terça-feira, 19 de abril de 2011

Nobre Boaventura!

Blasfémias

                                           « A excelente escolha de Passos Coelho

                                                          Fantástico»

Acabei de ouvir, na TSF, o Professor Boaventura Sousa Santos – que, para além da reconhecida carreira internacional de investigador junta, também ao seu curriculum e entre outras coisas, o facto de ser consultor de Chàvez e de Evo Morales – criticar FERNANDO NOBRE pelo facto de este ter aceitado ser cabeça de lista, em Lisboa, pelo PSD. E, sobretudo, por NOBRE poder vir a ser (caso o PSD vença as eleições) o próximo Presidente da Assembleia da República.

Boaventura acha que NOBRE “sucumbiu à vertigem do poder” e, em toda crítica Boaventuriana, nota-se, subjacentemente, uma elevada censura ética e moral. Não se percebe bem se essa censura resulta de NOBRE poder vir a ser o próximo Presidente da Assembleia da República ou se deriva, implicitamente, do facto de se ter associado, como independente, ao PSD….

É, no mínimo, curiosa, a acusação de “vertigem do poder”, vinda de quem é próximo (e apoia) os “desprendidos” (do poder) Chávez e Morales….

No entanto, o que parece, sobremaneira, injusto e mesmo contraditório é o tom de censura moral com que tenta estigmatizar NOBRE. Vertigem do poder? Por poder ocupar o cargo de Presidente da Assembleia da República? Então NOBRE que, em termos de resultados, surpreendeu nas últimas Presidenciais, não pode, agora, ser candidato nas legislativas? Deixa de ter moral, por se apresentar pelo PSD?

Afinal, se há um partido que se abriu a independentes (independentes até mesmo com um discurso “anti-partidos”) poderá, pelo menos, dar-se o crédito de que algo de novo em relação ao que tradicionalmente se critica nos “aparelhos”, estará a suceder… O mérito - com muita pena de Boaventura, imagino eu - é que os partidos portugueses mais “Chavistas” e “Moralesistas” não tenham tido a coragem de fazer o mesmo!

Dois pesos e duas medidas (e um enorme preconceito), também para a tal “moral” política de Boaventura, consoante, na sua cabeça, os actos vêm da “sua” esquerda ou não?




Foi pedido o resgate

Henrique Medina Carreira, Wordpress

Bom, dado o que está em causa é tão só o futuro dos nossos filhos e a própria sobrevivência da democracia em Portugal, não me parece exagerado perder algum tempo a desmontar a máquina de propaganda dos bandidos que se apoderaram do nosso país. Já sei que alguns de vós estão fartos de ouvir falar disto e não querem saber, que sou deprimente, etc, mas é importante perceberem que o que nos vai acontecer é, sobretudo, nossa responsabilidade porque não quisemos saber durante demasiado tempo e agora estamos com um pé dentro do abismo e já não há possibilidade de escapar.

Estou convencido de que aquilo a que assistimos nos últimos dias é uma verdadeira operação militar e um crime contra a Pátria (mais um). Como sabem há muito que ando nos mercados (quantos dos analistas que dizem disparates nas TVs alguma vez estiveram nos ditos mercados?) e acompanho com especial preocupação (o meu Pai diria obsessão) a situação portuguesa há vários anos. Algumas verdades inconvenientes não batem certo com a "narrativa" socialista há muito preparada e agora posta em marcha pela comunicação social como uma verdadeira operação de PsyOps, montada pelo círculo íntimo do bandido e executada pelos jornalistas e comentadores "amigos" e dependentes das prebendas do poder (quase todos infelizmente, dado o estado do "jornalismo" que temos).

Ora acredito que o plano de operações desta gente não deve andar muito longe disto:

Narrativa: Se Portugal aprovasse o PEC IV não haveria nenhum resgate.

Verdade: Portugal já está ligado à máquina há mais de 1 ano (O BCE todos os dias salva a banca nacional de ter que fechar as portas dando-lhe liquidez e compra obrigações Portuguesas que mais ninguém quer – senão já teríamos taxas de juro nos 20% ou mais). Ora esta situação não se podia continuar a arrastar, como é óbvio. Portugal tem que fazer o rollover de muitos milhares de milhões em dívida já daqui a umas semanas só para poder pagar salários! Sócrates sabe perfeitamente que isso é impossível e que estávamos no fim da corda. O resto é calculismo político e teatro. Como sempre fez.

Narrativa: Sócrates estava a defender Portugal e com ele não entrava cá o FMI.

Verdade: Portugal é que tem de se defender deste criminoso louco que levou o país para a ruína (há muito antecipada como todos sabem). A diabolização do FMI é mais uma táctica dos spin doctors de Sócrates. O FMI fará sempre parte de qualquer resgate, seja o do mecanismo do EFSF (que é o que está em vigor e foi usado pela Irlanda e pela Grécia), seja o do ESM (que está ainda em discussão entre os 27 e não se sabe quando, nem se, nem como irá ser aprovado).

Narrativa: Estava tudo a correr tão bem e Portugal estava fora de perigo mas vieram estes "irresponsáveis" estragar tudo.

Verdade: Perguntem aos contabilistas do BCE e da Comissão que cá estiveram a ver as contas quanto é que é o real buraco nas contas do Estado e vão cair para o lado (a seu tempo isto tudo se saberá). Alguém sinceramente fica surpreendido por descobrir que as finanças públicas estão todas marteladas e que os papéis que os socráticos enviam para Bruxelas para mostrar que são bons alunos não têm credibilidade nenhuma? E acham que lá em Bruxelas são todos parvos e não começam a desconfiar de tanto óasis em Portugal? Recordo que uma das razões pela qual a Grécia não contou com muita solidariedade alemã foi por ter martelado as contas sistematicamente, minando toda a confiança. Acham que a Goldman Sachs só fez swaps contabilísticos com Atenas? E todos sabemos que o eng.º relativo é um tipo rigoroso, estudioso e duma ética e honestidade à prova de bala, certo?

Narrativa: Os mercados castigaram Portugal devido à crise política desencadeada pela oposição. Agora, com muita pena do incansável patriota Sócrates, vem aí o resgate que seria desnecessário.

Verdade: É óbvio que os mercados não gostaram de ver o PEC chumbado (e que não tinha que ser votado, muito menos agora, mas isso leva-nos a outro ponto), mas o que eles querem saber é se a oposição vai ou não cumprir as metas acordadas à socapa por Sócrates em Bruxelas (deliberadamente feito como se fosse uma operação secreta porque esse aspecto era peça essencial da sua encenação). E já todos cá dentro e lá fora sabem que o PSD e CDS vão viabilizar as medidas de austeridade e muito mais. É impressionante como a máquina do governo conseguiu passar a mensagem lá para fora que a oposição não aceitava mais austeridade. Essa desinformação deliberada é que prejudica o país lá fora porque cria inquietação artificial sobre as metas da austeridade. Mesmo assim os mercados não tiveram nenhuma reacção intempestiva porque o que os preocupa é apenas as metas. Mais nada. O resto é folclore para consumo interno. E, tal como a queda do governo e o resgate iminente não foram surpresa para mim, também não o foram para os mercados, que já contavam com isto há muito (basta ver um gráfico dos CDS sobre Portugal nos últimos 2 anos, e especialmente nos últimos meses). Porque é que os media não dizem que a bolsa lisboeta subiu mais de 1% no dia a seguir à queda? Simples, porque não convém para a narrativa que querem vender ao nosso povo facilmente manipulável (julgam eles depois de 6 anos a fazê-lo impunemente).

Bom, há sempre mais pontos da narrativa para desmascarar mas não sei se isto é útil para alguém ou se é já óbvio para todos. E como é 5.ª feira e estou a ficar irritado só a escrever sobre este assunto termino por aqui. Se quiserem que eu vá escrevendo mais digam, porque isto dá muito trabalho.























sábado, 16 de abril de 2011

«Um Compromisso Nacional»
ou uma salada nacional?

Heduíno Gomes

Várias personalidades mediáticas assinaram um documento pretendendo dar soluções para a crise nacional. O documento é tão vago e abrangente que qualquer responsável por aquilo a que chegámos não hesitaria em assiná-lo. Aí temos 40 a fazê-lo, uns por boas intenções, outros nem por isso. Alguns dos signatários são, eles próprios, responsáveis pela catástrofe. Não incluísse a lista algumas pessoas decentes, embora ingénuas, e poderíamos falar da história de Ali Babá.

Ler mais em:















terça-feira, 5 de abril de 2011

As novas eleições

João José Brandão Ferreira

           “É preciso uma espada tendo ao lado um pensamento”
                                                                    Eça de Queiroz

Chegados a mais um bloqueamento político do sistema em que nos (des) governamos (como já os houve em 1828, 1834, 1851, 1890, 1910 e 1926, só para citar estes), natural se torna que o passo seguinte – até por ser o mais fácil – seja a marcação de novas eleições legislativas. “Devolver a palavra aos eleitores” e ou “ao povo”, como amiúde se ouve dizer, nas arenas políticas e nos palcos de opinião publicada.
Mas em boa verdade o que significa “devolver a palavra aos eleitores?” Significa isto: contar novamente os votos das forças partidárias que se apresentem a escrutínio, para se saber quantos membros de cada uma – depois de escolhidos pelas respectivas direcções – se sentarão numa sala em hemiciclo outrora convento beneditino. Aqui começam as falácias: primeiro, a votação recairá, em 95% dos casos, nos cinco partidos já com assento parlamentar dirigidos por gente que há décadas nos enchem as pantalhas televisivas – ou seja não há verdadeiramente uma escolha.

De facto, o povo não fala nada, quem fala são eles… E, apesar de se afirmarem muito republicanos, o rejuvenescimento das famílias partidárias, quase seguem os ditames monárquicos e sem excluírem completamente a descendência natural.

Mal comparado, é como se fossemos a uma casa de passe, onde para a escolha das profissionais de vida “fácil” tivéssemos uma infectada com sarna, outra com sífilis, aqueloutra com tuberculose, uma com lepra e, finalmente, uma outra com peste. Esta última, creio, já todos identificaram.

De todas elas, quem é que o leitor escolhia?

Pois, é como eu. Aqui não se trata de qual o mal menor. São todos males maiores.

Como a casa de passe funciona em regime de quase monopólio, não deixam abrir outras, logo não temos alternativa. É uma “Democracia” de passe limitado…

Podíamos tentar levar as “doentes”, a uma espécie de hospital ali para os lados de Belém, mas o médico de serviço, logo diz que não as consegue curar nem, tão pouco, está para isso. Elas que se curem sozinhas ou, então, que se entendam sobre a melhor cura. E como se recusa a procurar na cidade (não existem apenas casas de passe na cidade!), gente limpa e sã como alternativa às inquinadas, nós todos, que somos o tal povo, estamos tramados pois não temos alternativa onde aplicar a nossa voz rouca e sumida. E o tal papelinho do voto. Ainda por cima, à força de muitos anos de maus exemplos e mentiras, já temos dúvidas em distinguir a integridade da malandragem…A descrença é universal, com excepção das clientelas frequentadoras dos tais “lupanares”.

Ou seja estamos à mercê de um qualquer proxeneta ou de uma “madame” quer seja nacional ou estrangeira, sendo que, estes últimos, cada vez metem cá mais o bedelho e cobram a dízima. As instituições nacionais e a população em geral, estão aturdidas, acobardadas e de mão estendida. E, por isso, inermes.

Ou seja, o povo não tem, de facto, voz. A campanha eleitoral – para quem tiver a paciência de acompanhar – vai ser penosa e nenhuma solução daí resultante, vai ser solução. Vai apenas ser uma algazarra anárquica onde os intervenientes se vão atacar mutuamente sem qualquer substância ou verdade. E onde todos invocam o interesse nacional sem ninguém o ter definido.

Vamos ter que beber o cálice do fel até ao fim.

No entretanto vamos ter que passar pela experiência de ter cá o FMI/Banco Europeu, da mesma forma que já tivemos o Junot no alto de Santa Catarina, em 1807, e o embaixador inglês presente em Conselhos de Ministros, no século XIX. Eu que até tenho a mania que sou patriota, vou curvar-me (para já) perante isto: é que este é que é o mal menor: obrigam-nos a entender à força, põem ordem nas finanças, obrigam a alguma disciplina e estragam uns quantos negócios de conveniência. E talvez venhamos a saber, por outros, do verdadeiro estado desgraçado a que chegámos, já que os políticos portugueses que o causaram não têm a decência de o revelar e assumir.

E estas são as verdadeiras razões pelas quais, uma mão cheia de infectados das doenças contagiosas atrás descritas, se têm oposto à ajuda externa.

A alternativa a isto teria que passar por se sair do Euro e da UE, fechar as fronteiras, impor alfandegas, suspender o pagamento da dívida (ela é em grande parte fruto da especulação e metade do dinheiro que “existe” é virtual), até a conseguir renegociar em termos estáveis e equilibrados e pôr o país a trabalhar. E pôr o país a trabalhar é, em primeiro lugar, garantir que há água (vinho já vimos que há muito e bom!), alimentos e uma qualquer forma de energia, pois sem estas coisas básicas ninguém sobrevive.

E, claro, fazer como na Islândia, ou seja meter na prisão (embora merecessem mais), os provados responsáveis pelo dolo efectuado.

Se, porém, alguém tiver uma ideia melhor das aqui expressas, por favor indique-as.

Até porque, se o “estado de direito” continuar a não se dar ao respeito nem a permitir resolver as grandes questões nacionais, será quase certo que os artigos 325 e 326 do Código Penal (Crimes contra a realização do Estado de Direito), sejam infringidos…

A Instituição Militar tem que ser preservada e deixar de ser aniquilada como tem sido. Os chefes militares têm nisto especial responsabilidade.

É a “última razão”para manter a unidade do Estado e para proteger a Nação de estranhos e, até, de si própria.

1918. Major Sidónio Pais

1926. Almirante Cabeçadas

1926. General Gomes da Costa

1926. General Carmona














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Uma pergunta pertinente:

Hoje teremos generais
ou «generais sentados»?

(Heduíno Gomes)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Vaticano perante a ONU:
Opinar contra homossexualidade
está dentro da liberdade de expressão

O representante da Santa Sé no gabinete da ONU em Genebra, Dom Silvano Tomasi, recordou a este organismo que quem ataca os que têm opiniões contrárias ao comportamento homossexual violam o direito das pessoas à liberdade de expressão.

O Arcebispo interveio durante a discussão do item «Orientação sexual», na XVI sessão do Conselho dos Direitos humanos, e mostrou a sua preocupação ante a «alarmante tendência» de «atacar pessoas por tomarem posições de não apoiar as condutas sexuais entre pessoas do mesmo sexo».

Ler mais:

domingo, 27 de março de 2011

A nossa resposta à crise política
(Uma imagem sem palavras)

Radcliffe distinguido por apoio ao lóbi
dos invertidos

Daniel Radcliffe, conhecido pelo seu desempenho na saga ‘Harry Potter', vai ser distinguido pelo apoio que tem dado ao lóby dos invertidos dos Estados Unidos.
O prémio será entregue pela organização The Trevor Project, em Junho, em Nova Iorque, onde o actor britânico tem estado, mais concretamente na Broadway, como protagonista da comédia musical ‘How to Succeed in Business Without Really Trying'.

O actor Daniel Radcliffe, protagonista da saga ‘Harry Potter', revelou que mente à imprensa sobre a sua vida amorosa. E acrescentou que o faz há cerca de dez anos. No programa de televisão ‘The Early Show', do canal norte-americano CBS, o artista também não confirmou se tem namorada.




(Dos jornais)

quinta-feira, 17 de março de 2011

Demografia, problema de defesa nacional

João Xavier Louro

A China prepara-se para rever a sua política de «um casal, um filho»[1], preocupada com o acelerado envelhecimento da população, apesar de ser o país mais populoso do Mundo. Pode dizer-se que o regime chinês, apesar dos seus defeitos, tem uma visão de longo prazo em que procura assegurar um futuro para o país.

Deu uma lição ao Ocidente iludido na fantasiosa «Inovação sem Produção» (com honrosas excepções), como demonstra o gigantesco excedente comercial que lhe permite até aparecer como benfeitor generoso a adquirir dívida soberana de vários países-cigarra pelo mundo fora.
Prepara-se agora para dar mais uma lição, esta de primordial importância: O primeiro pilar da Defesa Nacional é a Segurança Nacional Demográfica. Não está aqui em causa questões raciais ou de outra discriminação injustificada. Está em causa a perenidade da nação, já que a imigração massiva como solução para a baixa taxa de natalidade (e admitindo que se consegue atrair essa mesma imigração) tem como consequência a impossibilidade de integração pacífica na sociedade destino, resultando na criação de guetos incontroláveis onde nem se fala a língua do país, ou de uma colonização (note-se uso do castelhano nos EUA). O resultado a longo prazo será um país que do original só terá o nome.

Portugal, país já com sinais claros de envelhecimento acelerado e com uma taxa de natalidade que foi recentemente a terceira mais baixa da UE, apresentava já em 2008 cerca de 17,4% da população acima dos 65 anos e projecta para 2030 um valor aproximadamente de 24% (cenário central do INE)[2]. Note-se que o governo chinês está preocupado[1] por em 2030 a população idosa atingir o valor que nós já atingimos em 2008!!!

Não querendo em nenhum momento relativizar a crise financeira e económica em que a III República mergulhou Portugal, convém notar que já ultrapassámos momentos de crise bem mais graves ao longo da nossa longa história, dando suporte factual ao ditado popular «Enquanto há vida há esperança».

A grande crise da qual já se vislumbram sinais claros e cujo impacto ultrapassará em breve qualquer crise financeira pontual é a crise demográfica para a qual o regime devorista actual muito tem contribuído e no qual se tem que dar especial destaque aos executivos liderados pelo «Eng.» José «Espanha, Espanha, Espanha» Sócrates: a introdução da pena de morte para os nascituros, o abandalhamento do casamento, a perseguição fiscal às famílias (especialmente às numerosas), o empenho quase fanático colocado na promoção da agenda homossexual (note-se a produção legislativa nesta área quando o executivo deveria era estar preocupado em produzir um orçamento credível e sem os erros-gralhas-omissões-atrasos verificados). Parece-me uma clara demonstração de que os inimigos de Portugal, bem representados na nossa alienada elite política, resolveram atacar o «problema» na sua raiz: Sem portugueses não há Portugal.

As últimas agressões à instituição militar

João  Brandão Ferreira


Durante quase toda a minha vida militar passei o tempo a alertar para o que iriam tentar fazer às FAs e aos militares. Quase ninguém me levou a sério e as coisas foram acontecendo. Coisas erradas e más, entenda-se.

Uns olhavam-me incrédulos; outros, com um encolher de ombros; aquele com um sorriso trocista; alguns, até, concordando com o que se ia fazendo. A maioria sem saber o que pensar ou fazer. De alferes a general. Colaram-me muitos nomes e ainda chamam.

Lembro-me, ainda, daqueles, imberbes ou curtidos de muitas intempéries que, perante a possibilidade de algo vir a acontecer diziam: “eles não se atrevem!” E quando eu lhes dizia que “eles atrevem-se a tudo desde que ninguém se lhes oponha”, ficavam com ar espantado a olhar e não diziam nada. E “eles” foram-se atrevendo sempre a mais…

Enfim, a Instituição Militar (IM) está quase irreconhecível.

As últimas duas barbaridades que o Poder Politico cometeu foram o congelamento das promoções em todos os postos e a devassa às contas dos Ramos por parte de uma inspecção do Ministério das Finanças.

Não consta que tivesse havido qualquer reacção ou protesto por parte da hierarquia militar, de pessoal no activo, reserva ou reforma ou de comentadores. Apenas as associações de militares chamaram a atenção para o agravo e suas consequências.

Analisemos, sucintamente, cada uma das ditas barbaridades.

O congelamento das promoções é de uma gravidade inaudita. Confesso até, que tendo antecipado todas as malfeitorias que têm sido feitas à IM (e tendo em carteira algumas outras que se seguirão), esta não me tinha ocorrido. Vejamos: a carreira militar é absolutamente específica e orientada por regras deontológicas e técnicas ímpares na sociedade portuguesa, que são aferidas. Todas estão regulamentadas.

Um militar serve, para além do Estado, a Nação, não pode ser militar noutra “empresa”nem noutro país. A Constituição da República e leis que a regulamentam obrigam-nos, coercivamente, a uma limitação significativa nos seus direitos de cidadania. A lei estabelece os requisitos que os militares têm que cumprir para serem promovidos, estes cumprem e o governo, que transita por efémero, através de um despacho iníquo, de dois ministros ignaros, determina que os militares que cumpriram o seu dever e estão dentro das condições que os “representantes” do povo um dia decidiram – e não foram revogadas – estão suspensos de serem promovidos!

Mais: suspendem “temporariamente”(?) um direito – que é também um pilar de funcionalidade – que se encontra ainda constrangido por limites de idade (os postos têm limites de idade), o que não acontece também em mais nenhum outro grupo profissional!

A questão da “funcionalidade”não é, por seu lado, despicienda, já que o princípio da hierarquia – que tem sido destruído nas relações de trabalho e sociais – é vital para o (bom) funcionamento das FAs. Ora tudo isto está posto em causa pelo referido despacho.

E como o que os preocupa é cortar nos réditos alheios (não nas clientelas politicas), mesmo nos orçamentos das instituições que são vitais ao Estado e à Nação, também suspenderam uma norma algo idiota, inventada há uns anos atrás, que estabelecia que quem estivesse a desempenhar funções de posto superior, receberia por esse posto.

Eu, que estou longe de ser um constitucionalista, digo que esta atitude do executivo, que na prática, substitui os directores de pessoal e os chefes militares pelo ministro das finanças, é profundamente inconstitucional e injusta. E a prova provada de que o Estado não é uma pessoa de Bem, nem sabe o que anda a fazer. Estou à vontade para dizer isto pois estando na situação de reforma, em nada me afecta materialmente. Embora me atinja na dignidade pois fere a dignidade da IM a que muito prezo de pertencer.

Creio, até, que o governo colocando-se na situação de se desobrigar do que devia defender e respeitar, justifica que os militares possam fazer o mesmo relativamente às suas obrigações para com o Estado. E era o que deveriam fazer já, se fossem do quilate ético/moral dos políticos que assim procedem e não tivessem um entendimento diferente do serviço público.

Mas há atitudes e actos que não devem passar em claro ou sem reacção.

O “despacho inspectivo”, conjunto do MDN e MF, de 10/02/11, que determinou uma inspecção das Finanças aos Ramos das FAs, por causa do montante necessário para fazer face às despesas com pessoal é, por seu lado, um atestado de incompetência às chefias militares (e ao próprio MDN); uma ingerência inadmissível e incongruente, no funcionamento da IM e resulta apenas – ou estarei muito enganado – de uma operação de cosmética para que o governo (ou apenas o MDN), limpe a face, por terem aparecido aumentos na rubrica de pessoal quando tinham declarado que iam diminuir os gastos.

Ora, sendo assim, o insulto ainda é mais grave já que estão a tentar fazer das FAs e dos militares capacho da sua demagogia e falta de seriedade. E ainda é preciso dizer que para além das inspecções dos ramos, o ministério dispõe da Inspecção-Geral das FAs, que tem por missão verificar que tudo se passa conforme a lei e também foi ultrapassada por este despacho.

O que se passa é que o governo suborçamenta, por norma, a rubrica do pessoal; apesar das reduções continuas de pessoal decretadas (só em voluntários e contratados reduziram-se cerca de 25% dos efectivos nos últimos seis anos), tal ainda não se repercutiu, em parte, nos orçamentos e, finalmente, o governo procedeu a ajustamentos de vencimentos e de subsídios, que postergou no tempo com engenharias financeiras, ou simplesmente não cumprindo a lei. Agora, por razões várias, decidiram-se a pagar e daí o bolo da massa salarial ter subido imenso. O mesmo se passou na GNR e PSP (com a diferença de, nessas forças, o pessoal estar sempre a aumentar…)

Ora como os políticos não querem assumir publicamente a situação fazem-se de virgens ofendidas e tentam passar para a opinião pública que a culpa é dos militares que não sabem gerir a sua casa e, ou, não colaboram com os esforços do governo em apertar o cinto. É uma infelicidade grande ter gente desta como governantes.

Como as chefias militares, por razões conhecidas, nunca explicam nada em termos públicos – e muito pouco às tropas – e a comunicação social, de um modo geral, por ignorância, incompetência ou má fé, não investiga e noticia correctamente, nós passamos a vida embrulhados nestas situações.

Por outro lado, as chefias militares, salvo raras excepções, têm aguentado tudo de cara alegre e mesmo ao fim de anos e anos a verem cortar em todas as suas competências – a ponto de se estarem a deixar desqualificar – e a diminuir os meios das FAs, ao passo que vêem as missões aumentar, continuam a discursar que vão tentar cumprir tudo nem que seja fazendo das tripas coração. Ora com este procedimento só estão a dar razão a quem corta e desqualifica e a prejudicar o moral das tropas.

Fiquem, porém, cientes de uma coisa: ninguém vos vai agradecer por isso e quando um dia destes a coisa partir (como já partiu com o desaparecimento das armas na Carregueira), porque está tudo preso por fios, serão crucificados na praça pública!

Como diria o Pessoa “…tudo isto faz sentido. O que não faz sentido é o sentido que tudo isto tem.”

quinta-feira, 10 de março de 2011

Sarkozy questiona utilidade do Dia da Mulher

Correio da Manhã, 10 de Março de 2011

O Presidente francês, Nicolas Sarkozy, questionou esta terça-feira a utilidade do Dia Internacional da Mulher, considerando mais importante "encontrar trabalho para homens e mulheres".

"É simpático, é necessário, mas talvez nos devêssemos concentrar no essencial", disse o chefe de Estado francês numa celebração do dia com uma associação de autarcas de Morbidan, um departamento da Bretanha (oeste). "O essencial é encontrar trabalho para homens e mulheres, uma possibilidade de promoção social para os dois", disse.

"O Dia da Mulher, sobre o qual há muito a dizer, quererá dizer que os restantes dias são do homem? Muito curioso. Francamente", exclamou Sarkozy.

O Presidente gaulês disse ainda que "as mulheres têm um papel muito importante na sociedade" que referiu que "a vida das mulheres é muito idêntica à dos homens" e que "as coisas mudaram consideravelmente". "Todas a mulheres desejam trabalhar, ser autónomas, mas não terão iguais aspirações para o seu filho como para a sua filha?", disse Sarkozy.

De acordo com os dados do Ministério do Emprego, em França as mulheres ganham em média menos 27% que os homens no sector privado, continuando minoritárias na classe política com apenas 18% de eleitas na Assembleia Nacional.



Os Estados Unidos, as fugas de informação
e Miguel Sousa Tavares

“Quem te manda a ti, sapateiro, tocar rabecão?
                                          Adágio popular

João José Brandão Ferreira

Noticiou (e comentou) o Expresso de 26 de Fevereiro alguns telegramas do embaixador dos EUA, entre 2007 e 2009, enviados de Lisboa para o Departamento de Estado em Washington.

Estas informações foram obtidas e difundidas pela Wikileaks após uma inaudita violação da segurança informática daquele órgão do governo americano. Esta violação levou ao maior roubo de documentação classificada da História, deixando os grandes golpes de espionagem da Guerra-fria, parecerem uma brincadeira de crianças. E deste facto o governo dos EUA só se pode queixar de si próprio.

Queremos começar por dizer que o embaixador americano escreveu o que escreveu no âmbito das suas funções e tinha toda a legitimidade para o fazer. Tinha até o dever de informar os seus superiores daquilo que honestamente pensava.

Se pensava bem ou mal é outra questão.

O embaixador Thomas F. Stephenson, assim se chama o senhor, não era um embaixador de carreira. Nasceu em 1942, em Wienington, no Estado do Delaware, tendo-se formado em economia na Universidade de Harvard e tem um mestrado nessa disciplina pela Harvard Business School. Tem, ainda, uma formação em Direito.

Fez toda a sua vida em empresas de tecnologia de segurança, de saúde e financeiras. Antes da sua nomeação para Lisboa, esteve 19 anos na firma “Sequóia Capital”, sita no Silicon Valley (Califórnia). É amigo do Presidente Bush (filho) e foi por esta via que veio passar uma temporada a Lisboa.

Convém ter a noção que este tipo de nomeações é normal na administração americana e que os embaixadores de carreira constituem uma minoria. Estas funções são assim uma espécie de sinecura com que se agraciam amigos e pessoas que se tenham distinguido por algum motivo ou, simplesmente, por terem sido influentes durante a campanha eleitoral que levou um determinado candidato à Casa Branca.

O que disse ou fez, então, o embaixador para causar sururú na imprensa ao mesmo tempo que era desvalorizada pelas autoridades portuguesas que, objectivamente, as ignoraram publicamente?

Pois teceu uma série de considerações sobre as Forças Armadas Portuguesas (FAs), o Ministério da Defesa, a compra de armamento e de algumas personalidades.

Aparentemente acertou no que disse sobre os então Ministro da Defesa, nem tanto sobre Secretário de Estado; a manutenção dos helicópteros EH-101 e no que afirmou sobre o MAI e a GNR.

Está baralhado no que disse relativamente ao EMGFA/orçamentos/relações com os Ramos (convinha ter lido as leis e regulamentos existentes); tem alguma razão no que diz sobre a cultura do “status quo” e do carreirismo – embora denote que está longe de perceber o porquê das coisas – e está completamente enganado quanto aos adiamentos das decisões: não há incapacidade, existe é um desacordo militante a nível de chefias e um relacionamento político-militar desadequado (onde impera a ignorância, a desconfiança e até a deslealdade…). O exemplo que aponta da resposta do 2º comandante da Academia sobre um pedido da banda de música por parte da embaixada é risível e demonstra bem o grau de pesporrência atrevida do arvorado diplomata.

Relativamente à cooperação com os PALOP é um facto que existe alguma desconfiança no MDN e no MNE relativamente à participação americana. Não duvido que seria útil alguma cooperação, não só porque os EUA dispõem de meios que nos faltam como poderiam servir de contraponto a outras potências, nomeadamente europeias, que nos fazem concorrência. Mas a desconfiança é legítima no sentido em que, onde os EUA entram querem mandar, ao passo que são de uma ignorância crassa sobre África e de uma inabilidade homérica em lidar com outros povos e culturas.

Quanto ao resto o senhor embaixador acertou pouco, facto que até os jornalistas identificaram.

Não acertou nas fragatas, nos patrulhas, nos F-16, nos submarinos, nos carros de combate Leopard A6, nos C-130, nem no que referiu sobre os generais vs soldados.

As fragatas americanas foram muito bem preteridas relativamente às holandesas. O Estado-Maior da Armada fez o seu trabalho bem feito e a recomendação foi acertada; existem seis C-130 e não um, com 30 anos de bons serviços e sem nunca ter ficado uma missão por fazer; os 39 F-16 não são demasiados, preenchem duas esquadras e juntamente com os P-3P são a força da Força Aérea.

A sua prontidão é baixa porque estão a ser efectuadas modernizações que custam caro e levam tempo. Não se entende porque é que o Sr. Embaixador os acha dispensáveis. Acaso acha os F-16 da USAF dispensáveis? Ou acaso entende que os EUA têm o direito de vigiar e defender o seu espaço aéreo e Portugal não?

Quanto aos submarinos não vou perder tempo a explicar evidências, mas talvez se o Sr. Stephenson procurasse saber porque é que o Canadá tem cerca de uma dezena, talvez começasse a entender alguma coisa. Os submarinos e os F-16 são as (quase) únicas armas ofensivas e verdadeiramente dissuasoras que temos.

Os “Leopard” (37 e não 36), são dos mais modernos que há e vão ser os únicos carros de combate que vamos ter. É o que resta à Cavalaria (e ao Exército) para manter um número de capacidades e saberes nesta área. De facto não há dinheiro para os operar mas isso é porque o Estado Português em vez dos 2% do PIB, gasta apenas 1,3%, como refere o diplomata. Eu também preferia que gastasse os 2%, mas essa é uma opção do governo português, não do americano.

Aliás os EUA pedem constantemente o reforço da NATO. Os “Leopard” estão incluídos numa unidade destinada a operar sob o comando NATO. Em que é que ficamos?

Quanto aos Patrulhas estão a ser construídos e já há muito estavam previstos. Tem havido problemas que são conhecidos. As condições do estado do mar da ZEE portuguesa obrigam a navios que aguentem esse mar e a vigilância não se esgota nos patrulhas. Pequenos pormenores que facilmente escapam aos formados em economia…

Finalmente quanto aos generais que diz termos a mais (e até se deu ao trabalho de fazer rácios com soldados!), diremos apenas que não há generais a mais, mas sim soldados a menos e não vou perder tempo a explicar porquê! E partindo do princípio que o Sr. Embaixador conhece o estatuto da reserva e não o confunde com as “forças de reserva” que existem no seu país, direi apenas que, estando os generais na reforma ganhariam mais, e se a maioria não faz nada é porque felizmente não temos tido conflitos que obriguem a ir buscá-los e os sucessivos governos os têm ostracizado, pois têm ocupado todos os lugares onde estes homens poderiam usar a sua rica experiência, pelas clientelas dos partidos que os sustentam.

Em súmula, o Sr. Embaixador actuou como a maioria dos seus compatriotas faz: acha-se o centro do mundo e tende a olhar para os outros povos com sobranceria e com uma matriz estado – unidense, sem a menor sensibilidade para entender outras realidades.

Sim, é natural que Portugal pertencendo à UE, negoceie preferencialmente com os restantes países da União; sim, nós temos consciência das nossas limitações – daí até ao complexo de inferioridade vai um tanto – e, por isso, tentamos obter material moderno para as FAs; sim compreendemos que o Sr. Embaixador gostasse mais que comprássemos ao seu país (mesmo os F-16!) e que possa ter ficado agastado quando o sucessor do ministro Portas, já não se dava tão bem com o Secretário Rumsfeld, mas que diabo permita lá que nós também escolhamos qualquer coisinha. Sabe, o restaurante Tavares – que o Sr. Embaixador seguramente gostava de frequentar – é contemporâneo da Revolução Americana…

E faça o favor de não nos tornar por lerdos. Às vezes temos gente menos preparada ou cobardolas em altos cargos, é verdade, mas não somos lerdos. Nós sabemos da apetência que os EUA têm sobre os Açores desde, pelo menos, a guerra com a Espanha, em 1898, e que até já prepararam uma invasão, em 1943; que a nossa ZEE e plataforma continental são as únicas que deste lado do Atlântico se podem medir com as vossas.

Sabemos que temos que ter o máximo cuidado nas “vírgulas” quando intentamos contratos convosco para não sermos ludibriados e não esquecemos que depois de vos termos apoiado lealmente na NATO, na Guerra Fria, e termos até entrado para a ONU a vosso pedido, miseravelmente nos traíram, apoiando o início do terrorismo em Angola e abandonaram-nos quando o execrável Nerhu nos invadiu Goa, Damão e Diu. Isto para não falar da inacreditável tirada de Kissinger, durante o PREC, afirmando que o problema de Portugal se resolvia com 5000 marines…

Já agora e para finalizar, do que conheço não me parece que os nossos oficiais sejam muito diferentes dos vossos quanto a postura/promoção na carreira. E, se olhar para o que aconteceu entre o general McCristal (seguramente uma excepção), demitido pelo liberalíssimo Obama, perceberá porquê.

E, senhor embaixador, agora residente numa mansão de luxo em Atherton, Califórnia; quando se quer atirar pedras ao telhado do vizinho, temos que olhar primeiro para o nosso, o senhor como embaixador, não precisava de pedir para recolher o seu avião, numa instalação militar para não ter que pagar taxa de aeroporto!

Por tudo o que atrás se disse, parece ser de concluir que o Sr. Embaixador foi mal escolhido, estava mal assessorado e mal informado. E isto só quer dizer uma coisa: o governo dos EUA só pode ter Portugal em muito má conta, quando para cá envia um embaixador deste quilate.

À atenção de quem de direito e… vejam se não ficam sentados!

*****



Estavam as notícias do Expresso ainda frescas e já um jornalista da SIC pedia, no telejornal do dia 28/2, ao comentador habitual da estação, o conhecido Miguel Sousa Tavares (MST) para comentar as ditas.

O homem não se fez rogado e aproveitou o ensejo de forma gulosa.

De facto, já há muito se sabe que cada vez que se fala em FAs ou militares, S. Ex.ª perturba-se e fica como boi frente a vermelho: investe sem discernimento.

O “pedregulho” que tem no sapato contra a Instituição Militar, embora certamente não se esgote nisso, ter-lhe-á vindo por via genética através do seu falecido pai, que travou um pleito contra os juízes do Tribunal Militar por causa da atribuição de pensões a antigos agentes da DGS, onde aliás não lhe assistia qualquer razão.

MST ficou sempre “esquerdo” com a tropa. Desta vez não foi excepção.

Começou por tecer encómios ao embaixador americano e à diplomacia americana. Aquilo era a sério e estavam muito bem informados! (também foi assim no Iraque, não foi MST?).

E lá veio com a sacrossanta e contumaz pergunta, velha de 30 anos: que FAs temos e para quê? Devem haver, no país, uns largos milhares de treinadores de bancada e tocadores de rabecão, que têm tantas respostas para isto como cabeças donde saem sentenças.

MST também demonstra saber umas coisas de lagares de azeite, mas como isso não lhe chega, põe-se em bicos de pés para abordar geopolítica e geoestratégia. A gerência da SIC deve pagar-lhe para ele falar de tudo…

Sobre as diatribes relativamente a submarinos, F-16, Pandures (meu Deus o que ele sabe sobre Pandures!) e outros “brinquedos caros” – não consta que a guerra alguma vez tenha sido barata – já se respondeu o suficiente a montante. Acrescentamos apenas que os militares estão, há muito, afastados daquilo que apelidou de “negociatas com armamento”.

Mas vale a pena salientar a contradição em que entrou ao defender, preto no branco, uma intervenção militar – presume-se que do “Ocidente” – contra Kadhafi. Pondo de lado a ligeireza com que se fazem este tipo de afirmações, gostaríamos que MST explicitasse como se faz uma intervenção na Líbia sem o recurso aos tais “brinquedos caros” que condenou. Pensa que se vai lá com “lanchas costeiras de fiscalização”? Ou pensa que isso das intervenções militares é só para os outros e nós estamos dispensados de participar, mesmo pertencendo a várias organizações de defesa colectiva? Ou pensa ainda que mudar de armamentos e equipamentos e aprender a utilizá-los se faz de um dia para o outro? O senhor enxerga-se?

Por último brindou-nos com este mimo: “os políticos em Portugal têm medo dos militares”; “submetem-se à vontade dos militares” e só se explica “por dívida de gratidão por causa do 25/4”. MST não atina mesmo! Então ainda não percebeu que a realidade do que se tem passado é justamente a oposta? O senhor não percebeu que a classe política (todos eles) por uma razão ou outra, detesta as FAs, não entende e despreza a IM e que quem não tem sabido fazer frente às investidas dos políticos são os militares? Que não existe dívida de gratidão nenhuma, antes pelo contrário? E que os militares acabaram por ficar de mal com todas as franjas da população e com eles próprios, por causa das asneiras então feitas e ainda andam a tentar recuperar (sem grande convicção, diga-se), disso tudo?

O senhor cuide-se. E não cuide só da substância do que diz. Burile o temperamental que lhe embota a mente e lhe produz tiques e esgares; modere a truculência que lhe afirma a sobranceria e lhe faz roçar a má criação. E se só sabe tocar ferrinhos não tente o rabecão.

De facto já devia ter havido um general que se levantasse, mas era para lhe dar uma “bengalada”!

 

segunda-feira, 7 de março de 2011

A teoria das janelas partidas

Em 1969, na Universidade de Stanford (EUA), o Prof. Phillip Zimbardo realizou uma experiência de psicologia social. Deixou duas viaturas abandonadas na via pública, duas viaturas idênticas, da mesma marca, modelo e até cor. Uma deixou em Bronx, na altura uma zona pobre e conflituosa de Nova York e a outra em Palo Alto, uma zona rica e tranquila da Califórnia.
 
Duas viaturas idênticas abandonadas, dois bairros com populações muito diferentes e uma equipa de especialistas em psicologia social estudando as condutas das pessoas em cada sítio.
 
Resultou que a viatura abandonada em Bronx começou a ser vandalizada em poucas horas. Perdeu as jantes, o motor, os espelhos, o rádio, etc. Levaram tudo o que fosse aproveitável e aquilo que não puderam levar, destruíram. Contrariamente, a viatura abandonada em Palo Alto manteve-se intacta.

É comum atribuir à pobreza as causas de delito. Atribuição em que coincidem as posições ideológicas mais conservadoras, (da direita e esquerda). Contudo, a experiência em questão não terminou aí, quando a viatura abandonada em Bronx já estava desfeita e a de Palo Alto estava há uma semana impecável, os investigadores partiram um vidro do automóvel de Palo Alto.

O resultado foi que se desencadeou o mesmo processo que o de Bronx, e o roubo, a violência e o vandalismo reduziram o veículo ao mesmo estado que o do bairro pobre. Porquê que o vidro partido na viatura abandonada num bairro supostamente seguro, é capaz de disparar todo um processo delituoso?

Não se trata de pobreza. Evidentemente é algo que tem que ver com a psicologia humana e com as relações sociais.

Um vidro partido numa viatura abandonada transmite uma ideia de deterioração, de desinteresse, de despreocupação que vai quebrar os códigos de convivência, como de ausência de lei, de normas, de regras, como que vale tudo. Cada novo ataque que a viatura sofre reafirma e multiplica essa ideia, até que a escalada de actos cada vez piores, se torna incontrolável, desembocando numa violência irracional.


Em experiências posteriores (James Q. Wilson e George Kelling), desenvolveram a 'Teoria das Janelas Partidas', a mesma que de um ponto de vista criminalístico, conclui que o delito é maior nas zonas onde o descuido, a sujidade, a desordem e o maltrato são maiores.

Se se parte um vidro de uma janela de um edifício e ninguém o repara, muito rapidamente estarão partidos todos os demais. Se uma comunidade exibe sinais de deterioração e isto parece não importar a ninguém, então ali se gerará o delito.

Se se cometem 'pequenas faltas' (estacionar-se em lugar proibido, exceder o limite de velocidade ou passar-se um semáforo vermelho) e as mesmas não são sancionadas, então começam as faltas maiores e logo delitos cada vez mais graves. Se se permitem atitudes violentas como algo normal no desenvolvimento das crianças, o padrão de desenvolvimento será de maior violência quando estas pessoas forem adultas.


Comentário

Aplique-se então a teoria das janelas partidas à vida social portuguesa.
Se grande parte dos actuais políticos partem os vidros, eh rapaziada, toca a gamar!
Heduíno Gomes


Em Setúbal, aborto adia cirurgia
de tratamento de cancro


Operação adiada duas vezes:
uma devido à realização de um aborto
e outra devido ao horário

Uma doente com lesões pré-cancerosas no colo do útero viu ser adiada duas vezes a intervenção cirúrgica no Hospital de São Bernardo, em Setúbal, para a remoção do útero, como tratamento para erradicar o vírus do papiloma humano. O adiamento da cirurgia deveu-se à prioridade dada a uma interrupção voluntária da gravidez e, na segunda ocasião, ao fecho do Bloco Operatório às 15h30.
Revoltada e inconformada, Sandra Keizeler, de 36 anos, conta ao CM que o problema tem "agravado" a sua ansiedade e preocupação. "Estou indignada e só me aguento porque estou com calmantes. Por esta altura, já devia estar em recuperação e agora tenho de me preparar para um terceiro internamento para ser operada."

Sandra Keizeler, mulher do antigo futebolista do Belenenses Sobrinho, tinha cirurgia marcada para 25 de Janeiro. Foi internada na véspera, fez a preparação para a operação – clister, jejum, soros, análises – e, quando pensava que ia ser operada, ouviu da boca da directora do serviço de Ginecologia e Obstetrícia que não podia ser operada "porque tinha entrado para o Bloco Operatório uma mulher para fazer um aborto". Na segunda vez, em 8 de Fevereiro, Sandra ouviu da mesma médica que não podia ser operada "porque a cirurgia prolongava-se para depois das 15h30 e o Bloco Operatório fecha a essa hora".