segunda-feira, 8 de agosto de 2011

BIC laranja, BIC cristal

A privatização do BPN é o melhor negócio do ano.

Pedro Santos Guerreiro

A privatização do BPN é o melhor negócio do ano. O Governo tinha um prazo muito apertado e é preciso elogiar a excelente capacidade de negociação, a rapidez, o valor, a separação dos activos. Quanto mais se sabe da operação, mais é preciso sublinhar o mérito do homem-chave deste sucesso: parabéns, Eng.º Mira Amaral.

O problema do BPN já existia e já era enorme. Mas é chocante ver o Estado português ajoelhar-se assim. O negócio não é mau, é péssimo. É inexplicável que o Montepio tenha sido arredado.

E é dinheiro dos contribuintes que está em causa. Portugal está a iniciar um processo acelerado de privatizações, não pode fazê-lo sem transparência, como é o caso. O ministro das Finanças também tem muito orgulho desta venda do BPN?
 
A nacionalização teve de ser feita. Mas demorou-se uma eternidade a resolver o problema, assim agravando-o. A responsabilidade é inteira do Governo de José Sócrates: nunca quis reconhecer o "buraco" nas contas públicas nem assumir o despedimento dos dois mil trabalhadores que lá estavam. E, verdade ou consequência, o BPN foi arma de arremesso político contra Cavaco Silva. Uma desgraça, é o que é.

No ano passado, Sócrates quis privatizar. Colocou como preço mínimo 180 milhões de euros, exigiu que não houvesse despedimentos e quis vender um banco ainda intoxicado por créditos maus. O Governo quis enganar alguém. Obviamente, ninguém quis o banco.

Veio a troika. Obrigou o novo Governo a cortar o problema num mês. O Governo abriu a gaveta e tirou de lá a proposta do PS. Uma proposta vergonhosa: o Estado queria vender o BPN ainda contaminado por maus créditos, de "rating" especulativo, abaixo de especulativo ou mesmo sem "rating". Os créditos das empresas do grupo SLN continuavam no BPN. É essa a toxicidade maior: as alegadas aldrabices dos accionistas do BPN, que estão alegremente impunes, e que se penduraram num banco que acabou nacionalizado. E assim avança a nova fase de privatização.

Aparecem três propostas. Negoceia-se só com uma delas. E acaba-se nesta vergonha: o BIC paga 40 milhões, o que é nada, e em troca escolhe os créditos que quer (ou seja, os bons), os balcões que quer (ou seja, os bons) e os 750 funcionários que quer (ou seja, os bons). Tudo o que é mau fica no Estado. Pago pelo Estado. Incluindo o despedimentos de quase 900 pessoas. Quem? O BIC decide. O Estado paga. Lombo para uns, osso para nós.

É um negócio excelente para o BIC. Ao extirpar todo o problema do BPN, o BIC fica com um banco "limpinho", com rácios como outros não têm e após 550 milhões de euros de capital do Estado a custo zero. Somando esse valor aos depósitos que lá estão, são os fundos mais baratos do mercado, abaixo dos 3%. E como paradoxalmente o BPN fica cheio de liquidez, poderá investir esse dinheiro mais cerca de mil milhões de depósitos. Basta aplicar em dívida pública, ganha 10% limpinhos.

Estas condições são uma vergonha e um insulto. Os portugueses vão pagar entre três e quatro mil milhões de euros por uma nacionalização após actos criminosos de quem está impune, dos accionistas aos gestores, passando pela supervisão.

Havia três propostas. Uma de um grupo que se chama NEI mas podia chamar-se Ney Matogrosso: não se vendem licenças bancárias a quem não se conhece. Outro, o Montepio, queria alguns activos do BPN, o que vai dar no mesmo. Mas segundo o seu presidente afirmou ontem ao "i", nunca mais foi ouvido. E assim o Estado acabou nas mãos de um único candidato, o BIC, um banco angolano e de pequena dimensão.

Esta exclusividade do BIC não está explicada. Os portugueses têm o direito de saber o que fazem ao seu dinheiro, sob pena de podermos pensar que o BPN faz parte de um negócio maior com Angola.

O último a chorar chora pior. O Estado quis enganar alguém com a venda do BPN mas acabou enganado. É para isto que pagamos impostos.


domingo, 7 de agosto de 2011

Os colégios militares incomodam Vital Moreira

João J. Brandão Ferreira

Escreveu o Dr. Vital Moreira (VM), no “Público” de 2 de Agosto, uma catilinária contra as três escolas de ensino secundário, a cargo do Exército (o Colégio Militar, os Pupilos do Exército e o Instituto – e não escola, como referiu – de Odivelas), propondo, pura e simplesmente, a sua extinção.

A gente entende o Dr. VM, estamos em Agosto, tempo de férias e S. Ex.ª está com um fastio enorme, não sabendo em que ocupar-se. Em vez de ir dormir a sesta, resolveu desopilar sobre assunto que desconhece. A ignorância é, porém, sempre atrevida.


O Vital e as suas intimidades.
(Foto e legenda da Red.)

Que nos disse então este infeliz trânsfuga da política, que resolveu ir ressuscitar uma ideia do primeiro manifesto do Partido Socialista (seu novo partido), velha de 38 anos?

Pois que os Colégios Militares (CMs) devem desaparecer por três razões, a saber:

• Não fazer sentido existir “escolas oficiais para alunos oriundos de determinada classe ou profissão”;

• “Não constarem nas missões das FAs e de Segurança, ministrar ensino básico e secundário aos filhos dos seus membros (muito menos a outras) ”;

• “Serem escolas institucionalmente exóticas no sistema de ensino”.

Analisemos, então, as “gravíssimas” acusações deste portentoso intelecto.

Primeiro, os CMs não servem nenhum grupo social ou profissional, são abertos a todas as famílias da sociedade. É lamentável que um causídico e jornalista nas horas de pachorrenta digestão, não tenha procurado informar-se desta evidência simples. E, de facto, tem razão, os militares e policias não pertencem, nem nunca pertenceram a “castas”, sistema de organização social que nunca vigorou em Portugal, desde o tempo do Sr. Rei D. Afonso, o conquistador. A não ser que considere a Nobreza, o Clero e o povo como castas.

Adianta, ainda, o extraordinário pensador, ser de extinguir a “noção de sociedade militar como noção oposta à de sociedade civil, existindo separadamente”. Falou, até, em “apartheid”!

O homem vê coisas que eu nunca vi. Podia dar-se a hipótese de eu ver mal e ele bem, mas como vou passando nas inspecções médicas semestrais, pode dar-se o caso de ser a outra parte a ter alucinações. Cuidado, pois!

Não precisa, por outro lado, de se auto defender de acusações de ser anti-militar, nós já o conhecemos de ginjeira.

Só uma pergunta: deveremos, pelo que diz, considerar a Ordem dos Advogados como uma instituição de classe, que visa o “apartheid” com a restante sociedade?

Segunda questão.

É certo que não consta das missões das FAs e policiais, ministrarem ensino secundário. Também não consta que devem ter assistência de saúde para familiares; apoio à terceira idade, nem gerir bairros ou messes de apoio social.

As missões das FAs estão voltadas para as operações militares e o apoio “cívico”, na sua capacidade supletiva. Tudo isto pressupõe, todavia, uma retaguarda. É um todo.

Sem embargo, os CMs, não fazendo parte de nenhuma das missões definidas são, ao contrário, decorrentes delas e justificam-se através delas.

Na origem da necessidade de haver escolas que atendessem às necessidades específicas da condição militar (o CM está, até, entre os pioneiros em todo o mundo), está o facto da ausência frequente do progenitor, em paragens distantes, ao serviço da Instituição/Estado/Nação e, ainda, a necessidade de cuidar dos órfãos e outros desvalidos, situações sobretudo recorrentes em tempo de guerra.

É certo que, actualmente, a rede escolar e o apoio social é muito mais vasto do que em tempos passados (parece que está a regredir novamente…), mas as necessidades não desapareceram de todo. Mas, pergunta-se, a existência de CMs retira alguma coisa a alguém ou deixou de ser uma mais-valia?

E que valem os pruridos ideológicos do Sr. Moreira perante uma realidade a quem o País tanto deve?

Terceiro.

Não podemos deixar de concordar com VM ao considerar como “exóticos” os CMs, embora certamente não pelas mesmas razões. De facto nos CMs os professores ensinam, os alunos estudam, não há greves, não há grafities, não há lixo; há respeito, organização e disciplina. Todo o mundo anda a horas, bem vestido e ataviado; existe hierarquia e sabe-se quem manda e em que circunstâncias. Mentiras, roubos, droga, homossexualidades e outros vícios, são severamente reprimidos. Os alunos chumbam, quando não estudam e não há lugar para madraços. Ensina-se liderança e patriotismo. Existe uma “família colegial e criam-se laços para a vida.

Como se sabe qualquer semelhança com a realidade tutelada pelo Ministério da (des)educação, é pura coincidência…

Acredito pois, piamente, que VM ache tudo isto exótico, pois nunca deve ter vivido nada semelhante, agora que não queira dar conta…

Já agora, os CMs se bem que tenham uma direcção diferente e um ensino com regras militares (o que, by the way, tem muitas vantagens), estão perfeitamente integrados no ensino público oficial; têm propinas caras (os órfãos de militares não pagam), e ninguém é obrigado a ir para lá, ou a lá ficar – o pacote de actividades também não tem paralelo em nenhuma outra escola do ensino secundário.

Internato e segregação de sexos, tendo vantagens e inconvenientes, nunca traumatizaram ninguém.

Para finalizar, o argumentário desta pública figura ilumina-se com duas razões finais, quiçá definitivas: nem a tradição nem a escassa poupança da sua extinção, justificam a manutenção dos CMs. E vai buscar os exemplos daquilo que considera uma tradição maior e que, apesar disso, foram derribados: os tribunais militares e o Serviço Militar Obrigatório!

O Dr. VM perdeu, mais uma vez, uma boa oportunidade de estar calado, pois foi recordar duas lamentáveis decisões que só a demagogia político – partidária e a ignorância militante, justificam. Dois erros de alto coturno: um que põe em causa a condição militar; o outro que ajuda a subverter a consciência cívica da Nação.

Por isso, óh auto-proclamado constitucionalista, não vale a pena juntar mais erros aos que já foram feitos (o da saúde militar vem a caminho…).

Por seu lado, a tradição de haver CMs não atenta contra nada nem ninguém – a não ser, pelos vistos, o equilíbrio psico-somático de alguns comentaristas; as tradições fazem parte da vida dos povos, são um cimento identitário. Mas os CMs não são só tradição, são realidades palpáveis e são competentes naquilo que fazem.

O CM tem mais de dois séculos de existência; o IO já passou um século e é do fim da Monarquia; o IMPE fez agora 100 anos e representa uma das poucas coisas úteis que a I República nos legou. Ganharam jus a serem considerados instituições nacionais, mais a mais quando já passaram a prova do tempo. Provaram, até, muito melhor que a actual Constituição…

Finaliza o também docente universitário (o que será que ele ensina aos seus alunos?), remetendo os militares para o seu “core business”, isto é a Defesa Nacional, e os policias para a segurança interna – será que ele pensa que os ditos cujos não são cidadãos de corpo inteiro?

Devolvo-lhe a impertinência, meta-se a fazer o que sabe e não se arme em pintor Apelles.

Resta apenas perceber o que, verdadeiramente, move o Dr. VM. Talvez o título do seu escrito nos elucide, chamava-se “Instituições de Classe”. A formação marxista (estalinista?), não perdoa.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Rio Vermelho

Alberto Gonçalves, DN

De passagem por Madrid, Joseph Stiglitz aproveitou para se reunir com 300 "indignados". Stiglitz é um Nobel da Economia americano que costuma aconselhar, pelos vistos com excelentes resultados, o Governo do sr. Zapatero (as eleições foram antecipadas para Novembro). Os "indignados" são aqueles meninos não demasiado lavados que acampam há meses no centro da capital espanhola a exigir coisas maravilhosas como o trabalho para todos e a conseguir não trabalhar de todo. Os jornais falam de um encontro profícuo, com Stiglitz de "megafone na mão, roupas desportivas e ténis" a "pedir ideias" à rapaziada, a qual, a julgar pelo megafone, é um tanto surda.

Felizmente a rapaziada não é muda e, numa perfeita troca de galhardetes, disse a Stiglitz exactamente aquilo que Stiglitz diz a quem lhe encomenda o talento. A saber, que o capitalismo é o culpado da crise, que a crise pede regulação dos mercados, que os mercados são malvados e o Estado é bonzinho, etc.

Claro que para os portugueses tudo isto roça o primitivo. Em vez de enviarmos os nossos Nobel a Espanha para aprender marxismo com os "indignados", importámos de Espanha uma particular "indignada" que, de brinde, traz o nosso Nobel incluído, isto se o prémio se transmitir, conforme parece, por matrimónio e herança.

Refiro-me, evidentemente, a Pilar del Río, viúva de José Saramago e presidenta (a senhora, que apesar dos galões não é dada às letras, prefere assim) da fundação com o mesmo nome (o de Saramago, não o dela). Quando não está a reclamar da autarquia lisboeta copiosos "investimentos" para a Fundação, a dona Pilar está na televisão a explicar que nunca recebeu um tostão do Estado português e a aliviar-se de clichés ideológicos já analfabetos em 1968.

Um destes dias, a dona Pilar foi entrevistada por um sr. Goucha incapaz, nos vários sentidos da palavra, de contrariar as insanidades que a chefa, perdão, a presidenta produz com assinaláveis rapidez e presunção. Presunção é o termo: por um lado, a dona Pilar convenceu-se realmente de que Portugal lhe deve reparações de vária ordem e é seu direito reclamá-las. Por outro lado, convenceu-se de que somos tontos o bastante para a levar a sério. Acertou em metade.

O Governo transparente

Alberto Gonçalves, DN

Se o dr. Passos Coelho não cumpriu a promessa de não subir os impostos, cumpriu a de publicar um site (ou uma fracção de um site) com as nomeações do Governo. Por mim, trocava. A quantia estrafegada no IRS dava-me jeito. Já não estou certo da serventia das informações agora divulgadas na internet. Eu quero mesmo saber que o secretário de Estado da Cultura beneficia de quatro motoristas a 1 866,73 euros/mês e 5 especialistas a 3 163,27 (menos um, coitadinho, que teoricamente aufere o salário mínimo)? E quero saber que a ministra da Agricultura possui 5 adjuntos (3 069,33 euros de vencimento bruto)? E quero saber da existência de um adjunto do Secretário de Estado adjunto do Ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, que misteriosamente existe? E quero saber da pequena multidão de alegadas sumidades que invadiu as chefias da CGD? Não quero. Mas, graças ao site, aliás permanente e deprimentemente actualizado, não tenho alternativa.

Sendo uma virtude, a transparência também pode ser uma fonte de angústia. Quando o Governo anterior distribuía discretamente resmas de amigos por resmas de empregos disponíveis ou inventados na hora, a discrição poupava-nos ao sofrimento de testemunhar o destino das verbas que o Estado amavelmente nos extrai. A transparência mostra-nos com particular crueldade aonde o nosso dinheiro vai parar: de futuro, um agregado familiar perceberá que a razão pela qual não consegue comprar aquele televisor com tecnologia led é porque o montante que lhe falta contribui para sustentar os três assessores do secretário de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação. Daí a designação "contribuinte".

No fundo, é a diferença entre sofrer um desastre a dormir e correr contra o muro de olhos bem abertos. Além de inúmeras proezas similares, o pudor do eng. Sócrates levava-o por exemplo a orçamentar por baixo os gastos salariais dos funcionários públicos, habilidade que, segundo Vítor Gaspar, explica em parte o famoso desvio de 2 mil milhões nas contas. Além da transparência, o Governo actual parece empenhado na sinceridade. Resta apurar em que é que isso nos beneficia se, desde a taxa extraordinária que remendará metade do desvio dito "colossal" às nomeações com que se atafulha a hospitaleira máquina estatal, até ver a transparência e a sinceridade concentram-se muito mais no aumento dos encargos de quem obedece do que na moderação da despesa de quem manda.

Nas necessidades a sério, das privatizações das grandes empresas públicas à supressão das pequenas, da reforma autárquica aos despedimentos na administração e, em suma, ao anunciado alívio do peso do Estado intrometido e clientelar, o discurso surge enrodilhado em contradições e tende para o opaco. É preciso tempo e ponderação? Provavelmente, embora nas medidas que prejudicam a ralé se tivesse dispensado ambos. Resta-nos esperar, esperar que os presságios se enganem e que o Governo não seja um caso perdido. Por enquanto, é apenas um caso. Perdidos, e sem um adjunto do adjunto do adjunto que nos valha, andamos nós.

Uma ideia original

Alguém anda a carimbar as notas em nome do FMI para lembrar os portugueses de que é preciso poupar!

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Afinal só as moscas é que mudaram...

(Da net)
AFINAL SÓ AS MOSCAS É QUE MUDARAM....
REENCAMINHEM PARA SE DENUNCIAR ESTA POUCA VERGONHA.

Com este monopólio açambarcador tem forçosamente de haver desemprego para os que não são «génios», isto é, não são amigos dos poderosos.
O «amiguismo» impera, e não se notam diferenças entre este e os Governos de Sócrates…
Esta corrupção (de troca de favores) será mesmo uma doença nacional incurávei ??? Não deveremos lutar contra ela com persistência e sem medo? Penso que sim…
Mais um que ainda vai ter um AVC de tanto trabalhar...
António Nogueira Leite vai ser vice-presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos e ganhar mais de 20 mil euros por mês. O académico, que foi conselheiro de Pedro Passos Coelho (quem diria?), vai assumir funções executivas, ocupando o lugar de número dois do próximo presidente executivo do banco público.
Actualmente já é:
- administrador executivo da CUF,
- administrador executivo da SEC,
- administrador executivo da José de Mello Saúde,
- administrador executivo da EFACEC Capital,
- administrador executivo da Comitur Imobiliária,
- administrador (não executivo) da Reditus,
- administrador (não executivo) da Brisa,
- administrador (não executivo) da Quimigal
- presidente do Conselho Geral da OPEX,
- membro do Conselho Nacional da CMVM,
- vice-presidente do Conselho Consultivo do Banif Investment Bank,
- membro do Conselho Consultivo da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações,
- vogal da Direcção do IPRI.
É membro do Conselho Nacional do PSD desde 2010.
Os amigos começam a ocupar os bons lugares e, mesmo quando dizem que querem poupar e reduzir nas despesas, quando aumentam impostos, quando aumentam os transportes, a saúde e anunciam qua ainda agora começaram os sacrifícios, não têm vergonha de aumentar o número de administradores da CGD de sete para onze. Há que haver lugares para todos e aos Barões não serve qualquer um. Têm de ser lugares de luxo e prestigio que são gente importante.

terça-feira, 26 de julho de 2011

As estrelas cadentes e decadentes

João J. Brandão Ferreira

A actriz Amy Winehouse morreu.

Numa sociedade “equilibrada” ler-se-ia no seu epitáfio o cristianíssimo “paz à sua alma”. Epitáfio cristão, simples e … pudico.

Em vez disto a morte da jovem cantora – que alguém agora descobriu pertencer à maldição dos artistas que morrem aos 27 anos (!!) - viu-se rodeada de uma imensa homenagem pública e mediática, nalguns casos com cenas de histerismo e choro convulsivo.

Eventos semelhantes têm sido recorrentes, o que passa a ter significado sociológico, sobretudo se tivermos em conta as multidões que arrasta, sobretudo jovens. O fenómeno merece alguma reflexão, creio, para além da sempre presente “psicologia das massas” e de algumas psicopatias avulsas.

Vejamos, em síntese, o caso vertente: segundo os versados em vozes e cantorias, o talento da moça cedo se revelou e possuía características únicas que levaram a classificar, mais tarde, a sua performance como “original”. A sua carreira foi assim tão curta quanto fulgurante.

Em simultâneo a sua vida pessoal foi pasto de muitas conturbações – o que também acontece a uma grande parte, senão à maioria das pessoas – o que a terá feito resvalar para os excessos do álcool e das drogas, o que já não sendo maioritário, sucede a muito boa gente.

São dramas pessoais que existem desde o princípio dos tempos e que se devem tentar perceber e resolver numa esfera pessoal e privada.

Ainda segundo os entendidos – porque aí não metemos prego nem estopa – Amy teria todas as condições para ter uma boa carreira e o que se convencionou apelidar de ter “o mundo a seus pés”.

Winehouse usou, também, de toda a parafernália de clichés e usanças, que encontram aconchego nos mais baixos instintos humanos e são adorados (pudera!), pela imprensa “cor-de-rosa” e não só: trajes identificadores e ousados; pinturas e adereços que desfeiteavam a sua beleza natural; entrevistas provocatórias e de “nonsense”; letras indecorosas ou subversivas; coreografias a roçar o pornográfico; poses aberrantes, etc.

Tudo isto se passou na sua curta vida, a que não é difícil imaginar um fim voluntário, misturado com escândalos vários e, a partir de certa altura, a omnipresença (até explicita) de estupefacientes – a que se foi dando a mais copiosa divulgação pública.

Ora tudo o que é explícito e publicitado, sem haver referências morais e cívicas que o enquadrem, pode passar a ser um exemplo a seguir, para o vulgo. Amy parece-nos, porém, a antítese de qualquer exemplo que deva ser passado para a sociedade. A prova disso, se a quisesse - mos tirar, seria perguntar aos leitores e, inclusive, aos seus fãs, se a gostariam de ter como filha, irmã ou mulher…

Os seus vícios privados, mesmo que não fossem intentados ser tornados públicos, viriam inevitavelmente a público, nos dias de espectáculos interrompidos ou cancelados por indecente ou má figura. O que, traduzido na prática, revela uma enorme falta de profissionalismo e respeito por quem paga o bilhete.

Mas a vedeta do palco insiste em destruir-se até que vira cadáver e é o que se vê!

A venda de discos dispara, fecha-se a quadratura do círculo…

Todos os dias, pelo mundo inteiro, existem exemplos de santidade; de pessoas que dedicam a vida à investigação em prol da Humanidade; heróis que arriscam a vida pelas suas Pátrias ou por causas nobres que abraçam, etc., ou simplesmente os muitos milhares de pessoas “normais”, que vivem sem alardes, mas trabalham com dedicação, cuidam da família, pagam os seus impostos, isto é são cidadãos de corpo inteiro e são, efectivamente, quem faz a civilização avançar e não regredir.

Todos estes comparados com a Amy, e outros como ela, à luz do ocorrido, não valem nada.

A mim, pelo menos, parece-me que há algo de errado nisto tudo.



domingo, 24 de julho de 2011

É urgente despolitizar a Segurança Social

Camilo Lourenço, Jornal de Negócios

O Instituto de Gestão dos Fundos de Capitalização da Segurança Social quer alterar a legislação que obriga a investir pelo menos 50% dos fundos em títulos de dívida pública portuguesa ou em títulos garantidos pela República. A ideia é obrigar a que pelo menos 50% seja investido em dívida dos países da OCDE.

A medida é sensata. Se o Fundo de Estabilização Financeira serve para rentabilizar valores que podem ser necessários para colmatar o défice do sistema de pensões, as regras que disciplinam a sua gestão devem ser… à prova de bala. Ou seja, a gestão não pode ser influenciada por critérios políticos, como tudo indica que aconteceu nos últimos meses.

É pena que o Instituto só agora tenha proposto uma medida que devia ter tomado em 2010, quando ficou claro que Portugal ia precisar de ajuda externa (e quando os investidores estrangeiros já despejavam a nossa dívida, com grandes descontos). Se o tivesse feito nessa altura ficaríamos a saber que pretendia proteger o sistema de pensões de influências políticas (traduzido na pressão para comprar mais dívida pública nacional). Não o fez e aumentou a exposição do fundo a títulos que podem ser afectados por um "default".

A gestão da Segurança Social deve estar protegida dos interesses conjunturais dos governos (o FEFSS não recebe transferências há quatro meses…). Razão suficiente para conferir maior independência a quem gere os seus dinheiros. Começando pela forma de nomeação dos seus responsáveis (envolvendo a AR e o Presidente?) e acabando na necessidade de prestar contas na AR. Caso contrário corremos o risco de fragilizar ainda mais um sistema de pensões que já está sob enorme pressão.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Homossexuais têm 20 vezes mais probabilidades de contrair HIV

Sol, 21 de Junho, 2011
Os homossexuais apresentam 20 vezes mais probabilidades de contrair o VIH, o que levou a Organização Mundial de Saúde (OMS) a elaborar pela primeira vez uma lista de directrizes para o tratamento e a prevenção deste vírus entre os homossexuais e os transexuais.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Portugal precisa de Forças Armadas?

João José Brandão Ferreira       

        Com este título publicou o Coronel David Martelo um extenso e bem articulado artigo, onde analisa a importância das Forças Armadas (FAs) e o modo como são vistas pela Nação, em contraste com a falta de defesa institucional por parte dos órgãos de soberania e demais forças políticas e os maus tratos que, de um modo geral, recebe de comentadores e jornalistas que pontificam nos "média".
        Escusado seria dizer que o Coronel Martelo tem toda a razão nas explanações que fez. Falta porém perceber e apontar as razões que levaram e levam, a esta inacreditável e irresponsável falta de sintonia entre responsáveis políticos ­ que se repercute para a opinião pública ­ e a Instituição Militar (IM) que, aliás, está acima dos políticos e para além dos políticos, pois é, ela própria, uma emanação da Nação. Os políticos passam, vão e vêm, a IM está e fica.
        É sobre estes pontos que nos iremos debruçar, certamente com menor elegância do que o meu camarada Cor. Martelo, neste escrito. Sem embargo, com alguma acutilância.

                  "Mas, senhor ministro, eu entendo que o meu dever como
                   soldado que me orgulho de ser, consiste precisamente em
                   dizer o que penso, para que ao derrocar-se esta
                   nacionalidade se não diga que tendo uma oportunidade de
                   chamar a atenção do governo para a miséria militar da
                   Nação, eu a deixe escapar por comodismo ou cobardia".
                   General Gomes da Costa, no discurso de tomada de posse
                   do Ministro da Guerra, General Vieira da Rocha, em 15 de
                   Agosto de 1925.

Ler o texto completo aqui.

domingo, 19 de junho de 2011

Uma cultura de intoxicação


Manuel Pinto Coelho*, Público 2011-06-18


Não se duvide de que a indiferença generalizada perante a escalada do uso e abuso de drogas nos torna parte do problema

A toxicodependência é um fenómeno que tem vindo a alastrar e Portugal não foge à regra. Em algumas décadas, passou-se de um problema de "apenas alguns" para um fenómeno de massas, que afecta particularmente os jovens, ceifando sem piedade no seu infernal percurso de morte inúmeras vidas e esperanças.

As sociedades têm vindo a apostar, inconscientemente, no seu próprio embrutecimento. O nivelamento por baixo, a degradação dos padrões de qualidade têm levado, gradualmente, a uma frustrante cultura de desistência, disfarçada "aqui e ali" através de uma política mal conduzida de redução de danos e solidariedade distorcida.

Hoje em dia, crianças e adolescentes, cada vez mais cedo, vêm trivializando o uso de drogas em casa, no bar, na rua ou na escola, à vista dos familiares e educadores que, incrédulos, cada vez mais se vêm sentindo impotentes para obstaculizar o seu uso e abuso.

Nos dias de hoje, no nosso país, tem-se vindo a assistir a uma absurda narcotização colectiva, a uma verdadeira cultura de intoxicação pública e da opinião publicada - a classe política bem como a comunicação social, por não se sentirem confortáveis para falar do assunto ou por desconhecimento de causa, há muito que se demitiram das suas responsabilidades - que aceita sem pudor que as drogas vieram para ficar e que não resta outra solução senão acomodarmo-nos a elas.

Faz confusão a instalação de um clima de aceitação do inaceitável, a crescente tolerância social ao consumo de drogas, legais ou ilegais, uma verdadeira eutanásia, irracionalmente consentida, por quem nos deveria governar.

Não deixa de ser bizarro que, por um lado, se condene a aplicação da pena de morte e, por outro, se feche os olhos ao consumo de substâncias psicoactivas que não fazem mais que condenar em vida quem delas depende.

Não deixa de ser bizarro que se concorde com a fiscalização e controlo das armas e que se seja cada vez mais permissivo com a fiscalização e controle das drogas: "As autoridades deixaram de se preocupar com o pequeno tráfico e agora concentram esforços no grande. Deixámos de apreender gramas ou quilos, para passarmos a apreender toneladas" (Presidente do IDT, in jornal Expresso de 4/12/10).

Como é possível aceitar que o toxicodependente se suicide com doses diárias homeopáticas até morrer, simplesmente porque há quem pense que cada qual é livre de o fazer ou não?!

Sabendo-se que o dependente de drogas provoca dano a si próprio e aos que o rodeiam, como é possível que no nosso país, por razões humanitárias..., como vem expresso na Estratégia Nacional de Luta contra a Droga, seja dado a cada um o livre arbítrio de usar droga ou não - qualquer que ela seja, até 10 dias de uso ninguém tem nada a ver com isso... - e se continue a ignorar que, como dizia o pai do liberalismo moderno, John Stuart Mill (1806-1873), "a única situação que pode justificar que a coacção seja aceitavelmente exercida sobre qualquer membro de uma comunidade civilizada, contra a sua vontade, é quando se trata de prevenir o dano de outros" (On Liberty, 1959)?

Ao contrário dos nossos últimos Governos, é nossa opinião que todos aqueles que se continuam a drogar e não procuram tratamento deveriam ser penalizados através de coimas, eventualmente denominadas de "sociais", que poderiam incluir, por exemplo, inibição da licença de condução, inibição de crédito bancário, não-atribuição do subsídio de desemprego ou de outros subsídios sociais como o rendimento social de inserção.

Não se duvide de que a indiferença generalizada perante a escalada do uso e abuso de drogas nos torna parte do problema. Pelo contrário, o apoio e a preocupação com as pessoas que lutam com este tipo de problemas e os esforços para as conduzir para ambientes que as excluam são, e há-de ser, sempre uma questão de consciência, responsabilidade moral e solidariedade humana.

* Presidente da APLD - Associação para um Portugal Livre de Drogas























«Dr. Passos, não pague ao dr. Jorge Coelho»

Henrique Raposo, Expresso

Caro primeiro-ministro,

V. Ex.a deve evitar -- para já -- a reestruturação da dívida. Isso é a bandeira branca. Ora, para evitarmos chegar a esse ponto, para evitarmos atingir essa tragédia grega, V. Ex.a devia, isso sim, reestruturar a dívida que o Estado tem com as construtoras e concessionárias.
Ou seja, o meu caro amigo não pode pagar tudo aquilo que foi prometido à Mota-Engil & Cia. A despesa que a dupla Sócrates & Lino nos legou em termos de PPP é um ultraje que não pode ficar impune. Portanto, V. Exa. tem de dizer o seguinte ao dr. Jorge Coelho e demais homens do alcatrão: “amiguinhos, não temos dinheiro para pagar estas PPP e essas SCUT por inteiro”. O Tribunal de Contas afirmou que a última negociata das SCUT não tem fundamento legal. Mas, antes de ser um caso de polícia, este negócio é um caso, digamos, de bolso vazio: não há dinheiro.
Nós não podemos pagar isto tudo. Não é uma questão de opinião: é um facto matemático e fiscal. Como dizia Medina Carreira, o país vai ter de escolher: ou pagamos a saúde, ou pagamos as PPP e SCUT; ou aguentamos a saúde em níveis decentes, ou continuamos a alimentar o fetiche socialista pelo betão e alcatrão.

Os melhores cumprimentos,

um contribuinte idiota (e peço desculpa pelo pleonasmo)






sábado, 11 de junho de 2011

Coincidências...

(Do Jornal de Notícias)

A 16 de Março, Almerindo Marques renuncia à presidência da Estradas de Portugal, para o que fora nomeado em 2007 pelo ministro Mário Lino.

A 11 de Maio, uma auditoria do Tribunal de Contas à Estradas de Portugal, revela que, com a renegociação de contratos, a dívida do Estado às concessionárias das SCUT passara de 178 milhões para 10 mil milhões de euros em rendas fixas, dos quais mais de metade (5400 milhões) coubera ao consórcio Ascendi, liderada pela Mota-Engil e pelo Grupo Espírito Santo. Mais: que dessa renegociação resultara que o Estado receberá, este ano, 250 milhões de portagens das SCUT e pagará... 650 milhões em rendas.

Há poucos dias, Almerindo Marques irá liderar a “Opway”, construtora do Grupo Espírito Santo.






Texas dificulta aborto

O governador do Texas (Estados Unidos), Rick Perry, assinou o Projecto de Lei 15, que entra em vigor em Setembro e exige que uma mulher realize um ultra-som antes de decidir praticar um aborto.

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As eleições e os defeitos humanos na política

Pedro Afonso, médico psiquiatra

Mesmo para quem faz do estudo e tratamento da insanidade humana o seu ofício, não pode deixar de ficar perplexo e espantado com a proliferação do destempero na vida política. Segundo o escritor Juan Manuel de Prada, quando os malvados e os tontos alcançam o poder democraticamente podemos afirmar, sem qualquer dúvida, que a sociedade alcançou o grau máximo de corrupção. Considerando que em breve iremos ter um novo governo, convém fazer uma reflexão sobre os defeitos humanos na política, exortando a escolha de políticos virtuosos.

Um dos defeitos humanos na política é o excesso de amor-próprio. É arriscado permitir que um narcisista alcance o poder, já que este, sobrevalorizando as suas reais capacidades, apenas se irá preocupar com fantasias de sucesso ilimitado. Demasiado ocupado com a admiração pública das suas qualidades singulares e com as suas obras grandiosas, este perfil de governante despreza os outros, tornando-se impaciente e arrogante quando as pessoas falam dos seus próprios problemas e preocupações.

A compulsão para a mentira é outro defeito perigoso. Os homens habituados a mentir publicamente com o tempo acabam por mentir em privado, chegando ao ponto de mentirem a si próprios. É desta forma simples e eficaz que se mantêm no exercício do poder, ainda que os resultados da sua incompetência sejam inequívocos. Trata-se de um mecanismo primário de defesa: em vez da verdade dolorosa, escolhe-se a mentira consolatória.

Os distúrbios de memória, convenientemente selectivos, utilizados para fugir às responsabilidades, correspondem a outra imperfeição humana. Esta situação torna-se evidente quando o político num dia promete uma coisa e no dia seguinte, com naturalidade, faz exactamente o contrário, sem que se dê conta de tamanha incongruência. As promessas costumam ser feitas com a mesma convicção de um vendedor de banha da cobra, surgindo invariavelmente a garantia de resolver todos os problemas de uma vez para sempre com base num plano grandioso, seja ele qual for.

A imaturidade intelectual na vida adulta pode revelar-se um defeito pernicioso. Estas pessoas têm um desejo irreprimível de impor aos outros a ideia errada de que “progredir é regredir”. A crença de que somos todos profundamente carentes de direitos, e que estamos dispensados de responsabilidades, tem consequências nefastas. Desta forma fomenta-se a regressão, desvaloriza-se o esforço e promove-se o ócio; constituindo o mecanismo mais rápido para fragilizar uma economia e empobrecer um povo.

A ignorância (e a falta de consciência da mesma) revela-se uma imperfeição humana terrível na política. Tudo se complica quando se associa o desejo de fazer obra e mudar o mundo, característica que é tanto mais perigosa quando se tem parcos conhecimentos do mesmo. Quando um político ignorante, com um profundo desconhecimento da realidade, alcança o poder e tem uma ideia política o mais provável é acontecer um desastre, abrindo-se um caminho inexorável para a tirania; tendo em conta que a tirania é acima de tudo “uma ideia pessoal sobre a realidade”.

A falta de seriedade intelectual e a dissimulação têm-se tornado frequentes como estratégia de aproximação ao poder. Os aduladores, que constituem uma espécie de corte em torno do líder, representam bem este defeito humano tão antigo. Estes indivíduos, desprovidos habitualmente de qualidades que os distingam dos seus semelhantes, fazem juras de fidelidade eterna a quem está no governo. Mas tudo isto é falso, já que estes nómadas da subserviência serão os primeiros a abandonar o líder mal ele caia em desgraça.

Evite-se, pois, escolher políticos com excesso de amor-próprio, mentirosos, sem palavra, imaturos, ignorantes e aduladores, uma vez que foram estes defeitos humanos que atormentaram os nossos antepassados e que tantas vezes levaram a catástrofes políticas, sociais e económicas.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Póstroika

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Curso de Político Gratuito

A moral viscosa de Passos Coelho

Bernardo Motta, Espectadores


É de se pasmar...

Passos Coelho, aquando da promulgação da Lei do Aborto, manifestou publicamente o seu apoio à dita. Agora, em entrevista dada recentemente à Rádio Renascença, mostra uma posição mais ambígua...

«O presidente do PSD recorda que esteve “há muitos anos do lado daqueles que achavam que era preciso legalizar o aborto - não era liberalizar o aborto, era legalizar a interrupção voluntária da gravidez -, porque há condições excepcionais que devem ser tidas em conta” e não se deve “empurrar as pessoas que são vítimas dessas circunstâncias para o aborto clandestino”.»

Está à vista a estratégia: Passos Coelho quer puxar para o PSD alguns votos do CDS. Mas os eleitores dotados de valores morais que estejam indecisos entre PSD e CDS não se podem deixar enganar. Passos Coelho, procurando passar a imagem de preocupação pela manifesta generalização ("liberalização") do aborto, pelos vistos insiste na sua legalização. Ou seja, insiste na ideia insana de quem um crime pode ser legal. Já para não falar nas famigeradas "condições excepcionais", pois se matar um ser humano inocente é um acto claramente imoral, não se vê onde estão as ditas condições de excepção, ou seja, não se entende quais são as circunstâncias que tornam legítimo matar um ser humano inocente.

Os eleitores não se podem deixar enganar. A moral de Passos Coelho é a mesma de José Sócrates. São políticos profissionais, relativistas, que consideram que a moral se define por consensos alargados e por referendos. Refugiam-se em chavões ambíguos, procuram ao mesmo tempo parecer modernos e responsáveis, e acabam por não ser nem uma coisa nem outra.

E, finalmente, fazem-nos de parvos. Ao que parece, segundo Passos Coelho, algumas mulheres, antes da famigerada lei de 11 de Fevereiro de 2007, eram "empurradas" para o aborto clandestino. Ou seja, não viam outra alternativa para as suas gravidezes senão a de as destruir, matando os seus filhos. E o Estado, que deve fazer, segundo Passos Coelho? Ora é claro: ajudá-las a matar os seus filhos. Isso sim, é serviço público. Não um aborto clandestino, um aborto sem o preenchimento do formulário DS-1845, um aborto sem a assinatura de uma junta médica, sem o carimbo da clínica da Yolanda. Um aborto decente tem todas essas formalidades e mais algumas. Isso é que é um aborto decente.

Assim, que deve o Estado fazer às mulheres que se sentem "empurradas" para o aborto? Ora, deve "empurrá-las" para o aborto legal! Está fora de questão prestar apoio à gravidez e à maternidade! Está fora de questão ajudá-las em questões jurídicas (quando são ameçadas por namorados, familiares ou patrões), ou dar-lhes fraldas e papa para o bebé. Isso não é moderno. Essas tarefas de apoio à maternidade ficam para aqueles grupos de extremistas católicos, para os "talibans da vida".

O Estado presta um nobre serviço: o aborto legal! A destruição legal de seres humanos inocentes, em ambiente hospitalar controlado, e tudo pago pelos contribuintes. Isso é que é modernidade! Mas Passos Coelho, o pós-moderno, para além de querer esse aborto moderno, quer regulamentá-lo mais um bocadinho. Torná-lo um bocadinho menos chocante para os eleitores mais sensíveis, talvez trocando alguns abortos à oitava semana com Mifepristone (RU-485) por abortos à primeira ou segunda semana com Levonorgestrel (vulgo, "pílula do dia seguinte")... Mas sobretudo, o que Passos Coelho quis, com esta entrevista calculista na Rádio Renascença, foi enganar uns quantos potenciais eleitores do CDS, levando-os a votar, de forma incauta, no PSD. Apesar de as sondagens o sugerirem, nem todos os eleitores são parvos.

 
 
 
 

domingo, 29 de maio de 2011

A presença portuguesa em África



C O N V I T E

A Comissão Executiva do XVIII Encontro Nacional de Combatentes, a Revista Militar e a Associação de Auditores dos Cursos de Defesa Nacional têm a honra de convidar V.ª Ex.ª para a Conferência “A Presença Portuguesa em África”, que se realiza no dia 9 de Junho de 2011, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

AACDN

10H00 -Sessão de abertura

Professor Doutor Adriano Moreira; General Espírito Santo; Drª. Isabel Meirelles;TenGen. Vizela Cardoso

 
10H45 -1º Painel

A estratégia de ocupação e o encontro civilizacional”;

Moderador -Almirante Vieira Matias

Prof. Dr. Rui Ramos

“Linhas de força da ocupação de posições em África pelos portugueses, na perspectiva estratégica e do desenvolvimento económico e humano, desde o século XVI ao fim da década de cinquenta do século XX. Conceito de espaço de interesse, face ao ambiente físico, social e político e às capacidades reais”.

Prof. Dr. José Carlos Oliveira

“Elementos históricos sobre as migrações africanas nos territórios do Ultramar Português”.

Prof. Dr. Pereira Neto

“Exemplos de interacção cultural. Relações dos portugueses com outros povos em África.

Encontros civilizacionais”.


 
14H30 -2º Painel

“A evolução da situação desde as vésperas do século XX”, Moderador -TenGen. Jesus Bispo

TenCor. José Brandão Ferreira

“Alterações nas condições de segurança no Ultramar Português na sequência do Congresso de Berlim de 1884/5; influência das forças europeias em presença. Papel das forças indígenas e de outros agentes do Estado ou de particulares na defesa da soberania nacional”.

Prof. Dr. Jaime Nogueira Pinto

“Evolução da posição da comunidade internacional quanto às idéiasde colonização e de descolonização. Efeitos práticos no terreno. Posição do regime português”.

Prof. Dr. AntonioJosé Telo,

“Processo de decisão política nacional para o início das operações militares em África no ano de 1961”.


17H00
 
Debate Final e Conclusões
 
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Introdução à conferência do TenCor. José Brandão Ferreira
A Comissão Executiva do XVIII Encontro Nacional dos Combatentes deci¬diu prestar homenagem a todos os portugueses, civis e militares, que em Á¬fri¬ca se sacrificaram pela sustentação do Império, promovendo uma confe¬rên¬cia, em con¬junto com a Direcção da Revista Militar e a Associação de An¬tigos Auditores dos Cursos de Defesa Nacional, no dia 9 de Junho de 2011, no Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Para o efeito procedeu a convite a académicos eméritos para o tratamento dos temas que pareceram mais adequados aos fins em vista, e que irão pro¬por¬cionar a reflexão sobre os méritos do legado civilizacional deixado em Á¬fri¬ca pelos portugueses. Por razões evidentes da exiguidade do tempo foi da¬da¬ prioridade a Angola, Moçambique e Guiné, onde decorreram as últimas operações militares do Império, não esquecendo igualmente o preito de ho¬me¬nagem aos que defenderam a soberania naci¬onal noutros territórios ultra¬ma¬rinos.

A Conferência terá duas partes, sendo a primeira dedicada à ocupação dos ter¬ri¬tó-rios na senda das Descobertas, que custaram muitas vidas de cidadãos nacionais, especialmente provocadas por doenças, assim como ao alarga¬men¬to progressivo do espaço em conformidade com as capacidades nacio¬nais, sem prejuízo da manutenção das posições costeiras ameaçadas por for¬ças estrangeiras, em particular europeias. A presença portuguesa neste espaço fez vingar os direitos históricos reivindicados por Portugal quando os apeti¬tes das outras potências, muito mais poderosas, se tornaram ostensivos, prin¬ci¬pal¬mente a partir do Congresso de Berlim de 1884/5. A reacção nacional ao Ultimato inglês veio provar que a tarefa ciclópica de construção de um Im¬pério que aquela ocupação constituiu, de facto, um desígnio nacional.

Este andamento dos portugueses, funcionários, empresários, comerciantes, mi¬li¬ta-res e missionários, foi algumas vezes contemporâneo, noutras antece¬deu, as migrações dos povos africanos. O processo da conquista deu origem a cho¬ques, submissões, reconhecimento de direitos, típicos de processos se¬mel¬han¬tes ocorridos ao longo da História em todas as partes do Mundo.

Importa-nos uma descrição objectiva das situações então ocorridas de acordo com os valores do tempo histórico, desmascarando enfoques que não visam a verdade, mas que se verificam, muitas vezes para denegrir a importância da presença portuguesa, num jogo de poder invisível.

Interessa reflectir sobre os encontros ocorridos entre os portugueses e os a¬fri¬ca¬nos, traduzidos em negociações amigáveis, que constituíram verdadei¬ros encontros civilizacionais. O legado mais importante deixado por Portu¬gal foi o início da constituição de Nações nos territórios definidos à custa de vidas humanas e do reconhecimento internacional dos direitos históricos so¬bre esses territórios. E é o resultado daqueles encontros e deste legado que tor¬narão indestrutíveis os laços que actualmente unem Portugal a todos os paí¬ses onde se fala a língua portuguesa.

A segunda parte da Conferência trata do esforço militar realizado por portu¬gue¬ses e africanos, civis e militares, indígenas e forças expedicionárias, nas lutas pela definição dos limites territoriais e pela consolidação da soberania, a partir dos finais do século XIX e durante a primeira década do século XX, assim como os novos problemas políticos que conduziram à Guerra do Ultramar.



quarta-feira, 18 de maio de 2011

Banqueiros:
Cronologia interessante

FERNANDO ULRICH (BPI)
Em 29 Outubro - "Entrada do FMI em Portugal representa perda de credibilidade."
Em 26 Janeiro - "Portugal não precisa do FMI."
Em 31 Março - "Por que é que Portugal não recorreu há mais tempo ao FMI?"


SANTOS FERREIRA (M-BCP)
Em 12 Janeiro - "Portugal deve evitar o FMI."
Em 2 Fevereiro - "Portugal deve fazer tudo para evitar recorrer ao FMI."
Em 4 Abril - "Ajuda externa é urgente e deve pedir-se já."
 
RICARDO SALGADO (BES)
Em 25 Janeiro - "Não recomendo o FMI para Portugal."
Em 29 Março - "Portugal pode evitar o FMI."

Em 5 Abril - "É urgente pedir apoio... já."