domingo, 26 de setembro de 2010

A Europa dos tansos

(Certas frases estão traduzidas à letra mas percebe-se.)

[Clique na imagem para visualizar o diaporama]

O vídeo que apresentamos mostra um famoso e escandaloso caso passado em França. O indivíduo acabou por ser expulso de França em 2004, mas enquanto durou a estadia, não foi nada mau... Entretanto, de um modo mais discreto, milhares de outros casos, em maior ou menor grau de parasitismo, continuam.

sábado, 25 de setembro de 2010

Sarkozy: «Vou reabilitar o trabalho.»

[Clique na imagem para visualizar o diaporama]

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A grave situação demográfica em França, a ordem pública e a segurança

[Para visualizar o vídeo clique na imagem]

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Contra fotos não há argumentos

A barbárie nazi hoje negada pelos islamistas

[Clique na imagem para visualizar o diaporama]

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Jornalismo de "serviço"

Manuel António Pina
A entrevista "non stop" que, desde que foi condenado, Sua Inocência tem estado ininterruptamente a dar às TVs teve o mais respeitoso e obrigado dos episódios na RTP1, canal que é suposto fazer "serviço público".

Desta vez, o "serviço" foi feito a um antigo colega, facultando-lhe a exposição sem contraditório das partes que lhe convêm (acha ele) do processo Casa Pia e promovendo o grotesco julgamento na praça pública dos juízes que, após 461 sessões, a audição de 920 testemunhas e 32 vítimas e a análise de milhares de documentos e perícias, consideraram provado que ele praticou crimes abjectos, condenando-o à cadeia sem se impressionarem com a gritaria mediática de Suas Barulhências os seus advogados, o constituído e o bastonário.

Tudo embrulhado no jornalismo de regime, inculto e superficial, de Fátima C. Ferreira, agora em versão tu-cá-tu-lá ("Queres fazer-lhe [a uma das vítimas] alguma pergunta, Carlos?"). O "Prós & Contras" só não ficará na História Universal da Infâmia do jornalismo português porque é improvável que alguém, a não ser os responsáveis da RTP, possa chamar jornalismo àquilo.



.

sábado, 18 de setembro de 2010

Coitadinhos dos ciganos

[Para visualizar a apresentação clique na imagem]

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O governante

João Duque, Económico, 9 de Setembro de 2010

Li este Verão o livro de Joaquim de Almeida A Governanta, uma biografia de D. Maria “a companheira de Salazar”.

O livro é uma excelente obra para os amantes da história de Portugal contemporâneo e deveria ser livro de leitura obrigatória para os governantes e gestores públicos.

O livro é de facto uma preciosidade informativa sobre uma vida, sobre uma época, centrado numa personagem periférica e próxima de Salazar, mas no meu ponto de vista, um livro sobre o regime e sobre uma forma de ver a governação do país dessa época.

O livro dá-nos muita informação de como Salazar tratava o bem público e o discernia do privado e neste aspecto, não tenho dúvidas que deveria ser lido e reflectido por todos os que nos governam ou que tenham poderes de gestão sobre bens públicos.

Também já anteriormente tinha lido o livro de Fernando Dacosta "Máscaras de Salazar" e já nessa altura tinha ficado com a mesma impressão: se Salazar fosse vivo seria hoje abundantemente convidado a palestrar em cursos de organização e gestão pública e até mesmo em programas de ética... Senão vejamos.

Quem é que hoje imagina poder dividir as contas (contadores de electricidade e de telefone diferentes) entre o piso de rés-do-chão e 1º andar da moradia de residência oficial do primeiro-ministro, para que as contas do rés-do-chão (área de trabalho) fossem pagas pelo Estado e as contas do 1º andar (área pessoal) fossem pagas pelo ordenado do próprio? E o mesmo fazendo com as contas da água e até do combustível?

Quem é que hoje imagina que o primeiro-ministro possa mandar comprar, pagando do seu próprio bolso, um serviço de loiça e um faqueiro para se servir no seu dia-a-dia privado na residência oficial, e outros conjuntos paralelos, pagos pelo erário público, exclusivamente dedicados ao uso em refeições oficiais?

Quem é que hoje imagina que se possa retirar um talhão ao jardim do palácio de São Bento para aí se criar uma pequena horta que alimentaria a cozinha da Presidência, reduzindo os encargos com o seu sustento?

Quem é que hoje imagina que se possa retirar um talhão ao jardim ao mesmo palácio para aí se construir um galinheiro que não só alimentava com patos, coelhos e galinhas (e ovos) a cozinha da Presidência, como permitia ainda a venda destes produtos, se excedentários, ao Hotel Aviz, e assim reduzir o custo de manutenção da Presidência?

Quem é que imagina que o frigorífico da residência oficial possa ser pago com o dinheiro do próprio governante porque o considera ao seu uso pessoal?

A gestão pública não exige apenas o cumprimento de regras que se querem apertadas de controlo, transparência, rigor e competência. Exige uma primeira relação escrupulosa e distante com o que não é nosso, desde a viatura de serviço, às viagens e aos fins a que se destinam, ao telefone ou a qualquer outro tipo de equipamento sendo de usar em serviço quando se está, de facto, de serviço.

Sei que hoje é dificilmente imaginável qualquer daquelas situações, mas dão que pensar...





A candidatura da Ibéria de Saramago

João Marcelino, Diário de Notícias, 5.9.2010 
 

Quando a FPF pediu o apoio do Governo para a candidatura, conjunta com a Espanha, ao Mundial de 2018, eu escrevi aqui que era uma boa ideia. O futebol é um poderosíssimo veículo turístico e, além do mais, estas organizações são sempre lucrativas desde que não se tenha de fazer tudo de novo.

Hoje, sou frontalmente contra esta realização, precisamente porque ela abandonou a filosofia com que nos foi vendida inicialmente e abdicou dos princípios.

Primeiro: não é uma parceria. Portugal entra com duas cidades (Lisboa e Porto) e três estádios, Espanha apresenta 16 cidades e 18 estádios - ou seja, pela primeira vez numa organização de futebol, dois países coligam-se em posições diferenciadas. Não fora assim, antes, no Coreia do Sul- -Japão, no Áustria-Suíça, nem no Holanda-Bélgica.

Segundo: pela calada, caiu também o jogo de abertura, que nos devia caber, porque Espanha decidiu que sendo a final em Madrid, e por equilíbrios políticos internos, a abertura deveria ser feita em Barcelona. Para Portugal sobraram umas migalhas que deveriam envergonhar: o sorteio será realizado em Santa Maria da Feira e teremos um "privilégio" inovador ao albergarmos um segundo jogo de abertura, a realizar umas horas depois do primeiro...

Este é o prémio a que teremos direito por servirmos como íman aos votos da lusofonia, de Brasil a Angola. De resto é bom de ver que esta candidatura não precisaria de nós. A contribuição de Portugal é equivalente à de uma qualquer província espanhola, mas há, para português ver, um argumento que os tempos acolhem: bom investimento, poucos custos.

Ainda para mais o estádio do jogo inaugural teria de ter 80 mil lugares e o nosso maior, o da Luz, só alberga 65 mil pessoas. 

Não vou perder tempo com a desmontagem destes argumentos tontos de quem quer entrar numa festa a todo o custo. Digo apenas que quem não tem dinheiro não deve ter vícios e acrescento o seguinte: esta triste candidatura não deveria ser reduzida a uma questão de dinheiro e de lucros. É uma questão de política, de estratégia e de princípios. Se não estranho que os homens do futebol pouco se interessem com estes pormenores, desde que venha a massa, desgosta-me que o Governo, os partidos e o próprio Presidente da República não se interessem pelo assunto e não reflictam sobre ele à luz da História e das relações entre os dois Estados.

Esta organização não tem a ver com dinheiro. Ela encerra um conceito perigoso para a nossa política e para a nossa economia. Através do futebol estamos a comunicar que somos uma província da Ibéria. A ideia de Saramago começa a fazer o seu caminho. Eu sou contra!




.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Lançamento do livro The Walker and the City



CONVITE

Lançamento do livro The Walker and the City

Coordenação de Manuel João Ramos e Mário J. Alves

16 de Setembro, 17h30, CES Lisboa

(Picoas Plaza, Rua Tomás Ribeiro, n.º 65, 1º andar, Lisboa – Estação de metro: Picoas)

Assinalando a Semana Europeia da Mobilidade (16 a 22 de Setembro de 2010), a Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados (ACA-M) e o Centro de Estudos Sociais (CES Lisboa) convida para o lançamento da mais recente publicação da ACA-M - The Walker and the City(actas do Colóquio Internacional O Peão e a Cidade – The Walker and the City, 12 de Novembro de 2008).

Este livro propõe uma reflexão colectiva sobre a importância crescente dos direitos dos peões e a necessidade de atender às suas necessidades qualitativas no interior dos sistemas urbanos europeus. Conta com a colaboração de importantes especialistas internacionais na área dos estudos da pedonalidade, e constitui um contributo português para a Acção 358 do Conselho de Ciência e Tecnologia da Fundação Europeia de Ciência e para as actividades do Walk21.

The Walker and the City é o 3º volume da colecção de Estudos Pedonais da ACA-M.

Com a presença de Reinhard Naumann (FES Portugal), Mário Alves e Manuel João Ramos (ACA-M) e Isabel Seabra (IMTT).

Publicado com o apoio da Fundação Friedrich Ebbert e do Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres.


domingo, 12 de setembro de 2010

Cristóvão Colombo português

Eis as três próximas actividades da Associação Cristóvão Colon.

Dia 09 de Outubro - Palestra em Portimão: Provas da mentira do «Colombo italiano»
Dia 11 de Outubro - Palestra em Lisboa: A Esposa de Colombo – Comendadora de Santiago
Dia 30 de Outubro - Inauguração do Centro Cristóvão Colon, em Cuba, Baixo-Alentejo, sua terra natal

[ Para ler, clicar nas imagens ]
































11 de Outubro de 2010, 17:30
Conferência do Sr. Manuel da Silva Rosa, promovida pela Secção de História da Sociedade de Geografia de Lisboa e subordinada ao tema:
“A Esposa de Colombo – Comendadora de Santiago”
Introdução a cargo do Dr. Rui Pinto, Presidente da Secção de História.
Esta Sessão realiza-se no Anfiteatro da Sociedade de Geografia de Lisboa).


Fogo amigo

António Marques Bessa

O fogo do empobrecimento

Quando os pirómanos vão a tribunal não lhes acontece nada, porque são doentes. A nossa cultura integra uma forte indulgência para com o mal, o que acarreta a impunidade de autênticos malvados. A desculpabilização tornou-se a principal cantata da partitura.

O nosso país todos os Verões assiste, extasiado, à queima de hectares de floresta. A mancha verde é comprimida pelo betão e pelo fogo. Toda a gente sabe que é uma espécie de inevitabilidade neste balançar do fogo e da corrida dos bombeiros, com muita gente humilde a defender o pouco que é seu. E para lá das palavras de repúdio, assiste-se à mesma indiferença dos poderes instalados porque nada é feito para deter este verdadeiro flagelo.

O País já é pobre, mas depois de lhe arderem quilómetros quadrados de floresta qualificada, fica ainda mais pobre. As pessoas dessas zonas que podiam vender madeira e explorar a seiva do pinheiro ficam sem nada e às vezes, dramaticamente, perdem-se vidas, numa inutilidade sem paralelo.

A Federação Russa, a Grécia, às vezes a Itália, debatem-se com o mesmo problema. A Rússia certamente deve ter aprendido a sua lição dura, embora fique com muita floresta ainda. Uma observação mais detalhada das grandes manchas verdes deve seguir-se, bem como inquéritos rigorosos às causas do Inferno que levou milhares de toneladas de madeira. E a Rússia é dos países que sabe lidar rapidamente com as causas.

E que causas

Com a frequência dos fogos em Portugal não há já margem para dúvidas. O calor de 40 graus não provoca uma combustão automática. Têm-se apanhado ocasionalmente alguns "pirómanos" a deitar fogo aos pinhais. Há pessoas que gostam de ver as reportagens na TV e darem-se conta dos efeitos do trabalho que fizeram. Quando os pirómanos vão a tribunal não lhes acontece nada, porque são doentes. A nossa cultura integra uma forte indulgência para com o mal, o que acarreta a impunidade de autênticos malvados. A desculpabilização tornou-se a principal cantata da partitura. São decisões colectivas, planos colectivos, acções de grupo, não há responsável visível. Veja-se ao contrário o que acontece nos Estados Unidos da América: identificou-se a BP e a companhia, um colectivo, teve pagar pelos estragos; os suíços da UBS, uma vez identificados pelo fisco americano, têm que pagar uma soma astronómica ao Tesouro pelas contas de americanos riquíssimos que escondeu. Não há desculpabilização e não há indulgência. Como Max Weber já explicou há muito tempo, existe uma fronteira de mentalidades entre os protestantes e os católicos. Enquanto os primeiros se ocupam a trabalhar conscienciosamente, os segundos reivindicam o direito à preguiça. Enquanto os seus países se vão equilibrando e progredindo, os católicos não os conseguem apanhar. Na verdade, uns têm uma ética do trabalho e da responsabilidade e outros ou têm a tal ética republicana, que não é a da República Romana donde copiaram o nome, ou limitam-se a existir à custa de golpes.

É triste

É triste saber que os fogos que destroem o País têm origem criminosa ou são provocados pelo desleixo do povo. Mas o povo nunca foi ensinado, como em França, a fazer uma gestão científica da mata, porque nem o Estado faz essa gestão da sua mata.

De seguida, há a considerar a fragmentação brutal da propriedade da mata. Com propriedades tão pequeninas, que pode fazer o dono do pinhal? Essa mata serve-lhe enquanto lavrador para colher madeira para emendas na casa, fazer barracões, ir buscar mato para a cama dos bichos que tem, ir colher pinhas e agulhas para acender a lareira e ter um Inverno mais seguro.

Este retrato não é imaginário. Eu próprio verifiquei esta conexão à mata, que é a predominante. Os grandes proprietários têm vendido porque ou vivem em Paris ou em outro lado e não estão para perder milhares de hectares por causa de um pirómano ou uma desatenção de um domingueiro assador de sardinhas.

É triste que as coisas sejam assim. Mas o que salta à vista é a necessidade de uma reforma profunda na propriedade da mata, com emparcelamentos forçados, para o bem de todos. Educação para a exploração dos recursos florestais. Leis mais incisivas e duras para os praticantes do desporto do fogo. Evitar que se suceda nas montanhas mais uma geração de analfabetos funcionais e de pessoas que vivem na margem do autoconsumo. Educação rural, povoamento interno, reforma da estrutura fundiária. Se se fez isso nos campos do Mondego para o arroz e o milho, porque é que se tem evitado fazer uma coisa inadiável que a França pode ensinar? Creio que a resposta está dada: criam-se muitos inimigos ao mexer na terra. É melhor deixar arder tudo.



.





sábado, 11 de setembro de 2010

Ter sempre presente

11 de Setembro


quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A barbárie nazi em Oradour-sur-Glane, França

[Clique na imagem para visualizar o diaporama]

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Comunicado do Conselho Superior da Magistratura sobre o processo Casa Pia

[Clique nas imagens para obter versões mais legíveis]

Para aceder à versão original do documento clique aqui

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Os cinco e o penacho

João Cândido da Silva, Jornal de Negócios


Como diria José Berardo, também conhecido por Joe, há coisas que são "silly" em todas as "seasons".

Por exemplo: o choro e ranger de dentes que estourou em redor do negócio de venda da Vivo, com o objectivo de definir a quem devem ser entregues os louros.

Uma operação com a envergadura estonteante de 7,5 mil milhões de euros, acompanhada da aquisição de uma nova posição accionista no capital de um concorrente e feita em tempo recorde é o pretexto apetitoso para a refrega. E mostra-se de tal forma irresistível para quem, de perto ou de longe, acompanhou os progressos do negócio, que até conseguiu extinguir a mais leve noção do ridículo em protagonistas que costumam cultivar uma pose sisuda, decorada com botões de punho.

José Sócrates, praticante indefectível do auto-elogio, deu o arranque. Numa das suas já lendárias piruetas, passou uma esponja sobre o primeiro-ministro que alegou ser a Vivo uma participação de interesse estratégico nacional. E passou a aprovar a operação e o encaixe de investidores que, ao tempo da utilização da "golden share", eram acusados de apenas conviver bem com os ganhos de curto prazo. Se não fosse ele, nada se teria feito. Um coro amestrado concordou.

Seguiu-se o presidente brasileiro. Não quis ficar para trás e não ficou. Em poucos dias, surgiram nos media as notícias e comentários que davam a intervenção de Lula da Silva como um elemento determinante de todo o processo. Sem ele, nada se teria feito. Já eram dois para ocupar o lugar cimeiro do pódio mas nada impediu que um coro amestrado concordasse, nem sequer que a história terminasse por aqui.

Para a assembleia geral de accionistas em que a "operação Vivo" foi aprovada, estavam reservadas mais reivindicações de glória. Henrique Granadeiro disse que o órgão encontrou soluções onde outros criaram problemas. Se quisesse justificar os apreciáveis salários e prémios que se pagam a este nível, não teria encontrado melhor formulação. Feitas as contas, por esta altura o pódio já tinha três pretendentes, todos disponíveis para ficar na mó mais de cima, porque sem Granadeiro nada se teria feito. O coro acenou em concordância.

Zeinal Bava, com o toque cosmopolita que só se adquire depois de frequentar Wall Street, escolheu uma revista brasileira de grande circulação e influência para se juntar ao grupo. Fez as declarações suficientes para se perceber que se vê, e quer ser visto, como o verdadeiro herói. Uma parte do coro assentiu, outra não gostou. Como não há quatro sem cinco, José Maria Ricciardi, presidente do banco de investimento que seguiu toda a operação, não quis ficar apenas com a comissão, generosa, e dispensar a coroa de louros, vistosa. Sem o banqueiro, garantiram fontes anónimas mas oportunas, nada se teria feito.

Nos grandes negócios, nada disto é inédito. Há uns dias, numa entrevista publicada no "Expresso", António Mexia declarou ter trazido a Autoeuropa para Portugal, afirmação que deve ter mexido com os nervos de Fernando Faria de Oliveira e Luís Mira Amaral. O que devia surpreender é que estas lutas para ver quem fica com o penacho são travadas por quem não se cansa de falar em colaboração, parcerias e trabalho de equipa. Se o objectivo fosse o de traçar uma caricatura, não seriam capazes de melhor.

.

EDP paga para Manuel Pinho dar aulas em Columbia!

Helena Garrido, Jornal de Negócios

A cadeira que Manuel Pinho vai dar na Universidade de Columbia está integrada num projecto a quatro anos financiado pela EDP.

A eléctrica portuguesa fez uma doação à School of International and Public Affairs (SIPA), num montante que pediu à Universidade nova-iorquina para não divulgar e que tem como uma das iniciativas o seminário sobre energia renováveis que vai ser leccionado pelo ex-ministro da Economia.

"Manuel Pinho será professor visitante School of International and Public Affairs (SIPA) da Universidade Columbia. A sua posição faz parte de uma série de novas iniciativas que estão a ser apoiadas pela EDP", disse ao Negócios fonte oficial da Universidade e Columbia.


Nota – Pagar para ensinar! E guardar segredo! Sobretudo, guardar segredo, que para ter de ouvir tal luminária o preço deve ser alto!

N.R. – O homem vai ser professor de tauromaquia! 



O ministério antiprofessor

Henrique Raposo, Expresso
 
O ministério da educação já não existe na realidade. Os pedagogos da 5 de Outubro só existem no mundo do humor. E, no meio deste humor involuntário, lá vão destruindo a figura do "professor".



quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Política a Sério

José António Saraiva

A conclusão do caso Freeport, conhecida na semana passada, foi a terceira tentativa para dar cabo do processo. E parece que resultou.
A primeira investida data de 2004. Procurou-se então matar o caso ‘no ovo’ – fazendo passar a ideia de que se tratava apenas de uma manobra política (orquestrada por Santana Lopes) para atingir José Sócrates. Confesso que aceitei esta versão.Sócrates, como ministro do Ambiente, projectava a imagem de governante determinado, que cortava a direito, não cedia a pressões nem fazia favores – sendo natural que o tentassem denegrir.
Assim, quando em 2008 a jornalista Felícia Cabrita me voltou a falar do tema, torci o nariz.
Mas agora havia mais matéria: havia uma carta da Polícia inglesa, havia uma reunião do Eurojust em Haia onde o processo tinha sido tratado.
Mesmo assim exigi documentos, provas.
E elas começaram a pingar.
Publicámos a primeira notícia, que o PGR se apressou a desmentir – mas o processo lá começou a fazer o seu caminho, provocando inúmeros incómodos.
Quando o Freeport já assumira grande importância e era um caso nacional, soube-se que Lopes da Mota, o representante de Portugal no Eurojust, tinha feito pressões junto dos magistrados portugueses, invocando os nomes do ministro da Justiça e do primeiro-ministro, para o processo ser arquivado.
Era a segunda tentativa para abafar o caso.
E aqui eu percebi que havia qualquer coisa escondida.
Se o tema era inócuo, como se justificavam tantos cuidados?
Se tudo tinha sido legal, porque havia tanto medo?
Mas o freeport lá continuou a avançar – e na semana passada a Procuradoria anunciou a conclusão do processo, acusando dois indivíduos e ilibando José Sócrates.
O primeiro-ministro veio a público cantar vitória – e os seus apoiantes embandeiraram em arco: provava-se que Sócrates estava totalmente inocente!
Só que, no dia seguinte, o Público revelava que o caso tinha sido encerrado às três pancadas – e que todas as dúvidas que envolviam Sócrates se mantinham intactas.
Mais: os magistrados faziam questão de incluir no processo as 27 perguntas que não tinham tido ocasião de colocar ao primeiro-ministro – e que, no fundo, ficavam a pairar como outras tantas suspeitas.
Durante o tempo que durou este processo fiz várias vezes a mim próprio a seguinte pergunta: como se explica que, tendo o nome de Sócrates sido tantas vezes referido, os investigadores não o tenham ouvido?
Como se percebe que, sendo ele o principal responsável do Ministério que esteve no centro de toda a polémica, não tenha sido chamado a dar explicações?
Como se entende que, sendo o superior hierárquico de vários arguidos no processo, não tenham precisado de lhe perguntar coisa nenhuma?
Não era compreensível.
Agora entendi: os investigadores queriam acumular o máximo de dados antes de ouvirem Sócrates.
Sendo ele agora primeiro-ministro, preferiram juntar todas as dúvidas para o ouvirem de uma assentada.
Só que, quando o iam fazer, o PGR mandou encerrar o processo.
Como um árbitro que apita para o fim do jogo quando vai ser marcado um penálti.
A decisão do PGR custa muito a entender.
Ninguém percebe por que razão o caso Freeport teve de ser fechado à pressa – quando, na mesma semana, a sentença do caso Casa Pia, anunciada com grande aparato, foi adiada por um mês.
No Freeport o PGR funcionou uma vez mais como um pára-choques do primeiro-ministro.
O que não espanta: em caso de dúvida, ele tem decidido invariavelmente a favor de José Sócrates.
Pinto Monteiro iniciou o seu mandato cheio de boas intenções.
As suas primeiras declarações eram frontais e revelavam independência.
Só que, com o acumular de casos envolvendo o chefe do Governo, o PGR foi--se sentindo encurralado pela comunicação social – e foi-se deixando encostar ao primeiro-ministro (num processo semelhante, aliás, ao que ocorreu com Marinho Pinto).
Ao ponto de podermos dizer que José Sócrates e Pinto Monteiro combatem hoje ombro a ombro na mesma trincheira: as críticas a um são vistas como críticas ao outro.
Para isso também contribuirá a amizade antiga de Pinto Monteiro com Proença de Carvalho – que por sua vez é advogado de Sócrates.
 
Uma última nota para o próprio Sócrates.

O primeiro-ministro decerto soube as condições em que o processo Freeport foi encerrado – e as perguntas que os magistrados queriam fazer-lhe e não puderam.
Ora como é que, sabendo isso, se prestou a fazer a declaração que fez, congratulando-se por ter sido completamente ilibado?
Como foi possível? Ao menos tinha ficado calado – e não vinha a público fazer aquele número de teatro. Para o primeiro-ministro já tudo é farsa, representação?
O certo é que, neste estranho caso, Sócrates acaba mais suspeito do que começou – porque as dúvidas sobre alguns dos seus actos ficaram registadas no processo para a posteridade.




.

Sua Alteza, Monteiro I

Alberto Gonçalves

O Procurador-Geral da República queixou-se, em entrevista ao DN, de possuir os poderes da Rainha de Inglaterra. Com todo o respeito, não é exactamente verdade. Desde logo, porque a Rainha de Inglaterra não pode dar entrevistas a queixar-se de ter os poderes do dr. Pinto Monteiro. Depois, porque ou eu estou enganado ou à Rainha de Inglaterra não cabe "dirigir, coordenar e fiscalizar a actividade do Ministério Público e emitir as directivas, ordens e instruções a que deve obedecer a actuação dos respectivos magistrados".

A Isabel II nem sequer é permitido emitir palpites acerca das instituições judiciárias inglesas. Já o nosso procurador-geral não só manda nas suas equivalentes de cá como misteriosamente intervém nas de lá, pelo menos a julgar pela rapidez com que assegurou a inocência do eng. Sócrates logo no início da versão britânica da novela Freeport.

O procurador-geral tem o direito de achar que tamanha autoridade não lhe chega? Claro que sim, na medida em que cumpra o dever de agir em conformidade. É duvidoso que um magistrado com a experiência do dr. Pinto Monteiro não conhecesse previamente os reais poderes do cargo para que o nomearam. Se conhecia, o bom senso aconselhava a que recusasse a nomeação. Se não conhecia, o bom senso recomendava que se demitisse com urgência. Se não se demitiu ou demite, o pudor sugere que não venha exigir competências através da imprensa.

Isto, naturalmente, se as afirmações do dr. Pinto Monteiro, sempre desastradas na forma, tivessem alguma razoabilidade no conteúdo. Mas, se por exemplo a gentil arbitrariedade aplicada às "escutas" ao primeiro-ministro não bastasse, o apoio dedicado ao procurador-geral por figuras do gabarito do bastonário dos advogados e da dra. Morgado dos super-processos-que-nunca-vão-longe prova concluden- temente que não há razoabilidade nenhuma.

Há a história pessimamente contada do famoso outlet, há uma investigação curiosamente enxovalhada pelo topo hierárquico e há uma justiça que finge querer influenciar a política para disfarçar a influência que a política exerce de facto sobre a justiça. Há, em suma, pouca vergonha. E não poucos poderes.



Na Argentina:

Filhos adotivos recusam possibilidade de adoção
por "casais" homossexuais

Ver artigo em:

http://uniaodasfamiliasportuguesas.blogspot.com/2010/08/na-argentina-filhos-adotivos-recusam.html






Sua Santidade Sócrates ascende aos altares

João Miguel Tavares, Correio da Manhã 

Quando SSS (Sua Santidade Sócrates) apareceu terça-feira na sua residência oficial a congratular-se com o fim da investigação ao caso Freeport, afirmou – e cito – que assim se demonstrava não haver "razão para acusar quem quer que fosse de financiamento ilegal a partidos, corrupção ou tráfico de influência".

Depois virou as costas e foi-se embora, porque não há nada como uma boa proclamação de inocência sem direito a perguntas – actividade que o primeiro-ministro muito aprecia, seja em declarações à imprensa, seja em entrevistas à RTP.

Infelizmente, SSS mais uma vez confunde – outra das suas actividades favoritas – o não haver "razão para" com o não haver "provas de". Isto já para não falar da diferença entre responsabilidade política e responsabilidade criminal, uma subtileza demasiado subtil para a sua cabecinha. O caso Freeport fede, fedeu e continuará a feder por todos os lados, e lá por a polícia e o Ministério Público não terem sido capazes de descobrir os responsáveis pelo mau cheiro, não significa que ele não exista. Aparentemente há provas de que Manuel Pedro e Charles Smith pediram muito dinheiro ao Freeport e que o Freeport lhes entregou esse dinheiro – e o elo quebra-se aí. Mas tenho cá para mim que os dois senhores não hão-de ter agarrado nas notas para fazer barquinhos e lançar ao Tejo. Desconfio de que as entregaram a alguém – até porque o Freeport acabou miraculosamente aprovado nas vésperas de o PS sair do governo.

Ora, a esta pergunta José Sócrates nunca respondeu: porque é que o empreendimento foi aprovado nas vésperas de o PS sair do governo? O nosso SSS fez declarações, deu um par de entrevistas, mas esta singelíssima questão continua envolta no mais profundo mistério. E – aposto – assim continuará, até porque a linha que separa a verdade da mentira há muito se eclipsou da sua confusa memória.



Os hospitais das Forças Armadas

João Brandão Ferreira

Grassa, novamente, grande celeuma por causa da reforma da saúde militar, assunto recorrente desde os idos de … 1977!

Cada vez que chega ministro novo, lá se desenterra a polémica da reforma da saúde militar, grupo de trabalho para aqui, discussão para acolá, memorandos, notícias nos jornais, palpites a esmo.Ninguém se entende, avanços e recuos. Sai montanha aparece o rato.

Alguma coisa se tem feito e parece que ninguém está satisfeito mesmo quando as coisas não funcionam nada mal.

Com o anterior ministro, a cena repetiu-se, mas como não tinha força no governo e no partido que o sustentava, nem grande jeito para a função, tudo se baldou em nada. Agora temos um ministro ignorante da coisa militar, com passado trotkista e anti militarista primário, mas com peso político. E já demonstrou que não é peco de ideias. Daí a voltar à carga na saúde militar, foi um fósforo.

Desta vez a coisa soa a sério.

Só que não sabemos se são sérias as intenções do senhor ministro e os exemplos dos seus antecessores não são de molde a sossegar-nos.

As principais razões que estão na origem das dificuldades em avançar nesta aérea – que é complexa, é bom que se refira – é a falta de conhecimento dos políticos nesta matéria e não saberem exactamente o que querem para além do “deja vú”: reduzir custos e alienar património, a fim de obter uns trocos que lhes aliviem a tesouraria...

Além disso condicionam, à partida, qualquer reestruturação que se deva fazer, pois não querem ouvir falar em investimento. Ora está para vir o tempo em que se pode fazer uma sem o outro…

A Armada,o Exercito e a FA, também não se entendem sobre o que querem – quando querem. Aqui há um problema de raiz que começa dentro de cada ramo: de um modo geral a hierarquia militar percebe pouco de saúde (e não tem apetência para isso), ao passo que o pessoal ligado à saúde, não entende quase nada de tropa (nem tem apetência para isso). Ora como estamos a tratar de dois termos “saúde” e “militar” estes camaradas em vez de se entrincheirarem atrás de eventuais preconceitos melhor seria que aparassem a ignorância que lhes cabe em sorte e tentassem aprender uns com os outros. A crónica falta de exclusividade entre o pessoal da Saúde e as rotinas criadas,fazem o resto.

A um nível em que as coisas já não se passam assim, isto é, o Conselho de Chefes Militares, cada um refém de uma realidade distinta, falha-se no entendimento e entra-se em passo trocado com o senhor ministro que nem sabe marcar passo, mas tem o ministro das finanças e um lote de jornalistas à perna.

Entra-se de seguida, em cacafonia.

No meio da cacafonia percebe-se, contudo, que ninguém está, aparentemente, preocupado com a Saúde Militar. O assunto está desfocado.

Sejamos claros: a única razão para a existência de um Serviço de Saúde Militar (SSM), em cada ramo é o apoio às forças em operações. E como a realidade operacional de cada ramo é diferente, cada serviço de saúde tem que estar organizado em conformidade. Nem tudo é miscível, embora haja actividades que podem ser exercidas em comum. O apoio às tropas, isto é, à sua operacionalidade, corre um largo espectro de acções: selecção e recrutamento; prevenção da doença; aconselhamento de estado maior; investigação; apoio directo às operações de combate; evacuação e tratamento de feridos, tanto em hospitais de campanha como em hospitais de retaguarda (tudo aliás bem definido a nível NATO), recuperação de indisponíveis a fim de que posam ser lançados novamente no serviço activo; tratamento e assistência a deficientes; gestão de stocks de medicamentos e material de apoio médico e cirúrgico,etc; e nos últimos anos até se têm desenvolvido uma quantidade apreciável de acções saúde militar, no âmbito da cooperação técnico militar, com os PALOPs e em operações de Paz e Humanitárias, que vêm sendo desenvolvidas no espectro bilateral, NATO, ONU, UE, etc.

Ora salvo melhor opinião, não parece que alguém ande preocupado ou a discutir algo disto. O que se anda a discutir é o que os SSM devem fazer na sua capacidade supletiva, isto é, o apoio à família militar (o que não é dispiciendo). Ora a família militar com o fim das campanhas ultramarinas, aumentou muito, ao passo que os efectivos no activo não pàram de diminuir. Daí a pressão nos hospitais das FAs, alguns dos quais foaram,entretanto, fechando…

Ora bem, o apoio à família militar é mais um problema do IASFA do que dos Ramos e respectivos serviços de saúde e pode ser resolvido estabelecendo contratos com os hospitais e centros de saúde civis, o que já acontece em muitos casos.

Acontece também que os hospitais militares, estão a abarrotar com doentes, pois apoiam outrossim os efectivos da PSP e GNR (que já dobram o número dos militares…), além de que se alargou o apoio em determinadas especialidades aos utentes da ADSE, ou seja está tudo a trabalhar em ocupação adequada e em proveito de todos.

Há apenas que racionalizar o que fôr de racionalizar, como aconteceu por ex., no hospital da Força Aérea com a marcação de consultas – que melhorou imenso – depois de um incidente evitável. Não se percebe pois, qual é o problema nem porque o senhor ministro insiste em transformar quatro hospitais que estão a funcionar relativamente bem e reduzi-los a um (mais um hospital no Porto), ainda por cima sem querer gastar um tostão? Quer arranjar um monstro como S. Maria? Mas para ser apenas um, não pode ser qualquer dos militares existentes, pois nenhum deles comporta o volume de trabalho dos quatro, além do que mudar infra estruturas custará muito dinheiro, fora os símbolos de impossibilidade...E o que fazer com os investimentos que continuadamente se têm feito nos actuais hospitais? E se se transferir um fluxo de utentes para os hospitais civis (com o ónus moral na família militar …), não se vai transferir os custos de um lado para o outro?

Tudo isto impondo-se prazos irrealistas. O resultado será o nivelar por baixo, a confusão no sistema, como aconteceu recentemente com as mudanças na “assistencia na doença”. E resta esperar que muitos dos profissionais de saúde não façam as malas e abalem...

Porém, a cereja em cima de todo este bolo é a discussão sobre o serviço de urgência militar!

Julgamos que na actual conjuntura não se torna necessário qualquer serviço de urgência conforme aquele que conhecemos nos hospitais que a têm. Nada o justifica ( além de que não há meios!). Em primeiro lugar porque a rede de urgências no País é suficiente . Qualquer acidentado militar pode ser transportado para uma delas sem qualquer problema e sem acréscimo de custos. Os hospitais militares, por seu lado, já dispõem de serviços de triagem que podem enviar rapidamente qualquer doente necessitado para uma urgência civil.

Em caso de crise ou guerra o caso pode mudar de figura, mas nessa altura todo o pessoal militar médico e de enfermagem fica mobilizado 24H por dia (adeus consultórios privados e duplo emprego…) , e faz-se o que se tiver que fazer.

Ou seja, insistimos em arranjar problemas onde não os há… Onde os há, parece que ninguém quer saber. E problemas nos SSM, existem, fundamentalmente, a nível de recrutamento, formação e retenção de médicos e de enfermeiros; gestão das suas carreiras; na contratação de técnicos civis (não há dinheiro!), e na questão dos vencimentos.Por último, na harmoniosa integração dos SSM no todo militar.

E o que é mais trágico em tudo isto é que os chefes militares não se entendam em privado, e se antagonizem em público.

Eu que sou só TCor – e para alguns lerdo de entendimento – quer-me parecer que devia ser exactamente ao contrário.


quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Cavaco, tão perto e tão longe?

José Ribeiro e Castro, Expresso, 2.8.2010


Para a direita, o centro-direita, e o centro não capturado pela esquerda, estes meses surgiram diferentes do que se previa: um futuro sem Cavaco, ou com Cavaco cativo do eleitorado PS. Não é famoso. Se Cavaco Silva tivesse vetado a lei do casamento homossexual, a questão provavelmente não teria surgido. Mas, após 17 de Maio, tudo ficou mais incerto: não porque se apresentasse outro candidato, mas porque Cavaco Silva deslocou-se de sítio, de referência e de eleitorado.

Em 2006, Cavaco ganhou à primeira volta por 35 mil votos. Não foi grande folga. E alguns inquéritos mostram duas coisas: um declínio do apelo eleitoral e a deslocação para a esquerda do seu eleitorado, tornando-o mais dependente de votos PS para uma reeleição. Os inquéritos Aximage-Correio da Manhã ilustram-no: Cavaco vencia com 60 por cento em Janeiro, com 56 em Março, só com 53 em Junho; e o voto socialista em Cavaco fez-se indispensável, havendo mais eleitores PS a votar Cavaco (36,6%) do que Alegre (34,2%).

Muitos repetem que, numa 2ª volta, Cavaco perde. Isso demonstra uma confrangedora falta de confiança. E assenta em premissas totalmente falsas. Nestes sistemas eleitorais, pode dizer-se quase de ciência certa que quem não ganha uma segunda volta, não é eleito certamente à primeira - e quem ganha logo à primeira, ganharia seguramente a segunda. A questão verdadeira é, portanto, outra: se, pelos seus actos, Cavaco Silva enfraqueceu ou alienou a possibilidade de ser reeleito à primeira volta, o que é melhor para fortalecer as hipóteses de eleição à segunda? Mais candidatos nesse espaço? Ou o monopólio cavaquista? A resposta temo-la na dinâmica natural destes sistemas, incluindo no único caso ocorrido em Portugal: a pluralidade de candidaturas representativas num dado espaço eleitoral favorece a sua mobilização e competitividade; e potencia a sua vitória à segunda volta. Em 1986, Freitas do Amaral não teve mais ninguém no seu espaço de captação eleitoral: liderou folgado à primeira volta; mas perdeu à segunda. Em 1986, só houve segunda volta à esquerda - resultado: a esquerda ganhou.

Ou seja, se o centro e a direita querem vencer as próximas presidenciais e, depois, terem um Presidente do seu espaço e não do outro, podem ter mais hipóteses com diferentes candidatos do que com a suave espera cavaquista.
Pode ser mais seguro ser da maioria presidencial à segunda do que à primeira.

O caso simbólico do não-veto não foi apenas isso, mas o despertador de mais desapontamentos adormecidos: a forma como visitou a Madeira, recebendo a oposição regional numa sala de hotel; o modo como se desenvolveu o diferendo no Estatuto dos Açores; o caso das escutas em Belém e o seu estrondo em cima da campanha do PSD, nas últimas legislativas; a não exigência do referendo ao Tratado Europeu, ao arrepio de todas as promessas eleitorais de 2005; o consentimento do governo minoritário de Sócrates. E, quando Marcelo Rebelo de Sousa, conselheiro de Estado designado por Cavaco, comentava, a propósito do funeral de Saramago, que "é mais importante ser-se Presidente do que os netinhos" - isso ilustra outra fraqueza: a quebra de autoridade externa.

Os desapontamentos feriram os sectores que mais acreditavam em Cavaco e que mais se bateriam quando as coisas apertassem. Agora, as coisas ficaram mais dependentes do cinismo dirigente e do calculismo de ocasião. Isto é mais fraco do que uma candidatura enraizada em convicções, sinceridade, identificação e esperança. Sobretudo é mais vulnerável e incerto. E, por isso, ficou mais complicado. E mais em aberto.

A seis meses de vista, num país em crise, confundido e descrente, estamos perto, mas tudo parece ainda tão longe. Falta entusiasmo, esperança, energia. E falta verdade.



A McDonald's produz anúncio
promovendo a homossexualidade entre os jovens

A União das Famílias Portuguesas alerta para o facto da McDonald’s da França ter produzido um anúncio para a televisão fazendo a apologia da relação homossexual entre um rapaz e outro da sua escola.

Ler mais em:

http://uniaodasfamiliasportuguesas.blogspot.com/2010/08/boicote-mcdonalds-por-promover.html



.

A ministra da educação que organiza debates

Heduíno Gomes

O normalíssimo – que por isso significa bom – sistema de ensino que havia em Portugal foi destruído por Veiga Simão no Governo de Marcelo Caetano. A partir daí, temos o sistema dito «democrático», que está à vista, agora no seu apogeu. Com mais fantasia ou menos fantasia, com mais demagogia («paixão») ou menos demagogia, com mais reforma ou menos reforma, este sistema está condenado nos seus pressupostos antropológicos, filosóficos, didácticos e pedagógicos em geral. Nada a fazer, remendar é inútil.

Mas, de vez em quando, aparece um ministro (nos últimos tempos tra) ou secretário de Estado particularmente iluminado a dar mais uma achega ao caos, matando-nos as saudades da época cavaquista com o genial Roberto Carneiro, que iria acabar com os chumbos através de pacotinhos de leite com chocolate... e obviamente da manipulação das estatísticas.


É agora o caso de Isabel Alçada, que, além de confirmar a sua sistémica confusão das «novas pedagogias», particularmente do agrado da esquerda bem-pensante, vem, com a sua confessada falta de ideias, dizer que vai organizar um debate para descobrir como é a melhor maneira de acabar com os chumbos. A parte positiva da intervenção de Isabel Alçada é confessar de facto o seu vazio de ideias sobre a questão. A senhora confirma assim que foi parar a tra da educação como poderia ter ido parar a tra do ambiente ou tra do comércio externo.
















Quem logo aplaudiu entusiasticamente a ideia foi o subsidiodependente socialista Albino Almeida, particularmente adulador do poder, supostamente representante dos pais dos alunos de Portugal. E daí os media poderem dizer que os pais concordam com a parvoíce...

Por sua vez, o profissional-sindicalista da Fenprof Mário Nogueira coloca as suas pertinentes condições: sim senhora, boa ideia, mas temos de ver isso das condições para concretizar a ideia, isto é, a massa! A massa! A massa!