quinta-feira, 5 de maio de 2011

In memorium
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General Bettencourt Rodrigues

João José Brandão Ferreira

“A Guiné é defensável e deve ser defendida?
se sim, vamos escolher o melhor general
disponível para a governar, vamos conti-
nuar a fazer o esforço de lá manter os ho-
mens necessários e de procurar dotá-los
do material possível. Se não, prepararemos
a retirada progressiva das tropas, para não
prolongar um sacrifício inútil, designando
um oficial – general, possivelmente um
brigadeiro, para liquidar a nossa presença.”
             Marcello Caetano, a Costa Gomes
                               Depoimento, p. 180



Os três grandes generais das guerras liberais foram Saldanha, Terceira e Sá da Bandeira. Os três exerceram também funções governativas. Dos três, e no conjunto das características humanas, Bernardo de Sá Nogueira era, incontestavelmente, o mais completo, o melhor. Chegou a Marquês, enquanto os outros dois subiram a Duque. Nem Sebastião José chegou a tanto. A História tem destas coisas…

No passado dia 28 de Abril, deixou o número dos vivos o General José Manuel Bettencourt da Conceição Rodrigues. Foi o melhor general de todo o século XX português. A afirmação só me compromete a mim e não pretende ser desmerecedora para qualquer outra figura.

Bettencourt Rodrigues nasceu no Funchal, em 1918 – era também conhecido pelo “Zé da Ilha”, uma daquelas designações que enchem o mundo da camaradagem militar – ia completar 93 anos, em 5 de Junho. BR gostava de viver e teve uma vida cheia, mas não se lhe conhecem vilanias.

A sua carreira militar foi brilhante e culminou com a nomeação, em Setembro de 73, para Governador e Comandante-Chefe da então Província da Guiné, onde o 25 de Abril de 74, o foi encontrar. Declarando não desejar aderir ao golpe de estado em curso, foi preso e transferido para Cabo Verde, com outros oficiais.

Já na Metrópole e nada havendo de que o acusar foi, apesar disso, saneado pela mão do próprio General Spínola. Passou à reserva em 14 de Maio desse ano. Enfim, comportamentos que contam para o passivo da “revolução”.

Desde então Bettencourt Rodrigues remeteu-se ao anonimato, não intervindo em nada, não se queixando de nada e recusando qualquer eventual cargo público. Apenas aceitou ser Presidente da Direcção da sua muito querida Revista Militar, cargo que ocupou durante 10 anos e do qual saiu por vontade própria, pois entendia que as pessoas não deviam ficar demasiado tempo à frente das instituições. Uma das muitas atitudes de lucidez e humildade que lhe conheci.

Bettencourt Rodrigues entrou para a então Escola do Exército, em 1936. Cursou Infantaria – a “Rainha das Batalhas” – sendo o 1.º classificado do seu curso; entrou para o então Corpo de Estado-Maior, em 1951, com a classificação de “distinto”; frequentou o”Command and General Staff College”, Fort Leavenworth, EUA, em 1953; foi adido de Defesa em Londres; comandou o Regimento de Artilharia 1; foi Chefe de Estado-Maior do QG, em Angola, no início da guerra subversiva – onde esteve na origem da formação das primeiras tropas “Comando” – mais tarde comandou a frente leste, em Angola (70-73), onde as tropas sob a sua liderança esmagaram as forças inimigas e praticamente acabaram com a guerrilha, ao mesmo tempo que se promovia uma notável acção psico-social. E ainda teve tempo para, no intervalo da sua intensa actividade militar, ter feito parte do último governo do Prof. Salazar, como Ministro do Exército, transitando para o primeiro governo do Prof. M. Caetano, entre 1968-1970, na sequência do curso de Altos Comandos, onde obteve a classificação de “muito apto”.

Finalmente – não cabe neste escrito fazer a radiografia de toda a sua folha de serviços – quando a situação se tornou delicada no teatro de operações da Guiné, o governo foi procurar o melhor general disponível para tão ingente tarefa e escolheu-o, a ele. Não escolheu um “oficial general de baixa patente” para liquidar a situação…

A situação era, de facto, delicada mas menos por acção do inimigo. É certo que a última grande ofensiva do PAIGC, congeminada em Conakri por instrutores cubanos e soviéticos, e iniciada dois meses depois do assassinato de Amílcar Cabral (20-1-1973), sem dúvida levado a cabo por elementos da ala mais dura e marxista do movimento que aquele liderava, tinha deixado marcas nas FAs portuguesas. Mas foram estas que ganharam a batalha, não o PAIGC…

Mais grave teria sido o ambiente de desmoralização e até de revolta que tocou alguns oficiais do QG, em Bissau, originadas nas desavenças entre o Comandante-Chefe, Spínola e o Chefe do Governo, Caetano.

Foi esta a situação (muito resumida) que o novo governador, Bettencourt Rodrigues encontrou quando chegou a Bissau. Não se pode ter certezas quanto ao evoluir de acontecimentos históricos que são subitamente interrompidos, mas estamos em crer que BR iria sair vitorioso dos desafios com que se confrontava.

E tal convicção radica-se na afirmação supra de o considerar o melhor general português do século XX. Porque o afirmamos?

Bettencourt Rodrigues obteve sucesso em todas as missões de que foi incumbido e reunia em si, um conjunto de características raríssimas de se juntarem na mesma pessoa.

Ao chegar ao topo da carreira, Bettencourt Rodrigues possuía, em simultâneo, a competência operacional e de comando de tropas, tanto em tempo de paz como em campanha, e uma elevada aptidão para trabalhos de planeamento e estado-maior. Bettencourt Rodrigues conhecia o género humano, sabia escolher os homens e não era afectado pela lisonja. E para um homem que tinha ocupado os maiores cargos, não se lhe vislumbrava uma ponta de afectação ou de vaidade.

Tinha uma enorme capacidade de trabalho e a sua integridade e carácter eram à prova de bala. Era um português inteiro e, num país de tricas e azedumes constantes, gozava do raro privilégio ao respeito geral. De facto nunca ouvi “dizer mal” do general em qualquer ambiente. Bettencourt Rodrigues nunca prejudicou o seu país, ilustrou-o, e nunca manchou a Honra da Instituição Militar.

Ora tudo isto configura uma personagem notável que, infelizmente, as novas gerações de oficiais e sargentos já não conhecem.

A sua memória está apenas registada numa das salas de aulas do actual Instituto de Ensino Superior Militar, em Pedrouços, onde foi ilustre professor.

À semelhança de Sá da Bandeira que não foi a Duque, Bettencourt Rodrigues, não foi a Marechal. A História tem destas coisas…

Morreu um grande general português – que o seria também nos exércitos mais afamados – a Infantaria perdeu um dos mais dilectos descendentes do seu Patrono, o grande Nuno; o Exército viu desaparecer um dos seus comandantes mais ilustres e a Nação ficou pobre de um dos seus melhores filhos.

Eu perdi um exemplo e um amigo.

Guardarei, porém, um orgulho: o de poder dizer que o conheci.

Foi das melhores coisas que me aconteceram na vida.

Vai fazer-me muita falta.



domingo, 1 de maio de 2011

Portugal e a Finlândia

João J. Brandão Ferreira










“Se Portugal assume hoje lugar de destaque
no calendário diplomático das nações, não
o deve só à sua posição geográfica e mariti-
ma, pois ela sempre existiu através dos vá-
rios acontecimentos internacionais, mas
sem resultados plausíveis. A razão é outra,
não menos digna de ser citada: o exemplo
honesto do viver português; a clareza da
sua administração; a seriedade dos seus
princípios de franca e leal colaboração e
cooperação pela paz e pelo progresso da
civilização”.

                                Winston Churchill – 1948

Tem suscitado algum mal-estar a atitude do “partido dos verdadeiros finlandeses” em não quererem aceitar a ajuda de resgate da UE a Portugal, no âmbito da actual crise financeira que é, antes de mais, um problema político e um problema moral. E podem emprestar-nos um trilião de euros que o problema financeiro não desaparecerá, enquanto estes dois últimos aspectos não forem debelados.

Este mal-estar fez surgir um texto muito bem escrito, da autoria do embaixador Seixas da Costa e de outro do correspondente da TSF, Hélder Fernandes (embora com um lamentável erro e equivoco, neste último).

Os textos criticam, de uma forma elegante, mas dura, a atitude finlandesa, que é neste momento apenas de uma parte dos seus cidadãos mas que, por arranjos partidários, pode vir a assumir-se como uma posição governamental.

Não se pode dizer que os textos não sejam pertinentes e não apelem ao sentimento de justiça e da decência nas Relações Internacionais, chamando ainda a atenção para a solidariedade entre os povos e os altos e baixos que todas as nações têm ao longo da sua História.

Contudo, na situação presente, não cremos que este seja o mote em que se deva pôr o acento tónico. A tónica deve ser colocada em emendar a mão dos nossos erros e apurarmos responsabilidades, não na reacção alheia. Sem isto não ganharemos o respeito de ninguém.

Que diabo, nós não estamos credores de solidariedade por causa de uma catástrofe natural; uma agressão militar injusta ou uma epidemia de cólera! Nós estamos de mão estendida para que outros venham cá tapar o buraco financeiro que nós abrimos por termos gasto o que não tínhamos e aplicado mal o que gerimos…E, ainda por cima, não se trata de nenhuma ajuda desinteressada, já que nos vão cobrar juros exorbitantes e obrigar-nos a uma ditadura de tutela! À atenção dos democratas…

Nós temos de saber organizar-nos e produzir e não ficar à espera dos excedentes que outros criam; nós devemos querer estar numa posição de poder emprestar e que outros nos queiram emprestar, porque sabem que as nossas finanças são saudáveis, a moeda forte e honramos os nossos compromissos a horas e até ao último cêntimo - como acontecia num passado ainda recente.

Nós devemos querer estar numa posição de decidir o que fazemos, independentemente das pressões, como é exemplo a venda de volfrâmio durante a Segunda Guerra Mundial; e até saber colocar-nos numa situação de poder ceder apoio e solidariedade sem ter que cobrar por isso, como foi o caso da utilização da base das Lajes pela USAF, até à renegociação de 1971 (salvo erro), pois a soberania não se aluga e a divida era, assim, moral e não podia ser quantificada.

Finalmente, nós deveríamos tentar estar num plano, de tal modo superior, que até pudéssemos restituir ajudas que não tinham que ser ressarcidas, para enviar bofetadas de luva branca a quem nos ofende, como foi o caso da devolução da ajuda no âmbito do Plano Marshall, aos EUA, em 1962.

Mas só se pode conseguir tudo isto tendo estadistas à frente dos destinos do País e a Nação estiver imbuída de altos ideais e bons exemplos e hoje não temos nem uns nem outros.

Os povos podem não ter o governo que merecem, mas não estão isentos de responsabilidades e sofrem-lhes as agruras ou as bonomias. E não é uma qualquer autarquia, um clube de bairro ou um vendedor de jornais que representa o país: São o PR e o Governo.

A má governação contumaz e a demagogia política (doença infantil da Democracia), colocaram-nos numa situação em que atraímos a comiseração e o desprezo de muitos mas, também, os exploradores da desgraça alheia e os abutres que aguardam o cadáver adiado. O desentendimento crónico entre a classe político – partidária e as birras pessoais dão de nós todos uma imagem confrangedora.

Bom será, portanto, pôr ordem em casa em vez de nos indignarmos com críticas que nos assentam como uma luva. Ficam bem estes arrobos de dignidade e até de bravata, que as duas cartas revelam, mas não resolvem a nossa divida nem iludem a nossa vergonha.

Ter Dignidade é, sobretudo, não a perder.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Os príncipes

Filipe Anacoreta Correia

A enorme onda da realidade vai destruir
grande parte das seguranças ilusórias
em que nos apoiámos

Na Florença renascentista, Maquiavel afirmava que "nas acções dos Príncipes, em que não existe tribunal a que recorrer, o que importa é o sucesso das mesmas". "Procure, pois, um Príncipe, vencer e manter o Estado: os meios serão sempre julgados honrosos e por todos louvados, porque o vulgo sempre se deixa levar pelas aparências e pelos resultados, e no mundo não existe senão o vulgo; os poucos não podem existir quando os muitos têm onde se apoiar".

Vem isto a propósito do calendário político que se vive em Portugal e de como o mesmo tem sido sublimemente conduzido pelos actuais responsáveis partidários. Um dos aspectos que mais impressionam na trágica situação nacional que atravessamos é que, paradoxalmente, ela resulta da enorme competência e engenho político dos seus protagonistas.

José Sócrates tem gerido a crise como um político extraordinário. O seu golpe de precipitar a queda do Governo foi, na perspectiva socialista e naquela que lhe interessa salvaguardar, uma jogada de génio. Deste modo, endossou à oposição e ao país a responsabilidade pela situação de debilidade extrema em que nos encontramos. E continua ao ataque, sempre veloz, sem nunca dar o ângulo a qualquer recuo ou ponderação que não a da sua própria conquista ou manutenção do poder.

E, por seu lado, também os seus opositores têm feito aquilo que está ao seu alcance para afirmarem o seu poder e conquistarem aquele que ainda não têm.

As jogadas do tabuleiro, cada uma à sua medida, têm revelado que temos em Portugal excelentes políticos, altamente profissionais e com grande faro. De uma forma geral e à parte pequenos deslizes, os nossos políticos têm demonstrado que dominam a indústria em que se movem e são muitíssimo competentes.

Prova disso é a afirmação dos diferentes líderes no seio dos respectivos partidos e o unanimismo crescente que granjeiam. Tal unanimismo, em contraste com a ameaça de desintegração social a que assistimos no nosso tempo, é no mínimo ridícula, mas demonstra empenho e uma atitude implacável por parte dos seus protagonistas.

A conquista ou manutenção do poder, sem ponderação do interesse geral sobre o corporativo ou qualquer referência à virtude (no sentido clássico ou aristotélico), é a escola do actual espectro partidário. A política é isso. Dizem que é a conquista e a manutenção do poder. E, nesse esforço, todos estão a fazê-lo bem ou mesmo muito bem.

Fazem-no, é certo, à custa de Portugal, mas isso não interessa. Ninguém parece reparar. Na política, o que importa são as aparências. E a gestão destas sempre deixou pouco lugar aos que apontaram e apontam para outro horizonte. Como dizia Maquiavel, "os poucos não podem existir quando os muitos têm onde se apoiar".

Sucede que se aproxima vertiginosamente uma enorme onda da realidade, que vai destruir grande parte das seguranças ilusórias em que nos apoiámos. Os nossos Príncipes tentam surfar essa onda. Porém, cada vez mais se pode adiar menos o momento do seu impacto.

Temo que, sem outro alcance de responsabilidade, a nossa desfragmentação enquanto Povo seja, mais do que uma possibilidade, uma probabilidade. Ainda que sob o olhar de Príncipes de luva branca.


quarta-feira, 27 de abril de 2011

25 de Abril, um PR, três ex-PR's...

João José Brandão Ferreira

Palácio de Belém, dia 25 de Abril de 2011, palco maior das comemorações.

Crise nacional, Assembleia da República dissolvida, governo de gestão, troika de futuros mandantes, com o pé na jugular da República, portugueses de tanga, cerviz dobrada.

Ideia maior: juntar os quatro maiores do regime saído da alvorada florida a cravos, apelo à união e ao combate. Parecia boa ideia.

Pareceu apenas por pouco tempo. O tempo de os ouvir falar.

Confesso que decidi ouvi-los sem qualquer expectativa e algum incómodo.

Quatro personagens assaz diferentes, discursos iguais. Iguais? Não, idênticos, as diferenças são de pormenor e, fundamentalmente, de índole ideológico - partidária, por isso sem importância de maior. Idênticos porque disseram praticamente o mesmo, a saber:

Em primeiro lugar genuflectiram, no intróito, à figura do Presidente da Associação supostamente representativa dos herdeiros da revolta, curiosamente alcandorada a uma posição inexistente no Protocolo de Estado; seguidamente e com alguma diferença na ordem discursiva, pode-se dizer que tocaram basicamente em três pontos, sendo eles a glorificação da revolta militar e da condenação do regime anterior, o que se fez a seguir ao dito golpe, que virou revolução e, finalmente, à crise actual. Findaram os quatro com um apelo de esperança como mandam as regras da comunicação de ideias e os cânones das tribunas da política.

Bateram nos derrotados do 24 de Abril porque eles estão quase todos mortos (e não se podem defender) e não deixaram muitos descendentes. Os que ficaram, transvestiram-se, na sua maioria, e deram excelentes zeladores da nova ordem; os que se mantiveram coerentes e corajosos foram, pura e simplesmente, impedidos de existir. Democraticamente, como é óbvio. A escrituração da História pelos vencedores fez o resto.

Obviamente faz parte da liturgia e não podia ser de outra maneira: se não fosse o golpe, os quatro oradores jamais poderiam ter aspirado a ocupar o lugar que ocuparam. Disse os quatro? julgo estar a ser injusto, o actual PR talvez pudesse vir a ser caso a evolução que o Prof. M. Caetano quis fazer, tivesse feito vencimento. Aliás, o seu mais dilecto afilhado andou na mesma onda, no dia anterior, na semanal prédica da TVI.

Em seguida lamentaram todos, cada um à sua maneira, que os ideais de Abril não foram todos cumpridos, esquecendo-se que começou por não ter sido cumprido o próprio manifesto do movimento e que depois disso os “ideais” de Abril se pulverizaram em variadíssimos ideais. Apesar de tudo valeu a pena!...

O Otelo é que anda baralhado. Pelos vistos andou sempre e nunca atinou com nada. Ele, aliás, coitado, confessou que quando fez o golpe não percebia, sic, “patavina de política”. Deus tarda mas não falta.

No fundo, muitas coisas melhoraram e ficámos todos a ganhar, obviamente com o conveniente esquecimento de que tal se deveu às reservas financeiras deixadas pelos execrados “ditadores”, pela intervenção do FMI em duas vezes (esta terceira deve ser para ver se levantam a nota!) e por via da avalanche inusitada de fundos comunitários. Ou seja, em nada existe mérito desta III República, que já só as clientelas partidárias reconhecem como pessoa de bem.

Nos 40 anos anteriores tudo foi feito com meios e esforço próprio e sem pedir nada a ninguém. Deve ter sido por estarmos “orgulhosamente sós”!!...

Quanto ao momento presente, reconhece-se (finalmente!) que é de crise e de crise grave e ficámos a saber que a culpa é de todos embora, condescendem os ditos cujos, que a maior responsabilidade é dos políticos – presume-se à excepção deles próprios, pois chegaram agora vindos de Marte!

Eu peço, até, que me explicitem qual é a minha culpa, para ver ser, patrioticamente e com a máxima humildade, me emendo! Que diabo, não quero ficar de fora do esforço colectivo e entendo perfeitamente que os apaniguados de quem tem bloqueado o Estado na ditadura partidocrata em que transformaram a nossa vida política continuem a ser ressarcidos às dezenas de milhares de euros por mês pelos sacrifícios que fazem a mais do que o comum do cidadão. Ámen.

Quanto a soluções que os senhores preconizam para o futuro, não consegui vislumbrar nenhuma a não ser um conjunto de vacuidades e de princípios sem consequência, que qualquer seguidor do saudoso Padre Américo poderia fazer, sem dúvida com mais assertividade e boa intenção.

Resta uma solução, o apelo ao entendimento dos partidos (pelos vistos não todos…). Ora isto representa a maior idiotice possível pela simples razão que os partidos são parte do problema (eles são o problema), não a solução. Os partidos existem para se combaterem, não para se unirem; os partidos são o regime da guerra civil permanente, a balbúrdia permanente. Ninguém consegue governar assim. O único partido que não é partido é o PC, por ser um misto de doutrina religiosa misturada com uma organização militar. E só é democrático até tomar o poder, aí acaba com os outros todos. Parece que até o próprio Otelo percebeu isto quando foi preso. O Dr. Mário Soares, porém, na sua magnanimidade emanada do alto das tartarugas e elefantes em que se passeou, amnistiou-o. O Dr. Sampaio esqueceu-se de condecorar as vítimas das FP-25 com a Ordem da Liberdade. Um ingrato é o que é.

Em síntese, o que se pode concluir das frases compostas por sujeito, predicado e complemento directo (ao menos isso!), emanadas da figura política mais proeminente do Estado – antigamente apelidada de “veneranda” ou “majestade” e dos principais senadores do regime? Me parece que erros factuais históricos, muitos; interpretações sociais e políticas sem sentido, várias; e quanto a soluções, aos costumes disseram nada. Em bom calão militar”soft” pode dizer-se que estivemos perante um chorrilho de “generalidades e culatras”.

Se assim pensam as cabeças mais coroadas da República, descolaram do resto da população. Ficção e realidade sempre foram coisas diferentes. Mesmo quando a realidade supera a ficção.

No fim de tudo, manteve-se a expectativa – que era nula; aumentou o incómodo.
 


terça-feira, 19 de abril de 2011

Nobre Boaventura!

Blasfémias

                                           « A excelente escolha de Passos Coelho

                                                          Fantástico»

Acabei de ouvir, na TSF, o Professor Boaventura Sousa Santos – que, para além da reconhecida carreira internacional de investigador junta, também ao seu curriculum e entre outras coisas, o facto de ser consultor de Chàvez e de Evo Morales – criticar FERNANDO NOBRE pelo facto de este ter aceitado ser cabeça de lista, em Lisboa, pelo PSD. E, sobretudo, por NOBRE poder vir a ser (caso o PSD vença as eleições) o próximo Presidente da Assembleia da República.

Boaventura acha que NOBRE “sucumbiu à vertigem do poder” e, em toda crítica Boaventuriana, nota-se, subjacentemente, uma elevada censura ética e moral. Não se percebe bem se essa censura resulta de NOBRE poder vir a ser o próximo Presidente da Assembleia da República ou se deriva, implicitamente, do facto de se ter associado, como independente, ao PSD….

É, no mínimo, curiosa, a acusação de “vertigem do poder”, vinda de quem é próximo (e apoia) os “desprendidos” (do poder) Chávez e Morales….

No entanto, o que parece, sobremaneira, injusto e mesmo contraditório é o tom de censura moral com que tenta estigmatizar NOBRE. Vertigem do poder? Por poder ocupar o cargo de Presidente da Assembleia da República? Então NOBRE que, em termos de resultados, surpreendeu nas últimas Presidenciais, não pode, agora, ser candidato nas legislativas? Deixa de ter moral, por se apresentar pelo PSD?

Afinal, se há um partido que se abriu a independentes (independentes até mesmo com um discurso “anti-partidos”) poderá, pelo menos, dar-se o crédito de que algo de novo em relação ao que tradicionalmente se critica nos “aparelhos”, estará a suceder… O mérito - com muita pena de Boaventura, imagino eu - é que os partidos portugueses mais “Chavistas” e “Moralesistas” não tenham tido a coragem de fazer o mesmo!

Dois pesos e duas medidas (e um enorme preconceito), também para a tal “moral” política de Boaventura, consoante, na sua cabeça, os actos vêm da “sua” esquerda ou não?




Foi pedido o resgate

Henrique Medina Carreira, Wordpress

Bom, dado o que está em causa é tão só o futuro dos nossos filhos e a própria sobrevivência da democracia em Portugal, não me parece exagerado perder algum tempo a desmontar a máquina de propaganda dos bandidos que se apoderaram do nosso país. Já sei que alguns de vós estão fartos de ouvir falar disto e não querem saber, que sou deprimente, etc, mas é importante perceberem que o que nos vai acontecer é, sobretudo, nossa responsabilidade porque não quisemos saber durante demasiado tempo e agora estamos com um pé dentro do abismo e já não há possibilidade de escapar.

Estou convencido de que aquilo a que assistimos nos últimos dias é uma verdadeira operação militar e um crime contra a Pátria (mais um). Como sabem há muito que ando nos mercados (quantos dos analistas que dizem disparates nas TVs alguma vez estiveram nos ditos mercados?) e acompanho com especial preocupação (o meu Pai diria obsessão) a situação portuguesa há vários anos. Algumas verdades inconvenientes não batem certo com a "narrativa" socialista há muito preparada e agora posta em marcha pela comunicação social como uma verdadeira operação de PsyOps, montada pelo círculo íntimo do bandido e executada pelos jornalistas e comentadores "amigos" e dependentes das prebendas do poder (quase todos infelizmente, dado o estado do "jornalismo" que temos).

Ora acredito que o plano de operações desta gente não deve andar muito longe disto:

Narrativa: Se Portugal aprovasse o PEC IV não haveria nenhum resgate.

Verdade: Portugal já está ligado à máquina há mais de 1 ano (O BCE todos os dias salva a banca nacional de ter que fechar as portas dando-lhe liquidez e compra obrigações Portuguesas que mais ninguém quer – senão já teríamos taxas de juro nos 20% ou mais). Ora esta situação não se podia continuar a arrastar, como é óbvio. Portugal tem que fazer o rollover de muitos milhares de milhões em dívida já daqui a umas semanas só para poder pagar salários! Sócrates sabe perfeitamente que isso é impossível e que estávamos no fim da corda. O resto é calculismo político e teatro. Como sempre fez.

Narrativa: Sócrates estava a defender Portugal e com ele não entrava cá o FMI.

Verdade: Portugal é que tem de se defender deste criminoso louco que levou o país para a ruína (há muito antecipada como todos sabem). A diabolização do FMI é mais uma táctica dos spin doctors de Sócrates. O FMI fará sempre parte de qualquer resgate, seja o do mecanismo do EFSF (que é o que está em vigor e foi usado pela Irlanda e pela Grécia), seja o do ESM (que está ainda em discussão entre os 27 e não se sabe quando, nem se, nem como irá ser aprovado).

Narrativa: Estava tudo a correr tão bem e Portugal estava fora de perigo mas vieram estes "irresponsáveis" estragar tudo.

Verdade: Perguntem aos contabilistas do BCE e da Comissão que cá estiveram a ver as contas quanto é que é o real buraco nas contas do Estado e vão cair para o lado (a seu tempo isto tudo se saberá). Alguém sinceramente fica surpreendido por descobrir que as finanças públicas estão todas marteladas e que os papéis que os socráticos enviam para Bruxelas para mostrar que são bons alunos não têm credibilidade nenhuma? E acham que lá em Bruxelas são todos parvos e não começam a desconfiar de tanto óasis em Portugal? Recordo que uma das razões pela qual a Grécia não contou com muita solidariedade alemã foi por ter martelado as contas sistematicamente, minando toda a confiança. Acham que a Goldman Sachs só fez swaps contabilísticos com Atenas? E todos sabemos que o eng.º relativo é um tipo rigoroso, estudioso e duma ética e honestidade à prova de bala, certo?

Narrativa: Os mercados castigaram Portugal devido à crise política desencadeada pela oposição. Agora, com muita pena do incansável patriota Sócrates, vem aí o resgate que seria desnecessário.

Verdade: É óbvio que os mercados não gostaram de ver o PEC chumbado (e que não tinha que ser votado, muito menos agora, mas isso leva-nos a outro ponto), mas o que eles querem saber é se a oposição vai ou não cumprir as metas acordadas à socapa por Sócrates em Bruxelas (deliberadamente feito como se fosse uma operação secreta porque esse aspecto era peça essencial da sua encenação). E já todos cá dentro e lá fora sabem que o PSD e CDS vão viabilizar as medidas de austeridade e muito mais. É impressionante como a máquina do governo conseguiu passar a mensagem lá para fora que a oposição não aceitava mais austeridade. Essa desinformação deliberada é que prejudica o país lá fora porque cria inquietação artificial sobre as metas da austeridade. Mesmo assim os mercados não tiveram nenhuma reacção intempestiva porque o que os preocupa é apenas as metas. Mais nada. O resto é folclore para consumo interno. E, tal como a queda do governo e o resgate iminente não foram surpresa para mim, também não o foram para os mercados, que já contavam com isto há muito (basta ver um gráfico dos CDS sobre Portugal nos últimos 2 anos, e especialmente nos últimos meses). Porque é que os media não dizem que a bolsa lisboeta subiu mais de 1% no dia a seguir à queda? Simples, porque não convém para a narrativa que querem vender ao nosso povo facilmente manipulável (julgam eles depois de 6 anos a fazê-lo impunemente).

Bom, há sempre mais pontos da narrativa para desmascarar mas não sei se isto é útil para alguém ou se é já óbvio para todos. E como é 5.ª feira e estou a ficar irritado só a escrever sobre este assunto termino por aqui. Se quiserem que eu vá escrevendo mais digam, porque isto dá muito trabalho.























sábado, 16 de abril de 2011

«Um Compromisso Nacional»
ou uma salada nacional?

Heduíno Gomes

Várias personalidades mediáticas assinaram um documento pretendendo dar soluções para a crise nacional. O documento é tão vago e abrangente que qualquer responsável por aquilo a que chegámos não hesitaria em assiná-lo. Aí temos 40 a fazê-lo, uns por boas intenções, outros nem por isso. Alguns dos signatários são, eles próprios, responsáveis pela catástrofe. Não incluísse a lista algumas pessoas decentes, embora ingénuas, e poderíamos falar da história de Ali Babá.

Ler mais em:















terça-feira, 5 de abril de 2011

As novas eleições

João José Brandão Ferreira

           “É preciso uma espada tendo ao lado um pensamento”
                                                                    Eça de Queiroz

Chegados a mais um bloqueamento político do sistema em que nos (des) governamos (como já os houve em 1828, 1834, 1851, 1890, 1910 e 1926, só para citar estes), natural se torna que o passo seguinte – até por ser o mais fácil – seja a marcação de novas eleições legislativas. “Devolver a palavra aos eleitores” e ou “ao povo”, como amiúde se ouve dizer, nas arenas políticas e nos palcos de opinião publicada.
Mas em boa verdade o que significa “devolver a palavra aos eleitores?” Significa isto: contar novamente os votos das forças partidárias que se apresentem a escrutínio, para se saber quantos membros de cada uma – depois de escolhidos pelas respectivas direcções – se sentarão numa sala em hemiciclo outrora convento beneditino. Aqui começam as falácias: primeiro, a votação recairá, em 95% dos casos, nos cinco partidos já com assento parlamentar dirigidos por gente que há décadas nos enchem as pantalhas televisivas – ou seja não há verdadeiramente uma escolha.

De facto, o povo não fala nada, quem fala são eles… E, apesar de se afirmarem muito republicanos, o rejuvenescimento das famílias partidárias, quase seguem os ditames monárquicos e sem excluírem completamente a descendência natural.

Mal comparado, é como se fossemos a uma casa de passe, onde para a escolha das profissionais de vida “fácil” tivéssemos uma infectada com sarna, outra com sífilis, aqueloutra com tuberculose, uma com lepra e, finalmente, uma outra com peste. Esta última, creio, já todos identificaram.

De todas elas, quem é que o leitor escolhia?

Pois, é como eu. Aqui não se trata de qual o mal menor. São todos males maiores.

Como a casa de passe funciona em regime de quase monopólio, não deixam abrir outras, logo não temos alternativa. É uma “Democracia” de passe limitado…

Podíamos tentar levar as “doentes”, a uma espécie de hospital ali para os lados de Belém, mas o médico de serviço, logo diz que não as consegue curar nem, tão pouco, está para isso. Elas que se curem sozinhas ou, então, que se entendam sobre a melhor cura. E como se recusa a procurar na cidade (não existem apenas casas de passe na cidade!), gente limpa e sã como alternativa às inquinadas, nós todos, que somos o tal povo, estamos tramados pois não temos alternativa onde aplicar a nossa voz rouca e sumida. E o tal papelinho do voto. Ainda por cima, à força de muitos anos de maus exemplos e mentiras, já temos dúvidas em distinguir a integridade da malandragem…A descrença é universal, com excepção das clientelas frequentadoras dos tais “lupanares”.

Ou seja estamos à mercê de um qualquer proxeneta ou de uma “madame” quer seja nacional ou estrangeira, sendo que, estes últimos, cada vez metem cá mais o bedelho e cobram a dízima. As instituições nacionais e a população em geral, estão aturdidas, acobardadas e de mão estendida. E, por isso, inermes.

Ou seja, o povo não tem, de facto, voz. A campanha eleitoral – para quem tiver a paciência de acompanhar – vai ser penosa e nenhuma solução daí resultante, vai ser solução. Vai apenas ser uma algazarra anárquica onde os intervenientes se vão atacar mutuamente sem qualquer substância ou verdade. E onde todos invocam o interesse nacional sem ninguém o ter definido.

Vamos ter que beber o cálice do fel até ao fim.

No entretanto vamos ter que passar pela experiência de ter cá o FMI/Banco Europeu, da mesma forma que já tivemos o Junot no alto de Santa Catarina, em 1807, e o embaixador inglês presente em Conselhos de Ministros, no século XIX. Eu que até tenho a mania que sou patriota, vou curvar-me (para já) perante isto: é que este é que é o mal menor: obrigam-nos a entender à força, põem ordem nas finanças, obrigam a alguma disciplina e estragam uns quantos negócios de conveniência. E talvez venhamos a saber, por outros, do verdadeiro estado desgraçado a que chegámos, já que os políticos portugueses que o causaram não têm a decência de o revelar e assumir.

E estas são as verdadeiras razões pelas quais, uma mão cheia de infectados das doenças contagiosas atrás descritas, se têm oposto à ajuda externa.

A alternativa a isto teria que passar por se sair do Euro e da UE, fechar as fronteiras, impor alfandegas, suspender o pagamento da dívida (ela é em grande parte fruto da especulação e metade do dinheiro que “existe” é virtual), até a conseguir renegociar em termos estáveis e equilibrados e pôr o país a trabalhar. E pôr o país a trabalhar é, em primeiro lugar, garantir que há água (vinho já vimos que há muito e bom!), alimentos e uma qualquer forma de energia, pois sem estas coisas básicas ninguém sobrevive.

E, claro, fazer como na Islândia, ou seja meter na prisão (embora merecessem mais), os provados responsáveis pelo dolo efectuado.

Se, porém, alguém tiver uma ideia melhor das aqui expressas, por favor indique-as.

Até porque, se o “estado de direito” continuar a não se dar ao respeito nem a permitir resolver as grandes questões nacionais, será quase certo que os artigos 325 e 326 do Código Penal (Crimes contra a realização do Estado de Direito), sejam infringidos…

A Instituição Militar tem que ser preservada e deixar de ser aniquilada como tem sido. Os chefes militares têm nisto especial responsabilidade.

É a “última razão”para manter a unidade do Estado e para proteger a Nação de estranhos e, até, de si própria.

1918. Major Sidónio Pais

1926. Almirante Cabeçadas

1926. General Gomes da Costa

1926. General Carmona














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Uma pergunta pertinente:

Hoje teremos generais
ou «generais sentados»?

(Heduíno Gomes)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Vaticano perante a ONU:
Opinar contra homossexualidade
está dentro da liberdade de expressão

O representante da Santa Sé no gabinete da ONU em Genebra, Dom Silvano Tomasi, recordou a este organismo que quem ataca os que têm opiniões contrárias ao comportamento homossexual violam o direito das pessoas à liberdade de expressão.

O Arcebispo interveio durante a discussão do item «Orientação sexual», na XVI sessão do Conselho dos Direitos humanos, e mostrou a sua preocupação ante a «alarmante tendência» de «atacar pessoas por tomarem posições de não apoiar as condutas sexuais entre pessoas do mesmo sexo».

Ler mais:

domingo, 27 de março de 2011

A nossa resposta à crise política
(Uma imagem sem palavras)

Radcliffe distinguido por apoio ao lóbi
dos invertidos

Daniel Radcliffe, conhecido pelo seu desempenho na saga ‘Harry Potter', vai ser distinguido pelo apoio que tem dado ao lóby dos invertidos dos Estados Unidos.
O prémio será entregue pela organização The Trevor Project, em Junho, em Nova Iorque, onde o actor britânico tem estado, mais concretamente na Broadway, como protagonista da comédia musical ‘How to Succeed in Business Without Really Trying'.

O actor Daniel Radcliffe, protagonista da saga ‘Harry Potter', revelou que mente à imprensa sobre a sua vida amorosa. E acrescentou que o faz há cerca de dez anos. No programa de televisão ‘The Early Show', do canal norte-americano CBS, o artista também não confirmou se tem namorada.




(Dos jornais)

quinta-feira, 17 de março de 2011

Demografia, problema de defesa nacional

João Xavier Louro

A China prepara-se para rever a sua política de «um casal, um filho»[1], preocupada com o acelerado envelhecimento da população, apesar de ser o país mais populoso do Mundo. Pode dizer-se que o regime chinês, apesar dos seus defeitos, tem uma visão de longo prazo em que procura assegurar um futuro para o país.

Deu uma lição ao Ocidente iludido na fantasiosa «Inovação sem Produção» (com honrosas excepções), como demonstra o gigantesco excedente comercial que lhe permite até aparecer como benfeitor generoso a adquirir dívida soberana de vários países-cigarra pelo mundo fora.
Prepara-se agora para dar mais uma lição, esta de primordial importância: O primeiro pilar da Defesa Nacional é a Segurança Nacional Demográfica. Não está aqui em causa questões raciais ou de outra discriminação injustificada. Está em causa a perenidade da nação, já que a imigração massiva como solução para a baixa taxa de natalidade (e admitindo que se consegue atrair essa mesma imigração) tem como consequência a impossibilidade de integração pacífica na sociedade destino, resultando na criação de guetos incontroláveis onde nem se fala a língua do país, ou de uma colonização (note-se uso do castelhano nos EUA). O resultado a longo prazo será um país que do original só terá o nome.

Portugal, país já com sinais claros de envelhecimento acelerado e com uma taxa de natalidade que foi recentemente a terceira mais baixa da UE, apresentava já em 2008 cerca de 17,4% da população acima dos 65 anos e projecta para 2030 um valor aproximadamente de 24% (cenário central do INE)[2]. Note-se que o governo chinês está preocupado[1] por em 2030 a população idosa atingir o valor que nós já atingimos em 2008!!!

Não querendo em nenhum momento relativizar a crise financeira e económica em que a III República mergulhou Portugal, convém notar que já ultrapassámos momentos de crise bem mais graves ao longo da nossa longa história, dando suporte factual ao ditado popular «Enquanto há vida há esperança».

A grande crise da qual já se vislumbram sinais claros e cujo impacto ultrapassará em breve qualquer crise financeira pontual é a crise demográfica para a qual o regime devorista actual muito tem contribuído e no qual se tem que dar especial destaque aos executivos liderados pelo «Eng.» José «Espanha, Espanha, Espanha» Sócrates: a introdução da pena de morte para os nascituros, o abandalhamento do casamento, a perseguição fiscal às famílias (especialmente às numerosas), o empenho quase fanático colocado na promoção da agenda homossexual (note-se a produção legislativa nesta área quando o executivo deveria era estar preocupado em produzir um orçamento credível e sem os erros-gralhas-omissões-atrasos verificados). Parece-me uma clara demonstração de que os inimigos de Portugal, bem representados na nossa alienada elite política, resolveram atacar o «problema» na sua raiz: Sem portugueses não há Portugal.

As últimas agressões à instituição militar

João  Brandão Ferreira


Durante quase toda a minha vida militar passei o tempo a alertar para o que iriam tentar fazer às FAs e aos militares. Quase ninguém me levou a sério e as coisas foram acontecendo. Coisas erradas e más, entenda-se.

Uns olhavam-me incrédulos; outros, com um encolher de ombros; aquele com um sorriso trocista; alguns, até, concordando com o que se ia fazendo. A maioria sem saber o que pensar ou fazer. De alferes a general. Colaram-me muitos nomes e ainda chamam.

Lembro-me, ainda, daqueles, imberbes ou curtidos de muitas intempéries que, perante a possibilidade de algo vir a acontecer diziam: “eles não se atrevem!” E quando eu lhes dizia que “eles atrevem-se a tudo desde que ninguém se lhes oponha”, ficavam com ar espantado a olhar e não diziam nada. E “eles” foram-se atrevendo sempre a mais…

Enfim, a Instituição Militar (IM) está quase irreconhecível.

As últimas duas barbaridades que o Poder Politico cometeu foram o congelamento das promoções em todos os postos e a devassa às contas dos Ramos por parte de uma inspecção do Ministério das Finanças.

Não consta que tivesse havido qualquer reacção ou protesto por parte da hierarquia militar, de pessoal no activo, reserva ou reforma ou de comentadores. Apenas as associações de militares chamaram a atenção para o agravo e suas consequências.

Analisemos, sucintamente, cada uma das ditas barbaridades.

O congelamento das promoções é de uma gravidade inaudita. Confesso até, que tendo antecipado todas as malfeitorias que têm sido feitas à IM (e tendo em carteira algumas outras que se seguirão), esta não me tinha ocorrido. Vejamos: a carreira militar é absolutamente específica e orientada por regras deontológicas e técnicas ímpares na sociedade portuguesa, que são aferidas. Todas estão regulamentadas.

Um militar serve, para além do Estado, a Nação, não pode ser militar noutra “empresa”nem noutro país. A Constituição da República e leis que a regulamentam obrigam-nos, coercivamente, a uma limitação significativa nos seus direitos de cidadania. A lei estabelece os requisitos que os militares têm que cumprir para serem promovidos, estes cumprem e o governo, que transita por efémero, através de um despacho iníquo, de dois ministros ignaros, determina que os militares que cumpriram o seu dever e estão dentro das condições que os “representantes” do povo um dia decidiram – e não foram revogadas – estão suspensos de serem promovidos!

Mais: suspendem “temporariamente”(?) um direito – que é também um pilar de funcionalidade – que se encontra ainda constrangido por limites de idade (os postos têm limites de idade), o que não acontece também em mais nenhum outro grupo profissional!

A questão da “funcionalidade”não é, por seu lado, despicienda, já que o princípio da hierarquia – que tem sido destruído nas relações de trabalho e sociais – é vital para o (bom) funcionamento das FAs. Ora tudo isto está posto em causa pelo referido despacho.

E como o que os preocupa é cortar nos réditos alheios (não nas clientelas politicas), mesmo nos orçamentos das instituições que são vitais ao Estado e à Nação, também suspenderam uma norma algo idiota, inventada há uns anos atrás, que estabelecia que quem estivesse a desempenhar funções de posto superior, receberia por esse posto.

Eu, que estou longe de ser um constitucionalista, digo que esta atitude do executivo, que na prática, substitui os directores de pessoal e os chefes militares pelo ministro das finanças, é profundamente inconstitucional e injusta. E a prova provada de que o Estado não é uma pessoa de Bem, nem sabe o que anda a fazer. Estou à vontade para dizer isto pois estando na situação de reforma, em nada me afecta materialmente. Embora me atinja na dignidade pois fere a dignidade da IM a que muito prezo de pertencer.

Creio, até, que o governo colocando-se na situação de se desobrigar do que devia defender e respeitar, justifica que os militares possam fazer o mesmo relativamente às suas obrigações para com o Estado. E era o que deveriam fazer já, se fossem do quilate ético/moral dos políticos que assim procedem e não tivessem um entendimento diferente do serviço público.

Mas há atitudes e actos que não devem passar em claro ou sem reacção.

O “despacho inspectivo”, conjunto do MDN e MF, de 10/02/11, que determinou uma inspecção das Finanças aos Ramos das FAs, por causa do montante necessário para fazer face às despesas com pessoal é, por seu lado, um atestado de incompetência às chefias militares (e ao próprio MDN); uma ingerência inadmissível e incongruente, no funcionamento da IM e resulta apenas – ou estarei muito enganado – de uma operação de cosmética para que o governo (ou apenas o MDN), limpe a face, por terem aparecido aumentos na rubrica de pessoal quando tinham declarado que iam diminuir os gastos.

Ora, sendo assim, o insulto ainda é mais grave já que estão a tentar fazer das FAs e dos militares capacho da sua demagogia e falta de seriedade. E ainda é preciso dizer que para além das inspecções dos ramos, o ministério dispõe da Inspecção-Geral das FAs, que tem por missão verificar que tudo se passa conforme a lei e também foi ultrapassada por este despacho.

O que se passa é que o governo suborçamenta, por norma, a rubrica do pessoal; apesar das reduções continuas de pessoal decretadas (só em voluntários e contratados reduziram-se cerca de 25% dos efectivos nos últimos seis anos), tal ainda não se repercutiu, em parte, nos orçamentos e, finalmente, o governo procedeu a ajustamentos de vencimentos e de subsídios, que postergou no tempo com engenharias financeiras, ou simplesmente não cumprindo a lei. Agora, por razões várias, decidiram-se a pagar e daí o bolo da massa salarial ter subido imenso. O mesmo se passou na GNR e PSP (com a diferença de, nessas forças, o pessoal estar sempre a aumentar…)

Ora como os políticos não querem assumir publicamente a situação fazem-se de virgens ofendidas e tentam passar para a opinião pública que a culpa é dos militares que não sabem gerir a sua casa e, ou, não colaboram com os esforços do governo em apertar o cinto. É uma infelicidade grande ter gente desta como governantes.

Como as chefias militares, por razões conhecidas, nunca explicam nada em termos públicos – e muito pouco às tropas – e a comunicação social, de um modo geral, por ignorância, incompetência ou má fé, não investiga e noticia correctamente, nós passamos a vida embrulhados nestas situações.

Por outro lado, as chefias militares, salvo raras excepções, têm aguentado tudo de cara alegre e mesmo ao fim de anos e anos a verem cortar em todas as suas competências – a ponto de se estarem a deixar desqualificar – e a diminuir os meios das FAs, ao passo que vêem as missões aumentar, continuam a discursar que vão tentar cumprir tudo nem que seja fazendo das tripas coração. Ora com este procedimento só estão a dar razão a quem corta e desqualifica e a prejudicar o moral das tropas.

Fiquem, porém, cientes de uma coisa: ninguém vos vai agradecer por isso e quando um dia destes a coisa partir (como já partiu com o desaparecimento das armas na Carregueira), porque está tudo preso por fios, serão crucificados na praça pública!

Como diria o Pessoa “…tudo isto faz sentido. O que não faz sentido é o sentido que tudo isto tem.”