sexta-feira, 21 de junho de 2013
domingo, 16 de junho de 2013
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Papa Francisco:
É dever do cristão envolver-se na política
embora ela seja «muito suja»
O Papa Francisco, ao responder a uma das
perguntas feitas por um dos jovens que recebeu na Sala Paulo VI, no encontro
com alunos e ex-alunos dos colégios jesuítas da Itália e Albânia (7 de Junho),
explicou que é um dever, uma obrigação do cristão, envolver-se na política
embora ela seja «muito suja», porque aí se pode trabalhar pelo bem
comum. «Nós não podemos fazer como Pilatos e lavar as mãos, não podemos».
«Devemos participar na vida política porque a política é uma das formas mais altas da caridade, porque busca o bem comum. E os leigos cristãos devem trabalhar na política.»
«Alguém me dirá: ‘mas não é fácil’. Também não é fácil ser sacerdote. Não são coisas fáceis porque a vida não é fácil. A política é muito suja, mas eu pergunto-me: Porque será suja? Porque os cristãos não estão imbuídos do espírito evangélico».
O Santo Padre assinalou também que «é fácil dizer ‘a culpa é dos outros’... e eu, o que faço? É um dever! Trabalhar pelo bem comum é dever de um cristão! E, muitas vezes, para trabalhar, o caminho a seguir é a política».
«Devemos participar na vida política porque a política é uma das formas mais altas da caridade, porque busca o bem comum. E os leigos cristãos devem trabalhar na política.»
«Alguém me dirá: ‘mas não é fácil’. Também não é fácil ser sacerdote. Não são coisas fáceis porque a vida não é fácil. A política é muito suja, mas eu pergunto-me: Porque será suja? Porque os cristãos não estão imbuídos do espírito evangélico».
O Santo Padre assinalou também que «é fácil dizer ‘a culpa é dos outros’... e eu, o que faço? É um dever! Trabalhar pelo bem comum é dever de um cristão! E, muitas vezes, para trabalhar, o caminho a seguir é a política».
quarta-feira, 12 de junho de 2013
A política de terra queimada sobre a família
Marta
Gaspar
A
aprovação da lei da co-adopção com votos a favor, abstenções e até ausência de
inúmeros deputados da maioria PSD-CDS na Assembleia demonstra que, ao serviço
de interesses que pugnam pela destruição da célula familiar (pai, mãe e
filhos), foi dado mais um passo na instituição de uma pseudo-ética resultante
dos caprichos e das vontades de políticos ao serviço de lobbies da
minoria e não ao respeito pelo voto e pela consciência dos Portugueses.
Tal
como havia já resultado da aprovação da lei de despenalização do
aborto (cujas consequências são conhecidas e inclusive denunciadas pelos
especialistas intervenientes na sua execução), a perigosa
relativização dos valores e da essência da pessoa humana, também nesta
matéria, teve um avanço capital.
A
formatação das consciências é a principal arma dos políticos do sistema,
procurando tornar aceitáveis e dignas de crédito todas as medidas, leis e
critérios que desejam instituir nas sociedades, à luz de um projecto e de uma
nova ordem maquiavélica de estruturas que transcendem o território nacional.
A
Assembleia da República não está mandatada para votar matérias de consciência e
definir os valores essenciais da sociedade. Em matéria política fundamental,
rege a lei constitucional, boa ou má; em matéria de valores fundamentais sobre
os quais assenta e se organiza a sociedade, rege a lei natural.
Aqui regista-se a
primeira subversão de todo este processo, consistindo na captura da
sociedade e do pensamento colectivo segundo o qual a matéria agora sujeita a
legislação é matéria ordinária que visa eliminar uma fonte de
discriminação. Não é! É a defesa de um interesse minoritário, com prejuízo de
direitos que não constam de lei nem têm de constar, porque neles se funda a
ordem jurídica e os direitos constitucionais ou legalmente
consagrados, porque do domínio da ordem natural, isto é, direitos
inalienáveis das crianças e do ser humano.
A
despenalização do aborto e uma política totalmente alienada quanto a
incentivos económicos e sociais às famílias para poderem ter mais filhos,
aliadas ao apoio a uma cultura hedonista, são, para já, uma achega ao problema
demográfico, que regista uma das mais baixas taxas de natalidade do mundo.
A aprovação do chamado «casamento» entre pessoas do mesmo sexo e da lei da
co-adopção é a cereja no bolo.
Chocante
e inaceitável é o reflexo destas irresponsabilidades, egoísmos e
espírito de destruição nos mais inocentes: as crianças. Não só as que tentam
sobreviver nos ventres das mães, bem como aquelas que são vítimas de um Estado
que, não resolvendo os problemas do bem comum, também no campo da família, quer
legislar e usurpar o papel desta instituição natural. A adopção não é um
direito dos pais nem um dever do Estado. A adopção é apenas a possibilidade de
encontrar para a criança uma resposta que a ajude a superar o seu eventual
infortúnio de orfandade, algo que naturalmente só é possível no quadro de uma
referência que inclua o pai e a mãe.
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Amor ao sindicalismo!
Rui Dias Costa
Lendo,
ouvindo e vendo as posições, as atitudes e os termos desrespeitosos com que as
centrais sindicais e muito particularmente os seus principais dirigentes vêm
defendendo aquilo que consideram a defesa dos legítimos interesses dos
«trabalhadores», tenho-me questionado sobre o seguinte:
1 –
Porque será que os dirigentes sindicais se eternizam nesses lugares? Será por
altruísmo e por puro e desinteressado interesse à causa?
2 – Seria
bom conhecer quanto tempo útil de trabalho tiveram esses dirigentes nas suas
profissões de origem se é que alguma vez as tiveram.
3 –
Seria também interessante saber quantos deles estão com salários em atraso ou
«desempregados»?
sábado, 8 de junho de 2013
Simbiose «cato»-liberal
L. Lemos
O
blogue Povo, do movimento católico Comunhão e Libertação (Cón. João
Seabra, António Pinheiro Torres, Isilda Pegado, Pedro Aguiar Pinto, Aura Miguel
& Associados), é dirigido por Pedro Aguiar Pinto. O blogue Povo reproduz
enfaticamente os artigos dos liberais do blogue Cachimbo de Magritte (e
também de outros liberais dominantes nos meios de comunicação). E em
contrapartida o Cachimbo coloca o Povo entre os seus
recomendados.
Como
se sabe, segundo algumas pessoas, liberalismo e água benta ligam muito bem.
Desde que a argamassa traga massa.
Perfeita
simbiose «cato»-liberal.
Tudo
se conjuga, tudo muito coerente, tudo muito católico, tudo boa gente para
resolver os problemas de Portugal.
O
cachimbo fumega de liberalismo o povo e o povo arde no cachimbo liberal.
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Extraordinária desfaçatez
Nuno Serras Pereira
Um dito-cujo
casou-se, emprenhou a sua esposa, nasceu-lhes um filho, divorciou-se da mulher,
apegou-se sodomiticamente com um macho, «casou-se» ficcionalmente (nos termos
da «lei» intrinsecamente injusta que colabora na farsa fraudulenta), por
circunstâncias várias fica só ele com a paternidade do filho; agora exige num
berreiro de vitimização que o seu cobridor possa co-adoptar o filho, que será
um desgraçado se assim não for.
Dois ideólogos homonazis ou gayzis (o livro)
decidem, em nome da «homoparentalidade», ter um filho para estabelecerem «família».
Encomendam a um estranho a semente, que é introduzida por técnicos numa lésbica
amiga; passado o tempo, deu ela à luz a criança, que entregou àqueles dois, que
se autoproclamam orgulhosamente pais; um deles adopta «legalmente» a criança;
mais tarde entram os dois em estridentes zaragatas, que desembocam no
apartarem-se; em nome do «superior interesse» e dos «direitos» do «filho» é
gizada e reivindicada a co-adopção.
Após todas estas
brutalidades, coisificando friamente as crianças, reclamam, com extraordinária
desfaçatez, como salvaguarda imprescindível do «bem» dos «filhos» mais essa
violência desumana chamando-lhe co-adopção!
E depois nós é que somos os
agressores, violentos ofensores e algozes de seus «filhos»; pois...
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Defender a civilização
Francisco Cansado
Mais do que direitos individuais ou de grupos particulares, o que está
verdadeiramente em causa é, em primeiro lugar, a defesa da civilização Ocidental e consequentemente o nosso futuro e o dos nossos filhos.
É preciso reconhecer o veneno que nos estão a administrar e a morte
iminente que nos oferecem em troca de uma quimera suicida que não tem volta
atrás.
Portugal deve seguir o bom
exemplo.
sábado, 1 de junho de 2013
A síndrome da presunção
e a doença mental na política
Pedro
Afonso
Muitos
de nós já se terão questionado: será que o poder transforma as pessoas,
alterando-lhes a personalidade, ou será que aqueles que chegam ao poder já
apresentam traços ou características de doença psiquiátrica?
É
provável que ambas as hipóteses sejam verdadeiras, senão vejamos: um estudo
(Davidson et al.) publicado em 2006 na revista Journal of Nervous and
Mental Disease, após uma revisão de fontes biográficas de presidentes dos
EUA entre 1776 e 1974 mostrou que 18 (49%) preencheram critérios que
sugeriam doença psiquiátrica. Neste caso, depressão (24%), ansiedade (8%),
perturbação bipolar (8%) e alcoolismo (8%) foram as doenças mais frequentemente
reportadas. Também há vários relatos de que Winston Churchil sofria de
depressão, a que chamava «o cão negro». Existem ainda inúmeros elementos
biográficos que levam a suspeitar que, por exemplo, Mussolini, Mao Tse-Tung, Khrushchev e Saddam Hussein
sofriam de doença bipolar.
Em
2009, num artigo publicado na prestigiada revista Brain, David
Owen, médico e ex-ministro dos negócios estrangeiros inglês, juntamente com o
psiquiatra Jonathan Davidson, defenderam a
existência de uma doença psiquiátrica, originada pelo exercício do poder,
designada por «síndrome da presunção» (Hubris syndrome). Segundo estes autores,
esta síndrome, que partilha elementos com o narcisismo e a psicopatia,
corresponde a um padrão de comportamento provocado pela exposição a um cargo de
poder por um período variável de 1 a 9 anos. Os sintomas identificados são
vários: perda de contacto com a realidade, predisposição para ver o mundo como
um lugar para a auto-glorificação através do uso do poder, preocupação
exagerada com a imagem e a apresentação, forma messiânica de falar acerca do
que estão a fazer, utilização recorrente do «nós» em tom majestático,
identificação de si próprios (ideias e pensamentos) com o Estado, como se
fossem um só, excesso de autoconfiança com desdém perante os conselhos ou
críticas dos outros, assumir apenas responsabilidade para um
tribunal superior (história ou Deus) ao mesmo tempo que reitera a crença de que
será recompensado nesse julgamento.
O
ambiente de poder que rodeia a maior parte dos chefes de governo tem um impacto
significativo sobre estas pessoas, mesmo as mais estáveis psiquicamente, uma
vez que deixam de ter uma vida normal. Vivem muitas vezes em casas sumptuosas
do Estado, rodeados de um séquito de aduladores, têm carros com motorista,
seguranças, e deslocam-se em ambientes protegidos: de uma suíte VIP de um
aeroporto para um palácio governamental, ou para um fórum com a elite
empresarial. Ora tudo isto dá um nível de vida e um afastamento dos problemas
do dia-a-dia que só algumas pessoas muito ricas podem igualar. Mas mais
importante é que este estilo de vida origina ao líder político um grande
isolamento. Por conseguinte, este começa a acreditar que não é igual aos outros
homens. Fica emerso num mundo de ideias geradas apenas por si próprio, e aos
poucos, sem se aperceber, vai perdendo o contacto com o mundo real.
A
intoxicação pelo poder é um caminho que nem todos os indivíduos têm capacidade
para neutralizar. Muitos acabam por ultrapassar a fronteira entre a
decisão competente e a incompetência presunçosa. Os políticos, tal como os
médicos, têm a vida das pessoas que governam nas suas mãos. Nalguns casos a
responsabilidade pode ser ainda maior, já que podem decidir se colocam em risco
a vida dos seus cidadãos. Por exemplo, podem decidir subtrair os rendimentos
das pessoas, através dos impostos, remetendo os mais frágeis para a asfixia da
pobreza; podem criar um clima de insegurança e medo, roubando a esperança
no futuro a gerações inteiras; podem cobardemente incentivar a emigração ou de
forma inábil obrigarem as pessoas a viver resignadamente num país onde floresce
a miséria psicológica.
Importa
sublinhar que a síndrome de presunção é um tema controverso e não surge, pelo
menos para já, nos manuais de psiquiatria. Mas é curioso constatar que
facilmente podemos identificar algumas das características descritas nalguns
políticos portugueses. Seja como for, uma das formas mais eficazes de evitar os
efeitos devastadores dos políticos presunçosos, é através da detecção precoce
dos sinais de «intoxicação pelo poder», tais como: a crença de que o sofrimento
de um povo corresponde a lamechices, a utilização obsessiva de agências de
comunicação e de eventos organizados para autopromoção, a preocupação excessiva
pela imagem, a tentativa de controle da comunicação social, o desdém pelos
adversários políticos, a teimosia e a obstinação, o recurso a retóricas
políticas extravagantes e enganadoras, nas quais surgem frequentes
contradições, e a persistência perversa numa política que comprovadamente não
funciona.
Tal
como nas psicoses, os afectados pela síndrome da presunção não reconhecem «estar
doentes», já que para eles isso é um sinal de fraqueza. Ou seja, raramente se
demitem, devendo por isso serem demitidos. Para bem da sociedade e dos
governantes afectados, os médicos que descreveram esta síndrome afirmam que ela
tem cura, já que é propensa a desaparecer com o afastamento do poder.
Finalmente, e citando Chesterton, a perfeita autoconfiança não é apenas um
pecado; a perfeita autoconfiança é uma fraqueza. Os homens que acreditam «demasiado»
em si mesmos estão todos fechados nos manicómios.
quinta-feira, 30 de maio de 2013
Um direito desumano
Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada
Se se entende que duas pessoas do mesmo sexo podem ser dois bons «pais»
ou «mães», porque não permitir que três ou mais indivíduos do mesmo sexo possam
adoptar?!
No passado dia 17 de Maio de 2013, a Assembleia da República aprovou, na generalidade, a
lei da co-adopção pelo parceiro do progenitor, em uniões de pessoas do mesmo
sexo.
É por um imperativo de não-discriminação que se defende que também às
uniões, ditas homossexuais, se reconheça o que já é permitido aos casais, ou
seja, à união de um homem e uma mulher. Contudo, a justiça não obriga a tratar
todos por igual, mas a dar a cada qual o que lhe é devido. A justiça fiscal
discrimina os cidadãos em função dos seus rendimentos; se o não fizesse, seria
profundamente injusta. Uma autarquia, uma sociedade anónima e uma associação de
columbófilos podem ter personalidade jurídica, mas é razoável que a lei não
lhes permita o casamento, nem a adopção de menores. É uma discriminação em
relação às pessoas singulares? Sem dúvida, mas é legítima, como justa é a
interdição da adopção para uniões não equiparáveis à família natural, que é a
união de um homem e uma mulher.
Os defensores do pretenso direito à adopção esquecem que não há, nem
pode haver, um direito a ter filhos, naturais ou adoptivos. Não o têm os casais
naturais – quanto muito, uma mera expectativa – nem as uniões de pessoas do
mesmo sexo e, se aqueles podem adoptar e estes não devem fazê-lo, é porque o
Estado deve facultar ao menor órfão, ou filho de pais ausentes ou
incapacitados, um pai e uma mãe, ou seja, uma família natural. Só na
impossibilidade de adopção, dever-se-ia entregar a criança sem pais a uma
instituição social que, como a união de duas pessoas do mesmo sexo, também não
é, em sentido próprio, uma família.
Um homem singular pode ser um bom pai, como uma única mulher pode ser
uma boa mãe e, por isso, é razoável que um só indivíduo possa adoptar. Mas dois
homens ou duas mulheres, não só não são melhores pais ou mães – na realidade,
só um deles poderá ser, verdadeiramente, pai ou mãe – como, em caso algum,
podem ser pai e mãe, o que só poderá ocorrer se forem, respectivamente, homem e
mulher.
Por outro lado, se se entende que duas pessoas do mesmo sexo podem ser
dois bons «pais» ou «mães», por que não permitir que três ou mais indivíduos do
mesmo sexo, possam adoptar?! Afinal de contas, a exigência da
heterossexualidade do casal é tão natural quanto a sua composição dual: se duas
pessoas, do mesmo sexo, podem ser casal e família, porque não três, quatro ou
cinco?! A obrigação legal de o casal serem só dois não será também
preconceituosa?!
De facto é e, nisto, os defensores da co-adopção têm toda a razão. É um
preconceito, como preconceituosa é também a essência heterossexual do casal. É
um preconceito porque é uma realidade anterior a qualquer racionalização do
amor, da família ou da geração: a natureza heterossexual da união fecunda não
decorre de nenhuma ideologia, cultura ou religião, mas é uma realidade
originária e natural e, apenas neste sentido, é um pré-conceito. É uma
realidade aliás universal, porque 97% das uniões estáveis são constituídas, em
todo o mundo, por pessoas de diferente sexo e 100% dos casais naturalmente
fecundos são heterossexuais. É por isto que o casamento é matrimónio: a união
que faz da mulher mãe, ou mater, em latim, porque, quando se exclui a
geração, não há verdadeiro casamento, nem família.
A nova lei foi saudada como um avanço civilizacional. Mas, se assim é,
por que razão os deputados a aprovaram, na generalidade, de forma tão apressada
e sigilosa? Se são cientes da sua transcendência, não seria lógico que
exigissem uma maioria qualificada, como se requer para as reformas
constitucionais? Será que temem o veredicto popular? Será que sabem que a
grande maioria das pessoas não concorda com a nova lei?
Uma grande vitória para os direitos humanos? Que uma criança tenha,
legalmente, dois «pais» ou duas «mães» é tudo menos humano, porque o que é
próprio da natureza humana é ser-se filho de um só pai e de uma só mãe. É
desumano que o filho, privado do seu pai, ou da sua mãe, veja esse seu
ascendente substituído pelo parceiro do outro progenitor. A nova lei, portanto,
não consagra nenhum novo direito humano, mas talvez, por desgraça, o primeiro
pseudo-direito desumano.
terça-feira, 28 de maio de 2013
O Centenário de Álvaro Cunhal
João J. Brandão Ferreira
Com um espectáculo bem montado correm as
comemorações sobre o centenário de um cidadão nascido em Portugal, a quem foi
dado o nome de baptismo de Álvaro Barreirinhas Cunhal (AC).
O moço cresceu varonil e foi revelando um
conjunto de qualidades difíceis de reunir numa mesma pessoa: inteligência,
coragem e determinação, invulgares; sensibilidade artística aliada a uma
inegável força psíquica interior; rara intuição, cultura e coerência política;
frieza de raciocínio e calculismo na organização e planeamento; ascetismo,
discrição e exemplo nas atitudes, etc.
Testemunhos dados à estampa levam-nos a pensar,
até, que o personagem tinha espírito de humor, gostava de petiscos e era um
pai, irmão e companheiro, extremoso.
Este, em traços gerais, o retrato que nos
aparece do homem, se bem que ele nos tivesse sempre induzido a pensar que não
pertencia ao género humano.
Este homem, porém, cresceu e desenvolveu-se
embebedando-se (como diria Pessoa) de leituras e convicções marxistas,
fixando-se a sua matriz política final, na mais depurada ortodoxia comunista.
Afirmando-se ateu foi, afinal, um crente.
Substituiu, apenas, o dogma católico de sua mãe, pelo dogma do
Marxismo-Leninismo. Em vez de Deus serviu o Diabo – na eterna luta entre o Bem
e o Mal…
Nele, Álvaro, o ideal comunista – uma doutrina
profundamente errada por economicamente incompetente, socialmente redutora,
inexequível por anti-natural e de implantação tirânica e sanguinária –
plasmou-se como uma verdade absoluta, irredutível, terminal.
Uma ciência infalível, mítica, criadora de um «homem novo», em que os fins justificavam todos os meios.
Nessa voragem apocalíptica se empenhou até ao
fim, sem tergiversar, mesmo depois de Gorbatchev e a queda do muro de Berlim,
ter deixado o Comunismo órfão e definitivamente desacreditado. Numa coerência,
que muitos sublinham como atributo admirável, esquecendo-se de acrescentar que
foi uma coerência no erro!
E uma coerência de Anjo caído, maligna.
Não sendo suficiente ter o erro como objectivo e
a perfídia como meio, fazia parte da essência da ideologia torná-la extensiva a
todos os povos da terra, assim como o imperialismo napoleónico quis transportar
a «luz» da «Liberdade, Igualdade e Fraternidade» – antepassado remoto do novo «sol
na terra» – na ponta das baionetas, a fim de libertar os povos dos seus «tiranos».
Os portugueses sabem bem o que isso foi, pois
ficaram com a terra retalhada e cerca de 10% dos seus, trucidados no processo.
Alguns descendentes jacobinos ainda hoje lhes tecem loas…
O «quartel-general» das forças «vermelhas» da «foice
e martelo, em punho», que passaram a querer impor o modelo ao planeta,
situava-se no centro geopolítico do antigo Ducado da Moscóvia – num antigo
edifício conhecido por Kremlin – a quem todas as forças espalhadas pelo mundo
passaram a reportar e a obedecer.
O mesmo se passou com o PCP, desde a sua
fundação, em 1921, atingindo especial fulgor e empenho, justamente, durante a
direcção de AC.
Nisto se consubstanciou a primeira traição do «Comité
Central», à Nação que queriam governar.
Por outras palavras, o PCP nunca se pôde
considerar um partido português e serviu sempre de correia de transmissão de
uma potência estrangeira, inimiga de Portugal: a URSS.
Não ficou por aqui a traição do PCP – o termo é
este, e o crime que configura sempre fez parte (e ainda faz) do Código Penal
Português – pois quando os territórios ultramarinos portugueses começaram a ser
atacados desde os anos 50 pelo capitalismo apátrida e pelo Comunismo (então
ampliado pelo «Terceiro-Mundismo») o dito Partido, que tem o supremo despautério
de se dizer «patriota», colocou-se ao lado destes últimos e dos movimentos
subversivos que nos emboscavam as tropas, promovendo, ainda, a subversão na
retaguarda – incluindo a violenta – que era a Metrópole.
E assim se mantiveram até ao golpe de estado de
25/4/1974, quando ajudaram a atirar o poder para a rua; ao abastardamento das
FA e à criminosa «Descolonização», atitude que fez averbar à URSS, a sua maior
vitória, no último pico da Guerra-Fria.
Por tudo isto as cerimónias do nascimento de AC
deveriam ter lugar em Moscovo – numa praça esconsa por, entretanto, o povo
russo se ter livrado dos «slogans» do «comunismo científico», do «materialismo
dialéctico» e do «internacionalismo proletário», que custaram à Humanidade
centenas de milhões de mortos e sofrimentos inomináveis, apenas comparáveis ao
flagelo das hordas de Tamerlão!
Por isso ter cartazes no Liceu Camões, em Lisboa (por ex.), onde se pode ler que AC foi «um grande lutador pela Liberdade, Democracia e Socialismo» é apenas um exemplo despudorado de como «com papas e bolos se enganam os tolos»…
AC era comunista, não socialista; «liberdade» na boca de um comunista é impropério e «democracia» é apenas fachada de uma parede falsa (eles até dizem que é «de vidro»). Pode, até, ser considerado ofensivo para quem milite em semelhante ideologia…
E ver o brilhozinho nos olhos da Judite de Sousa, no programa da TVI, que incensou o personagem é perfeitamente patético e delirante. Deviam enviá-la à Coreia do Norte fazer reportagens, sem se esquecer de levar uns euros – da larga soma com que a ressarciam para fazer destas «reportagens» – a fim de poder distribuir uns óbolos, com que os famintos de lá, pudessem sorver umas malgas de arroz.
Por isso ter cartazes no Liceu Camões, em Lisboa (por ex.), onde se pode ler que AC foi «um grande lutador pela Liberdade, Democracia e Socialismo» é apenas um exemplo despudorado de como «com papas e bolos se enganam os tolos»…
AC era comunista, não socialista; «liberdade» na boca de um comunista é impropério e «democracia» é apenas fachada de uma parede falsa (eles até dizem que é «de vidro»). Pode, até, ser considerado ofensivo para quem milite em semelhante ideologia…
E ver o brilhozinho nos olhos da Judite de Sousa, no programa da TVI, que incensou o personagem é perfeitamente patético e delirante. Deviam enviá-la à Coreia do Norte fazer reportagens, sem se esquecer de levar uns euros – da larga soma com que a ressarciam para fazer destas «reportagens» – a fim de poder distribuir uns óbolos, com que os famintos de lá, pudessem sorver umas malgas de arroz.
Afinal comunismo é isso: distribuir por igual os
ganhos obtidos…
Que a maioria da população, com especial
destaque para as camadas mais instruídas, forças políticas e órgãos de
comunicação social, assistam a tudo isto com uma passividade bovina é que é
verdadeiramente preocupante.
Não conseguir reagir às mais grosseiras mentiras
– «uma mentira repetida mil vezes, torna-se uma verdade», é uma das receitas
mais afamadas do cardápio leninista – como é o caso da exploração do infeliz
incidente com a Catarina Eufémia, em Baleizão, é de uma perigosidade sem
limites.[1]
Enfim, qualquer dia ainda lhe fazem uma estátua
(ao AC) – paga com os nossos impostos – e transladam os restos mortais de tão
prestimoso defensor da classe operária (se bem que os descendentes das vítimas
das purgas no interior do Partido, devam ter ideia diferente) para o Panteão
Nacional…
Assim se preservam para o futuro as indignidades
históricas, as mentiras políticas e as perversões humanas.
Aguardo que as «despesas» sobre este assunto não
fiquem apenas por minha conta.
[1] Pelo que se sabe a pobre da moça nunca foi do
PCP, não estava metida em nenhum protesto e foi atingida, por um disparo
furtuito da Pistola – Metralhadora FBP, do Tenente Carrajola que,
acidentalmente, caíu ao chão. Resta acrescentar que o pessoal do posto da GNR,
a quem pertencia a força presente no local, se quotizou para pagar o funeral.
sábado, 25 de maio de 2013
Advogados contestam
posição de Marinho Pinto
sobre adopção gay
(Artigo do jornal Público)
Bastonário tinha defendido
proibição da adopção
por casais homossexuais.
Um grupo de advogados enviou nesta quarta-feira
ao Parlamento uma carta aberta em que contesta as posições assumidas pela ordem
profissional que os representa sobre a adopção de crianças por casais
homossexuais. A questão será votada quinta-feira na Assembleia da República,
tendo o bastonário, Marinho e Pinto, defendido que «o desenvolvimento
harmonioso da personalidade da criança exige um pai homem e uma mãe mulher –
e não um homem a fazer de mãe e uma mulher de pai».
Para os subscritores da carta aberta, entre os
quais se conta a mãe de Francisco Louçã, Noémia Anacleto, o parecer da ordem «não respeita os
princípios enformadores do Direito, carece de fundamentação factual de suporte
e ilegitimamente assume uma posição que, certamente, uma parte muito
significativa dos advogados deste país não subscreverá». Ou, como diz uma das
suas promotoras, Lúcia Gomes, «revela um grande preconceito».
«O Instituto Superior de Psicologia Aplicada
afirmou em documento de Janeiro de 2013 que, do ponto de vista do
desenvolvimento emocional e psicológico das crianças, não há motivos que
justifiquem a impossibilidade legal de nascerem ou de serem educadas quer por
um casal do mesmo sexo quer por uma pessoa singular de orientação sexual
homossexual ou bissexual», assinala a carta.
Marinho Pinto não se mostra incomodado com a
contestação e diz que enquanto for bastonário a Ordem dos Advogados «não mudará de maneira
nenhuma de posição», mesmo que os «colegas homossexuais se
sintam discriminados».
«Manterei este parecer contra ventos e marés», declara o
representante máximo dos advogados. «Reflecte uma posição largamente maioritária
entre os advogados. A natureza exige o masculino e o feminino para fecundar. Não permite que duas
pessoas do mesmo sexo procriem».
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Não há crise para quem a comenta
«O império dos comentadores onde quem manda são os políticos» é o título de artigo de hoje no Público, que contém alguns números estonteantes.
Para começar este: «Se aos quatro canais generalistas
se juntarem os canais de informação portugueses no cabo (RTP Informação, SIC
Notícias e TVI24), é possível assistir a 69 horas de comentário político por
semana. O equivalente a quase três dias completos em frente à televisão.»
Que ninguém se queixe de falta de interesse das televisões pela política: mais
do que isto só futebol!
Dos 97 comentadores com presença semanal na
televisão, 60 são actuais ou ex-políticos. Sem espanto, em termos de
número de comentadores, o primeiro lugar do pódio é ocupado pelo PSD, seguido
pelo PS e pelo CDS. E embora o PCP tenha mais deputados na Assembleia da
República do que o Bloco, este está quantitativamente melhor representado.
Mas os números de facto impressionantes, se
verdadeiros, são alguns (poucos) que são divulgados quanto à maquia que estes
senhores levam para casa. E se não me suscita qualquer aplauso o facto de José
Sócrates ter querido falar pro bono na RTP (a que título?), considero
um verdadeiro escândalo que Marcelo Rebelo de Sousa ganhe 10.000 euros / mês
(mais do que 20 salários mínimos por pouco mais de meia hora por semana a dizer
umas lérias), Manuela Ferreira Leite metade disso e que Marques Mendes tenha
preferido passar para a SIC por esta estação ter subido a parada da TVI que só
lhe propunha 7.000. Claro que estamos a falar de estações privadas, em
guerras de concorrência. Mas algo de muito estranho e esquizofrénico se passa
num país quando o valor de mercado destes senhores é deste calibre. Estaremos
em crise, mas comentá-la compensa e recompensa – e de que maneira!
DE -
João José Cardoso
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Putin estuda como não permitir
que «casais» invertidos adoptem
crianças russas em França
O presidente russo,
Vladimir Putin, pediu esta sexta-feira que se modifiquem os acordos bilaterais
em matéria de adopção com a França para evitar que as crianças do seu País
sejam entregues a casais invertidos após a aprovação legal das uniões invertidas.
«Precisamos de reagir ao
que acontece à nossa volta. Respeitamos os nossos parceiros, mas pedimos que
respeitem as nossas tradições culturais, as nossas normas éticas, legislativas
e morais», disse Putin citado pelas agências locais.
Putin respondeu assim à
proposta apresentada pela presidente da assembleia do enclave báltico de Kaliningrado,
Marina Orguíeva, que sugeriu mudanças no acordo com a França para que as
crianças russas não sejam adoptadas por casais invertidos.
«Você tem razão (...).
Considero que temos motivos para introduzir mudanças no chamado documento. O
assunto está em aberto, temos que pensar sobre isso», acrescentou Putin.
O acordo bilateral com a
França foi assinado em Novembro de 2011 e ratificado em Julho do ano passado.
A vice-presidente do comité
para os Assuntos da Família da Duma Baixa e deputada oficialista, Olga
Vatálina, assegurou que para emendar o acordo bilateral com Paris seria
suficiente receber a conformidade, por escrito, dos franceses.
«A legalização das uniões invertidas
preocupa muito os deputados, que reagiram de maneira sensível perante esta decisão
em França e estão categoricamente contra a possibilidade da adopção de crianças
russas por parte de famílias do mesmo sexo», assinalou.
O Defensor do Menor, Pável
Astájov, que depende directamente do Kremlin, já expressou em várias ocasiões a
sua oposição a que os casais invertidos adoptem crianças. O funcionário disse
que a Rússia fará tudo o que for possível para impedir que no país se repita a
situação da Espanha, Canadá ou França.
segunda-feira, 29 de abril de 2013
A Sociedade Portuguesa de Autores
recusa o «Acordo Ortográfico»
A SPA não adopta o novo acordo ortográfico
perante as posições do Brasil e de Angola sobre a matéria
A SPA
continuará a utilizar a norma ortográfica antiga nos seus documentos e na
comunicação escrita com o exterior, uma vez que o Conselho de Administração
considera que este assunto não foi convenientemente resolvido e se encontra
longe de estar esclarecido, sobretudo depois de o Brasil ter adiado para 2016
uma decisão final sobre o Acordo Ortográfico e de Angola ter assumido
publicamente uma posição contra a entrada em vigor do Acordo.
Assim,
considera a SPA que não faz sentido dar como consensualizada a nova norma
ortográfica quando o maior país do espaço lusófono (Brasil) e também Angola
tomaram posições em diferente sentido. Perante esta evidência, a SPA continuará
a utilizar a norma ortográfica anterior ao texto do Acordo, reafirmando a sua
reprovação pela forma como este assunto de indiscutível importância cultural e
política foi tratado pelo Estado Português, designadamente no período em que o
Dr. Luís Amado foi ministro dos Negócios Estrangeiros e que se caracterizou por
uma ausência total de contactos com as entidades que deveriam ter sido
previamente ouvidas sobre esta matéria, sendo a SPA uma delas. Refira-se que
também a Assembleia da República foi subalternizada no processo de debate deste
assunto.
O
facto de não terem sido levadas em consideração opiniões e contributos que
poderiam ter aberto caminho para outro tipo de consenso, prejudicou seriamente
todo este processo e deixa Portugal numa posição particularmente embaraçosa,
sobretudo se confrontado com as recentes posições do Brasil e de Angola.
Lisboa, 9 de Janeiro de 2013
Lisboa, 9 de Janeiro de 2013
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Argumento irrebatível para «desaplicar» o AO
Ivo Miguel Barroso
1.º – A Resolução do Conselho de Ministros (RCM) n.º 8/2011, de 25-1,
mandou aplicar o AO à Administração Pública e a todas as publicações no Diário
da República (DR), a partir de 1-1-2012, bem como ao sistema educativo, a
partir de Setembro de 2011. Ou seja, a RCM antecipou o fim do prazo de
transição (17-9-2016) em 4 anos e 9 meses (!) para a Administração e DR, e em 5
anos para o ensino.
É curioso verificar que a «fonte de obrigatoriedade» no nosso país de «aplicação»
do AO seja um «regulamento administrativo» independente, flagrantemente
inconstitucional a título orgânico (invade a reserva de lei da AR – art. 165/1,
b), da Constituição (CRP)) e formal (não é um decreto regulamentar – art.
112/6). A RCM é aplicável às publicações no DR. Ora, a RCM nunca deverá ser
aplicada a actos de órgãos de pessoas colectivas que exercem outras funções
jurídicas do Estado diversas da f. administrativa, sob pena de incorrer o grave
vício de usurpação de poderes. A RCM não deveria ter sido aplicada nem à AR
(exerce a função (f.) legislativa e a política), nem ao PR (f. política), nem
aos tribunais (f. jurisdicional); nem a privados (com excepção das escolas
particulares).
2.º – A maioria das normas do AO e das Resoluções que o implementam são
inconstitucionais.
As pessoas que se queiram informar poderão ver as minutas (funcionários
públicos, professores, pais e encarregados de educação, autores, particulares),
no grupo «Em acção contra o AO», a que convido todos os anti-acordistas a
aderir.
3.º – Em todo o caso, porque explicar as razões de inconstitucionalidade a
não juristas pode levantar dúvidas aos superiores hierárquicos, etc., há uma
forma, muito simples e eficaz de uma pessoa se eximir a uma «ordem de aplicação»
do AO.
Lendo a petição, disponível no grupo «Em acção contra o AO» do Facebook,
fica comprovado cientificamente que o AO é violado:
1) pelo conversor «Lince» (oficial, criado pela RCM);
2) pelos restantes instrumentos: Vocabulário Ortográfico do Português
(VOP); pelos correctores privados, v. g., da Porto Editora, etc.; e ainda o
VOLP brasileiro de 2009 (foi intentada uma acção popular no Brasil, por violar
o AO). Este argumento, de o AO ser violado por todos os instrumentos de alegada
«aplicação», é irrebatível, demonstrando as contradições de quem é «acordista»,
mas, ao tentar sê-lo, viola o próprio AO. Logo, ninguém pode utilizar os
instrumentos aludidos, sob pena de ilegalidade sui generis, por violação do
tratado internacional do AO. Basta alegar isto, para que qualquer pessoa se
possa eximir à «aplicação» do AO: não se pode «aplicar» o AO violando-se o
próprio AO... Com tanto mais razão, se uma pessoa for favorável ao AO («acordista»),
então é que não pode mesmo utilizar o «Lince» nem os correctores; pois estaria
a atraiçoar o AO.
4.º – A utilização do «Lince» viola regras elementares de citação das
obras, adulterando a sua ortografia original. Viola também o direito ao nome
(por ex., o apelido «BaPtista» é mudado para «Batista»).
O VOP também viola o AO (v. audição de Vasco Teixeira, da Porto Editora,
no Grupo de Trabalho de Acompanhamento do AO, na 8.ª Comissão da AR).
5.º – Note-se que o AO difere do que designo por «acordês»; ou seja, dos
instrumentos que, alegadamente, o «aplicam», mas que, na verdade, o violam. A «criatura»
rebela-se contra o criador. O exposto deve-se às debilidades científicas na
base do AO (o «critério da pronúncia»; a propalada aproximação da linguagem
escrita à linguagem oral, obsoleta desde os anos 60), que geram discrepâncias,
na prática, entre as várias formas de grafar um lema; e também devido às
facultatividades, que o «Lince», por ex., não reconhece como válidas.
6.º – Em conclusão, exercer o direito-dever (por parte de entidades
públicas) de não aplicar normas inconstitucionais, bem como o direito de
resistência (por parte dos particulares – art. 21.º da CRP) podem ser muito
facilmente exercidos.
quinta-feira, 18 de abril de 2013
PEN Internacional
condena por unanimidade
o Acordo Ortográfico
Teresa Salema e Maria do Sameiro Barroso
Foi aprovada por unanimidade no 78.º Congresso do PEN Internacional, que
reuniu na Coreia delegações de 87 Centros de todo o mundo entre 9 e 15 de
Setembro de 2012, uma resolução do Comité de Tradução e Direitos Linguísticos
(CTDL) que manifesta uma evidente preocupação pela ameaça à língua portuguesa
representada pelo Acordo Ortográfico de 1990 (AO/90). Tal resolução, traduzida
na íntegra a seguir, inclui anexos explicativos de todo o processo. A
incredulidade manifestada pela maioria dos escritores presentes, que se
interrogavam como se teria chegado a tal situação, justificou a
posteriori tal inclusão.
O processo que conduziu à redacção da mesma Declaração teve início no
inquérito realizado pelo PEN Clube Português entre os seus sócios, tendo a
esmagadora maioria rejeitado o AO 90 e declarado expressamente a conveniência
de uma actuação por parte da actual direcção. No encontro de Barcelona do CTDL,
de 4 a 6 de Junho de 2012, os resultados desse inquérito foram relatados pela
Vice-Presidente, Maria do Sameiro Barroso. Na sequência de tal partilha de
preocupações por uma situação que contraria os princípios do Manifesto de
Girona do CTDL, foi redigida pelo PEN Internacional a subsequente Declaração.
Durante a Assembleia Geral na Coreia, a discussão deste tema foi
introduzida por uma declaração da Presidente do PEN Clube Português, Teresa
Salema (delegada oficial ao Congresso com Maria do Sameiro Barroso),
manifestando uma preocupação pela situação com que um número crescente de
escritores e tradutores se vê confrontado. A alternativa que se coloca aos
primeiros, na medida em que não se identifiquem com o AO/90, ou de deixarem que
os seus textos sejam convertidos para uma ortografia que lhes é alheia, ou de
não verem as suas obras publicadas, foi por todos sentida como um problema
complexo. Também os tradutores que em princípio não pretendam seguir o AO/90 se
vêem submetidos às imposições administrativas e comerciais, como sublinha a
resolução do PEN Internacional.
Na discussão houve intervenções de colegas de vários Centros,
nomeadamente por parte do Centro PEN galego, manifestando a sua afinidade na
diferença linguística e reiterando o seu apoio incondicional à Declaração.
Também o Centro PEN alemão repudiou firmemente a ingerência de autoridades
governamentais em assuntos linguísticos de reconhecida complexidade. O
presidente do Comité de Escritores para a Paz sublinhou a sua preocupação pela
divisão – e possível aumento de conflitualidade – que tais medidas estão a
causar entre os cidadãos portugueses. Todos sentiram ainda o carácter nocivo e
desestabilizador de uma medida que fere os princípios pedagógicos da
democracia, nomeadamente a intenção de contribuir para um aprofundado contacto
de amplas camadas das populações com a diversidade linguística e a herança
cultural.
O PEN Internacional, como sublinhou o presidente John Ralston Saul,
reeleito no Congresso para um segundo mandato de 3 anos, é o único fórum
mundial de escritores existente. Neste espírito compete ao PEN Clube Português,
como membro do PEN Internacional, defender os princípios e as práticas da
liberdade de expressão, bem como do debate esclarecido e empenhado, sobretudo quando
está em causa o nosso principal instrumento de trabalho, a língua portuguesa.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Declaração do Comité de Tradução
e Direitos Linguísticos do PEN Internacional
sobre a proposta
de estandardização internacional
da língua portuguesa
O Comité de Tradução e Direitos Linguísticos (CTDL) do PEN Internacional foi solicitado a comentar o Acordo entre os Estados de língua portuguesa empenhados num programa de estandardização ortográfica (Acordo Ortográfico de 1990/AO 1990). Esse pedido para examinar as alterações propostas foi iniciado pelo Centro português do PEN, cujos membros se opõem maioritariamente à estandardização internacional proposta. O encontro do CTDL em Barcelona (4-6 de Junho de 2012) expressou uma grande simpatia pela posição do PEN português e pediu que o Acordo internacional fosse examinado. Deve ser dito que muitos outros escritores, figuras públicas e linguistas questionam igualmente se as tentativas de aproximação de um Português estandardizado e universal serão uma boa ideia.
A história de tais tentativas no mundo lusófono apenas demonstrou quão difícil é tal questão. Em anexo com tentativas anteriores é adicionado no final do texto. Mais do que uma vez essas tentativas fracassaram.
Em comparação com a história recente de outras línguas internacionais, pode ver-se também que a ideia de estandardização além-fronteiras tem sido rejeitada mais vezes do que aceite.
Aparentemente, as duas forças condutoras por detrás do plano de estandardização do Português são de natureza administrativa e comercial. Se assim é, trata-se de fracos pontos de partida que podem prejudicar seriamente a língua portuguesa. Uma língua não é, primariamente, um instrumento administrativo ou comercial. Estes aspectos equivalem a actividades superficiais e utilitárias que requerem o que poderia chamar-se dialectos simplificados, tangenciais à língua viva. Uma língua viva favorece a criatividade, a imaginação, a iniciativa científica; ela adapta-se ao mundo real no qual vivem pessoas com as suas múltiplas diferenças e particularidades.
Tentar centrar uma língua em prioridades administrativas e/ou comerciais é enfraquecê-la ao atacar a sua complexidade e criatividade inata a fim de promover métodos burocráticos de natureza pública e privada.
No que diz respeito aos precedentes históricos, não é claro que essa iniciativa seja o resultado de uma reflexão clara sobre experiências ocorridas noutros lugares. Por exemplo, é amplamente aceite o facto de a tentativa centralizante, ao longo de vários séculos, para criar e manter um Francês universal, como foi levada a cabo em Paris, teve o efeito de alienar, a longo prazo, as populações em relação a essa língua sempre que era oferecida uma alternativa através de outras línguas mais abertas à criatividade local. Um resultado negativo prático foi um efeito de refrear a criação natural de vocabulário, seguido de uma retracção do vocabulário. A força motriz da língua francesa hoje em dia, com origem em todas as suas bases pelo mundo fora, é de tender para uma inclusão das diferenças na língua. O resultado é a possibilidade crescente de uma atmosfera nova e muito positiva em torno do Francês, por exemplo em África.
No que toca ao Inglês, houve tentativas equivalentes para uma aproximação universal no tempo do Império Britânico. Contudo, a força das regiões anglófonas (situação similar à do Português) levou a que tais regras tivessem sido quebradas tanto internacional como naturalmente. A força do Inglês actual é amplamente atribuída à sua abertura face às diferenças – a diferentes gramáticas, ortografias, palavras e, na realidade, significados. Uma das características mais positivas de qualquer língua internacional é o facto de palavras, ortografias, gramática, frases e sotaques assumem significados assaz diferentes como resultado de experiências locais ou regionais. Estas diferenças fazem frequentemente o seu caminho para além das fronteiras e são absorvidas por outras regiões anglófonas. É a natureza competitiva, independente e divergente das regiões inglesas que se tornou na marca distintiva da sua força – a sua criatividade quer na ciência, na literatura, no negócio ou, de facto, nas ideias. Existem tentativas constantes de ‘normalizar’ ou ‘centralizar’, tais como a norma estilística de Chicago. Contudo, tais tentativas, mais do que qualquer outra coisa, vão ao encontro das forças reais das línguas.
Exactamente o mesmo argumento poderia ser apontado para explicar a força crescente do espanhol como língua internacional. São precisamente as diferenças locais, nacionais e hemisféricas dentro da língua espanhola que lhe conferem uma força crescente. As diferenças nutrem-se mutuamente. A criação do Dicionário da Real Academia Espanhola, em cooperação com as Academias de língua espanhola em todo o mundo, tinha como objectivo incluir todas essas diferenças. Neste sentido, a tendência para uma celebração das diferenças dentro da língua espanhola foram paralelas à mesma abordagem, adoptada pelos maiores dicionários da língua inglesa.
Tanto quanto podemos ver, não há nada na iniciativa portuguesa que faça mais do que limitar a força natural da língua, tentando limitar a sua criatividade através de um colete-de-forças de regras burocráticas. Por exemplo, ao propor essa estandardização como requisito para os manuais escolares, as autoridades estarão efectivamente a limitar a criatividade de escritores em muitas partes do mundo lusófono. Tão pouco existe qualquer indicação de que tal estandardização conduza a um aumento no comércio dos livros entre as várias partes do mundo lusófono.
Finalmente, deveria ser sublinhado o facto de terem sido feitas numerosas excepções à proposta de estandardização, criando assim um conjunto de contradições linguísticas burocráticas que interferem com a configuração das diferenças que é real, original e criativa.
Estamos desapontados pelo facto de as autoridades que, qualquer que seja o seu poder, não possuem real competência em relação ao modo como as línguas vivem e crescem, tentarem limitar a força do Português ao imporem regras artificiais destinadas a minar a força de todas as línguas – ou seja, a sua capacidade de se reinventarem constantemente. Para isto, uma simples aceitação de uma diversidade de abordagens, habitualmente emergindo de diferentes regiões, é essencial. Duvidamos muitíssimo que essa proposta de estandardização produza outros efeitos para além de burocratizar os textos usados nas escolas, separando assim os alunos da real criatividade da língua portuguesa, nos planos regional e internacional.
Notas para os editores:
O PEN Internacional celebra a literatura e promove a liberdade de expressão. Fundado em 1921, a nossa comunidade global de escritores compreende hoje 144 Centros em mais de 100 países. Os nossos programas, campanhas, iniciativas e publicações ligam entre si escritores e leitores em prol de uma solidariedade e cooperação globais. O PEN Internacional é uma organização não-política e detém um estatuto consultivo nas Nações Unidas e na Unesco.
Para mais informações e para solicitar entrevistas contactar p.f. a nossa secção de imprensa:
penoffice@pen-international | press@pen-international.org
| + 44 (0) 20 7405 0338.
Ou contactar a nossa Directora Executiva Laura McVeigh:
+44 (0)7824640527
www.pen-international.org | @pen_int
ANEXO
· 1911: Primeira reforma ortográfica em Portugal.
· 1931: Acordo Ortográfico entre Portugal e o Brasil. Não implementado.
· 1943: A primeira reforma ortográfica do Brasil é delineada no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa pela Academia das Letras em Lisboa e no Formulario Ortográfico pela Academia Brasileira de Letras.
· 1943: Acordo Ortográfico entre os dois países.
· 1945: Acordo de 1943 ratificado em Portugal mas rejeitado pelo Congresso brasileiro. O Brasil continua com o Formulário Ortográfico.
· 1971: Reforma ortográfica rasante no Brasil.
· 1973: Portugal segue o Brasil ao abolir acentos nas sílabas não tónicas.
· 1975: Início de um novo acordo planeado, mas suspenso devido á situação política em Portugal.
· 1986: O Brasil convida os outros seis países lusófonos, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe para uma reunião no Rio de Janeiro para tratar dos restantes problemas. Planeia-se uma reforma radical por todas as partes, intitulada Bases Analíticas da Ortografia Simplificada da Língua Portuguesa de 1945; renegociadas em 1975 e consolidadas em 1986. Mal recebida pelos media e pelo público tanto no Brasil como em Portugal e subsequentemente abandonada.
· 1990: Chega-se a um novo Acordo Ortográfico entre o Brasil, Portugal e os outros países lusófonos. Este Acordo privilegia os critérios fonéticos em desfavor dos etimológicos. Inicialmente previsto para entrar em vigor em Janeiro de 1994, porém não é ratificado por todas as partes envolvidas e consequentemente não entra em vigor.
· 1998: É redefinida a data do projecto de 1990.
· 2004: Um encontro em São Tomé cria um novo Protocolo, chamado Protocolo Modificativo, que estabelece que são necessários apenas 3 signatários para se alcançar um acordo. O Brasil ratifica o diploma de 1990. Timor-Leste, recentemente independente (2002), assina o Acordo.
· 2006: O Brasil, Cabo Verde, São Tome e Príncipe ratificam o Protocolo Modificativo de 2004.
· 2008: Portugal ratifica o Protocolo Modificativo.
· 2009: A reforma ortográfica de 1990 entra em vigor no Brasil.
· 2010: Todos os países lusófonos ratificaram o Acordo excepto Angola e Moçambique. É estabelecido um período de transição em Portugal, terminando em 2015. As escolas principiam a implementar o Acordo no ano académico de 2011/2012.
· 2012: Embora o governo de Moçambique aprovasse o Acordo, o Parlamento não o ratificou. Tal ratificação é necessária para uma entrada em vigor. Angola ainda debate o Acordo e não o ratificou.
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