sábado, 17 de setembro de 2016
segunda-feira, 8 de agosto de 2016
Os amorais
João Gonçalves, Jornal de Notícias, 8 de Agosto de 2016
Costa move-se sempre no
limiar do delito político. Começou por derrubar Seguro depois de este ter dado
duas vitórias ao partido. A seguir, recuperou algum pessoal do «socratismo»,
desprezando ostensivamente Sócrates, quando percebeu que a «teoria do poucochinho»
se ia virar contra si. O poucochinho das legislativas levou-o a arranjar
comparsas que lhe dessem o que faltava. Começou, aliás, a tratar disso mal leu
o destino na opinião pública. Arranjou uma maioria parlamentar, esquadrinhada
em três ou quatro papeletas bilaterais, que lhe permitiu um Governo
minoritário, um programa, um Orçamento falacioso e outras bizarrias que vão
saindo no «Diário da República». Os
comparsas do Bloco e do PC não se preocupam excessivamente com detalhes. O que
ainda há menos de um ano seria alvo de intensa berraria e «luta», agora faz-se
de conta que não existe. Para estes beneméritos, não há aumento directo ou
encapotado de impostos, não há caciquismo PS e não existem reclamações acerca
do estado geral da nação. A ausência da «direita» do poder basta a estas almas
hipócritas como consolo. A tolerância destes novos beatos, sobretudo os
invertebrados e laicos do Bloco, para com o Governo de Costa também se nota em
coisas como as que envolveram o ministério do dr. Brandão e três secretários de
Estado por causa da bola e de uma empresa privada. Do primeiro, veio a «fonte»
que induziu este jornal a um título, desmentido adequadamente na edição
seguinte, sobre um juiz que alegadamente seria «interessado» numa sentença
desfavorável ao ministério. Este episódio induzido deu azo a um artigo
repelente do «Público» que mais parecia um relatório pidesco sobre a vida
privada do juiz. O assunto, não encerrado, dos secretários de Estado seria
simplesmente grotesco e irrelevante, se as reacções oficiais não tivessem sido
o absurdo que foram, revelando uma falta de escrúpulos pela inteligência do
comum dos cidadãos. Não existem «usos e costumes» que desculpem atitudes,
activas ou passivas, que anulam qualquer tipo de autoridade política ou administrativa
e que desprestigiam o Estado. Tudo e todos somados, parece estarmos entregues a
amorais simples, ou seja, a políticos que ignoram o imperativo categórico da
interiorização, da vinculação absoluta e da espontaneidade dos
deveres éticos. É o Portugal contemporâneo de que Oliveira Martins narrou, como
ninguém, o «exemplo singular de desordem moral», das «podridões do egoísmo» e
dos «defeitos próprios de aventureiros».
segunda-feira, 25 de julho de 2016
Cantão suíço de Ticino
Burqa proibida e sujeita a pesada multa
O parlamento do Cantão de Ticino, na Suíça, aprovou
uma lei que pune as mulheres que usem burqa ou niqab com multas que variam
entre os 92 e os nove mil euros.
A decisão foi tomada depois de um referendo ter provado que a proibição de cobrir a cara em espaços públicos é defendida por dois em cada três eleitores.
A lei, que entra em vigor nas próximas semanas, aplica-se também a turistas, pelo que a informação vai ser difundida em estações rodoviárias e ferroviárias e em aeroportos.
Desta forma – inspirada na lei francesa – pretende-se promover a integração social naquela região da Suíça, onde 2% dos 350 mil emigrantes é muçulmano.
quinta-feira, 21 de julho de 2016
ATENTADO EM NICE
Mas queremos mesmo isto na Europa?
Maria João Marques, Observador,
20 de Julho de 2016
A culpa é dos indivíduos que escolhem matar e
violar, bem como da religião e da ideologia que a tal os inspira. Mas têm
cúmplices, que os tratam como crianças inimputáveis e ainda dão lições de
moral.
É daquelas pessoas que dá palmadinhas compadecidas
nas costas do muçulmano que violou a rapariga ocidental de minissaia, afinal
veio de uma cultural onde é normal maltratar mulheres, e por cá está
desempregado? Acha, como Ana Gomes, que a culpa dos atentados terroristas na
Europa é da austeridade? Defende que os pobres diabos, sejam violadores ou
terroristas, têm de ser compreendidos, assimilados, receber muito dinheiro dos
estados sociais europeus e, sobretudo, desculpados? Considera que os vilões
verdadeiros são os que denunciam que os costumes islâmicos são aberrantes, concretamente
para a condição feminina, e não podem ser tolerados na Europa? De cada vez que
há denúncia de vilanias islâmicas, prefere escrutinar o mensageiro para tentar
repudiar a mensagem? Vê como de uma lógica cristalina clamar contra o
patriarcado e o heteropatriarcado e, simultaneamente, recusar aceitar que as
comunidades islâmicas na Europa têm propensão para violar e brutalizar
mulheres, e acumular com defesa de regimes que enforcam ou afogam gays? Repete
vinte vezes por dia o mantra «o islão é uma religião de paz»?
Pois bem, é conveniente reconhecer que as pessoas
iluminadas que responderam sim a dez por cento destas questões são cúmplices do
caldo culpabilizante das vítimas que propicia os crimes dos islâmicos. Duvido
que o à vontade criminal fosse tão grande se não notassem a solidariedade dos
iluminados. Se não desconfiassem que a sua origem os vai livrar de
investigações ou acusações mal um idiota útil grite xenofobia. Se não
percebessem que a sociedade europeia se deixa vitimizar.
Vamos rever a matéria. O mais importante religioso
muçulmano de Portugal é acusado pela mulher (que aparece com a cara
ensanguentada em fotografias – certamente foi contra uma porta, como é costume)
de violência doméstica. O que sucede? Os jornais param rapidamente de falar
sobre o assunto e o Presidente da República dos afectos escolhe fazer na
mesquita do acusado uma cerimónia no início do seu mandato.
Na Suécia, as violações por imigrantes de primeira
e segunda geração, sobretudo de origem islâmica, são de tal ordem que o país já
é conhecido por «capital de violações do Ocidente». Mas as autoridades escondem
tanto quanto podem a origem dos violadores e chegam a culpar as mulheres por
serem violadas: é que as desmioladas adoptam comportamentos não tradicionais ao
papel do género feminino. Há até uma política sueca de esquerda – Barbro
Sorman, em gritante necessidade de transplante cerebral – que defendeu no
twitter que uma violação feita por um sueco é mais grave do que outra cometida
por um imigrante. Afinal é «normal os refugiados quererem violar mulheres» e
que aos suecos se exige que cumpram «standards mais altos que os imigrantes».
Deixemos de lado o tom colonialista deste discurso:
são uns selvagens que não cabem nos altos padrões da civilização Ocidental.
Iluminemos antes uma política de esquerda de um país europeu que vê como menos
grave um imigrante não querer cumprir o articulado legal para crimes violentos
do país que o acolhe – e os jornalistas que não incomodem mais os violadores
muçulmanos.
Na Alemanha os abusos sexuais na passagem de ano
foram abafados tanto quanto se pôde: os números, a origem dos abusadores, a
existência dos crimes. No norte de Inglaterra a polícia preferiu conviver com
adolescentes abusadas e prostituídas a investigar homens de origem
paquistanesa.
Estamos nisto. Os atentados terroristas são culpa
de George W. Bush e Tony Blair e Durão Barroso e da invasão do Iraque – esta é
a tese desse equívoco parlamentar do PS que se chama Tiago Barbosa Ribeiro. Que
França seja particularmente visada pelos terroristas, quando de forma ostensiva
criticou e se distanciou e não participou da invasão do Iraque, não atormenta
estas almas intelectualmente desafiadas. (Que se lembre que o 11 de Setembro de
2001 venha antes da dita invasão em 2003 também só se pode atribuir a
picuinhice de gente islamofóbica da minha extracção.)
As violações e os abusos sexuais são culpa das
mulheres, claro, que não se tapam nem facilitam nesta tarefa de permitir aos
homens islâmicos lidar com as mulheres na Europa da maneira como estavam
acostumados nos países de origem das suas famílias. Não somos acomodatícias e é
bem feito que sejamos punidas por isso.
Um muçulmano que batia na mulher mata dezenas com
um camião na Promenade des Anglais em Nice. Não teve nada a ver com ser
islâmico: o pobre coitado devia sofrer com o patrão e tinha objecção de
consciência ao fogo de artifício. Um refugiado afegão de 17 anos mata uns
tantos num comboio na Alemanha. Apesar da surpreendente coincidência de ser
islâmico (ninguém estava à espera), aposto que não foi religiosamente motivado,
devia enjoar quando anda de comboio, ou o maquinista não o deixou visitar a
locomotiva ou outra razão semelhante. E já temos um muçulmano (hein? quem
diria?) a esfaquear uma mulher e meninas porque estavam com roupa escassa. Mas
– novamente – não houve motivações religiosas nenhumas, ora essa, deve ter sido
algum caso de bikinifobia.
quinta-feira, 14 de julho de 2016
A nova parábola dos talentos
Laurinda Alves,
Observador, 12 de Julho de 2016
Mesmo os cépticos militantes e os cínicos mais
incorrigíveis sabem que nestes momentos há uma matemática infalível: a da
confiança que gera sempre mais confiança. Foi essa a lição de Fernando Santos.
E agora, que já todos conseguimos dormir umas horas
seguidas, e os 23 rapazes mais o seu Mister também já voltaram a pousar a
cabeça nas suas almofadas, depois de tocarem o céu e atravessarem oceanos de
multidões dentro e fora dos estádios, agora sim, estamos em condições de
retomar certas rotinas com mais alegria e confiança.
A vitória da Selecção não resolve nenhum dos nossos
problemas, é certo, mas ajuda-nos a viver. Nem sabemos exactamente de que forma
nos ajuda a enfrentar a vida, só sabemos que esta grande vitória nos resgata
para o dia-a-dia tantas vezes previsível e chato. Faz-nos mais leves e
torna-nos mais unidos, mesmo que a união seja efémera, e ao fim do dia cada um
vá para seu lado. Acredito que hoje todos voltamos a ser quem éramos, excepto
na alegria. E numa certa leveza.
Falo do alívio que resulta de não termos perdido
perante adversários tão arrogantes e territoriais como os franceses. É
impossível ser insensível à absurda presunção de superioridade de comentadores
obliterados pelos nervos das vésperas da grande final. O alívio também nasce da
certeza de que a vida nem sempre é justa e raras vezes evolui numa lógica de
merecimento. Merecíamos ganhar, mas podia não ter acontecido. A bola podia não
ter batido na trave. Mais, podíamos ter quebrado quando Payet tentou e
conseguiu derrubar Ronaldo. Podíamos ter ficado derrotados logo ali, podíamos
ter-nos revoltado, redobrado a agressividade ou, até, termos ficado para sempre
desorganizados. Aquilo que aparentemente nos fragilizaria, foi o que nos tornou
mais fortes.
Sei, e sabemos todos, de equipas inteiras que não
teriam sobrevivido a uma baixa tão colossal como a saída do Cristiano Ronaldo,
a pouco mais de vinte minutos de jogo. O alívio que gera leveza, emoções
transbordantes e certezas crescentes é este mesmo, de sabermos tudo o que nos
podia ter acontecido por sucessivos cúmulos de azar, mas felizmente não
aconteceu. Tudo graças a uma incrível união que gerou uma incrível força. E,
claro, porque felizmente o Éder estava lá e tinha a crença de que faria o golo.
E tal como disse Pepe, «man of the match», na sua entrevista final:
«Deus só dá grandes batalhas aos grandes soldados».
A Taça é nossa e foi inteiramente merecida.
Desejada e sonhada, foi ganha com lucidez e garra, esforço e sacrifício,
inteligência e humildade. Nunca será demais sublinhar a humildade inteligente
dos jogadores e do Selecionador, aliás. A mim enche-me de orgulho esta atitude
de uns e outros, pois detestaria torcer por uma selecção que não soubesse estar
à altura dos acontecimentos. Custa sempre ver uma falta grave não assinalada,
especialmente quando arruma com um grande jogador prévia e oficialmente
proclamado como «alvo a abater». Mas custar-me-ia ainda mais se os nossos
jogadores tivessem optado por retaliar, se tivessem desatado a jogar numa
lógica «olho-por-olho» ou tivessem perdido a cabeça, pois na verdade perderam o
seu maior general na batalha mais decisiva da campanha.
Gosto de gente de coração inteligente. Nunca
ninguém nos pediu nem pedirá para sermos bons e parvos, muito pelo contrário!
Do outro lado do campo havia jogadores apostados em derrubar a qualquer preço,
mas deste lado todos se aguentaram nos embates e todos tiveram tamanho para os
adversários. Dá gosto perceber a estatura moral dos homens, quando são postos à
prova. E Ronaldo foi atingido no joelho mas não na alma. Assim como Éder, o
novo herói galáctico, também não se deixou vencer por comentários daninhos e
alcunhas feias. Ou Fernando Santos não perdeu o nervo nem deixou de defender
cada um dos seus jogadores do primeiro ao último dia. E por aí adiante, porque
cada jogador deu realmente o seu melhor e foi isso que festejamos
torrencialmente na noite de domingo, foi isso que continuamos a celebrar
massivamente durante todo o dia de ontem e é isso que mantém o nosso coração em
festa hoje.
Fernando Santos impressiona pela fortaleza de
carácter e pela convicção de aço. Lúcido e discernido, manteve a palavra até ao
fim. Livre, muito livre na sua fé, não desperdiçou nem um segundo a disparar
argumentos ou tácticas contra trincheiras inimigas. Fez o seu silêncio interior
diário de reflexão, oração e comunhão para poder focar no seu círculo (ou
perímetro, como tanto gostam de dizer os comentadores desportivos), mantendo-se
firme na aposta de multiplicar os talentos dos homens que escolheu. Assim como
o fiel jardineiro dobra os joelhos sobre a terra para a cuidar e adubar, também
Fernando Santos cultivou pacientemente nos seus rapazes a confiança, a coesão e
a união.
Presumo que mesmo os cépticos militantes e os
cínicos mais incorrigíveis sabem que nestes momentos há uma matemática
infalível: a da confiança que gera sempre mais confiança. Foi essa a lição de
Fernando Santos, o homem que sabe que o fundamental não é cada homem acreditar
em Deus, mas cair na conta de que Deus acredita em cada homem. Santos esforçou-se
por traduzir esta verdade bíblica à letra e conseguiu. Não fingiu ser Deus, mas
agiu à maneira de Deus: acreditou profunda e radicalmente em cada um dos seus
eleitos. E transformou o tempo do Europeu num tempo de oportunidades. Sem
queixas nem lamentos, sem acusações nem censuras, juntou as pedras que outros
foram atirando e colocou-as longe do caminho.
O tempo do Europeu não era apenas um tempo de
competição e rivalidades. Fernando Santos sabia isso e agiu em conformidade.
Tratava-se de trabalhar muitas outras coisas ao mesmo tempo na equipa, mas
também nos portugueses: projectar confiança, trabalhar a competência, conter os
excessos da agressividade, combater o negativismo, elevar o moral de uma nação
inteira, reforçar a união e… fazer a força. Na terminologia cristã, tão cara a
Fernando Santos, este tempo serviu para juntar pedras e fazê-las desaparecer,
pois foram lançadas pedras suficientes e este era, para ele, o tempo de nos
aproximarmos, de criarmos união e proximidade.
Numa era de excessos e provocações, num mundo de
«irracionalismo, relativismo pós-modernista e fundamentalismo religioso», para
usar as palavras de Bento XVI, na célebre conferência de Regensburg, não é
fácil ser cristão e começar um discurso final, transmitido à escala planetária,
por agradecer a Deus. Fernando Santos começou e acabou a falar de um Deus que
lhe pede para pôr os seus talentos a render ao serviço dos outros, mas também
para multiplicar os talentos dos que estão à sua volta. E deu a entender que é
a centralidade de Deus na sua vida que gera nele a urgência de fazer mais e
melhor. A sua missão foi conduzir a Selecção (e todos os portugueses!) à
vitória, mas não se esgota aqui. Fernando Santos trouxe muito mais que uma Taça
para casa. Encheu-nos de certezas sobre as nossas capacidades, fez-nos
transbordar de emoção e orgulho, mas também nos deixa agora a responsabilidade individual
de não deixarmos que outros nos derrubem. Ou pior, que nos tornem duros como
pedras por frustrações, desavenças, desilusões mútuas ou ofensas não perdoadas.
O rastilho da alegria que explodiu no domingo e
mantém o País em festa desde o fabuloso petardo de Éder, não se pode apagar.
Cabe a cada um de nós tentar manter a chama acesa, pois graças a esta vitória
milhões de portugueses espalhados pelo mundo acordam e adormecem mais felizes
e, acima de tudo, mais confiantes nas suas capacidades. E muitos milhares de
emigrantes chegam aos seus empregos mais orgulhosos da sua identidade.
No final da campanha, podemos dizer deste Fernando
o que o seu homónimo poeta escreveu na Mensagem:
Cheio de Deus, não temo o que
virá,
Pois, venha o que vier, nunca
será
Maior
do que a minha almaquarta-feira, 13 de julho de 2016
Jornalista espanhol arrasa
ao defender a selecção das críticas
Javier
Martin, jornalista do diário desportivo espanhol As, saiu em defesa
da Selecção Nacional, depois das muitas críticas a que a equipa das quinas foi
sujeita ao longo deste Europeu. Na sua crónica intitulada de «O normal é que
ganhe Portugal», o jornalista espanhol começa por definir os pontos a favor.
«Portugal tem tudo a favor: joga em
casa do adversário, com um público contra, um árbitro contra (já
o vimos na semifinal) e o ex-chefe da casa de apostas, Platini contra».
Depois realçou os pontos contra, com muitas farpas à
prestação francesa neste Europeu.
«Tem também contra toda a crítica
desportiva europeia, que vê no futebol da
França a quintessência, embora a Roménia os tenha assustado, tal como
a Albânia e a Alemanha bailou diante deles, antes e depois de uma
grande penalidade suspeita».
De seguida Martin arrasou a crítica francesa e espanhola
que se atiraram a Portugal. Em relação aos franceses, Martin recorda Thierry
Henry e Jerôme Rothen,
que praticamente disseram que os gauleses já venceram. Já os espanhóis, o
jornalista ataca-os defendendo que estes mudam de opinião demasiado depressa.
«A crítica francesa está com nojo de Portugal porque, dizem, é aborrecido,
certamente arrebatados com o jogo francês nos meinhos nos treinos; Rothen,
um medíocre, fala mal de Portugal e o exemplo de desportivismo, Henry
– o mão da vergonha – também subestima Portugal; e o que dizer da crítica
espanhola? A Croácia tornou-se a melhor selecção quando venceu a
Espanha, mas três dias depois defraudou as expectativas. É que Portugal
tinha-os vencido. Transmutação semelhante aconteceu com o País de Gales, da
excelência à vulgaridade, segundo os críticos, depois de passar pelo filtro
português».
Martin remata com a seguinte frase:
«Os jogadores portugueses não são os
melhores, ainda que alguns de segunda linha brilhem na Liga francesa; nem são
mediáticos, mas são bons, alguns muito bons e um extraordinário.
Com tal desprezo e o pouco que acompanha a sorte dos campeões, é normal
que ganhe Portugal».
Carácter português supera
a fragilidade francesa
Portugal e os Portugueses vistos por um estrangeiro, por
ocasião da vitória
de Portugal sobre a França na final do Euro 2016.
(Original em inglês)
. . . . .
(Tradução automática)
Carácter português supera
a fragilidade francesa
Uma equipe tinha a vontade de vencer.
O outro teve apenas je ne sais quoi.
Tunku Varadarajan
CET 7/11/16, 01:04
Actualizada 7/11/16, 14:01 CET
O simplista e superficial será tentado a descartar as
finais do Euro 2016 como um final monótono a um torneio monótona
e pobre. Eles vão
estar faltando uma enorme ponto sobre finais de campeonatos - e cerca de futebol em
si.
Portugal derrotou a França por
1-0, e a modéstia do placar obscurece uma infinidade de coisas: drama,
fortaleza, pungência, perversidade, resistência e determinação. O que não
obscurecer o fato de que esta foi a maior conquista de Portugal como nação
desde o dia em que foi admitido na Comunidade Económica Europeia em 1986.
Com todos os pré-match falar deste jogo sendo uma colisão
de frente entre as estrelas as duas equipes "- Antoine Griezmann e
Cristiano Ronaldo - que era fácil esquecer que o futebol é um jogo de
equipa. Um lembrete de que a verdade veio cruelmente aos 25 minutos,
quando Ronaldo estava maca para fora do campo.Portugal, você teria pensado, era
agora uma equipa órfão. O que seria dos homens deixados no campo, sem o
seu jogador da estrela, sua cintilante talismã?
Ronaldo tinha sido ferido no 8º minuto depois de um
robusto, mas não extravagante, resolver por Dimitri Payet. Seu joelho
dobraram e ele caiu no relvado, provocando uma luta grotesca de vaias dos
torcedores franceses. Ele saiu a coxear do campo para o tratamento, então
mancou de volta novamente, apenas para diminuir para o relvado mais uma
vez. Os fãs franceses repetiu sua erupção de vaias - cacophonic e
implacável, uma forma hedionda para tratar um homem ferido; mas o
cavalheirismo não é a força de multidões franceses, que poderia aprender uma
coisa ou duas a partir de alguns dos fãs que estiveram em seu meio de mais
nações desportivas.
Era um paradoxo, mas Portugal cresceu em força com a
saída de Ronaldo; e a França, que parecia invencível até aquele momento,
parecia ter o ar sugado para fora dela. Era como se a partida de seu maior
inimigo tinha deixado sem pistas sobre quem o adversário era agora.
Portugal malha-se em cota de malha; e como o francês
disparou suas flechas, eles não conseguiram furar a defesa Português. O
heróico Rui Patrício, na baliza, era como um personagem de Os Lusíadas.
O futebol era raramente muito, exceto quando Éder marcou
magicamente no minuto 110; e não foi sempre edificante. Em momentos
como este, especialmente nos finais de grandes torneios, é melhor não pensar do
jogo puramente como o futebol. Pense nisso, em vez disso, como um drama
humano mais amplo, um teste de caráter, e de todas as habilidades e artes de
sobrevivência e de penetração.
Então eu não acho que de Pepe - Doughty, vilão,
desconexo, Pepe histriônica - apenas como um jogador de futebol empacotamento
backline de Portugal. Eu o vi como um soldado, um sobrevivente, um
repulsor de hordas que avançavam. Eu não acho que de Nani -
insatisfatórios, muitas vezes decepcionante Nani - como a frente mais provável
para marcar um golo para Portugal; Eu pensava nele como o batedor que
forayed profundamente em território inimigo em busca de fendas e caminhos.
O francês entrou em campo, deve-se dizer, com um certo
suporte, intitulada, e sentia-se, a meio do jogo, que eles estavam indo para
uma punição. Eles desperdiçaram oportunidades em abundância, e Didier
Deschamps vai lamentar sua má gestão de Paul Pogba e sua desconfiança de
Anthony Martial. Ele também vai lamentar, eu suspeito, a ausência de Karim
Benzema, excluído do elenco por razões morais blousy. França perdeu a
agitação da Big Benz; França perdeu a sua vanguarda.
O Português, por sua vez, jogou fiel ao tipo nacional e
histórico. Deles é uma terra que sempre usou seus escassos recursos com
sabedoria, astuciosamente, esticando-os ao máximo grau. Como poderia um
pedaço de terra no extremo ocidental da Europa continental construir para si um
império de tal magnitude. Há uma dourness de determinação, uma fortaleza
defensiva, uma obstinação incansável ao Português que lhes serviu bem no
império e os serviu no campo de futebol na noite de domingo.
Este, lembre-se, foi a última potência européia para
produzir a independência às suas colónias africanas. Houve uma obstinação
para a sua longevidade colonial, assim como houve uma obstinação de seu futebol
na noite passada. A bela francesa, com suas habilidades e emoções e seus
pavão-jogadores, não poderia quebrar o espírito do Português. A equipe
francesa não tem a determinação para uma sucata prolongado. Seu desejo de
"ganhar muito" era muito sufocante.
A final será lembrado mais longo em Portugal, onde ele
será lembrado por uma eternidade. O resto de nós faria bem para admirar os
vencedores para a sua vontade de vencer. Afinal, isso é o que cada equipe
veio fazer no Euro 2016.
Será que gosto de cada equipa a jogar futebol a forma
como esta equipa Português faz? Certamente não. Mas não gostaríamos
cada equipe querer ganhar tão mal como Ronaldo e seu bando de homens
fizeram? Eu acho que o que fazemos.Certamente que fazemos.
Reportagem adicional de Satya Varadarajan.
terça-feira, 5 de julho de 2016
Catarina Martins e os temas fracturantes
Francisco Ferreira da Silva, Diário Económico, 30 de Junho de 2016
A esquerda mais radical e o Bloco de Esquerda em particular têm estado a patrocinar o debate e, sempre que possível, a aprovar legislação sobre matérias que dividem a sociedade.
A adopção de crianças por casais homossexuais, as barrigas de aluguer, mudança de sexo a partir dos 16 anos, casas de banho unissexo, eutanásia, mudança de designação do Cartão de Cidadão, fim do «offshore» da Madeira e, mais recentemente, a intenção de convocar um referendo sobre a permanência de Portugal na União Europeia, todos foram temas para a líder do Bloco de Esquerda produzir declarações carregadas de dramatismo.
O diploma legal das chamadas «barrigas de aluguer», aprovado por uma maioria parlamentar que incluiu deputados do PSD, mas com os votos contra do PCP, foi objecto do primeiro veto do novo Presidente da República. Marcelo fundamentou o veto em pareceres do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, que chamam a atenção para o facto de a criança ser ignorada. O Parlamento tem agora de refinar o diploma e fazer com que a técnica apenas possa ser utilizada por casais com problemas de infertilidade grave.
A eutanásia é outro tema fracturante que o Bloco de Esquerda pretende legalizar. Ainda em fase de preparação, a questão da morte assistida coloca uma série de questões, éticas e legais, que têm adiado o avanço do tema que, além do Bloco de Esquerda, também conta com declarações de apoio de cerca de três dezenas de deputados do PS e com o PCP a valorizar o assunto mas a dizer que não é prioritário.
O Bloco de Esquerda e Catarina Martins também enveredaram por outros temas, como a exigência para que se mude a designação do Cartão de Cidadão para Cartão de Cidadania, para evitar a discriminação. Assunto que depois, pelo ridículo, parece ter caído no esquecimento. A líder do Bloco veio igualmente dar voz à exigência de que a mudança de sexo possa passar a ser possível a partir dos 16 anos.
Sempre em tom dramático, a líder incontestada do Bloco de Esquerda, eleita com 83% dos votos dos delegados à última convenção nacional daquele partido, que decorreu no último fim-de-semana, corre o risco de, a breve trecho, ficar sem mais temas fracturantes para lançar. Curiosamente, há um sobre o qual nunca se ouviu falar: a eugenia.
A eugenia é uma teoria altamente polémica, do ponto de vista ético e moral, que defende a possibilidade de melhoramento da espécie humana, do ponto de vista físico e mental, através de métodos de selecção artificial e de controlo reprodutivo que, entre outras coisas, podem prevenir e combater doenças de cariz hereditário transmitidas geneticamente.
Melhor do que querer usar a tecnologia para vencer a natureza – como é o caso das pessoas com doenças agora incuráveis que pretendem ser congeladas para mais tarde, com o avanço da ciência, poderem vir a ser revitalizadas e curadas –, talvez seja preferível respeitar essa mesma natureza.
Com que intenção pretende Catarina Martins introduzir, a cada momento,
temas fracturantes da sociedade? O último foi, há poucos dias, o do referendo à
permanência na União Europeia. A proposta já levou Rui Tavares a escrever no
Público que «não há pior para os referendos do que os políticos ambiciosos.
Quando anunciam referendos não tencionam convocá-los, quando os convocam não os
querem ganhar e quando os ganham não sabem o que fazer». Dirigida a Catarina
Martins, a ideia também pode aplicar-se aos líderes da campanha do «leave» no
Reino Unido que, agora, não sabem o que fazer.
Também Ricardo Araújo Pereira, no programa
Governo Sombra, se referiu a Catarina Martins para afirmar que, se seguir à
risca o preceito contra a discriminação que é o Cartão de Cidadão, dirá um dia:
«Portugueses e portuguesas, estamos aqui reunidos e reunidas porque estamos
todos e todas preocupados e preocupadas com a questão dos desempregados e
desempregadas», e concluiu que «ninguém leva a sério uma pessoa que fale assim».
É caso para dizer: oxalá assim seja, porque não há nada mais irritante do que o
tom dramático que a líder do Bloco de Esquerda utiliza para os mais diferentes
temas, sejam eles fracturantes, ou não.
quinta-feira, 23 de junho de 2016
Sopas e descanso
para o professor Adriano Moreira
![]() |
| Adriano Moreira (1922 - ) |
João José Horta Nobre, História Maximus, 13 de Abril de 2016
«É por isso que a questão do convívio pacífico, respeitoso, e cooperante das religiões institucionalizadas é uma exigência mundial para a paz nos nossos atribulados dias: um Conselho das Igrejas institucionalizadas, na ONU, ao lado do Conselho de Segurança, não deve ser adiado, ou o globalismo verá acentuar o seu carácter actual de anarquia mundial.»
O professor Adriano Moreira ou não sabe o que é o Islão, ou então faz de conta que não sabe. Uma pessoa que em pleno século XXI ainda acredita seriamente na possibilidade «do convívio pacífico, respeitoso e cooperante» do credo de Mafoma com as restantes religiões institucionalizadas, ou é uma pessoa extremamente ingénua, ou é ignorante ou então está ao serviço do lobby politicamente correcto e por isso escreve este tipo de coisas para ficar bonito.
Ignorante é que eu sei que o professor Adriano Moreira não é. Restam por isso duas hipóteses: a ingenuidade ou o politicamente correcto. Talvez seja uma mistura de ambas que o levam a escrever o que escreveu. Seja o que for, só me apetece mesmo é dizer-lhe: «ganhe juízo!»
«Convívio pacífico, respeitoso e cooperante» do Islão com as restantes religiões institucionalizadas? Are you serious??? Alguém minimamente bem informado acredita mesmo nesta utopia espiritual?!? Talvez seja mais fácil fazer com que o céu nos caia em cima da cabeça, do que alcançar um «convívio pacífico, respeitoso e cooperante» com o Mundo Islâmico.
Sopas e descanso para o professor Adriano Moreira, disso é que ele precisa, disso e de sonhar menos...
segunda-feira, 20 de junho de 2016
quarta-feira, 15 de junho de 2016
Pré-match
Alberto Gonçalves, Diário de Notícias, 12 de Junho de 2016
1. Os portugueses são os melhores, decretou o presidente Marcelo. No progresso económico? No avanço científico? Nas artes? Na indústria automóvel? Na gestão de bancos públicos? Em receitas de bacalhau, vá lá? Nada disso, que um chefe de Estado não perde tempo com ninharias: no futebol, no fundo aquilo que importa. Vem aí o Europeu da modalidade e há que «mobilizar» os cidadãos para um desígnio a que só os vende-pátrias serão alheios. Em Belém, o PR aproveitou ainda para informar a selecção de que já é campeã «à partida», uma adenda pertinente se tivermos em conta que à chegada as coisas não costumam correr bem.
2. Em vez de receber a selecção, o primeiro-ministro visitou-a. Como é hábito, levou consigo tropecções na língua e ameaças à Europa, especialmente à França, sobre a qual exigiu «vingança». Como é hábito, a Europa tremeu. À saída da Cidade do futebol (?), o dr. Costa confessou-se «menos angustiado» com a situação clínica de Ronaldo. Por mim, confesso-me angustiadíssimo com a situação clínica das pessoas que desprezam momentos assim históricos, preferindo consumir-se com o «resgate» da CGD ou similar assalto, perdão, auxílio ao contribuinte.
3. A fim de conquistar Paris, a selecção apetrechou-se com um hino. Para garantir o sucesso, trata-se de uma cantiga «adaptada» do sr. Abrunhosa, que objectivamente descreve a sua criação: «Tem um efeito colectivo inebriante e quase mágico.» Com versos do calibre de «Tudo o que nos dás, nós damos-te a ti e somos Portugal!», não admira. O sr. Abrunhosa acrescenta que a cantiga «já é das pessoas, já não é minha», mas não falou em partilhar os direitos autorais. Dado que temos de pagar os salários sem tecto da administração da CGD, cada cêntimo viria a calhar.
4. Pelos vistos, o lema da selecção é «Não somos 11, somos 11 milhões», um recenseamento apressado que despertou a ira do deputado do PS Paulo Pisco (decerto um pseudónimo): «Há cinco milhões de portugueses espalhados pelo mundo que se sentem excluídos.» Enquanto, com um nó no estômago, imaginamos multidões de compatriotas a sofrer os horrores da exclusão em Nova Jérsia e no Luxemburgo, consola um bocadinho ler que o sr. Pisco «já alertou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, para esta questão, durante uma audição na comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas». E consola imenso saber que nós pagamos o salário do sr. Pisco, aliás bastante inferior ao dos administradores da CGD.
5. Já havia o anúncio da cerveja patrocinadora da selecção da bola, onde três ou quatro moços alucinados gritavam «O futebol somos nós!» como se quisessem assassinar o espectador. Agora há o anúncio do supermercado patrocinador da selecção da bola, com imagens de tribos bárbaras, cuspidores de fogo, explosões, lobos ferozes e um tom geral de ameaça ao «estrangeiro»: «Ouvem rosnar/ Sabem com quem estão a lidar/ Temos mais olhos que barriga/ E esta fome já é antiga.» Para a próxima, outro patrocinador exibirá a selecção da bola a mastigar as entranhas dos adversários. Ou, se quiserem mesmo meter medo, o «buraco» da CGD.
6. Isto foi apenas o início. Seguem-se semanas de autocarros, histéricos, bêbados, sardinhas, o «melhor do mundo», mensagens das vedetas nas redes sociais, berraria, análises de peritos, a contagem do tempo que o treinador demora nos lavabos do avião (56 segundos, afiançou um «jornalista») e, se a selecção vencer, 609 milhões de euros para a economia nacional, um sétimo da nova «injecção» na CGD. Há países malucos de todo. Felizmente, não é o caso do nosso.
segunda-feira, 13 de junho de 2016
D. Pilar: vá à merda!
José Paulo Fafe (25 de Outubro de 2012)
Não é a primeira nem a segunda vez (e cheira-me que tão-pouco vai ser a última…) que escrevo sobre aquela inenarrável figura que dá pelo nome de Pilar e que exerce, desde há uns anos, como «viúva profissional». Apaparicada e idolatrada por uns idiotas que pensaram que, à conta dela e de uma fundação que ainda ninguém percebeu bem para o que serve a não ser para transplantar oliveiras e sacar uns cobres ao erário público, se promoveriam no nosso pobre «universo cultural», a criatura foi, ao longo dos anos e perante a reverência e o servilismo de quem passou pelo(s) poder(es), ganhando o estatuto de «intocável» que lhe permitiu alardear uma arrogância e uma má-educação digna de alguém lhe espetar um valente par de estalos, ou no mínimo, mandá-la aquela parte.
Agora, como se já não bastassem as cenas acanalhadas que protagonizou ao longo dos tempos, esta energúmena (e estou a ser parco na forma de qualificá-la…), do alto de uma importância que só ela e o bando de imbecis que lhe lambem as botas lhe reconhecem, não arranjou melhor maneira para reagir a uma conta que recebeu da EDP relativa aos custos de consumo de electricidade da fundação de que ela se auto-nomeou presidente vitalícia: «Temos aqui uma fundação de um Nobel da Literatura que não tinha obrigação de abrir ao público e vêm-me com os recibos de electricidade? Não falo essa linguagem». Assim, como se lê… Desconheço se da linguagem da criatura fazem parte expressões como «proxeneta» ou «chulo» e mesmo se esses termos se aplicam no feminino. O que sim sei é que desta não resisto: olhe D. Pilar… vá à merda!
Wolfgang Schäuble: o inimigo dos povos
Numa entrevista ao jornal Die Zeit, o arrogante Schäuble dá a sua visão
sobre a Europa do futuro.
Gabriel Robin
Le nom de Wolfgang Schäuble ne dit probablement pas grand-chose au quidam. Pourtant, cet homme, actuel ministre des Finances d’Angela Merkel, est le vrai dirigeant du continent européen. Il s’exprime régulièrement dans les médias, avec un franc-parler typiquement germanique. Impossible d’accuser l’Allemand de s’abriter derrière le jargon techno-administratif propre aux fonctionnaires européens. Wolfgang Schäuble donne bruyamment ses avis sur tous les sujets importants : le Brexit, la Grèce, les « migrants » … Des avis généralement désastreux, contraires aux intérêts des peuples européens, y compris aux intérêts de son peuple.
Dans un entretien donné au journal Die Zeit, l’arrogant Schäuble donne sa vision de l’Europe du futur. Il y déclare notamment, à propos de la crise migratoire qui secoue le continent : «La fermeture des frontières, le repli sur soi, c’est cela qui nous détruira et nous fera dégénérer dans l’inceste.» Ces propos forment une sorte de rhétorique nazie inversée, voulant que l’Allemagne perde son identité ethnoculturelle première en s’abandonnant à un métissage forcé de grande échelle. Wolfgang Schäuble, fondé de pouvoir du grand patronat allemand, tente par tous les moyens de justifier une immigration massive pour laquelle son peuple, et les autres peuples européens, n’ont jamais été invités à s’exprimer.
Il a même rajouté, au nom de son gouvernement : «Pour nous, les musulmans en Allemagne sont un enrichissement de notre ouverture et de notre diversité », louant au passage le rôle des femmes turques dans la vie économique allemande. Précisons que 37,8 % des femmes d’origine turque seraient sans emploi, soit le taux le plus élevé parmi les populations issues de l’immigration en Allemagne.
Dans ce plaidoyer euro-mondialiste, qui ferait croire que le gouvernement allemand planifie le Grand Remplacement de sa population par d’autres populations venues du sud du monde, on ne trouve guère qu’un seul éclair de lucidité dans les déclarations de Wolfgang Schäuble. En effet, le tyran en puissance admet que «l’Afrique sera notre problème» et déclare que, pendant longtemps,«le Moyen-Orient nous a protégés de l’Afrique». C’est exact. La déstabilisation de la Libye, longtemps zone-tampon, par Nicolas Sarkozy et son visiteur du soir, le « philosophe » Bernard-Henri Lévy, a rendu le problème migratoire encore plus complexe qu’il ne l’était jusqu’alors.
Si l’enjeu démographique est le défi du siècle, il ne faudrait néanmoins pas sous-estimer l’autre enjeu posé par la résurgence de l’islam de combat, que Wolfgang Schäuble semble minorer. En témoigne, d’ailleurs, la soumission des autorités allemandes à la Turquie du sultan Erdoğan, qui pratique un ignoble chantage sur l’Europe.
Dans le même ordre d’idées, Wolfgang Schäuble s’est montré menaçant avec le peuple britannique, coupable de vouloir s’émanciper de la tutelle totalitaire de l’Union européenne berlino-bruxelloise. Cet homme est l’ennemi mortel des peuples européens et ne s’en cache pas. Il montre quels sont les deux défis auxquels nous sommes désormais confrontés : refuser la gouvernance extérieure en réaffirmant notre souveraineté nationale, refuser notre effondrement intérieur en luttant contre l’immigration massive qui détruit notre identité. Vive la France historique ! Vive la France libre!
domingo, 12 de junho de 2016
Mouraria ou Chinatown?
Maria João Marques, Observador, 8
de Junho de 2016
Já estamos em boa hora de começar a ver uma
expropriação de propriedade privada como o último recurso de qualquer problema.
E de fazermos t-shirts com o slogan «nem mais um metro quadrado para a CML».
Fernando
Medina – presidente da Câmara de Lisboa em punição por todos os pecados da
capital – é o político socialista exemplar. «Inimigo dos automobilistas e voraz
com os recursos dos lisboetas» seria um bom mote para a sua campanha de 2017.
Fernando Medina – presidente da Câmara de Lisboa em
punição por todos os pecados da capital – é o político socialista exemplar.
«Inimigo dos automobilistas e voraz com os recursos dos lisboetas» seria um bom
mote para a sua campanha de 2017.
Já muita gente escreveu sobre a mesquita que a CML
entendeu por bem tomar as dores de construir e a hipocrisia flagrante de
pretender defender o Estado laico radical, rasgando contratos de associação
livremente estabelecidos pelo Estado para poupar as susceptíveis criancinhas à
exposição ao ópio do povo por um lado, e, por outro, correr a substituir-se à
comunidade islâmica na construção de uma mesquita. E se calhar atrás da
mesquita vem a madrassa e a querida câmara socialista de Lisboa é bem capaz de
decidir – para mostrar como somos tolerantes, multiculturais e essas virtudes
teologais do credo esquerdista – contribuir financeiramente para a catequese
muçulmana dos alunos da mesquita da Mouraria. Depois, claro, de ter protegido
as crianças portuguesas – mesmo as das famílias ignaras que até queriam e
gostavam – da exposição a essa praga maior da vida portuguesa que é o
cristianismo.
Para os argumentos sobre laicidade dirijam-se se
faz favor aos textos de João Miguel Tavares e Sebastião Bugalho. Eu gostava de
acrescentar outro argumento: o Estado devia (como quase sempre) estar quieto.
Ao contrário do que dizem os fãs do projecto – e até João Miguel Tavares – não
faz qualquer sentido construir naquela zona uma mesquita. Porque há vários
séculos aquela zona era habitada por islâmicos devemos agora lá construir uma
mesquita? Porque se abriram lá lojas de proprietários paquistaneses e
bangladechianos temos de lhes oferecer um local de culto? E a população chinesa
da zona, que é pelo menos tão numerosa e visível? Está já em estudo pelos
assessores dilectos de Medina a construção de um templo a Confúcio? Outro a
Mêncio? Foi encomendada alguma estátua da bodhisattva Guanyin?
E que dizer da injustiçada população hindu que
durante muitos anos habitou e trabalhou naquela mesmíssima zona? Nunca dei por
nenhum canto – menos ainda construção de três milhões de euros a expensas do
contribuinte da praxe – evocativo de Shiva. Ou – para ser visualmente ainda
mais apelativo – um altar a Ganesh, o deus elefante. Mas devo estar a ser
injusta: provavelmente foi algum temor de Kali, a destruidora, que impediu os
socialistas lisboetas, tão amantes do culto alheio, de assim ignorarem os
justos anseios religiosos dos muitos hindus que já passaram pela Rua da Palma.
Por várias razões conheço bem a zona de Lisboa onde
se pretende construir a mesquita. Uma delas foi ter morado uns anos um bocado
mais para cima na encosta e mais para o lado. Recuperei uma casa por lá quando
ainda toda a gente me olhava com ar de «já tomaste os comprimidos?» quando lhes
dizia que ia morar para o meio da Lisboa antiga – e, então, muito desmazelada.
Foi uma epopeia. Os vizinhos, uns velhotes
reformados e outros possivelmente recebedores do RSI e permanentemente
desocupados, tinham como entretenimento diário chamarem a polícia municipal
para vasculharem as obras que fazia (isto depois de um tempo longo à espera da
aprovação do projecto de arquitetura e das especialidades e da emissão da
licença de obras). O gabinete técnico claramente via como missão civilizacional
dificultar de formas imaginativas a recuperação de um apartamento. Havia que
defender uma zona com população envelhecida e habitações degradadas da
intromissão de pessoas de vinte anos que lá queriam residir. Que lata (a minha,
obviamente).
Entretanto estes cenários persecutórios já se
alteraram. O licenciamento ficou mais fácil – e as loucuras dos arquitectos
camarários que pretendiam pôr as pessoas a viverem naqueles prédios como se
vivia em 1795, a bem da pureza arquitectónica da zona, foram contidas. Eu, às
tantas, mudei-me.
Vieram os paquistaneses e os chineses. Depois
vieram os turistas e, também, mais gente nova que, como eu, aprecia casas
antigas restauradas e as vistas deslumbrantes de Lisboa. Há mais jardins (aqui
aplaude-se a CML) e os prédios têm vindo a ser recuperados – por privados. Os
problemas de estacionamento continuam por resolver (assim vão ficar, que a
prioridade do PS são ciclovias, que ninguém usa, espalhadas pela cidade) e,
sobretudo, os prédios propriedade da CML estão sem obras, velhos, estragados.
Conto isto para mostrar que aquela zona é dinâmica
– também graças aos imigrantes que lá se instalaram, que dão colorido,
movimento e interesse. A população tem tido alterações nos últimos anos e não
cabe à CML cristalizar o bairro com uma mesquita como se os muçulmanos que
vivem em Lisboa lá fossem sempre ficar.
segunda-feira, 6 de junho de 2016
Não à islamização de Portugal, e da Europa!
Contra
a construção de mais uma mesquita em Lisboa
Para: Ex. Sr. Presidente da Assembleia da República
Ex.mo Sr. Presidente da Assembleia da República:
Os cidadãos abaixo assinados vêm por este meio solicitar
à Assembleia da República uma recomendação com vista à revogação imediata da
decisão da Câmara Municipal de Lisboa de construir uma nova mesquita na
referida cidade (zona do Martim Moniz), tendo em conta os seguintes
considerandos:
1.º Sendo Portugal constitucionalmente um estado laico,
não se afigura legal que estejam envolvidos dinheiros públicos num projecto que
prevê a construção de um complexo que integra um templo religioso. No entender
dos signatários, tal situação configura um favorecimento do Islamismo (que,
como se sabe, nem sequer é a religião da maioria dos portugueses) em relação às
outras religiões.
2.º O referido projecto vai colidir com os tipos de
construções existentes na zona, contribuindo para a descaracterização da
cidade, já muito ferida por erros anteriores.
3.º A construção do dito templo estará manifestamente a
contribuir para o alarme social, tendo em conta a situação de expansionismo do
extremismo islâmico que se vive no Médio Oriente e Norte de África e que ameaça
Portugal, a partir do momento em que se sabe que existem radicais muçulmanos
que defendem a integração da Península Ibérica num grande califado islâmico
(cf., p. ex., http://observador.pt/2014/08/12/um-califado-seculo-xxi/) e que já
está documentada a presença em Lisboa de muçulmanos que apoiam a entidade
terrorista que dá pelo nome de Estado Islâmico (cf., p. ex., programa
televisivo «Sexta às 9», de 26 de Setembro de 2014, http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=769655&tm=8&layout=122&visual=61).
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