quinta-feira, 9 de julho de 2015
E se a Grécia sair do euro?
Diversos autores
Sempre que um país passa por problemas económicos, surge um grupo de economistas dizendo que tudo pode ser corrigido caso o governo desvalorize simplesmente a moeda — isto é, deprecie a sua taxa de câmbio.
Apesar de não ser possível encontrar um exemplo de país que tenha saído da pobreza e se tenha tornado próspero depreciando a sua moeda em relação às outras, tal «solução» segue impavidamente em moda. A desvalorização da moeda é uma panaceia que ainda atrai muitos «pensadores» e continua sendo uma ideia extremamente popular entre alguns círculos de economistas.
Aproveitando o momento, façamos um exercício mental para analisar as prováveis consequências da desvalorização. Vamos utilizar a Grécia como exemplo.
Suponhamos que a Grécia, que hoje faz parte da zona do euro, conseguisse de alguma forma voltar a emitir um novo Dracma, e que essa nova moeda se desvalorizasse rapidamente, passando de um dracma por euro para dois dracmas por euro num curto período de tempo (um mês, talvez), o que representaria uma desvalorização de 50%.
Vamos também supor que o governo utilize os seus poderes coercivos para estipular que todas as obrigações existentes em euro, tais como títulos e contractos de trabalho, para todas as pessoas e entidades na Grécia, sejam unilateralmente convertidas em dracmas na relação de 1 dracma para 1 euro.
O dracma agora é uma moeda independente e com câmbio flutuante, e a sua taxa de câmbio está relativamente estável perto de 2 dracmas por euro (uma taxa até bastante optimista).
Sendo assim, o valor total da dívida do governo da Grécia, em termos de euro, cai 50% (repetindo: a moeda desvalorizou-se 50% em relação ao euro, mas todos os passivos foram convertidos de euro para dracma à taxa de 1 para 1).
Consequentemente, as dívidas de todos os outros devedores na Grécia, tais como empresas, bancos e pessoas, também são reduzidas em 50% em termos de euro. (Se uma empresa devia 100 milhões de euros, agora ela deve 100 milhões de dracmas. Mas como 1 dracma vale 0,50 euro, 100 milhões de dracmas são 50 milhões de euros.)
Em princípio, isso não é um grande benefício para os endividados gregos, entre eles o governo, pois o rendimento, denominado em dracmas desvalorizados, também caiu 50% em valores de euro. Tanto a dívida quanto a receita tributária do governo foram simultaneamente desvalorizadas, e o mesmo ocorre com os salários das pessoas e as suas dívidas.
No entanto, não vai demorar muito para que as receitas tributárias, as receitas das empresas e os salários das pessoas comecem a subir (em termos nominais) em consequência tanto da inflação monetária que agora o governo grego poderá causar (ao sair do euro e adoptar uma moeda própria, o governo está mais livre para inflacionar a moeda) quanto à grande inflação de preços que será causada pela desvalorização da moeda.
Como consequência de tudo, os calotes nas dívidas diminuirão. O declínio nos calotes irá permitir que os bancos gregos, até então descapitalizados por causa de empréstimos ruins, readquiram alguma saúde financeira. Para completar, os activos estrangeiros dos bancos gregos (como títulos do governo alemão ou empréstimos feitos a empresas italianas e espanholas) irão dobrar de valor em termos de dracma, o que irá melhorar os seus balancetes consideravelmente.
Com a redução dos calotes, as falências corporativas também irão diminuir, o que significa menos desemprego. Os trabalhadores gregos, cujos salários foram reduzidos à metade em termos de euro, agora estão mais «competitivos» (isto é, recebem menos) que os de Portugal, Espanha e Itália.
Por outro lado, as empresas gregas voltadas exclusivamente para o mercado interno não usufruirão de grandes benefícios, pois os trabalhadores gregos não serão capazes de comprar muita coisa com os seus salários desvalorizados. Por causa da súbita desvalorização cambial, o poder de compra dos gregos caiu. O custo dos bens e serviços importados dobrou, o que reduz ainda mais o rendimento disponível dos trabalhadores. Tudo o que foi produzido no país e que não foi consumido (pois o rendimento real da população caiu), será transformado em excedente exportável.
Aqueles assalariados mais bem pagos da Alemanha e da Inglaterra, que querem escapar dos seus respectivos Invernos e estão à procura de uma praia (ou mesmo de um local barato para viver quando se aposentarem), trocarão a Espanha pela Grécia e aproveitarão todas as ofertas em dracmas desvalorizados.
Sendo assim, a Grécia vivenciará um forte aumento nos negócios e nas contratações relacionadas com o turismo e, talvez, no sector da exportação. Por causa disso, a economia parecerá estar a melhorar, e as receitas tributárias do governo estarão aumentando, pelo menos em termos nominais de dracmas. Os preços ao consumidor subirão aproximadamente 20% no primeiro ano da desvalorização, e os economistas aplaudirão efusivamente, pois a deflação de preços «foi superada».
Principalmente por ter começado com valores pequenos na decorrência da crise, a bolsa de valores da Grécia irá disparar. Mas ela teria de subir pelo menos 100% apenas para se manter com o mesmo valor em termos de euros.
Este cenário parece agradável, não?
Mas há outros fenómenos a ocorrer. O que acontecerá com todos os bancos alemães e franceses que fizeram empréstimos para as empresas gregas? O que acontecerá com todos aqueles títulos do governo grego na posse dos bancos alemães? Os títulos e os empréstimos agora valem apenas 50% do seu valor da metade em termos de euro. Os bancos alemães e franceses terão de ser socorridos, e milhões de correntistas alemães e franceses darão esse socorro compulsório por meio de uma redução nas suas contas bancárias (exactamente como ocorreu em Chipre).
Os destinos turísticos em Espanha e no sul da Itália perderão clientes e, como consequência dessa súbita perda de receitas, começarão a dar calotes nas suas dívidas. As indústrias de cimento e naval de outros países europeus não conseguirão concorrer contra as importações baratas da Grécia, e também começarão a dar calotes nas suas dívidas. O desemprego nestes países irá subir.
O trabalhador grego tem agora um novo emprego, mas o seu salário, reduzido a metade em termos de euro, nunca mais compra tudo aquilo que antes ele conseguia comprar. Os preços internos aumentam continuamente, e, embora o seu salário também aumente em termos nominais, ele não acompanha a subida dos preços. Os pensionistas gregos são os mais afectados, principalmente aqueles cuja poupança estava nos bancos gregos (e não noutros países da zona do euro). Ao passo que os seus semelhantes em França e na Alemanha tiveram uma perda de 20% nas suas contas bancárias (20% é o total de títulos gregos na posse dos bancos europeus), os poupadores gregos descobrirão que agora compram aproximadamente 50% menos com a sua poupança (por causa da desvalorização cambial e da inflação de preços crescente na Grécia).
O sistema tributário grego certamente não será ajustado de acordo com a desvalorização. A consequência será a de que, com rendimentos nominais maiores, uma maior fatia dos ganhos será tributada. E o resultado final é que pessoas com rendimento real mais baixo — e até então isentas — também terão de pagar imposto de rendimento. Isso gerará um grande fardo sobre toda a economia, que poucos serão capazes de identificar. Tradicionalmente, a culpa será atribuída aos altos preços da energia importada.
Após algum tempo — talvez alguns anos —, os salários dos trabalhadores gregos já terão subido, em termos nominais, o bastante para acabar com aquela «vantagem comparativa» inicial. Os impostos reais mais altos começarão a introduzir uma persistente obstrução na economia grega.
Adicionalmente, o sistema financeiro grego já se tornou deficiente e inconfiável. Após a desvalorização, ninguém está disposto a conceder mais empréstimos em dracmas. Afinal, quem vai querer correr o risco de ter os seus activos subitamente desvalorizados novamente? As taxas de juros domésticas já subiram e estão altas, e o volume de empréstimos está baixo.
As grandes empresas ainda conseguem alcançar empréstimos em euros, mas isso não estará disponível para famílias e pequenas empresas. As famílias, que já foram prejudicadas uma vez, não irão manter a sua poupança nos bancos gregos. O mais provável é que elas descubram maneiras informais de poupar e investir sem recorrer ao sistema financeiro. Já as famílias mais sofisticadas irão simplesmente utilizar os bancos alemães (porque os mais ricos já retiraram quase todo o seu dinheiro dos bancos gregos), e a sua poupança e o seu capital jamais retornarão à Grécia.
Por tudo isso, a economia grega apresentará uma baixa criação de capital, um ambiente de investimentos totalmente distorcido, no qual apenas as grandes corporações conseguem financiamento, e uma baixa criação de empregos. A economia volta a estagnar-se. Consequentemente, o governo volta a incorrer em déficits orçamentais, uma vez que as receitas tributárias começam a cair e a procura por serviços na Segurança Social cresceram. Como o governo não consegue endividar-se em dracmas — só a taxas de juros proibitivas —, terá de se endividar em euros. Mas isso também será difícil, pois o governo já se mostrou inconfiável. A única opção será aumentar ainda mais os impostos.
À medida que essas dificuldades se vão acumulando, alguns economistas acreditarão ter encontrado a solução: desvalorizar novamente! Essa ideia ganhará o imediato apoio dos grandes exportadores e do sector do turismo, os quais adorariam voltar a ter uma «vantagem competitiva» em termos de mão-de-obra barata.
Como esses sectores antes já se tinham beneficiado economicamente, tornaram-se mais influentes politicamente. Por outro lado, os sectores que foram prejudicados pela desvalorização, como as empresas que dependem de importações e as voltadas exclusivamente para o mercado doméstico, perderam toda a sua influência política. Sendo assim, o sistema político passa a ser orientado apenas pela ideia de mais desvalorizações.
Com a imposição de novas desvalorizações, todo o ciclo se reinicia: o sector exportador e o sector turístico ganham um impulso temporário, mas todo o resto dos trabalhadores gregos perde poder de compra, e o seu custo de vida sobe. A inflação de preços dá outro salto. O imposto de rendimentos continuará a não ser corrigido pela inflação — pois o governo precisa de todas as receitas possíveis —, o que gerará um confisco cada vez maior do rendimento real das pessoas e empresas, o que, por sua vez, prejudicará ainda mais os investimentos.
Já os outros países da zona do euro muito provavelmente não ficarão passivos perante os sectores exportador e turístico gregos. É provável que imponham pesadas tarifas sobre as importações e também sobre a conversão de euros em dracmas.
A conclusão é que a desvalorização funciona apenas por algum tempo, e é benéfica apenas para poucos sectores muito específicos — e ainda assim apenas no curto prazo.
Em termos gerais, a desvalorização da moeda prejudica toda a população, pois esta é roubada do seu poder de compra, é submetida a uma grande inflação de preços, e acaba ficando sem acesso a bens importados de maior qualidade.
Um governo que desvaloriza a sua moeda está, na prática, fechando as suas fronteiras aos bens estrangeiros, isolando a sua população (e prejudicando principalmente a classe mais pobre, agora proibida de comprar produtos estrangeiros mais baratos), reduzindo o seu rendimento, e destruindo enormemente o seu padrão de vida.
O economista que acredita realmente que desvalorizar a moeda é o caminho para a prosperidade está, na prática, dizendo que uma sociedade formada por uma minoria exportadora e rica e por uma maioria que não tem nenhum poder de compra é o arranjo ideal. Está dizendo que uma redução compulsória do rendimento total da população representa prosperidade e enriquecimento. Não faz absolutamente sentido nenhum.
O que aconteceu com a Argentina em 2002, quando a súbita desvalorização do peso fez com que fosse quase impossível para muitas mães comprarem leite para os seus filhos, pode perfeitamente acontecer com a Grécia em 2015. É muito difícil uma desvalorização da moeda passar impune.
Όχι: o cansaço grego
Paulo de Almeida Sande, Observador, 7 de Julho de 2015
E aqui chegámos: o referendo reforçou o governo de Tsipras na sua legitimidade popular e fez das instituições europeias as «más da fita», responsáveis primeiras e irredimíveis do sofrimento dos povos
Todos gostam de um bom herói. David. A Grécia do referendo e da luta contra a austeridade. Um herói precisa de vilões para ser realçado. Golias. Os malvados credores, isto é, as instituições europeias. Hoje, pela Europa fora, ou pelo menos nos países do sul, os corajosos gregos são louvados como o paradigma da luta contra a opressão e a ditadura da dívida.
E aqui chegámos: os gregos votaram Não no domingo e a zona euro está em ebulição.
E aqui chegámos: 8 anos depois do início da crise. 6 depois do seu reconhecimento na Grécia. 5 após o 1.º programa de assistência de 110 mil milhões de euros. 3 anos depois do 2.º programa de assistência de 130 mil milhões até ao início de 2015, alargado ao final de Junho, quando expirou irremediavelmente. 3 anos após o «haircut» da dívida – na mão de credores privados – de cerca de 100 mil milhões de euros. Hoje, agora, amanhã, os gregos encaram o futuro com esperança e inquietação, a Europa encara o futuro com inquietação e esperança.
E aqui chegámos: a saída de cena de Varoufakis não espanta, se pensarmos que, entre muitas outras coisas bondosas, acusou o FMI de ter praticado actos criminosos na Grécia; denunciou as tácticas negociais terroristas da troika; deu as boas vindas «ao ódio» para com ele dos ministros das finanças da zona euro, como twittou em certa ocasião. A sua demissão permite pelo menos alguma esperança na negociação, ainda que aparentemente o novo ministro das Finanças grego, mais conciliador do que Varoufakis, seja menos favorável à Europa do que ele.
E aqui chegámos: quando há pouco mais de 6 meses tudo indicava que a eurozona iria encarar de frente o problema das dívidas dos países do Sul, impossíveis de pagar, e a Grécia, regressada ao crescimento, parecia a caminho de sair da assistência, tudo volta violentamente atrás. E o FMI, a 2 de Julho, admitiu que o país precisa agora de um 3.º resgate de nunca menos de 50 mil milhões de euros até ao final de 2018.
E aqui chegámos: o referendo reforçou o governo de Tsipras na sua legitimidade popular e fez das instituições europeias as «más da fita», responsáveis primeiras e irredimíveis do sofrimento dos povos europeus (a par da senhora Merkel, mas essa é história antiga que, de tantas vezes repetida, se foi fazendo verdadeira aos olhos de quem vê com óculos de não querer ver).
E aqui chegámos: a Grécia nunca devia ter entrado para a zona euro: com uma dívida pública de 126,4% do PNB em 2002, data da sua entrada na zona euro, estava longe dos 60% exigidos para poder fazer parte dela. Com esse nível de endividamento e uma disciplina fiscal incerta, a entrada numa união monetária – perdendo soberania fiscal e instrumentos importantes de política económica como a desvalorização cambial –, foi um erro. Mas tendo entrado, uma possível saída é um enorme risco, para a Grécia e a Europa.
E aqui chegámos: sem a ajuda do Banco Central Europeu, os bancos gregos não têm liquidez para prover às necessidades do país, e depressa entrarão em colapso. Mas a Grécia tem de pagar, até 20 de Julho, 3,5 mil milhões… ao Banco Central Europeu. Ora esse pagamento só é possível se até lá houver novo programa de ajuda externa dos parceiros europeus ou de terceiros (só não se sabe quem, dificilmente poderá ser a Rússia); ou isso ou outro milagre qualquer. Nesse cenário, a ruptura e a saída do euro – seja qual for a solução jurídica, incluindo um pedido grego de saída da União Europeia – pode tornar-se a única via possível.
E aqui chegámos: entre 2001 e 2007, a Grécia cresceu 32% (contra 9% de Portugal e 11% da Alemanha), crescimento acompanhado de uma subida dos salários em 75%. 75%! À custa, claro, de endividamento público. Já os défices orçamentais – razão principal para o crescimento da dívida – vinham de longe: 14,07% em 1989, 16,1% em 1990, 20,79% em 1994. Cresceu a dívida (dos 24,6% do produto em 1975 para 111,3% em 96); o programa de estabilização de 1993 para a entrada da Grécia no euro levou à sua drástica redução nominal, para 8,1% em 1997 e 1,6% em 1999. Mas em 2004 o governo grego reconheceu que esses números estavam errados e que o défice nunca teria baixado dos 3%. Nesse ano de Jogos Olímpicos, depressa chegou aos 9,47%.
E aqui chegámos: fica o problema da dívida. Caso os países europeus decidissem reestruturar exclusivamente a dívida grega – de 341,4 mil milhões de euros –, coisa que o Banco Central Europeu já disse ser impossível por não se poder singularizar um único país, não seriam apenas os bancos alemães a sofrer, como tantos admiradores do David grego gostam de proclamar. Portugal, por exemplo, tem uma exposição à dívida grega da ordem dos 4,8 mil milhões, qualquer coisa como 2,8% do nosso PIB. Mas pronto, deve ser uma coisa boa proceder a um segundo «haircut» da dívida grega à custa dos contribuintes europeus.
E aqui chegámos: em Janeiro, o novo governo grego interrompeu um processo em que as dívidas soberanas dos países europeus, com destaque para os do Sul, estavam a ser consideradas em conjunto; premissa maior era a clara percepção da carga que representam para as economias europeias em geral, as dos países mais endividados em particular, e para a própria integração europeia. Essa era a agenda e as negociações nunca pararam, até os gregos terem decidido introduzir no processo uma espécie de travão radical, com a não aceitação das condições das instituições e, sobretudo, a convocação do referendo. E contudo, ao contrário do que tantos dizem, não parece haver na Europa má vontade contra a Grécia (pretextos para forçar um grexit foram já legião); é hoje claro que os parceiros europeus querem o país no euro e na União – mas não a qualquer custo e, sobretudo, não a custo das respectivas populações e contribuintes. A solidariedade europeia é fundamental, mas tem de ser recíproca.
E agora? Perante os gritos de bajulação do gesto grego – do referendo e o seu resultado –, ninguém sabe bem o que se vai passar. Os líderes europeus reúnem-se em vagas sucessivas e o eixo franco-alemão, de súbito reactivado, já se pronunciou: aguarda-se as propostas gregas. Mas o relógio não pára e o tempo para aquele que será talvez o verdadeiro derradeiro prazo começa a escassear.
Os líderes europeus, incluindo os gregos, têm de mostrar bom senso e negociar com abertura de espírito e vontade de chegar a resultados. De ter contenção verbal, como não aconteceu, de parte a parte, nos últimos seis meses.
A comédia grega não pode acabar em tragédia, sob pena de fazer implodir o venerável e ambicioso anfiteatro europeu em que todos somos a um tempo espectadores e actores.
terça-feira, 7 de julho de 2015
Agora aturem-nos
Helena Matos, Observador, 5 de Julho de 2015
Por que hão-de países cujos cidadãos vivem pior que os gregos, pagam mais impostos que os gregos e se reformam mais tarde que os gregos ser «solidários» com os gregos? O voto foi dos gregos, não deles
Há três conclusões a tirar do referendo grego:
I) Não se pode negociar com demagogos da mesma forma que se negoceia com quem está disposto a respeitar as regras.
II) Aos demagogos os povos não exigem nada antes toleram quase tudo porque os demagogos sobrevivem porque transferem sempre as culpas para os outros.
III) Se no poder os demagogos são quase imbatíveis na verdade só lá conseguem chegar porque beneficiam de uma extraordinária tolerância e condescendência por parte dos outros protagonistas.
A coisa começou mais ou menos assim: eles têm tanta graça. Porque não usam gravata. Porque usam rabo de cavalo. Porque rapam o cabelo. Porque andam de bicicleta. Porque andam de mota. Porque andam de metro. Porque andam. Porque são aplaudidos nas marchas do negócio do politicamente correcto. Porque passam dos restaurantes mais in para os colectivos de okupas. Porque para lá dos seus círculos só vêem roubalheira, negociatas, interesses. Porque nas televisões de dedo espetado dizem que todos os outros são corruptos. Eles claro nunca são corruptos e se por acaso alguém lhes chama a atenção para um financiamento obscuro ou um caso de nepotismo reagem vivamente indignados e exigem desculpas imediatas. É como o patriotismo. Quando eles falam de orgulho nacional, de pátria e de levantar a cabeça quase nos devemos perfilar. Mas se forem os outros a fazer o mesmo discurso está-se diante de velho ranço da direita nacionalista, patrioteira, folclórica para não dizer fascista.
Eles determinam o que é correcto e incorrecto. Mas não só. Garantem também como vão ser as famílias do futuro, as causas do futuro, o futuro em si mesmo. Do berço à cova eles têm uma causa e uma política para cada momento.
Em
muitas das universidades são dominantes. Os jornalistas tratam-nos por tu. São
tão amorosos não são? Tão inteligentes, tão giros, tão sexys. E depois dizem
aquelas coisas sobre as pessoas que não são números, falam de afectos, de virar
a página a isto e àquilo sem mais problemas. São adoráveis de facto. Até ao
momento em que têm poder.
Aí
percebe-se que não mudaram nada. Continuam na mesma barricada dos outros
tempos. Enquanto exigem para si e para os seus resultados um respeito institucional
quase sagrado fazem gato-sapato dos seus interlocutores. Desautorizam-nos.
Ridicularizam-nos. Fintam-nos. E no fim gritam que é preciso negociar,
dialogar, estabelecer pontes.
Dantes
queriam fazer revoluções. Agora têm projectos. A diferença é que nas revoluções
arranjavam portas a dentro o seu financiamento: nacionalizavam e confiscavam.
Agora exigem ser patrocinados. Como se tudo não passasse de um filme.
Desculpem
mas neste logro só cai quem quer. E cair uma vez vá que não vá. Duas já tem que
se lhe diga e à terceira ou é masoquismo ou estupidez. Como aqui escrevi há
algumas horas o referendo que decorreu na Grécia não teria sido considerado
aceitável caso não tivesse sido convocado pelo Syriza, tão queriducho que ele é
das redacções, dos activistas, das pessoas de causas e de toda aquele gente que
vive de teorizar sobre aquilo que os outros devem fazer, dar, garantir…
Imaginam o que não se teria dito e escrito caso, por exemplo, em Angola se
convocasse um referendo com esta informalidade, para não lhe chamar outra
coisa? Já imaginaram a senhora Marine Le Pen a querer referendar numa semaninha
algumas daquelas ideias que lhe animam o encéfalo?
Não,
não me vão dizer que há matérias que não são referendáveis. Desde esta semana
na Europa referenda-se o que se quiser e nos moldes em que se quiser. Até por
exemplo cessar a ajuda à Grécia. Por que hão-de países cujos cidadãos vivem
pior que os gregos, pagam mais impostos que os gregos e se reformam mais tarde
que os gregos ser «solidários» com os gregos que votam num governo que para
cúmulo namora descaradamente com uma Rússia que é uma ameaça directa para
segurança de alguns desses países?
Devíamos
ter pensado nisso antes? Pois devíamos. Mas agora é tarde. O que conta é que o
Syriza ganhou na Grécia. E é preciso que isso fique claro: ganhou na Grécia. E
tem um mandato para governar a Grécia. Não o dinheiro dos contribuintes
europeus e a UE.
É
dramático a Grécia sair do euro? Para os gregos é, mas se calhar nem é tanto
quanto ficar. E antes que estejamos a ver Pablo Iglesias e Marine Le Pen com os
mesmos truques em Madrid, Paris e em Bruxelas convém que se esclareça que os
votos nos radicais não valem mais que os outros.
quinta-feira, 2 de julho de 2015
O grande embuste
Maria de Fátima Bonifácio, Observador, 30 de Junho de 2015
É verdade que os gregos votaram pelo fim da austeridade, mas o Syrisa – se ganhar o referendo – irá impor-lhes não só os mesmos ou piores rigores, mas ainda uma revolução que nunca lhe foi encomendada
Em 25 de Janeiro último, o Syrisa ganhou as eleições gregas graças a uma chusma de promessas delirantes, em que qualquer adulto normalmente constituído via de imediato uma lista de impossíveis. Eram promessas maravilhosas: não se pagava a dívida, acabava-se a austeridade, e o povo grego continuava a desfrutar da vida aconchegada a que se habituara desde que os euros tinham começado a regar as terras da antiga Hélade. Mais de 30% dos gregos acreditou neste «conto de crianças», o suficiente para que a coligação de extrema-esquerda denominada Syrisa, acolitada por um pequeno partido de extrema-direita nacionalista, chegasse ao poder. A factura – pois o bôdo prometido custava muitos milhares de milhões – essa pagava-a a Europa, quer dizer, os contribuintes europeus, pois até o dinheiro de Bruxelas terá de vir de algum lado, que só pode ser os nossos bolsos.
Muita gente se interrogou como era possível que um povo com tão ilustre ancestralidade – apesar da miscigenação ocorrida ao longo dos vários séculos de ocupação turca – se deixasse iludir tão entusiástica e facilmente. Proliferaram as teses sobre este mistério. A mais razoável sustentava que a violência da austeridade imposta pela impiedade europeia causara tal miséria e sofrimento, que muitos gregos, esgotada toda a esperança, se convenceram de que já nada, mas nada, tinham a perder. A miséria e o sofrimento são um facto que não oferece dúvida. Mas entre as muitas lições que se podem tirar da experiência grega, uma delas é que os gregos estavam enganados. A Grécia de hoje, mais exaurida e empobrecida, indica que, afinal, ainda havia alguma coisa a perder e portanto a conservar. O Syrisa, como agora ficámos a perceber, optou deliberada e premeditadamente por lançar fogo à casa e mandar tudo borda fora (ver o importante artigo de Teresa de Sousa no Público, 28.6.15). Durante os últimos cinco meses, o Syrisa dedicou-se a um exercício de cinismo que faz de Maquiavel uma alma cândida.
De facto, muita coisa se estranhava nos modos e métodos de negociar da delegação grega que se apresentou em Bruxelas, a começar pelos do seu chefe, o ministro das Finanças, Yanis Varoufakis. Um tipo giro e bem apessoado, que em Atenas se desloca para o ministério numa moto potente e espalhafatosa, e cuja mulher, uma artista plástica, aproveitou logo a súbita notoriedade do marido para exibir em Madrid os seus maravilhosos artefactos. A dupla era encantadora. As fotografias tiradas pela Paris Match na sua varanda com vista para a Acrópole, comoviam pela alegre simplicidade e notória felicidade de um casal que seguia amando-se à margem do turbilhão político em que a Grécia já então estava mergulhada. É verdade que a exibição pública da intimidade conjugal contrariava o tradicional dever de modéstia e discrição revolucionária. Mas esta era gente moderna, também não falava em capital, nem em exploração capitalista, nem em classes sociais, nem em luta de classes, e menos ainda em vanguarda operária. Falava, muito sucintamente, em nome do «povo», solidário e uno na rejeição da austeridade feroz imposta pela «Europa».
Varoufakis aterrou na primeira reunião do Eurogrupo de rompante e com espalhafato. Optou pela arrogância e provocação, fiado, por certo, no infalível trunfo da chantagem: ou as «instituições» cedem, ou a Grécia sai do Euro, primeiro acto de uma tragédia conducente em linha recta à fatal ruína da União. Ninguém se impressionou ou intimidou por aí além. Nos primeiros tempos, Varoufakis e Tsipras puderam contar com a condescendência dos parceiros do Eurogrupo e o entusiasmo das esquerdas europeias. O da nossa não ficou atrás de ninguém: recorde-se a generalizada esperança do PS e a ridícula carta aberta em que Rui Tavares, pelo Livre e adjacências, prometia para muito breve o envio de novos Albuquerques lusitanos para ajudar a luta titânica que os valentes gregos travavam na vanguarda.
À medida que o ritmo dos «trabalhos técnicos» aumentava sem proveito, e que as reuniões do Eurogrupo se multiplicavam sem sucesso, a condescendência e a paciência foram-se esgotando. Renzi deixou de sorrir. O próprio Hollande torceu o nariz. E até Juncker se deixou de palmadinhas na face do amigo Yanis e acabou por amuar. Só Angela Merkel, a figura mais demonizada durante todo este longo processo, só a pérfida chanceler, ávida de engrandecer o nefasto poderio alemão, não baixou os braços no último momento, procurando ainda forçar uma 25.ª hora: as partes estavam já muito próximas (El País, 28.6.15, «Abortar la negociácion») e que se fizesse um derradeiro esforço (Observador, 28.6.15). Mas ao findar a 24.ª hora, Tsipras mandou parar tudo: o governo grego decidira submeter a proposta de acordo oferecida pela Europa a um referendo, marcado para 5 de Julho.
Perante esta ruptura unilateral das negociações, Merkel teve de se inclinar. E desde então as suas noites devem ter piorado. Não a pensar no Euro, não a pensar nos bancos e na Finança, nem sequer a pensar no contribuinte alemão. Com uma leviandade que causa espanto, Soromenho Marques estabeleceu entre a chanceler e o Kaiser Guilherme II uma hilariante comparação. Ao contrário do que sugere, o Kaiser pensou e tornou a pensar no Plano Schlieffen. Aliás, de 1890 a 1914, Guilherme II, um verdadeiro nazi avant la lettre, não pensou noutra coisa a não ser em arranjar maneira de provocar uma Guerra Mundial, e por isso mesmo entrou em rota de colisão com Bismarck, que naquele ano tratou de se demitir (C. Clark, em The Sleepwalkers, 2013, omite fontes. Cf. J.C.G. Roehl, Kaiser Wilhelm II, 2014).
Angela Merkel está nas antípodas de Guilherme II. As suas insónias devem-se à ponderação de que a Grécia, independentemente da irresponsabilidade de governantes e governados, constitui a última fronteira não apenas da Europa, como também do Ocidente. Ou seja, perdida a Grécia, não são os problemas económicos e financeiros que metem medo – a Grécia representa uns meros 2% do PIB europeu. Neste domínio, há evidentemente motivo para justificada preocupação; esta manhã, o euro já dera uma queda. Mas a inevitável turbulência económico-financeira não se reveste da gravidade, perigosidade e dificuldade que representa o desmoronamento da última fronteira que protege a Europa das convulsões que já transbordam do seu leito no Próximo e Médio Oriente, bem como das que se encontram em gestação na região balcânica, onde Putin não desistirá de implantar a influência da velha Rússia imperial que aspira a recriar. Em suma, a saída da Grécia do Euro, prelúdio para a saída da «Europa», coloca a esta (e à NATO, e portanto aos EUA) um tremendo quebra-cabeças geo-estratégico (ver artigo exemplar de J.A.Fernandes, Público, 28.6.15).
Escrevi logo em Fevereiro que as teorias revolucionárias do Syrisa eram pós-marxistas e pós-leninistas (mas algo gramscianas). O seu mestre, ou um dos seus mestres, certamente o principal, chama-se Ernesto Laclau, um filósofo e docente universitário em Londres, falecido há dois anos. Dei-me ao trabalho de ler minuciosamente o seu livro que para o caso grego mais directamente importa: On Populist Reason (2005). Na impossibilidade de o resumir aqui – é complexo e teoricamente sofisticado –, aconselho a leitura a quem já tenha percebido que, no contexto da globalização e perante o desaparecimento do operariado tradicional e o aburguesamento do que dele sobra, uma teoria revolucionária moderna tem que assentar numa capacidade de mobilização interclassista que supere interesses particularistas contraditórios ou concorrentes. O Capital sumiu-se pelos cabos e interstícios de milhões de computadores instalados em arranha-céus, que num abrir e fechar de olhos comunicam entre si através do planeta. A nova mobilização revolucionária consistirá então, segundo Laclau, na possibilidade de aparecer uma palavra – um significante – «vazio», i.e., desprovido de significado concreto e preciso, e que precisamente pela circunstância desta disjunção se presta a ser apropriado por todos e qualquer um, que nele projectam as suas mais diversas queixas ou reivindicações. Esta amálgama de significações associadas a uma palavra (ou algumas, mas poucas), adquire a hegemonia discursiva que permite mobilizar multidões heterogéneas, mas unificadas por esta espécie de passe de mágica linguístico.
Acontece que na Grécia não há uma oligarquia corrupta que pudesse ser construída como um inimigo comum e absoluto, pelo simples motivo de que a sociedade grega é corrupta de alto a baixo, do porteiro de prédio ao armador de navios. A palavra de eleição foi, então, «austeridade», e tudo, desde a incompetência mais notória aos azares mais casuais, passando pela inesgotável variedade das frustrações pessoais, passou a ser imputado à austeridade. Por aqui deveria passar a fronteira do antagonismo irredutível entre a parte e o todo. Ora a austeridade – conforme pensa o vulgo – não é mais do que um capricho ideológico imposto pela Europa neoliberal, que logicamente deveria ser envolvida no mesmo manto de rejeição. Mas não foi! E não é ainda agora! Os gregos desejam duas coisas incompatíveis: permanecer no euro e na Europa, mas sem «austeridade». O Syrisa mentiu-lhes descaradamente ao prometer ambas as coisas em simultâneo. Foi a maneira elegante de chegar ao poder.
Quando, na última reunião do Eurogrupo, os Tsipras e Varoufakis perceberam que talvez estivessem à beira de um acordo irrecusável, cuja rejeição demonstraria pura má-fé, Tsipras manda abortar as negociações, anunciando que vai referendar a última proposta em cima da mesa. Logicamente, acabou logo tudo ali, incluindo a eventual extensão do programa em curso por mais um mês. Com efeito, de que servia negociar se a vontade do povo grego poderia sempre, em referendo, anular o que os parceiros tivessem acordado?
A responsabilidade pelo abismo sobre cujas bordas a Grécia vacila foi miseravelmente trespassada pelo Syrisa para o povo, algo que Varoufakis apenas há um mês qualificou de «crueldade». Não sei se é cruel ou deixa de ser. Sei que os gregos foram armadilhados. E pouco ou nada importa saber se foi a extrema-esquerda que impôs a Tsipras esta traição. A verdade é que, desde o princípio, os gregos votaram pelo fim da «austeridade», mas o Syrisa – se ganhar o referendo – irá impor-lhes não só os mesmos ou piores rigores, mas ainda uma revolução – que nunca lhe foi encomendada. Não sei porquê, mas já ontem me vieram à ideia uns coronéis.
terça-feira, 30 de junho de 2015
Um Papa pessimista e injusto
Miguel Angel Belloso, Diário de Notícias, 26 de Junho de 2015
Sempre considerei a fé como um motor de esperança e de alegria. Professei também uma grande admiração pelos papas João Paulo II e Bento XVI. Nenhum deles deixou de assinalar os grandes desafios que a humanidade enfrenta, mas ambos mostraram uma grande confiança no indivíduo e contemplavam o mundo com o optimismo próprio do crente. O primeiro combateu o comunismo pela destruição e morte que este tinha provocado onde foi adoptado como modelo político. Bento seguiu a esteira do seu predecessor ao considerar tacitamente o capitalismo como o sistema mais capaz de produzir o bem-estar geral apesar das suas imperfeições. Em muito pouco tempo, o Papa Francisco impulsionou uma revolução na Igreja. A sua nova encíclica, «Laudatio si», a sua carta pastoral «Evangelii gaudium», assim como as suas frequentes intervenções nos foros públicos refletem um pessimismo ontológico perturbador. Segundo Francisco, o mundo está a desmoronar-se à nossa volta sem que façamos qualquer coisa para o evitar. Os pobres são cada vez mais pobres. As desigualdades são maiores do que nunca e os bens necessários para sustentar a vida humana são cada vez mais inacessíveis. Mas estas ideias, lançadas sem o acompanhamento de um único dado, como se fossem um dogma de fé, não resistem à mais pequena análise empírica e estão completamente erradas. Se já é duvidoso do ponto de vista científico que estejamos em presença de uma mudança climática originada pelo homem, e não por circunstâncias relacionadas com a natureza do planeta, é falso que o crescimento económico aumente a degradação do meio ambiente.
Num editorial publicado no Catholic Herald Philip Booth escreve: «Como é habitual, as análises de Francisco sobre o estado económico do mundo são tremendamente pessimistas. É correcto dizer-se que a poluição origina mortes prematuras e muitos argumentam que as mudanças climáticas estão por trás dos efeitos nocivos. Mas, por outro lado, o cenário subjacente é um incremento colossal da esperança de vida e da saúde como consequência do desenvolvimento económico. E em muitas zonas do mundo, o ambiente está a melhorar espectacularmente.» Assim é: se se quiser abordar com honestidade o problema, este não reside nos países ricos mas naqueles onde não funciona a economia de mercado ou não existe liberdade nem democracia. A China, por exemplo, é dos mais contaminantes. Durante a maior parte do século XX, os Estados comunistas foram os que tiveram mais poluição e um ambiente mais degradado, enquanto os capitalistas limpavam a atmosfera de elementos tóxicos. Há solução para os problemas do meio ambiente mas esta não se encontra na ecologia, que com o pretexto de tornar-nos a vida mais agradável apoia o intervencionismo político e quer travar o progresso técnico e o desenvolvimento económico. A solução depende de que cada vez maiores partes do mundo se incorporem no mercado e se orientem para ele.
Um estudo recente do Banco Mundial indica que o número de pessoas que vivem com menos de 1,25 dólares por dia – o limiar da pobreza – diminuiu em mais de 30% desde 1981, e um relatório da Universidade de Oxford, que corrobora outro similar da ONU – pouco suspeita de ser capitalista –, confirma esta descida dramática e augura que a pobreza será completamente erradicada nos países em desenvolvimento nos próximos 20 anos se os progressos se mantiverem ao ritmo actual. A Associação Americana para o Avanço da Ciência também assinala que a esperança de vida aumentou sustentadamente desde há 200 anos, devido à diminuição das doenças cardiovasculares nos países ricos e à menor mortalidade infantil nos pobres. Se fizermos comparações estatísticas entre os países mais orientados para o mercado e os menos, comprovaremos que são os primeiros os que providenciam melhores condições aos desfavorecidos. O que melhora os níveis de vida é a industrialização e o livre comércio e não as economias dirigidas ou auto-suficientes. E são também aqueles que impulsionam as migrações das zonas rurais para as cidades, que não são os lugares sujos e desagradáveis que Charles Dickens descrevia, mas antes uma oportunidade para ganhar um salário mais alto e viver confortavelmente. Nos países emergentes, mil milhões de pessoas entrarão na incipiente classe média nas próximas duas décadas, de modo que a desigualdade global também está a diminuir. Apesar de os meios de comunicação sugerirem o contrário, o número de conflitos civis e de guerras está no ponto mais baixo da história, segundo a ONU.
Estes são os dados, mas é como se a verdade fosse uma inconveniência para Francisco e para o conjunto da esquerda. João Paulo II sempre abordou os problemas globais com foco e linguagem religiosa. Pensava que a solução para os males do mundo estava em cultivar as virtudes pessoais e em voltar o olhar para Deus. Francisco é um Papa decididamente político, um socialista convencido de que se a humanidade exibe resultados tão desastrosos é porque os seus dirigentes renunciaram ao seu papel executivo, que bem orientado daria lugar a um mundo melhor do que o governado pela força espontânea dos indivíduos actuando livremente no mercado.
Muitas das opiniões da sua última encíclica são inaceitáveis, inapropriadas ou infundadas. Engana-se quando diz que a salvação dos bancos foi feita à custa da população, pois a falência foi evitada para garantir as poupanças dos mais necessitados. A imaginária submissão da política aos poderes financeiros, às multinacionais ou à tecnocracia destila um aroma a um esquerdismo antiquado que não resiste a um único assalto: mesmo nos países mais livres e democráticos, o peso do Estado e a intervenção dos políticos na vida económica são tão perniciosos como dispensáveis. Francisco chega a ser ofensivo ao assegurar que a propriedade privada não pode estar acima do bem comum, quando é precisamente ela que o origina. Só o que se considera próprio estimula o cuidado e a atenção das pessoas para o preservar e enriquecer, quer seja uma quinta ou uma reserva de elefantes, enquanto o público, como mostra a experiência, é habitualmente pasto da negligência e do saque dos que, não se sentindo envolvidos, o maltratam e exploram por o considerarem alheio.
(…)
segunda-feira, 29 de junho de 2015
Subdiretor de Informação SIC
José Gomes Ferreira, Subdiretor de Informação SIC
opiniao@sic.pt- 14:35
18.11.2014
Peço à Galp e à REN
que façam um grande favor
aos contribuintes
Exmos Srs Presidentes executivos da Galp e da REN,
Engenheiro Ferreira de Oliveira e Dr.
Rui Vilar:
Peço-vos encarecidamente que divulguem, o mais rapidamente possível, os
pareceres jurídicos que vos levam a não pagar a contribuição extraordinária
sobre o sector energético de 2014.
Será um grande favor, um verdadeiro serviço público, que farão a todos os
contribuintes portugueses.
Os juristas que trabalharam para as vossas empresas, pagos a preço de ouro,
são, certamente, grandes especialistas. Tão bons especialistas que conseguem
arranjar argumentos para não cumprir uma lei da República, a Lei do Orçamento
do Estado de 2014, onde o imposto extraordinário está previsto.
Por favor, divulguem esses pareceres para todos nós, contribuintes
portugueses, podermos deixar de pagar a sobretaxa de IRS ao Estado. Sabem, é
que os contribuintes normais não têm possibilidade de pagar estudos desses. E
certamente que os argumentos invocados para não pagar a sobretaxa de IRC, são
certamente utilizáveis para nós não pagarmos a sobretaxa de IRS. Basta
copiá-los.
E sabem, cada um de nós até tem muito mais autoridade moral para utilizar
esses pareceres e não pagar a sobretaxa de IRS do que as vossas empresas. É
que, quando nós instalamos um pequeno negócio, não temos à partida uma
rentabilidade garantida dos capitais investidos como a REN tem garantida por
lei; e não temos a possibilidade de andar anos a fio a vender gás natural nos
mercados internacionais e encaixar 500 milhões de euros de mais valias, por os
contratos de abastecimento terem condições vantajosas, enquanto os consumidores
portugueses continuam a pagar o gás nas suas casas a preço de ouro, como fez a
Galp Energia.
De facto, a crise quando nasce não é para todos.
A pouca vergonha e a falta de decência chegaram a um nível inimaginável no
meu País.
domingo, 28 de junho de 2015
A tranquibérnia do costume
João José Brandão Ferreira, Oficial Piloto Aviador
«Um povo que tenha a coragem
de se manter pobre é invencível.»
Oliveira Salazar
A Fundação Oriente promoveu no passado dia 11/6/2015 uma conferência sobre o presente e o futuro da União Europeia (UE).
Em boa hora o fez, pois se há assunto que mais afecte a nação portuguesa, e os portugueses menos noção tenham do que está em causa, é justamente este.
Foram oradores a deputada do Parlamento Europeu Dr.ª Maria João Rodrigues (PS) e o conhecido eurocéptico – se assim lhe podemos chamar – Prof. João Ferreira do Amaral.
A moderadora foi a conhecida jornalista e «especialista» em assuntos europeus, Dr.ª Teresa de Sousa.
A Dr.ª Rodrigues, que tem uma boa presença e excelente dicção, fez uma exposição dos pontos que considera relevantes de uma forma clara e bem estruturada de pendor favorável (embora não optimista) à manutenção da «União», não apresentando, porém, grandes saídas para os actuais impasse e cacofonia, existentes.
O Prof. Amaral expôs os seus conhecidos pontos de vista críticos relativamente à UE e sobretudo relativamente ao euro, chegando a considerar a hipótese de Portugal, dever não só equacionar a saída do euro, mas também da própria UE (o que ouvimos pela 1.ª vez), visão com a qual concordamos e só peca por tardia.
O Prof. Amaral fala pausadamente e com critério, o que é bom, mas falta-lhe viço e emoção, pelo que o seu discurso sai pouco apelativo; as ideias força dificilmente impressionam o negativo da mente e a poucos arrastará com o seu discurso.
A Dr.ª Teresa de Sousa está uma sombra do que já, certamente foi, mas não se limita a ser moderadora, intervindo e opinando sobre tudo um pouco.
O seu comportamento faz jus, aliás, à designação de «fundamentalista» da União Europeia, expressão que se me afigura feliz para a caracterizar.
Em todo o debate, porém, incluindo a assistência que interveio, todos laboraram num equívoco que foi o de falar na «Europa» como se tratasse de algo que vá para além de uma realidade geográfica – e mesmo sobre os limites desta, está longe de haver consenso…
Isto é, todos assumiram estar a falar de uma realidade política, quando pelo menos em termos da ciência política ninguém se atreve a dar-lhe uma designação como actor político na cena internacional.
Mas não é nestes aspectos que pretendo focalizar a ponta da caneta, embora não possa deixar de reafirmar, que todos os cenários previsíveis para o futuro desta pretensa UE, serem maus para Portugal e o nosso país dever procurar rapidamente uma estratégia de sobrevivência fora do referido âmbito.
Pretendemos, outrossim, focarmos num comentário que a citada moderadora fez a uma pergunta (pertinente) de um compatriota da assistência, sobre o equacionamento de outros cenários onde o nosso (ainda) país se pudesse mover, chamando a atenção para a centralidade atlântica e ultramarina da maioria da nossa História.
A Dr.ª Teresa antes de passar a pergunta, farpou-a a despropósito e, agastada, afirmou que em 1974, o país «era pobre, para já não falar na falta de liberdade»…
Oh Dr.ª Teresa…
Então nós, como país devemos «aliar-nos» ou fazermos opções políticas para ficarmos mais ricos? Eu julgava que era por razões de geopolítica e de geoestratégia!…
E, se até Maastricht, a CEE/CE, se podia considerar uma aliança, a partir daquele tratado a «aliança» ficou para trás, a fim de se tentar a integração. Ou seja elevou-se o patamar das intenções para tocar os aspectos verdadeiramente relevantes e sensíveis, que são aqueles relacionados com a soberania e o próprio carácter dos povos.
Já percebi, pelos vistos a Dr.ª Teresa não se importa de matar a própria mãe, para ficar rica…
Ser rico está acima de tudo? Ser rico é algum ideal de humanidade? Ser rico tem a ver com o Bem, com a Justiça, com a harmonia da sociedade? Com o Belo? Com a Moral?
Ser rico é, para a Dr.ª Teresa, um fim teleológico?
Ficámos pois a saber que a Dr.ª Teresa quer ser rica ou, pelo menos, não quer ser pobre. Seguramente, que se sentia pobre em 1974 – gostava também, que me dissesse se nalguma altura fomos ricos...
*****
Vejamos, pelas minhas contas, em 1974, a economia do país, crescia a 7% ao ano (Angola e Moçambique cresciam mais); o escudo era a sexta moeda mais forte (e respeitada) do mundo; nos cofres do Banco de Portugal, jaziam cerca de 850 toneladas de ouro e 50 milhões de contos, em divisas. Havia paz social, apesar de rebentarem umas bombas, de quando em vez, accionadas por umas duas ou três «associações filantrópicas» de inspiração comunista, que sobreviviam.
As contas estavam equilibradas desde 1929/30 (apesar da crise de 1929 – «crash» da bolsa de Wall Street); da crise da Libra, de 1931; da Guerra Civil de Espanha e da II Guerra Mundial; lançando-se ainda as bases para a industrialização do país, que teve início a partir do Plano de Fomento de 1951 – o que acontecia pela 1.ª vez desde Afonso Henriques…(1)
Tudo isto note-se, feito com meios próprios, sem qualquer tipo de ajuda externa (Plano Marshall, por exemplo) e com parco recurso ao crédito externo – sempre pago a horas – e com pouquíssimos casos de corrupção ou «derrapagens» de prazos, conhecidos.
Assim chegamos a 1974 em que a Dr.ª Teresa se sentia pobre e com falta de liberdade, lembrando ainda que como pano de fundo, o país mantinha cerca de 230 000 homens em armas, espalhados por quatro continentes e três oceanos, 130 000 dos quais lutavam vitoriosamente e com garbo, em três teatros de operações enormes, separados entre si e a base logística principal (que era a Metrópole) por milhares de quilómetros!
Um «pormenor» que provavelmente escapou à perspicácia (e pesporrência) da Dr.ª Teresa de Sousa.
*****
Mas eis que se ultrapassou o ano de 1974 e a citada senhora passou a sentir-se (depreende-se) rica e libertada.
Contudo, vendo bem as contas (e as coisas), estas não devem ser as do rectângulo florido (a cravos) à beira mar plantado – mas agora de costas voltadas para o mesmo e só com olhos postos em Bruxelas!
A «Liberdade» pelos vistos é má administradora pois, num ápice, isto é, em 1978, já o país estava em bancarrota e com uma intervenção do FMI, a que se seguiu episódio semelhante, em 1981.
As divisas foram-se; o dinheiro para as pensões delapidado e da pesada herança em ouro, restam agora 382 toneladas (nunca foram apresentadas contas da sua alienação) das quais o Banco de Portugal não pode dispor, pois estão «hipotecadas» ao euro!
Sim ao euro, já que ficámos sem a tal 6.ª moeda mais forte e respeitada do mundo, coisa que nem a dinastia Filipina se tinha atrevido a fazer!
O povo, ou parte dele, também anda muito satisfeito, sendo rara a semana desde então, em que não houve uma greve ou manifestação…
Entretanto entrámos para a CEE, em condições de extrema fraqueza, em 1986 – ao contrário de 1973, em que negociámos um tratado de comércio altamente favorável – sem debate que se visse e sem referendo, mas engalanando em arco: estávamos (finalmente!) sentados à mesa dos ricos e os nossos problemas estavam resolvidos!
Trabalhar e organizarmos em conformidade não estava, obviamente, na equação. Para quê maçar os portugueses com estes preciosismos, devem ter pensado os adiantados mentais que nos meteram neste imbróglio…
Ainda tramavam a demagogia do voto através do qual o povo, embriagado de liberdade, tratava do seu destino!
Foi assim, não foi, Dr.ª Teresa?
E ainda havia a NATO, que nos defenderia de qualquer eventualidade, obviamente descartada para o símbolo das impossibilidades – esquecendo convenientemente, que para sermos parte de uma Aliança também temos de contribuir para ela…
Ora, como ainda por cima já não tínhamos «colónias» e não havia ameaças, as Forças Armadas (essa «Instituição anacrónica») não eram precisas para nada.
Desta forma começam a destruir a Instituição Militar estando o processo em vias de conclusão, no mínimo, bem encaminhado.
O mesmo caminho levou a Diplomacia.
Ora com a entrada para a CEE começou a chover dinheiro fácil, de vários programas comunitários, que a falsa elite tuga entendeu como oportunidade de negócio e promessa de caça ao voto, em vez de os aproveitarem para o que se deviam destinar, ou seja para serem usados parcimoniosamente no desenvolvimento do país e na reestruturação do Estado.
Em vez disso o país corrompeu-se e deixou-se corromper entre «fugas» para a frente, irresponsabilidade, negociatas ilícitas e na monumental estupidez de se pensar que tudo não passava de almoços grátis; que os recursos eram ilimitados e, ou, quem viesse atrás que apagasse a luz e fechasse as portas…
A classe política que desgovernou o país – originária na ditadura dos Partidos Políticos – é, sem dúvida, a que maior responsabilidade tem em tudo isto e o regime/sistema dito democrático implantado, entre sequestros e loucuras várias, nos idos de 1975/76, tem-se mostrado tão competente, que até faz com que o povo vote na sua própria destruição e no desaparecimento do País!
Mas, ao fim de 20 anos de entrarem nos cofres do Estado, cerca de dois milhões de contos/dia – uma soma astronómica que bate tudo o que trouxemos da Índia, do Brasil e de África, por larga margem e que nem sequer custou trabalho, vidas e fazenda a ir buscar – o país entrou novamente em bancarrota, ficando sujeito à humilhação não da bota cardada de algum exército inimigo, mas à muito pior vestimenta de veludo da «Troika», a qual à pala de nos baixar os juros dos empréstimos que passámos a contrair desenfreadamente, empobrecerem a população em geral – obrigando, entre muitas outras, à inaudita medida do corte das pensões, medida esta que não lembraria nem ao pior sátrapa do antigo Império Persa.
E não se ficaram por aqui: os «homens de fraque», a mando de rostos invisíveis, obrigaram à alienação liberal de empresas e património, que já deve ir no valor de cerca de 40 mil milhões de euros, para mão estrangeiras.
A última vai ser a TAP e os transportes públicos de Lisboa e Porto, que a bandalheira de sindicatos e administrações, de mãos dadas com a pusilanimidade dos sucessivos governos, provocaram a acumulação de um passivo de biliões de euros!
E, Dr.ª Teresa, ao contrário daquilo que o governo do Professor Salazar que a senhora indecorosamente abomina, mas que conseguiu recuperar, nos anos 30 e 40, quase tudo o que estava em mãos estrangeiras, aqui e no Ultramar (portos, caminhos de ferro, carris, telefones, etc., etc.), nem daqui a 200 anos o que agora se foi, terá hipóteses de retornar à lusa gente.
Aliás, daqui a 200 anos ainda vamos estar a pagar a dívida entretanto contraída e que não pára de crescer. A tal dívida com que a senhora julga que ficou rica…
Nessa altura os descendentes da Dr.ª Teresa, se é que algum, hão-de estar riquíssimos e inchados de liberdade. Tenha esperança!
Isto claro, se entretanto uma multinacional preta, amarela, branca, árabe, assim-assim, etc., não tenha comprado já o país todo e a Dr.ª Teresa já nem um metro quadrado de terreno disponha para plantar cenouras e assim ficar com os olhos mais bonitos.
Ou, até, que o grande capital internacionalista, em grande parte de inspiração (e usufruto) sionista, onde aparecem aflorações de índole reformista, consigam impor um governo mundial de que já não têm escrúpulos em falar (não é Dr. Durão Barroso?) e de que a UE aparenta ser uma peça importante do puzzle (estando a posição da Alemanha e da Rússia novamente a baralhar essas contas – ironias do destino…). (2)
Ou seja, Dr.ª Teresa, O actual regime político, depois de deixar alienar num ápice, cerca de 95% do território e 60% da população portuguesa – semeando guerras civis por todo o lado, que provocaram perdas estimadas entre um e dois milhões de mortos –, nada fez com riqueza que criou, já que tudo o que realizou desde o 25/4, foi feito com os bens que herdou, recebeu de bandeja de Bruxelas e, ou, pediu emprestado.
É difícil ser-se mais incompetente em qualquer parte do mundo!
*****
Agora a Liberdade. Não sabemos o que a Dr.ª Teresa entende por liberdade, mas sempre lhe quero dizer que esta, sendo um bem absoluto – por isso intangível – tem aplicação relativa.
Em termos comezinhos, tal quer dizer que a liberdade de cada um acaba quando colide com a liberdade do outro; que há vários «tipos» de liberdade e que há, até, hierarquia na liberdade.
A liberdade individual é para a Dr.ª Teresa mais importante do que a colectiva?
Como em tudo na vida, tem que ter regras que disciplinem e harmonizem as coisas, à luz da evolução dos conceitos morais de cada época.
O que é uma procura de sempre, mas não significa seguramente, cada um fazer o que quer. O que está sempre limitado pelo Direito Natural – conceito combatido por racionalistas, jacobinos e positivistas – e que quase desapareceu da escola, da família e da sociedade; pela Moral, pela Ética e pelas leis.
Estou seguro que, a agora moderadora, está também ciente de que em metade dos países da UE, existe o delito de opinião sobre certas matérias. Como vê uma medida muito democrática e respeitadora da liberdade…
Presumo que a Dr.ª Teresa já não seja do tempo daquele senhor que quando ouvia gritar por liberdade, ia à janela ver quem a turba levava preso, mas sempre lhe digo que este meu escrito tem 5% de hipóteses de alguma vez ser publicado, lido ou debatido, nos meios onde a senhora se movimenta e debita.
Do mesmo modo que, presumo, jamais entenderá (ão) a profundidade da citação do extraordinário estadista, que abre o texto, até porque todos, pelos vistos, querem ser ricos – o que está longe de significar, ter uma boa existência!
E ser «invencível» é superar as contrariedades e perseverar como nação independente e individualizada no concerto e desconcerto da Humanidade.
É isso que garante verdadeiramente a liberdade de todos nós e com isso as liberdades individuais.
A Dr.ª Teresa é livre de deixar a Nação dos Portugueses, mas já não lhe reconheço o direito, e por isso a liberdade, de querer acabar com a mesma.
E quando uma parte substancial das pessoas se começar a aperceber disto – e por toda a Europa já começaram – não há UE que resista. Dá guerra.
Cumprimentando.
(1) Os afloramentos de desenvolvimento industrial tentados pelo Conde da Ericeira, pelo Marquês de Pombal, Fontes Pereira de Melo e Alfredo da Silva, comparado com os planos de fomento dos anos 50 e 60 do século XX, podem apenas ser considerados de incipientes.
(2) Fukuyama, Fukuyama, não voltes, pois não estás perdoado!...
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