segunda-feira, 7 de março de 2011

A teoria das janelas partidas

Em 1969, na Universidade de Stanford (EUA), o Prof. Phillip Zimbardo realizou uma experiência de psicologia social. Deixou duas viaturas abandonadas na via pública, duas viaturas idênticas, da mesma marca, modelo e até cor. Uma deixou em Bronx, na altura uma zona pobre e conflituosa de Nova York e a outra em Palo Alto, uma zona rica e tranquila da Califórnia.
 
Duas viaturas idênticas abandonadas, dois bairros com populações muito diferentes e uma equipa de especialistas em psicologia social estudando as condutas das pessoas em cada sítio.
 
Resultou que a viatura abandonada em Bronx começou a ser vandalizada em poucas horas. Perdeu as jantes, o motor, os espelhos, o rádio, etc. Levaram tudo o que fosse aproveitável e aquilo que não puderam levar, destruíram. Contrariamente, a viatura abandonada em Palo Alto manteve-se intacta.

É comum atribuir à pobreza as causas de delito. Atribuição em que coincidem as posições ideológicas mais conservadoras, (da direita e esquerda). Contudo, a experiência em questão não terminou aí, quando a viatura abandonada em Bronx já estava desfeita e a de Palo Alto estava há uma semana impecável, os investigadores partiram um vidro do automóvel de Palo Alto.

O resultado foi que se desencadeou o mesmo processo que o de Bronx, e o roubo, a violência e o vandalismo reduziram o veículo ao mesmo estado que o do bairro pobre. Porquê que o vidro partido na viatura abandonada num bairro supostamente seguro, é capaz de disparar todo um processo delituoso?

Não se trata de pobreza. Evidentemente é algo que tem que ver com a psicologia humana e com as relações sociais.

Um vidro partido numa viatura abandonada transmite uma ideia de deterioração, de desinteresse, de despreocupação que vai quebrar os códigos de convivência, como de ausência de lei, de normas, de regras, como que vale tudo. Cada novo ataque que a viatura sofre reafirma e multiplica essa ideia, até que a escalada de actos cada vez piores, se torna incontrolável, desembocando numa violência irracional.


Em experiências posteriores (James Q. Wilson e George Kelling), desenvolveram a 'Teoria das Janelas Partidas', a mesma que de um ponto de vista criminalístico, conclui que o delito é maior nas zonas onde o descuido, a sujidade, a desordem e o maltrato são maiores.

Se se parte um vidro de uma janela de um edifício e ninguém o repara, muito rapidamente estarão partidos todos os demais. Se uma comunidade exibe sinais de deterioração e isto parece não importar a ninguém, então ali se gerará o delito.

Se se cometem 'pequenas faltas' (estacionar-se em lugar proibido, exceder o limite de velocidade ou passar-se um semáforo vermelho) e as mesmas não são sancionadas, então começam as faltas maiores e logo delitos cada vez mais graves. Se se permitem atitudes violentas como algo normal no desenvolvimento das crianças, o padrão de desenvolvimento será de maior violência quando estas pessoas forem adultas.


Comentário

Aplique-se então a teoria das janelas partidas à vida social portuguesa.
Se grande parte dos actuais políticos partem os vidros, eh rapaziada, toca a gamar!
Heduíno Gomes


Em Setúbal, aborto adia cirurgia
de tratamento de cancro


Operação adiada duas vezes:
uma devido à realização de um aborto
e outra devido ao horário

Uma doente com lesões pré-cancerosas no colo do útero viu ser adiada duas vezes a intervenção cirúrgica no Hospital de São Bernardo, em Setúbal, para a remoção do útero, como tratamento para erradicar o vírus do papiloma humano. O adiamento da cirurgia deveu-se à prioridade dada a uma interrupção voluntária da gravidez e, na segunda ocasião, ao fecho do Bloco Operatório às 15h30.
Revoltada e inconformada, Sandra Keizeler, de 36 anos, conta ao CM que o problema tem "agravado" a sua ansiedade e preocupação. "Estou indignada e só me aguento porque estou com calmantes. Por esta altura, já devia estar em recuperação e agora tenho de me preparar para um terceiro internamento para ser operada."

Sandra Keizeler, mulher do antigo futebolista do Belenenses Sobrinho, tinha cirurgia marcada para 25 de Janeiro. Foi internada na véspera, fez a preparação para a operação – clister, jejum, soros, análises – e, quando pensava que ia ser operada, ouviu da boca da directora do serviço de Ginecologia e Obstetrícia que não podia ser operada "porque tinha entrado para o Bloco Operatório uma mulher para fazer um aborto". Na segunda vez, em 8 de Fevereiro, Sandra ouviu da mesma médica que não podia ser operada "porque a cirurgia prolongava-se para depois das 15h30 e o Bloco Operatório fecha a essa hora".








segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Os «generais sentados» na GNR
contra os valores perenes da família

Tivemos hoje conhecimento pelas televisões do chamado «casamento» entre duas fressureiras que estão integradas nas fileiras da GNR, uma delas com o posto de «cabo» e outra com a responsabilidade do comando do destacamento territorial de Santarém da instituição, com o posto de «capitão». Assim, verificamos que a instituição militar de segurança interna de Portugal integra gente deste quilate moral e desta saúde mental. Mais, gente que internamente comanda pessoas normais e exerce autoridade policial sobre a comunidade e as famílias e seus membros, nomeadamente crianças.

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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A linha ferroviária do Tua
pode e deve ser preservada

H.Oliveira Sá, 20 de Janeiro de 2011

Com a construção de uma barragem perto da foz do rio Tua, o primeiros 18 km da linha actual do caminho-de-ferro irão ficar debaixo de água. Pessoalmente, muito embora concorde com a construção da barragem, penso que há uma alternativa para este traçado ferroviário não obstante, segundo parece, a EDP não estar interessada em considerá-la.
 
Com efeito, o Chefe de Produção desta empresa sublinhou “ser impossível vencer os 100 m de diferença de altitude entre a estação de Foz-Tua e o paredão da barragem (cerca de dois quilómetros) ”. Afirmações essas que não correspondem à realidade e das quais discordo frontalmente pelas razões que passo a expor:
 
a) acota de exploração, isto é, o plano de água provocado pela barragem é de 170 m e deverá prolongar-se, segundo diz, até ao Brunhedo; por outro lado, a cota inicial da linha, na plataforma da estação, ronda os 100 m, o que pode ser confirmado numa carta topográfica. E, sendo assim, esse responsável enganou-se e, deste modo, enganou-nos.
 
Esclarecemos que, para um desenvolvimento de 2 km, os 70 m de diferença de nível poderiam ser alcançados mediante um gradiente médio de 35mm/m, perfeitamente admissível para uma linha ferroviária normal, electrificada e sem ser necessário recorrer à “cremalheira” conforme eu pensava anteriormente (ver parte final do meu texto de 11 de Março de 2009). Esta, regra geral, só se justifica para rampas a partir dos 100 mm/m.
 
b) numa primeira abordagem poderei, mesmo, admitir que a diferença de cotas seja um pouco maior, o que obrigaria a rampas de 40 mm/m; contudo, a observação do terreno e da carta (à esc. 1/10.000) permite-me afirmar que o percurso até à barragem poderá ser facilmente alongado até aos 2,1 - 2,4 km o que, desde logo, fará baixar o gradiente.

A parte mais delicada da questão consiste em conservar a actual directriz, subindo gradualmente até à primeira curva (para a direita), seguida de uma contra – curva com a qual se procura alcançar a curva de nível 175. Ou, então,de início, tomar como referência o caminho de acesso à Quinta do Smith e, no seu termo, atingir a cota 140.
 
Em qualquer destas hipóteses procurando salvaguardar, o mais possível, o património desta propriedade.
 
c) resumindo, direi que poderá construir-se um linha de caminho de ferro de bitola estreita e via única, com um gradiente variando entre os 35 – 40 mm/m, a adoptar logo a partir do início do traçado, num trajecto de pouco mais de 2 km até ao local de implantação da barragem; seguidamente, até ao Brunhedo, a linha deverá manter-se nas cotas 175 – 180.
 
Os restantes km a reconstruir, especialmente após o Cachão (km 49,1), são de traçado fácil e deverão aproveitar integralmente o trajecto inicial, sempre ao longo das margens do Tua, até se atingir Mirandela (km 54,1).

Portanto, a linha do Tua e a barragem podem ser compatíveis e, certamente, o turismo da região poderia lucrar muito com isso; com a vantagem acrescida de preços mais baixos para muitos dos produtos a transportar no caminho-de-ferro, a partir da estação Foz – Tua.
 
d) recordo que o comboio começou a circular entre Tua e Mirandela em Setembro de 1887 e só no ano de 1906 a linha alcançou Bragança (km 153,8), sendo que este último troço foi encerrado em 1992. De salientar que o percurso inicial até Mirandela (km 54,1) foi construído em apenas três anos, usando os meios rudimentares da época.
 
Segundo os jornais, na altura, os operários contratados para a construção desta linha - muitos deles provenientes da Galiza a braços com uma crise prolongada – trabalhavam sobre tábuas suspensas por cordas nos locais mais íngremes, o que lhes permitia abrirem furos nas rochas, à força braçal, para depois serem cheios com explosivos que as rebentavam. Nada que se compare com os meios hoje disponíveis; e, deste modo, conseguiram concretizar um dos traçados mais espectaculares conhecidos, sendo verdadeiramente impressionantes os primeiros 11km.
 
Sensivelmente na mesma época, a engenharia portuguesa realizava uma outra proeza de vulto, em Angola, com a construção do caminho de ferro de Mossâmedes – e refiro-me mais particularmente à travessia da Serra da Chela – através de desfiladeiros, vales e precipícios alucinantes.
 
Concebido, inicialmente, como uma linha “decauville” foi, posteriormente, já nos finais da década de 50 do século passado, modernizado e requalificado para a bitola normal de África (1,067 m) permitindo assim o transporte de cargas mais pesadas.
 
e) Saliente-se que a ripagem do novo traçado entre a barragem e a povoação do Brunhedo para as cotas 175 - 180 irá facilitar a sua inserção no terreno, dada a existência de um maior espaçamento das curvas de nível e, por outro lado, o facto de se transporem as linha de água a montante das actuais travessias.
 
f) É por demais evidente a ficção resultante da avaliação dos custos do novo traçado entre o Tua e Brunheda estimado em 130 -140 milhões de euros, o que significa algo como 7,8 milhões de euros por km, isto é, tanto como uma linha dupla de AV (Alta Velocidade), segundo as estimativas da RAVE/ REFER. Procurando-se, assim, destruir à nascença um projecto que incomoda alguns (poucos) poderosos, as influentes, em detrimento da economia das populações prejudicadas.
 
Por isso mesmo, logo declaram não ser viável a construção da alternativa ferroviária ao troço da linha do Tua que ficará submersa…. E apresentam como solução alternativa o estudo de um teleférico entre a estação do Tua e a barragem a qual, como seria de prever, logo se conclui não poder transportar cargas. A isto chama-se deitar poeira para os olhos.
 
Reparem o esquecimento imperdoável – o que seria mais lógico na óptica de um projectista – do estudo de um caminho-de-ferro de cremalheira, como sucede em muitos locais da Europa, nomeadamente na Suíça e nos Alpes.
 
A solução apresentada e aceite consiste (como alternativa para o troço submerso) num serviço rodoviário regular o qual também não garante capazmente a mobilidade das populações, é caro e não permite o transporte de cargas mais pesadas.
 
Em suma: estudaram várias hipóteses, algumas falhadas logo à nascença, mas ignoraram o estudo de uma solução “normal” que, conforme deduzi, é praticável. Deste modo, se teimarem em não reconstruir os 18 km da linha do c.f. do Tua que irão ficar submersos terão de arcar com essa responsabilidade perante as populações ou, então, inventar argumentos plausíveis.
 
g) o custo dos 18 km de linha férrea, na realidade, será muito inferior ao que se anuncia, na medida em que poderão ser reaproveitados os carris (assim como os respectivos elementos de ligação e fixação), travessas e presumivelmente uma boa parte da brita após a indispensável escolha e lavagem. Não adianto números por desconhecimento exacto da situação, mas não ignoro que esta linha estava em funcionamento há pouco mais de dois anos, o que deixa supor um grau elevado de aproveitamento.
 
Operação esta, de recuperação, a todos os títulos recomendável e, alias, muito mais justificada do que permitir a “oferta” do remanescente (resultante do desmantelamento da linha actual) a favor de um qualquer feliz sucateiro. Há exemplos disso.
 
Uma outra medida a não descurar e que se recomenda consiste no pedido de verbas à União Europeia, destinadas a salvaguardar um caminho-de-ferro histórico que, pela sua beleza, pode ser considerado património mundial.
 
Infelizmente, entre nós não se fazem balanços sociais dos custos/benefícios provocados pelo encerramento das linhas de caminho de ferro. E, assim, não é por acaso que o nosso país se apresenta com uma densidade excessivamente baixa de linhas ferroviárias relativamente ao número dos seus habitantes ou, ainda no que se refere ao número de km de linhas por km² de território.
 
Política esta que se traduz numa forte contradição, entre o que se apregoa e o que se faz, em termos de gastos de energia e a poluição que provoca. Mais especialmente se compararmos os km de linhas de c.f. com os das A-E existentes que, sabe-se, não garantem a mobilidade das populações e, ainda menos, a coesão nacional, face aos custos muito elevados da sua utilização pelas populações do interior.
 
Mas, atenção: ao reconstruir-se uma linha de c.f. de características modestas como é o caso, não estamos a escolher entre as alternativas possíveis, a vários graus como, por exemplo, um caminho vicinal, uma estrada municipal, uma estrada nacional… ou a tal Auto-Estrada.
 
Estamos a investir naquilo que é necessário e indispensável, de modo idêntico ao que sucede com os abastecimentos de água potável, os esgotos, a electricidade e outros equipamentos sociais que a civilização impôs e a coesão nacional, já atrás referida, nos aconselha.
 
De outro modo, não se estranhe que as populações desprezadas recorram, cada vez mais, às infra-estruturas, aos serviços sociais e aos géneros de toda a espécie que encontram no pais vizinho. Na razão directa com a proximidade da fronteira.
 
O facto é que estas populações sentem-se negativamente discriminadas. Senão vejamos: em Janeiro de 1990 cessaram os comboios entre Vila Real e Chaves; em Março de 2009 suspenderam o tráfego ferroviário nas linhas do Corgo e do Tâmega. Mais recentemente, após o corte da via entre Mirandela e Bragança, “prometem” acabar com a linha do Tua afogando os cerca de 20 km de linha, aliás os mais belos do traçado.
 
O que dirão as gentes de Vila Real, Chaves ou Bragança? Já para não falar nas de Carrazeda de Ansiães, Mirandela ou Macedo de Cavaleiros, Valpaços ou Murça?
 
h) Há muitos anos atrás, na década de 1960, pensou dinamizar-se a região instalando no Cachão (a 3 km de Frechas) um grande complexo agro-pecuário, dotado da respectiva componente industrial.
 
A ideia, em si, era boa mas revelou-se logo um “elefante branco” na medida em que se situa longe dos principais centros de consumo e os seus produtos não tinham escoamento fácil dada a ineficiência e o primarismo dos transportes. Embora falido, o seu património (muito degradado) acabou numa sociedade representante de todos os accionistas.

Mesmo assim, a povoação resultante desse complexo tem hoje cerca de 500 habitantes e cerca de duas dezenas de empresas assegurando à volta de 200 postos de trabalho. Até quando?
 
Após a necessária requalificação e a modernização dos equipamentos, não seria possível dinamizar este Complexo? Com transportes assegurados até á linha do Douro (via Tua) e, também, do IP4 – E82, entre outras?
 
Nos últimos 10 anos desapareceram 112mil explorações agrícolas e a respectiva superfície recuou mais de 450mil hectares; entretanto, estamos cada vez mais dependentes dos produtos alimentares que consumimos. Algo está errado na política que tem vindo a ser seguida e os resultados assim o confirmam.
 
A falta de atenção aos problemas reais, de fundo – e a ocupação do solo nacional é um deles – leva, por vezes a inverter a prioridade nas escolhas; estas não raro pouco exigentes e resultantes de compromissos nascidos da ignorância e (ou) de uma vaidade impermeável a toda e qualquer outra solução.

i) lembroque as vantagens na exploração turística desta linha não resultam, exclusivamente, das viagens que proporciona, aliás lindíssimas , mas também da possibilidade de se integrarem num pacote turístico envolvendo várias actividades na região do Douro.
 
E, ainda, nos benefícios resultantes do transporte de passageiros locais e de alguns produtos (actualmente exageradamente caros, segundo dizem), através da via rodoviária.
 
Sugiro, também, que parte do percurso entre Mirandela e Bragança (desactivado) possa ser aproveitado para passeios turísticos em “velorail” ou, então, em “cyclodraisines”. Até ser possível concretizar o velho sonho de ligar Bragança a Puebla de Sanabria ( muito perto da nossa fronteira), situada na importante linha ferroviária Madrid/Zamora/Ourense/A Coruña (ou Vigo).
 
j) Uma vez lido o parecer da Comissão de Avaliação do Aproveitamento Hidroeléctrico FOZ – TUA/RESCAPE digo, convictamente, que apreciei as suas recomendações relativamente ao projecto, mais especialmente no que se refere às Medidas Compensatórias e às de Minimização de salvaguarda do meio ambiente, da fauna e da flora, com o fim de preservar o existente.
 
Houve uma real preocupação na defesa de tudo isto, desde o mais pequeno insecto ao ratinho, passando pelas tenras ervinhas até à prevenção da contaminação das linhas de água.
 
Infelizmente, não direi o mesmo relativamente ao “bicho-homem” cuja população decresce significativamente “ dada a escassez de actividades económicas existentes, geradoras de baixos rendimentos que estão na origem destes movimentos demográficos negativos. A baixa qualificação dos recursos humanos…”. Estas palavras sinceras (e sensatas) não tiveram, porém seguimento na medida em que, com ligeireza ou por ignorância, se escreve textualmente: “Não se revelando viável a construção da alternativa ferroviária ao troço da linha do Tua que ficará submersa”.

Salvo melhor opinião, cabe aos partidos políticos, aos autarcas e aos movimentos cívicos da Região reivindicarem junto do Poder Central que interceda, junto da EDP, no sentido de concretizar o que se propõe, dado que assim o exige uma sã política de ordenamento nacional e a defesa dos interesses legítimos das populações.
 
Não se trata de mais uma ideia acerca da possibilidade (ou não) de realizar o que se pretende. Face a uma proposta concreta apresentada, exige-se uma resposta clara e concisa e não meros palpites de um qualquer funcionário destacado para o efeito.
 
Nota: com se depreende do exposto, a nova linha poderá – deverá – ser iniciada em qualquer altura, muito embora seja mais fácil e barata a sua construção aproveitando a actual plataforma da via, antes do enchimento da barragem. Admitindo que seja considerada a proposta que expus, recomendo que as terraplanagens das infra-estruturas sejam postas a concurso e que o assentamento da linha e as respectivas catenárias fiquem a cargo da REFER, por administração directa; esta poderá ser a solução mais em conta e com a vantagem acrescida de valorizar o “know-how” desta empresa e evitar mais despedimentos.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Católicos defendem a Catedral de Lima
contra provocação de invertidos

No sábado, 19 de Fevereiro, centenas de católicos reuniram-se no átrio da catedral de Lima (Peru) para rezar um terço pela paz, perante a provocação "Beijos contra a homofobia", na qual um reduzido grupo de invertidos e invertidas se beijaram na Praça Maior, localizada em frente ao principal templo católico do Peru.
Os invertidos tinham convocado este evento, realizado originalmente no sábado, 12 de Fevereiro, tendo sido desalojados pela polícia por beijar-se nas escadarias da catedral.
Para esta segunda edição, contaram com o apoio explícito da prefeita de Lima, Susana Villarán, que em diversas ocasiões expressou o seu apoio às uniões de invertidos.
Os invertidos e invertidas fizeram uma intensa campanha mediática para a convocação do evento do último sábado, 19, mas só conseguiram reunir 8 pessoas dispostas a beijar-se na Praça Maior.
Um recente inquérito da empresa CPI, realizada entre 1 e 6 de Fevereiro, assinala que 75 % dos peruanos se opõem ao chamado "matrimónio" de invertidos.


sábado, 19 de fevereiro de 2011

A oportunidade do Egipto

Daniel Pipes, The Washington Times

Embora os acontecimentos no Egipto se tenham desenrolado da melhor maneira possível, as perspectivas sobre o futuro permanecem incertas. A fase empolgante acabou, agora é hora das preocupações.

Comecemos com três notícias boas: Hosni Mubarak, o homem forte do Egipto que parecia estar à beira de fomentar um desastre, felizmente renunciou. Os islamitas, que pressionariam o Egipto na direcção do Irão, tiveram um pequeno papel nos recentes eventos e permanecem longe do poder. E as forças armadas que, nos bastidores, desde 1952 governaram o Egipto, é a instituição melhor equipada para adaptar o governo às exigências dos manifestantes.

Agora, vamos aos problemas. As forças armadas em si representam o menor dos problemas. No comando há seis décadas, causaram muita confusão. Tarek Osman, escritor Egípcio, demonstra de maneira eloquente no seu novo livro, Egypt on the Brink: From Nasser to Mubarak (Yale University Press), a rapidez do declínio na posição do Egipto. Qualquer que seja o indicador escolhido, desde o padrão de vida até ao poder de influência, o Egipto de hoje fica aquém do seu antecessor monárquico. Osman compara o Cairo dos anos 50 do século passado à cidade "superpovoada, tipicamente de terceiro mundo" de hoje. Ele também se desespera com a maneira em que o país "que já foi marco de tranquilidade … se tenha tornado o solo mais fértil para a geração de agressões do Próximo Oriente".

A Irmandade Muçulmana representa o maior problema. Fundada em 1928, organização islamita líder no mundo, tem de longa data evitado a sua confrontação com o governo, esquivando-se em revelar a sua ambição em realizar uma revolução islâmica no Egipto. O presidente do Irão Mahmoud Ahmadinejad articulou a sua esperança acerca da revolução ao reivindicar que devido aos acontecimentos no Egipto, "estava emergindo um novo Próximo Oriente sem o regime sionista e sem a interferência dos Estados Unidos ". Numa avaliação amarga, o próprio Mubarak fixou-se nesse mesmo perigo: "Vemos a democracia que os Estados Unidos lançaram no Irão, e em Gaza com o Hamas, e esse é o destino do Próximo Oriente … extremismo e islamismo radical".

De sua parte, a administração dos Estados Unidos, ingenuamente, não expressou tais preocupações. Barack Obama minimizou a ameaça da Irmandade Muçulmana, chamando-a apenas de "uma facção no Egipto", enquanto o director do Serviço Nacional de Informações, James Clapper, elogiou a irmandade com sendo "um grupo muito heterogéneo, consideravelmente secular, que desistiu da violência" que procura "a melhoria da política no Egipto".
Esse contra-senso aponta para uma política dos Estados Unidos profundamente desordenada. Em Junho de 2009, durante a revolução não concretizada contra o regime hostil do Irão, a administração Obama permaneceu calada, esperando com isso obter a boa vontade de Teerão. Mas com o Sr. Mubarak, um ditador amigo sob ataque, a administração Obama adoptou a impaciente "pauta da liberdade" de George W. Bush, apoiando a oposição. Obama aparentemente só encoraja manifestações de rua contra o nosso lado.

Pressão americana, gradual e contínua, reconhecendo que o processo de democratização implica uma vasta transformação da sociedade requerendo décadas e não meses, é necessária para abrir o sistema.

O que espera o Egipto? Será que a Irmandade Muçulmana tomará o poder?

Algo marcante, imprevisível e sem precedentes aconteceu nas últimas semanas nas ruas do Egipto. Um movimento de massas sem líderes electrizou um grande número de cidadãos comuns, assim como na Tunísia dias antes. Esse movimento não dirigiu o ódio contra estrangeiros, não fez das minorias egípcias bodes expiatórios, nem exprimiu uma ideologia radical; em vez disso, exigiu responsabilização, liberdade e prosperidade. Informações que me chegaram do Cairo levam a crer numa guinada em direcção ao patriotismo, inclusão, secularismo e responsabilidade pessoal.

Para confirmar, veja estas duas pesquisas de opinião. Um estudo realizado em 2008 por Lisa Blaydes e Drew Linzer constatou que 60 porcento dos egípcios sustentam opiniões islamitas. Porém, uma pesquisa do Pechter Middle East Poll da última semana constatou que apenas 15 porcento das pessoas do Cairo e de Alexandria aprovam a Irmandade Muçulmana e cerca de 1 porcento apoia um presidente da irmandade para o Egipto. Outro indicador dessa mudança sísmica: a irmandade, em retirada, diminuiu as suas ambições políticas, com Yusuf al-Qaradawi a declarar que preservar a liberdade dos egípcios é mais importante do que implementar a lei islâmica.

Nesta fase inicial, ninguém pode dizer de onde veio essa revolução nas atitudes ou para onde está a ir, mas ela é a feliz realidade de hoje. A liderança das forças armadas tem o peso da responsabilidade de guiá-la no bom caminho. Três homens em especial merecem ser observados de perto: o vice-presidente Omar Suleiman, o Ministro da Defesa Mohammed Hussein Tantawi e o Chefe do Estado-Maior Sami Hafez Enan. Veremos se a liderança das forças armadas aprendeu e amadureceu e se compreendeu que continuar em busca dos seus interesses egoístas levará a mais deterioração.



quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Criar a Academia Aeroespacial


João José Brandão Ferreira

Ao ser eleito recentemente membro correspondente da Academia de Marinha, resta-me, na minha qualidade de antigo oficial piloto aviador, propor a criação da Academia Aeroespacial.

Apesar da sabedoria popular afirmar que “ninguém é bom juiz em causa própria”, não hesito em classificar esta ideia de boa e de urgente.

A “causa do Ar-Espaço” está mal arrumada e dispersa na sociedade portuguesa, não existe uma ideia consolidada do “Poder Aeroespacial” nos meios políticos, académicos e culturais da Nação e a grande maioria da população tem destas coisas uma ideia pouco mais do que vaga.

Eis pois os fundamentos e a área de acção da futura Academia Aeroespacial (AA).

Como devemos ser práticos e não andar a tentar inventar o que já existe, defendemos que a AA tenha uma estrutura semelhante à da Academia de Marinha, isto é (em traços gerais):

-- depender do Chefe de Estado-Maior da Força Aérea (em Portugal é extremamente difícil uma instituição deste tipo sobreviver sem apoios de entidades já existentes…);

-- ter na sua estrutura dirigente oficiais na situação de reserva ou reforma bem como outros membros civis de reconhecida idoneidade;

-- estar instalada em unidade militar;

-- estar aberta a membros oriundos do meio científico, académico e profissional de algum modo ligado às actividades aeroespaciais, quer militares, quer civis;

-- ser alargada a membros correspondentes estrangeiros;

-- o acesso a membro estar condicionado por “números clausus” e regras definidas.

A AA constituir-se-ia assim uma Academia de saber em que todos os assuntos relacionados com o Ar e o Espaço pudessem ser estudados, reflectidos e divulgados; um centro de reflexão estratégico sobre o poder aeroespacial e um repositório de conhecimento que poderia ser útil tanto à sociedade civil como aos órgãos do Estado.

A sua estrutura seria simples: uma direcção, uma secretaria, um órgão de apoio técnico, uma assembleia de académicos, um conselho científico.

Como órgãos de execução haveria secções de estudos, a começar por uma de História e outra de Tecnologia; depois e à medida da sua consolidação, poder-se-ão constituir secções relacionadas com tudo o que diz respeito meio aeroespacial: meteorologia, medicina; tráfego aéreo, estratégia, direito, legislação, aeródromos, etc.

A partir daqui é todo um mundo que se abre.

Como particularidade, defendo que a AA deveria albergar também, ressuscitando-o, o “Cenáculo dos Carcaças”, um clube-tertúlia nascido em 8 de Fevereiro de 1956 e que reunia, na altura, todos os pilotos do activo com 20 anos de brevet. Os seus fundadores eram membros do novel Ramo Força Aérea, alguns oriundos da extinta Aviação Naval. Foram eles: Alm. Paulo Viana, Alm. Cardoso de Oliveira, Gen. Dário de Oliveira, Gen. Humberto Pais, Gen. Costa Macedo, Cor. Telo Pacheco, Alm. Carlos Sanches, Cap.m.g. Trindade dos Santos, Gen. Venâncio Deslandes, Gen. João de Freitas, Cor. Rodrigues Costa, Brig. Costa Franco e Cor. Vasconcelos de Carvalho. O bastonário desta “ordem”, conhecido por “carcaça Mor”, era o piloto com o brevet mais antigo. Infelizmente, esta tertúlia “sentimental e evocativa”, como consignado na sua acta de fundação, deixou de existir a seguir ao 25 de Abril de 1974, sem que para tal houvesse qualquer razão ponderosa.

Quanto às instalações, propomos a Base Aérea 1, em Sintra, nomeadamente o aproveitamento das antigas instalações do antigo Instituto de Altos Estudos da FA. Existe espaço, bibliotecas, messes, anfiteatros, bons acessos e parqueamento, pessoal e outras estruturas de apoio.

Existe a Academia da Força Aérea com as suas multicapacidades e o Museu do Ar. Respira-se uma atmosfera aeronáutica.

Como alternativa, poder-se-á considerar as instalações do Estado-Maior em Alfragide, hoje subaproveitadas e que têm a vantagem de estar mais perto de Lisboa.

Cada realização tem um início, um começo. Normalmente nasce com uma ideia. Se não for agora, alguém que pegue nela mais tarde.

Portugal tem muitos talentos e gente capaz, mas andam, normalmente, dispersos, zangados ou antagonizam-se. Os tempos não se coadunam com este estado de coisas. Há que harmonizar e dar resultante às boas ideias e intenções.

Aqui fica o repto.
 

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Petição em defesa da instituição da família

Não queremos o nome Carlos Castro
homenageado com nome de rua !

Assine:
http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2011N6530



segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

As militares que se casam

João José Brandão Ferreira 

Era um facto esperado que só admira por tardio. Já estava previsto acontecer logo que a iníqua lei fosse aprovada.

Temos uma sugestão a fazer às jovens nubentes: a nossa cabo deveria convidar o Sr. Ministro entre todos o primeiro, para padrinho, ou mesmo madrinha de casamento – a partir de agora a ordem é arbitrária – já que foi do seu grupo de “alfaiates” de leis, que saiu a proposta de legalidade agora em vigor; e a nossa capitão deverá endereçar o mesmo convite, ao recém-empossado inquilino de Belém, que genuflectiu sobre o diploma apesar de – confissão sua – não concordar com ele.

E que diabo, sempre se respeitava a hierarquia entre praça e oficial; bandalheira sim, mas não tanta!

Idêntico convite deveria ser endereçado ao coordenador Louçã e ao operário Jerónimo, para que, vestidos de meninas imaculadas e uns enfeites no cabelo abrissem o cortejo transportando as alianças; e também, no mínimo, uma participação do evento ao Passos laranja e ao Paulinho das feiras, a fim de poderem espreitar o evento, já que aparentaram vontade de participar na boda.

As paredes nuas do registo civil seriam ornamentadas com um grupo coral constituído por uma escolha de deputados inspirados nos tenores italianos (com voz de falsete), que cantariam árias burlesco – eróticas a quem o mestre maior do Oriente Luso, serviria de maestro. Amen.

Já sei, sou um reaccionário sem respeito pela “liberdade” alheia que o “progresso” desacreditará. No meu estertor, porém, lamento informar que nem tudo o que se diz e faz é ou tem de ser aceitável, muito menos respeitável e que, para o caso de não terem reparado, também tenho direito a opor-me e, eventualmente, a que me perguntem o que penso, já que se dizem tão democráticos.

Ora nenhuma destas premissas parece fazer vencimento, nem em políticos, comentadores ou na classe dos jornalistas, que é quem filtra as notícias a serem divulgadas para a opinião pública. São assim como uma espécie de comissão de censura gigante, sem coronéis (visíveis) a tutelar. E há quem se lhes arrogue a autoridade de um 4º poder. Resta só saber quem os elegeu…

A campanha nos media a favor dos casos de acoplamento de sexos idênticos – a caminho de serem transformados em “géneros”, onde irá parar a esquizofrenia? -, destina-se a tornar o assunto banal e por isso “normal”. E a condicionar psicologicamente a maioria da população o que, diga-se em abono da verdade, têm conseguido. O assunto é até mais grave pois não fica por aqui: é um processo subversivo da sociedade.

Quando a televisão pública, por ex., dedica 30 segundos à tomada de posse do novo Chefe de Estado-Maior General das FAs – logo um acontecimento menor – (e os outros canais, creio, que nem se referiram a tal); e por causa de uma morte repugnante originada numa cena infeliz, sórdida e canalha, de um conhecido pederasta – cuja mais valia conhecida foi a de fazer crónicas sociais, de grande profundidade cultural e metafísica (!), para a imprensa cor de rosa – os telejornais (todos) abriram durante vários dias com a notícia. O que se há-de pensar? E estas notícias não duraram segundos, levaram muitos minutos e repetiam-se à exaustão, enviaram-se repórteres e coscuvilhou-se de tudo um pouco.

Isto não tem nada a ver com a sacrossanta liberdade de informação: isto merece a maior censura social porque é um nojo. E, no fundo, é como no casamento das “senhoritas”: tentar transformar vícios privados em públicas virtudes.

Filosofemos.

É por estas e por outras que, enquanto os povos sujeitos a ditaduras, aspiram à democracia (mesmo sem saberem muito bem o que isso é), nas democracias, ao fim de algum tempo, sobretudo nas que se deixam degenerar nas regras e na moral, os povos começam a pensar em ditadura! Infelizmente, a solução não está em nenhuma delas (isto depois de se terem inventado e testado numerosas ideologias e formas de governo, à esquerda e à direita, falhando todas!).

A solução está na escolha representativa dos homens bons, íntegros, capazes e desprendidos, que sejam pelo bem comum e que sejam colocados nos lugares de responsabilidade. Quando, raramente, isso acontece os povos prosperam, a justiça aperfeiçoa-se, a vida melhora.

No fundo, trata-se da eterna luta entre o Bem e o Mal. Luta essa que nenhuma religião, também, conseguiu “resolver”, sem embargo das teologias existentes – que também lutam entre si – e que, sem excepção postergam a solução final para o que acontecer depois da morte…

Verificando-se que a vida na terra – inserida no cosmos – consubstanciada nas leias da natureza, o que engloba os seres vivos e inanimados, a geografia, o clima, etc., vivem em equilíbrio e geram o equilíbrio, não deixa de ser assaz perturbador constatar que o homem constituiu-se no único e extraordinário perturbador das leis naturais. É o único ser vivo que pratica a guerra; depreda até à exaustão os recursos naturais; altera o clima; quer mudar as leis genéticas; é capaz de matar a sua descendência ainda antes desta nascer e mesmo não acreditando em Deus intenta desafiá-lo no seus poderes e competências…

E passou a estar de tal modo centrado no seu “eu” que deixou de perceber porque é que uma zebra fêmea não se satisfaz sexualmente com outra fêmea até porque isso representa romper com o equilíbrio da espécie.

E não se querer perceber, ainda, a gravidade que um comportamento semelhante tem numa Instituição Militar é algo de que já não me ocuparei hoje. Já filosofei demais.


Bastam 5

João Pereira Coutinho

Devem os deputados passar de 230 para 180? Com a devida vénia ao dr. Jorge Lacão, a minha proposta é mais ambiciosa: passar de 230 para 5.

Um por cada partido. E, já agora, arrendar uma sala na baixa, baratinha e asseada, para que os 5 se pudessem reunir uma vez por semana e ‘despachar’ de acordo com as decisões das respectivas lideranças. Poupava-se uma fortuna em salários e gastos de manutenção. E, com todo o respeito, honrava-se definitivamente o perfil do deputado nacional: uma marioneta das direcções partidárias, sem pensamento ou autonomia, que vota de acordo com os mandos e desmandos do chefe.

Cinco fazem o trabalho de 230. Ou de 180. Ou de 1800. Porque a reforma, a verdadeira reforma de que o sistema eleitoral necessita, não é quantitativa; é qualitativa. Não passa por reduzir deputados; passa por responsabilizá-los junto do eleitorado, permitindo que os portugueses, através de círculos uninominais, possam escolher (e punir) quem realmente os representa (ou não). Enquanto esse dia não chega, propor 180 deputados será sempre propor 175 deputados a mais.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Mais uma professora a Sério

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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Jaime Gama sobre Alberto João Jardim

16 Anos depois -- como é possível???

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Texto de professor da Univiversidade Nova
sobre Carlos Castro

João Caupers

Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa

Um caso sórdido ao gosto de uma informação reles

Destaque: Que raio se ensina nos cursos de comunicação e de jornalismo?

Não se lhe conhecia qualquer actividade social, intelectual, científica, artística ou política meritória ou, sequer, relevante. Era um personagem medíocre, de cujo perfil apenas pude recolher dois traços, que alguma comunicação social considerou merecedores de referência: era homossexual e era "cronista social".

O primeiro traço deveria ser completamente irrelevante, já que emerge da liberdade de orientação sexual, que apenas a cada um diz respeito. Todavia, considerada alguma prosa que a ocasião suscitou, terá tornado a vítima mais digna de dó – vá-se lá saber porquê!

O segundo, considero-o pouco menos que desprezível: significa que a criatura “ganhava” a “vida” a escrevinhar coscuvilhices e a debitar maledicências, chafurdando nos dejectos dos socialites.

A viagem que o levou a Nova Iorque tinha um óbvio móbil “romântico”, que a comunicação social preferiu apenas insinuar, não por pudor, mas porque a insinuação vende melhor do que a afirmação: tratava-se, simplesmente, de seduzir um jovem de 21 anos.

Quanto a este, também os seus motivos parecem evidentes: “pendurou-se” no idoso para, explorando as suas “inclinações”, beneficiar dos seus supostos contactos internacionais, iniciando uma carreira no mundo da moda.

Estavam, pois, bem um para o outro.

Nada me interessam os pormenores abjectos que rodearam o assassinato. Deixo-os aos media, lambendo os beiços com a sordidez da história, muito melhor do que o criador de qualquer reality show poderia inventar.

O que não posso deixar de lastimar é a falta de vergonha da nossa comunicação social, com destaque para as televisões: há uma semana que os noticiários das 8 abrem com dez ou quinze minutos da "tragédia". Não as imagens horríveis das cheias no Brasil – que ficaram sempre para depois – mas as imagens ridículas dos correspondentes em Nova Iorque, repetindo à exaustão o detalhe dos testículos cortados e a agressão com um televisor (?) – que deve ser um crime especialmente hediondo, aos olhos de quem trabalha para uma cadeia de televisão – e entrevistando em prime time advogados de sotaque extravagante e peritos forenses, para prognosticarem a acusação que irá ser feita ao homicida, ou recebendo no aeroporto os amigos, de ar compungido, do morto.

É para isto que serve a informação televisiva, incluindo a do canal público que nós pagamos: para preencher o espaço deixado vago pelo desaparecimento do jornal O crime.

Desculpem o desabafo: a informação televisiva tem mesmo de ser esta espécie de teledifusor de lixo? Que raio se ensina nos cursos de comunicação e de jornalismo?

E desculpem o excesso de aspas: servem para eu resistir à tentação do vernáculo menos próprio, chamando às coisas os nomes que às coisas são.




segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Educação sexual:
«Estas normas puseram-me a alma
num inferno... »

Joel Costa, autor do program a «Questões de Moral», da Antena 2 da rádio, resolveu ler as normas provenientes do Ministério da Educação que legitimam a Educação sexual como objecto de educação escolar, desde o primeiro ano do Ensino Básico. O resultado dessa análise acutilante, que, como é estilo do radialista, se revereste de um humor fino, pode ser ouvido aqui ou lido a seguir. O texto, que tomámos a liberdade de transcrever, será longo, mas a sua essência valerá o esforço do leitor.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Cidinha Campos, novamente

Queremos a Cindinha Campos em Portugal!

Que falta nos faz uma destas para neutralizar e denunciar o Polvo!!!

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Manifesto dos economistas aterrorizados

[O Fórum Repensar Portugal Reconstruir Portugal republica este texto com o propósito de estimular a reflexão e o debate sobre o tema da dívida e da crise económica em Portugal, não constituindo a publicação do presente documento uma adesão do Fórum a tal manifesto.]

Associação Francesa de Economia Política (AEFP)

Manifesto dos economistas aterrorizados

Crise e Dívida na Europa: 
10 falsas evidências, 22 medidas em debate para sair do impasse

Philippe Askenazy (CNRS, Ecole d'économie de Paris),
Thomas Coutrot (Conselho Científico da Attac),
André Orléan (CNRS, EHESS, Presidente da AFEP),

Tradução de Nuno Serra
e revisão de João Rodrigues - Arrastão

Introdução

A retoma económica mundial, que foi possível graças a uma injecção colossal de fundos públicos no circuito económico (desde os Estados Unidos à China) é frágil, mas real. Apenas um continente continua em retracção, a Europa. Reencontrar o caminho do crescimento económico deixou de ser a sua prioridade política. A Europa decidiu enveredar por outra via, a da luta contra os défices públicos.

"Na União Europeia, estes défices são de facto elevados - 7% em média em 2010 - mas muito inferiores aos 11% dos Estados Unidos. Enquanto alguns estados norte-americanos com um peso económico mais relevante do que a Grécia (como a Califórnia, por exemplo), se encontram numa situação de quase falência, os mercados financeiros decidiram especular com as dívidas soberanas de países europeus, particularmente do Sul. A Europa, de facto, encontra-se aprisionada na sua própria armadilha institucional: os Estados são obrigados a endividar-se nas instituições financeiras privadas que obtêm injecções de liquidez, a baixo custo, do Banco Central Europeu (BCE). Por conseguinte, os mercados têm em seu poder a chave do financiamento dos Estados. Neste contexto, a ausência de solidariedade europeia incentiva a especulação, ao mesmo tempo que as agências de notação apostam na acentuação da desconfiança.

Para ler mais, clicar AQUI

Senado francês pronuncia-se
contra a legalização da eutanásia

O Senado francês pronunciou-se contra a legalização da eutanásia após um debate intenso sobre uma proposta de lei para instaurar “uma assistência médica para morrer”.

A maioria dos senadores suprimiu o conjunto dos artigos do texto, apresentado por três dos seus colegas Jean-Pierre Godefroy (socialista), Alain Fouché (maioria governamental) e Guy Fischer (comunista).

Na véspera do debate, segunda-feira, o Primeiro-ministro François Fillon opôs-se à eutanásia, convidando a sua maioria no Senado a fazer o mesmo.

O essencial da proposta de lei estava no seu artigo primeiro,entretanto suprimido. “Qualquer pessoa capaz maior, em fase avançada ou terminal de uma doença acidental ou patológica grave e incurável, que lhe inflige um sofrimento físico ou psíquico, que não pode ser aliviado ou que julga insuportável, pode pedir para beneficiar (...) de uma assistência médica que permita, por um acto deliberado, uma morte rápida e sem dor”, referia o texto.

No hemiciclo, o ministro da Saúde falou “de eutanásia”, que “vai contra os nossos fundamentos jurídicos”.

Xavier Bertrand invocou “os doentes de Alzheimer, que não podem manifestar a sua livre e espontânea vontade”.

O mesmo ministro defendeu o desenvolvimento dos cuidados paliativos.

Durante o longo debate, os oradores referiram-se a Vincent Humbert, um jovem tetraplégico que a sua mãe ajudou a morrer em 2003.

 

A Força Aérea e o estado de sítio

João José Brandão Ferreira

Soubemos, por uma notícia da agência “lusa” que o Sr. Ministro da Defesa (MDN) afirmou que a Força Aérea Portuguesa (FA) “está disponível para repatriar todos os portugueses que desejem abandonar o Egipto” e que os “meios da FA estão, evidentemente, como é sua obrigação, empenhados nessa operação de repatriamento” (sublinhados nossos) e, ainda, que a “operação é tutelada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros” (MNE) o que não se sabe muito bem o que tal quer dizer, já que o MNE não comanda qualquer força militar.

Finalmente, que “nunca as FAs faltaram às suas obrigações no que diz respeito a uma das suas missões constitucionais …”.

O que o Sr. ministro não disse é que as missões estão a ser feitas no fio da espada e que está tudo preso por arames, cada vez mais finos. E não referiu também que não lembraria a nenhum Estado-Maior, deixar partir turistas para uma área de conflito perigoso (para depois os ter que repatriar...), numa demonstração grosseira de falta de informação estratégica e, ou, capacidade de análise e decisão. Já bastaria ter que ir buscar os que lá foram apanhados desprevenidos!

E está tudo preso por fios (ou “pinças”) porque a desmontagem das capacidades militares efectuada nos últimos 25 anos, tem desmantelado de tudo um pouco e as carências em pessoal, material e financeiras são gritantes. E isto não tem nada a ver com a actual crise económico/financeira de que, aliás, as FAs são completamente alheias.

No caso em apreço a FA dispõe de seis aeronaves C-130, com cerca de 30 anos de serviço, cada vez mais difíceis de manter e a necessitar modernizações urgentes, e cuja substituição já deveria estar a ser equacionada e processada há meia dúzia de anos. A prontidão é, assim, baixa e um dos aviões destacados para esta operação foi confrontado com uma avaria em Creta.

Quanto a pessoal a situação ainda é mais crítica, já que a Esquadra só dispõe de quatro tripulações (a média dos últimos 10 anos deve rondar as quatro - ou seja é um problema crónico), quando para uma exploração adequada da frota, devia dispor de 12 (julgo que na FA ainda haverá alguns oficiais capazes de explicar ao Sr. MDN o porquê). A situação é de tal modo crítica que já se chegou ao ponto de ter um Oficial General no Estado-Maior a cumprir missões regulares na esquadra e para se cumprir o actual repatriamento, teve que se ir buscar um ex-comandante de base, a frequentar o curso de promoção a Oficial General, em Pedrouços. E tiveram que o colocar de Falcon. Vejam por quanto ficou a hora de voo…

E tudo isto porque não mais se parou de menorizar a condição militar, a partir de 1982 (fim do Conselho da Revolução e entrada em vigor da Lei da Defesa Nacional e das FAs), e de se tentar reduzir a Instituição Militar à expressão mais simples, tendendo para “zero”.

No caso particular dos pilotos (e outras especialidades críticas), a causa principal – além dos “dourados” da farda, já não terem brilho – é a disparidade pornográfica com que o mesmo patrão, isto é o Estado, trata dos seus “servidores” em termos de vencimentos e regalias sociais. No caso vertente focamo-nos nas empresas públicas de transporte aéreo, com destaque para a TAP. É impossível reter pessoal navegante, quando um co-piloto entra na TAP a ganhar o mesmo que o Chefe de Estado-Maior do Ramo, ou quando um comandante na vida civil (a quem nem sequer é exigido uma licenciatura), ganha três vezes mais do que um Coronel (ou mesmo mais), e quando os pilotos de longo curso fazem, em média, um voo, vírgula qualquer coisa (leram bem?) por mês! Isto porque em vez de terem sete tripulações por avião, têm cerca de 12, quando seis já lhes dariam uma vida confortável. Mas mesmo tendo gente a mais (ou aviões e ligações a menos), acabaram de abrir mais um concurso para pilotos que vai levar mais uns quantos oriundos da FA isto, claro, se as vagas não forem todas preenchidas por filhos de funcionários da “casa”, dadas as “tradições monárquicas” de longa data, existentes. Mas quando é preciso ir arriscar a vida e, ou, cumprir missões difíceis e arriscadas vai a FA, pois é sua “obrigação”.

A FA não tem obrigação, mas sim o dever de cumprir as missões que lhes estão consignadas, e tem-no feito com eficácia, apesar dos constrangimentos apontados. O governo é que tem a obrigação de lhe proporcionar os meios necessários e consentâneos com essas mesmas missões e prover à equidade social dos seus mais fiéis servidores. E pôr na ordem quem exorbita, ou não cumpre o que lhe é devido, ajoelhar constantemente quando o sindicato dos pilotos, vírgula, da TAP, ponto, ameaça fazer greve; ser incapaz de sanear as contas de uma companhia que desde 1974 não dá lucros e que acumulou um passivo de cerca de 2,3 biliões de euros (segundo o relatório e contas de 2009, com tendência para aumentar…) – como é que dizem que a querem privatizar?

E pagam a um estrangeiro para servir tal empresa mais de duas vezes o vencimento do presidente dos EUA. O que, incrivelmente, ou não, só foi dado conta, há uns dias, pelo directório de um partido da oposição! A TAP está tecnicamente falida e em situação ilegal, pois está com os capitais próprios negativos o que não é permitido pelo código das sociedades comerciais (art.º 35).

Não consta, porém, que toda esta situação incomode qualquer jornalista ou comentador, ou tire o sono a nenhum general ou almirante (já nem vale a pena falar em políticos…).

No fim disto tudo não se vai resolver coisa nenhuma e o abaixo-assinado é que vai passar por ser o “chato” da fita. Além de ter acabado de ganhar mais uns quantos inimigos.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O Serviço de Saúde Militar
no Princípio do Século XXI em Portugal

O Serviço de Saúde Militar
 no Princípio do Século XXI em Portugal


João José Brandão Ferreira
Tcor Pilav (Ref)
Cmd Linha Aérea


                                  "Um Exército que não sofra de muitas doenças,
                                  será vitorioso em combate"
.
                                  Sun Tzu


1.         Introdução

2.         Síntese Histórica

3.         Missão

4.         Actualidade

            Meios Existentes

              A.    Ministério da Defesa Nacional
              B.    Armada
              C.    Exército
              D.    Força Aérea
              E.    Pessoal
              F.    Doutrina NATO
              G.   Operações de Paz, Humanitárias e Cooperação Técnico-Militar

5.         Análise

        A.   História
        B.   Missão
        C.   Quanto à estrutura e meios materiais
        D.   Pessoal
        E.   Assuntos NATO
        F.   Missões de Paz, Humanitárias e de Cooperação Técnico-Militar

6.         Conclusão

7.         Recomendações


Ler documento completo aqui.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Coragem

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

França diz não ao "matrimónio" homossexual

O Conselho Constitucional francês decidiu que a proibição do matrimónio entre duas pessoas do mesmo sexo não viola a Constituição do país, e só o Parlamento pode decidir uma mudança na legislação, segundo a resolução publicada na sua página Web.

Os nove "Sábios" que o compõem recordaram que segundo os artigos 75 e 144 do Código Civil, "o matrimónio é a união de um homem e uma mulher". Além disso, o órgão francês indicou que o legislador, "no exercício de sua competência, estimou que a diferença de situação entre os casais do mesmo sexo e os casais compostos por um homem e uma mulher poderia justificar uma diferença de tratamento quanto às regras de direito da família".

"Não corresponde ao Conselho Constitucional substituir a sua apreciação (do legislador) na hora de ter em conta esta diferença de situação", explicou o Conselho referindo-se ao Parlamento.

A resolução vem pelo recurso de inconstitucionalidade interposto por duas lésbicas contra esses dois artigos.