quinta-feira, 10 de março de 2011

Sarkozy questiona utilidade do Dia da Mulher

Correio da Manhã, 10 de Março de 2011

O Presidente francês, Nicolas Sarkozy, questionou esta terça-feira a utilidade do Dia Internacional da Mulher, considerando mais importante "encontrar trabalho para homens e mulheres".

"É simpático, é necessário, mas talvez nos devêssemos concentrar no essencial", disse o chefe de Estado francês numa celebração do dia com uma associação de autarcas de Morbidan, um departamento da Bretanha (oeste). "O essencial é encontrar trabalho para homens e mulheres, uma possibilidade de promoção social para os dois", disse.

"O Dia da Mulher, sobre o qual há muito a dizer, quererá dizer que os restantes dias são do homem? Muito curioso. Francamente", exclamou Sarkozy.

O Presidente gaulês disse ainda que "as mulheres têm um papel muito importante na sociedade" que referiu que "a vida das mulheres é muito idêntica à dos homens" e que "as coisas mudaram consideravelmente". "Todas a mulheres desejam trabalhar, ser autónomas, mas não terão iguais aspirações para o seu filho como para a sua filha?", disse Sarkozy.

De acordo com os dados do Ministério do Emprego, em França as mulheres ganham em média menos 27% que os homens no sector privado, continuando minoritárias na classe política com apenas 18% de eleitas na Assembleia Nacional.



Os Estados Unidos, as fugas de informação
e Miguel Sousa Tavares

“Quem te manda a ti, sapateiro, tocar rabecão?
                                          Adágio popular

João José Brandão Ferreira

Noticiou (e comentou) o Expresso de 26 de Fevereiro alguns telegramas do embaixador dos EUA, entre 2007 e 2009, enviados de Lisboa para o Departamento de Estado em Washington.

Estas informações foram obtidas e difundidas pela Wikileaks após uma inaudita violação da segurança informática daquele órgão do governo americano. Esta violação levou ao maior roubo de documentação classificada da História, deixando os grandes golpes de espionagem da Guerra-fria, parecerem uma brincadeira de crianças. E deste facto o governo dos EUA só se pode queixar de si próprio.

Queremos começar por dizer que o embaixador americano escreveu o que escreveu no âmbito das suas funções e tinha toda a legitimidade para o fazer. Tinha até o dever de informar os seus superiores daquilo que honestamente pensava.

Se pensava bem ou mal é outra questão.

O embaixador Thomas F. Stephenson, assim se chama o senhor, não era um embaixador de carreira. Nasceu em 1942, em Wienington, no Estado do Delaware, tendo-se formado em economia na Universidade de Harvard e tem um mestrado nessa disciplina pela Harvard Business School. Tem, ainda, uma formação em Direito.

Fez toda a sua vida em empresas de tecnologia de segurança, de saúde e financeiras. Antes da sua nomeação para Lisboa, esteve 19 anos na firma “Sequóia Capital”, sita no Silicon Valley (Califórnia). É amigo do Presidente Bush (filho) e foi por esta via que veio passar uma temporada a Lisboa.

Convém ter a noção que este tipo de nomeações é normal na administração americana e que os embaixadores de carreira constituem uma minoria. Estas funções são assim uma espécie de sinecura com que se agraciam amigos e pessoas que se tenham distinguido por algum motivo ou, simplesmente, por terem sido influentes durante a campanha eleitoral que levou um determinado candidato à Casa Branca.

O que disse ou fez, então, o embaixador para causar sururú na imprensa ao mesmo tempo que era desvalorizada pelas autoridades portuguesas que, objectivamente, as ignoraram publicamente?

Pois teceu uma série de considerações sobre as Forças Armadas Portuguesas (FAs), o Ministério da Defesa, a compra de armamento e de algumas personalidades.

Aparentemente acertou no que disse sobre os então Ministro da Defesa, nem tanto sobre Secretário de Estado; a manutenção dos helicópteros EH-101 e no que afirmou sobre o MAI e a GNR.

Está baralhado no que disse relativamente ao EMGFA/orçamentos/relações com os Ramos (convinha ter lido as leis e regulamentos existentes); tem alguma razão no que diz sobre a cultura do “status quo” e do carreirismo – embora denote que está longe de perceber o porquê das coisas – e está completamente enganado quanto aos adiamentos das decisões: não há incapacidade, existe é um desacordo militante a nível de chefias e um relacionamento político-militar desadequado (onde impera a ignorância, a desconfiança e até a deslealdade…). O exemplo que aponta da resposta do 2º comandante da Academia sobre um pedido da banda de música por parte da embaixada é risível e demonstra bem o grau de pesporrência atrevida do arvorado diplomata.

Relativamente à cooperação com os PALOP é um facto que existe alguma desconfiança no MDN e no MNE relativamente à participação americana. Não duvido que seria útil alguma cooperação, não só porque os EUA dispõem de meios que nos faltam como poderiam servir de contraponto a outras potências, nomeadamente europeias, que nos fazem concorrência. Mas a desconfiança é legítima no sentido em que, onde os EUA entram querem mandar, ao passo que são de uma ignorância crassa sobre África e de uma inabilidade homérica em lidar com outros povos e culturas.

Quanto ao resto o senhor embaixador acertou pouco, facto que até os jornalistas identificaram.

Não acertou nas fragatas, nos patrulhas, nos F-16, nos submarinos, nos carros de combate Leopard A6, nos C-130, nem no que referiu sobre os generais vs soldados.

As fragatas americanas foram muito bem preteridas relativamente às holandesas. O Estado-Maior da Armada fez o seu trabalho bem feito e a recomendação foi acertada; existem seis C-130 e não um, com 30 anos de bons serviços e sem nunca ter ficado uma missão por fazer; os 39 F-16 não são demasiados, preenchem duas esquadras e juntamente com os P-3P são a força da Força Aérea.

A sua prontidão é baixa porque estão a ser efectuadas modernizações que custam caro e levam tempo. Não se entende porque é que o Sr. Embaixador os acha dispensáveis. Acaso acha os F-16 da USAF dispensáveis? Ou acaso entende que os EUA têm o direito de vigiar e defender o seu espaço aéreo e Portugal não?

Quanto aos submarinos não vou perder tempo a explicar evidências, mas talvez se o Sr. Stephenson procurasse saber porque é que o Canadá tem cerca de uma dezena, talvez começasse a entender alguma coisa. Os submarinos e os F-16 são as (quase) únicas armas ofensivas e verdadeiramente dissuasoras que temos.

Os “Leopard” (37 e não 36), são dos mais modernos que há e vão ser os únicos carros de combate que vamos ter. É o que resta à Cavalaria (e ao Exército) para manter um número de capacidades e saberes nesta área. De facto não há dinheiro para os operar mas isso é porque o Estado Português em vez dos 2% do PIB, gasta apenas 1,3%, como refere o diplomata. Eu também preferia que gastasse os 2%, mas essa é uma opção do governo português, não do americano.

Aliás os EUA pedem constantemente o reforço da NATO. Os “Leopard” estão incluídos numa unidade destinada a operar sob o comando NATO. Em que é que ficamos?

Quanto aos Patrulhas estão a ser construídos e já há muito estavam previstos. Tem havido problemas que são conhecidos. As condições do estado do mar da ZEE portuguesa obrigam a navios que aguentem esse mar e a vigilância não se esgota nos patrulhas. Pequenos pormenores que facilmente escapam aos formados em economia…

Finalmente quanto aos generais que diz termos a mais (e até se deu ao trabalho de fazer rácios com soldados!), diremos apenas que não há generais a mais, mas sim soldados a menos e não vou perder tempo a explicar porquê! E partindo do princípio que o Sr. Embaixador conhece o estatuto da reserva e não o confunde com as “forças de reserva” que existem no seu país, direi apenas que, estando os generais na reforma ganhariam mais, e se a maioria não faz nada é porque felizmente não temos tido conflitos que obriguem a ir buscá-los e os sucessivos governos os têm ostracizado, pois têm ocupado todos os lugares onde estes homens poderiam usar a sua rica experiência, pelas clientelas dos partidos que os sustentam.

Em súmula, o Sr. Embaixador actuou como a maioria dos seus compatriotas faz: acha-se o centro do mundo e tende a olhar para os outros povos com sobranceria e com uma matriz estado – unidense, sem a menor sensibilidade para entender outras realidades.

Sim, é natural que Portugal pertencendo à UE, negoceie preferencialmente com os restantes países da União; sim, nós temos consciência das nossas limitações – daí até ao complexo de inferioridade vai um tanto – e, por isso, tentamos obter material moderno para as FAs; sim compreendemos que o Sr. Embaixador gostasse mais que comprássemos ao seu país (mesmo os F-16!) e que possa ter ficado agastado quando o sucessor do ministro Portas, já não se dava tão bem com o Secretário Rumsfeld, mas que diabo permita lá que nós também escolhamos qualquer coisinha. Sabe, o restaurante Tavares – que o Sr. Embaixador seguramente gostava de frequentar – é contemporâneo da Revolução Americana…

E faça o favor de não nos tornar por lerdos. Às vezes temos gente menos preparada ou cobardolas em altos cargos, é verdade, mas não somos lerdos. Nós sabemos da apetência que os EUA têm sobre os Açores desde, pelo menos, a guerra com a Espanha, em 1898, e que até já prepararam uma invasão, em 1943; que a nossa ZEE e plataforma continental são as únicas que deste lado do Atlântico se podem medir com as vossas.

Sabemos que temos que ter o máximo cuidado nas “vírgulas” quando intentamos contratos convosco para não sermos ludibriados e não esquecemos que depois de vos termos apoiado lealmente na NATO, na Guerra Fria, e termos até entrado para a ONU a vosso pedido, miseravelmente nos traíram, apoiando o início do terrorismo em Angola e abandonaram-nos quando o execrável Nerhu nos invadiu Goa, Damão e Diu. Isto para não falar da inacreditável tirada de Kissinger, durante o PREC, afirmando que o problema de Portugal se resolvia com 5000 marines…

Já agora e para finalizar, do que conheço não me parece que os nossos oficiais sejam muito diferentes dos vossos quanto a postura/promoção na carreira. E, se olhar para o que aconteceu entre o general McCristal (seguramente uma excepção), demitido pelo liberalíssimo Obama, perceberá porquê.

E, senhor embaixador, agora residente numa mansão de luxo em Atherton, Califórnia; quando se quer atirar pedras ao telhado do vizinho, temos que olhar primeiro para o nosso, o senhor como embaixador, não precisava de pedir para recolher o seu avião, numa instalação militar para não ter que pagar taxa de aeroporto!

Por tudo o que atrás se disse, parece ser de concluir que o Sr. Embaixador foi mal escolhido, estava mal assessorado e mal informado. E isto só quer dizer uma coisa: o governo dos EUA só pode ter Portugal em muito má conta, quando para cá envia um embaixador deste quilate.

À atenção de quem de direito e… vejam se não ficam sentados!

*****



Estavam as notícias do Expresso ainda frescas e já um jornalista da SIC pedia, no telejornal do dia 28/2, ao comentador habitual da estação, o conhecido Miguel Sousa Tavares (MST) para comentar as ditas.

O homem não se fez rogado e aproveitou o ensejo de forma gulosa.

De facto, já há muito se sabe que cada vez que se fala em FAs ou militares, S. Ex.ª perturba-se e fica como boi frente a vermelho: investe sem discernimento.

O “pedregulho” que tem no sapato contra a Instituição Militar, embora certamente não se esgote nisso, ter-lhe-á vindo por via genética através do seu falecido pai, que travou um pleito contra os juízes do Tribunal Militar por causa da atribuição de pensões a antigos agentes da DGS, onde aliás não lhe assistia qualquer razão.

MST ficou sempre “esquerdo” com a tropa. Desta vez não foi excepção.

Começou por tecer encómios ao embaixador americano e à diplomacia americana. Aquilo era a sério e estavam muito bem informados! (também foi assim no Iraque, não foi MST?).

E lá veio com a sacrossanta e contumaz pergunta, velha de 30 anos: que FAs temos e para quê? Devem haver, no país, uns largos milhares de treinadores de bancada e tocadores de rabecão, que têm tantas respostas para isto como cabeças donde saem sentenças.

MST também demonstra saber umas coisas de lagares de azeite, mas como isso não lhe chega, põe-se em bicos de pés para abordar geopolítica e geoestratégia. A gerência da SIC deve pagar-lhe para ele falar de tudo…

Sobre as diatribes relativamente a submarinos, F-16, Pandures (meu Deus o que ele sabe sobre Pandures!) e outros “brinquedos caros” – não consta que a guerra alguma vez tenha sido barata – já se respondeu o suficiente a montante. Acrescentamos apenas que os militares estão, há muito, afastados daquilo que apelidou de “negociatas com armamento”.

Mas vale a pena salientar a contradição em que entrou ao defender, preto no branco, uma intervenção militar – presume-se que do “Ocidente” – contra Kadhafi. Pondo de lado a ligeireza com que se fazem este tipo de afirmações, gostaríamos que MST explicitasse como se faz uma intervenção na Líbia sem o recurso aos tais “brinquedos caros” que condenou. Pensa que se vai lá com “lanchas costeiras de fiscalização”? Ou pensa que isso das intervenções militares é só para os outros e nós estamos dispensados de participar, mesmo pertencendo a várias organizações de defesa colectiva? Ou pensa ainda que mudar de armamentos e equipamentos e aprender a utilizá-los se faz de um dia para o outro? O senhor enxerga-se?

Por último brindou-nos com este mimo: “os políticos em Portugal têm medo dos militares”; “submetem-se à vontade dos militares” e só se explica “por dívida de gratidão por causa do 25/4”. MST não atina mesmo! Então ainda não percebeu que a realidade do que se tem passado é justamente a oposta? O senhor não percebeu que a classe política (todos eles) por uma razão ou outra, detesta as FAs, não entende e despreza a IM e que quem não tem sabido fazer frente às investidas dos políticos são os militares? Que não existe dívida de gratidão nenhuma, antes pelo contrário? E que os militares acabaram por ficar de mal com todas as franjas da população e com eles próprios, por causa das asneiras então feitas e ainda andam a tentar recuperar (sem grande convicção, diga-se), disso tudo?

O senhor cuide-se. E não cuide só da substância do que diz. Burile o temperamental que lhe embota a mente e lhe produz tiques e esgares; modere a truculência que lhe afirma a sobranceria e lhe faz roçar a má criação. E se só sabe tocar ferrinhos não tente o rabecão.

De facto já devia ter havido um general que se levantasse, mas era para lhe dar uma “bengalada”!

 

segunda-feira, 7 de março de 2011

A teoria das janelas partidas

Em 1969, na Universidade de Stanford (EUA), o Prof. Phillip Zimbardo realizou uma experiência de psicologia social. Deixou duas viaturas abandonadas na via pública, duas viaturas idênticas, da mesma marca, modelo e até cor. Uma deixou em Bronx, na altura uma zona pobre e conflituosa de Nova York e a outra em Palo Alto, uma zona rica e tranquila da Califórnia.
 
Duas viaturas idênticas abandonadas, dois bairros com populações muito diferentes e uma equipa de especialistas em psicologia social estudando as condutas das pessoas em cada sítio.
 
Resultou que a viatura abandonada em Bronx começou a ser vandalizada em poucas horas. Perdeu as jantes, o motor, os espelhos, o rádio, etc. Levaram tudo o que fosse aproveitável e aquilo que não puderam levar, destruíram. Contrariamente, a viatura abandonada em Palo Alto manteve-se intacta.

É comum atribuir à pobreza as causas de delito. Atribuição em que coincidem as posições ideológicas mais conservadoras, (da direita e esquerda). Contudo, a experiência em questão não terminou aí, quando a viatura abandonada em Bronx já estava desfeita e a de Palo Alto estava há uma semana impecável, os investigadores partiram um vidro do automóvel de Palo Alto.

O resultado foi que se desencadeou o mesmo processo que o de Bronx, e o roubo, a violência e o vandalismo reduziram o veículo ao mesmo estado que o do bairro pobre. Porquê que o vidro partido na viatura abandonada num bairro supostamente seguro, é capaz de disparar todo um processo delituoso?

Não se trata de pobreza. Evidentemente é algo que tem que ver com a psicologia humana e com as relações sociais.

Um vidro partido numa viatura abandonada transmite uma ideia de deterioração, de desinteresse, de despreocupação que vai quebrar os códigos de convivência, como de ausência de lei, de normas, de regras, como que vale tudo. Cada novo ataque que a viatura sofre reafirma e multiplica essa ideia, até que a escalada de actos cada vez piores, se torna incontrolável, desembocando numa violência irracional.


Em experiências posteriores (James Q. Wilson e George Kelling), desenvolveram a 'Teoria das Janelas Partidas', a mesma que de um ponto de vista criminalístico, conclui que o delito é maior nas zonas onde o descuido, a sujidade, a desordem e o maltrato são maiores.

Se se parte um vidro de uma janela de um edifício e ninguém o repara, muito rapidamente estarão partidos todos os demais. Se uma comunidade exibe sinais de deterioração e isto parece não importar a ninguém, então ali se gerará o delito.

Se se cometem 'pequenas faltas' (estacionar-se em lugar proibido, exceder o limite de velocidade ou passar-se um semáforo vermelho) e as mesmas não são sancionadas, então começam as faltas maiores e logo delitos cada vez mais graves. Se se permitem atitudes violentas como algo normal no desenvolvimento das crianças, o padrão de desenvolvimento será de maior violência quando estas pessoas forem adultas.


Comentário

Aplique-se então a teoria das janelas partidas à vida social portuguesa.
Se grande parte dos actuais políticos partem os vidros, eh rapaziada, toca a gamar!
Heduíno Gomes


Em Setúbal, aborto adia cirurgia
de tratamento de cancro


Operação adiada duas vezes:
uma devido à realização de um aborto
e outra devido ao horário

Uma doente com lesões pré-cancerosas no colo do útero viu ser adiada duas vezes a intervenção cirúrgica no Hospital de São Bernardo, em Setúbal, para a remoção do útero, como tratamento para erradicar o vírus do papiloma humano. O adiamento da cirurgia deveu-se à prioridade dada a uma interrupção voluntária da gravidez e, na segunda ocasião, ao fecho do Bloco Operatório às 15h30.
Revoltada e inconformada, Sandra Keizeler, de 36 anos, conta ao CM que o problema tem "agravado" a sua ansiedade e preocupação. "Estou indignada e só me aguento porque estou com calmantes. Por esta altura, já devia estar em recuperação e agora tenho de me preparar para um terceiro internamento para ser operada."

Sandra Keizeler, mulher do antigo futebolista do Belenenses Sobrinho, tinha cirurgia marcada para 25 de Janeiro. Foi internada na véspera, fez a preparação para a operação – clister, jejum, soros, análises – e, quando pensava que ia ser operada, ouviu da boca da directora do serviço de Ginecologia e Obstetrícia que não podia ser operada "porque tinha entrado para o Bloco Operatório uma mulher para fazer um aborto". Na segunda vez, em 8 de Fevereiro, Sandra ouviu da mesma médica que não podia ser operada "porque a cirurgia prolongava-se para depois das 15h30 e o Bloco Operatório fecha a essa hora".








segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Os «generais sentados» na GNR
contra os valores perenes da família

Tivemos hoje conhecimento pelas televisões do chamado «casamento» entre duas fressureiras que estão integradas nas fileiras da GNR, uma delas com o posto de «cabo» e outra com a responsabilidade do comando do destacamento territorial de Santarém da instituição, com o posto de «capitão». Assim, verificamos que a instituição militar de segurança interna de Portugal integra gente deste quilate moral e desta saúde mental. Mais, gente que internamente comanda pessoas normais e exerce autoridade policial sobre a comunidade e as famílias e seus membros, nomeadamente crianças.

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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A linha ferroviária do Tua
pode e deve ser preservada

H.Oliveira Sá, 20 de Janeiro de 2011

Com a construção de uma barragem perto da foz do rio Tua, o primeiros 18 km da linha actual do caminho-de-ferro irão ficar debaixo de água. Pessoalmente, muito embora concorde com a construção da barragem, penso que há uma alternativa para este traçado ferroviário não obstante, segundo parece, a EDP não estar interessada em considerá-la.
 
Com efeito, o Chefe de Produção desta empresa sublinhou “ser impossível vencer os 100 m de diferença de altitude entre a estação de Foz-Tua e o paredão da barragem (cerca de dois quilómetros) ”. Afirmações essas que não correspondem à realidade e das quais discordo frontalmente pelas razões que passo a expor:
 
a) acota de exploração, isto é, o plano de água provocado pela barragem é de 170 m e deverá prolongar-se, segundo diz, até ao Brunhedo; por outro lado, a cota inicial da linha, na plataforma da estação, ronda os 100 m, o que pode ser confirmado numa carta topográfica. E, sendo assim, esse responsável enganou-se e, deste modo, enganou-nos.
 
Esclarecemos que, para um desenvolvimento de 2 km, os 70 m de diferença de nível poderiam ser alcançados mediante um gradiente médio de 35mm/m, perfeitamente admissível para uma linha ferroviária normal, electrificada e sem ser necessário recorrer à “cremalheira” conforme eu pensava anteriormente (ver parte final do meu texto de 11 de Março de 2009). Esta, regra geral, só se justifica para rampas a partir dos 100 mm/m.
 
b) numa primeira abordagem poderei, mesmo, admitir que a diferença de cotas seja um pouco maior, o que obrigaria a rampas de 40 mm/m; contudo, a observação do terreno e da carta (à esc. 1/10.000) permite-me afirmar que o percurso até à barragem poderá ser facilmente alongado até aos 2,1 - 2,4 km o que, desde logo, fará baixar o gradiente.

A parte mais delicada da questão consiste em conservar a actual directriz, subindo gradualmente até à primeira curva (para a direita), seguida de uma contra – curva com a qual se procura alcançar a curva de nível 175. Ou, então,de início, tomar como referência o caminho de acesso à Quinta do Smith e, no seu termo, atingir a cota 140.
 
Em qualquer destas hipóteses procurando salvaguardar, o mais possível, o património desta propriedade.
 
c) resumindo, direi que poderá construir-se um linha de caminho de ferro de bitola estreita e via única, com um gradiente variando entre os 35 – 40 mm/m, a adoptar logo a partir do início do traçado, num trajecto de pouco mais de 2 km até ao local de implantação da barragem; seguidamente, até ao Brunhedo, a linha deverá manter-se nas cotas 175 – 180.
 
Os restantes km a reconstruir, especialmente após o Cachão (km 49,1), são de traçado fácil e deverão aproveitar integralmente o trajecto inicial, sempre ao longo das margens do Tua, até se atingir Mirandela (km 54,1).

Portanto, a linha do Tua e a barragem podem ser compatíveis e, certamente, o turismo da região poderia lucrar muito com isso; com a vantagem acrescida de preços mais baixos para muitos dos produtos a transportar no caminho-de-ferro, a partir da estação Foz – Tua.
 
d) recordo que o comboio começou a circular entre Tua e Mirandela em Setembro de 1887 e só no ano de 1906 a linha alcançou Bragança (km 153,8), sendo que este último troço foi encerrado em 1992. De salientar que o percurso inicial até Mirandela (km 54,1) foi construído em apenas três anos, usando os meios rudimentares da época.
 
Segundo os jornais, na altura, os operários contratados para a construção desta linha - muitos deles provenientes da Galiza a braços com uma crise prolongada – trabalhavam sobre tábuas suspensas por cordas nos locais mais íngremes, o que lhes permitia abrirem furos nas rochas, à força braçal, para depois serem cheios com explosivos que as rebentavam. Nada que se compare com os meios hoje disponíveis; e, deste modo, conseguiram concretizar um dos traçados mais espectaculares conhecidos, sendo verdadeiramente impressionantes os primeiros 11km.
 
Sensivelmente na mesma época, a engenharia portuguesa realizava uma outra proeza de vulto, em Angola, com a construção do caminho de ferro de Mossâmedes – e refiro-me mais particularmente à travessia da Serra da Chela – através de desfiladeiros, vales e precipícios alucinantes.
 
Concebido, inicialmente, como uma linha “decauville” foi, posteriormente, já nos finais da década de 50 do século passado, modernizado e requalificado para a bitola normal de África (1,067 m) permitindo assim o transporte de cargas mais pesadas.
 
e) Saliente-se que a ripagem do novo traçado entre a barragem e a povoação do Brunhedo para as cotas 175 - 180 irá facilitar a sua inserção no terreno, dada a existência de um maior espaçamento das curvas de nível e, por outro lado, o facto de se transporem as linha de água a montante das actuais travessias.
 
f) É por demais evidente a ficção resultante da avaliação dos custos do novo traçado entre o Tua e Brunheda estimado em 130 -140 milhões de euros, o que significa algo como 7,8 milhões de euros por km, isto é, tanto como uma linha dupla de AV (Alta Velocidade), segundo as estimativas da RAVE/ REFER. Procurando-se, assim, destruir à nascença um projecto que incomoda alguns (poucos) poderosos, as influentes, em detrimento da economia das populações prejudicadas.
 
Por isso mesmo, logo declaram não ser viável a construção da alternativa ferroviária ao troço da linha do Tua que ficará submersa…. E apresentam como solução alternativa o estudo de um teleférico entre a estação do Tua e a barragem a qual, como seria de prever, logo se conclui não poder transportar cargas. A isto chama-se deitar poeira para os olhos.
 
Reparem o esquecimento imperdoável – o que seria mais lógico na óptica de um projectista – do estudo de um caminho-de-ferro de cremalheira, como sucede em muitos locais da Europa, nomeadamente na Suíça e nos Alpes.
 
A solução apresentada e aceite consiste (como alternativa para o troço submerso) num serviço rodoviário regular o qual também não garante capazmente a mobilidade das populações, é caro e não permite o transporte de cargas mais pesadas.
 
Em suma: estudaram várias hipóteses, algumas falhadas logo à nascença, mas ignoraram o estudo de uma solução “normal” que, conforme deduzi, é praticável. Deste modo, se teimarem em não reconstruir os 18 km da linha do c.f. do Tua que irão ficar submersos terão de arcar com essa responsabilidade perante as populações ou, então, inventar argumentos plausíveis.
 
g) o custo dos 18 km de linha férrea, na realidade, será muito inferior ao que se anuncia, na medida em que poderão ser reaproveitados os carris (assim como os respectivos elementos de ligação e fixação), travessas e presumivelmente uma boa parte da brita após a indispensável escolha e lavagem. Não adianto números por desconhecimento exacto da situação, mas não ignoro que esta linha estava em funcionamento há pouco mais de dois anos, o que deixa supor um grau elevado de aproveitamento.
 
Operação esta, de recuperação, a todos os títulos recomendável e, alias, muito mais justificada do que permitir a “oferta” do remanescente (resultante do desmantelamento da linha actual) a favor de um qualquer feliz sucateiro. Há exemplos disso.
 
Uma outra medida a não descurar e que se recomenda consiste no pedido de verbas à União Europeia, destinadas a salvaguardar um caminho-de-ferro histórico que, pela sua beleza, pode ser considerado património mundial.
 
Infelizmente, entre nós não se fazem balanços sociais dos custos/benefícios provocados pelo encerramento das linhas de caminho de ferro. E, assim, não é por acaso que o nosso país se apresenta com uma densidade excessivamente baixa de linhas ferroviárias relativamente ao número dos seus habitantes ou, ainda no que se refere ao número de km de linhas por km² de território.
 
Política esta que se traduz numa forte contradição, entre o que se apregoa e o que se faz, em termos de gastos de energia e a poluição que provoca. Mais especialmente se compararmos os km de linhas de c.f. com os das A-E existentes que, sabe-se, não garantem a mobilidade das populações e, ainda menos, a coesão nacional, face aos custos muito elevados da sua utilização pelas populações do interior.
 
Mas, atenção: ao reconstruir-se uma linha de c.f. de características modestas como é o caso, não estamos a escolher entre as alternativas possíveis, a vários graus como, por exemplo, um caminho vicinal, uma estrada municipal, uma estrada nacional… ou a tal Auto-Estrada.
 
Estamos a investir naquilo que é necessário e indispensável, de modo idêntico ao que sucede com os abastecimentos de água potável, os esgotos, a electricidade e outros equipamentos sociais que a civilização impôs e a coesão nacional, já atrás referida, nos aconselha.
 
De outro modo, não se estranhe que as populações desprezadas recorram, cada vez mais, às infra-estruturas, aos serviços sociais e aos géneros de toda a espécie que encontram no pais vizinho. Na razão directa com a proximidade da fronteira.
 
O facto é que estas populações sentem-se negativamente discriminadas. Senão vejamos: em Janeiro de 1990 cessaram os comboios entre Vila Real e Chaves; em Março de 2009 suspenderam o tráfego ferroviário nas linhas do Corgo e do Tâmega. Mais recentemente, após o corte da via entre Mirandela e Bragança, “prometem” acabar com a linha do Tua afogando os cerca de 20 km de linha, aliás os mais belos do traçado.
 
O que dirão as gentes de Vila Real, Chaves ou Bragança? Já para não falar nas de Carrazeda de Ansiães, Mirandela ou Macedo de Cavaleiros, Valpaços ou Murça?
 
h) Há muitos anos atrás, na década de 1960, pensou dinamizar-se a região instalando no Cachão (a 3 km de Frechas) um grande complexo agro-pecuário, dotado da respectiva componente industrial.
 
A ideia, em si, era boa mas revelou-se logo um “elefante branco” na medida em que se situa longe dos principais centros de consumo e os seus produtos não tinham escoamento fácil dada a ineficiência e o primarismo dos transportes. Embora falido, o seu património (muito degradado) acabou numa sociedade representante de todos os accionistas.

Mesmo assim, a povoação resultante desse complexo tem hoje cerca de 500 habitantes e cerca de duas dezenas de empresas assegurando à volta de 200 postos de trabalho. Até quando?
 
Após a necessária requalificação e a modernização dos equipamentos, não seria possível dinamizar este Complexo? Com transportes assegurados até á linha do Douro (via Tua) e, também, do IP4 – E82, entre outras?
 
Nos últimos 10 anos desapareceram 112mil explorações agrícolas e a respectiva superfície recuou mais de 450mil hectares; entretanto, estamos cada vez mais dependentes dos produtos alimentares que consumimos. Algo está errado na política que tem vindo a ser seguida e os resultados assim o confirmam.
 
A falta de atenção aos problemas reais, de fundo – e a ocupação do solo nacional é um deles – leva, por vezes a inverter a prioridade nas escolhas; estas não raro pouco exigentes e resultantes de compromissos nascidos da ignorância e (ou) de uma vaidade impermeável a toda e qualquer outra solução.

i) lembroque as vantagens na exploração turística desta linha não resultam, exclusivamente, das viagens que proporciona, aliás lindíssimas , mas também da possibilidade de se integrarem num pacote turístico envolvendo várias actividades na região do Douro.
 
E, ainda, nos benefícios resultantes do transporte de passageiros locais e de alguns produtos (actualmente exageradamente caros, segundo dizem), através da via rodoviária.
 
Sugiro, também, que parte do percurso entre Mirandela e Bragança (desactivado) possa ser aproveitado para passeios turísticos em “velorail” ou, então, em “cyclodraisines”. Até ser possível concretizar o velho sonho de ligar Bragança a Puebla de Sanabria ( muito perto da nossa fronteira), situada na importante linha ferroviária Madrid/Zamora/Ourense/A Coruña (ou Vigo).
 
j) Uma vez lido o parecer da Comissão de Avaliação do Aproveitamento Hidroeléctrico FOZ – TUA/RESCAPE digo, convictamente, que apreciei as suas recomendações relativamente ao projecto, mais especialmente no que se refere às Medidas Compensatórias e às de Minimização de salvaguarda do meio ambiente, da fauna e da flora, com o fim de preservar o existente.
 
Houve uma real preocupação na defesa de tudo isto, desde o mais pequeno insecto ao ratinho, passando pelas tenras ervinhas até à prevenção da contaminação das linhas de água.
 
Infelizmente, não direi o mesmo relativamente ao “bicho-homem” cuja população decresce significativamente “ dada a escassez de actividades económicas existentes, geradoras de baixos rendimentos que estão na origem destes movimentos demográficos negativos. A baixa qualificação dos recursos humanos…”. Estas palavras sinceras (e sensatas) não tiveram, porém seguimento na medida em que, com ligeireza ou por ignorância, se escreve textualmente: “Não se revelando viável a construção da alternativa ferroviária ao troço da linha do Tua que ficará submersa”.

Salvo melhor opinião, cabe aos partidos políticos, aos autarcas e aos movimentos cívicos da Região reivindicarem junto do Poder Central que interceda, junto da EDP, no sentido de concretizar o que se propõe, dado que assim o exige uma sã política de ordenamento nacional e a defesa dos interesses legítimos das populações.
 
Não se trata de mais uma ideia acerca da possibilidade (ou não) de realizar o que se pretende. Face a uma proposta concreta apresentada, exige-se uma resposta clara e concisa e não meros palpites de um qualquer funcionário destacado para o efeito.
 
Nota: com se depreende do exposto, a nova linha poderá – deverá – ser iniciada em qualquer altura, muito embora seja mais fácil e barata a sua construção aproveitando a actual plataforma da via, antes do enchimento da barragem. Admitindo que seja considerada a proposta que expus, recomendo que as terraplanagens das infra-estruturas sejam postas a concurso e que o assentamento da linha e as respectivas catenárias fiquem a cargo da REFER, por administração directa; esta poderá ser a solução mais em conta e com a vantagem acrescida de valorizar o “know-how” desta empresa e evitar mais despedimentos.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Católicos defendem a Catedral de Lima
contra provocação de invertidos

No sábado, 19 de Fevereiro, centenas de católicos reuniram-se no átrio da catedral de Lima (Peru) para rezar um terço pela paz, perante a provocação "Beijos contra a homofobia", na qual um reduzido grupo de invertidos e invertidas se beijaram na Praça Maior, localizada em frente ao principal templo católico do Peru.
Os invertidos tinham convocado este evento, realizado originalmente no sábado, 12 de Fevereiro, tendo sido desalojados pela polícia por beijar-se nas escadarias da catedral.
Para esta segunda edição, contaram com o apoio explícito da prefeita de Lima, Susana Villarán, que em diversas ocasiões expressou o seu apoio às uniões de invertidos.
Os invertidos e invertidas fizeram uma intensa campanha mediática para a convocação do evento do último sábado, 19, mas só conseguiram reunir 8 pessoas dispostas a beijar-se na Praça Maior.
Um recente inquérito da empresa CPI, realizada entre 1 e 6 de Fevereiro, assinala que 75 % dos peruanos se opõem ao chamado "matrimónio" de invertidos.


sábado, 19 de fevereiro de 2011

A oportunidade do Egipto

Daniel Pipes, The Washington Times

Embora os acontecimentos no Egipto se tenham desenrolado da melhor maneira possível, as perspectivas sobre o futuro permanecem incertas. A fase empolgante acabou, agora é hora das preocupações.

Comecemos com três notícias boas: Hosni Mubarak, o homem forte do Egipto que parecia estar à beira de fomentar um desastre, felizmente renunciou. Os islamitas, que pressionariam o Egipto na direcção do Irão, tiveram um pequeno papel nos recentes eventos e permanecem longe do poder. E as forças armadas que, nos bastidores, desde 1952 governaram o Egipto, é a instituição melhor equipada para adaptar o governo às exigências dos manifestantes.

Agora, vamos aos problemas. As forças armadas em si representam o menor dos problemas. No comando há seis décadas, causaram muita confusão. Tarek Osman, escritor Egípcio, demonstra de maneira eloquente no seu novo livro, Egypt on the Brink: From Nasser to Mubarak (Yale University Press), a rapidez do declínio na posição do Egipto. Qualquer que seja o indicador escolhido, desde o padrão de vida até ao poder de influência, o Egipto de hoje fica aquém do seu antecessor monárquico. Osman compara o Cairo dos anos 50 do século passado à cidade "superpovoada, tipicamente de terceiro mundo" de hoje. Ele também se desespera com a maneira em que o país "que já foi marco de tranquilidade … se tenha tornado o solo mais fértil para a geração de agressões do Próximo Oriente".

A Irmandade Muçulmana representa o maior problema. Fundada em 1928, organização islamita líder no mundo, tem de longa data evitado a sua confrontação com o governo, esquivando-se em revelar a sua ambição em realizar uma revolução islâmica no Egipto. O presidente do Irão Mahmoud Ahmadinejad articulou a sua esperança acerca da revolução ao reivindicar que devido aos acontecimentos no Egipto, "estava emergindo um novo Próximo Oriente sem o regime sionista e sem a interferência dos Estados Unidos ". Numa avaliação amarga, o próprio Mubarak fixou-se nesse mesmo perigo: "Vemos a democracia que os Estados Unidos lançaram no Irão, e em Gaza com o Hamas, e esse é o destino do Próximo Oriente … extremismo e islamismo radical".

De sua parte, a administração dos Estados Unidos, ingenuamente, não expressou tais preocupações. Barack Obama minimizou a ameaça da Irmandade Muçulmana, chamando-a apenas de "uma facção no Egipto", enquanto o director do Serviço Nacional de Informações, James Clapper, elogiou a irmandade com sendo "um grupo muito heterogéneo, consideravelmente secular, que desistiu da violência" que procura "a melhoria da política no Egipto".
Esse contra-senso aponta para uma política dos Estados Unidos profundamente desordenada. Em Junho de 2009, durante a revolução não concretizada contra o regime hostil do Irão, a administração Obama permaneceu calada, esperando com isso obter a boa vontade de Teerão. Mas com o Sr. Mubarak, um ditador amigo sob ataque, a administração Obama adoptou a impaciente "pauta da liberdade" de George W. Bush, apoiando a oposição. Obama aparentemente só encoraja manifestações de rua contra o nosso lado.

Pressão americana, gradual e contínua, reconhecendo que o processo de democratização implica uma vasta transformação da sociedade requerendo décadas e não meses, é necessária para abrir o sistema.

O que espera o Egipto? Será que a Irmandade Muçulmana tomará o poder?

Algo marcante, imprevisível e sem precedentes aconteceu nas últimas semanas nas ruas do Egipto. Um movimento de massas sem líderes electrizou um grande número de cidadãos comuns, assim como na Tunísia dias antes. Esse movimento não dirigiu o ódio contra estrangeiros, não fez das minorias egípcias bodes expiatórios, nem exprimiu uma ideologia radical; em vez disso, exigiu responsabilização, liberdade e prosperidade. Informações que me chegaram do Cairo levam a crer numa guinada em direcção ao patriotismo, inclusão, secularismo e responsabilidade pessoal.

Para confirmar, veja estas duas pesquisas de opinião. Um estudo realizado em 2008 por Lisa Blaydes e Drew Linzer constatou que 60 porcento dos egípcios sustentam opiniões islamitas. Porém, uma pesquisa do Pechter Middle East Poll da última semana constatou que apenas 15 porcento das pessoas do Cairo e de Alexandria aprovam a Irmandade Muçulmana e cerca de 1 porcento apoia um presidente da irmandade para o Egipto. Outro indicador dessa mudança sísmica: a irmandade, em retirada, diminuiu as suas ambições políticas, com Yusuf al-Qaradawi a declarar que preservar a liberdade dos egípcios é mais importante do que implementar a lei islâmica.

Nesta fase inicial, ninguém pode dizer de onde veio essa revolução nas atitudes ou para onde está a ir, mas ela é a feliz realidade de hoje. A liderança das forças armadas tem o peso da responsabilidade de guiá-la no bom caminho. Três homens em especial merecem ser observados de perto: o vice-presidente Omar Suleiman, o Ministro da Defesa Mohammed Hussein Tantawi e o Chefe do Estado-Maior Sami Hafez Enan. Veremos se a liderança das forças armadas aprendeu e amadureceu e se compreendeu que continuar em busca dos seus interesses egoístas levará a mais deterioração.



quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Criar a Academia Aeroespacial


João José Brandão Ferreira

Ao ser eleito recentemente membro correspondente da Academia de Marinha, resta-me, na minha qualidade de antigo oficial piloto aviador, propor a criação da Academia Aeroespacial.

Apesar da sabedoria popular afirmar que “ninguém é bom juiz em causa própria”, não hesito em classificar esta ideia de boa e de urgente.

A “causa do Ar-Espaço” está mal arrumada e dispersa na sociedade portuguesa, não existe uma ideia consolidada do “Poder Aeroespacial” nos meios políticos, académicos e culturais da Nação e a grande maioria da população tem destas coisas uma ideia pouco mais do que vaga.

Eis pois os fundamentos e a área de acção da futura Academia Aeroespacial (AA).

Como devemos ser práticos e não andar a tentar inventar o que já existe, defendemos que a AA tenha uma estrutura semelhante à da Academia de Marinha, isto é (em traços gerais):

-- depender do Chefe de Estado-Maior da Força Aérea (em Portugal é extremamente difícil uma instituição deste tipo sobreviver sem apoios de entidades já existentes…);

-- ter na sua estrutura dirigente oficiais na situação de reserva ou reforma bem como outros membros civis de reconhecida idoneidade;

-- estar instalada em unidade militar;

-- estar aberta a membros oriundos do meio científico, académico e profissional de algum modo ligado às actividades aeroespaciais, quer militares, quer civis;

-- ser alargada a membros correspondentes estrangeiros;

-- o acesso a membro estar condicionado por “números clausus” e regras definidas.

A AA constituir-se-ia assim uma Academia de saber em que todos os assuntos relacionados com o Ar e o Espaço pudessem ser estudados, reflectidos e divulgados; um centro de reflexão estratégico sobre o poder aeroespacial e um repositório de conhecimento que poderia ser útil tanto à sociedade civil como aos órgãos do Estado.

A sua estrutura seria simples: uma direcção, uma secretaria, um órgão de apoio técnico, uma assembleia de académicos, um conselho científico.

Como órgãos de execução haveria secções de estudos, a começar por uma de História e outra de Tecnologia; depois e à medida da sua consolidação, poder-se-ão constituir secções relacionadas com tudo o que diz respeito meio aeroespacial: meteorologia, medicina; tráfego aéreo, estratégia, direito, legislação, aeródromos, etc.

A partir daqui é todo um mundo que se abre.

Como particularidade, defendo que a AA deveria albergar também, ressuscitando-o, o “Cenáculo dos Carcaças”, um clube-tertúlia nascido em 8 de Fevereiro de 1956 e que reunia, na altura, todos os pilotos do activo com 20 anos de brevet. Os seus fundadores eram membros do novel Ramo Força Aérea, alguns oriundos da extinta Aviação Naval. Foram eles: Alm. Paulo Viana, Alm. Cardoso de Oliveira, Gen. Dário de Oliveira, Gen. Humberto Pais, Gen. Costa Macedo, Cor. Telo Pacheco, Alm. Carlos Sanches, Cap.m.g. Trindade dos Santos, Gen. Venâncio Deslandes, Gen. João de Freitas, Cor. Rodrigues Costa, Brig. Costa Franco e Cor. Vasconcelos de Carvalho. O bastonário desta “ordem”, conhecido por “carcaça Mor”, era o piloto com o brevet mais antigo. Infelizmente, esta tertúlia “sentimental e evocativa”, como consignado na sua acta de fundação, deixou de existir a seguir ao 25 de Abril de 1974, sem que para tal houvesse qualquer razão ponderosa.

Quanto às instalações, propomos a Base Aérea 1, em Sintra, nomeadamente o aproveitamento das antigas instalações do antigo Instituto de Altos Estudos da FA. Existe espaço, bibliotecas, messes, anfiteatros, bons acessos e parqueamento, pessoal e outras estruturas de apoio.

Existe a Academia da Força Aérea com as suas multicapacidades e o Museu do Ar. Respira-se uma atmosfera aeronáutica.

Como alternativa, poder-se-á considerar as instalações do Estado-Maior em Alfragide, hoje subaproveitadas e que têm a vantagem de estar mais perto de Lisboa.

Cada realização tem um início, um começo. Normalmente nasce com uma ideia. Se não for agora, alguém que pegue nela mais tarde.

Portugal tem muitos talentos e gente capaz, mas andam, normalmente, dispersos, zangados ou antagonizam-se. Os tempos não se coadunam com este estado de coisas. Há que harmonizar e dar resultante às boas ideias e intenções.

Aqui fica o repto.
 

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Petição em defesa da instituição da família

Não queremos o nome Carlos Castro
homenageado com nome de rua !

Assine:
http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2011N6530



segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

As militares que se casam

João José Brandão Ferreira 

Era um facto esperado que só admira por tardio. Já estava previsto acontecer logo que a iníqua lei fosse aprovada.

Temos uma sugestão a fazer às jovens nubentes: a nossa cabo deveria convidar o Sr. Ministro entre todos o primeiro, para padrinho, ou mesmo madrinha de casamento – a partir de agora a ordem é arbitrária – já que foi do seu grupo de “alfaiates” de leis, que saiu a proposta de legalidade agora em vigor; e a nossa capitão deverá endereçar o mesmo convite, ao recém-empossado inquilino de Belém, que genuflectiu sobre o diploma apesar de – confissão sua – não concordar com ele.

E que diabo, sempre se respeitava a hierarquia entre praça e oficial; bandalheira sim, mas não tanta!

Idêntico convite deveria ser endereçado ao coordenador Louçã e ao operário Jerónimo, para que, vestidos de meninas imaculadas e uns enfeites no cabelo abrissem o cortejo transportando as alianças; e também, no mínimo, uma participação do evento ao Passos laranja e ao Paulinho das feiras, a fim de poderem espreitar o evento, já que aparentaram vontade de participar na boda.

As paredes nuas do registo civil seriam ornamentadas com um grupo coral constituído por uma escolha de deputados inspirados nos tenores italianos (com voz de falsete), que cantariam árias burlesco – eróticas a quem o mestre maior do Oriente Luso, serviria de maestro. Amen.

Já sei, sou um reaccionário sem respeito pela “liberdade” alheia que o “progresso” desacreditará. No meu estertor, porém, lamento informar que nem tudo o que se diz e faz é ou tem de ser aceitável, muito menos respeitável e que, para o caso de não terem reparado, também tenho direito a opor-me e, eventualmente, a que me perguntem o que penso, já que se dizem tão democráticos.

Ora nenhuma destas premissas parece fazer vencimento, nem em políticos, comentadores ou na classe dos jornalistas, que é quem filtra as notícias a serem divulgadas para a opinião pública. São assim como uma espécie de comissão de censura gigante, sem coronéis (visíveis) a tutelar. E há quem se lhes arrogue a autoridade de um 4º poder. Resta só saber quem os elegeu…

A campanha nos media a favor dos casos de acoplamento de sexos idênticos – a caminho de serem transformados em “géneros”, onde irá parar a esquizofrenia? -, destina-se a tornar o assunto banal e por isso “normal”. E a condicionar psicologicamente a maioria da população o que, diga-se em abono da verdade, têm conseguido. O assunto é até mais grave pois não fica por aqui: é um processo subversivo da sociedade.

Quando a televisão pública, por ex., dedica 30 segundos à tomada de posse do novo Chefe de Estado-Maior General das FAs – logo um acontecimento menor – (e os outros canais, creio, que nem se referiram a tal); e por causa de uma morte repugnante originada numa cena infeliz, sórdida e canalha, de um conhecido pederasta – cuja mais valia conhecida foi a de fazer crónicas sociais, de grande profundidade cultural e metafísica (!), para a imprensa cor de rosa – os telejornais (todos) abriram durante vários dias com a notícia. O que se há-de pensar? E estas notícias não duraram segundos, levaram muitos minutos e repetiam-se à exaustão, enviaram-se repórteres e coscuvilhou-se de tudo um pouco.

Isto não tem nada a ver com a sacrossanta liberdade de informação: isto merece a maior censura social porque é um nojo. E, no fundo, é como no casamento das “senhoritas”: tentar transformar vícios privados em públicas virtudes.

Filosofemos.

É por estas e por outras que, enquanto os povos sujeitos a ditaduras, aspiram à democracia (mesmo sem saberem muito bem o que isso é), nas democracias, ao fim de algum tempo, sobretudo nas que se deixam degenerar nas regras e na moral, os povos começam a pensar em ditadura! Infelizmente, a solução não está em nenhuma delas (isto depois de se terem inventado e testado numerosas ideologias e formas de governo, à esquerda e à direita, falhando todas!).

A solução está na escolha representativa dos homens bons, íntegros, capazes e desprendidos, que sejam pelo bem comum e que sejam colocados nos lugares de responsabilidade. Quando, raramente, isso acontece os povos prosperam, a justiça aperfeiçoa-se, a vida melhora.

No fundo, trata-se da eterna luta entre o Bem e o Mal. Luta essa que nenhuma religião, também, conseguiu “resolver”, sem embargo das teologias existentes – que também lutam entre si – e que, sem excepção postergam a solução final para o que acontecer depois da morte…

Verificando-se que a vida na terra – inserida no cosmos – consubstanciada nas leias da natureza, o que engloba os seres vivos e inanimados, a geografia, o clima, etc., vivem em equilíbrio e geram o equilíbrio, não deixa de ser assaz perturbador constatar que o homem constituiu-se no único e extraordinário perturbador das leis naturais. É o único ser vivo que pratica a guerra; depreda até à exaustão os recursos naturais; altera o clima; quer mudar as leis genéticas; é capaz de matar a sua descendência ainda antes desta nascer e mesmo não acreditando em Deus intenta desafiá-lo no seus poderes e competências…

E passou a estar de tal modo centrado no seu “eu” que deixou de perceber porque é que uma zebra fêmea não se satisfaz sexualmente com outra fêmea até porque isso representa romper com o equilíbrio da espécie.

E não se querer perceber, ainda, a gravidade que um comportamento semelhante tem numa Instituição Militar é algo de que já não me ocuparei hoje. Já filosofei demais.