sexta-feira, 29 de julho de 2011

Afinal só as moscas é que mudaram...

(Da net)
AFINAL SÓ AS MOSCAS É QUE MUDARAM....
REENCAMINHEM PARA SE DENUNCIAR ESTA POUCA VERGONHA.

Com este monopólio açambarcador tem forçosamente de haver desemprego para os que não são «génios», isto é, não são amigos dos poderosos.
O «amiguismo» impera, e não se notam diferenças entre este e os Governos de Sócrates…
Esta corrupção (de troca de favores) será mesmo uma doença nacional incurávei ??? Não deveremos lutar contra ela com persistência e sem medo? Penso que sim…
Mais um que ainda vai ter um AVC de tanto trabalhar...
António Nogueira Leite vai ser vice-presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos e ganhar mais de 20 mil euros por mês. O académico, que foi conselheiro de Pedro Passos Coelho (quem diria?), vai assumir funções executivas, ocupando o lugar de número dois do próximo presidente executivo do banco público.
Actualmente já é:
- administrador executivo da CUF,
- administrador executivo da SEC,
- administrador executivo da José de Mello Saúde,
- administrador executivo da EFACEC Capital,
- administrador executivo da Comitur Imobiliária,
- administrador (não executivo) da Reditus,
- administrador (não executivo) da Brisa,
- administrador (não executivo) da Quimigal
- presidente do Conselho Geral da OPEX,
- membro do Conselho Nacional da CMVM,
- vice-presidente do Conselho Consultivo do Banif Investment Bank,
- membro do Conselho Consultivo da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações,
- vogal da Direcção do IPRI.
É membro do Conselho Nacional do PSD desde 2010.
Os amigos começam a ocupar os bons lugares e, mesmo quando dizem que querem poupar e reduzir nas despesas, quando aumentam impostos, quando aumentam os transportes, a saúde e anunciam qua ainda agora começaram os sacrifícios, não têm vergonha de aumentar o número de administradores da CGD de sete para onze. Há que haver lugares para todos e aos Barões não serve qualquer um. Têm de ser lugares de luxo e prestigio que são gente importante.

terça-feira, 26 de julho de 2011

As estrelas cadentes e decadentes

João J. Brandão Ferreira

A actriz Amy Winehouse morreu.

Numa sociedade “equilibrada” ler-se-ia no seu epitáfio o cristianíssimo “paz à sua alma”. Epitáfio cristão, simples e … pudico.

Em vez disto a morte da jovem cantora – que alguém agora descobriu pertencer à maldição dos artistas que morrem aos 27 anos (!!) - viu-se rodeada de uma imensa homenagem pública e mediática, nalguns casos com cenas de histerismo e choro convulsivo.

Eventos semelhantes têm sido recorrentes, o que passa a ter significado sociológico, sobretudo se tivermos em conta as multidões que arrasta, sobretudo jovens. O fenómeno merece alguma reflexão, creio, para além da sempre presente “psicologia das massas” e de algumas psicopatias avulsas.

Vejamos, em síntese, o caso vertente: segundo os versados em vozes e cantorias, o talento da moça cedo se revelou e possuía características únicas que levaram a classificar, mais tarde, a sua performance como “original”. A sua carreira foi assim tão curta quanto fulgurante.

Em simultâneo a sua vida pessoal foi pasto de muitas conturbações – o que também acontece a uma grande parte, senão à maioria das pessoas – o que a terá feito resvalar para os excessos do álcool e das drogas, o que já não sendo maioritário, sucede a muito boa gente.

São dramas pessoais que existem desde o princípio dos tempos e que se devem tentar perceber e resolver numa esfera pessoal e privada.

Ainda segundo os entendidos – porque aí não metemos prego nem estopa – Amy teria todas as condições para ter uma boa carreira e o que se convencionou apelidar de ter “o mundo a seus pés”.

Winehouse usou, também, de toda a parafernália de clichés e usanças, que encontram aconchego nos mais baixos instintos humanos e são adorados (pudera!), pela imprensa “cor-de-rosa” e não só: trajes identificadores e ousados; pinturas e adereços que desfeiteavam a sua beleza natural; entrevistas provocatórias e de “nonsense”; letras indecorosas ou subversivas; coreografias a roçar o pornográfico; poses aberrantes, etc.

Tudo isto se passou na sua curta vida, a que não é difícil imaginar um fim voluntário, misturado com escândalos vários e, a partir de certa altura, a omnipresença (até explicita) de estupefacientes – a que se foi dando a mais copiosa divulgação pública.

Ora tudo o que é explícito e publicitado, sem haver referências morais e cívicas que o enquadrem, pode passar a ser um exemplo a seguir, para o vulgo. Amy parece-nos, porém, a antítese de qualquer exemplo que deva ser passado para a sociedade. A prova disso, se a quisesse - mos tirar, seria perguntar aos leitores e, inclusive, aos seus fãs, se a gostariam de ter como filha, irmã ou mulher…

Os seus vícios privados, mesmo que não fossem intentados ser tornados públicos, viriam inevitavelmente a público, nos dias de espectáculos interrompidos ou cancelados por indecente ou má figura. O que, traduzido na prática, revela uma enorme falta de profissionalismo e respeito por quem paga o bilhete.

Mas a vedeta do palco insiste em destruir-se até que vira cadáver e é o que se vê!

A venda de discos dispara, fecha-se a quadratura do círculo…

Todos os dias, pelo mundo inteiro, existem exemplos de santidade; de pessoas que dedicam a vida à investigação em prol da Humanidade; heróis que arriscam a vida pelas suas Pátrias ou por causas nobres que abraçam, etc., ou simplesmente os muitos milhares de pessoas “normais”, que vivem sem alardes, mas trabalham com dedicação, cuidam da família, pagam os seus impostos, isto é são cidadãos de corpo inteiro e são, efectivamente, quem faz a civilização avançar e não regredir.

Todos estes comparados com a Amy, e outros como ela, à luz do ocorrido, não valem nada.

A mim, pelo menos, parece-me que há algo de errado nisto tudo.



domingo, 24 de julho de 2011

É urgente despolitizar a Segurança Social

Camilo Lourenço, Jornal de Negócios

O Instituto de Gestão dos Fundos de Capitalização da Segurança Social quer alterar a legislação que obriga a investir pelo menos 50% dos fundos em títulos de dívida pública portuguesa ou em títulos garantidos pela República. A ideia é obrigar a que pelo menos 50% seja investido em dívida dos países da OCDE.

A medida é sensata. Se o Fundo de Estabilização Financeira serve para rentabilizar valores que podem ser necessários para colmatar o défice do sistema de pensões, as regras que disciplinam a sua gestão devem ser… à prova de bala. Ou seja, a gestão não pode ser influenciada por critérios políticos, como tudo indica que aconteceu nos últimos meses.

É pena que o Instituto só agora tenha proposto uma medida que devia ter tomado em 2010, quando ficou claro que Portugal ia precisar de ajuda externa (e quando os investidores estrangeiros já despejavam a nossa dívida, com grandes descontos). Se o tivesse feito nessa altura ficaríamos a saber que pretendia proteger o sistema de pensões de influências políticas (traduzido na pressão para comprar mais dívida pública nacional). Não o fez e aumentou a exposição do fundo a títulos que podem ser afectados por um "default".

A gestão da Segurança Social deve estar protegida dos interesses conjunturais dos governos (o FEFSS não recebe transferências há quatro meses…). Razão suficiente para conferir maior independência a quem gere os seus dinheiros. Começando pela forma de nomeação dos seus responsáveis (envolvendo a AR e o Presidente?) e acabando na necessidade de prestar contas na AR. Caso contrário corremos o risco de fragilizar ainda mais um sistema de pensões que já está sob enorme pressão.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Homossexuais têm 20 vezes mais probabilidades de contrair HIV

Sol, 21 de Junho, 2011
Os homossexuais apresentam 20 vezes mais probabilidades de contrair o VIH, o que levou a Organização Mundial de Saúde (OMS) a elaborar pela primeira vez uma lista de directrizes para o tratamento e a prevenção deste vírus entre os homossexuais e os transexuais.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Portugal precisa de Forças Armadas?

João José Brandão Ferreira       

        Com este título publicou o Coronel David Martelo um extenso e bem articulado artigo, onde analisa a importância das Forças Armadas (FAs) e o modo como são vistas pela Nação, em contraste com a falta de defesa institucional por parte dos órgãos de soberania e demais forças políticas e os maus tratos que, de um modo geral, recebe de comentadores e jornalistas que pontificam nos "média".
        Escusado seria dizer que o Coronel Martelo tem toda a razão nas explanações que fez. Falta porém perceber e apontar as razões que levaram e levam, a esta inacreditável e irresponsável falta de sintonia entre responsáveis políticos ­ que se repercute para a opinião pública ­ e a Instituição Militar (IM) que, aliás, está acima dos políticos e para além dos políticos, pois é, ela própria, uma emanação da Nação. Os políticos passam, vão e vêm, a IM está e fica.
        É sobre estes pontos que nos iremos debruçar, certamente com menor elegância do que o meu camarada Cor. Martelo, neste escrito. Sem embargo, com alguma acutilância.

                  "Mas, senhor ministro, eu entendo que o meu dever como
                   soldado que me orgulho de ser, consiste precisamente em
                   dizer o que penso, para que ao derrocar-se esta
                   nacionalidade se não diga que tendo uma oportunidade de
                   chamar a atenção do governo para a miséria militar da
                   Nação, eu a deixe escapar por comodismo ou cobardia".
                   General Gomes da Costa, no discurso de tomada de posse
                   do Ministro da Guerra, General Vieira da Rocha, em 15 de
                   Agosto de 1925.

Ler o texto completo aqui.

domingo, 19 de junho de 2011

Uma cultura de intoxicação


Manuel Pinto Coelho*, Público 2011-06-18


Não se duvide de que a indiferença generalizada perante a escalada do uso e abuso de drogas nos torna parte do problema

A toxicodependência é um fenómeno que tem vindo a alastrar e Portugal não foge à regra. Em algumas décadas, passou-se de um problema de "apenas alguns" para um fenómeno de massas, que afecta particularmente os jovens, ceifando sem piedade no seu infernal percurso de morte inúmeras vidas e esperanças.

As sociedades têm vindo a apostar, inconscientemente, no seu próprio embrutecimento. O nivelamento por baixo, a degradação dos padrões de qualidade têm levado, gradualmente, a uma frustrante cultura de desistência, disfarçada "aqui e ali" através de uma política mal conduzida de redução de danos e solidariedade distorcida.

Hoje em dia, crianças e adolescentes, cada vez mais cedo, vêm trivializando o uso de drogas em casa, no bar, na rua ou na escola, à vista dos familiares e educadores que, incrédulos, cada vez mais se vêm sentindo impotentes para obstaculizar o seu uso e abuso.

Nos dias de hoje, no nosso país, tem-se vindo a assistir a uma absurda narcotização colectiva, a uma verdadeira cultura de intoxicação pública e da opinião publicada - a classe política bem como a comunicação social, por não se sentirem confortáveis para falar do assunto ou por desconhecimento de causa, há muito que se demitiram das suas responsabilidades - que aceita sem pudor que as drogas vieram para ficar e que não resta outra solução senão acomodarmo-nos a elas.

Faz confusão a instalação de um clima de aceitação do inaceitável, a crescente tolerância social ao consumo de drogas, legais ou ilegais, uma verdadeira eutanásia, irracionalmente consentida, por quem nos deveria governar.

Não deixa de ser bizarro que, por um lado, se condene a aplicação da pena de morte e, por outro, se feche os olhos ao consumo de substâncias psicoactivas que não fazem mais que condenar em vida quem delas depende.

Não deixa de ser bizarro que se concorde com a fiscalização e controlo das armas e que se seja cada vez mais permissivo com a fiscalização e controle das drogas: "As autoridades deixaram de se preocupar com o pequeno tráfico e agora concentram esforços no grande. Deixámos de apreender gramas ou quilos, para passarmos a apreender toneladas" (Presidente do IDT, in jornal Expresso de 4/12/10).

Como é possível aceitar que o toxicodependente se suicide com doses diárias homeopáticas até morrer, simplesmente porque há quem pense que cada qual é livre de o fazer ou não?!

Sabendo-se que o dependente de drogas provoca dano a si próprio e aos que o rodeiam, como é possível que no nosso país, por razões humanitárias..., como vem expresso na Estratégia Nacional de Luta contra a Droga, seja dado a cada um o livre arbítrio de usar droga ou não - qualquer que ela seja, até 10 dias de uso ninguém tem nada a ver com isso... - e se continue a ignorar que, como dizia o pai do liberalismo moderno, John Stuart Mill (1806-1873), "a única situação que pode justificar que a coacção seja aceitavelmente exercida sobre qualquer membro de uma comunidade civilizada, contra a sua vontade, é quando se trata de prevenir o dano de outros" (On Liberty, 1959)?

Ao contrário dos nossos últimos Governos, é nossa opinião que todos aqueles que se continuam a drogar e não procuram tratamento deveriam ser penalizados através de coimas, eventualmente denominadas de "sociais", que poderiam incluir, por exemplo, inibição da licença de condução, inibição de crédito bancário, não-atribuição do subsídio de desemprego ou de outros subsídios sociais como o rendimento social de inserção.

Não se duvide de que a indiferença generalizada perante a escalada do uso e abuso de drogas nos torna parte do problema. Pelo contrário, o apoio e a preocupação com as pessoas que lutam com este tipo de problemas e os esforços para as conduzir para ambientes que as excluam são, e há-de ser, sempre uma questão de consciência, responsabilidade moral e solidariedade humana.

* Presidente da APLD - Associação para um Portugal Livre de Drogas























«Dr. Passos, não pague ao dr. Jorge Coelho»

Henrique Raposo, Expresso

Caro primeiro-ministro,

V. Ex.a deve evitar -- para já -- a reestruturação da dívida. Isso é a bandeira branca. Ora, para evitarmos chegar a esse ponto, para evitarmos atingir essa tragédia grega, V. Ex.a devia, isso sim, reestruturar a dívida que o Estado tem com as construtoras e concessionárias.
Ou seja, o meu caro amigo não pode pagar tudo aquilo que foi prometido à Mota-Engil & Cia. A despesa que a dupla Sócrates & Lino nos legou em termos de PPP é um ultraje que não pode ficar impune. Portanto, V. Exa. tem de dizer o seguinte ao dr. Jorge Coelho e demais homens do alcatrão: “amiguinhos, não temos dinheiro para pagar estas PPP e essas SCUT por inteiro”. O Tribunal de Contas afirmou que a última negociata das SCUT não tem fundamento legal. Mas, antes de ser um caso de polícia, este negócio é um caso, digamos, de bolso vazio: não há dinheiro.
Nós não podemos pagar isto tudo. Não é uma questão de opinião: é um facto matemático e fiscal. Como dizia Medina Carreira, o país vai ter de escolher: ou pagamos a saúde, ou pagamos as PPP e SCUT; ou aguentamos a saúde em níveis decentes, ou continuamos a alimentar o fetiche socialista pelo betão e alcatrão.

Os melhores cumprimentos,

um contribuinte idiota (e peço desculpa pelo pleonasmo)






sábado, 11 de junho de 2011

Coincidências...

(Do Jornal de Notícias)

A 16 de Março, Almerindo Marques renuncia à presidência da Estradas de Portugal, para o que fora nomeado em 2007 pelo ministro Mário Lino.

A 11 de Maio, uma auditoria do Tribunal de Contas à Estradas de Portugal, revela que, com a renegociação de contratos, a dívida do Estado às concessionárias das SCUT passara de 178 milhões para 10 mil milhões de euros em rendas fixas, dos quais mais de metade (5400 milhões) coubera ao consórcio Ascendi, liderada pela Mota-Engil e pelo Grupo Espírito Santo. Mais: que dessa renegociação resultara que o Estado receberá, este ano, 250 milhões de portagens das SCUT e pagará... 650 milhões em rendas.

Há poucos dias, Almerindo Marques irá liderar a “Opway”, construtora do Grupo Espírito Santo.






Texas dificulta aborto

O governador do Texas (Estados Unidos), Rick Perry, assinou o Projecto de Lei 15, que entra em vigor em Setembro e exige que uma mulher realize um ultra-som antes de decidir praticar um aborto.

Ler mais em:

As eleições e os defeitos humanos na política

Pedro Afonso, médico psiquiatra

Mesmo para quem faz do estudo e tratamento da insanidade humana o seu ofício, não pode deixar de ficar perplexo e espantado com a proliferação do destempero na vida política. Segundo o escritor Juan Manuel de Prada, quando os malvados e os tontos alcançam o poder democraticamente podemos afirmar, sem qualquer dúvida, que a sociedade alcançou o grau máximo de corrupção. Considerando que em breve iremos ter um novo governo, convém fazer uma reflexão sobre os defeitos humanos na política, exortando a escolha de políticos virtuosos.

Um dos defeitos humanos na política é o excesso de amor-próprio. É arriscado permitir que um narcisista alcance o poder, já que este, sobrevalorizando as suas reais capacidades, apenas se irá preocupar com fantasias de sucesso ilimitado. Demasiado ocupado com a admiração pública das suas qualidades singulares e com as suas obras grandiosas, este perfil de governante despreza os outros, tornando-se impaciente e arrogante quando as pessoas falam dos seus próprios problemas e preocupações.

A compulsão para a mentira é outro defeito perigoso. Os homens habituados a mentir publicamente com o tempo acabam por mentir em privado, chegando ao ponto de mentirem a si próprios. É desta forma simples e eficaz que se mantêm no exercício do poder, ainda que os resultados da sua incompetência sejam inequívocos. Trata-se de um mecanismo primário de defesa: em vez da verdade dolorosa, escolhe-se a mentira consolatória.

Os distúrbios de memória, convenientemente selectivos, utilizados para fugir às responsabilidades, correspondem a outra imperfeição humana. Esta situação torna-se evidente quando o político num dia promete uma coisa e no dia seguinte, com naturalidade, faz exactamente o contrário, sem que se dê conta de tamanha incongruência. As promessas costumam ser feitas com a mesma convicção de um vendedor de banha da cobra, surgindo invariavelmente a garantia de resolver todos os problemas de uma vez para sempre com base num plano grandioso, seja ele qual for.

A imaturidade intelectual na vida adulta pode revelar-se um defeito pernicioso. Estas pessoas têm um desejo irreprimível de impor aos outros a ideia errada de que “progredir é regredir”. A crença de que somos todos profundamente carentes de direitos, e que estamos dispensados de responsabilidades, tem consequências nefastas. Desta forma fomenta-se a regressão, desvaloriza-se o esforço e promove-se o ócio; constituindo o mecanismo mais rápido para fragilizar uma economia e empobrecer um povo.

A ignorância (e a falta de consciência da mesma) revela-se uma imperfeição humana terrível na política. Tudo se complica quando se associa o desejo de fazer obra e mudar o mundo, característica que é tanto mais perigosa quando se tem parcos conhecimentos do mesmo. Quando um político ignorante, com um profundo desconhecimento da realidade, alcança o poder e tem uma ideia política o mais provável é acontecer um desastre, abrindo-se um caminho inexorável para a tirania; tendo em conta que a tirania é acima de tudo “uma ideia pessoal sobre a realidade”.

A falta de seriedade intelectual e a dissimulação têm-se tornado frequentes como estratégia de aproximação ao poder. Os aduladores, que constituem uma espécie de corte em torno do líder, representam bem este defeito humano tão antigo. Estes indivíduos, desprovidos habitualmente de qualidades que os distingam dos seus semelhantes, fazem juras de fidelidade eterna a quem está no governo. Mas tudo isto é falso, já que estes nómadas da subserviência serão os primeiros a abandonar o líder mal ele caia em desgraça.

Evite-se, pois, escolher políticos com excesso de amor-próprio, mentirosos, sem palavra, imaturos, ignorantes e aduladores, uma vez que foram estes defeitos humanos que atormentaram os nossos antepassados e que tantas vezes levaram a catástrofes políticas, sociais e económicas.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Póstroika

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Curso de Político Gratuito

A moral viscosa de Passos Coelho

Bernardo Motta, Espectadores


É de se pasmar...

Passos Coelho, aquando da promulgação da Lei do Aborto, manifestou publicamente o seu apoio à dita. Agora, em entrevista dada recentemente à Rádio Renascença, mostra uma posição mais ambígua...

«O presidente do PSD recorda que esteve “há muitos anos do lado daqueles que achavam que era preciso legalizar o aborto - não era liberalizar o aborto, era legalizar a interrupção voluntária da gravidez -, porque há condições excepcionais que devem ser tidas em conta” e não se deve “empurrar as pessoas que são vítimas dessas circunstâncias para o aborto clandestino”.»

Está à vista a estratégia: Passos Coelho quer puxar para o PSD alguns votos do CDS. Mas os eleitores dotados de valores morais que estejam indecisos entre PSD e CDS não se podem deixar enganar. Passos Coelho, procurando passar a imagem de preocupação pela manifesta generalização ("liberalização") do aborto, pelos vistos insiste na sua legalização. Ou seja, insiste na ideia insana de quem um crime pode ser legal. Já para não falar nas famigeradas "condições excepcionais", pois se matar um ser humano inocente é um acto claramente imoral, não se vê onde estão as ditas condições de excepção, ou seja, não se entende quais são as circunstâncias que tornam legítimo matar um ser humano inocente.

Os eleitores não se podem deixar enganar. A moral de Passos Coelho é a mesma de José Sócrates. São políticos profissionais, relativistas, que consideram que a moral se define por consensos alargados e por referendos. Refugiam-se em chavões ambíguos, procuram ao mesmo tempo parecer modernos e responsáveis, e acabam por não ser nem uma coisa nem outra.

E, finalmente, fazem-nos de parvos. Ao que parece, segundo Passos Coelho, algumas mulheres, antes da famigerada lei de 11 de Fevereiro de 2007, eram "empurradas" para o aborto clandestino. Ou seja, não viam outra alternativa para as suas gravidezes senão a de as destruir, matando os seus filhos. E o Estado, que deve fazer, segundo Passos Coelho? Ora é claro: ajudá-las a matar os seus filhos. Isso sim, é serviço público. Não um aborto clandestino, um aborto sem o preenchimento do formulário DS-1845, um aborto sem a assinatura de uma junta médica, sem o carimbo da clínica da Yolanda. Um aborto decente tem todas essas formalidades e mais algumas. Isso é que é um aborto decente.

Assim, que deve o Estado fazer às mulheres que se sentem "empurradas" para o aborto? Ora, deve "empurrá-las" para o aborto legal! Está fora de questão prestar apoio à gravidez e à maternidade! Está fora de questão ajudá-las em questões jurídicas (quando são ameçadas por namorados, familiares ou patrões), ou dar-lhes fraldas e papa para o bebé. Isso não é moderno. Essas tarefas de apoio à maternidade ficam para aqueles grupos de extremistas católicos, para os "talibans da vida".

O Estado presta um nobre serviço: o aborto legal! A destruição legal de seres humanos inocentes, em ambiente hospitalar controlado, e tudo pago pelos contribuintes. Isso é que é modernidade! Mas Passos Coelho, o pós-moderno, para além de querer esse aborto moderno, quer regulamentá-lo mais um bocadinho. Torná-lo um bocadinho menos chocante para os eleitores mais sensíveis, talvez trocando alguns abortos à oitava semana com Mifepristone (RU-485) por abortos à primeira ou segunda semana com Levonorgestrel (vulgo, "pílula do dia seguinte")... Mas sobretudo, o que Passos Coelho quis, com esta entrevista calculista na Rádio Renascença, foi enganar uns quantos potenciais eleitores do CDS, levando-os a votar, de forma incauta, no PSD. Apesar de as sondagens o sugerirem, nem todos os eleitores são parvos.

 
 
 
 

domingo, 29 de maio de 2011

A presença portuguesa em África



C O N V I T E

A Comissão Executiva do XVIII Encontro Nacional de Combatentes, a Revista Militar e a Associação de Auditores dos Cursos de Defesa Nacional têm a honra de convidar V.ª Ex.ª para a Conferência “A Presença Portuguesa em África”, que se realiza no dia 9 de Junho de 2011, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

AACDN

10H00 -Sessão de abertura

Professor Doutor Adriano Moreira; General Espírito Santo; Drª. Isabel Meirelles;TenGen. Vizela Cardoso

 
10H45 -1º Painel

A estratégia de ocupação e o encontro civilizacional”;

Moderador -Almirante Vieira Matias

Prof. Dr. Rui Ramos

“Linhas de força da ocupação de posições em África pelos portugueses, na perspectiva estratégica e do desenvolvimento económico e humano, desde o século XVI ao fim da década de cinquenta do século XX. Conceito de espaço de interesse, face ao ambiente físico, social e político e às capacidades reais”.

Prof. Dr. José Carlos Oliveira

“Elementos históricos sobre as migrações africanas nos territórios do Ultramar Português”.

Prof. Dr. Pereira Neto

“Exemplos de interacção cultural. Relações dos portugueses com outros povos em África.

Encontros civilizacionais”.


 
14H30 -2º Painel

“A evolução da situação desde as vésperas do século XX”, Moderador -TenGen. Jesus Bispo

TenCor. José Brandão Ferreira

“Alterações nas condições de segurança no Ultramar Português na sequência do Congresso de Berlim de 1884/5; influência das forças europeias em presença. Papel das forças indígenas e de outros agentes do Estado ou de particulares na defesa da soberania nacional”.

Prof. Dr. Jaime Nogueira Pinto

“Evolução da posição da comunidade internacional quanto às idéiasde colonização e de descolonização. Efeitos práticos no terreno. Posição do regime português”.

Prof. Dr. AntonioJosé Telo,

“Processo de decisão política nacional para o início das operações militares em África no ano de 1961”.


17H00
 
Debate Final e Conclusões
 
+++++++++++++++++++++++++++++++++++++
Introdução à conferência do TenCor. José Brandão Ferreira
A Comissão Executiva do XVIII Encontro Nacional dos Combatentes deci¬diu prestar homenagem a todos os portugueses, civis e militares, que em Á¬fri¬ca se sacrificaram pela sustentação do Império, promovendo uma confe¬rên¬cia, em con¬junto com a Direcção da Revista Militar e a Associação de An¬tigos Auditores dos Cursos de Defesa Nacional, no dia 9 de Junho de 2011, no Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Para o efeito procedeu a convite a académicos eméritos para o tratamento dos temas que pareceram mais adequados aos fins em vista, e que irão pro¬por¬cionar a reflexão sobre os méritos do legado civilizacional deixado em Á¬fri¬ca pelos portugueses. Por razões evidentes da exiguidade do tempo foi da¬da¬ prioridade a Angola, Moçambique e Guiné, onde decorreram as últimas operações militares do Império, não esquecendo igualmente o preito de ho¬me¬nagem aos que defenderam a soberania naci¬onal noutros territórios ultra¬ma¬rinos.

A Conferência terá duas partes, sendo a primeira dedicada à ocupação dos ter¬ri¬tó-rios na senda das Descobertas, que custaram muitas vidas de cidadãos nacionais, especialmente provocadas por doenças, assim como ao alarga¬men¬to progressivo do espaço em conformidade com as capacidades nacio¬nais, sem prejuízo da manutenção das posições costeiras ameaçadas por for¬ças estrangeiras, em particular europeias. A presença portuguesa neste espaço fez vingar os direitos históricos reivindicados por Portugal quando os apeti¬tes das outras potências, muito mais poderosas, se tornaram ostensivos, prin¬ci¬pal¬mente a partir do Congresso de Berlim de 1884/5. A reacção nacional ao Ultimato inglês veio provar que a tarefa ciclópica de construção de um Im¬pério que aquela ocupação constituiu, de facto, um desígnio nacional.

Este andamento dos portugueses, funcionários, empresários, comerciantes, mi¬li¬ta-res e missionários, foi algumas vezes contemporâneo, noutras antece¬deu, as migrações dos povos africanos. O processo da conquista deu origem a cho¬ques, submissões, reconhecimento de direitos, típicos de processos se¬mel¬han¬tes ocorridos ao longo da História em todas as partes do Mundo.

Importa-nos uma descrição objectiva das situações então ocorridas de acordo com os valores do tempo histórico, desmascarando enfoques que não visam a verdade, mas que se verificam, muitas vezes para denegrir a importância da presença portuguesa, num jogo de poder invisível.

Interessa reflectir sobre os encontros ocorridos entre os portugueses e os a¬fri¬ca¬nos, traduzidos em negociações amigáveis, que constituíram verdadei¬ros encontros civilizacionais. O legado mais importante deixado por Portu¬gal foi o início da constituição de Nações nos territórios definidos à custa de vidas humanas e do reconhecimento internacional dos direitos históricos so¬bre esses territórios. E é o resultado daqueles encontros e deste legado que tor¬narão indestrutíveis os laços que actualmente unem Portugal a todos os paí¬ses onde se fala a língua portuguesa.

A segunda parte da Conferência trata do esforço militar realizado por portu¬gue¬ses e africanos, civis e militares, indígenas e forças expedicionárias, nas lutas pela definição dos limites territoriais e pela consolidação da soberania, a partir dos finais do século XIX e durante a primeira década do século XX, assim como os novos problemas políticos que conduziram à Guerra do Ultramar.



quarta-feira, 18 de maio de 2011

Banqueiros:
Cronologia interessante

FERNANDO ULRICH (BPI)
Em 29 Outubro - "Entrada do FMI em Portugal representa perda de credibilidade."
Em 26 Janeiro - "Portugal não precisa do FMI."
Em 31 Março - "Por que é que Portugal não recorreu há mais tempo ao FMI?"


SANTOS FERREIRA (M-BCP)
Em 12 Janeiro - "Portugal deve evitar o FMI."
Em 2 Fevereiro - "Portugal deve fazer tudo para evitar recorrer ao FMI."
Em 4 Abril - "Ajuda externa é urgente e deve pedir-se já."
 
RICARDO SALGADO (BES)
Em 25 Janeiro - "Não recomendo o FMI para Portugal."
Em 29 Março - "Portugal pode evitar o FMI."

Em 5 Abril - "É urgente pedir apoio... já."

sábado, 14 de maio de 2011

A política agrícola comum e a Defesa Nacional

João José Brandão Ferreira


                 “ A principal indústria de um país é a agricultura”

                                                  António Augusto Ferreira

 
Em artigo anterior, defendemos que as três instituições fundamentais que existem em Portugal, a Universidade, a Igreja e as Forças Armadas, estão a ficar de tal modo enfraquecidas que podem pôr em risco a sobrevivência nacional.

Em complemento, vamos hoje discorrer sobre a gravíssima crise em que mergulhou a agricultura portuguesa.

Como se sabe, as actividades agrícolas estão na origem da sedentarização dos povos e na posterior estruturação e desenvolvimento das comunidades.

A existência de alimentos é uma condição básica de sobrevivência para qualquer indivíduo/sociedade e tal consegue-se, sobretudo através dos produtos da terra, complementados com a criação pecuária e a pesca. A existência de excedentes fomenta as trocas aumentando o comércio e os bens ao dispor. Cresce, deste modo, a riqueza, o que permite investimentos noutras áreas, e, assim sucessivamente.

Aumentando a população (por via de uma boa alimentação), os misteres diferenciam-se, porque já nem todos precisam de trabalhar o campo e porque as necessidades materiais, culturais e espirituais aumentam, permitindo e exigindo uma maior especialização…

Bom, tudo isto é sabido, como é sabido também, que desde principalmente, o século XVI, Portugal não consegue ser auto-suficiente em matéria alimentar, nomeadamente nos cereais. Sem embargo, por melhores ou piores que fossem as políticas seguidas sempre houve a intenção e a preocupação de produzir mais e melhor. Agora o que é inédito e inaudito é que se fomente (pagando) a não produção, o abandono das terras e se atire cerca de 20% da população para a voragem canibal das multinacionais alimentares e respectivos intermediários, sem outra defesa que não seja o subsídio – outra despesa. Pois é efectivamente isto que está a acontecer em Portugal, indo já ter efeitos em 1993, em termos de desemprego, falta de escoamento de produtos, baixas de produção, aumento do custo dos factores de produção, confusão e corrupção na distribuição de créditos e subsídios, agitação social, etc.

Reparem, o raciocínio é simples: Imaginem vários peixes de diferentes tamanhos que viviam em aquários separados mas cujas paredes se tocavam. O que defendia os peixes pequenos dos grandes eram as paredes dos aquários (fronteiras). A certa altura começaram a partir as paredes dos aquários, sem que dessem tempo aos peixes mais pequenos que crescessem.

Agora adivinhem o que é que os peixes grandes vão fazer aos pequenos!? É isso, comem-nos, e nós estamos exactamente nessa posição (dos peixes pequenos).

A PAC é uma aberração. É antieconómica e é antinatural. E (aparentemente) estúpida. Protege, sobretudo, os circuitos comerciais internacionais (e vamos ver que guerra é que isto vai dar com os EUA e Canadá, dentro e fora do GATT).

Haverá, assim, tendência para que passe a existir uma multinacional “alemã” da beterraba açucareira, uma “inglesa” para a ovelha; uma “francesa” para o vinho; uma “espanhola” para o azeite, e assim por diante. Em última análise toda a parte produtiva e comercial do que fazemos sairá das nossas mãos e passará para entidades supra ou transnacionais, cinzentas, estranhas e às vezes difíceis de identificar, cujas únicas baias são as regras emitidas pelos tecnocratas de Bruxelas, após luta feroz entre interesses e “lobbies”. Quando as coisas correrem mal quem será o responsável? A quem se poderá pedir contas?

Por outro lado, e por via dos acordos comunitários estamos impedidos de procurar fornecedores ou mercados onde mais nos interesse, caducando naturalmente qualquer acordo bilateral que pudéssemos ter.

Enfim, a situação, a prazo, será tão ou mais grave do que a monarquia dual imposta por Filipe I, em Tomar, no ano da graça de 1581.

Parece-nos ainda inadmissível que num mundo em que morrem milhares de pessoas de fome todos os dias, em que cerca de um bilião de seres humanos vivem no limiar da sobrevivência, se destruam alimentos e não se aumente a produção de quem o pode fazer. Mesmo em Portugal, é chocante ver estragar comida, não apanhar a fruta das árvores, entornar o vinho nas ruas, etc., com tanta gente a passar mal e os preços sempre a subirem nos mercados.

Que diabo, ofereçam ao menos às Misericórdias ou, se forem menos amigos do género humano, dêem ao Jardim Zoológico … Mas, o mais grave de tudo, parece-nos, situa-se a nível do psicológico.

Os agricultores são o âmago da Pátria, a força telúrica da Nação, que emana da terra, uma reserva moral (e material) do País. O homem da terra está intimamente ligado à natureza e às suas leis, mantendo com ela uma relação de equilíbrio estável e intuitivo, que transporta para a família e para a sociedade. Ora pedir a um operário que não produza tantas rodas dentadas não é o mesmo que pedir a um agricultor que deixe morrer as suas árvores de fruto. O operário tem alternativas, ou vai de férias. Quiçá ficará grato. Mas, o agricultor? Vai para o café da aldeia carpir mágoas? E, oh almas, não vêem que quando as árvores morrerem é também um pouco do agricultor que morre também? Não percebem que a actividade agrícola está ligada à alma do agricultor e que o equilíbrio atrás mencionado pode ser roto?

Infelizmente a impressão que temos é que a maioria de quem anda a negociar e a decidir sobre estes assuntos não percebe, não quer perceber e terá até raiva de quem perceba destas coisas. São uns rapazes armados em tecnocratas do “jet set”, de computador debaixo do braço, sempre ávidos a transformar ecus em escudos e vice-versa. Mas, Deus do Céu, que outras qualificações terão para negociar estas questões, que perceberão das motivações das pessoas a quem deveriam defender os interesses e das implicações que das decisões advirão para os interesses nacionais?

A questão dos subsídios, já falada, está completamente inquinada. Por várias razões. A primeira sendo a de não se saber o que é que se quer fazer em termos agrícolas. É preciso ter um plano agrícola, silvícola, pecuário, etc., com objectivos a atingir e depois fazer os investimentos em conformidade. As ideias neste campo são as mais diversas e andam sempre a mudar. Ora despejar dinheiro num cesto destes é ter a garantia, à partida, de que a maioria dele se evaporará sem benefícios visíveis. Em segundo lugar, é preciso ter uma política de subsídios. Tem que se saber que tipo de subsídios existem e quais as condições em que podem ser concedidos. Numa palavra é necessário que as regras do jogo sejam claras.

Além disso, é vital dá-las a conhecer. Tão mais vital, em virtude da maioria dos agricultores portugueses ser idosa e possuir um grau de cultura muito baixa. Não será fácil proceder a este esclarecimento (como fazer face às restantes coisas), quando a maior parte dos funcionários do Ministério da Agricultura está em Lisboa …

Em terceiro lugar, é importante que a concessão de subsídios seja fiscalizada sob pena de nos atolarmos num pantanal de corrupção e injustiça. Isto é: nos subsídios malparados!

Creio bem, que é já neste estádio que nos encontramos. Desenvolveu-se, entretanto, uma “fina flor de chicos espertos” que passaram de “agricultores” para aquilo a que poderemos chamar de “gestores de subsídios”. Acontece de tudo: luvas entre quem empresta e quem recebe; favores; empresas fantasmas; financiamento de produtos que nada têm a ver com as campanhas de momento, falências fraudulentas, etc., etc.

Enfim, muito subsídio para o Mercedes e pouco para a vaca!

No meio de tudo isto, uns poucos enriquecem e a maioria dos agricultores está no limiar da sobrevivência, atolados em dívidas. E sem saber o que fazer.

Uma palavra mais sobre os subsídios. Não se deve, quanto a nós, criar o reflexo condicionado da pedinchice. Isto é: se chove muito, pede-se subsídio; se não chove, pede-se subsídio; se os preços caem, pede-se subsídio; se não se escoam os produtos, pede-se subsídio; e tudo, de preferência, a fundo perdido. E perguntamos nós, quando a colheita é boa, alguém devolve algo? E os seguros de colheita servem para quê? E que tal ensinar os “empresários” agrícolas a fazerem uma boa gestão dos seus meios?

Uma coisa é certa, faça sol, chuva ou vento, produza-se muito ou pouco, no dia seguinte as coisas estão mais caras no mercado!

É evidente que tem que haver subsídios, mas haja peso e medida. E mão forte para quem burlar.

Em síntese, o subsídio deve servir para corrigir políticas, formar técnicos, fazer face a calamidades extraordinárias, reconverter culturas, apoiar experiências inovadoras, apoiar a estabilização de preços, etc.

As contas, porém, devem ser tornadas públicas, no fim do ano. Neste particular seria bastante útil que se soubesse a distribuição a que foram sujeitos os cerca de 1.300 milhões de contos que entraram no País desde a sua entrada na CEE.

Do que já foi dito extraem-se muitas consequências negativas em termos de defesa nacional. Uma primeira constatação, contudo, merece ser dita desde já: é que nos parece que nada do que se tem gizado em termos de política agrícola (como de resto nas outras), teve em conta qualquer preocupação em termos dessa mesma defesa.

Muitos aspectos merecem a nossa atenção: a cidade está cada vez mais afastada do campo, o litoral do interior. Há zonas perigosamente despovoadas e desertificadas: por via da crise agrícola pode aumentar a tensão social, a agitação e diminuir a solidariedade nacional. Estes aspectos necessitam de rápido tratamento sob pena do País ficar algo mutilado e crescerem tendências regionalistas e centrífugas e de ligação a regiões adjacentes espanholas.

Em termos de defesa nacional (e em termos macroeconómicos também), é perigoso que o País não produza sequer 50 por cento do que come. Agrava esta situação o facto da produção das restantes parcelas da economia nacional não chegarem para cobrir este défice.

Ficamos, assim, dependentes do exterior. E do que Bruxelas nos quiser vender e comprar (o que acontecerá quando houver quebras de produção?); torna-se muito mais difícil constituir reservas estratégicas para qualquer emergência, crise ou guerra. Uma má política agrícola e silvícola, degrada o solo, a gestão da água disponível desertifica. Suponham, por absurdo, que só somos autorizados a plantar eucaliptos?!

Mas o mais grave em termos de defesa nacional, relativamente à PAC é que nos toma, por um lado completamente dependentes de outros países e sobretudo de Bruxelas e por outro, vai-nos reduzir a agricultura a franjas de pequenas produções ou obrigam-nos a produzir coisas que mais ninguém quer produzir. Só conseguiremos evitar isto, ser produzirmos mais barato, e melhor que os outros. Gostaria de desafiar as autoridades competentes a explicarem como é que isto estará ao nosso alcance. Sem embargo, tudo o que nós tivermos de bom, terá tendência a ser comprado por quem tem posses saindo das nossas mãos, não só os bens como a mais-valia que os mesmos podiam prover. Numa palavra, ficaremos como estava D. João II quando subiu ao trono: seu pai tinha-lhe feito senhor dos caminhos e estradas do reino e pouco mais …

A concluir o quadro, é preciso ter em conta, que tudo se faz para manter a população desinformada sobre estes assuntos.

Parece-nos, assim, importante, que se estude e debata as implicações das opções políticas que são tomadas a esmo, sempre com grande optimismo, sempre na mira dos milhões fáceis (que hão-de, fatalmente, ser pagos com juros), na mira de sinecuras, mas sem cuidar bem dos verdadeiros interesses nacionais. Atitude esta, que a continuar levará à conclusão – legítima – que os citados interesses estão bem longe das preocupações daqueles que, por dever, os deviam ter em preocupação primeira.

Estes assuntos têm que ter um tratamento de Estado. Não podem ser conduzidos por mercenários da política, desconhecedores do país real e dos seus interesses permanentes e profundos; que renegam (quando conhecem) a História Pátria e têm do funcionamento do mundo uma ideia, no mínimo, nebulosa.

Todavia, manejam muito bem a máquina de calcular e são peritos em servir os interesses de momento que lhes permitam manter o exercício do poder … pelo poder.

Caros compatriotas, cuidado se um dia estes senhores chegarem à conclusão que é muito caro manter Portugal como país independente, naturalmente, vendem-no.

Um país que mal conheço

Maria José Nogueira Pinto

Entre os muitos sentimentos que me assaltaram estes últimos tempos, para além da vergonha, está a redescoberta amarga de um outro Portugal, confuso, asténico, dividido, feito de um composto de gerações, todas à rasca, sem rumo ou sentido. A última sondagem é disso exemplo, pois indica que para um número considerável de portugueses eleitores ser governado por José Sócrates é algo justo, racional e salutar. Um Tartufo que em seis anos levou o País à bancarrota e a níveis insustentáveis de dependência, que comprometeu as novas gerações e alienou o nosso futuro comum é visto não como uma possibilidade mas como uma probabilidade desejável. Porquê? Não sei.

Estes 78 mil milhões de euros que negociámos by the book e segundo a troika são a factura da vaidade de um único homem, Sócrates, e basta lembrar a burlesca contradança a que ele se dedicou nas últimas semanas para se perceber o ponto a que chegou a usura sobre este pobre e cansado País. A apresentação de um ridículo e inútil programa de Governo, atropelando as negociações, para ficar com a primeira palavra, sabendo nós que qualquer programa de Governo terá como matriz o pacote de FMI e que o verdadeiro programa de Governo de Sócrates foi o PEC IV de triste memória; a pressa com que saltou, qual boneco de uma caixa de cartão, para nos vir dizer o que o pacote não tinha (?); uma esponja passada à pressa sobre o que dissera acerca do FMI, esse monstro disposto a comer criancinhas ao pequeno-almoço, sendo ele, Sócrates, a nossa única defesa contra quem nos vinha roubar salários, subsídios de férias, desmantelar a função pública, deitar no caixotebdo lixo as leis laborais; a indisfarçável alegria com que veio logo apresentar o pacote como se fosse ele, e mais ninguém, o seu negociador, ele que irresponsavelmente o protelou, acarretando com isso mais e mais prejuízos para todos nós.

Vejo como muito difícil que estas eleições, só por si, possam criar um quadro renovado e clarificador onde assente, com proveito, o esforço de vencer a crise. Duvido mesmo que a maioria dos portugueses, metralhados por um constante caudal de notícias, se tenha apercebido do que se joga, para todos nós, daqui para a frente, mas sei que a permanência de Sócrates, central neste cenário, é o suficiente para inviabilizar qualquer tentativa. E também sei que as sondagens reflectem estes mesmos receios, a ideia que é preciso juntar forças políticas suficientes para criar a base de sustentação necessária, só que isso não é possível juntando tudo e todos, polícias e ladrões.

Tão mais verdade quanto nos confrontamos com todos os sinais de pré-ruptura de regime, tudo muito além do económico e do financeiro. A necessidade de travar o grande desgaste desta Terceira República que em pouco mais de três décadas assistiu, a par de três visitas do FMI e do descontrolo das contas públicas, à degradação das instituições democráticas, à degradação da política e dos seus agentes numa democracia incapaz de se vigiar a ela própria, ao enfraquecimento do poder de representação e de convocatória das forças políticas, ao alheamento e reduzida participação de uma sociedade desmobilizada. A crise visível vai certamente ser ultrapassada, pois o FMI não impôs apenas as condições do empréstimo como vai ficar por cá a monitorizar a sua execução, passando-nos um outro e mais pesado atestado de menoridade cívica e política como compete a um país que se habituou a viver em estado de incumprimento. Eles nos obrigarão a fazer o que não fizemos a tempo e horas - já agora, como é possível apresentar uma Justiça neste estado a uma entidade estrangeira e não ter muita vergonha? Mas as crises invisíveis ficarão por nossa conta: crise de valores, crise cultural e de identidade, crise de coesão nacional, crise de vontade e de autodeterminação. E temos de as resolver a todas. Só uma não basta.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Olivença
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Além Guadiana apresentad​o em Lisboa

No dia 12 de Maio, pelas 11:00 horas, a associação cultural oliventina "Além Guadiana" apresentar-se-á pela primeira vez em Lisboa.
"Além Guadiana, três anos a promover a cultura portuguesa em Olivença" é a síntese de um movimento cultural nascido na primavera de 2008 com o compromisso de contribuir a recuperar, preservar e valorizar a herança linguística, monumental e etnográfica de raiz portuguesa em Olivença, bem como fomentar a aproximação cultural da Lusofonia. O acto, aberto a todos os interessados, celebrar-se-á na Casa do Alentejo (Portas de Santo Antão, 58) de Lisboa.

domingo, 8 de maio de 2011