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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
José Mourinho, um português de quinhentos
João José Brandão Ferreira
“Deus deu aos portugueses, um leito estreito para nascer e o mundo inteiro para morrer”.
Padre António Vieira
Quem acompanha os meus escritos sabe que gosto de futebol, mas sou muito crítico relativamente ao que se passa no futebol português.Mas hoje ao ver José Mourinho (JM), ganhar o prémio da FIFA, de melhor treinador do mundo, confesso que fiquei muito contente. Contente, não só por ver o reconhecimento de uma excelência num determinado campo profissional de um compatriota mas, sobretudo, porque JM fez questão de agradecer o prémio na língua portuguesa e ter afirmado o orgulho na sua nacionalidade. Isto, nos tempos que correm, não tem preço! É um gesto semelhante àquele do General Rocha Vieira, quando encostou ao peito a última bandeira portuguesa que tremulou em Macau. E os gestos são tanto mais importantes quanto mais espontaneidade revelam.
JM não parece um português de agora, tristonho, desmoralizado, descrente das suas capacidades e da vida, sem garra, corrompido nos seus valores; JM parece um português de 1500, inebriado pelas façanhas de Gamas, Albuquerques, Almeidas e Cabrais, pujante, cheio de confiança em si, sem medo de enfrentar Adamastores, fossem eles quais fossem, com Fé no seu destino e cônscio de uma missão que o ultrapassava.
O português de 1500, não receava os estrangeiros e impôs-se-lhes, tal como JM, a quem as fronteiras nacionais um dia constrangeram.
Dizem que JM é arrogante. Não sei se será nem o conheço pessoalmente para ter uma ideia definitiva. Mas não creio que seja. Direi que parece arrogante, mas que o faz por táctica. Uma táctica, aliás, arriscada. Mas o gosto do risco está-lhe na massa do sangue…
Quem por outro lado se emociona com gestos ou palavras, não me parece que seja arrogante. Quem sabe ouvir, também não pode ser arrogante. O que as pessoas se desabituaram foi de assumir a sua auto confiança em público, a encobrirem as suas convicções, a adaptarem o discurso a conveniências.
Por isso, afirmações de JM podem chocar e destoam. A sociedade habituou-se a que a hipocrisia fosse o juro que o vício paga à virtude…
JM só tem de ter a modéstia interior de não se julgar superior a ninguém (pecado que feriu alguns portugueses, século XVI fora) e isso não é incompatível com ser o “special one”.
A inveja vai ser o seu pior inimigo e terá que se blindar contra isso. A aparência da arrogância pode ser parte do processo.
JM é um bálsamo para o país, mesmo quando abraçou aquela ideia absurda, da Federação Portuguesa de Futebol, de o pedir emprestado, por umas semanas, ao Real Madrid para retirar a selecção nacional de apuros. Ele o fez, aparentemente, por patriotismo e por acreditar que poderia ajudar o “onze” português a não ser eliminado do próximo mundial. Mesmo correndo o perigo de ser acusado de ingénuo e de possíveis más reacções dos castelhanos. Estamos em crer que treinar a equipa das quinas é um objectivo muito desejado (não lhe chamaria obsessão), que um dia se realizará e que se deve encarar como natural e não com expectativas sobrelevadas.
JM foi bafejado com dotes de liderança e devia ser exemplo para políticos, sobretudo para aqueles que são falhos de uma Ideia de Portugal; que não respondem à letra a ataques ou indelicadezas de chefes estrangeiros; que genuflectem a cerviz perante Bruxelas ou quaisquer outros interesses estrangeiros; que se afirmam publicamente iberistas (o que configura até, um crime de traição à Pátria), que insistem em falar “castelhanês”, e daqueles que se consagram à guerra civil permanente político – partidária.
E deve também ser um exemplo para todos nós, pois encara a vida de frente, subiu a pulso e soube aproveitar as oportunidades surgidas. Possui carácter e valores e não se lhe conhecem vícios nem vilanias.
Devíamos promover a emergência de Mourinhos em todas as áreas da vida nacional e valorizá-los.
Virou moda em Portugal, afirmar-se que “a minha Pátria é a língua portuguesa” (invocando Pessoa – normalmente só no que lhes interessa). Não concordo nada com esta afirmação, já que a “Pátria” é muito mais do que a língua.
Mas ao ouvir esta última expressão de Mourinho, em bom português, vou esquecer, por esta vez, essa minha convicção.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Apologia do voto inútil
Gonçalo Portocarrero de Almada
Entre o muito mau e o péssimo, o diabo que escolha!
Em tempos de eleições presidenciais, legislativas ou autárquicas, é recorrente o recurso ao argumento do voto útil. Na gíria política entende-se por voto útil a escolha do candidato ou do partido que, mesmo não reunindo as condições que o eleitor desejaria sufragar, é no entanto o menos mau dos candidatos com hipóteses de ganhar. Na perspectiva eleitoral, o voto num partido ou candidato que nunca poderá vencer é sempre um voto perdido ou, pior ainda, um voto nas candidaturas que ficariam beneficiadas com a inutilidade prática desse voto idealista. À medida que se aproxima um acto eleitoral, esfumam-se os axiomas éticos e os princípios, que cedem o seu lugar à pressão das sondagens e das conveniências do momento, quase sempre apresentadas como inadiáveis exigências de salvação nacional. À conta desses pretensos imperativos de ordem pública, engolem-se não poucos sapos e conspícuos cavalheiros travestem-se ideologicamente, em malabarismos de rara acrobacia e discutível moralidade. E quem não se disponibilizar para uma tal cambalhota eleitoral e decidir não vender, nem hipotecar, o seu voto, é certo e sabido que pagará cara a factura da sua verticalidade: à partida é, pelo menos, um utópico e, à chegada do desastrado resultado eleitoral que a sua atitude propiciou, é um cúmplice do inimigo, um traidor.
É sabido que a história do voto útil tem barbas. Nas vésperas da segunda guerra mundial, o voto útil funcionou a favor de duas grandes forças extremistas. Quando a Alemanha se encontrava numa muito delicada situação interna e externa, os nazis apareceram como a força mais eficaz para deter o triunfante bolchevismo, que ameaçava a liberdade alemã e europeia. É certo, em termos históricos, que muitos dos apoiantes de Hitler o fizeram à conta do voto útil: mesmo não concordando com as teses nazis, entenderam que essa era a única força política capaz de deter o comunismo internacional e, por isso, deram-lhe o seu voto. Em sentido contrário, o voto útil também funcionou a favor do bolchevismo que, para muitos anti-nazis, parecia ser o mal menor ou, pelo menos, a única estrutura partidária com força suficiente para se opor, com eficácia, ao nacional-socialismo. Mas é óbvio que tanto uns como os outros, quer votando de olhos fechados em Hitler, quer dando o seu contrariado voto aos seguidores de Estaline, favoreceram as respectivas tiranias e votaram contra a liberdade, a democracia e o bem comum. Os seus votos foram úteis, sem nenhuma dúvida, mas para o mal.
Não é só na vida privada que o crime não compensa, porque também na vida política essas leviandades pagam-se caras, como sabem os que sofreram a ditadura nazi na Alemanha, ou os que padeceram os horrores do comunismo na Rússia e nos outros países que também viveram, ou ainda vivem, sob a ditadura do proletariado. Na realidade, tanto os que sufragaram Hitler como os que apoiaram Estaline perderam, porque a vitória moral e política foi daqueles «inúteis» que souberam privilegiar uma atitude de coerência ética, sem se deixarem intimidar pelos falsos argumentos de uma suposta utilidade nacional ou internacional.
Se, por absurda hipótese, houvesse que escolher entre Estaline e Hitler, seria caso para dizer que venha o diabo e que escolha porque, por mais útil que fosse votar em Hitler, para que Estaline não pudesse ganhar, ou votar em Estaline, para que Hitler não saísse vencedor, seria sempre uma escolha dos diabos. E a quem o não seja, só lhe resta uma hipótese digna: não votar em nenhum dos dois, por mais inútil que uma tal atitude pudesse parecer.
Em Portugal, Hitler e Estaline não vão a votos, felizmente. Mas, mesmo sendo eticamente lícita a votação no menos mau dos candidatos, resta saber se uma tal opção é suficientemente digna. Sendo escassas as garantias de idoneidade moral dos prováveis eleitos, por ausência de princípios éticos humanistas, ou por falta de coerência na sua aplicação – recorde-se, a este propósito, a promulgação da lei dos casamentos de pessoas do mesmo sexo – é provável que a opção mais coerente e honrosa não passe pelo voto no menos mau candidato, nem no péssimo, pelo menos para quem, na sua vida pessoal e na sua actuação pública, não se pauta por conveniências contingentes, mas por princípios e valores permanentes.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Malagatana e Portugal
João José Brandão Ferreira
Malangatana, artista plástico e poeta moçambicano de envergadura internacional, faleceu em Portugal, a 5 de Janeiro. Paz à sua alma.Malangatana (M), nasceu português, em 6 de Junho de 1936, na vila moçambicana de Matalana, uma povoação do distrito de Marracuene. Aprendeu a ler e escrever numa missão suíça protestante e acabou a instrução primária na escola da missão católica, em 1948.
Com 12 anos mudou-se para Lourenço Marques onde ganhou a vida em diferentes trabalhos humildes. Acabou sendo criado no Clube de elite da capital provincial, o que lhe permitiu estudar à noite, nascendo aqui o seu gosto pelas artes e tendo como mestre Garizo do Carmo. Um dos membros do Clube de Ténis, Augusto Cabral ofereceu-lhe o material de pintura.
Em 1958 “M” ingressa no “Núcleo de Arte”, uma organização artística local, onde teve o apoio do pintor Zé Júlio. No ano seguinte faz a sua primeira exposição e passa a artista profissional, o que só foi possível devido ao apoio e incentivo do arquitecto Miranda Guedes, que disponibiliza a sua garagem para atelier e lhe compra dois quadros por mês. Como era cruel a colonização portuguesa…
A carreira de “M” prossegue e tem outro marco importante na sua primeira exposição individual, no Banco Nacional Ultramarino, em 1961. Tinha 25 anos. Em 1963 publicou os primeiros poemas no jornal “Orfeu Negro”, sendo incluído na Antologia da Poesia Moderna Africana.
Por esta época surgem rumores da ligação de “M” à Frelimo, movimento que combatia a integração de Moçambique na Pátria portuguesa. “M” acaba por ser preso pela PIDE mas, não se provando o seu envolvimento foi absolvido, em 23 de Março de 1966.
Os seus quadros, de forte cariz social, continham simbologia de conteúdo político, embora não explícita. Por via disso “M” é novamente detido, em 4 de Janeiro de 1971, para ser interrogado. Mas tal não veio a impedir a sua vinda para Lisboa, onde tinha obtido uma bolsa de estudo na Gulbenkian.
Como era cruel a colonização portuguesa…
Durante os tempos que passou na Metrópole trabalhou, estudou e expôs em vários locais, empresas e instituições e, em 1973, vai para a Suiça a convite de amigos, começando, assim, a sua internacionalização.
Com a independência de Moçambique, em 25 de Setembro de 1975, “M” volta à sua terra natal e envolve-se na actividade política e social, chegando a ser eleito deputado pela Frelimo, em 1990, e para a Assembleia Municipal de Maputo, em 1998 e 2003. A sua actividade cultural no novo país também foi relevante. Algumas das suas actividades exteriores estiveram, porém, muito ligadas a regimes marxistas, como foi o caso da URSS, Cuba, Zimbabué e RAS. Esteve também ligado à UNICEF. Está representado em vários museus do mundo e colecções particulares e a sua obra foi objecto de diversos filmes e documentários. Possui vários prémios e distinções, incluindo o Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e o de Doutor “Honoris Causa”, pela Universidade de Évora.
Não deixa de ser curioso que “M” tenha vindo acabar os seus dias a Portugal, onde dava aulas no Porto, e onde se tratou na sua doença. Como foi cruel a colonização portuguesa…
O governo da “Nação Fidelíssima”, decidiu prestar-lhe uma homenagem póstuma, logo a seguir ao seu passamento. E deu-lhe honras de Jerónimos, “catedral” que simboliza a missão consubstanciada pela esfera armilar e que, justamente, acolheu o nascituro “M”, em Matalana.
Compreendia-se que os altos representantes da capital ex-imperial sufragassem “M” como nascido português (viveu até mais de metade da sua vida nessa condição), e como fruto da portugalidade, expoente futuro da Lusofonia.
Homenageá-lo apenas como Moçambicano parece menos acertado.
Menos se compreende quando por parte das autoridades daquele país, não existe reciprocidade. Pelo contrário existem até, alguns actos hostis, como foram os da postura relativamente à barragem de Cabora Bassa e falta de “agradecimento” pelas “cedências” em toda a linha das autoridades portuguesas; pelo fraco empenhamento na CPLP; por manterem as estátuas de uma história comum, apeadas; por levaram décadas a quererem colaborar no arranjo e manutenção das campas dos militares portugueses espalhados pelo território moçambicano; por pagarem tarde e a más horas às empresas portuguesas que lá labutam e pela inqualificável atitude do ex-presidente Chissano que, após ter sido distinguido com o título “honoris causa” pela Universidade do Minho, a única coisa que entendeu dizer, quando entrevistado após a cerimónia – em que estava ladeado pelo presidente português e pelo seu antecessor – foi a de que os portugueses deviam pedir desculpa, pela escravatura. Ninguém lhe respondeu à letra! Isto só para citar alguns exemplos.
Finalmente não ficaria mal ao executivo desta nação portuguesa, cantada por Camões, dedicar alguma atenção a faustos lusos. Seria sensato e equilibrado. Neste âmbito bem fariam em defender e acarinhar os moçambicanos de todas as cores, que lutaram nas Forças Armadas portuguesas, em vez de agraciarem traidores e desertores.
Seria da mais elementar decência.
Esqueceram-se, ainda como exemplo, do Herculano e da passagem dos 200 anos do seu nascimento e Couto Viana que foi excelente poeta, mas gozando do infeliz título de “patriota”, a AR recusou-se a um simples voto de pesar. Não temos que nos admirar, pois que dizer dos representantes do Estado, que se recusam a comemorar, sequer a lembrar, a Restauração da Independência, a 1 de Dezembro?
Os políticos poderão alegar ter a legitimidade de votações maioritárias, mas perdem-na constantemente pelos seus actos, profundamente ilegítimos, por antinacionais.
domingo, 2 de janeiro de 2011
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
O MDN presidiu a um colóquio...
João J. Brandão Ferreira
O MDN não se limitou, porém, a presidir à sessão e a dizer umas palavras de circunstância, não, ele próprio fez uma conferência. Por sinal notável.
Notável, não propriamente no conteúdo mas, sobretudo, na forma inteligente como encadeou a substancia e a argumentação para atingir o seu objectivo; e, igualmente, pela forma como foi dita. O Sr. ministro é um orador exímio.
Qual era então, o objectivo do MDN? Pois era o de fazer um balanço algo equilibrado da I República – ao contrário do que fazem próceres republicanos mais fundamentalistas –, ignorar olimpicamente o “Estado Novo”para, reportando-se à actualidade nascida no pós Abril de 1974, nos dizer que agora estamos no bom caminho, pois não se tem cometido os erros que se seguiram ao 5 de Outubro de 1910.
O discurso é todo ele voltado para o futuro e não para o passado, sem demagogia e aproveitando para fazer doutrina, cuja importância o orador aprendeu, certamente, durante a sua formação politica na juventude.
Sem embargo o discurso suscita alguns comentários.
O Dr. S. Silva começa por tentar justificar a República pelos “valores” republicanos emergentes e pela necessidade de mudar o regime a fim de se resolverem os problemas económicos, financeiros e sociais existentes, sendo a “regeneração” do país sinónimo de republicanismo.
Não cremos que o Dr. S. Silva tenha qualquer razão. Em primeiro lugar porque os tais valores alegados já existiam, na sua maioria, desde a implantação do Liberalismo, em 1820. A única grande diferença era a figura do chefe do estado não ser eleita por meio de votos.
Por outro lado, quaisquer que fossem os “valores” alegados, estes ficaram irremediavelmente manchados pelo regicídio e pela baixa politica contumaz desenvolvida pelo Partido Republicano (PRP) e seus apêndices/tutores.
Finalmente, usaram a insurreição armada para a tomada do poder, sem haver qualquer factor de ordem política, social, de ameaça interna ou externa, etc, que justificasse a acção tomada. E nunca fizeram sequer um referendo para legitimarem a nova “ordem”.
E também ficou provado à saciedade que a mudança de regime não só não regenerou a Pátria, nem resolveu qualquer problema, como os agravou a todos.
Passou, de seguida, o MDN a analisar o “passivo” e o “activo” da I República.
Como passivo indicou – e bem – a sucessão de decepções consubstanciadas nas promessas não cumpridas (quebra de legitimidade social, não implementação da descentralização administrativa, diminuição das liberdades politicas, intolerância e violência politica); as acções de governo que se revelaram serem rupturas excessivas ou deslocadas (a questão religiosa, o tratamento do operariado); aquilo a que chamou de “continuidades incríveis” (o Partido Democrático ter feito suas as listas das clientelas de anteriores partidos monárquicos; o partido no poder nunca perder eleições) e, ainda, o que considerou serem os grandes insucessos republicanos: o combate ao analfabetismo e a participação na I Grande Guerra, nomeadamente na incapacidade em retirar dividendos na conferencia de paz.
Sobre isto temos apenas a dizer que, infelizmente, o quadro do passivo dos 16 anos daquela “balbúrdia sanguinolenta” (Eça de Queiroz dixit), é muito mais negro do que aquele pintado por quem gosta de “malhar na Direita”.
E passou, de pronto, aos activos:
Progresso na forma politica, referindo o parlamentarismo como a expressão de diferentes opiniões; a libertação de formas de tutela religiosa; a criação do registo civil; modernização dos quadros normativos que regulavam a vida social e o sistema nacional de educação.
Neste âmbito as conclusões do Sr. ministro são mais facilmente desmontadas, senão vejamos:
O parlamentarismo não representou nenhuma melhoria política, não só porque já existia desde 1820, como nunca funcionou bem, tendo piorado após o 5 de Outubro a ponto de se poder afirmar que o que passou a existir foi uma anarquia parlamentar; a libertação de tutelas religiosas só em parte representa um ganho (no sentido de eventuais constrangimentos à liberdade individual), já que passou a haver uma “tutela” civil, ou laica, além do que o modo como trataram a Igreja, os padres e os religiosos, não tem qualquer qualificação; quanto ao registo civil era uma tarefa que fazia parte das atribuições do Estado. Se o serviço era prestado pelas autoridades religiosas, só se lhes devia dar crédito por isso, pois mais ninguém o fazia…
Por outro lado, não se entende muito bem, qual o avanço no quadro normativo da sociedade, a não ser naquilo em que mudou o simbolismo e nas referências monárqui-
co/nobiliárquicas. As promessas, como o orador referiu, também não foram cumpridas neste particular. E nem sempre aquilo que é julgado “avançado” é o mais adequado para a especificidade do povo a que se aplica…
O sistema educativo, esse sim, tinha bastantes aspectos positivos e foi pena não ter dado os frutos que se esperavam, por via da instabilidade que afectou todos os sectores da vida nacional, e que se tornou crónica.
Aqui o Dr. S. Silva fez uma pausa para ignorar o Estado Novo, desclassificando-o de “República” e crismando-o de “Ditadura”, e para afirmar que aquele tempo foi de “regeneração no campo republicano”. Dá ideia de que o país esteve imerso numa espécie de “buraco negro”.
Apenas alguns comentários: em termos de ciência politica podemos dizer que o termo “ditadura” se deve aplicar ao período que vai de 1926 a 1933, em que a Constituição de 1911 foi suspensa e não foi substituída por outra. E podemos, até, dividir a ditadura em três, ou seja uma ditadura militar, entre 1926 e 1928; uma ditadura financeira entre 1928 e 1932 e uma ditadura politica, até à entrada em vigor da Constituição de 1933.
Por isso, quer o MDN queira ou não, Portugal continuou a ser uma República, não só porque assim era designado constitucionalmente, como a prática obedecia ao princípio republicano de governo. O que não havia era o parlamentarismo como tinha existido no constitucionalismo monárquico e na democracia directa, após o 5 de Outubro, que tinham, aliás, revelado ser um verdadeiro desastre politico para o país.
Mais ainda Sr. ministro, o plebiscito efectuado em 1933, constituíu até, a única forma de legitimação do novo regime feita até então.
E se, por acaso, tiver dúvidas do que as pessoas preferem, se um ditador integro e competente, ou uma mão cheia de democratas corruptos e, ou, ignorantes, tente fazer uma sondagem e verá como fica esclarecido…
Mas passemos ao presente, pois essa era a grande aposta do auto imposto conferencista. Agora (defendeu), é tudo diferente – subentende-se, que para melhor – da I República que, segundo António Sérgio “não conseguiu cumprir os seus ideais”, sic. Hoje o “plano de relação com a I República é fundado na distância”, e citando Popper, veio dizer que a “actual Democracia é o regime político que permite que os governos percam eleições”. Inteligente este ministro.
Tudo agora é diferente, “entrámos na UE, existe muito mais parceria social” (seja lá o que isso for). Acusou Afonso Costa de pretender que “a República fosse cativa dos republicanos”, e defendendo A. José de Almeida que opinava “ser o regime de todos os portugueses”, e que “após o 25 de Abril a situação é muito mais clara e ninguém se pode arvorar em dono da revolução”. Curioso isto.
Finalizou dizendo que “hoje estamos muito longe da República na questão religiosa – a religião não tem que ser evacuada do espaço público!”, e não estamos “obcecados pela questão jacobino/religiosa”, existindo “muito mais preocupação com a estabilidade politica”, lembrou os “ 45 governos que houve entre 1910 e 1926 – ou seja um governo, em média de três em três meses (após o 25/4 vamos em 30, ou seja um por ano)”, o que parece mesmo assim ser uma média desadequada…
O sistema, defendeu ainda, não “se compraza com a instabilidade nem com o comandamento por vanguardas” – quem o viu e quem o vê! Segundo S. Silva existe hoje a “centralidade da educação” e a “convicção das nossas próprias capacidades”, e remata “ a Nação não deve ser um lugar de depressão”.
Calha não termos, também, sobre esta última parte, a mesma ideia do ilustre sociólogo, começando por dizer que ao fim de 84 anos (1926 - 1974), parecia muito mal não se ter aprendido nada. Mas aprendeu-se pouco.
Comecemos pela “instabilidade”. A seguir ao 25/4 a instabilidade politica e social foi imensa, a ponto de o país ter ficado à beira de uma guerra civil. Isto para já não falar nas terras do Ultramar (convenientemente esquecidas pelo MDN), onde as iniquidades duraram décadas (com alguma excepção em Cabo Verde, S. Tomé e Macau). Contabilizam-se cerca de um milhão de mortos…
No entretanto a instabilidade politica e social na parte europeia que restou a Portugal, continuou, embora sem violência de maior, mas afundando-se a situação económico/financeira, mesmo sendo aguentada pela “pesada herança”deixada pelo regime anterior. E só foi ultrapassada após a intervenção do FMI.
As coisas serenaram com a entrada na CEE (não a UE…), quando começaram a jorrar, uma quantidade astronómica de fundos comunitários, o que permitiu lançar obras públicas em barda, ocupar as pessoas e distribuir subsídios.
Depois inventou-se o dinheiro de plástico e abriu-se portas à especulação financeira e outras. O pessoal perdeu a cabeça e pura e simplesmente passou a navegar-se à vista, estando a classe politica e empresarial muito mais interessada em fazer negócios e tratar da vidinha, do que governar bem e acautelar o futuro. Quanto ao povo entrou na onda e passou a consumir e a endividar-se desenfreada e alegremente. O exemplo vinha de cima.
Ou seja passámos a viver com dinheiro que não era nosso, com riqueza que não produzíamos e acima das nossas possibilidades; não aplicámos os fundos em investimentos que garantissem mais valias futuras e ainda ajudámos a destruir o nosso aparelho produtivo.
Quando os governos começaram a ficar sem dinheiro, os políticos fizeram a única coisa que homens pouco sérios sabem fazer: escamoteiam a verdade e pedem emprestado. Há dois anos que se começou a destapar esta gigantesca farsa (que está longe de ser exclusiva de Portugal), e entrou tudo em paranóia – afinal a nação é um lugar de depressão… Nunca tantos fizeram tão mal, em tão pouco tempo!
O Dr. S. Silva está mortinho de saber que a Instrução (e não a educação, que, também anda pelas ruas da amargura), consubstanciada no sistema de ensino, é um monumental embuste; que os portugueses acreditam tanto nas capacidades do país que passaram a emigrar às dezenas de milhar e que o regime é tão transparente que permite partidos monárquicos, mas impede (artº 288 da CR), que se possa ter um regime não republicano!
Quanto à questão religiosa concedo-lhe que houve umas tréguas e alguma esperteza na acção. Mas há meia dúzia de anos, que o ataque voltou através de ampla campanha de imposição laicista, ghetização dos católicos (e só desses), proibição de crucifixos nas escolas, limitações aos capelães nos hospitais, prisões e quartéis, dificuldades na regulamentação da Concordata, etc, etc. E, sobretudo, na subversão dos costumes, e na defesa da vida humana (divórcio, aborto, educação sexual, investigação genética, eugenia, eutanásia, casamento de invertidos, mudança de sexo, e o mais que estará para vir…).
E fará o Dr. S. Silva o favor de explicar o que é que a desvirtualização da frase de Popper, que resulta na “guerra civil” contumaz de se andar a atirar com os governos abaixo e a arranjar outros, ajuda à governação.
Existe, porém, uma diferença abissal entre a I República e esta III, em que agora estamos: é que os republicanos de 1910 eram, salvo raras excepções, patriotas e nacionalistas. Defendiam o reforço da soberania tanto na Metrópole como no Ultramar; tinham preocupações de defesa e não hostilizavam as FAs como instituição, etc. Os de agora abandonaram o Ultramar de qualquer maneira; evitam os termos “Pátria” e “Nação”, andam a “desmontar”não só as FAs mas todas as instituições nacionais; são internacionalistas e não têm qualquer pejo em alienar soberania.
Tudo somado, vejam bem, ainda prefiro os de 1910…
Os verdadeiros portugueses, Dr. S. Silva, não gostam da República Portuguesa, ou de qualquer outra coisa, mas sim de Portugal.
Passar bem.
Os cinco cavacos
(Autor desconhecido pela Redacção)
Cavaco Silva apresenta hoje a sua recandidatura. Foi ministro quando eu tinha 11 anos. Pode sair da Presidência quando eu tiver 46. Ele é o maior símbolo de tantos anos perdidos. E aqui se fala das suas cinco encarnações.
Sem contar com a sua breve passagem pela pasta das Finanças, conhecemos cinco cavacos. Mas todos os cavacos vão dar ao mesmo.
O primeiro Cavaco foi primeiro-ministro. Esbanjou dinheiro como se não houvesse amanhã. Desperdiçou uma das maiores oportunidades de deste País no século passado. Escolheu e determinou um modelo de desenvolvimento que deixou obra mas não preparou a nossa economia para a produção e a exportação. O Cavaco dos patos bravos e do dinheiro fácil. Dos fundos europeus a desaparecerem e dos cursos de formação fantasmas. O Cavaco do Dias Loureiro e do Oliveira e Costa num governo da Nação. Era também o Cavaco que perante qualquer pergunta complicada escolhia o silêncio do bolo rei. Qualquer debate difícil não estava presente, fosse na televisão, em campanhas, fosse no Parlamento, a governar. Era o Cavaco que perante a contestação de estudantes, trabalhadores, polícias ou utentes da ponte sobre o Tejo respondia com o cassetete. O primeiro Cavaco foi autoritário.
O segundo Cavaco alimentou um tabu: não se sabia se ficava, se partia ou se queria ir para Belém. E não hesitou em deixar o seu partido soçobrar ao seu tabu pessoal. Até só haver Fernando Nogueira para concorrer à sua sucessão e ser humilhado nas urnas. A agenda de Cavaco sempre foi apenas Cavaco. Foi a votos nas presidenciais porque estava plenamente convencido que elas estavam no papo. Perdeu. O País ainda se lembrava bem dos últimos e deprimentes anos do seu governo, recheados de escândalos de corrupção. É que este ambiente de suspeita que vivemos com Sócrates é apenas um remake de um filme que conhecemos. O segundo Cavaco foi egoísta.
O terceiro Cavaco regressou vindo do silêncio. Concorreu de novo às presidenciais. Quase não falou na campanha.Passeou-se sempre protegido dos imprevistos. Porque Cavaco sabe que Cavaco é um bluff. Não tem pensamento político, tem apenas um repertório de frases feitas muito consensuais. Esse Cavaco paira sobre a política, como se a política não fosse o seu ofício de quase sempre. Porque tem nojo da política. Não do pior que ela tem: os amigos nos negócios, as redes de interesses, da demagogia vazia, os truques palacianos. Mas do mais nobre que ela representa: o confronto de ideias, a exposição à critica impiedosa, a coragem de correr riscos, a generosidade de pôr o cargo que ocupa acima dele próprio. Venceu, porque todos estes cavacos representam o nosso atraso. Cavaco é a metáfora viva da periferia cultural, económica e politica que somos na Europa. O terceiro Cavaco é vazio.
O quarto Cavaco foi Presidente. Teve três momentos que escolheu como fundamentais para se dirigir ao País: esse assunto que aquecia tanto a Nação, que era o Estatuto dos Açores; umas escutas que nunca existiram a não ser na sua cabeça sempre cheia de paranóicas perseguições; e a crítica à lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo que, apesar de desfazer por palavras, não teve a coragem de vetar. O quarto Cavaco tem a mesma falta de coragem e a mesma ausência de capacidade de distinguir o que é prioritário de todos os outros.Apesar de gostar de pensar em si próprio como um não político, todo ele é cálculo e todo o cálculo tem ele próprio como centro de interesse. Este foi o Cavaco que tentou passar para a imprensa a acusação de que andaria a ser vigiado pelo governo, coisa que numa democracia normal só poderia acabar numa investigação criminal ou numa acção política exemplar. Era falso, todos sabemos. Mas Cavaco fechou o assunto com uma comunicação ao País surrealista, onde tudo ficou baralhado para nada se perceber. Este foi o Cavaco que achou que não devia estar nas cerimónias fúnebres do único prémio Nobel da literatura porque tinha um velho diferendo com ele. Porque Cavaco nunca percebeu que os cargos que ocupa estão acima dele próprio e não são um assunto privado. Este foi o Cavaco que protegeu, até ao limite do imaginável, o seu velho amigo Dias Loureiro, chegando quase a transformar-se em seu porta-voz. Mais uma vez e como sempre, ele próprio acima da instituição que representa. O quarto Cavaco não é um estadista.
E agora cá está o quinto Cavaco. Quando chegou a crise começou a sua campanha. Como sempre, nunca assumida.Até o anúncio da sua candidatura foi feito por interposta pessoa. Em campanha disfarçada, dá conselhos económicos ao País. Por coincidência, quase todos contrários aos que praticou quando foi o primeiro Cavaco. Finge que modera enquanto se dedica a minar o caminho do líder que o seu próprio partido, crime dos crimes, elegeu à sua revelia. Sobre a crise e as ruínas de um governo no qual ninguém acredita, espera garantir a sua reeleição. Mas o quinto Cavaco, ganhe ou perca, já não se livra de uma coisa: foi o Presidente da República que chegou ao fim do seu primeiro mandato com um dos baixos índices de popularidade da nossa democracia e pode ser um dos que será reeleito com menor margem. O quinto Cavaco não tem chama.
Quando Cavaco chegou ao primeiro governo em que participou eu tinha 11 anos. Quando chegou a primeiroministro eu tinha 16. Quando saiu eu já tinha 26. Quando foi eleito Presidente eu tinha 36. Se for reeleito, terei 46 quando ele finalmente abandonar a vida política. Que este homem, que foi o politico profissional com mais tempo no activo para a minha geração, continue a fingir que nada tem a ver com o estado em que estamos e se continue a apresentar com alguém que está acima da politica é coisa que não deixa de me espantar. Ele é a política em tudo que ela falhou. É o símbolo mais evidente de tantos anos perdidos.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Relatório à direcção da Confederação Nacional
das Associações de Família
sobre o visionamento prévio de dois filmes
a emitir pela RTP2
[ Apresentado por Heduíno Gomes à Direcção da Confederação Nacional das Associações de Família em Maio de 2005, na sequência do visionamento prévio pela CNAF de 2 filmes sobre a suposta «educação sexual» de crianças e jovens na RTP2.
Refere-se à operação lesiva do equilíbrio moral e psíquico de crianças e jovens montada por Manuel Falcão, então director do referido canal do Estado, e Teresa Paixão, produtora. ]
Ler em:
http://uniaodasfamiliasportuguesas.blogspot.com/2010/12/relatorio-direccao-da-cnaf-sobre-o.html
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
«Não é possível combater o islamismo
com ideias vindas da Europa»
"Não é possível combater o islamismo com ideias vindas da Europa"
Citizen Times
Entrevista a Daniel Pipes realizada em Berlim
em 27 de outubro de 2010
Entrevista a Daniel Pipes realizada em Berlim
em 27 de outubro de 2010
Citizen Times: Sr. Pipes, o senhor dirige várias organizações que se interessam pelo Oriente Médio e pelo Islã e é um dos melhores escritores americanos sobre esse tema. Como tudo isso começou?
Daniel Pipes: Eu sou um historiador do Islão com interesse especial no seu papel na vida pública. Eu obtive o meu Ph.D. em 1978, na mesma época em que o Aiatolá Khomeini apareceu. Pela primeira vez na história moderna, o Islão conquistava um papel importante e notável na vida pública ocidental. O que era um interesse abstracto nos anos 70 do século passado tornou-se muito funcional. Subsequentemente, as questões islâmicas tornaram-se muito actuais. Isso estimulou-me a passar da história medieval para os eventos actuais. Embora eu cubra muitos outros tópicos além do Islão, este permanece como o tema central dos meus interesses. Eu tenho uma perspectiva que espero seja útil para a compreensão do papel do Islão na política.
Citizen Times: E qual seria essa perspectiva?
Daniel Pipes: Que o Islão é extremamente importante na vida pública dos muçulmanos. Que o Islão é uma religião baseada em leis e essas leis são um tanto quanto permanentes e universais. Que elas não são sempre as mesmas em todos os lugares, embora o básico seja constante. Que há épocas de maior ênfase e épocas de menor ênfase, mas os muçulmanos voltam sempre para essas leis. Actualmente, é claro, estamos numa época de maior ênfase. As leis muçulmanas estão muito mais fortes do que quando eu entrei nesse campo há mais de quarenta anos. Como compreender essa mudança, como os muçulmanos a vêem e como o Ocidente lhe responde? Essas são algumas das questões que eu coloco em foco.
Citizen Times: O senhor enfatiza a diferença entre Islã e islamismo. Porquê?
Daniel Pipes: É um erro ver todo o Islão como islamismo. O islamismo é uma tendência dentro do Islão, no momento muito intensa. As pessoas que começam a interessar-se por esse tópico frequentemente inferem que o islamismo é o Islão por completo. Como eu venho acompanhando as questões islâmicas há quarenta anos, quando o islamismo mal existia, tenho uma perspectiva diferente. Além disso, muitos muçulmanos odeiam o islamismo. Portanto, é um erro igualar os muçulmanos aos islamistas, assumir que todos os muçulmanos concordam em aplicar a lei islâmica para se tornarem ricos e fortes ou atingirem a justiça social.
Citizen Times: O que significa o islamismo significa para si? Trata-se apenas de uma forma tradicional do Islão ou a forma terrorista da Al-Qaeda ou a forma política do Islão como a Irmandade Muçulmana?
Daniel Pipes: A Irmandade Muçulmana é a mais importante organização islamista. No Egipto, Hassan al-Banna modernizou as ideias islâmicas nos anos 20 do século passado e adaptou-as ao modo de vida actual. Ele, assim como outros, transformaram o Islão tradicional numa ideologia. Nos anos 20 do século passado houve um período em que o totalitarismo parecia ser o futuro caminho na Alemanha, na Rússia e especialmente na Itália. Banna tomou as ideias básicas do totalitarismo e aplicou-as ao Islão. Inseriu o conteúdo islâmico na estrutura totalitária. O islamismo é moderno assim como o fascismo e o comunismo são modernos.
A Al-Qaeda vem de uma tradição completamente diferente, a Wahhabi originária da Arábia.
Citizen Times: Porque é que o Islão e o totalitarismo combinam com tanto sucesso?
Daniel Pipes: Durante décadas essa combinação não tinha esse sucesso. Agora ela predomina graças a muito trabalho de um grande número de islamistas por um longo período de tempo – além da carência e do desejo de concretizar essa expectativa. O grande desafio para os muçulmanos no período moderno é o de explicar o que esteve errado: Porquê os muçulmanos, que acreditam dever ser o povo mais próspero e mais poderoso, na realidade são os menos prósperos e os menos poderosos? O que esteve errado? Especialmente a partir dos anos 70 do século passado, o islamismo apresentou uma resposta muito convincente e amplamente aceite para essa questão: Se quiser ser próspero, diz a resposta, então aplique a lei islâmica. Viva de acordo com a lei. Difunda a lei.
Citizen Times: Mas essa visão é bem semelhante a judaica. E os judeus não são de maneira alguma um perigo para o mundo…
Daniel Pipes: O Islão e o judaísmo são semelhantes no tópico em que ambas se baseiam em leis, diferente do cristianismo. Porém a lei judaica, conforme compreendida nos últimos 2000 anos, está limitada ao direito privado. Em comparação, a lei islâmica é tanto pública quanto privada. Não existe lei judaica para tratar da guerra; mas há uma lei islâmica para a guerra.
Citizen Times: O Islão é uma religião?
Daniel Pipes: É, o Islão é uma religião monoteísta como o judaísmo e o cristianismo. O islamismo é uma ideologia utópica radical como o fascismo e o comunismo.
Citizen Times: Nós derrotámos o fascismo e o comunismo através das guerras. Há a possibilidade de se derrotar o islamismo e ficar apenas com Islão, a religião?
Daniel Pipes: Há. A Segunda Guerra Mundial acabou com o fascismo como força mundial; não tem sido um fenómeno sério desde então. A Guerra Fria efetivamente acabou com o comunismo. O desafio islamista precisa de ser derrotado de maneira semelhante. 1945 foi o resultado de sangue e aço; 1991 foi o resultado de factores complexos, mas os seus estágios finais não foram violentos. Esses são os pontos finais, violência total e quase sem violência. O caminho da vitória contra o islamismo certamente cairá em algum ponto entre os dois.
Citizen Times: O que isso significa na prática? Temos que guerrear no Iraque, Afeganistão ou no Irão para levar-lhes a democracia e para no final parar com o islamismo?
Daniel Pipes: Em princípio, sim para a democracia, mas actualmente é bom ir devagar, devagar, devagar, porque, ironicamente, no presente momento, a democracia fortalece o islamismo. Eu concordei com a mudança na política de George W. Bush em 2003 de se concentrar na formação da democracia, mas avisei então sobre a necessidade em ir com cuidado. Ele não foi cuidadoso, portanto acabou criando novos problemas.
Derrotar o islamismo requer o uso desde bombardeios até rádios, de travar a guerra quente até ao confronto na guerra cultural. Devemos usar a economia, a diplomacia e tudo mais. As guerras já não são travadas literalmente apenas no campo de batalha mas frequente e principalmente no campo das ideias. Converge-se muito na violência, especialmente na violência terrorista. As pessoas tendem a reduzir o problema a "guerra contra o terror". É claro, o terrorismo faz parte dela, mas não de toda ela.
Citizen Times: Não é necessário o terror para fomentar o islamismo?
Daniel Pipes: De maneira alguma. Os registros mostram que os islamistas tiveram mais sucesso com meios não violentos do que com meios violentos. O Primeiro Ministro Recep Tayyip Erdoğan na Turquia e as organizações islamistas no Ocidente tiveram mais sucesso do que Khomeini ou a Al-Qaeda. Eles alcançaram mais operando através do sistema político, escolas, media e tribunais de justiça do que os seus colegas por meio das explosões. Como é possível chegar ao topo matando pessoas sendo tão fraco como os islamistas o são? Por outro lado, não é difícil compreender como operar através do sistema o levará ao topo. Eu observo com fascínio e horror como esse processo funciona no Ocidente e com maior rapidez no Reino Unido. A Turquia e o Reino Unido são países especialmente importantes a observar.
Assumindo que os iranianos não adquiram ou não explodam bombas atómicas, a Turquia é uma ameaça maior a longo prazo, digamos em 20 ou 30 anos. O Irão não será um problema de tão longo prazo porque os iranianos resistem ao islamismo. A Turquia é o maior problema em desenvolvimento porque lá os islamistas estão a operar através do sistema e estão a trabalhar bem. Nota: Não há terrorismo vindo da Turquia.
Citizen Times: Mas como podemos vencer essa guerra de ideias nos nossos países? Nós mostramos a nossa vida livre todos os dias às comunidades muçulmanas, mas elas parecem distanciar-se mais e mais.
Daniel Pipes: São necessários dois passos para se vencer essa guerra. Primeiro, os não muçulmanos devem utilizar os diversos meios de que dispõem. Segundo, os muçulmanos devem oferecer uma alternativa ao islamismo. Precisamos de um Adenauer, de um Yeltzin, para apresentar algo melhor. Essas analogias não são perfeitas, mas dão uma ideia do que eu quero dizer. Não é suficiente derrotar o regime totalitário; alguém precisa apresentar uma visão alternativa. É aí que os muçulmanos reformistas desempenham um papel crucial. Eles estão apenas no começo desse trabalho e ainda irá demorar muito até que tenham um programa completo para oferecer. É crucial que eles obtenham ajuda e encorajamento dos não muçulmanos.
Citizen Times: O senhor discorda da Ayaan Hirsi Ali, que se opõe aos muçulmanos reformistas, porque acredita ele, eles misturam tudo e pioram ainda mais as coisas?
Daniel Pipes: Eu respeito-a muito, porém também discordo dela nesse ponto. Necessitamos de uma política que coloque o Islão na nossa direcção. Condenar o islamismo não é o suficiente; necessitamos de um programa para derrotá-lo, um mecanismo que nos leve à vitória. Os críticos do Islão como Ayaan Hirsi Ali não apresentam um programa desse tipo.
Todas as religiões têm história, o que significa que elas mudam com o passar do tempo. Eu vi isso na minha própria carreira, porque o islamismo era praticamente inexistente quando entrei no campo de estudos islâmicos no final dos anos 60 do século passado. Hoje ele domina. Se o islamismo pode ascender, também pode cair. Em contrapartida, Hirsi Ali vê o Islão como permanentemente estático e imutável.
Citizen Times: Ela diria que seu programa é educação: Educação sobre o estado secular e os valores humanistas. Isso não é um programa?
Daniel Pipes: Dois pontos: Primeiro, ela está repetindo em parte o que eu digo sobre o Islão reformista. Ensinar humanismo aos muçulmanos em última análise significa reformar o Islão. A propósito, essa era a situação que predominava no "período liberal" muçulmano entre 1800 e 1940.
Segundo, a ideia islamista é tão poderosa que a educação secular ocidental não obtêm êxito. Vemos isso na Europa, onde as escolas estaduais ensinam secularismo, mas na maioria das vezes fracassam em convencer os estudantes muçulmanos que acreditam ter uma ideia superior, na realidade uma civilização superior. "Não é possível combater o islamismo com ideias vindas da Europa". Apenas algo vindo de dentro do Islão poderá derrotá-lo; ideias vindas dos muçulmanos deverão debater ideias vindas de muçulmanos. Trata-se de uma guerra civil muçulmana, sem que um lado ainda tenha mobilizado tropas dando a ela uma dimensão desproporcional.
Citizen Times: Isso significa que Geert Wilders está errado quando diz que o Islão é imutável?
Daniel Pipes: Sim. Eu o considero uma personalidade heróica e escrevi que ele é o político mais importante na Europa. Ele e eu estamos na mesma trincheira. Estamos combatendo os mesmos inimigos. Porém entendemos de forma diferente o futuro do Islão. Não vejo que ele tenha um programa viável dentro do contexto de uma democracia liberal. Não se pode, e eu não quero, jogar fora tudo que alcançamos para lidar com os islamistas. Quero lidar com eles de maneira condizente com o que somos.
Os muçulmanos têm os mesmos direitos e as mesmas responsabilidades de qualquer outro. Eles só não possuem direitos especiais. Quero que sejam cidadãos normais, nem em condições piores nem em condições melhores. Temos o poder legislativo porque as coisas mudam. Não é possível ter leis que não mudam nunca. Estou perfeitamente disposto a adaptar-me aos muçulmanos e ao Islão de maneira razoável. Contudo, não estou disposto a aceitar mudar basicamente o que nós somos. Quando os muçulmanos vêm para o Ocidente, eles devem aceitar os costumes ocidentais. Eles podem postular uma adaptação razoável ao sistema existente; eles não podem mudar o próprio sistema. Os islamistas estão a tentar mudar o sistema. Temos que fazê-los recuar e dizer não, de maneira nenhuma.
Citizen Times: O número de criminosos muçulmanos na Europa é maior do que o da população local, têm menos emprego e são mais dependentes dos programas de bem estar social.
Daniel Pipes: Os muçulmanos na Europa estão repletos de patologias: miséria, desemprego, crimes violentos, tráfico de drogas e assim por diante. Sim, os muçulmanos são parcialmente responsáveis por esse conjunto de problemas, mas francamente, também é o resultado de acções praticadas pelos europeus nativos. Os europeus frequentemente resistem em aceitar, empregar e negociar com os muçulmanos de igual para igual. Günter Wallraff, jornalista alemão, fez-se passar por um turco em 1985 e dessa forma demonstrou os transtornos pelos quais passa um trabalhador estrangeiro. Eu não gostaria de procurar trabalho na Alemanha, nem naquela época nem hoje, com o nome de Maomé.
Citizen Times: Quanto a procurar um trabalho com um nome muçulmano: Os alemães sempre rejeitaram essas pessoas em virtude da xenofobia ou rejeitaram-nas devido a todos os problemas relacionados aos funcionários muçulmanos?
Daniel Pipes: Ambos: A situação resulta do preconceito e do comportamento dos muçulmanos.
A título de comparação, observe os Estados Unidos, onde as patologias sociais mal existem entre os muçulmanos. Os Estados Unidos têm problemas com os extremistas, sem dúvida. Contudo, lá, em geral, não existe um "problema muçulmano". Não foram desenvolvidas áreas de concentração geográfica muçulmana, apenas uma ou duas excepções, sendo que essas não são particularmente problemáticas. Os americanos aceitam e empregam os muçulmanos com mais facilidade. Além disso, o sistema de bem estar social menos abrangente nos Estados Unidos faz com que os muçulmanos sejam menos dependentes das benesses do governo e mais empreendedores. A combinação de preconceito e bem estar explica muito sobre a situação difícil dos muçulmanos na Europa.
Citizen Times: O jornalista americano Christopher Caldwell escreveu um livro intitulado On the Revolution in Europe no qual sustenta que a imigração muçulmana mudará a Europa a partir de suas raízes.
Daniel Pipes: Concordo e acredito que a Europa enfrenta grandes problemas e opções sombrias. Eu vejo um desses dois prováveis futuros complicados para a Europa. Um deles está resumido pela palavra Eurábia, significando a extrapolação das tendências dos últimos 55 anos: mais muçulmanos, mais Islão, mais leis islâmicas e mais islamização, conforme simbolizado pela Mesquita de Notre Dame em Paris. O outro futuro envolve resistência à islamização, conforme representado pelo seu mais novo partido político, Die Freiheit.
Na realidade, a última está aumentando com mais rapidez. Se for feito um gráfico dos muçulmanos e do Islão a partir de 1955, ele sobe gradualmente. Mas se for feito um gráfico do anti-islamismo desde 1990, a ascendência é mais rápida. Em todos os lugares que você olhar há um aumento nos sentimentos anti-islâmicos.
Eu preocupo-me em ambos os casos. Não gosto da Eurábia e temo que os sentimentos anti-islâmicos levem ao populismo, fascismo, insurreição civil e violência. A ampla relutância dos líderes em cuidar desse tópico só pioram as coisas.
Citizen Times: Então, esse movimento anti-islâmico é apenas uma nova forma de fascismo ou xenofobia ou realmente existe um perigo no Islão?
Daniel Pipes: A realidade inspira sentimentos anti-islâmicos, mas eu preocupo-me a esse respeito. Espero muito que os europeus ajam com responsabilidade. Agora mesmo, há relutância em lidar com partidos políticos críticos ao Islão. Actualmente há uma crise política na Suécia devido a isso. Quando Jörg Haider era primeiro ministro, a Áustria era tratada como a Rodésia. Não me importo com Haider, porém há a necessidade do reconhecimento dos temores que ele representa.
Quanto mais os partidos antigos ignorarem esses temores tanto mais extremadas se poderão tornar suas manifestações. Os partidos antigos têm a responsabilidade de reconhecer esse conjunto de questões e incorporá-los, legitimá-los para que não se radicalizem. A Holanda é provavelmente o país chave devido ao facto de estar mais adiantada nesse processo. O que Geert Wilders irá fazer? Qual será a reação a ele? Trata-se de um importante precedente para a Europa.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Toda a Noruega se encontra em estado de choque
Nem sequer durante a II Guerra Mundial havia ocorrido coisa semelhante em Oslo. 50 mil manifestantes islâmicos foram à rua lançando bombas Molotov, atacando os noruegueses e convertendo todo o centro de Oslo num mar de chamas! A polícia travou a maior batalha na história da Noruega!
A Noruega deu milhares de milhões de dólares à OLP (Organização para a Libertação da Palestina). Noruega fez todo o possível para apoiar a OLP e o Hamas. Depois de apoiar Noruega com vários Planos Marshall, a Noruega recebe hoje a sua paga. Os islâmicos desejam que o Ocidente os ajude... para a seguir impor-lhes a sua religião e as suas leis.
O país tem já, só em 10 anos, cerca de 20% de população islâmica, mas essa população islâmica come 70% de todo o orçamento social.
Como os islâmicos são extremamente violentos, não integrados, odeiam a sociedade ocidental e os seus costumes, quase todos os prisioneiros nas cadeias são islâmicos jovens.
Detestam a sociedade ocidental, detestam que as suas mulheres frequentem as universidades e vistam roupas ocidentais e não usem burkas.
Como agradecimento à ajuda da Noruega, houve a primeira grande batalha do Islão contra a sociedade da Noruega, o primeiro movimento contra a cultura ocidental.
Todo o Oslo está aterrorizado neste momento, em estado de choque. Os socialistas, perante a fúria dos islâmicos, tremendo, acabaram de dar 30 milhões ao Hamas, para acalmá-los! Estúpidos europeus...
Isto não é mais do que um começo!
Todos estes islâmicos na Noruega vivem de ajuda social, não trabalham, roubam, atacam as mulheres, ameaçam toda a população, criam o terror e são já em grande número.
Estão armados com metralhadoras, bombas Molotov, endoutrinados nos seus centros e mesquitas por ímanes islâmicos trazidos do Irão e Egipto e são lançados na Guerra Santa contra o Ocidente.
Um desses ímanes deu ordem de matar todas as norueguesas acusando-as de prostitutas e infiéis por não usarem o véu!
O número de violações contra norueguesas por imigrantes islâmicos aumentou num ano em 4000 %. Pegam as mulheres em plena rua, à saída das discotecas.
Os governos socialistas desmantelaram a polícia, e os juízes humanistas não defendem os noruegueses, no defendem as vítimas, defendem os agressores!
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