sábado, 27 de agosto de 2011

O milagre do IVA

Fernando Sobral, Jornal de Negócios 

O IVA, em Portugal, é uma espécie de Midas.
Acredita-se, com uma fé inabalável, que transforma tudo em ouro orçamental.

O IVA, em Portugal, é uma espécie de Midas. Acredita-se, com uma fé inabalável, que transforma tudo em ouro orçamental. O IVA tornou-se num deus pagão do Estado moderno em geral e do português em particular. Há quem diga que há vida para lá do IVA. Há quem acredite que enquanto não se perceber que o IVA tem limites, o Estado não aprenderá a reformar-se de forma clara. O IVA é a almofada de penas do Estado: este só acordará quando os patos deixarem de contribuir para o festim de quem vive à sombra das suas receitas. Foi por isso que, antes sequer de se avançar com qualquer corte na despesa, o Governo avançou com mais um aumento do IVA. A que se vão seguir outros, em tudo o que move. O problema é que esta obsessão infantil com o IVA é uma espécie de trauma freudiano. Quando o IVA deixar de funcionar, o Estado ficará órfão. Está quase. Ainda antes de se avançar para mais uma cavalgada do IVA, as receitas deste já começaram a abrandar. Os portugueses começam a cortar nas compras e, com isso, há menos IVA para cobrar. Quando muitos dos produtos de taxa mínima passarem para a taxa máxima, vai cumprir-se a segunda fase do desastre: o que se ganhará com a descida da TSU, perder-se-á com a subida extravagante do IVA. Consumindo menos, os portugueses causarão danos nas empresas nacionais. E estas irão emagrecer custos. O emprego será o primeiro a ser posto em causa. Ao mesmo tempo o Estado irá arrecadando cada vez menos IVA para os seus dislates. Em tempos o cartão Multibanco era o porta-moedas dos portugueses e o IVA era o saco azul do Estado. Esse tempo está a chegar ao fim.

As admissões às academias militares

João José Brandão Ferreira

                        “Talvez um dia os queirais e os não tenhais”.

                                                          Padre António Vieira
 
Pergunta-se, se não houvesse dinheiro, por exemplo, para colocar a funcionar uma das três instituições (e só uma, verdadeiramente, o é) a seguir indicadas, qual escolheria o leitor? O PSD, o Exército ou o Benfica?

A resposta é, a meu ver, assaz simples, embora incómoda. Vou, para já, mantê-los em suspenso.

Ainda os ecos da lamentável decisão governamental, em não autorizar o arranque do 1º ciclo do ensino básico no Colégio Militar, se tinham atenuado e já o Governo se prepara para arranjar mais um imbróglio – este de proporções e implicações mais vastas e graves. Trata-se do concurso de admissão às escolas de ensino superior militar: a Academia Militar, a Escola Naval e a Academia da Força Aérea.

O governo, numa altura em que os concursos já foram lançados e estão a decorrer, não autorizou – desta vez, preto no branco - a sua finalização e o número de vagas a admitir.

Já faz tempo – tanto que já ninguém se recorda há quanto – que os sucessivos governos não publicam a portaria que autoriza o número de vagas das três Academias, relativa ao número de cadetes a admitir anualmente. Mas como também não dão qualquer outra indicação, os Ramos têm continuado a fazer os concursos como se tudo estivesse na maior das normalidades e legalidades. Sucessivos alertas por parte das chefias para a inadequação da situação, resultaram em nada.

Até que este ano chegou a “troika” e o Sr. Ministro das Finanças (MF), avocou a si a decisão sobre tudo (eles bem querem imitar a figura do Prof. Salazar – sem o dizer – mas falta-lhes 10 cm na estatura…).

Ora o Ministro da Defesa (MDN) anterior, o Dr. Santos Silva já tinha dado indicações (vá-se lá saber baseado em que critério), para que se cortassem 10% no total das admissões. Enfim, era um factor de planeamento; agora chegaram estes rapazes e mandaram “alto ao baile”. O Ministro da Administração Interna (apanhando o Comandante da GNR de férias) mandou cortar o número de vagas para a GNR para um terço; recebidos alguns protestos, condescendeu em cortar só metade. Deve ser a olho…

Um dos chefes militares enviou um ofício assaz violento para o MDN sobre o assunto, ao qual este apôs: “visto, aguarda decisão do MF”.

Eu nem sei para que existem outros ministros se o MF é que decide tudo… ou seja estamos perante um símbolo de impossibilidade.

Como o MF anda a rapar tudo – provavelmente para poder continuar a financiar as “derrapagens” do Dr. Jardim e a incompetência crónica das administrações (e respectivas sinecuras pornográficas), das empresas públicas, onde despejou agora 1400 mil milhões de euros – e já não tem nada onde rapar à tropa, onde a sub - orçamentação crónica reduziu a operacionalidade e a logística a quase nada e coloca o pagamento dos vencimentos sempre no limiar do incumprimento, agora não sabem o que fazer. Não sabendo o que fazer podiam ao menos coibir-se de fazer asneiras!

E se andassem mais atentos ou ligassem a quem com zelo e seriedade os informa, ter-se-ia evitado que só “in extremis”, se conseguisse pagar – também por zelo e vergonha – a última tranche de 18,6 milhões de euros relativa à aquisição dos carros de combate “Leopard”, ao Reino da Holanda. Isto porque o MF apenas transferiu a verba necessária na tarde do próprio dia em que terminava o prazo (24/8)!

Ou seja estamos a poucas semanas de começar o ano lectivo e nem se sabe se começa e com quantos. Imaginemos, por um momento que, este ano, não há incorporação (já aconteceu uma vez, no Exército, em 1975, mas estávamos no PREC…), o que se faz aos alunos que chumbaram (sim porque na tropa ainda se chumba)? E aos professores? E aos acordos que existem com os PALOPs? E ainda não perceberam que a Instituição Militar é uma espécie de sistema de rodas dentadas perfeito, que não se compadece com soluções de continuidade? Que a gestão do pessoal passa a ser (aliás, já é) catastrófica?

Ou será que querem reeditar o flop do 1.º ano comum?

Voltemos então ao PSD, ao Exército e ao Benfica. Se acabássemos com o PSD, viria algum mal ao país? Alguém daria por isso? Não me parece que viesse algum mal, e se porventura um qualquer cidadão mais atento desse por isso, seria pela ausência de ruído.

Sejamos honestos, alguém se lembra de algum partido dos que já houve em Portugal, desde 1820? Acertaram, apenas meia dúzia de políticos ou de historiadores mais esclarecidos, se lembra. O PSD, como outros da sua igualha é, apenas, uma entidade transitória de candidatos ao exercício do Poder. Deviam assumir-se como escola de civismo, mas limitam-se a ser agências de emprego; antros de demagogia e mentira, onde quase nunca se faz o que deve, mas sim o que se julga, dê votos. Não têm escola, nem princípios. Numa palavra, não prestam.

O Benfica, por seu lado (podia ser outro qualquer), tem a sua importância por ter passado de um clube de bairro de Lisboa para um dos maiores da cidade e do País. Tem modalidades desportivas a funcionar, ocupando umas centenas de jovens. Deu algumas alegrias desportivas, internacionais, à família do clube e a muitos outros portugueses que nelas se reviram.

Mas é uma realidade, sobretudo, regional que tem suscitado antagonismos também regionais – nada de bom para a coesão nacional. Hoje representa, maioritariamente, um negócio e uma plataforma de rotação de escravos modernos (os jogadores). O negócio nem sequer está a dar (poucas vitórias), e só se aguenta, aparentemente, porque o fisco – que pertence ao Estado – tem para com ele (s), um tratamento assaz mais favorável do que aquele que reserva ao comum do cidadão.

Por isso, se o Benfica acabasse, deixaria alguma claque irada, uns quantos choros convulsivos e algumas saudades do tempo em que o clube era uma realidade “à antiga portuguesa”. O funcionamento do país e a sua posição na cena internacional não seriam beliscados, um milímetro.

Agora experimentem acabar com o Exército, que é um esteio da Nação, não se confunde com nenhum partido político (e está para além deles todos), desde o início da nacionalidade e não é propriamente um clube desportivo onde meia dúzia joga à bola e uns milhares ficam a ver jogar e onde vão arranjar tema de conversa para uns dias!

E façam o favor de convir de que acabar ou não com o Exército (uma realidade que levou séculos a maturar), não se pode experimentar em laboratório, nem é daquelas coisas que se pode acabar hoje e retomar amanhã.

Existe, porém, um “laboratório” cheio de ensinamentos, onde se pode ir beber preciosos conhecimentos e saber: chama-se História dos povos. Por isso a resposta me parece fácil.

Vejam se atinam, pois.

E quando o governo não atina, espera-se uma palavrinha do PR, quanto mais não seja no “Facebook”…

Leiam Vieira, ele na sua grande sabedoria, bem avisava: “Talvez um dia os queirais e os não tenhais”.

 

Apita o TGV...

Fernando Sobral, Jornal de Negócios
 
Nas passagens de nível, os avisos são claros: "pare, escute e olhe".

Nas passagens de nível, os avisos são claros: "pare, escute e olhe". Se não fizer isso, Álvaro Santos Pereira poderá ser colhido por um TGV. Seria um fim inglório para quem não escutou o apito da realidade. O TGV não é o comboio dos torresmos que parava em todas as estações e apeadeiros. Saber ou não saber o que fazer não é aqui a questão: é, simplesmente, o suicídio do crédito que o ministro tinha. O TGV não apita três vezes: é rápido de mais. A indecisão do ministro deixa-nos na dúvida. Portugal tem extinto com saga sádica a sua rede ferroviária. Pensar que o TGV é a liturgia que nos salvará da entropia generalizada sobre a rede de transportes nacional é um erro. A questão é clara: o TGV é fundamental e há dinheiro para ele? Ou o TGV é uma espécie de quarta auto-estrada Lisboa/Porto que custa apenas mais uns milhões? Num país que está de mão estendida, há lógica em exigir todos os sacrifícios possíveis aos portugueses, sabendo que o País vai ficar muito mais pobre, e depois apostar todo o dinheiro real e virtual num "jackpot" duvidoso como o TGV? Até à ida do ministro Santos Pereira a Espanha, tudo parecia decidido. Mas, de lá, ele parece ter voltado com mais dúvidas do que certezas. Quando se atiram respostas para o futuro é porque as certezas de ontem foram colocadas no picador. O que é que mudou? A constelação onde se move no TGV? O humor espanhol? A vontade alemã? Ou tudo se resume à mais temível das fraquezas nacionais: a incapacidade de tomar decisões finais? O TGV pode transportar Álvaro Santos Pereira ou pode passar por cima dele.

Se eu não sou inteligente, quem é que é inteligente?!

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O Dia da Infantaria e o discurso que não houve

João José Brandão Ferreira

Comemorou-se mais uma vez – e resta saber até quando se irá comemorar – o 14 de Agosto, dia da Infantaria e aniversário da Batalha de Aljubarrota, onde se evoca o patrono da Arma, o Condestável D. Nuno Álvares Pereira, em boa hora santificado por S. Santidade o Papa Bento XVI.

Quase ninguém deu pela data (nem sequer a população de Mafra, onde se realizou a cerimónia) e os poucos que deram, foi porque o Ministro da Defesa (MDN) foi lá e alguns jornalistas foram no seu encalço.

Cerimónia militar digna, certinha e austera, com um bom discurso do Director Honorário da Arma, Tenente General Vaz Antunes e a ausência das “patrulhas Nun’Àlvares” (uma competição desportivo/militar entre representantes de todas as unidades de Infantaria), por … já não haver verba.

Ler mais em:
 

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O fim de nós, tal qual somos e fomos

João José Brandão Ferreira

“As únicas nações que têm futuro, as únicas que se podem chamar históricas, são aquelas que sentem a importância e o valor das suas instituições e que, por conseguinte, lhes dão apreço”
                                                                                                                                Tolstoi 

Bem se podia aplicar a frase de Tolstoi ao que se tem passado recentemente (um recentemente que tem 35 anos…) com as Forças de Segurança e, sobretudo, com as Forças Armadas. Mas não é sobre este tema específico que vamos hoje, elaborar.

Comecemos com uma pergunta: pode-se dizer, hoje em dia, que o Benfica é uma equipa “portuguesa”, quando não apresenta um único jogador português, em campo? E sobre o Beira-Mar, comprado, recentemente, por um empresário iraniano?

E que dizer da selecção nacional que só pode ter jogadores nacionais, mas a equipa técnica pode ser toda estrangeira? E vale fazer batota, indo nacionalizar jogadores, à pressa, para os incluir no onze das Quinas. Isto faz algum sentido? Pelos vistos faz…

Já há, em vários municípios europeus, autarcas que são emigrantes – não naturalizados – nomeadamente em localidades onde a maioria é emigrante. Ainda não chegou cá, mas é uma questão de tempo. Estaremos no bom caminho?

Outro dia, creio que no ano passado, surgiu a ideia do “Erasmus Militar” e logo nos deslumbrámos, querendo estar na linha da frente, para o que até se organizou um colóquio na Academia Militar, sobre o assunto. Os responsáveis terão reflectido bem sobre o que isto quer dizer e suas consequências? Aliás, ainda poucos saberão, mas o governo alemão prepara-se para permitir que sargentos e oficiais de outros países da NATO/UE possam candidatar-se (concorrer?) a desempenharem as mesmas funções nas suas FAs. Qual o verdadeiro significado de tudo isto? Exigirão reciprocidade?

O actual Ministro da Economia, num livro que escreveu, põe a hipótese – querendo ironizar, supõe-se – que a Madeira possa vir a ser independente. Logo a ideia foi glosada por muitos, num estilo irresponsável, como se tivessem a falar de ir beber um copo com os amigos. O Dr. Jardim devia, também, meter a mão na consciência para avaliar as responsabilidades que tem neste cartório.

Os exemplos multiplicam-se.

As pessoas andam a viver tão depressa, são bombardeadas com tantos assuntos, a complexidade da vida e das relações internacionais atingiu tal ponto, que ninguém tem tempo para pensar, ou sequer quer. As asneiras só poderão acumular-se! Mas, perguntarão, porque estarei, eu, preocupado com tudo isto se já temos a “Troika” a mandar em nós?

Sim, porque agora o Governo – aqueles que, “supostamente” foram eleitos por nós – não presta contas ao Parlamento e ao PR – e se presta é igual ao litro – mas sim à dita Troika.

Já é uma vergonha termos que pedir dinheiro emprestado no montante e no modo como foi feito. Mas é vergonha maior, aceitarmos condições para que esse empréstimo fosse feito, condições que implicavam não só, a discriminação do que tínhamos que fazer, mas também os prazos que tínhamos que cumprir e o tipo de fiscalização a que nos obrigavam a submeter.

Por mais voltas que possamos dar à imaginação isto só tem um nome: falta de dignidade. Portámo-nos como vassalos medievos e assumimo-nos como “escravos” modernaços!

E há, até, quem ache muito bem, alegando que nós não somos capazes de nos governar… Como se isso fosse uma razão aceitável!

Em 1928, última ocasião em que fomos confrontados com um cenário semelhante – sendo então a Sociedade das Nações, quem fazia o papel, de FMI e BCE – o governo português recusou a ignomínia. Parece que havia gente com vergonha na cara…

Hoje em dia, constata-se que as pessoas desde que possam ir apanhar sol para o Algarve ficam na maior…

Na sequência de tudo isto, os políticos em exercício, vão colocar todas as jóias de família à venda a preços de saldo. Já começou com a trapalhada mal contada do BPN e parece que só acabará na privatização da … água. Adjectivar adequadamente semelhante acto obrigava-nos a incorrer no Código Penal, pelo que espero que os leitores compreendam que o não faça.

Pois é, tudo é negócio…

O Estado Português está a deixar (há muito) de ser a expressão da Nação politicamente organizada – definição clássica e correcta – para passar a ser os “plutocratas organizados” em (no) Estado.

Nunca sairão de lá a bem. Nisso são iguais aos comunistas e afins.

Que São Nuno de Santa Maria nos acuda, pois quanto a vivos parece que estamos conversados.

sábado, 13 de agosto de 2011

Primeiro-Ministro australiano sem papas na língua

Uma mensagem para a Europa toda aprender
e muitíssimo depressa.
Primeiro-Ministro australiano brilhou novamente!!
Se você quer mudar residência para outro país e se integrar ali, ...BEM-VINDO, mas se você quer mudar qualquer coisa naquele país em que deseja viver... TCHAU, vá-se embora... ADEUS.
O mundo inteiro precisa de um líder assim !
Primeiro Ministro Kevin Rudd - Australia

Foi dito na quarta-feira aos muçulmanos que querem viver debaixo da lei islâmica Sharia para saírem da Austrália, agora que o governo está de mira nos radicais, numa tentativa de desviar ataques terroristas potenciais.
Separadamente, Rudd enfureceu alguns muçulmanos australianos na quarta-feira dizendo que ele apoiava agências de espionagem que monitoram as mesquitas da nação.

Citação:

'IMIGRANTES, E NÃO OS AUSTRALIANOS, TÊM QUE SE ADAPTAR . SE NÃO ACEITAREM,

VÃO EMBORA. Estou cansado desta nação que se preocupa sobre se estamos ofendendo algum indivíduo ou a sua cultura. Desde os ataques terroristas em Bali, experimentamos uma onda de patriotismo sobre a maioria dos australianos.'
 
'Esta nossa cultura foi desenvolvida através de dois séculos de lutas, experiências e vitórias por milhões de homens e mulheres que buscaram liberdade.'
 
'Falamos principalmente o INGLÊS, não espanhol, libanês, árabe, chinês, japonês, russo ou qualquer outro idioma. Então, se você desejar se tornar parte de nossa sociedade, aprenda o idioma!'
 
'A maioria dos australianos crê em Deus. Não se trata de um movimento direitista político, mas um facto, porque homens e mulheres cristãos fundaram esta nação em princípios cristãos, e isto está claramente documentado. É certamente apropriado exibir isto nas paredes de nossas escolas. Se Deus o ofender, então sugiro que você considere outra parte do

mundo como seu novo lar, porque Deus faz parte de nossa cultura.'
 
'Aceitaremos suas convicções e não questionaremos por quê. Tudo que pedimos é que você aceite as nossas, e que viva em harmonia e desfrute pacífico connosco.'
 
'Este é NOSSO PAÍS, NOSSA TERRA e NOSSO ESTILO DE VIDA e nós lhe permitiremos toda oportunidade para desfrutar tudo isso. Mas uma vez que você acabe de reclamar, lamentar e se queixar sobre Nossa Bandeira, Nosso Penhor, Nossas Convicções Cristãs ou Nosso Modo de Vida, eu recomendo fortemente que você tire proveito de uma outra grande liberdade do australiano, 'O DIREITO de IR-SE EMBORA.''
 
'Se você não está então contente aqui,PARTA! Não o forçámos a vir para cá.

Você pediu para estar aqui. Assim, aceite o país que VOCÊ ESCOLHEU.'

 
 
 

O crime de Oslo

João J. Brandão Ferreira

                                     “Não matarás”

                                     5.º Mandamento da Lei de Deus


A pressa em noticiar, ou escrever, sobre um caso como o vertente (explosão de um carro cheio de explosivos no centro da capital norueguesa, seguido de tiroteio, indiscriminado, sobre uma pequena multidão de jovens, reunidos numa minúscula ilha, nos arredores da mesma cidade, no pretérito 22 de Julho), fruto da pressão mediática e da procura de um furo jornalístico, é antagónica de uma reflexão serena e do cruzamento de informação, necessárias a um correcto enquadramento e entendimento do que se passou.

Mesmo para as autoridades que investigam directamente o caso, a “fotografia” da ocorrência pode levar muito tempo a ficar com os contornos claros.

Por isso o que vamos apor sobre o papel, são apenas algumas reflexões avulsas.

Primeiro, quem é o autor confesso do acto, de seu nome Anders B. Breivik?

Além de cidadão norueguês e do seu aspecto físico, pouco se sabe. Em termos ideológicos a confusão é enorme, aparecendo como uma mistura de auto proclamado “Templário”, em cruzada por uma Europa Cristã; membro da Maçonaria (qual?); amigo/aliado de judeus (ou sionistas?), com ideias difusas sobre o nazismo, misturadas com críticas à Igreja de Roma e simpatias pela homossexualidade. Acusações de ligações à Extrema - direita, choveram de todos os cantos.

Cabe aqui referir que a Ordem do Templo fundada em 1118, na Terra Santa, foi extinta pelo Papa Clemente VII, em 1312, após um processo pouco menos que obscuro. Em Portugal existiu desde 1128 e foi fundamental para a consolidação do Condado Portucalense e durante toda a 1ª Dinastia. Num passe de alta política, o Rei D. Dinis, nem sempre em consonância com a Santa Sé, transformou-a, entre 1317 e 1319, na Ordem de Cristo. Aquela que lançou e manteve os Descobrimentos até que D. João III a enclausurou, numa reforma pouco clara e quase nada estudada, até hoje.

Os Templários eram uma milícia cristã de elite, que praticavam a tolerância religiosa; atacavam de frente os seus inimigos, após lançarem o grito “Não a nós, Senhor, mas dá glória ao teu nome”. Convenhamos que confundir o Sr. Breivik com um verdadeiro templário, deixa um bocado a desejar…

Segundo, o homem estará no seu perfeito juízo?

A controvérsia é enorme. Também aqui é necessário tempo. A multitude de perfis psicológicos traçados é ruído, à mistura com eventuais estratégias de defesa a apresentar em tribunal. Pessoalmente penso que um indivíduo que matura uma acção do jaez daquela que foi cometida – e, eventualmente, o que lhe estaria associado – e escreve ensaios doutrinários de 1500 páginas, burro não será, nem falho de vasta cultura e informação; fundamentalista de algo e desequilibrado, parece ser. Se sofre de alguma psicopatia grave, resta provar.

Tendo pensado em tanta coisa, esqueceu-se, porém, do óbvio, que foi preparar uma escapatória para si. Foi preso com facilidade e também não intentou matar-se. Estranho…

Stalin mandou matar e escravizar milhões de pessoas e nunca lhe chamaram louco. Ainda hoje há quem goste dele. Idem, para Mao Zedong e mais uma mão cheia de variadíssimos crentes na possibilidade de fazerem um “homem novo”, e que achavam que os meios justificavam os fins. O que teve origem na Revolução Francesa…

O partido Nazi intentou exterminar vários géneros humanos e não é fácil classificar a “doença” de que sofriam; fizeram tudo, até, friamente e com uma racionalidade que desafiava os sentimentos.

Já os Aliados ingleses e americanos, só à conta deles, deixaram morrer de fome e doença, cerca de um milhão de soldados alemães, em campos de prisioneiros, já depois de a guerra ter terminado. O primeiro evento ficou conhecido como “Holocausto” e é revisitado por Hollywood de tempos a tempos; o segundo tomou o nome de “outras perdas” e nunca serviu de guião a nenhum filme.

Por último, o que terá movido o atirador, num país onde, por norma, não se mata uma mosca?

Pois parece que foram duas coisas: o predomínio da cultura marxista, mesmo passados todas estes anos após a queda do “muro de Berlim”; a invasão muçulmana da Europa, apoiada no “multiculturalismo” e em políticas erradas de muitos anos.

Perante isto prevê-se o colapso da civilização europeia e cristã em poucas décadas, onde o baixo índice de natalidade de caucasianos europeus representa uma causa de monta.

Bom, aqui a coisa fia mais fino.

É que o cidadão, que tinha mais munições para disparar do que a maioria das unidades militares portuguesas, não tendo qualquer razão nos métodos tem, na parte que toca ao argumentário, toda a razoabilidade. Goste-se ou não, e não serve de nada tentar enganar a cabeça da avestruz com o politicamente correcto.

De facto o substrato ideológico marxista e, sobretudo, “soissante huitard”, é transversal a largas camadas da sociedade europeia ocidental - os europeus de leste parece que ficaram vacinados. Gente com estas ideias – que só causaram malefícios à Humanidade – continuam nos governos, nos “média”, nos sindicatos e na intelectualidade e circuitos artísticos, influenciam os figurinos de instrução e a desconstrução da sociedade.

O combate ideológico tem sido frouxo; a cedência cobarde, a norma.

A emigração é, possivelmente, um caso ainda mais grave (embora influenciada pelo anterior), pois está fora de controlo.

Com o fito de encontrar melhor nível de vida, vagas de milhares e milhares de emigrantes, de África, Médio Oriente e Ásia, passaram a mover-se para os países europeus a partir da década de sessenta do século passado. Muita desta emigração foi, em tempos, encorajada pelos próprios governos, para fazer face à falta de mão – de - obra, nos seus países e, também, porque a maioria dos seus nacionais deixaram de querer exercer uma quantidade de ofícios e serviços, considerados de menor relevo social.

Só que os números aumentaram em tal magnitude, que passaram a causar sérios problemas sociais e de integração. Complicou o quadro, o facto de haver comunidades que, por religião ou idiossincrasia própria, se recusavam a integrar-se e a respeitar regras, criando os seus próprios “guetos”. Tal agravou-se, com o tempo, por via das segundas e terceiras gerações que, desenraizadas e sem perspectivas, passaram a ter comportamentos associais e criminosos. Pelo meio medraram inúmeras organizações ilegais que ganhavam a vida com a emigração clandestina, fracamente combatidas pelas autoridades.

Mas não eram só os emigrantes que não se integravam, a maioria dos europeus é racista e nunca se integrou com eles. A mediana (uma espécie de fronteira), passa pelo paralelo que corta a França ao meio, com o maior grau de racismo a vir de norte para sul.

Verdadeiramente o único povo europeu não racista é o português como a sua História atesta, do mesmo modo que a História dos outros evidencia a sua maneira de ser e estar. Só nós “convivemos” e nos damos, o que representa a verdadeira e superior forma de integração.

Foi isso que tentámos fazer durante quase 600 anos, em que colonizámos um pouco pelo mundo inteiro. Enquanto não acabaram com esta nossa maneira de ser e estar, politica e socialmente, fora da Europa, não descansaram. Mas nós é que tínhamos razão, não os nossos inimigos e adversários…

Para se lidar com esta nova realidade, no Velho Continente, nomeadamente nos países da União Europeia, inventou-se o “multiculturalismo”, que não é mais do que a tentativa da segregação civilizada, baseada numa tolerância postiça, comprada com muitos subsídios.

Ora deixou de haver dinheiro para subsídios, oferta de emprego já não há e multiplicam-se os bairros em que a polícia não entra. Há câmaras com presidentes e vereadores emigrantes ou ex-emigrantes e os naturais cada vez se têm que conformar com direitos e modos de vida dos “estranhos”, do que com os seus, etc. Um “etc” vastíssimo.

Ora se em cima de tudo isto fizermos umas contas simples de estatística, com matemática acessível aos menos ilustrados, veremos que apenas em poucas décadas, devido à demografia, os naturais de cada país, serão submersos por outros cuja matriz nada tem a ver com eles.

Até pode ser que seja bom, ou “inevitável”, ou qualquer outra coisa. Mas seria do mais elementar bom senso – e, até, democrático – estudar o assunto, pô-lo à discussão, pesar as consequências e, talvez, referendar decisões.

A continuarmos assim, vamos cair no abismo, e casos como os que agora sucederam em Oslo, serão apenas pequenos episódios, que se irão passar a repetir amiúde.

Pode ser, porventura, que tudo isto esteja a ser provocado e tolerado para se acabar com as nações. Mas isso já é outro patamar de discussão.

A Presidente do FMI ganha menos
do que Faria de Oliveira, Presidente da CGD...


Christine Lagarde receberá do FMI mais 10% que Dominique Strauss-Kahn, mas mesmo assim menos que o Presidente da Caixa Geral de Depósitos, Faria de Oliveira, entre outros gestores portugueses, pelo que a senhora ainda está mal paga pelo padrão de Portugal.

Com tantos banqueiros e gestores tão bem pagos, não se percebe como é que Portugal está tão desesperadamente falido. Ou talvez se perceba. Ora aí está um bom sítio onde podemos fazer poupanças. E não colhe o argumento de que nos arriscaríamos a perder os melhores...

 

Presidente

Remuneração base: 371.000,00€;

Prémio de gestão: 155.184,00€;

Gastos de utilização de telefone: 1.652,47€;

Renda de viatura: 26.555,23€;

Combustível: 2.803,02€;

Subsídio de refeições: 2.714,10€;

Subsídio de deslocação: 104,00€;

Despesas de representação: cartão de crédito onde "apenas" são consideradas despesas decorrentes da actividade devidamente documentadas com facturas e comprovativos de movimento - não quantificado...

Em suma, apenas com o vencimento base e o prémio de gestão, foram 526.184,00€!!! (a Directora do FMI foram 381€ já com despesas de representação) e depois ainda há uns gastos com telefones, combustíveis, etc., para além de um cartão de crédito de valor não quantificado!





















segunda-feira, 8 de agosto de 2011

BIC laranja, BIC cristal

A privatização do BPN é o melhor negócio do ano.

Pedro Santos Guerreiro

A privatização do BPN é o melhor negócio do ano. O Governo tinha um prazo muito apertado e é preciso elogiar a excelente capacidade de negociação, a rapidez, o valor, a separação dos activos. Quanto mais se sabe da operação, mais é preciso sublinhar o mérito do homem-chave deste sucesso: parabéns, Eng.º Mira Amaral.

O problema do BPN já existia e já era enorme. Mas é chocante ver o Estado português ajoelhar-se assim. O negócio não é mau, é péssimo. É inexplicável que o Montepio tenha sido arredado.

E é dinheiro dos contribuintes que está em causa. Portugal está a iniciar um processo acelerado de privatizações, não pode fazê-lo sem transparência, como é o caso. O ministro das Finanças também tem muito orgulho desta venda do BPN?
 
A nacionalização teve de ser feita. Mas demorou-se uma eternidade a resolver o problema, assim agravando-o. A responsabilidade é inteira do Governo de José Sócrates: nunca quis reconhecer o "buraco" nas contas públicas nem assumir o despedimento dos dois mil trabalhadores que lá estavam. E, verdade ou consequência, o BPN foi arma de arremesso político contra Cavaco Silva. Uma desgraça, é o que é.

No ano passado, Sócrates quis privatizar. Colocou como preço mínimo 180 milhões de euros, exigiu que não houvesse despedimentos e quis vender um banco ainda intoxicado por créditos maus. O Governo quis enganar alguém. Obviamente, ninguém quis o banco.

Veio a troika. Obrigou o novo Governo a cortar o problema num mês. O Governo abriu a gaveta e tirou de lá a proposta do PS. Uma proposta vergonhosa: o Estado queria vender o BPN ainda contaminado por maus créditos, de "rating" especulativo, abaixo de especulativo ou mesmo sem "rating". Os créditos das empresas do grupo SLN continuavam no BPN. É essa a toxicidade maior: as alegadas aldrabices dos accionistas do BPN, que estão alegremente impunes, e que se penduraram num banco que acabou nacionalizado. E assim avança a nova fase de privatização.

Aparecem três propostas. Negoceia-se só com uma delas. E acaba-se nesta vergonha: o BIC paga 40 milhões, o que é nada, e em troca escolhe os créditos que quer (ou seja, os bons), os balcões que quer (ou seja, os bons) e os 750 funcionários que quer (ou seja, os bons). Tudo o que é mau fica no Estado. Pago pelo Estado. Incluindo o despedimentos de quase 900 pessoas. Quem? O BIC decide. O Estado paga. Lombo para uns, osso para nós.

É um negócio excelente para o BIC. Ao extirpar todo o problema do BPN, o BIC fica com um banco "limpinho", com rácios como outros não têm e após 550 milhões de euros de capital do Estado a custo zero. Somando esse valor aos depósitos que lá estão, são os fundos mais baratos do mercado, abaixo dos 3%. E como paradoxalmente o BPN fica cheio de liquidez, poderá investir esse dinheiro mais cerca de mil milhões de depósitos. Basta aplicar em dívida pública, ganha 10% limpinhos.

Estas condições são uma vergonha e um insulto. Os portugueses vão pagar entre três e quatro mil milhões de euros por uma nacionalização após actos criminosos de quem está impune, dos accionistas aos gestores, passando pela supervisão.

Havia três propostas. Uma de um grupo que se chama NEI mas podia chamar-se Ney Matogrosso: não se vendem licenças bancárias a quem não se conhece. Outro, o Montepio, queria alguns activos do BPN, o que vai dar no mesmo. Mas segundo o seu presidente afirmou ontem ao "i", nunca mais foi ouvido. E assim o Estado acabou nas mãos de um único candidato, o BIC, um banco angolano e de pequena dimensão.

Esta exclusividade do BIC não está explicada. Os portugueses têm o direito de saber o que fazem ao seu dinheiro, sob pena de podermos pensar que o BPN faz parte de um negócio maior com Angola.

O último a chorar chora pior. O Estado quis enganar alguém com a venda do BPN mas acabou enganado. É para isto que pagamos impostos.


domingo, 7 de agosto de 2011

Os colégios militares incomodam Vital Moreira

João J. Brandão Ferreira

Escreveu o Dr. Vital Moreira (VM), no “Público” de 2 de Agosto, uma catilinária contra as três escolas de ensino secundário, a cargo do Exército (o Colégio Militar, os Pupilos do Exército e o Instituto – e não escola, como referiu – de Odivelas), propondo, pura e simplesmente, a sua extinção.

A gente entende o Dr. VM, estamos em Agosto, tempo de férias e S. Ex.ª está com um fastio enorme, não sabendo em que ocupar-se. Em vez de ir dormir a sesta, resolveu desopilar sobre assunto que desconhece. A ignorância é, porém, sempre atrevida.


O Vital e as suas intimidades.
(Foto e legenda da Red.)

Que nos disse então este infeliz trânsfuga da política, que resolveu ir ressuscitar uma ideia do primeiro manifesto do Partido Socialista (seu novo partido), velha de 38 anos?

Pois que os Colégios Militares (CMs) devem desaparecer por três razões, a saber:

• Não fazer sentido existir “escolas oficiais para alunos oriundos de determinada classe ou profissão”;

• “Não constarem nas missões das FAs e de Segurança, ministrar ensino básico e secundário aos filhos dos seus membros (muito menos a outras) ”;

• “Serem escolas institucionalmente exóticas no sistema de ensino”.

Analisemos, então, as “gravíssimas” acusações deste portentoso intelecto.

Primeiro, os CMs não servem nenhum grupo social ou profissional, são abertos a todas as famílias da sociedade. É lamentável que um causídico e jornalista nas horas de pachorrenta digestão, não tenha procurado informar-se desta evidência simples. E, de facto, tem razão, os militares e policias não pertencem, nem nunca pertenceram a “castas”, sistema de organização social que nunca vigorou em Portugal, desde o tempo do Sr. Rei D. Afonso, o conquistador. A não ser que considere a Nobreza, o Clero e o povo como castas.

Adianta, ainda, o extraordinário pensador, ser de extinguir a “noção de sociedade militar como noção oposta à de sociedade civil, existindo separadamente”. Falou, até, em “apartheid”!

O homem vê coisas que eu nunca vi. Podia dar-se a hipótese de eu ver mal e ele bem, mas como vou passando nas inspecções médicas semestrais, pode dar-se o caso de ser a outra parte a ter alucinações. Cuidado, pois!

Não precisa, por outro lado, de se auto defender de acusações de ser anti-militar, nós já o conhecemos de ginjeira.

Só uma pergunta: deveremos, pelo que diz, considerar a Ordem dos Advogados como uma instituição de classe, que visa o “apartheid” com a restante sociedade?

Segunda questão.

É certo que não consta das missões das FAs e policiais, ministrarem ensino secundário. Também não consta que devem ter assistência de saúde para familiares; apoio à terceira idade, nem gerir bairros ou messes de apoio social.

As missões das FAs estão voltadas para as operações militares e o apoio “cívico”, na sua capacidade supletiva. Tudo isto pressupõe, todavia, uma retaguarda. É um todo.

Sem embargo, os CMs, não fazendo parte de nenhuma das missões definidas são, ao contrário, decorrentes delas e justificam-se através delas.

Na origem da necessidade de haver escolas que atendessem às necessidades específicas da condição militar (o CM está, até, entre os pioneiros em todo o mundo), está o facto da ausência frequente do progenitor, em paragens distantes, ao serviço da Instituição/Estado/Nação e, ainda, a necessidade de cuidar dos órfãos e outros desvalidos, situações sobretudo recorrentes em tempo de guerra.

É certo que, actualmente, a rede escolar e o apoio social é muito mais vasto do que em tempos passados (parece que está a regredir novamente…), mas as necessidades não desapareceram de todo. Mas, pergunta-se, a existência de CMs retira alguma coisa a alguém ou deixou de ser uma mais-valia?

E que valem os pruridos ideológicos do Sr. Moreira perante uma realidade a quem o País tanto deve?

Terceiro.

Não podemos deixar de concordar com VM ao considerar como “exóticos” os CMs, embora certamente não pelas mesmas razões. De facto nos CMs os professores ensinam, os alunos estudam, não há greves, não há grafities, não há lixo; há respeito, organização e disciplina. Todo o mundo anda a horas, bem vestido e ataviado; existe hierarquia e sabe-se quem manda e em que circunstâncias. Mentiras, roubos, droga, homossexualidades e outros vícios, são severamente reprimidos. Os alunos chumbam, quando não estudam e não há lugar para madraços. Ensina-se liderança e patriotismo. Existe uma “família colegial e criam-se laços para a vida.

Como se sabe qualquer semelhança com a realidade tutelada pelo Ministério da (des)educação, é pura coincidência…

Acredito pois, piamente, que VM ache tudo isto exótico, pois nunca deve ter vivido nada semelhante, agora que não queira dar conta…

Já agora, os CMs se bem que tenham uma direcção diferente e um ensino com regras militares (o que, by the way, tem muitas vantagens), estão perfeitamente integrados no ensino público oficial; têm propinas caras (os órfãos de militares não pagam), e ninguém é obrigado a ir para lá, ou a lá ficar – o pacote de actividades também não tem paralelo em nenhuma outra escola do ensino secundário.

Internato e segregação de sexos, tendo vantagens e inconvenientes, nunca traumatizaram ninguém.

Para finalizar, o argumentário desta pública figura ilumina-se com duas razões finais, quiçá definitivas: nem a tradição nem a escassa poupança da sua extinção, justificam a manutenção dos CMs. E vai buscar os exemplos daquilo que considera uma tradição maior e que, apesar disso, foram derribados: os tribunais militares e o Serviço Militar Obrigatório!

O Dr. VM perdeu, mais uma vez, uma boa oportunidade de estar calado, pois foi recordar duas lamentáveis decisões que só a demagogia político – partidária e a ignorância militante, justificam. Dois erros de alto coturno: um que põe em causa a condição militar; o outro que ajuda a subverter a consciência cívica da Nação.

Por isso, óh auto-proclamado constitucionalista, não vale a pena juntar mais erros aos que já foram feitos (o da saúde militar vem a caminho…).

Por seu lado, a tradição de haver CMs não atenta contra nada nem ninguém – a não ser, pelos vistos, o equilíbrio psico-somático de alguns comentaristas; as tradições fazem parte da vida dos povos, são um cimento identitário. Mas os CMs não são só tradição, são realidades palpáveis e são competentes naquilo que fazem.

O CM tem mais de dois séculos de existência; o IO já passou um século e é do fim da Monarquia; o IMPE fez agora 100 anos e representa uma das poucas coisas úteis que a I República nos legou. Ganharam jus a serem considerados instituições nacionais, mais a mais quando já passaram a prova do tempo. Provaram, até, muito melhor que a actual Constituição…

Finaliza o também docente universitário (o que será que ele ensina aos seus alunos?), remetendo os militares para o seu “core business”, isto é a Defesa Nacional, e os policias para a segurança interna – será que ele pensa que os ditos cujos não são cidadãos de corpo inteiro?

Devolvo-lhe a impertinência, meta-se a fazer o que sabe e não se arme em pintor Apelles.

Resta apenas perceber o que, verdadeiramente, move o Dr. VM. Talvez o título do seu escrito nos elucide, chamava-se “Instituições de Classe”. A formação marxista (estalinista?), não perdoa.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Rio Vermelho

Alberto Gonçalves, DN

De passagem por Madrid, Joseph Stiglitz aproveitou para se reunir com 300 "indignados". Stiglitz é um Nobel da Economia americano que costuma aconselhar, pelos vistos com excelentes resultados, o Governo do sr. Zapatero (as eleições foram antecipadas para Novembro). Os "indignados" são aqueles meninos não demasiado lavados que acampam há meses no centro da capital espanhola a exigir coisas maravilhosas como o trabalho para todos e a conseguir não trabalhar de todo. Os jornais falam de um encontro profícuo, com Stiglitz de "megafone na mão, roupas desportivas e ténis" a "pedir ideias" à rapaziada, a qual, a julgar pelo megafone, é um tanto surda.

Felizmente a rapaziada não é muda e, numa perfeita troca de galhardetes, disse a Stiglitz exactamente aquilo que Stiglitz diz a quem lhe encomenda o talento. A saber, que o capitalismo é o culpado da crise, que a crise pede regulação dos mercados, que os mercados são malvados e o Estado é bonzinho, etc.

Claro que para os portugueses tudo isto roça o primitivo. Em vez de enviarmos os nossos Nobel a Espanha para aprender marxismo com os "indignados", importámos de Espanha uma particular "indignada" que, de brinde, traz o nosso Nobel incluído, isto se o prémio se transmitir, conforme parece, por matrimónio e herança.

Refiro-me, evidentemente, a Pilar del Río, viúva de José Saramago e presidenta (a senhora, que apesar dos galões não é dada às letras, prefere assim) da fundação com o mesmo nome (o de Saramago, não o dela). Quando não está a reclamar da autarquia lisboeta copiosos "investimentos" para a Fundação, a dona Pilar está na televisão a explicar que nunca recebeu um tostão do Estado português e a aliviar-se de clichés ideológicos já analfabetos em 1968.

Um destes dias, a dona Pilar foi entrevistada por um sr. Goucha incapaz, nos vários sentidos da palavra, de contrariar as insanidades que a chefa, perdão, a presidenta produz com assinaláveis rapidez e presunção. Presunção é o termo: por um lado, a dona Pilar convenceu-se realmente de que Portugal lhe deve reparações de vária ordem e é seu direito reclamá-las. Por outro lado, convenceu-se de que somos tontos o bastante para a levar a sério. Acertou em metade.

O Governo transparente

Alberto Gonçalves, DN

Se o dr. Passos Coelho não cumpriu a promessa de não subir os impostos, cumpriu a de publicar um site (ou uma fracção de um site) com as nomeações do Governo. Por mim, trocava. A quantia estrafegada no IRS dava-me jeito. Já não estou certo da serventia das informações agora divulgadas na internet. Eu quero mesmo saber que o secretário de Estado da Cultura beneficia de quatro motoristas a 1 866,73 euros/mês e 5 especialistas a 3 163,27 (menos um, coitadinho, que teoricamente aufere o salário mínimo)? E quero saber que a ministra da Agricultura possui 5 adjuntos (3 069,33 euros de vencimento bruto)? E quero saber da existência de um adjunto do Secretário de Estado adjunto do Ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, que misteriosamente existe? E quero saber da pequena multidão de alegadas sumidades que invadiu as chefias da CGD? Não quero. Mas, graças ao site, aliás permanente e deprimentemente actualizado, não tenho alternativa.

Sendo uma virtude, a transparência também pode ser uma fonte de angústia. Quando o Governo anterior distribuía discretamente resmas de amigos por resmas de empregos disponíveis ou inventados na hora, a discrição poupava-nos ao sofrimento de testemunhar o destino das verbas que o Estado amavelmente nos extrai. A transparência mostra-nos com particular crueldade aonde o nosso dinheiro vai parar: de futuro, um agregado familiar perceberá que a razão pela qual não consegue comprar aquele televisor com tecnologia led é porque o montante que lhe falta contribui para sustentar os três assessores do secretário de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação. Daí a designação "contribuinte".

No fundo, é a diferença entre sofrer um desastre a dormir e correr contra o muro de olhos bem abertos. Além de inúmeras proezas similares, o pudor do eng. Sócrates levava-o por exemplo a orçamentar por baixo os gastos salariais dos funcionários públicos, habilidade que, segundo Vítor Gaspar, explica em parte o famoso desvio de 2 mil milhões nas contas. Além da transparência, o Governo actual parece empenhado na sinceridade. Resta apurar em que é que isso nos beneficia se, desde a taxa extraordinária que remendará metade do desvio dito "colossal" às nomeações com que se atafulha a hospitaleira máquina estatal, até ver a transparência e a sinceridade concentram-se muito mais no aumento dos encargos de quem obedece do que na moderação da despesa de quem manda.

Nas necessidades a sério, das privatizações das grandes empresas públicas à supressão das pequenas, da reforma autárquica aos despedimentos na administração e, em suma, ao anunciado alívio do peso do Estado intrometido e clientelar, o discurso surge enrodilhado em contradições e tende para o opaco. É preciso tempo e ponderação? Provavelmente, embora nas medidas que prejudicam a ralé se tivesse dispensado ambos. Resta-nos esperar, esperar que os presságios se enganem e que o Governo não seja um caso perdido. Por enquanto, é apenas um caso. Perdidos, e sem um adjunto do adjunto do adjunto que nos valha, andamos nós.

Uma ideia original

Alguém anda a carimbar as notas em nome do FMI para lembrar os portugueses de que é preciso poupar!