terça-feira, 8 de setembro de 2015
Vamos lá trocar umas ideias sobre o assunto
Helena Matos, Observador, 6 de Setembro de 2015
As causas estão para os enfastiados europeus como os brinquedos para as crianças mimadas. Depressa mandarão os refugiados sírios para o baú onde estão o leão Cecil mais as primaveras árabes.
Qual assunto? Os refugiados. Entendamo-nos: o número de pessoas que está a chegar à Europa é ínfimo. Há quarenta anos, em Setembro de 1975, quatro mil portugueses provenientes de Angola desembarcavam diariamente nos aeroportos da Portela e Pedras Rubras. Portugal, um pequeno país viu chegar, entre 1974 e 1976, mais de meio milhão de pessoas às quais nunca reconheceu o estatuto de refugiados. Chamou-lhes retornados.
À época não vimos fotografias das crianças mortas, que as houve, nem das mulheres violadas, nem dos condutores queimados vivos. Vimos alguns corpos, geralmente de negros, amontoados nas ruas de uma Angola a sossobrar na guerra. E, claro, tivemos depois as imagens de gente amontoada no aeroporto, dos bebés de biberon na boca a entreter o sono e dos caixotes em frente ao Tejo.
A experiência portuguesa ensina várias coisas. Escolhi três. A primeira delas é que o pior que pode acontecer a um povo é que o seu país desista dele ou que ele desista do seu país. A segunda é que o sucesso da integração é tanto maior quanto menos paternalista for o acolhimento. O terceiro ensinamento ganhei-o não a investigar o fenómeno dos retornados, mas sim a ver, ouvir e ler noticiários: vivemos de arrebatamento em arrebatamento e cada arrebatamento tem de ser mais arrebatado para compensar a anterior desilusão. Iniciámos o ano com o Syriza e a crise humanitária grega, depois veio o Varoufakis a dobrar a espinha à Merkel e a Catarina Martins aos pulinhos em Atenas (que as sibilas nos perdoem!). Abriam-se contas para financiar a Grécia (em troca podiam mandar-nos queijo e azeitonas ou uma fotografia assinada pelo Tsipras). E até houve quem marcasse férias na Grécia para ajudar a causa alternativa. Agora os gregos estão ainda mais pobres, vai haver novamente eleições, ninguém quer saber da Grécia para nada e a Catarina Martins já não pula, pelo menos em Atenas. Agora só se pensa, fala e sente o drama dos refugiados.
Temo sinceramente que à primeira desilusão com os ditos refugiados logo eles sejam esquecidos como todos os outros objectos da nossa solidariedade nos últimos anos.
As causas estão para os enfastiados europeus como os brinquedos para as crianças mimadas. Rapidamente mandarão os refugiados sírios para o baú onde estão os palestinianos mais o rais Arafat que vivia na mukata (oh que saudades da forma como na SIC se pronunciavam estes termos!), as primaveras árabes, o leão Cecil, os habitantes do Haiti, que continua devastado anos depois do terramoto, mas isso agora não interessa a ninguém, e essas cleptocracias africanas que ainda há alguns anos motivavam abaixo-assinados, cantos que se diziam livres, hinos e posters, tudo sempre em nome da libertação. Dentro de pouco tempo os refugiados sírios serão substituídos por outros protagonistas e depois bem podem permanecer acantonados num qualquer canto da Hungria que ninguém se interessará pelo seu destino.
Claro que no terreno ficarão as associações, os conselhos disto e daquilo, mais os mediadores que constituem o mundo do chamado apoio. Confesso que ao ler a descrição de algumas das iniciativas de recepção aos refugiados temo o pior. E aqui chegamos à minha segunda conclusão: o sucesso da integração é tanto maior quanto menos paternalista for o acolhimento. Veja-se o caso das aulas de Português separadas por sexos – coisa que alguns nem sequer frequentaram na sua Síria natal – que revela um estonteamento que só não é ridículo porque é perigoso. Tratar os refugiados como pessoas especiais é apenas prolongar a sua dependência e o seu ostracismo. Estratégia certamente interessante para quem, como é o caso dos radicais da política, se alimenta da indústria do ressentimento. Ou de quem vive de acusar os outros sem nunca responder pelo sucesso das suas intervenções, como acontece com várias das pessoas que trabalham na área do apoio social. Ao contrário do que se possa pensar, os mais dependentes dos apoios muito frequentemente não são aqueles que os recebem mas sim aqueles que os distribuem e que não podem deixar de os distribuir porque isso seria o fim da sua razão de existir.
Passemos finalmente para a conclusão que me falta: o pior que pode acontecer a um povo é que o seu país desista dele ou que ele desista do seu país. Em 1975, boa parte do país tinha de facto desistido dos portugueses de África – «Ó senhor tenente-coronel, porque é que está tão preocupado com isso? Eles comeram a carne, agora que roam os ossos.» – declarava Pinheiro de Azevedo a Gonçalves Ribeiro quando este militar lhe tentava explicar a necessidade de organizar uma ponte aérea para retirar os portugueses de África.
Hoje claramente os sírios não contam com a protecção do seu país e os bons europeus há muito que esqueceram que um país não é um catálogo de direitos. A presente crise dos refugiados para lá de evidenciar a degradação da vida nos seus países de origem coloca-nos face a um dos mitos do nosso tempo: a de que no Ocidente podíamos substituir as intervenções militares por intervenções humanitárias. Não podemos. Entre outras razões porque nos desumanizamos. Aliás não tardará que, se o fluxo de refugiados se mantiver nos actuais níveis, passemos todos a imitar a Hungria.
A ilusão de que podíamos viver rodeados de turbulentos vizinhos a quem nos momentos difíceis oferecemos medicamentos e provisões é falsa e perigosa. Ou temos força suficiente para participar no esforço de estabilização desses países – e isso não se faz com drones mas sim com exércitos –, ou acabamos a pôr tropas a perseguir os refugiados. É apenas uma questão de tempo.
Por fim e para o fim, uma questão que se me coloca de cada vez que leio aqueles títulos sobre a vergonha que estes refugiados representam para a Europa. Lamento ir contra a corrente mas não vejo ali vergonha alguma para a Europa. Estas pessoas fogem para Europa. Revelam aliás uma noção muito clara dos sítios onde querem viver nessa Europa. Vergonha será sim para os dirigentes dos seus países. E também para os países muçulmanos. Por exemplo, quantos refugiados recebeu o riquíssimo Qatar? E o também fabulosamente rico Dubai? E a piedosa, islamicamente falando, claro, Arábia Saudita? Note-se que nem me interrogo se seria possível, equacionável ou sequer imaginável que esses países nos acudissem a nós, europeus, se um qualquer desastre nos obrigasse a fugir intempestivamente. Mas ao menos para estas pessoas que são muçulmanas, onde está o apoio dos países islâmicos?
Os refugiados confrontam-se com as falhas dos países para onde fogem. Mas em primeiro lugar, como bem sabemos pela nossa própria experiência, o falhanço foi o dos seus países e dos seus líderes. Querer subestimar essa responsabilidade e transferi-la para outros é uma forma de desculpar o que não tem desculpa.
Sobre o que o futuro reserva a essas pessoas não sei. Mas sei que as próximas legislativas serão em Portugal muito provavelmente vencidas ou por um retornado, Passos Coelho, ou por um descendente de um goês, António Costa. E isso não me parece nada uma má notícia.
O Estado Islâmico:
desvendando o Exército do Terror
Carlos I. S. Azambuja
Cristãos, yazidis e turcos estão entre os mais
perseguidos pelo Estado Islâmico, grupo dissidente da Al Qaeda que ocupou
grandes partes do território do Iraque e da Síria. Eles estão sistematicamente
a fixar homens, mulheres e crianças baseados na sua filiação religiosa ou
étnica e estão a realizar impiedosamente uma limpeza étnica e religiosa
generalizada nas áreas sob o seu controle.
O Estado Islâmico surgiu em 2006 depois da invasão
dos EUA e seus aliados no Iraque, com sobreviventes da Al Qaeda no país, e
ganhou força entre 2011 e 2013 quando teve início a rebelião na Síria. O seu
actual comandante é Abu Bakr al-Baghdad.
Quando o EI invadiu a cidade de Mosul, capital da
província de Ninewah, no Iraque – conquistando uma extensão de terras
equivalente ao tamanho da Grã- Bretanha –, o EI possuía apenas 800 combatentes.
Hoje o seu efectivo é estimado pela CIA entre 20 mil e 40 mil combatentes com
acesso a recursos de 2 milhões de dólares oriundos de fontes diversas, entre as
quais sequestros, roubos e, principalmente, a exploração e venda de petróleo da
refinaria de Beiji, no norte do Iraque. Segundo experts, o Estado
Islâmico controla 12 campos de petróleo no Iraque e na Síria, com capacidade de
produzir 150 mil barris por dia, com receitas diárias estimadas em quase 3
milhões de dólares.
Cinco meses antes da queda de Mosul o presidente
Barak Obama havia menosprezado o EI, tachando-o de «um
bando inexperiente de terroristas».
De onde veio o Estado Islâmico e como ele conseguiu
fazer tanto estrago em tão pouco tempo?
Os Estados Unidos estiveram em guerra contra o EI
por quase uma década, incluindo aí as suas várias encarnações, como a Al-Qaeda
no Iraque, depois como Conselho Consultivo Mujahidin e, por fim, Estado
Islâmico do Iraque e do Levante.
Muita coisa relativa a esse inimigo totalitário e
teocrático permanece esquecida ou simplesmente pouco investigada. Debates a
respeito da sua ideologia, estratégia de guerra e dinâmica interna persistem em
todos os países comprometidos com a sua derrota. O EI é, na realidade, o último
rosto numa culminação sangrenta de uma longa disputa dentro da hierarquia
do jihadismo internacional.
Examinando o EI como ele é hoje em dia, com base em
entrevistas com militantes activos (alguns já falecidos), espiões, agentes
adormecidos e também as suas vítimas, chega-se à conclusão de que um dos
principais centros de recrutamento de militantes foram os presídios,
especialmente no Médio Oriente, que serviram, por anos, como academias do
terror, onde extremistas conhecidos puderam congregar, tramar e desenvolver as
suas habilidades de convencimento e liderança, recrutando uma nova geração de
combatentes.
O EI é uma organização terrorista, mas não é apenas
uma organização terrorista. É também uma máfia adepta em explorar mercados
obscuros internacionais que existem há décadas para o tráfico de petróleo e
armas. É um completo aparato de conluio que se infiltra em organizações rivais
e recruta silenciosamente membros activos antes do controle total dessas
organizações, derrotando-as no campo de batalha ou tomando as suas terras.
É uma máquina de propaganda eficiente e hábil na
disseminação das suas mensagens e no recrutamento de novos membros através das
redes sociais. A maioria dos seus principais comandantes serviu no exército ou
nos serviços de segurança de Saddam Hussein.
O EI apresenta-se para uma minoria sunita no Iraque
e uma maioria sunita mais perseguida e vitimada na Síria como a última linha de
defesa da seita contra uma série de inimigos – os «infiéis» Estados
Unidos, os Estados «apóstatas» do Golfo Pérsico, a ditadura alauita «Nusayri»
na Síria, a unidade «rafida» e de resistência no Irão e a última
satrápia de Bagdade. Estima-se que além do Estado
Islâmico existam outros 450 grupos rebeldes operando na Síria.
O EI, de forma brutal e inteligente, destruiu as
fronteiras dos estados-nação da Síria e do Iraque e proclamou-se o restaurador
de um império islâmico. Tem como capital a cidade de Mosul, o seu idioma
oficial é o árabe, o governo é um califado islâmico, declarado em 29 de Junho
de 2014; possui uma bandeira e um brasão de armas. Já criou a sua própria
bandeira, tribunais, ministérios, passaportes e até placas de carros. Em
Novembro de 2014 criou a sua própria moeda, parte de um plano para restaurar o
califado que dominou o Médio Oriente há mais de 1 300 anos.
Abu Bakr al-Baghdadi – ungido califa Ibraim –
proclamou o fim do ISIS (em inglês Islamic State of Iraq and
al-Sham) e o nascimento do Estado Islâmico no dia 28 de Junho de 2014, o
primeiro dia do Ramadão. A partir de então, apenas o Estado Islâmico passaria a
existir, dividindo a humanidade em dois campos. O primeiro era «o campo dos
muçulmanos e dos mujahidin (guerreiros sagrados) por toda a
parte»; o segundo era «o campo dos judeus, dos Cruzados e os seus
aliados».
O campo de treino do EI e dos seus antecessores, na
fronteira do Afeganistão com o Paquistão, que treinou os idealizadores dos
ataques ao World Trade Center, tem três fases distintas de treino e
doutrinação.
A primeira consiste em «dias de experimentação»,
com a duração de 15 dias, durante os quais um recruta é sujeito à «exaustão
psicológica e moral» – para separar os fracos dos verdadeiros
guerreiros.
A segunda é o «período de preparação militar»,
com a duração de 45 dias, durante os quais um recruta aprende como empunhar
armas leves, evolui para o lançamento de mísseis portáteis superfície-ar e cursos
de cartografia.
A terceira e última fase é o «curso de tácticas
de guerra de guerrilhas», no qual é ensinada a teoria militar de Von
Clausewitz para terroristas.
Em Março de 2009, o departamento de Defesa dos EUA
mudou oficialmente o nome das operações contra o EI de «Guerra Global Contra
o Terror» para «Operações Contingenciais Externas» e em
Maio de 2013 o presidente Obama declarou que a «guerra ao terror» tinha
terminado.
Sete meses depois, em Janeiro de 2014, numa
entrevista à revista «The New Yorker» Obama minimizou o poder do
Estado Islâmico comparando-o a um «jayvee» (equipa de desporto dos
estudantes do 3.º ano).
Se os EUA quisessem fazer uma demonstração de força
no Iraque e na Síria, poderiam expulsar rapidamente o EI dos seus esconderijos.
Porém, o difícil viria depois, com a provável onda de atentados e guerra
assimétrica que certamente duraria anos e teria custos enormes.
Obama, dezoito meses depois, em 8 de Junho de 2015,
disse que a sua administração «ainda não tinha nenhuma estratégia» para
lidar com o Estado Islâmico. Ao que tudo indica a sua administração continua «sem
estratégia até hoje». Pelo que se observa, o Estado Islâmico
sim, tem uma estratégia, pois a guerra jihadista contra o
Ocidente e seus aliados continua a crescer.
Em Agosto de 2014, Obama declarou que a estratégia
dos EUA no combate ao EI está amparada em quatro pilares: ataques aéreos, apoio
aos aliados locais, esforços de contraterrorismo para prevenir ataques, e
assistência humanitária contínua a civis.
Em Setembro de 2014 o presidente Barak Obama numa
sessão na ONU declarou que «os países devem evitar o recrutamento e o
financiamento de combatentes estrangeiros». Segundo ele, «os EUA irão
trabalhar para destruir essa rede da morte», em alusão ao Estado Islâmico.
E prosseguiu: «Nós vamos apoiar a luta dos
iraquianos e dos sírios para proteger as suas comunidades. Vamos treinar e
equipar as forças que estão lutando contra esses terroristas no terreno. Vamos
trabalhar para acabar com o financiamento deles e parar o fluxo de combatentes
que se juntam ao grupo. Eu peço ao mundo que se junte a nós nessa missão». E
concluiu fazendo um apelo aos muçulmanos para rejeitarem a ideologia do Estado
Islâmico.
Obama encerrou o seu discurso dizendo que «as
palavras que dissemos aqui precisam de ser transformadas em acção...com os
países e entre eles, não apenas nos dias que se seguem, mas nos anos que
virão». Uma resolução proposta pelos EUA foi aprovada por unanimidade
no Conselho de Segurança da ONU. No final, mais de 40 países ofereceram-se para
fazer parte da coligação «anti-EI», liderada pelos EUA.
Em Junho de 2015 Obama voltou a referir-se ao EI
declarando que «falta recrutar e treinar mais militares iraquianos dispostos
a combater o Estado Islâmico. Não temos ainda uma estratégia completa, pois
faltam compromissos dos iraquianos no que diz respeito a como é feito o
recrutamento e como é que as tropas serão treinadas».
Os EUA gastam, em média, cerca de 9 milhões de
dólares por dia para combater o Estado Islâmico, e os custos totais já passam
de 2,7 milhões desde o início da campanha de bombardeamentos contra o EI.
Em qualquer actividade – passando pela organização
e pela hierarquia –, o EI está anos-luz à frente das demais facções que actuam
na região. Apresenta o que parece ser o início da estrutura de um semi-Estado –
ministérios, tribunais e até mesmo um sistema tributário rudimentar –.
Nos campos de treino cerca de 300 crianças com
idades até aos 16 anos recebem instrução como combatentes e terroristas
suicidas no EI. Aprendem a ideologia fundamentalista e a manusear armas
pesadas. Esses campos são anunciados como «Clubes de Escuteiros».
Uma revista editada pelo Estado Islâmico,
intitulada «DABIQ»,
que já está na sua terceira edição, publicada em várias línguas, inclusive o
inglês, apresenta o EI como a única voz muçulmana no mundo, na tentativa de
cooptar estrangeiros para lutarem pelo califado no Iraque e na Síria.
Segundo o Conselho de Segurança da ONU, somente no
ano de 2014 cerca de 15 mil estrangeiros de mais de 80 países, viajaram à Síria
e ao Iraque a fim de lutarem ao lado do EI e grupos terroristas semelhantes. A
ONU ressaltou que o aumento nesse número ocorre numa escala «sem precedentes». Segundo
a União Europeia, mais de 5 mil europeus uniram-se à jihad na
Síria e no Iraque, mas segundo a comissária europeia da Justiça, esse número «é
muito subestimado».
O Estado Islâmico foi designado como organização
terrorista pelos seguintes países: EUA em 17/12/2004, Austrália em
2/3/2005, Canadá em 20/8/2012, Arábia Saudita em 7/3/2014, Inglaterra em
20/6/2014, Indonésia em 1/8/2014 e Alemanha em 12/9/2014.
Os cristãos que vivem nas áreas dominadas pelo
Estado Islâmico têm apenas três opções: converterem-se ao islamismo; pagar um
imposto religioso (o jizya); ou morrer.
Militantes do Estado Islâmico estariam sendo
contrabandeados para a Europa pelas gangues que operam no mar Mediterrâneo,
segundo uma fonte do governo líbio declarou à BBC. Os extremistas são
misturados com migrantes que viajam nos barcos desde a costa africana em
direcção ao continente europeu, porque a polícia não sabe quem é refugiado e quem
é militante do EI, pois isso é extremamente difícil.
Em Setembro de 2015, a polícia federal descobriu
uma rede de apoiantes do Estado Islâmico em São Paulo. A descoberta assusta,
ainda mais porque o TERRORISMO NÃO É CONSIDERADO CRIME NO BRASIL.
Para concluir, uma análise do general Álvaro
Pinheiro, em Abril de 2015:
segunda-feira, 7 de setembro de 2015
Pelo fim imediato da entrada
de refugiados em Portugal
Para: Assembleia da República Portuguesa
CONSIDERANDO QUE:
– Portugal tem mais de 2 milhões de pessoas quase no absoluto limiar da pobreza;
– Portugal tem mais de 150 00 crianças com fome;
– Portugal tem uma taxa de desemprego superior a 20%, entre os quais mais
de 70 000 licenciados;
– Portugal está na cauda da Europa no que diz respeito ao rendimento familiar.
– Portugal apresenta uma taxa enorme, de pessoas conhecidas como «Sem abrigo».
CONSIDERANDO TAMBÉM QUE:
– Os Portugueses têm uma elevada taxa de crédito mal-parado devido à crise instalada o que levou a que:
– Fossem obrigados a entregar as suas habitações, automóveis e restante património aos bancos por falta de pagamentos das prestações ora assumidas;
– Entrassem em listas de incumprimento geridas pela actividade bancária e para-bancária o que:
– Limita-lhes a obtenção de qualquer tipo de empréstimo para refazerem a sua vida familiar e profissional.
LOGO:
Não é justo, sendo mesmo uma afronta aos Portugueses supra-citados (que vivem miseravelmente) e aos outros sobrecarregados de impostos vários que os refugiados tenham, entre outras benesses:
– Subsídio de «integração»;
– Habitação mobilada e equipada;
– Consumo de electricidade gratuito (na medida em que está paga pelo estado)
– Consumo de água gratuito (na medida em que está paga pelo estado)
– Consumo de gás gratuito (na medida em que está paga pelo estado)
– Consumo de telecomunicações gratuito (na medida em que está paga pelo estado)
A somar a isto tudo ainda:
– Formação profissional paga!
ASSIM PRETENDE ESTA PETIÇÃO:
Recolher assinaturas suficientes, no sentido de obrigar a Assembleia da República a proibir a entrada de refugiados em território português.
Os Peticionários:
Salvador Costa e todos os administradores do grupo no Facebook «Pelo fim imediato da entrada de refugiados em Portugal» com endereço em:
Contactos do criador da petição:
Correio electrónico: salvador.costa@gmail.com
Apoie esta Petição. Assine e divulgue.
O seu apoio é muito
importante.
quinta-feira, 27 de agosto de 2015
Ele denunciou a corrupção.
Agora está morto.
Caros amigos,
Rubén Espinosa, repórter fotográfico mexicano, acabou de ser encontrado morto, e o seu corpo tinha marcas de tortura. Junto a ele estavam Nadia Vera, activista dos direitos humanos, e três outras mulheres.
A liberdade de expressão está sob ataque numa das mais antigas democracias da América Latina. Rubén é o 14.º jornalista assassinado no estado sulista de Veracruz, cujo governador Javier Duarte tem feito ameaças abertas contra jornalistas. Praticamente nenhum destes crimes foi solucionado.
O repórter fotográfico mexicano Rubén Espinosa acabou de ser encontrado morto, depois de ter sido torturado. Uma das mais antigas democracias da América Latina, o México é hoje um dos lugares mais perigosos do planeta para quem denuncia. Assine esta carta aberta exigindo o fim da violência contra jornalistas que estão apenas a cumprir o seu dever! Quando um número suficiente de pessoas assinar, a Avaaz vai publicá-la na primeira página dos principais jornais mexicanos:
Este caso, porém, levou milhares de pessoas às ruas e detonou uma bomba na imprensa nacional e internacional. Agora pessoas como o actor Gael García Bernal, o jornalista Caco Barcellos, o escritor John Green e centenas de outros jornalistas, escritores e artistas assinaram uma carta aberta pedindo justiça para os jornalistas assassinados no México por causa do seu trabalho.
A carta já está a causar repercussão dentro do governo, mas se a gente acrescentar mais de um milhão de assinaturas e publicá-la nas primeiras páginas dos jornais mexicanos, será possível conseguir justiça e mostrar que pessoas de todo o mundo estão do lado da liberdade de expressão no México. Adicione a sua voz agora:
https://secure.avaaz.org/po/ruben_global_l/?bknmhdb&v=63680
O México aparece como um dos países mais perigosos do mundo para exercer a profissão de jornalista, em pé de igualdade com nações arrasadas pela guerra, como o Iraque, Afeganistão e Somália. E desde que o presidente Peña Nieto assumiu o poder, os ataques contra a imprensa aumentaram em 80%.
O México é assolado por um nível de violência inacreditável há mais de uma década. Cartéis travam uma verdadeira guerra pelo controle do lucrativo tráfico de drogas. Uma quantidade enorme de jornalistas foi assassinada por denunciar esses grupos criminosos, embora especialistas afirmem que muitas das mortes podem ser atribuídas a denúncias contra a corrupção política. Eu sofri isso na minha própria pele. Após ameaças de morte por causa da minha cobertura política no México, fui forçada a fugir do país mais de uma vez. Já fui torturada e presa por políticos corruptos.
Em Veracruz, estado ao sul do país onde Rubén trabalhou vários anos, outros 13 jornalistas foram assassinados recentemente, sob o governo detestável de Javier Duarte. Conhecido por ameaçar jornalistas constantemente, ficou aparentemente muito irritado por causa de uma foto tirada por Rubén mandando tirar a revista, onde ela foi publicada, de circulação por toda a capital.
Em Junho, Rubén Espinosa disse a alguns colegas que ele estava a ser seguido e ameaçado por homens que usavam uniformes da segurança do estado de Veracruz. Também afirmou que alguém no governo do estado o ameaçou directamente, dizendo que ele devia «parar de tirar fotos se não quisesse acabar como a Regina», referindo-se a Regina Martinez, jornalista assassinada em 2012.
Mas a trágica morte de Rubén pode ser um marco contra toda essa violência, pois milhares de pessoas uniram-se na cidade do México, lamentando o assassinato e exigindo justiça. Se ficarmos ao lado dessas pessoas e publicarmos esta carta impactante, vamos mostrar ao governo mexicano que ele está no centro das atenções e que o mundo inteiro pede justiça e medidas urgentes para acabar com esses assassinatos. Junte-se ao apelo: jornalistas no México e em qualquer parte do mundo devem fazer o seu trabalho sem pagar por isso com as suas próprias vidas:
https://secure.avaaz.org/po/ruben_global_l/?bknmhdb&v=63680
Quando a liberdade de expressão esteve sob ataque, a comunidade de Avaaz reagiu incansavelmente. Agora é a hora de nos unirmos para apoiar os corajosos repórteres e activistas mexicanos. Vamos mostrar-lhes que não estão sozinhos: este é o verdadeiro sentido de solidariedade global. Sabemos que isto pode fortalecer-los na linha da frente e virar a página de forma surpreendente.
Não seremos silenciados,
Lydia Cacho, jornalista mexicana e activista pelos direitos humanos,
com a equipe da Avaaz.
PS: Se você é jornalista ou escritor, clique neste link especial para aderir à campanha.
FONTES:
Fotojornalista e quatro mulheres são encontrados mortos na cidade do México
(Portal Imprensa)
http://portalimprensa.com.br/noticias/internacional/73587/fotojornalista+e+quatro+mulheres+sao+encontrados+mortos+na+cidade+do+mexico
Morte de fotojornalista estabelece novo marco na violência contra a imprensa no México
(O Público)
http://www.publico.pt/mundo/noticia/morte-de-fotojornalista-estabelece-novo-marco-na-violencia-contra-a-imprensa-no-mexico-1703892
Rubén Espinosa, o número 88. A primeira morte de um jornalista deslocado na capital do México
http://expresso.sapo.pt/internacional/2015-08-04-Ruben-Espinosa-o-numero-88.-A-primeira-morte-de-um-jornalista-deslocado-na-capital-do-Mexico
Morte de jornalista gera protestos no México (DW)
http://www.dw.com/pt/morte-de-jornalista-gera-protestos-no-m%C3%A9xico/a-18624307
Presidente Peña Nieto: investigue assassinatos de jornalistas no México e estabeleça mecanismos para proteger as suas vidas (PEN) (em inglês)
http://www.pen.org/blog/president-pe%C3%B1a-nieto-investigate-murders-journalists-mexico-and-establi…
«Querem apagar jornalistas no México» (The Observer) (em inglês)
http://www.theguardian.com/world/2015/apr/11/mexico-fearless-journalist-lydia-cacho
Escritores criticam «censura na base da bala» no México (FT) (em inglês)
http://www.ft.com/intl/cms/s/0/982885d2-4501-11e5-af2f-4d6e0e5eda22.html#axzz3j6oRq2tO
«Jornalistas estão sendo abatidos» – O problema do México com a liberdade de imprensa (The Guardian) (em inglês)
http://www.theguardian.com/world/2015/aug/04/journalists-mexico-press-freedom-photographer-ruben-espinosa-murder
terça-feira, 25 de agosto de 2015
Nós e o fisco
João Miguel Tavares, Público, 18 de Agosto de 2015
O texto que publiquei na semana passada acerca das minhas desventuras com a Autoridade Tributária (AT) provocou inúmeras reacções, e a quantidade de gente que se solidarizou comigo e partilhou a sua própria história infeliz com a AT é uma demonstração clara de que o assédio fiscal é hoje uma prática generalizada em Portugal. Ainda que algumas pessoas possam estar zangadas por más razões (antigamente conseguiam escapulir-se ao fisco e agora já não), a esmagadora maioria dos leitores – ou, melhor dizendo, dos contribuintes – que me abordaram para partilhar a sua indignação queixavam-se não tanto do que pagavam, mas da forma como eram sistematicamente maltratados pelas Finanças.
E esse era, de facto, o ponto essencial do texto. Houve leitores maldispostos que me acusaram de estar a aproveitar a última página do PÚBLICO para me queixar de problemas pessoais, mas a verdade é que a tese central da crónica não estava relacionada com a falta de prazer que a minha prosa proporcionava à AT (embora a invocação de um critério de gosto para efeitos fiscais me pareça francamente bizarra e seja igualmente um bom tema de debate, como o demonstraram os artigos do Expresso e do Diário Económico), antes com o tratamento subsequente que me tem vindo a ser dado, após o caso dar entrada em tribunal.
Se no caso particular dos direitos de autor e da criação artística e literária se pode invocar que a lei é dúbia e passível de múltiplas interpretações, nada justifica que eu continue a receber mails ameaçadores da AT após o caso ser entregue nas mãos da justiça. Mais: este fim-de-semana cheguei a casa vindo de duas semanas de férias e tinha três cartas da AT a informarem-me de que o valor que tinha a receber pelo IRS de 2014 tinha ficado retido. Motivo: «Aplicação do crédito em dívidas de execução fiscal». Ou seja, apesar de eu estar à espera que os tribunais decidam acerca do meu conflito com as Finanças e de ter sido obrigado a apresentar caução da totalidade da dívida mais 25%, o fisco, pelo sim, pelo não, continua a embolsar anualmente o dinheiro que me é devido após a liquidação do IRS. Com alguma sorte, quando chegar ao julgamento a dívida já não existe.
Ao serem confrontados com estas histórias, os meus camaradas liberais não têm piedade e acusam o meu texto original de encerrar em si uma contradição insanável. Escreveu André Azevedo Alves no Observador, após lamentar o tratamento que me tem sido dado pelo fisco: «Não se compreende é que Tavares celebre ‘efusivamente o aperto da malha tributária’, sem se dar conta de que está a enfrentar as consequências daquilo que tão efusivamente celebra.» E acrescenta: «Os objectivos de efectiva maximização do saque fiscal tudo justificam e sobrepõem-se frequentemente aos mais elementares direitos dos cidadãos e aos mais básicos princípios de decência.»
Ora, não me parece inevitável que o aperto da malha tributária tenha como consequência directa o abuso dos direitos dos cidadãos. Se assim fosse, estaríamos condenados a escolher entre dois estados de coisas: o de antigamente, em que quase só os trabalhadores por conta de outrem pagavam os impostos devidos; ou o de hoje, em que todo o contribuinte é gatuno por defeito. Se for preciso, invoquemos Santo Onofre, padroeiro dos bêbados e do dinheiro: há-de ser possível encontrar um caminho intermédio entre roubar o Estado e extorquir o contribuinte. É esse caminho que eu desejo percorrer – e desconfio não ser o único.
segunda-feira, 17 de agosto de 2015
Igualitarismo fracassado
Uma empresa estipulou salário mínimo
anual de 70 mil dólares…
Jonathan Newman
A notícia apareceu em todos os meios de comunicação do mundo, primeiro em tom de elogio, depois em tom de lamento: Dan Price, fundador e presidente da Gravity Payments, uma sociedade de serviços de pagamento localizada na cidade americana de Seattle, reduziu o seu próprio salário anual em US$ 930 mil para poder elevar o salário mínimo dos seus funcionários para US$ 70 mil por ano.
LER MAIS EM:
http://mises.org.br/Article.aspx?id=2163
Pacheco Pereira:
um político falhado
João Marques de Almeida, Observador, 7 de Agosto de 2015
Por estes dias, no quente de Agosto, retirado na Marmeleira, Pacheco Pereira deve passar grande parte do seu tempo em «diálogo» com Sá Carneiro, queixando-se da sua solidão e confessando, em conversas imaginárias com o antigo líder do PSD, que é o único que verdadeiramente o entende. Pacheco resolveu competir com Santana Lopes pelo estatuto do mais «devoto Sá-Carneirista.» Para Santana, conta mais o estilo e o modo de fazer política. Pacheco privilegia o pensamento e a substância, julgando-se o «herdeiro social-democrata» de Sá Carneiro.
Perdido no meio de tantos livros, corre também ele o risco de se perder. Aliás, o seu último artigo na Sábado é de um homem cego pelo ódio ao actual primeiro-ministro, e cheio de azedume. É raro ler um artigo com tanta desonestidade intelectual e política. Sem o mínimo de respeito pelo contexto histórico, Pacheco andou a procurar citações de Sá Carneiro para validar as suas opiniões. É um truque baixo, indigno de um «historiador» – se há quem perceba devidamente a importância de colocar as citações nos contextos históricos correctos são os historiadores – e ofensivo da memória de Sá Carneiro. Nem Santana Lopes, nos momentos de maior fervor populista dos congressos do PSD, conseguiu instrumentalizar de um modo tão grosseiro o fundador do partido. Pacheco quer reescrever a história intelectual do PSD. Para demonstrar que o governo e a liderança do partido pertencem à «direita radical», está a construir um «novo Sá Carneiro», o «social-democrata de esquerda», tal como o próprio Pacheco. O desespero e a imaginação não conhecem limites na biblioteca da Marmeleira.
Pacheco Pereira exibe, todas as semanas, com o seu radicalismo primário a dimensão do seu fracasso como político. Nos anos de maior sucesso, durante o cavaquismo, o seu brilhantismo intelectual sobressaia e depressa se destacou no PSD. No entanto, o brilho e a inteligência não são suficientes para uma carreira política de sucesso. A humildade, a resistência, a capacidade de transformar derrotas em vitórias, a inteligência emocional, a sabedoria social, são igualmente importantes. Pacheco nunca mostrou possuir estas qualidades. Não se destacou como legislador – e o papel de um parlamentar não se esgota nos talentos oratórios –, nunca exerceu qualquer lugar executivo de relevo. Por isso Pacheco nunca testou a sua capacidade de decisão, uma das qualidades mais importantes num político. Ou seja, no seu melhor período, Pacheco não passou de um bom tribuno. A sua folha de serviços nada mais tem para apresentar.
Depois, com a liderança de Durão Barroso, foi eleito para o Parlamento Europeu. Poderia ter sido uma boa oportunidade para relançar a sua carreira de político. Mas, mais uma vez, uma oportunidade perdida. E mais uma vez, por causa dos pecados que o caracterizam, sobretudo a imensa vaidade. Pacheco chegou a Bruxelas julgando que os seus colegas parlamentares se renderiam imediatamente à sua inteligência e aos conhecimentos adquiridos com as suas leituras (que de resto exibe com um zelo profissional). Claro que ninguém ligou ao Pacheco chegado de Lisboa. No Parlamento Europeu, não basta ser inteligente e ter opiniões. Também é necessário ler documentos maçadores, escrever relatórios sem interesse literário ou mesmo analítico, preparar emendas legislativas, fazer alianças políticas, saber sofrer, aceitar a derrota e trabalhar arduamente para a vitória. Tudo isto é demasiado vulgar para quem gosta de subir ao seu assento etéreo para discutir a «social-democracia com Sá Carneiro.»
No seu percurso político europeu, não se destacou por reflexões sérias sobre os desafios e os problemas do Euro – e foi na altura que se iniciou a união monetária – ou sobre os perigos da hegemonia alemã, cuja natureza se começava a manifestar. Agora que é popular criticar o Euro e atacar a Alemanha, é demasiado fácil. De novo, Pacheco terminou um período político desanimado com a realidade, a julgar todos os outros errados e ele, como sempre, solitariamente certo. Um dia um deputado europeu definiu com acerto a passagem de Pacheco por Bruxelas: «Achava que chegava, dizia umas coisas inteligentes e todos fariam vénias à sua sabedoria. Como isso não aconteceu, passou a criticar a União Europeia.»
Pacheco Pereira ainda teve mais um curto momento político, junto a Ferreira Leite, quando esta foi líder do partido. Na altura, foi notada a sua defesa da «austeridade» antes das políticas de «austeridade». Estou mesmo convencido que se tivesse sido a primeiro-ministro Ferreira Leite a aplicar o memorando de entendimento, Pacheco teria sido o grande ideólogo da austeridade (e talvez passasse fins de semana na Marmeleira à procura de citações de Sá Carneiro para a justificar). Mas a vida partidária de Pacheco acabou com a triste prestação eleitoral da sua «líder».
Mas o pior estaria para vir com a vitória eleitoral de Passos Coelho e a sua elevação a primeiro-ministro; ainda por cima aliado a Paulo Portas: os dois ódios de estimação de Pacheco. Este ódio que o alimenta (e atormenta) tirou-lhe a lucidez que restava. Está há quatro anos a escrever o mesmo artigo, e duas vezes por semana; além de o repetir uma terceira vez na televisão. E aparentemente não percebe. Depois dos fracassos da política, adoptou como cronista a política do ódio e do ressentimento. O oposto de tudo o que foi Sá Carneiro. Pobre Pacheco.
sexta-feira, 14 de agosto de 2015
Petição
Caros Amigos,
Acabei de ler e assinar a petição: «Queremos a nossa Força Aérea Portuguesa novamente no combate aos incêndios!» no endereço http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=P2013N70630
Pessoalmente concordo com esta petição e cumpro com o dever de a fazer chegar ao maior número de pessoas, que certamente saberão avaliar da sua pertinência e actualidade.
Agradeço que subscrevam a petição e que ajudem na sua divulgação através de um email para os vossos contactos.
Obrigado.
José Luis Cabral da Gama Lobo Salema
Esta mensagem foi-lhe enviada por José Luis Cabral da Gama Lobo Salema (joseluissalema@gmail.com), através do serviço http://peticaopublica.com em relação à Petição http://peticaopublica.com/?pi=P2013N70630
Wikileaks revela os subterrâneos da estratégia
sudanesa para exportar o islamismo para toda a terra
«Riyad concedeu meios financeiros, nomeadamente a pregadores no estrangeiro, construiu mesquitas, escolas, centros e apoiou campanhas para neutralizar os responsáveis e meios de comunicação do estrangeiro.» —afirma o New York Times.
Publié le 24 Juillet 2015
Selon quotidien américain The New York Times, qui trié et étudié des dizaines de milliers de documents diplomatiques saoudiens révélés par le site WikiLeaks, l'Arabie Saoudite investit «des milliards de pétrodollars dans des organisations islamiques à travers le monde, pratiquant une diplomatie du chéquier». Le New York Times s'est intéressé à 60 000 documents, en attendant les 400 000 supplémentaires qui sont en attente de publication selon WikiLeaks. Ces fuites diplomatiques révèlent notamment que l'Arabie Saoudite dépense des sommes colossales pour combattre l'Iran chiite.
«Les Saoudiens craignaient que la levée des sanctions internationales contre l’Iran après la signature de l’accord nucléaire (16 juillet) donne davantage de moyens à Téhéran pour soutenir des groupes (chiites et pro-iraniens). Mais les documents révèlent une compétition qui va bien au-delà, avec de profondes racines idéologico-religieuses» peut-on lire dans le New York Times.
>>>> à lire aussi : Le royaume des secrets gênants : ce que les nouvelles fuites Wikileaks nous apprennent sur l’Arabie saoudite
Consécutivement à la publication de ces documents diplomatiques par WikiLeaks, le site India TV note par exemple que «dans la seule région du Kerala (en Inde), les Saoudiens ont donné 4,5 millions de riyals (1,1 million d’euros) à différents organisms».
Selon le quotidien américain, cité par Courrier International, il s'agit d'un «système d’influence que les autorités saoudiennes ont mis en place et financé par l’argent des pétrodollars. Riyad a notamment accordé des moyens financiers à des prédicateurs à l’étranger, construit des mosquées, des écoles, des centres et soutenu des campagnes pour contrer des responsables et des médias à l’étranger qui étaient susceptibles de s’opposer à l’agenda du Royaume».
D'après Usama Hasan, chercheur en études islamiques à la fondation Quilliam à Londres, cité par new York Times, «il s’agit de milliers et de milliers d’organisations militantes et religieuses (...) directement ou indirectement financées par eux» à travers le monde.
LEIA MAIS EM http://www.atlantico.fr/pepites/wikileaks-revele-dessous-strategie-saoudienne-pour-exporter-islamisme-partout-planete-2253161.html#J8jQVgvIyKBc8g7r.99
630 anos da batalha de Aljubarrota
A independência de Portugal como terra livre de
gente livre foi confirmada com sangue e sacrifício, pela força das armas, na
batalha de Aljubarrota, na tarde de 14 de Agosto de 1385. Faz 630 anos, um
momento decisivo da nossa história mostrou aquilo de que fomos capazes quando
estávamos unidos por uma vontade comum e sabíamos escolher chefes capazes e
dignos de confiança.
Desde a Fundação da nacionalidade, no século
XII, até à expulsão dos mouros do nosso território com a conquista
definitiva do Algarve por D. Afonso III, em 1249, a prioridade estratégica dos
reis de Portugal foi a Reconquista. No entanto, as ameaças hegemónicas de
Castela e a política de casamentos entre a família real portuguesa e as dos
outros reinos cristãos da Península Ibérica (Castela, Leão, Aragão e
Navarra), estiveram a ponto de levar o nosso país ao mesmo destino dos outros
reinos peninsulares, absorvidos pela força centrípeta dos castelhanos. As
derrotas de D. Fernando nas três guerras travadas contra Juan I saldaram-se
pelo desastroso casamento da sua filha e herdeira, D. Beatriz, com o rei
castelhano. Por morte de D. Fernando, em 1383, Juan I veio reclamar a herança
da sua rainha: o trono de Portugal.
A viúva de D. Fernando, D. Leonor Teles, seguida
pela maior parte da aristocracia lusitana, seguiu as regras próprias da época
do feudalismo e reconheceu sua filha D. Beatriz como sucessora, conforme
estipulava o Tratado de Salvaterra de Magos, assinado por D. Fernando.
Em Dezembro de 1383, o Mestre de Avis, D. João,
filho natural do rei D. Pedro I e meio-irmão de D. Fernando, encabeçou uma
revolução, com o apoio do povo da capital do reino, expulsou de Lisboa os
partidários de D. Leonor, D. Beatriz e dos castelhanos, depois de assassinar,
em pleno palácio real, o conde João Fernandes Andeiro, um nobre galego que se
tornara amante e principal conselheiro da rainha viúva.
As notícias da revolução de Lisboa puseram o
país em pé-de-guerra: de Norte a Sul, muitas cidades e castelos tomaram voz
pelo Mestre de Avis, já nomeado Regedor e Defensor do Reino.
Rei por vontade do povo
Após uma prolongada resistência das forças
patrióticas contra as pretensões de Juan I de Castela, que entretanto
invadira Portugal e pusera cerco a Lisboa durante meses (1384), até ser
obrigado a retirar por um surto de peste, reuniram-se Cortes em Coimbra para
resolver o problema da sucessão.
Em Março de 1385, os representantes do clero, da
nobreza e do povo dividiram-se em duas facções. Os partidários de D. Beatriz
primaram pela ausência, preferindo defender os seus direitos pela força das
armas, ao lado do rei de Castela. Dos presentes em Coimbra, uma facção, onde
se destacavam membros da alta nobreza e do alto clero, declarou-se favorável
aos infantes D. João e D. Dinis, filhos do rei D. Pedro e de D. Inês de
Castro, sustentando que estes deviam ser considerados filhos legítimos, uma
vez que os seus pais tinham chegado a casar-se, embora clandestinamente. O
outro «partido», formado sobretudo por elementos da baixa nobreza e
representantes dos concelhos, apoiava o Mestre de Avis, por quem se tinham
manifestado em Lisboa e outras cidades e vilas.
terça-feira, 4 de agosto de 2015
A língua portuguesa e o século XXI
Juca Ferreira, 3 de Agosto de 2015
Sociólogo, ministro de Estado da Cultura do Brasil
Convoquemos todos para a construção de uma estratégia planetária para a língua portuguesa.
O século XXI começou a testar todos os falantes da língua portuguesa. Está a exigir-nos um protagonismo de grandes proporções. Hoje, há uma expressiva presença do nosso idioma em todos os continentes, que não pára de crescer e adquirir amplas dimensões planetárias.
Compomos um universo de falantes que supera outras línguas muito mais tradicionais no mundo da cultura e dos negócios. Somos mais falados do que o italiano e o alemão. O francês supera-nos apenas quanto ao número de falantes não nativos. Juntos, estamos entre as cinco maiores economias do planeta.
A língua portuguesa está-nos a exigir uma afirmação global, e a solicitar-nos uma obrigação para com ela. Impressiona-me que não tenhamos uma política comum a todos os países que falam o português. Quem há-de negar que precisamos definir uma grande estratégia cultural de presença no mundo que abranja todo o nosso território linguístico?
Quem há-de subestimar a importância da língua? É grande a sua dimensão social, política, económica e geopolítica. É muito mais que uma ferramenta de comunicação. Nela, não estão armazenados somente conhecimentos e informações. A língua é a cultura que ela produz. É quem nos dá os sentidos. É o universo desenhado por ela que nos referencia e nos singulariza. A língua gera coesão, fortalece-nos no mundo globalizado, «é a casa onde moramos». Nela, se deposita (know how), tecnologia. Língua também é economia.
Não subestimemos o assunto. Ele é sério. Estamos diante de uma questão de afirmação da qual não nos podemos escapar. Através da nossa cultura podemos afirmar uma visão de mundo, um modo de vida, projectos de civilização fundados em estratégias generosas e abrangentes. Estou convencido de que podemos ser portadores de uma mensagem planetária singular.
No mundo globalizado em que vivemos, nunca houve tantas trocas de ideias, de discurso, de palavras, entre todos os falantes da língua portuguesa – nunca houve tanto conhecimento e reconhecimento mútuo.
O português de Portugal, o português que emerge nos países africanos e a língua que é falada no Brasil formam um só idioma. Não tenho dúvidas que uma ortografia comum, como parte de uma maior interacção cultural, nos dará a grandeza e dimensão que os nossos artistas e escritores projectam.
É claro que precisamos de uma ortografia uniformizada. É insensato não crer na necessidade de um acordo ortográfico. Possíveis erros de condução não diminuem a sua importância, e o que representa para o fortalecimento da língua no contexto global. A diversidade e a riqueza de um português que floresce em vários cantos do planeta, e que a enriquece, sem uma escrita comum podem vir a comprometer a sua unidade.
Precisamos dar novos passos para a consolidação de uma comunidade de língua portuguesa, compartilhar o nosso universo cultural num grau e proporção ainda não experimentado. Precisamos fortalecer acções de colaboração e integração mútua rumo a uma maior projecção global.
Convoquemos todos para a construção de uma estratégia planetária para a língua portuguesa. Convoquemos aqueles que com ela criam, tendo-a como matéria prima, aqueles que a mantêm viva, que a recriam diariamente e que expressam os seus falares.
Convoquemos os poetas, os escritores, os artistas, os jornalistas, os cronistas, os tradutores, os editores, os professores, os filólogos, os intelectuais, os sociolinguistas, os media, os críticos literários e, também, os padronizadores. Precisamos de todos, inclusive dos Estados nacionais.
Pensemos a língua nas suas diversas dimensões. Consolidemos um universo cultural comum, não apenas nas suas expressões literárias e poéticas, mas também na música, no teatro, no cinema, no pensamento; e nas suas publicações na internet, na rádio, no jornalismo, na TV, etc. etc. Pensemos globalmente.
Não podemos, enfim, simplificar o assunto, reduzindo-o a uma questão puramente técnica. Não podemos desligar a uniformização da ortografia de um contexto cultural mais amplo que diga respeito a toda a comunidade lusófona.
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