregos existem mesmo. Aqui em
Portugal!
Enquanto a maioria aperta o cinto, um pequeno grupo de
privilegiados consegue levar uma autêntica vida de nababo!
Este número d' VERDADE vai-lhe revelar quem são, o que fazem,
e quem paga os salários destes portugueses Pagos a Peso de ouro!
O documento completo em pdf está disponível aqui.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
«Quem é que em 1975 pôs o PCP na ordem? Eu»

O coronel Jaime Neves, figura preponderante dos operacionais do golpe militar de 25 de Novembro de 1975, desvalorizou as críticas do PCP à sua anunciada promoção a general, noticia a Lusa.
«Quem é que em 1975 pôs o PCP na ordem? Quem é que travou o PCP? Quem é que os obrigou a encolherem-se? É natural que eles não gostem de mim, eu também não tenho simpatia por eles. No entanto respeito-os. É natural que sempre que possam mandem uns pontas-de-lança mandar umas bocas ou façam uns comunicados. Mas eu tenho uma coisa a dizer: os cães ladram, a caravana passa», disse.
«Jaime Neves é um símbolo de práticas anti-democráticas»
Para Jaime Neves, a promoção traduz um «reconhecimento tardio» da sua acção como chefe militar. «Foi a frase que o senhor Chefe de Estado-Maior do Exército usou, reconhecimento tardio. E tive que dizer que sim. E obrigado e fico à espera. Disse-me que o diploma tinha sido enviado para o senhor Presidente da República e que quando viesse falaria comigo. Estou à espera», relatou.
O problema de África
«Na altura não me apercebi bem do que era abandonar África, não dei o devido relevo. Se eu me tivesse apercebido que íamos abandonar África com certeza que não sei se entraria [na revolução de Abril]. Pelo menos não tomava parte activa», disse.
Para Jaime Neves, o «problema de África tinha que ser resolvido», mas os responsáveis políticos do pós-25 de Abril em Portugal demitiram-se de «controlar a independência».
«A independência devia ter sido controlada por nós. Angola e Moçambique tinha muitos brancos já nascidos lá. Lembro-me em Moçambique de haver a quinta e sexta geração. Como é, foram ignorados? Tinham que ter uma palavra a dizer», referiu.
E acrescentou: «Havia muitas maneiras de ficarmos em África. Não sou um defensor do Portugal inalienável e indivisível. Se a Guiné não aguentava, tenho muita pena, largávamos a Guiné. Mas isso não nos obrigava a largar Angola e Moçambique. Em Angola, quando se deu o 25 de Abril, não havia um tiro há seis meses.»
«Éramos uma espécie de bombeiros voluntários do país»
O coronel, que se notabilizou na unidade de Comandos em África e na Índia, frisou que participou na revolução de Abril «com convicção», após uma conversa que teve, já em Lisboa, com Otelo. No entanto, tudo começou a mudar uma vez deposto o Estado Novo.
«A seguir ao 25 de Abril eu fiquei em Lisboa com 500 homens. Éramos uma espécie de bombeiros voluntários do país. Fui para o Limoeiro quando os presos se revoltaram e pegaram fogo àquilo tudo, fui para a TAP para ver se metia os gajos a trabalhar, fui para imensas esquadras onde a população fechava os polícias, chamava-lhes nomes não havia autoridade neste país. Não foi para isso que fiz o 25 de Abril. Então eu fiz o 25 de Abril para instaurar no nosso país a indisciplina e a falta de respeito? Isso não», disse.
À «indisciplina e anarquia» Jaime Neves acrescenta outra razão: «Eu não fiz o 25 de Abril para ver o PCP e forças de extrema-esquerda a assenhorarem-se deste país e a mandarem em tudo.»
Hoje com 73 anos, o antigo operacional dos Comandos admitiu ter sido «o homem certo, no local certo e na hora exacta», desvalorizou a notoriedade alcançada em 1975 e disse que «não mudou nada» na sua vida depois de ter protagonizado acontecimentos marcantes da História recente de Portugal.
«Estive sempre a comandar o regimento de comandos e saí em 1981. Depois fui trabalhar 12 anos com o meu amigo e empresário Jorge de Brito e, ao fim desse tempo, uns companheiros meus dos comandos convidaram-me e fundámos uma empresa de segurança», relatou.
«Não posso estar satisfeito com a situação actual do nosso país se olho à minha volta e vejo tudo descontente. Chego eu próprio a pôr em dúvida se valeu a pena. Honestamente», concluiu.Histórias dos Monteiros
A nossa Maria merece...
Vasco Resende
De acordo com O Correio da Manhã, Maria Monteiro, filha do antigo Ministro António Monteiro e que actualmente ocupa o cargo de adjunta do porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros vai para a Embaixada portuguesa em Londres.
Para que a mudança fosse possível, José Sócrates e o ministro das Finanças descongelaram a título excepcional uma contratação de pessoal especializado.
Contactado pelo jornal, o porta-voz Carneiro Jacinto explicou que a contratação de Maria Monteiro já tinha sido decidida antes do anúncio da redução para metade dos conselheiros e adidos das embaixadas.
As medidas de contenção avançadas pelo actual governo, nomeadamente o congelamento das progressões na função pública, começam a dar frutos.
Os sacrifícios pedidos aos portugueses permitem assegurar a carreira desta jovem de 28 anos que, apesar da idade, já conseguiu, por mérito próprio e com uma carreira construída a pulso, atingir um nível de rendimento mensal superior a 9000 euros.
É desta forma que se cala a boca a muita gente que não acredita nas potencialidades do nosso país, os zangados da vida que só sabem criticar a juventude, ponham os olhos nesta miúda.
A título de curiosidade, o salário mensal da nossa nova adida de imprensa da embaixada de Londres daria para pagar as progressões de 193 técnicos superiores de 2ª classe, de 290 Técnicos de 1ª classe ou de 290 Assistentes Administrativos.
O mesmo salário daria para pagar os salários de, respectivamente, 7, 10 e 14 jovens como a Maria, das categorias acima mencionadas, que poderiam muito bem despedir-se, por força de imperativos orçamentais.
Estes jovens sem berço, que ao contrário da Maria tiveram que submeter-se a concurso, também ao contrário da Maria já estão habituados a ganhar pouco e devem habituar-se a ser competitivos.
A nossa Maria merece.
Também a título de exemplo, seriam necessários os descontos de IRS de 92 Portugueses com um salário de 500 Euros a descontarem à taxa de 20%.
Novamente, a nossa Maria merece!'
Merece, em nome do Progresso, do grande Choque Tecnologico!
Quando é que acabam estes tachos? Há muitos mais. É só ver os gabinetes governamentais e as empresas públicas! Como primeiro emprego é bom!!! E que curriculum eles fazem! A nós povo, que trabalhamos é que nos exigem muita coisa!
Chega de lambe botas!!!
Chega desta cambada PS nos andar a chular!
Andamos nós a descontar para esta cambada viver à nossa custa!
domingo, 5 de abril de 2009
Fernando Pessoa sobre a I República e Salazar
Se este volumezinho alcança justificação com o aniversário de Salazar, sugiro à novel editora - que até já tem a mão na massa, isto é, na obra do Pessoa - que abrilhante em 2010 o centenário da República com a edição de mais textos pessoanos. Deixo aqui um cheirinho do que seria o precioso volume. A palavra ao talassa:
"Bandidos da pior espécie [...], gatunos com seu quanto de ideal verdadeiro, anarquistas-natos com grandes patriotismos íntimos - de tudo isto vimos na açorda falsa que se seguiu à implantação do regime".
"Vem o Sr. Afonso Costa... Aquilo é que é uma besta!"
"Não podendo [Afonso Costa] fazer mais nada, é homem para mandar assassinar. Tudo depende do seu grau de indignação".
"Bernardino Machado, no discurso do Porto, mostra-se tão ignorante de como se é subtil, tão brutamontes no cá-estou-eu, tão labrego no insinuar, tão indecentemente saracoteador da sua candidatura, que qualquer meio-juízo compreenderia o que de anti-diplomático, não-frio e nada-esperto aquele espírito é".
"Mas Costa! Este é um piolho da [...] política [...] Era possível odiar Franco. A este esfregão nem isso é possível".
"Franco seria um tirano de merda; este [Afonso Costa] é um tirano de caca."
"Afonso Costa é um dos maiores bandidos que têm aparecido à superfície da política lusitana."
"Alexandre Braga é um aborto de um imaginativo conservado em álcool."
"Esta opressão, que todos nós sentimos, esta vergonha de estarmos sendo governados por bacalhoeiros da política, que roubam no peso da própria retórica [...]"
"[...] este domínio de carbonários e de ladrões, de arruaceiros e de gatunos, que lá vai para cinco anos nos conturba."
"[...] partidos políticos: eles não são mais que aquelas «quadrilhas de ladrões» de que José Dias Ferreira falava."
"[...] a estrangeirada atitude a que estes bandalhos da República chamam «patriotismo»."
Do blog Nova Frente, 30.3.2009
terça-feira, 31 de março de 2009
Perguntas
Porque é que Charles Smith e Manuel Pedro foram constituídos arguidos e José Sócrates não foi?
Como é que, estando o epicentro de todo o caso situado num despacho de aprovação exarado no Ministério de Sócrates, ainda ninguém desse Ministério foi constituído arguido?
Como é que, havendo suspeitas de irregularidades num Ministério tutelado por José Sócrates, ele não está sequer a ser objecto de investigação?
Com que fundamento é que o procurador-geral da República passa atestados públicos de inocência ao primeiro-ministro?
Como é que pode garantir essa inocência se o primeiro-ministro não foi nem está a ser investigado?
Como é possível não ser necessário investigar José Sócrates se as dúvidas se centram em áreas da sua responsabilidade directa?
Como é possível não o investigar face a todos os indícios já conhecidos?
Que pressões estão a ser feitas sobre os magistrados do Ministério Público que trabalham no caso Freeport?
A quem é que o presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público se está a referir?
Se, como dizem, o estatuto de arguido protege quem o recebe, porque é José Sócrates não é objecto dessa protecção institucional?
Será que face ao conjunto de elementos insofismáveis e já públicos qualquer outro cidadão não teria já sido constituído arguido?
Haverá duas justiças? Será que qualquer outro cidadão não estaria já a ser investigado?
Como é que as embaixadas em Lisboa estarão a informar os seus governos sobre o caso Freeport?
O que é que dirão do primeiro-ministro de Portugal?
O que é que dirão da justiça em Portugal?
O que é que estarão a dizer de Portugal?
Que efeito estará tudo isto a ter na respeitabilidade do país?
Que efeitos terá um Primeiro-ministro na situação de José Sócrates no rating de confiança financeira da República Portuguesa?
Quantos pontos a mais de juros é que nos estão a cobrar devido à desconfiança que isto inspira lá fora? E cá dentro também?
Que efeitos terá um caso como o Freeport na auto-estima dos portugueses?
Quanto é que nos vai custar o caso Freeport?
Será que havia ambiente para serem trocados favores por dinheiros no Ministério que José Sócrates tutelou?
Se não havia, porque é que José Sócrates, como a lei o prevê, não se constitui assistente no processo Freeport para, com o seu conhecimento único dos factos, ajudar o Ministério Público a levar a investigação a bom termo?
Como é que a TVI conseguiu a gravação da conversa sobre o Freeport?
Quem é que no Reino Unido está tão ultrajado e zangado com Sócrates para a divulgar?
E em Portugal, porque é que a Procuradoria-Geral da República ignorou a gravação quando lhe foi apresentada?
E o que é que vai fazer agora que o registo é público?
Porque é que o presidente da República não se pronuncia sobre isto?
Nem convoca o Conselho de Estado?
Como é que, a meio de um processo de investigação jornalística, a ERC se atreve a admoestar a informação da TVI anunciando que a tem sob olho?
Será que José Sócrates entendeu que a imensa vaia que levou no CCB na sexta à noite não foi só por ter feito atrasar meia hora o início da ópera?
Mário Crespo, Jornal de Notícias, 30 de Março de 2009
segunda-feira, 2 de março de 2009
Advogada amiga de Sócrates
Advogada amiga de Sócrates

Paula Lourenço, advogada de Manuel Pedro e de Charles Smith, dois dos arguidos do processo Freeport, é amiga de José Sócrates e do seu pai, o arquitecto Fernando Pinto de Sousa. Além disso, a advogada, que defendeu José Braga Gonçalves no caso da Universidade Moderna, é também a defensora de Carlos Santos Silva, um empresário muito conhecido da Cova da Beira, também amigo de longa data de José Sócrates.
Carlos Santos Silva era proprietário da empresa Conegil, que participou no consórcio vencedor da construção e exploração de uma Estação de Tratamento de Resíduos Sólidos promovido pela Associação de Municípios da região. Este concurso deu origem a um processo que está agora à espera da marcação da data de julgamento na Boa-Hora. Um dos arguidos é Horácio Luís de Carvalho, proprietário da empresa HCL, que adquiriu uma parte do capital da empresa de Carlos Santos Silva , mas que o manteve à frente da Conegil.
Outro dos arguidos é António José Morais, também amigo de José Sócrates e professor de quatro das cinco cadeiras feitas pelo primeiro-ministro na Universidade Independente. António Morais está acusado dos crimes de corrupção passiva para a prática de acto ilícito e de branqueamento de capitais. Horácio Luís de Carvalho é acusado de crimes de corrupção activa e branqueamento de capitais.
Mais Dados: 'Magalhães'
Paula Lourenço é a advogada da empresa J. Sá Couto, que está a produzir os célebres computadores ‘Magalhães’ para os alunos portugueses.
Turkey's Islamist Danger
Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009
Islamists Approach Europe
Turkey's Islamist Danger
by Bassam Tibi
Middle East Quarterly
Winter 2009, pp. 47-54
http://www.meforum.org/article/2047
Since their electoral landslide victory in November 2002, Islamists within Turkey's Justice and Development Party (Adalet ve Kalkınma Partisi, AKP) have camouflaged themselves as "democratic Islamic conservatives."[1] The AKP claims to be the Muslim equivalent of the Christian-Democratic parties of Western Europe. Such an analogy is false, however. What the AKP seeks is not "Islam without fear," to borrow the phrase of Trinity College professor Raymond Baker,[2] but rather a strategy for a creeping Islamization that culminates in a Shari‘a (Islamic law) state not compatible with a secular, democratic order. The AKP does not advertise this agenda and often denies it. This did not convince the chief prosecutor of Turkey who, because of AKP efforts to Islamize Turkey, sought to ban the party and seventy-one of its leaders. While the AKP survived a ban, the majority of justices found that the AKP had worked to advance an Islamist agenda and undermine secularism.[3] Nevertheless, the AKP enjoys the backing of the United States and the European Union as well. Through its support for institutional Islamism in Turkey, the West loses its true friends: liberal Muslims.
Advance of Secularism
The processes of secularization predate the Kemalist revolution and trace back to the Tanzimat reforms, which Ottoman sultans began in the mid-nineteenth century. However, it was the Kemalist revolution that established real secularism in Turkey. Today, Turkey is the only one of fifty-seven majority Muslim states in which secularism is constitutionally enshrined. After establishing the republic, Mustafa Kemal Atatürk abolished the caliphate, Shari‘a courts, and other aspects of the Islamic legal system and religious order. The problem remains, however, that while the state is secular in terms of its full adoption of the Swiss legal code, such secularism does not extend to civil society, at least in terms of "open society."[4]Constitutionally, Turkey is a secular state but, in reality, both Turkish civil society and its institutions are weak. In this sense, Turkey does not meet the democratic standards prevailing in the member states of the European Union. Turkish law guarantees neither freedom of religion nor freedom of speech. In 2005, Turkish authorities sought to prosecute prominent Turkish writer Orhan Pamuk for his remarks regarding the World War I-era deaths of Armenians.[5] The AKP has legislated a variety of reforms, but these remain more cosmetic than real.[6] Şerif Mardin, a political science professor at Sabancı University who is sympathetic to the AKP, argues that "Civil society is a Western dream … [It] does not translate into Islamic terms."[7]
Still, Turkey is democratic. Despite coups in 1960, 1971, and 1980, Turkey has had thirteen competitive, national elections in the past half-century and more than twenty changes of ruling party. Next to Mali and Senegal, Freedom House ranks Turkey the freest majority Muslim country.[8] But, even if it compares favorably to other majority Muslim countries, Turkey is not a fully democratic state. Its national security council, Milli Güvenlik Kurulu (MGK), was long run by the military and is still dominated by the military.[9] While not the most democratic institution—the MGK could, in practice, overrule parliament—the organization has secured the secular character of Turkey much as Iran's Council of Guardians intervenes to ensure that country's Islamist character. Ironically, even as European officials applauded reforms that, in August 2004, bestowed a civilian head and civilian majority upon the MGK, Turkey has become less democratic.
Today, the AKP party with almost a two-thirds majority in parliament, rules Turkey like a one-party state. The party ignores the opposition and has abandoned efforts to reach out to any constituency beyond Anatolian Islamists. It awards state positions, for example, almost exclusively to Islamists.[10] Still, even as Ankara backslides away from democracy, Prime Minister Recep Tayyip Erdoğan and President Abdullah Gül leverage the European Union accession process to create an illusion of tolerance and reform.
Turkey's Approach to Europe
In a sense, the AKP's Islamism and European outreach illustrate a paradox in the way Muslims approach Europe: Either they favor Europeanization of Islam or Islamization of Europe.[11] With reform and accommodation, Islam can be compatible with democracy, but Islamism cannot. In the world of Islam, Islamism aims at reversing the process of cultural modernization. Today, acculturation and secularization are reversed into re-traditionalization, de-acculturation, and de-secularization. The ongoing de-Westernization in Turkish society is clear. There have been three Islamist parties since the 1970s with a real chance of acquiring power. All three were judicially invalidated—the Milli Selamet Partisi in 1980, the Refah Partisi in 1998, and the Fizelet Partisi in 2001—for the threat they posed to secularity in Turkey.[12]
Each of the Islamist leaders pursued different strategies. Neçmetten Erbakan who, as Refah leader, became Turkey's first Islamist prime minister, combined Islamism with neo-Ottomanism—an ideological revival of Ottoman glory—and pan-Turkish outlooks. The Erdoğan generation of Islamists, in contrast, presents itself in European terms, but its commitment to both Europe and democracy is instrumental. As Hudson Institute scholar Zeyno Baran explains, the AKP's commitment to democracy rests not on philosophical agreement with its principles but rather because "democratic elections … [have] proven to be the easiest and most legitimate path to power."[13]
Europeanized Islam embraces the values of cultural modernity, pluralism, and secular tolerance. Secularism and religious tolerance have, in many ways, provided the basis of European cultural development. Despite its Christian roots, Europe has been secular since the Renaissance and Enlightenment. Polemics that insist that the European Union is reluctant to accept an Islamic country into its fold are false. Europe was Europeanized through "the spread of one particular culture."[14] There is no reason why Turkish assimilation into Europe could not Europeanize Turkey just as the EU has Europeanized Spain, Greece, Poland, and in part, Romania. Turkey, after all, is contiguous with Europe and shares a common Byzantine heritage with much of southern Europe, including not only the Balkan states but also much of Greece.
Ottoman modernity, however, never accepted the spirit of Europe. It was based on the adoption of European instruments and technology but the rejection of European values. Such instrumental Europeanization did not stabilize the Islamic-Ottoman rule but rather contributed to its downfall. The Kemalist revolution arose from the failure of the Young Ottomans and Young Turks. Atatürk's agenda was the Europeanization of Turkey, not only technologically but also with the adoption of cultural outlooks based on modern values and norms. The Kemalist revolution sought to give Turkey a civilizational identity defined not by religion but rather by cultural values shared with Europe: secularism, individual human rights, civil society, and the rule of law. The problem with Atatürk's Europeanization of Turkey was that the process was a revolution from above, imposing innovations on society without providing the necessary cultural underpinning. By focusing on urban centers, it left the countryside barely affected. The result was a bifurcation of society: a European, urban culture in Istanbul, Ankara, and Izmir, and a rural society deeply rooted in Islamic tradition.[15]
The AKP, however, does not accept Europeanization. Rather, AKP leaders pursue a double strategy: They verbally dissociate their party—and themselves—from political Islam while simultaneously embracing Islamic identity politics and, like many Islamist parties across the globe, also engaging in anti-Christian polemics.[16] The AKP uses education as its major instrument to further Islamist identity politics, introduce reinvented Islamic values, and de-Westernize society. And while the AKP claims secular credit for pursuing Turkey's EU membership, it defames Europe as an exclusionary "club of Christians."[17] Since its November 2002 accession, the AKP has engaged in a "creeping Islamization."[18] The AKP has sought to further this through politics of cultural Islamization, especially in education and media. Erdoğan has worked to expand Anatolian culture in the cities, helped by internal migration. The slums and shanty towns have become the AKP's chief base of support.
Needed: Islam's Europeanization
The problem of both Turkey's entry into the European Union and the Turkish diaspora in Europe is not Islam itself but rather how to encourage the Turkish diaspora's Europeanization. If Turkey were to become a secular, European-style democracy, it would face no obstacles to European Union accession, nor would such a strong boundary exist between Turkey and Europe if Turkey's religion were a more civil Islam.[19]
What Turkey needs is not simply a laundry list of civil reforms but Europeanization of Islam. There is nothing European about the ghettos of Turkish migrants living in Islamic enclaves in Berlin suburbs such Neuköln and Kreuzberg. These "Muslim enclaves"—including the Turkish ones—are "in the West, but not of it."[20] The AKP encourages such a division, though. In February 2008, Erdoğan labeled assimilation of Turks a "crime against humanity."[21] The Turkish diaspora in Europe remains antagonistic to their new home. The two major Turkish mosques in Germany—in Pforzheim and Bremen—are named Fatih (conqueror) after Ottoman Sultan Mehmet the Conqueror who, in 1453, captured the Byzantine capital of Constantinople, modern day Istanbul.
Most Turks in Germany are not integrated into civil society. If Turkey, as the AKP sees it, enters the European Union, it would resemble more the Kreuzberg and Neuköln enclaves than the European parts of Istanbul or Ankara. While Erdoğan says his decision to guide Turkey toward Europe is firm, declaring, for example, that "Turkey has no other alternative than the full membership of the EU,"[22] it is less certain whether Europe could absorb a country ruled by Islamists.
The question of whether Turks can or will adopt a Europeanized Islam is crucial because demography and migration suggest that Europe will be dealing with Turkey for years to come. Turkish migration westward is not simply a twentieth and twenty-first century phenomenon but part of a larger pattern that began almost a millennium ago.[23] Many Turks joined Ottoman incursions into southeast Europe for opportunity and adventure.[24] Turkey's European Union accession would lead to a similar movement of population. The European Union's living standard and generous welfare system will attract Turkey's rural population, which suffers from an unemployment rate between 20 and 30 percent, and where many do not receive welfare benefits.[25] Indeed, some Turkish politicians have suggested that this migration should make Turkey more attractive to Europe arguing that Turkey can offer Europe, with its aging and declining populations, a young Turkish population. There is something to this. Turkish population figures have doubled since 1970 while Western European states have a shrinking population due to low birth rates and an aging population.[26] No doubt, migration would be an advantage for Europe, as much as it has been for the United States, provided that Europe, like the United States, assimilates its immigrants.
Given the AKP's instrumental approach to EU accession, it is ironic that while the European public largely opposes Turkey's accession, European diplomats still push the Turks to undermine the three pillars of the secular republic—the military, judiciary, and educational system—purportedly to make Turkey fit into the European Union. While European officials couch their prescribed reforms in the language of transformational diplomacy and democracy promotions, they ignore that Islamists only accept democracy as the rule of the majority, not as a culture of pluralism. At the World Economic Forum in Davos in 1999, the late prime minister Bülent Ecevet responded to European criticism of the imbalance of power between the parliament and the MGK by explaining, "In your countries, the political culture [of] secularity is well established, and therefore, there is no need for a guardian to protect it. In my country, Turkey, secularism still lacks firm foundations and can always be threatened, therefore the need to protect it."[27]
The Turkish writer Murat Çakır described the Islamists as "pseudo-democrats," who use democracy as a cover for the promotion of Islamization whether in Turkey itself or among the Turkish diaspora in Europe.[28] He observes that Ankara does not contribute to Europeanizing the Turkish Muslim diaspora. Mosques, built and administered by the Turkish state through the Diyanet İşleri Başkanlığı (directorate of religious affairs), are not European even if they are moderate in comparison to the more militant Milli Görüş mosques.[29] The difference between the Diyanet and Milli Görüş mosques, however, has eroded since AKP accession led to its control of the Diyanet.
The secular commitment to democracy and to its values does not register in the Islamist model of an Islamic state (din-ü-devlet), which the AKP's actions show it accepts. Why then have Western policies toward Turkey not changed under AKP rule? Part of the problem is that Europe does not have a clear awareness of its civilizational identity. In contrast, migrants and Turkey itself strongly cultivate civilizational awareness in their own identity politics. The Islamist challenge and the potential of Islamization are based on facts, but they are not well understood in Europe. The Turkish diaspora in Europe, as well as the population in Turkey itself, is caught between Europeanization and Islamization. The European decision-makers have proven in the past to be incapable of designing policies to address challenges arising from ethnic-cultural diversification of the population. European officials neglect or simply ignore cultural issues such as the identity of Europe and Europeanization.
The AKP Abandons Compromise
Compromising and power sharing are an essential part of democratic politics. Repeated experience with Islamists show that they go to the ballots but fail to compromise when they win. The AKP is no exception. Erdoğan wanted to promote his foreign minister, Abdullah Gül, to the presidency in 2007, and he did so at the expense of a traditional process of consensus-building among opposition parties and so sparked a political crisis. While the AKP won subsequent parliamentary elections, its victory had as much to do with the weakness of the secularist parties as with satisfaction with the AKP. The 2007 election win enabled the AKP to retrench, sending Gül to Çankaya palace as the first non-secular president of Turkey.
With its majority solidified and no longer fearing the veto of a secular president, the AKP accelerated its de-secularization of Turkish society. Here, the head scarf is especially important. Among Islamists, the head scarf is not just an article of clothing but an icon of civilizational divide. Islamists view the head scarf as a provision of the Shari‘a.[30] It has become symbolic of the tension between Europeanization and Islamization. In a 2004 ruling, the European Court of Human Rights found the right to a head scarf not to be a human right, thus dismissing an Islamist lawsuit.[31] Upon their reelection, though, the AKP decided to provoke secular elites with legislation enabling female university students to wear a head scarf on campus and in classes. On June 5, 2008, the Turkish Supreme Court deemed the AKP's law to be unconstitutional on the grounds that it eroded Turkey's secular character.[32] Soon after, the London-based pan-Arabic daily Al-Hayat quoted Erdoğan as stating, "We are going to shut down the constitutional court."[33] Many Europeans have cheered Erdoğan and condemned court actions in Turkey. AKP partisans in the Turkish press and proponents of Turkey as a model of moderate Islam in the United States and Europe labeled Turkish secularists as "fascists" and accused them of undermining "democratic" Islamists.[34] Zeyno Baran observed that such an artificial dichotomy "inadvertently strengthens hard-line Islamists."[35] As the West sides with the Islamists, the opposition, feeling abandoned, has become more anti-Western. Again, Baran explains, "The opposition's anti-Western stand is more like that of a lover with a broken heart … [they] fear that Europeans push them to undertake reforms that will make Turkey more Islamic, and then will tell them that they are too Islamic to join a Western club."[36]
The crisis continued into the summer as the Constitutional Court heard arguments that the AKP had violated the principles of a democratic and secular Turkish republic.[37] Had the court dissolved the party, it would have toppled the government and plunged the country into political turmoil.[38] The court wanted to avoid this outcome as it would have ended the AKP but not the Islamist challenge. The AKP could simply have transferred its assets to another party and reemerged under a new name, just as the AKP had emerged from the ashes of Fezilet. The court did not acquit the AKP, however, but instead gave it a strong warning to stop steering Turkey away from the secular order that the constitution mandates towards an Islamic one. Court president Haşim Kiliç stated, "There is no verdict on closure … However, in this ruling a serious warning has been issued to the party [AKP], and I hope this conclusion will be elevated and will be taken accordingly."[39]
Secularism Abandoned
Western politicians, scholars, and opinion leaders barely understand what is going on in Turkey. Too many Western pundits depict Turkey's increasing Islamism as fortuitous. The Rand Corporation's Stephen Larrabee, for example, wrote, "Under the AKP, Turkey has emerged as an important diplomatic actor in the region … without the AKP … the United States would lose an important partner in trying to stabilize this volatile region … At the same time, banning the party could undercut efforts to promote reform and democracy in the Middle East."[40] Such views infuriate secular Turks. It is ironic that the intra-Turkish debate on the pernicious nature of Islamism has been more open than the Western one.
In the name of democratic reforms, as European diplomats have observed, the AKP has reduced the secular impact of the army, defamed judicial defense of the constitution as a "judicial coup," expanded the Imam Hatip religious schools and equated them to secular schools, and fired university presidents. Too many in the West praise the AKP as "moderate Islamic." The only difference, however, between moderate and jihadist Islamists is the use of the ballot box instead of violence to come to power. It may be important to include Islamists in democracy but certainly not with the Western naive notion that inclusion will tame Islamism. This is the lesson that should be drawn from Hamas in Gaza, Hezbollah in Lebanon, and certain Islamist parties in Iraq.
Hamas and Hezbollah may be represented in parliaments, but they have kept their militias that represent the antithesis of democracy. They show how their embrace of the democratic game is only a tactical step. The AKP may be better than Hamas and Hezbollah since it has no militia although its dominance and use of the police force and secret services have become nearly as abusive.
The proper solution for crisis-ridden Turkey is neither the tacit Islamic law of the AKP nor a coup by the Turkish secularists. Rather, the European Union and the United States should encourage the strengthening of civil society by making the weak institutions of Turkish democracy stronger. Moderate Islamists want to Islamize, not democratize.[41] They are committed to the procedure of democracy but not to its pluralistic and peaceful political culture. Political Islam in Turkey is an important issue for Europe. Turkey not only has close relations to the West, but it also has a diaspora of more than four million in the European Union.[42] While many moderate Muslims seek to Europeanize Islam, the Islamism practiced by the AKP is an ideology of cultural divide, tension, and conflict, despite all of the pro-Europe rhetoric in which Islamists in Turkey engage in their pursuit to exploit the European Union for their agenda of Islamization.
Bassam Tibi is a professor of international relations at Göttingen University in Germany and A.D. White Professor-at-Large at Cornell University. His most recent book is Political Islam, World Politics and Europe (New York: Routledge 2008).
[1] Ihsan Dagi, "Turkey's AKP in Power," Journal of Democracy, July 2008, pp. 25-30.
[2] Raymond William Baker, Islam without Fear: Egypt and the New Islamists (Cambridge: Harvard University Press, 2003).
[3] BBC News, July 28, 2008; Los Angeles Times, July 31, 2008.
[4] Fatma Müge Goçek, Rise of the Bourgeoisie, Demise of Empire, Ottoman Westernization and Social Change (New York: Oxford University Press, 1996); Niazi Berkes, The Development of Secularism in Turkey (London: Hurst, 1998).
[5] Tagesanzeiger (Zurich), Feb. 5, 2005; Spiegel Online (Hamburg), Dec. 16, 2005.
[6] Turkey 2006 Progress Report (Geneva: European Union: European Commission, Nov. 8, 2006), pp. 25-8.
[7] Şerif Mardin, "Civil Society and Islam," in John Hall, ed., Civil Society (Cambridge, U.K.: Polity, 1995), pp. 278-9.
[8] "Combined Average Ratings: Independent Countries 2008," Freedom in the World (Washington, D.C.: Freedom House, 2008), accessed Sept. 11, 2008.
[9] Turkey 2007 Progress Report (Geneva: European Union: European Commission, Nov. 6, 2007), p. 9.
[10] See Turkish Daily News (Ankara), Aug. 7, 2008.
[11] Bassam Tibi, "Europeanizing Islam, or the Islamization of Europe," in Timothy Byrnes and Peter Katzenstein, eds., Religion in an Expanding Europe (New York: Cambridge University Press, 2006), pp. 204-24.
[12] Marvine Howe, Turkey Today. A Nation Divided over Islam's Revival (Boulder: Westview, 2000), pp. 1-10, 179-94; Sueddeutsche Online (Munich), July 31, 2008.
[13] Zeyno Baran, "Divided Turkey," The Journal of Democracy, Jan. 2008, pp. 56-7.
[14] Robert Barlett, The Making of Europe (Princeton: Princeton University Press, 1993), p. 269.
[15] Ellen K. Trimberger, Revolution from Above (New Brunswick: Transaction Books, 1978), p. 112.
[16] Ursula Spuler-Stegemann, ed., "Introduction," Feindbild Christentum im Islam (Freiburg: Herder, 2004), pp. 7-11.
[17] Agence France-Presse, Jan. 26, 2008.
[18] Baran, "Divided Turkey," p. 69.
[19] Bassam Tibi, "The Quest of Islamic Migrants and of Turkey to Become European," Turkish Policy Quarterly, Spring 2004, pp. 13-28.
[20] John Kelsay, Islam and War (Louisville: John Knox Press, 1993), p. 118.
[21] FAZ.net (Frankfurt), Feb. 10, 2008.
[22] Welt Online (Berlin), Feb. 11, 2008.
[23] Lord Kinross, The Ottoman Centuries. The Rise and Fall of the Turkish Empire (New York: Morrow Quill, 1977), pp. 15-7.
[24] Metin Kunt and Christine Woodhead, Süleyman the Magnificant and his Age. The Ottoman Empire in the Early Modern World (London: Langman, 1995), p. 10.
[25] Serhat Salihoğlu, "Welfare State Policies in Turkey," South-East Europe Review for Labour and Social Affairs, Oct. 2002, pp. 21-6.
[26] Daten, Fakten, Trends zum demographischen Wandel in Deutschland (Wiesbaden: Bundesinstitut für Bevölkerungsforschung und statistisches Bundesamt, Bevölkerung, 2008), p. 31.
[27] World Economic Forum, Davos, Switzerland, Feb. 1999.
[28] Murat Çakır, Die Pseudodemokraten. Türkische Lobbyisten und Islamisten (Düsseldorf: GDF Publikation, 2000), pp. 101-76.
[29] For more on the Milli Görüş, see Lorenzo Vidino, "The Muslim Brotherhood's Conquest of Europe," Middle East Quarterly, Winter 2005, pp. 25-34.
[30] Nilüfer Göle, The Forbidden Modern: Civilization and Veiling (Ann Arbor: University of Michigan Press, 1996).
[31] "Case of Leyla Şahin vs. Turkey," European Court of Human Rights, application no. 44774/98, Nov. 10, 2004; "Grand Chamber Judgment: Leyla Şahin v. Turkey," European Court of Human Rights, press release, Nov. 10, 2005.
[32] The New York Times, June 6, 2008.
[33] Al-Hayat, June 11, 2008.
[34] See, for example, Mustafa Akyol, "The Threat Is Secular Fundamentalism," The International Herald Tribune, May 4, 2007.
[35] Zeyno Baran, "Illiberal Democracy? Fighting for Turkey's Soul," The International Herald Tribune (Paris), June 11, 2008.
[36] Ibid.
[37] BBC News, July 28, 2008; Los Angeles Times, July 31, 2008.
[38] The International Herald Tribune, July 30, 2008.
[39] The International Herald Tribune, July 30, 2008.
[40] Stephen Larrabee, "Turkey's Broadening Crisis," The International Herald Tribune, July 25, 2008.
[41] Bassam Tibi, "Islamist Parties. Why They Can't Be Democratic," Journal of Democracy, July 2008, pp. 43-8.
[42] Bevölkerung und Erwerbstätigkeit. Bevölkerung mit Migrationshintergrund. Ergebnisse des Mikrozensus 2006 (Wiesbaden: Statistisches Bundesamt, 2008), pp. 5-13, 60; Internationales Statistisches Jahrbuch (Wiesbaden: Statisitisches Bundesamt, 2006), p. 241.
segunda-feira, 19 de maio de 2008
Plataforma
Apresentação
Introdução
(I) A crise portuguesa e a sua origem
(II) O pensamento errado apenas poderia fornecer respostas erradas
(III) Procurar o pensamento e o método certos para obter respostas certas
01 – Civilização, civilizações e barbárie
02 – A Civilização e a concepção da vida
03 – A família
04 – A demografia
05 – A educação e o ensino
06 – A ética
07 – As elites
08 – A união para a defesa da Civilização
09 – A identidade nacional
10 – A cidadania portuguesa
11 – A diáspora portuguesa
12 – A hospitaleira casa portuguesa
13 – Portugal na Ibéria
14 – Portugal na Europa
15 – Portugal no mundo
16 – A natureza e o papel do Estado
17 – A prospectiva do Estado
18 – O papel do Fórum
Para um Portugal Verdadeiro e Reconfirmado
Mas também é verdade que nem sempre fomos assim. É por isso que não se quer ensinar História de Portugal. Detestam-se as comparações. É melhor abolir o que era melhor, não lhe conceder o direito a constar como um atestado de incompetência aos actuais arrendatários do território. Penso que é preciso voltar a ler outros autores entre os quais Eça de Queirós, que costumava falar daquela «choldra». A que de facto nos convertemos.
Mas nem sempre fomos assim. Os ladrões castigavam-se duramente em todas as classes. Os debochados, vendidos, lacaios, castigavam-se para exemplo. Os assassinos e bandidos reprimiam-se. Nunca passou pela cabeça de ninguém criar dois tipos de portugueses: bandidos protegidos por lei e cidadãos leais perseguidos pela lei. Os primeiros armados até aos dentes. Os segundos desarmados.
Nem sempre foi assim: houve um tempo de justiça, de crescimento moral e económico, de bondade e companheirismo. Mesmo de solidariedade activa entre as classes.
É difícil compreender num tempo de ateus e de pronto a pensar, de novelas absurdas e ensino estupidificante, o outro tempo entretecido no divino como as cordas manuelinas e as agulhas das catedrais. É fácil compreender que o que havia decaiu. Dizem alguns que os melhores se foram na aventura ultramarina consumidora da nata e o que ficou foi aquela gente desinteressante que gerou esta. Não tiveram sequer, depois, a coragem de morrer em Alcácer, negro dia, nem nas guerras da Restauração, nem na Guerra Civil, nem na Rotunda, nem no Ultramar. De facto, há uma certa razão nisto porque parece, à primeira vista, que o que sobrou depois de um tempo de chicote e bico calado é o conformismo cinzento e sobretudo o oportunismo provinciano.
Mas nem sempre foi assim.
Também não terá de ser assim.
Cada um de nós escreve a sua história própria, faz escolhas, decide o modo de fazer a sua história pessoal, a sua maneira de viver e de morrer. Escolhe tudo num mundo de escolhas infinitas, mesmo a maneira de contribuir para o bem do seu país. E nisso consiste a liberdade que ninguém conseguiu roubar aos decididos e conscientes de que o mundo se fazia assim. Não com decisões da turba, mas com opções de poucos e decididos. Em Portugal foram sempre poucos os que souberam o que queriam, desde a Fundação à Restauração, da Guerra Civil à Ditadura, da Primeira República à Terceira República. O povo desempenha a função de aplauso, seja «povo» aquilo que for.
Não vale a pena manter ilusões. O que existe não presta. O sistema esgota-se e vai à falência técnica. Entretanto, por entre fanfarras e zumbais que aviltam, o País corre o sério risco de ser mais um Estado fracassado.
Os poucos que sabem isso não devem cruzar os braços perante dez milhões de náufragos. Têm de fazer escolhas.
Com a consciência bem sedimentada de que não tem de ser assim.
António Marques Bessa
Presidente do Instituto de Estudos da Civilização
Introdução
Introdução
Para poder reconstruir Portugal,
o pensamento português
deve libertar-se
do esquerdismo e do cinzentismo
( I )
A crise portuguesa e a sua origem
Já não podem esconder. Portugal está o caos. A crise é geral. A crise moral é profunda. A classe política está desacreditada. A economia afunda-se. A justiça não funciona. A ordem pública tornou-se insegurança. A educação rebenta pela ignorância e pela anarquia. O sistema público de saúde e assistência é miserável ou não existe. A instituição familiar desintegra-se.
O cidadão anónimo e a figura pública, os políticos de valores e os publicistas de valores (que ainda os há!), os empresários e os trabalhadores, os magistrados e os que recorrem à justiça, os agentes da ordem e as vítimas da insegurança, os professores e os alunos, os médicos e os doentes, os efectivos e os reformados, os diplomados empregados e desempregados — já ninguém acredita em nada. A classe política ilusionista já não consegue vender optimismo e esperança a ninguém. E ela própria reconhece que Portugal bateu no fundo.
Porquê esta situação? De uma vez por todas, temos de falar direito.
Por muito que custe a alguns que viram o sol nas suas vidas graças a esse acontecimento histórico, as causas desta situação têm de ser procuradas nas políticas esquerdistas aplicadas em 1974 e 1975 e, daí em diante, em alternância, nas políticas esquerdistas, semi-esquerdistas e democratas cinzentas que se lhe seguiram, isto é, no sistema político da III República e no «processo revolucionário em curso» que a instituiu.
O carreirismo, aliado à incompetência, e a corrupção, tal como a pornografia e a toxicomania, libertaram-se do espartilho que lhes tolhia os movimentos durante a chamada «longa noite fascista».
O desenvolvimento impetuoso de Portugal, com a segunda maior taxa de crescimento anual do mundo nos anos sessenta (sendo a primeira de um país asiático...), tendo mesmo ultrapassado os 10% no início dos anos setenta, foi interrompido em 1974. Daí em diante, a economia portuguesa tem oscilado entre o mau e o péssimo e nunca mais adquiriu um ritmo que permita a recuperação. As reservas de ouro e divisas diminuíram drasticamente e Portugal voltou a ser um país de mão estendida, que não era desde a I República.
E ainda, graças à permissividade instaurada, a ordem deu lugar à desordem nas ruas, nos bairros, nas escolas, nos estádios, nas outrora pacatas aldeias, vilas e cidades.
Eis o Portugal de cinzas de Abril, o Portugal de cinzas do MFA, o Portugal de cinzas do Partido Comunista, o Portugal dos incendiários e seus continuadores.
A história é a história. Cada coisa no tempo próprio. Mas, para aprender, há que falar verdade sobre a história: não enegrecer o que é claro nem branquear o que é vermelho.
Que ideias caíram então sobre Portugal para causarem todas estas calamidades?
( I I )
O pensamento errado apenas poderia fornecer
respostas erradas
O pensamento político determina a acção política. Parece esta uma evidência total mas a verdade é que, sendo verdade, não é tão evidente para muitos. Só assim se explica que o mesmo pensamento político, apesar dos seus sucessivos fracassos, apesar do desastre a que conduziu Portugal, continue a ser aplicado, apenas alternando os protagonistas, com uma ou outra nuance. Afinal, a realidade não é evidente para o pensamento dos milhões de eleitores que legitimam esses protagonistas. Nem mesmo para os militantes partidários que os têm içado e feito eleger através das listas eleitorais dos seus partidos. Por esta razão, a luta política pela transformação de Portugal começa pela luta de ideias. A luta política exige a clarificação de ideias sobre o pensamento político vigente e a sua substituição por um pensamento político realista.
E em que pensamento político se têm baseado as políticas desastrosas que conhecemos?
Até aqui, os princípios que têm orientado as más soluções para os problemas são fundamentalmente de dois tipos.
Primeiro, o esquerdismo. Parte das respostas aos problemas nacionais têm assentado na ideologia marxista. Na ortodoxa, que o Partido Comunista, apoiado nas armas do MFA, impôs aos Portugueses e deixou como herança do tempo da sua hegemonia de 1974-1975 — herança que, em parte, ainda subsiste através da influência ideológica e social. Ou nas variantes submarxistas, aplicadas principalmente pelo Partido Socialista. Ou, por vezes, de cariz anarco-liberal, aplicadas até pelos partidos de que menos se esperaria. Desde a Constituição da III República à simples regulamentação de uma lei, grande parte da legislação está impregnada de conceitos marxistas e funciona nessa lógica. As respostas esquerdistas aos problemas nacionais consistem fundamentalmente na transposição literal dessas fantasias ideológicas para o terreno da vida prática, o que, naturalmente, não resulta.
Segundo, o cinzentismo ou ausência de princípios. A outra parte das respostas aos problemas nacionais tem-se baseado nas ideologias liberais, utilitaristas e relativistas, o que significa ausência de princípios. A linguagem é vaga, conciliadora do bem com o mal, redonda, anestesiante, inconsequente, improdutiva, adiadora dos problemas, oportunista. Ela apenas serve na essência e no «timing» os interesses materiais imediatos ou de carreira dos seus utilizadores. Os protagonistas do cinzentismo pretendem substituir o pensamento programático pelo «carisma», pelo «perfil», pela «imagem pública» fabricada artificialmente pelos media ao seu serviço. Os protagonistas do cinzentismo adoptam um tal perfil eleitoralista soft, «politicamente correcto», e, na sua demagogia redutora, qualificam de «radical» e «fundamentalista» qualquer atitude frontal e séria em relação aos problemas. Nas mãos de um político cinzento, um problema que tenha implicações negativas nos seus negócios privados ou na sua carreira, nunca será bem resolvido ou simplesmente nunca será resolvido.
Nos últimos anos, as correntes esquerdistas herdadas do 25 de Abril têm cedido algum espaço às correntes do cinzentismo. Mas os actores de ambas, apesar das diferenças que os distinguem, estabeleceram entre si um pacto tácito de defesa do sistema da III República, que constitui o seu modus vivendi. Estão sentados à mesma mesa.
As ideologias erradas que têm dominado o pensamento político português não poderiam, efectivamente, produzir melhor resultado do que aquele que produziram. O pensamento errado do esquerdismo e do cinzentismo apenas poderia fornecer respostas erradas a Portugal.
( I I I )
Procurar o pensamento e o método certos
para obter respostas certas
Para encontrar as respostas correctas às questões que se colocam a Portugal, é preciso identificar os princípios directores válidos que as inspiram. Esses princípios não são mais do que aqueles que fizeram a nossa Civilização, os valores éticos cristãos assentes na matriz greco-latina.
A procura torna-se afinal fácil.
É a obstinada procura de inovações, originalidades e construções mentais subjectivistas que afasta os homens da realidade e cria os monstros ideológicos que conduzem às respostas erradas e à desgraça.
Contudo, para chegar a uma política concreta correcta, não basta o enunciar dos princípios da Civilização. Exigem-se também procedimentos correctos na aplicação desses princípios. E torna-se ainda mais necessário sublinhar esses procedimentos quando aqueles que não pretendem, de nenhum modo, aplicar os princípios da Civilização também os enunciam frequentemente, obviamente em vão, tal publicidade enganosa.
De facto, surgem muitas respostas aos problemas colocados a Portugal, quer da autoria dos próprios causadores dos problemas, que, com as suas «novas» soluções, se pretendem perpetuamente alternar a si próprios no poder, quer da autoria dos candidatos a entrar para o círculo de mandantes e privilegiados — imerecidamente — do sistema. As respostas destes indivíduos, naturalmente erradas, vêm lançar a confusão sobre as pessoas leigas em relação a esses problemas e criar-lhes falsas expectativas. Efectivamente, como seria possível que aqueles que empurraram Portugal para o fundo, e ainda conservando o mesmo pensamento político, e continuando enleados na mesma teia de interesses, fossem agora capazes de o puxar para cima?
Pura ilusão.
Como avaliar então as múltiplas soluções apresentadas para ultrapassar a crise geral? Como saber se esta ou aquela é que é a boa? Como saber se «desta vez é que é», para usarmos a expressão de esperança permanentemente proferida por milhares de sinceros militantes políticos e portugueses de consciência, continuamente na iminência de serem novamente ludibriados? Em que consistirá então uma solução certa para um problema político?
Uma solução certa para um problema político concreto, em primeiro lugar, terá de ser fundamentada na realidade. Isso pressupõe que a realidade seja seriamente estudada e que a solução seja deduzida da própria realidade. A solução certa não provém, certamente, dos seguidores de teorias utopistas, que, simultaneamente, deformam a visão da realidade e forçam respostas irrealistas ao problema. Nem provém, certamente, da grande maioria dos elementos da classe política da III República, que, pela sua falta de formação filosófica, política e mesmo, em alguns casos, técnica, e enredada em interesses pessoais, se tem revelado incapaz de analisar seriamente a realidade e extrair as soluções certas. Uma economia subjugada às ideologias socialista ou tecnocrática ou uma política de família abençoada pelo anarco-liberalismo ilustram bem a questão do realismo ou irrealismo da solução.
Uma solução certa para um problema político concreto, em segundo lugar, observa as suas causas profundas. A solução não pode ser apenas superficial, cosmética. Uma solução para um problema premente não pode fazer esquecer a resolução do problema na sua raiz. A miopia e superficialidade com que a classe política costuma analisar os problemas de Portugal configuram bem a sua incapacidade. Tentar solucionar a ordem nas escolas mantendo a filosofia da permissividade na sociedade ou tentar aumentar o rendimento escolar injectando mais dinheiro no seu orçamento mas mantendo o calamitoso sistema de ensino são bons exemplos dessa superficialidade na procura de respostas para os problemas.
Uma solução certa para um problema político concreto, em terceiro lugar, tem em consideração o enquadramento deste no conjunto dos problemas da sociedade. A solução para um problema não pode ignorar a existência de outros problemas, sobre os quais poderá interferir uma vez aplicada. Tentar solucionar o problema financeiro do Estado sem considerar que se está a sufocar a economia com impostos é porventura um dos erros a que mais frequentemente assistimos na III República.
Uma solução certa para um problema político concreto, em quarto lugar, surge depois da hierarquização do conjunto dos problemas. Um problema real não pode ser encarado como um problema central ou único quando não o é, nem como problema secundário quando seja central. Reconstruir a Nação e o Estado significa a resolução de uma montanha de problemas. Tal implica estabelecer uma hierarquia quanto à sua importância e quanto à sua prioridade. Considerando a coesão da Nação uma questão estratégica, e considerando igualmente a escassez de recursos financeiros da Nação, o que se tornará prioritário na política interna: socorrer os pobres de Portugal que vivem com reformas diminutas ou financiar o cinema, mesmo abstraindo do seu duvidoso interesse cultural e até carácter pornográfico, ou outras actividades lúdicas, mesmo abstraindo de que, na sua maioria, contribuem apenas para a degradação moral da juventude e adultos?
Uma solução certa para um problema político concreto, em quinto lugar, é aquela que resolve realmente o problema. Isto significa não o ampliar nem o deixar na mesma. A emenda não pode ser pior do que o soneto nem uma vã promessa eleitoralista. Haverá melhor exemplo da emenda ser pior do que o soneto do que as sucessivas reformas do ensino, cada uma mais promissora — no dizer dos seus autores — e ao mesmo tempo mais desastrosa e estupidificante do que a anterior?
Uma solução certa para um problema político concreto, finalmente, em sexto lugar, incorpora em si mesma o respeito pelos valores da Civilização. Isto significa que, além de resolver esse problema pontual, seja ele de natureza predominantemente moral, predominantemente política ou predominantemente técnica, essa solução não pode produzir efeitos secundários contra a Civilização e os seus valores, não pode constituir um veículo de antivalores. Estando fora do alcance do poder político evitar totalmente fenómenos que atentam contra a Civilização quando eles são do foro da moral individual, deve o Estado, pelo menos, não os agravar e mesmo contrariá-los quando possível. Assim, os autores de uma solução para qualquer problema terão de saber prever as suas consequências colaterais em relação aos valores da Civilização a curto, médio e longo prazo, ponderando devidamente a sua bondade autêntica nas circunstâncias dos limites do poder político sobre a moral dos homens. Estabelecer pluralismo nos media e, consequentemente, concorrência comercial entre canais de televisão? Porque não? Mas que dizer quando a solução concorrência é sinónimo de banalização da pornografia, do brejeirismo e de degradação dos costumes? Que dizer das suas consequências directas na destruição da juventude, dissolução da família e degradação da sociedade? E qual será o papel do Estado? O de observador passivo?
Com todas estas considerações pretende-se chamar a atenção para a necessidade imperiosa do estudo sério de cada problema, devidamente enquadrado no seu conjunto e considerado à luz de uma hierarquia de valores morais, políticos e técnicos. Não se encontram soluções correctas para os problemas nacionais na base da inversão da hierarquia dos valores, da superficialidade das análises, de circunstâncias comicieiras eleitoralistas, de critérios carreiristas ou dos antivalores. Dar respostas correctas às questões de uma Nação, aplicar critérios correctos nas políticas exige princípios directores válidos e trabalho de análise séria.
Para Portugal poder sair da gravíssima crise em que se encontra, tem decididamente de cortar com o pensamento político dominante, claramente responsável pelas más soluções que têm sido aplicadas aos problemas de Portugal. Cortar com esse pensamento significa enfrentar frontalmente e sem tibiezas a ideologia marxista e políticas do Partido Comunista, as variantes socialistas, assim como o liberalismo e o anarco-liberalismo. Para Portugal sair da gravíssima crise em que se encontra, tem decididamente de derrotar essas ideologias, desmantelar uma a uma as suas aplicações na sociedade e, sem reservas, adoptar como guia os valores da Civilização e as políticas que daí decorrem. Só desta maneira se poderá correctamente repensar Portugal e agir em conformidade.
Tal exige clarividência, dedicação e coragem. Clarividência porque, no meio da confusão de ideias provocada pelos que dela beneficiam, é preciso apanhar o rumo certo. Dedicação porque a tarefa é grande. E coragem porque os escolhos são muitos.
De modo mais desenvolvido, vamos passar em revista os princípios de cada política sectorial, procurando deste modo contribuir para encontrar as respostas certas às questões suscitadas.
Assim libertamos o pensamento português do esquerdismo, do liberalismo e do cinzentismo. E assim, onde quer que estejamos, onde quer que militemos, poderemos contribuir para reconstruir o nosso Portugal.
A ti apelamos para que te juntes a nós nesta reflexão.
Ainda vamos a tempo.
As eleições do PSD
à luz dos valores da civilização
Assim sendo, nestas eleições internas do PSD, os votantes que defendam os valores da Civilização devem confrontar directamente cada candidato, um a um, com essas questões, obrigando-os a definirem-se naquilo que é essencial e que alguns deles procuram ardilosamente escamotear. Obviamente, quando se fala em Civilização, fala-se daquela de matriz greco-latina que tomou como princípio director a ética cristã. E sabe-se que os seus valores morais não são exclusivos dos cristãos mas pertencem também àquelas pessoas neles educadas, e que deles comungam.
Sugere-se, pois, um questionário directo aos candidatos sobre as questões chamadas «fracturantes», que os confrontem com valores superiores na sua hierarquia, não permitindo escamoteá-las. Para que os campos se definam, se fracturem. Para que cada eleitor saiba de facto, por dentro, em quem vai votar, em que alma vai votar. Para que amanhã, mais uma vez, não se sinta traído quando esses políticos fabricarem leis relacionadas com a Civilização, a sua ética e a sua moral.
Concretamente, as questões de Civilização que coloco a cada um dos candidatos que apanho à mão de semear são quatro.
Primeira. Que posição tem sobre a defesa da vida: o aborto e a eutanásia?
Segunda. Que posição tem sobre os chamados «casamentos» entre invertidos?
Terceira. Que posição tem sobre a pornografia nos meios de comunicação, nomeadamente nos do Estado, pagos pelos contribuintes na sua factura de electricidade?
Quarta. Que posição tem sobre a legalização das drogas?
A estas quatro questões de Civilização, eu junto mais duas sobre a defesa da identidade nacional, que, embora indirectamente, também têm a ver com a Civilização, na medida em que Portugal deve ser um seu baluarte.
Primeira. Que posição tem sobre o chamado «acordo ortográfico», destruidor da língua e da cultura portuguesa, portadoras dos valores da Civilização?
Segunda. Que posição tem sobre a «regionalização», destruidora da unidade nacional?
Já colocadas estas questões a dois candidatos, obtive os seguintes tristes resultados.
Santana Lopes (13.5.2008, Secção A de Lisboa do PSD).
Vida: aborto, contra (+); eutanásia, precisa de reflectir (-). «Casamentos» entre invertidos, está preocupado com os direitos deles (-). Pornografia nos meios de comunicação, depende das horas a que é emitida (-). Legalização das drogas, contra (+).
Acordo ortográfico, entusiasta e orgulhoso de o ter assinado (-) (18 anos antes, na mesma sala, sentado na mesma cadeira, confrontado com a mesma questão, tinha declarado ter assinado contrariado o Acordo...). Regionalização, a favor de «experiência-piloto» (-).
Resultado global: em 6 acertou em 1,5; muito mau, mais do que não confiável, é inimigo dos valores da Civilização e da coesão nacional.
Pedro Passos Coelho (14.5.2008, Secção A de Lisboa do PSD).
Vida: aborto, a favor (-); eutanásia, não tem posição definida (-). «Casamentos» entre invertidos, responde com a «máxima»: «Ninguém pode ser discriminado em razão da sua opção sexual» (-); e acrescenta, de sua livre iniciativa, que não tem posição sobre a adopção de crianças por «casais» homossexuais (-). Pornografia nos meios de comunicação, «tem de ter o seu espaço próprio» (-). Legalização das drogas, a favor (-).
Acordo ortográfico, simplesmente não vê vantagens (-). Regionalização, a favor de «um certo modelo de regionalização» (-).
Resultado global: em 6 não acertou numa única; muito mau, mais do que não confiável, é integralmente inimigo dos valores da Civilização e da coesão nacional.
Ainda algumas observações finais.
O relatório sobre estes dois candidatos não constitui, de modo nenhum, uma carta de recomendação para qualquer dos outros. É preciso questioná-los e ouvi-los. Apenas me foi possível, até agora, obter as respostas destes, aguardando a oportunidade de questionar os restantes, ficando entretanto na esperança de não serem desastrosos a este ponto, e, de preferência, de serem correctos.
As opiniões destes dois chefes políticos — como aliás de outros, deste partido ou do que costuma ser situado à sua direita — estão muito longe de coincidir com as opiniões da generalidade dos militantes anónimos. Tais chefes políticos apenas reflectem as opiniões da parte mais decadente da classe política dirigente, do lobby modernaço, que encontra eco exclusivamente nas afins minorias activas, internas e externas desses partidos, e em alguns complexados «tolerantes», propensos ao «politicamente correcto».
Que cada pessoa de bem, cristão ou não, que cada português, que cada eleitor partidário saibam quem é quem e ajam em conformidade. Chegou o tempo de sermos nós os fracturadores, de passarmos da posição de recuo táctico à contra-ofensiva.
A ética, a moral e a natureza estão do nosso lado.
15.5.2008
Heduíno Gomes