segunda-feira, 19 de julho de 2010

O Duque de Bragança ao DN:
«Tornar obrigatório a educação sexual
resume-se a dizer: forniquem à vontade»

No dia em que comemora o seu 65.° aniversário, a cinco dias de celebrar sessenta anos do fim do banimento da família real do território nacional, por decreto de Salazar, e em ano de centenário da implantação da República, o herdeiro dos reis de Portugal comenta a situação do País.

Convidado a falar sobre Educação e questionado sobre se «o País está mais preocupado com as causas fracturantes do que com a realidade», o Duque não tem dúvidas.

«Claro ! Tornar obrigatório o ensino da educação sexual resume-se a dizer: forniquem à vontade, divirtam-se, façam o que quiserem mas com higiene. Praticamente é só isso, em vez de dar referências éticas e morais em relação ao desenvolvimento de uma sexualidade saudável. Ao mesmo tempo, desencorajam-se as aulas de educação moral e estamos a dizer que a moral não tem importância, que só a sexualidade livre é fundamental para a felicidade dos portugueses».

Passos Coelho: o verniz eleitoralista
e as fantásticas histórias da Carochinha

Heduíno Gomes

PPC abre a boca e sai mais uma história eleitoralista. O seu objectivo é sempre agradar a todos.

Ora vejam bem.

PPC quer que a Caixa Geral de Depósitos seja um banco de desenvolvimento. E assim ele agrada aos empresários que necessitam de apoio financeiro. Mas, agradando aos seus patrões que querem dela tomar posse, quer privatizá-la. Que autoridade tem um governo para ditar a missão a um banco privado? Fantástica história da Carochinha!

PPC, concordando com o consenso geral dos economistas, diz que é preciso reduzir a despesa do Estado. Mas diz que não vai reduzir o funcionalismo público – o que não seria eleitoralista em relação ao monstro criado por Cavaco; diz então que conseguiria essa proeza fazendo reduções em itens que pouco contam para o totobola, como apoios a falsos carenciados, comunicações e outras ridicularias. Fantástica história da Carochinha!

PPC, concordando com o consenso geral dos economistas, diz que é preciso reduzir rapidamente a despesa do Estado. Mas diz que o seu plano é de passá-la de 52% do PIB para 42% em duas legislaturas, isto é, 8 anos (aliás, ele falou primeiro em 10 anos e depois precisou para duas legislaturas). Fantástica história da Carochinha!

PPC diz qualquer coisa ao sabor das circunstâncias e das plateias.

Confiem nele e depois digam que não vos avisaram!

domingo, 18 de julho de 2010

O livro da Sinistra

Santana Castilho, Público

No livro que acaba de lançar, Maria de Lurdes Rodrigues cita Max Weber para justificar a sua acção política, movida, diz ela, pela “ética das convicções”. Atentem, generosas leitoras e leitores, ao naco de prosa que a ex-ministra escolhe para caracterizar quem tem vocação para a política (no caso, ela própria):

“… Só quem está certo de não desanimar quando … o mundo se mostra demasiado estúpido ou demasiado abjecto para o que … tem a oferecer … tem vocação para a política …”
(in “A Escola Pública Pode Fazer A Diferença”, p. 18)

Freud ensinou-nos que nenhuma palavra ou pensamento acontecem por acidente. Uma coisa são os erros comuns, outra, os actos falhados. É falhado o acto que leva Maria de Lurdes Rodrigues a citar, assim, Weber, para justificar a sua acção política. E fez tudo o que fez, confessou-nos no circo do lançamento, com grande alegria, qual pirómana que se baba de prazer ante as cinzas da escola pública que deixou.

Eis as entranhas de uma coisa que não é pessoa, que não tem alma, e que não aguenta mais que 18 páginas para dizer, de modo obsceno, o que pensa dos que esmagou com sofrimento.

O livro é híbrido e frio, como a autora. É um relatório factual e burocrático sobre as suas tenebrosas medidas de política educativa. A excepção a este registo está na introdução, um arremedo ensaísta de alguém que chegou a ministra sem nunca ter percebido o que é uma escola e para que serve um sistema de ensino. Permitam-me duas notas factuais a este propósito e a mero título ilustrativo:

1. A autora introduz, como grande tema de debate sobre políticas educativas, o nível de conhecimentos adquiridos na escola. Interroga-nos assim: “… Os adultos que fizeram a quarta classe da instrução primária no tempo dos nossos avós sabiam mais do que os jovens que hoje concluem o 9º ano? …” (obra citada, p. 11). A questão é intelectualmente pouco honesta. Porque compara 4 anos de escolaridade com 9. Porque é formulada por alguém que contribuiu definitivamente para que não se possam hoje comparar resultados escolares, coisa que, apesar das dificuldades, se podia fazer na época a que alude.

2. A ex-ministra diz que não fez uma reforma da educação, que tão-só concebeu e aplicou medidas. Se é surpreendente o conceito (“reforma” foi palavra-chave citada até à exaustão na vigência do Governo que integrou), entra em delírio surrealista quando escreve (p.15): “… Não se pode considerar que o conjunto das medidas configurem uma reforma da educação, porque de facto não foi introduzida uma mudança nos princípios de funcionamento do sistema educativo, ou uma mudança na sua estrutura e organização …”. Não mudou princípios de funcionamento do sistema educativo, nem mudou a sua estrutura e organização? E os estúpidos somos nós? Enxergue-se e tenha decoro.

Segue-se o Diário da República narrado aos papalvos por 20 euros e 19 cêntimos. Registam-se apoios, listam-se colaboradoras e colaboradores e referem-se reuniões. Nenhuma dúvida, nenhum apreço pelo contraditório que lhe foi oposto, muito menos qualquer riqueza dialéctica. Um deserto, numa imensa auto-estrada de propaganda.

Ao longo dos últimos 5 anos, fundamentei nesta coluna de opinião a oposição a cada uma das 24 medidas que o livro distingue, pelo que tão-só recordo as mais emblemáticas das que a autora refere: a aberração pedagógica e social, que nacionalizou crianças e legitimou a escravização dos pais, baptizada como “escola a tempo inteiro”; o logro do ensino profissional (Maria de Lurdes fala de 28 000 alunos em 2005, para dizer que os quadruplicou em 2009. Mas conta mal. No ano- lectivo de 2004-05 tinha 92 102 alunos no conjunto dos cursos que ofereciam formação profissional); a demagogia de prolongar para 12 anos o ensino obrigatório (na Europa a 27 só 5 países foram por aí) sub-repticiamente sustentada pela grosseira manipulação estatística que lhe permite afirmar que no ensino secundário temos um professor para cada 8,4 alunos (p.90), pasmem quantos conhecem a realidade; a insistência no criminoso abandono de milhares de crianças com necessidades educativas especiais, por via da decantada aplicação da Classificação Internacional de Funcionalidade; a engenharia financeira e administrativa (depois veremos onde nos conduzirá), que está a transferir para a propriedade de uma empresa privada, por enquanto detida pelo Estado, todo o património edificado; e, “the last, but not the least”, a fraude pedagógica imensa que dá pelo nome de Novas Oportunidades, forma de diplomar a ignorância na hora, gerando injustiça e semeando ilusões.

Na cerimónia do lançamento do livro que acabo, sumariamente, de analisar, Sobrinho Simões, um cientista de grande gabarito e um homem de muitos méritos, referiu-o como “o mais sólido”que leu até hoje. Quem dedicou a vida a combater o cancro com o rigor da ciência, não podia, estou seguro, afirmar o que afirmou, se tivesse analisado a produção técnica e legislativa que sustenta a racionalidade do livro que elogiou. Mas a vida actual é assim. Muitos sucumbem, adaptando-se a esta sociedade doente. Continuo felizmente de saúde. Por isso choro quando vejo cair os melhores.


Só me faltava esta:
Ração de Combate «Made in Spain»!...

Enviado por A. R.
Ajuda das Forças Armadas Portuguesas à economia Espanhola. Realmente, esta é de bradar aos céus. A Manutenção Militar é para extinguir, não é?
A ração de combate das Forças Armadas Portuguesas é fornecida por uma empresa espanhola. E é de uma pobreza franciscana. Sem qualidade.
Um roubo e uma afronta aos militares portugueses.
O Governo Português deixa na mão de uma empresa espanhola até a "ração de combate individual do militar português".
Quem serviu as Forças Armadas sabe que na semana de campo todos os militares comem a "ração de combate".
O que é a ração de combate?
A ração de combate é uma embalagem na qual estão contidos os alimentos para um dia de cada soldado: o pequeno almoço, o almoço, o jantar.
A ração de combate agora, "NATO APROVED", é composta por leite em pó, sardinhas em conserva, chocolate, gomas para o stress, café em comprimidos ou em pó, fósforos, doces, marmelada, uma lata de carne – por exemplo jardineira - uma lata de feijoada, açúcar, pastilhas para purificar água, lenços de papel, dispositivo para aquecer os alimentos, saco de plástico para juntar os resíduos, sumo de laranja, sumo de ananás, bolachas sem sal, sal.
Na guerra do Ultramar, cada militar tinha por dia uma ração de combate.
Hoje os soldados portugueses no Afeganistão, na Bósnia, e noutros teatros de operações militares, têm uma ração de combate por dia.
Pois bem, as rações de combate dos militares portugueses são fornecidas pela empresa espanhola JOMIPSA-Partida del Salt S/N- San Juan de Alicante - 03550 Alicante - Espanha!!!
Na ração de combate temos os seguintes alimentos:
1 - Jardineira de vaca .- das Conservas Huertas S C/Cervantes Malagan (C.Real) España - que nem carne tem, mas antes ervilhas feijão verde ou harricot, bocadinhos de cenoura e dois , no máximo, bocados de carne:
2 - Leite "demi-écrémé" para dissolução instantânea com 15 gr de PL, fabricado em França;
3 - Dois pacotes de açucar da Mama Inés; um pacote de sumo de ananás da Mama Inés; um pacote de sumo de laranja da Mamá Inés, tudo farbricado pela JOMIPSAA (Espanha);
4 - Uma lata de sardinhas em conserva produzida pela JOMIPSA;
5 - Um conjunto de pastilhas para fazer fogo, fabricado pela Minigrip que parece ser francesa;
6 - Um pacote de doce de morango fabricado pela empresa Memarillo el Quijote ,SA (Espanha);
7 - Três pacotes de bolachas sem sal, Sweet Biscuit, fabricado pela empresa José Miguel Pontevedra SA (JOMIPSA) (Espanha);
8- Guardanapos de papel fabricados por B-60837192 Campello (Alicante - Espanha);
9 - Dois pacotes de café instantâneo fabricados pela Mama Inés (JOMIPSA - Espanha);
10 - Dois pacotes de sal fabricados pela JOMIPSA - Espanha;
11 - Uma lata de paté de fígado fabricado pela empresa Alimentos Preparados Naturales, SA, de Los Yebenes - Toledo - Espanha;
12 - Uma lata de "Rancho Viseu" fabricado pela empresa Conservas Huertas SA, C/Cervantes (C. Real) Espanha.
A ração de combate é miserável em termos de conteúdo e qualidade.
E não há um único alimento português!
Mas mais miserável é as forças armadas portuguesas estarem nas mãos de Espanha, até na questão das rações de combate.
Isto é um nojo!
Em, primeiro lugar se houver guerra ela será com Espanha, como sempre foi.
Franco tinha estudos para a invasão de Portugal;
Depois do 25 de Abril Espanha propôs aos EUA invadir Portugal;
O nosso inimigo potencial é sempre Espanha.
Menos para Sócrates que não deve saber História ou então está a fazer o frete à Maçonaria Internacional que quer anexar Portugal à Espanha.
Esta questão das rações de combate prova bem a porcaria onde os portugueses estão metidos.
Cavaco Silva sabe isto?
Então as Forças Armadas Portuguesas dependem de Espanha nas rações de combate?
A Manutenção Militar já não é capaz de produzir rações de combate com comida portuguesa, saborosa?
Vamos imaginar que amanhã Espanha voltava a invadir Portugal.
Os soldados portugueses dependiam de Espanha para comer!
Isto é um nojo!
Não me venham com contratos internacionais e liberdade de contratação na União Europeia.
Há matérias em que não pode haver liberdade de negociação, antes reservas estratégicas de soberania, que os tratados da União Europeia permitem.
Porque Portugal nestas questões estratégicas, de defesa nacional, de dignidade nacional, nunca pode ficar na mão de Espanha, nem de ninguém.
Uma vergonha!!!
Até as Forças Amadas Portuguesas estão na mãos de Espanha para efeitos de intendência!?
Que porcaria de políticos temos?
E qual o controlo que faz Cavaco Silva?
O que faz José Sócrates?
Nunca devemos dizer: Espanha-Espanha-Espanha!
D. Afonso Henriques; Nuno Álvares Pereira, D. João I; D. João II, D. João IV, roem as unhas nos túmulos ao ver tanta trampa que cresce em Portugal!
Fora com esta gente!
Quem foram os responsáveis militares que aceitaram isto? Quem foram os políticos que permitiram este avilte?
Algum general viu o conteúdo da jardineira de vaca da ração de combate, ou fui eu que tive azar e me calhou - pedi uma ração de combate para analisar - só ervilhas?



Tal sogro, tal genro...
Extraordinário o argumento do «amor»!!!

Excerto de entrevista ao Expresso de Luís Montez, genro de Cavaco Silva e co-responsável na rádio pela abundante promoção da contracultura relativista e decadente. Que grande coincidência!















Ficou espantado por Cavaco Silva ter promulgado a lei do casamento dos homossexuais? Tinham falado sobre isso?

A lei iria ser aprovada de qualquer maneira. Não discuto essas decisões com ele. O Parlamento decidiu, e acho que tem de se respeitar essa decisão. Não fiquei espantado, contava com isso. Ele é um democrata.

E o que pensa disso?

Eu sou pelo amor. O mais importante é que as pessoas que se amam estejam juntas, e já agora legalmente, se lhes interessar.



Um país agarrado ao Estado

Camilo Lourenço, Jornal de Negócios

Rui Horta, coreógrafo de nomeada, criticou ontem violentamente (na Antena Aberta da RTP N) os cortes de verbas no Ministério da Cultura.

Horta considerou os cortes não democráticos por não terem sido discutidos previamente com as forças vivas do sector. E, para que não restassem dúvidas quanto ao papel da Cultura na Economia, lembrou que se trata de actividades prosseguidas pelo sector privado, não pelo Estado. A esta altura da conversa, eu, entusiasmado, dei por mim a comentar: "Querem ver que o modelo de negócio da Cultura mudou?" Mas a esperança foi sol de pouca dura. Porque de seguida Horta meteu a pata na poça, ao admitir que os subsídios (ou será financiamentos? Ou apoios? Ou ajudas...?) valem "apenas" 40% do sector. Apenas...!

Rui Horta é uma belíssima imagem do Portugal que somos: não há sector que viva sem a ajuda do Estado. Uns de forma explícita, outros mais discretos. Mas todos contam, na boa tradição salazarista, com a sua mão providencial.

Mas não é apenas na subsídio-dependência que Horta se revela o espelho do País. A sua ideia de que o Estado devia ter negociado os cortes, antes de os anunciar, mostra bem porque não saímos da cepa torta. Imagine, caro leitor, se a ministra tivesse ouvido cada "parceiro" da Cultura para saber onde cortar. "Not in my backyard" teria sido a resposta.

É provável que Horta não saiba que é o "complexo de negociação" (leia-se cedência às corporações) que explica a extraordinária engorda do Estado nos últimos 25 anos; e que é essa gordura que explica os (elevados) impostos que pagamos. Mas alguém lhe devia explicar, caramba.


quarta-feira, 7 de julho de 2010

O PPV anuncia candidato à Presidência
da República

COMUNICADO

Como é sabido, nos últimos meses o PPV promoveu uma série de reflexões e consultas tendentes a garantir a presença de uma voz pro-Vida e pro-Família no debate político que se avizinha, com a campanha para a Presidência da República. Porquê?

Porque acreditamos em Portugal

Porque acreditamos na Família

Porque acreditamos nos portugueses

Perante o não avanço de qualquer das personalidades escolhidas pelo "povo pro Vida" em consulta aberta no nosso blogue oficial, a direcção nacional do PPV, em reunião de 29 de Junho, decidiu avançar com uma campanha nacional tendo em vista a candidatura do seu responsável-geral, o Prof. Luís Botelho Ribeiro.

A seu tempo e com as assinaturas reunidas, será apresentado o programa completo da candidatura. Em resumo, eis os principais objectivos da campanha presidencial pro-Vida LuisBotelho2011:

Representar o pensamento e propostas políticas da Doutrina Social da Igreja no debate dos caminhos de futuro para Portugal que estas eleições proporcionam

Defender uma interpretação constitucional plenamente conforme aos sentimentos, valores e anseios mais profundos dos portugueses: dignidade, solidariedade, liberdade.

Dar a todos os que defendem na teoria e na prática os Valores da Vida e da Família uma possibilidade de voto de acordo com a sua consciência

Questionar o modelo de desenvolvimento do nosso país, propondo um sistema mais inclusivo para as novas gerações, para todas as regiões, para as famílias que querem ter filhos mas vêem no Estado mais um obstáculo que um amigo

Portugal pro Vida - valorizando a Vida e a Família, superamos a crise http://portugalprovida.blogspot.com/

Que farei com este Presidente?

Ana Sá Lopes, jornalem 19 de Junho de 2010

 
Ex-líder do CDS diz que direita está "numa situação de vazio"

José Ribeiro e Castro não se lembra de umas presidenciais assim: "À esquerda e à direita ninguém acredita em ninguém", afirma ao i.

José Ribeiro e Castro, deputado, ex-presidente do CDS, sente que "nas últimas semanas há muito eleitorado a descolar de Cavaco Silva". "Não me recordo nunca de uma eleição presidencial assim. Há uma situação política suspensa das presidenciais e dá a ideia de que nos diferentes sectores partidários ninguém acredita em ninguém", afirma ao i o ex-líder do CDS, que vê na esquerda como na direita "uma situação de algum vazio".

"[Como presidente do CDS] Defendi o apoio a Cavaco Silva nas últimas presidenciais e lembro-me bem das dificuldades que tivemos. Alguns não votaram e não fizeram segredo disso, outros declararam mesmo que tinham votado em Manuel Alegre", diz Ribeiro e Castro, lembrando que foram apenas 33 mil votos que evitaram que há quatro anos Cavaco Silva fosse obrigado a ir à segunda volta. "A eleição à primeira volta foi curta."

Para o deputado centrista, não foi apenas a promulgação do casamento entre pessoas do mesmo sexo que afastou algum eleitorado conservador de Cavaco Silva. "Existem outras questões, nomeadamente a alergia que o Presidente da República manifesta aos referendos, quando os referendos foram uma conquista constitucional da AD", justifica. "É sabido que o Presidente da República é contra os referendos. Isto descontenta muito eleitorado que acha que o referendo é um instrumento legítimo. Não substitui a democracia representativa, mas é um instrumento da democracia". Ribeiro e Castro acusa o Presidente da República de "ter ignorado por completo a iniciativa do referendo" ao casamento gay que vários grupos católicos tentaram desencadear, com apoio de alguns políticos, como Ribeiro e Castro e Santana Lopes.

Para o ex-líder do CDS, a atitude do Presidente da República "foi pior que a da Assembleia da República" que, apesar de ter chumbado a iniciativa, a discutiu. "O Presidente ignorou por completo e isso também feriu as pessoas", afirma. Ribeiro e Castro acha mesmo que a questão da promulgação do casamento gay "foi apenas o detonador de outras questões que estavam adormecidas", e se não se traduzir numa nova candidatura à direita, o "descontentamento inorgânico" pode redundar numa "grande abstenção".

"Do ponto de vista do eleitorado a que o Presidente da República se dirigiu nas últimas eleições, tornou as coisas mais complicadas e incertas". Ribeiro e Castro aponta como "fundamental" a necessidade de colocar no processo legislativo "a sociedade e a família".

Sobre se, com a negativa de Bagão Félix, estaria disponível para protagonizar essa candidatura à direita, Ribeiro e Castro responde: "Não estou à janela, outros estão, existem outras pessoas".

Mas não nega totalmente que, no futuro, o cenário não se possa vir a colocar: "Há questões que merecem ser reflectidas e amadurecidas, exigem um exame mais complexo e profundo". Nomeadamente, se existem "condições políticas para uma candidatura", se teria "um significado útil" e se contaria também com apoios financeiros para se poder desenvolver.



O Estado leva tudo!

João José Brandão Ferreira

Já plantei árvores, tenho filhos e escrevi livros. Posso pois, segundo um ditado popular, partir desta vida e passar a outra “dimensão”. Mas lamento já cá andar há 56 anos e não ver melhorar um rol de coisas extenso, que não pára de aumentar. E da melhoria das pequenas coisas se poderia partir para outras mais importantes. Foi desse modo que Nova Iorque se tornou, possivelmente, mais segura, hoje em dia, que Lisboa…

Livros escrevi cinco, mas só deste último consegui auferir, até hoje, alguns direitos de autor. O mundo editorial não foge à pandemia geral (essa sim, real), de desonestidade em que vivemos. Já fui vítima de algumas coisas que se tornaram corriqueiras: deslizamento temporal das promessas de pagamento; falências, quiçá fraudulentas; desaparecimento do mercado por fraude; e até um “não tenho dinheiro para lhe pagar, pois ninguém me paga, olhe só lhe posso pagar em livros…”

Quando finalmente recebo uns assinaláveis 10% (!) pelo preço de venda de cada exemplar, sou informado que tenho que pagar 7,5% de IRS,sobre o total recebido, para os cofres da Fazenda Pública.

Usando de um pouco da ousadia que me prégaram nos bancos da escola militar, que frequentei, resolvi interrogar-me porquê?

Ou seja com que direito e porque bulas, as finanças – que na Idade Média só cobravam impostos depois de aprovados em Cortes onde estavam representados o Clero, a Nobreza e o Povo – se arroga o direito de me espoliar de 7,5% do meu trabalho a que pomposamente apelidam de “propriedade intelectual”?

Vejamos, eu não sou profissional desse território; escrevi o livro nos meus tempos livres, não tendo para isso usufruído de nenhum “serviço” do Estado; usei papel, canetas, computador, net, consultei bibliotecas, comprei outros livros e mais um conjunto de consumíveis sobre os quais esse mesmo Estado já me cobrou impostos – para além de estar a contribuir para o PIB - dou trabalho à editora, à distribuidora e ajudo no negócio dos livreiros – ou seja estou a contribuir para o emprego de muita gente ; finalmente, dou o meu contributo para a cultura nacional – notem que até escrevo com pontuação e tudo! – e que fez o Estado? Pois o Estado vai-me esbulhar de 7,5% de uma pequena mais valia que obtive exclusivamente com a iniciativa e trabalho próprio. O Estado não me taxa, agride-me e tira-me, por completo, a vontade de com ele colaborar.

O Estado está assim a incorrer na falta em garantir a Justiça e o Bem-Estar dos cidadãos que é suposto servir, que, juntamente com a Segurança, são os três únicos desígnios para os quais existe e foi inventado.

Poder-se-á argumentar que este imposto contribui para o Bem Geral, mas essa tirada só faz ouvir o gargalhar mais longe e mais audível.

Nem os outros cidadãos têm o direito de usufruir de nada para o que não concorreram, nem eu me sinto no dever de tal partilhar, a não ser por deliberação própria.

Um Estado que esminfra quem trabalha, protege quem especula e subsidia quem não quer fazer nada (ou está preso!) além de privilegiar as cunhas de parentesco, “grupo” ou partidárias, é um estado de um país sem futuro, à beira dos maiores precipícios.

Não se acerta uma.

O dia da morte de José Saramago

Alberto Gonçalves, DN, 20.6.2010
 
Portugal ficou mais pobre? Se a pobreza for de espírito e a julgar pelas carpideiras, sem dúvida. A morte de José Saramago iniciou uma competição de louvores e levou uma extraordinária quantidade de sujeitos, notáveis e anónimos, a elogiar um homem que, evidentemente a título elogioso, todos acham "polémico".

É verdade que Saramago tentou a polémica. E se agora muitos aconselham a separar o autor da respectiva obra, é igualmente verdade que o conselho não possui efeitos retroactivos. Após O Evangelho... e sobretudo após o Nobel, que insuflou Saramago com uma importância proporcional à importância que um país periférico dá a essas coisas, os seus romances confundem-se frequentemente com sebentas de apoio às controvérsias públicas que o autor buscava e, na maioria dos casos, obtinha. Menos lidos do que comentados, os livros de Saramago pareciam-se com uma mera versão escrita do chinfrim que o próprio anunciava ainda antes de cada publicação e se esforçava por alimentar depois.

E tudo isso para quê? Vasculha--se a imprensa e, entre a excitação dos epitáfios, não se encontra uma voz dissonante. Saramago orgulhava-se de fomentar inimigos, mas, fora dos comentários sem rosto na Internet, aparentemente não há um com a decência de aparecer e proclamar que desprezava a obra ou que detestava o autor.

Para quem se sonhou incómodo, não haverá maior traição do que partir neste sufocante consenso. Armados de panegíricos, os adversários evitam o sectarismo de que Saramago sempre padeceu, os admiradores lembram o criador perseguido (?) e esquecem o comissário político, os alucinados exaltam a "coragem" do fiel servidor de uma ditadura (felizmente breve), os sensíveis reclamam respeito post mortem por um indivíduo que venerou uma ideologia especializada no assassínio.

Eu, que nunca gostei do escritor nem do cidadão e não mudei de ideias por causa de um destino a que ninguém escapa, faço-lhe a justiça de imaginar que, caso também aí Saramago se tenha enganado e a alma seja realmente imortal, a alma dele hoje lastime tamanha unanimidade. Pela modestíssima parte que me toca, não a terá. E não precisa de agradecer.



segunda-feira, 5 de julho de 2010

O Estado português e o Estado espanhol

Helena Matos, Público, 1.7.2010

«Portugal é um Estado. Pobre, ciclotímico e um pouco desatinado, mas um Estado sem problemas de identidade ou de fronteiras. Coisa que a Espanha está longe de ser. De cada vez que embarcamos na designação "ibérico", seja em mercados, encontros ou campeonatos, ajudamos a Espanha a iludir o seu problema com a Catalunha, o País Basco e todos os outros nacionalismos que por ali campeiam - agora até descobriram que existe o valenciano e o andaluz, pois os nacionalismos estão para a invenção das línguas como a bola para o futebol. O busílis da questão é que, ao embarcarmos nesse caldeirão ibérico composto por nações que andam a discutir se são estados e outras minundências que fazem o dia-a-dia da Espanha e que muito dinheiro e influência rendem aos diferentes nacionalismos, colocamo-nos a nós, que somos um Estado, nesse patamar das nações que não só não nos rende nada como nos subalterniza e retira influência. Porque, na hora da verdade, os mesmos catalães e bascos do folclore das nações da Ibéria, que andam de símbolos independentistas no braço, apostam na selecção de Espanha. Seja no futebol ou nos negócios.

«Assim, recuperemos a designação "luso-espanhol", que coloca cada um dos países em seu devido lugar, e deixemos o termo "ibérico" para aquelas embalagens de costeletas provenientes de Espanha mas que os perspicazes empresários espanhóis sabem que compraremos com muito mais facilidade se, em vez de espanhol, tiverem escrito ibérico.»



A maior obra de ficção de todos os tempos

João Miguel Tavares, Correio da Manhã

No outro dia estava com dificuldade em adormecer e decidi ler a maior obra de ficção publicada em Portugal nos últimos anos: o programa eleitoral do Partido Socialista.

Vejam o que encontrei na página 28: "Quanto às SCUT, deverão permanecer como vias sem portagem enquanto se mantiverem as duas condições que justificaram a sua implementação: (i) localizarem--se em regiões cujos indicadores de desenvolvimento sócio-económico sejam inferiores à média nacional; e (ii) não existirem alternativas de oferta no sistema rodoviário." Falta, evidentemente, o ponto (iii), que me ofereço desde já para acrescentar: "e (iii) desde que a situação económica não fique lixada ao ponto de a gente precisar desesperadamente de fazer umas massas dê lá por onde der."

Tenho cá para mim que hoje em dia as reuniões do Conselho de Ministros começam com José Sócrates a perguntar: "Meus senhores, há algum ponto do programa eleitoral do PS que nós estejamos a cumprir?" Se algum ministro levantar a mão e disser "sim senhor, na página 66 há um breve ponto sobre o combate à diabetes que neste momento corre o risco de se vir a tornar realidade", aí o primeiro-ministro intervém para repor a ordem: "Há uma reputação a manter, meus senhores. Acabem imediatamente com esse desvario."

Deixem-me esclarecer que não está aqui em causa a justeza das facadas no programa eleitoral do PS. As SCUT, na minha modesta opinião, nem sequer deveriam ter sido inventadas. Agora, não deixa de ser espantoso que José Sócrates tenha sido eleito com base em 120 páginas de patranhas, numa altura em que a crise mundial já estava por todo o lado. É isto que os portugueses têm de perceber. Ninguém precisa de escutas ou comissões de inquérito para concluir que o país chapinha em mentiras. Basta ler o programa eleitoral do PS.

sábado, 26 de junho de 2010

Sócrates no Torneio de Arcos de Valdevez

Heduíno Gomes

O Conselho de Estado, reunido em Arcos de Valdevez, no âmbito do Centenário da República, prestou homenagem a Mário Soares. O elogio ao homenagiado ficou a cargo de Sócrates. Lendo um discurso que alguém lhe escreveu --, ou seja, Sócrates travestiu-se com o discurso de alguém --, abundava a erudição e a graxa.

A erudição deu para citar Kant (acho que era Kant, mas, se não era, fica na mesma a erudição do engenheiro dos mamarrachos) -- a partir da cadeira de filosofia técnica, feita certamente na Universidade Independente! E deu ainda para -- calcule-se -- falar em latim técnico! Sim, em latim técnico.

Quanto à graxa a Mário Soares, também deu vontade de rir. Enquanto ouvia a graxa, Mário Soares esboçava um daqueles sorrisos de gozo que só ele sabe, como que a dizer: -- A mim não me enganas tu!



Sócrates com o seu diploma de filosofia técnica e latim técnico
da Universidade Independente.

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quinta-feira, 24 de junho de 2010

Fechar a loja

João Pereira Coutinho, Correio da Manhã

O ensino português não pára de nos abismar. Agora, o país ficou a saber que é possível a um aluno de 15 anos, ‘retido’ no 8.º ano, fazer o exame do 9.º e passar para o 10.º. Não é fácil, garante a ministra. Mas é possível: ‘a vontade move o mundo’, disse a dra. Alçada, que imagina um cábula de 15 anos, a bater com a cabeça nas paredes do 8º ano, mas subitamente tomado por uma vontade irresistível de passar para o 10.º.
Não perturbo esta fantasia. Só estranho que a ministra não se sinta perturbada com a imagem que a fantasia revela. Se um aluno não precisa de frequentar o 9.º ano para passar para o 10.º, para que serve o 9.º ano? Aliás, para que serve estudar no 8.º? Para que servem, no fundo, os rituais clássicos da escolaridade clássica – as aulas, a assiduidade, a avaliação contínua e sazonal – quando é possível dispensar estes empecilhos? No limite, a medida da dra. Alçada permitiria desmantelar todo o sistema e erguer um novo: uma espécie de ‘ensino por correspondência’ onde, em rigor, não existiriam escolas, professores ou alunos. Pena que só sobraçasse o Ministério.

Você emprestar-nos-ia dinheiro?

Camilo Lourenço, Jornal de Negócios

Nas últimas semanas alguns bancos europeus andaram a dizer aos mercados que não têm (ou têm pouca) divida dos países em risco de bancarrota. Entre os quais Portugal. A estratégia é clara: mostrar aos financiadores que não andam com más companhias. E que, por isso, qualquer desastre que aconteça a essas más companhias não os afecta.
A consequência imediata desta atitude é que bancos portugueses, mesmo os mais sólidos, passaram a ter ainda mais dificuldade em financiar-se nos mercados interbancários.
Em qualquer país sério isto teria provocado duas coisas: fuga de depósitos e toque a rebate na classe política. Porque não pode haver pior sinal, para um país, do que quando os mercados o passam a olhar como um leproso.
Em vez disso o que temos? Um Governo que não corta despesa corrente (e que exulta com a subida de 15 por cento nas receitas do IVA); um parlamento que chumba uma proposta para congelar o TGV e um primeiro-ministro que diz que só corta salários aos políticos porque a isso se comprometeu com o líder da oposição.
Enquanto isso, aqui ao lado, um Governo sem maioria decidiu cortar salários a quem trabalha para o Estado (a Espanha tem, como nós, um défice externo superior a 10% do PIB) e vai avançar com uma reforma laboral mesmo sem acordo de sindicatos e patrões.
Caro leitor, imagine que gere as poupanças que milhares de trabalhadores colocaram num qualquer fundo de pensões. Emprestaria dinheiro a Portugal?
P.S. - Passos Coelho diz que se o Governo tiver de recorrer a ajuda externa, o PSD não se opõe. Os mercados ficaram a saber que o futuro primeiro-ministro acha que o País não se safa pelos próprios meios.


Morreu um poeta, patriota e amigo de Olivença

Morreu António Manuel Couto Viana


(Viana do Castelo, 24-01-1923 - Lisboa, 08-06-2010)


Poeta e Português, não esqueceu Olivença, oferecendo-lhe o seu Cancioneiro de Olivença (Hugin, Lisboa, 2003).


«OLIVENÇA, A EXILADA»

O pelourinho, a igreja manuelina,
A porta do palácio Cadaval,
A Torre do Castelo, o escudo em cada quina,
Chamam-se Portugal.


O mais, é um casario
Com dois séculos de Espanha,
Branco e frio,
Em frente ao jorro d'água e à palmeira estranha.


Olivença, a exilada! A palavra saudade,
A sua língua de hoje esqueceu-a de vez.
Porém, sente-se a nobreza e alma da cidade
Em pedra e em português.

[Olivença, 05-10-2001]




«CLAMOR»

(...)
Ouvi a alma de Olivença
Cativa do silêncio sepulcral:
Antes que o tempo me convença,
Vem libertar-me sem detença
A minha pátria é Portugal !

[Olivença, 21-08-2002]



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quinta-feira, 17 de junho de 2010

Convite para sessão de autógrafos na FNAC-Braga

A Livros d'Hoje convida-o a estar presente na sessão de autógrafos
do livro «Em Nome da Pátria», de João José Brandão Ferreira,
na FNAC-Braga.

[Clicar na imagem para ampliar]





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domingo, 13 de junho de 2010

A grave situação na Turquia, país da NATO

A Turquia islamista foi longe demais

Daniel Pipes, National Review Online, 8 de Junho de 2010
http://maislusitania.blogspot.com/2010/06/grave-situacao-na-turquia-pais-da-nato.html

Os melhores amigos? Erdoğan (à esquerda) com Ahmadinejad.





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Foleiros e doutores

Manuel António Pina, dos jornais

Terminaram as chamadas «Queimas das Fitas» e, salvo raras excepções, o balanço foi o do costume: alarvidade + Quim Barreiros + garraiadas + comas alcoólicos. No antigo regime, os estudantes universitários eram pomposamente designados de «futuros dirigentes da Nação». Hoje, os futuros dirigentes da Nação formam-se nas «jotas» a colar cartazes e a aprender as artes florentinas da intriga e da bajulice aos poderes partidários, enquanto à Universidade cabe formar desempregados ou caixas de supermercados. A situação não é, pois, especialmente grave. Um engenheiro ou um doutor bêbado a guiar uma carrinha de entregas com música pimba aos berros não causará decerto tantos prejuízos como se lhe calhasse conduzir o país. Acontece é que muitos dos que por aí hoje gozam como cafres besuntando os colegas com fezes, emborcando cerveja até cair para o lado, perseguindo bezerros e repetindo entusiasticamente «Quero cheirar teu bacalhau» andam na Universidade e são «jotas». E a esses, vê-los-emos em breve, engravatados, no Parlamento ou numa secretaria de Estado (Deus nos valha, se calhar até já lá estão!).


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Olivença recupera as suas ruas com nomes portugueses

   A Associação Cultural Além-Guadiana         
   prossegue na defesa da cultura oliventina   

http://maislusitania.blogspot.com/2010/05/associacao-cultural-alem-guadiana.html





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Olivença é território de Portugal


A Espanha deve tirar as patas
    de Portugal
Nobre e adequada intervenção
    do deputado
    Prof. Bacelar Gouveia
    na Assembleia da República
    quanto à questão de Olivença

José Maria Martins

http://maislusitania.blogspot.com/2010/05/olivenca-e-territorio-de-portugal.html

Asfixia sexual

 
Inês Teotónio Pereira, i-online, 12 de Junho de 2010

O Estado insiste em entrar por minha casa a dentro. E já nem bate à porta: tem chave. Qualquer dia instala-se, põe os pés em cima da mesa, monopoliza o comando, manda vir uma piza e dá ordens ao meu cão.

O Estado insiste em dar educação sexual aos meus filhos e encomendou o serviço a uma associação qualquer sem me perguntar se quero. Devem achar que não dou conta do recado, que não sei. Cheira-lhes. Têm um dedinho que advinha, uma pulga atrás da orelha, foi um passarinho que lhes soprou ao ouvido. Qualquer coisa. Pergunto: porquê? Conhecem-me de algum lado? Já agora, podiam fazer uma rusga pelo país para averiguar se os meninos comem a sopa em vez de gomas, ou se lêem os livros correctos, ou se lavam os dentes e as mãos. Podiam mesmo criar o Ministério do Grande Educador. Mas o defeito deve ser meu: esta crença cega na Liberdade e na Democracia condiciona-me o raciocínio. Sendo eu uma perigosa democrata, acho que ninguém tem nada a ver com a educação sexual dos meus filhos, nem com a sua educação religiosa ou política. Muito menos o Estado, que não percebe patavina do assunto.

Uma das coisas mais irritantes da esquerda é esta mania alcoviteira de se meter na vida dos outros. Que seria apenas irritante se não houvesse poder à mistura. Mas há, o que a torna asfixiante e até perigosa. O resultado desta aventura da educação sexual é que a liberdade de escolha é só para os ricos. Os outros são obrigados a educar os filhos a meias com pessoas que não conhecem de lado nenhum. O Estado é que sabe. É a esquerda, pá.

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domingo, 6 de junho de 2010

Esta PT acabou, venha a próxima

Pedro Santos Guerreiro, Jornal de Negócios

A Telefónica vai comprar a Vivo, a bazófia nacionalista era só para sacar mais 800 milhões. Os accionistas da PT já esfregam dentro dos seus bolsos vazios as mãos, ensanguentadas da amputação que predisseram. Como dizem as mulheres, os homens são todos iguais: era só dinheiro.

Esta é a altura em que Portugal tem vergonha dos seus capitalistas. Não pelo negócio, que é excelente. Mas porque usaram o nome do País em proveito próprio. Tanto arrebatamento caiu por apenas mais 14%. Talhando a PT. E Sócrates? Sócrates já não manda aqui. Foi a Espanha defender o que nem os donos da PT defenderam. Ou foi traído ou atraído, mas deixou de ser o último a falar. Até o presidente da CGD lhe passou por cima.

O negócio não foi decidido nem em São Bento nem no Fórum Picoas. Foi na Avenida da Liberdade, 195. É essa a morada dos centros de decisão nacionais. Foi o BES que aceitou negociar a oferta.

"Como tudo na vida, a Vivo tem um preço." Quando Ricardo Salgado me disse esta frase, há uma semana em Nova Iorque, ficou claro qual seria o desfecho. E é por ter dito esta frase que o presidente do BES é uma das duas pessoas que não podem ser acusadas de contorcionismo. A outra é Henrique Granadeiro, pelo que não disse. Preservou-se no silêncio, deixou o jogo sujo para outros, vai falar no fim e ileso.

Daqui para a frente, todos quererão sair bem na fotografia. Os administradores dirão que não estão a favor, que apenas cabe aos accionistas decidir, o que é uma dissimulação. E dirão que venderam bem (o que é verdade) e que há alternativa a não sair do Brasil, a Oi. Isso salva a face deles mas não salva a PT. A Oi não vale uma Vivo.
A Telefónica é a grande vencedora deste processo. Com o raspanete da Brandes, deu um passo atrás para dar depois dois passos à frente - e no segundo pisou quem se armou em orgulhoso português. Parabéns, señor Alierta. Conhece os accionistas da PT melhor do que os portugueses.

Para onde vai o dinheiro? Essa é agora a questão. Para reinvestir, garantindo futuro? Para distribuir em dividendos extraordinários, entregando o dinheiro aos accionistas? Ou para amortizar a dívida, pagando o peso do passado?

São 6,5 mil milhões de euros. A administração quererá investir, muitos accionistas precisam do dinheiro. Uns estão hipotecados (Ongoing, Joaquim Oliveira, Visabeira, até Berardo ainda lá anda), outros são os donos das hipotecas (BES e Caixa) e estão, eles próprios, sem financiamento. A história pode, pois, estar escrita: são Sarahs Ferguson à volta do pote.

O pote é a PT, que está a ser aniquilada. Os seus donos têm todo o direito a fazê-lo, mas não têm o direito dos discursos de "golden shares" e de centros de decisão nacional. Como se diz no Brasil, "para cima de mim não".

A oferta da Telefónica foi, de facto, oportunística. E os donos da PT aproveitaram a oportunidade. Estes accionistas não mereceram, afinal, vencer a OPA. Foi para isto?

Granadeiro e Zeinal deram a PT Multimédia e distribuíram seis mil milhões de euros em dividendos por causa da OPA. Além disso, venderam os anéis. Venderam Marrocos, Botswana, China, e agora o Brasil. O que compraram? Nada. Afinal não foi a Sonae que desmantelou a PT, foi quem lá ficou. Que rica Vivo. 


PS: A venda da Vivo estava escrita. Até nos jornais. Não por iluminação, mas porque era fácil interpretar as evidências. Mesmo aquelas que eram desmentidas pelos accionistas...

- A 12 de Maio, aqui escrevi: "Está para nascer a OPA que não dependa do preço. (...) Não tardará muito até vermos se, como quase sempre, o discurso dos Centro de Decisão é apenas uma questão de preço."

- A 25 de Maio: "É provável que a Telefónica dê um segundo "abraço de urso", mais forte, subindo a oferta de 5,7 mil milhões (...). Nesse caso, a administração terá de aceitar ir a jogo, propondo o negócio aos seus accionistas em assembleia-geral. (...) O dinheiro que a Telefónica pode oferecer tilinta demasiado alto para que todos os accionistas estrangeiros da PT continuem a dizer que não."

- A 27 de Maio: A Telefónica "não pode falhar. Vai ter de dar tudo por tudo - e tudo é dinheiro e contrapartidas. (...) Venha o próximo lance. Isto não foi lá a mal, mas pode ir lá a bem.".

- A 31 de Maio: A Telefónica "é demasiado grande e maior para perder a Vivo, se de facto a quer - e quer. (...) A PT não luta para ganhar, luta para não perder."