quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Ideologia de género destroça a família
alerta bispo de Córdoba


O bispo de Córdoba (Espanha), Don Demetrio Fernández, adverte que «a ideologia de género destroça a família, rompe os laços do homem com Deus através da sua própria natureza», como é o sexo com que se nasce, «coloca o homem acima de Deus, Deus já não é necessário para nada, e temos que prescindir d’Ele, porque Deus é um obstáculo para a liberdade do homem».
Assim o manifesta o bispo na sua carta semanal, publicada pela Europa Press, e na qual faz uma alusão à frase de Simone de Beauvoir (1908-1986), esposa de Jean Paul Sartre: «Não se nasce mulher: torna-se.», que, a seu ver, «expressa que o sexo é aquilo que a pessoa decide ser», de modo que «já não valeriam as ecografias que detectam o sexo da pessoa antes de nascer».
Deste modo, lamenta que embora a ecografia diga «claramente que é menina, o que vale é o que o sujeito decida», de maneira que «se quer ser homem, pode sê-lo, embora tenha nascido mulher» e vice-versa.
Também acrescenta que «a serviço desta ideologia existe uma série de programas formativos, médicos ou escolares, que procuram fazer com que todo o mundo mentalize esta ideologia, fazendo um dano tremendo na consciência das crianças, adolescentes e jovens».
Neste sentido, considera que «a ideologia de género não respeita em nada a própria natureza na qual Deus deixou inscrita a sua marca: sou varão, sou mulher, por natureza. Aceito-o e vivo-o com alegria e com gratidão ao Criador».
E que, «relacionar com a natureza e, portanto com Deus, a minha identidade sexual é uma escravidão da qual a pessoa tem que libertar-se», segundo esta ideologia «errada», como sublinha Don Fernández.
Um feminismo «radical» que se estende nas escolas.
Do mesmo modo, o bispo refere que desta ideologia vem «um certo feminismo radical, que rompe com Deus e com a própria natureza, tal como Deus a fez». Um feminismo, segundo ele, que «vai estendendo-se implacavelmente, inclusive nas escolas».
Além disso, Don Fernández menciona que «a Igreja Católica é odiada pelos promotores da ideologia de género, mais precisamente porque se opõe rotundamente a isto».
E, entretanto, adiciona, «uma das realidades mais bonitas da vida é a família», segundo a sua «estrutura originária, onde existe um pai e uma mãe, porque há um homem e uma mulher, iguais em dignidade, distintos e complementares», e igualmente «onde há filhos, que brotam naturalmente do abraço amoroso dos pais», e acrescenta que «Deus quer o bem do homem, e por isso inventou a família».
Ainda que a ideologia de género «tente destruir» a família, «a força da natureza e da graça é mais potente que a força do mal e da morte».
Por isso, considera que «a família precisa da redenção de Cristo, porque Herodes continua vivo, e não mata somente os inocentes no seio materno, mas também tenta mentalizar as nossas crianças, adolescentes e jovens com esta ideologia, querendo fazer com que vejam que há outros tipos de família».
O bispo de Córdoba acredita que «é a ocasião para pedir às famílias que atravessam dificuldades, para dar uma mãozinha às famílias que tenho por perto e cujas necessidades não são somente materiais, mas às vezes de sofrimentos por conflitos de todo tipo», ao mesmo tempo que assegura que «só na família, tal como Deus a instituiu, encontra o homem o seu pleno desenvolvimento pessoal e, portanto, a felicidade no seu coração».
Para Don Fernández, «na família está o futuro da humanidade, na família que responde ao plano de Deus».


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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

«Acordo» Ortográfico:
Nem gregos nem troianos: assim-assim

Helena Buescu

Há dias, a Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, adiou a obrigatoriedade de implementação do «Acordo» Ortográfico para 2016. Fê-lo com base numa petição que reuniu 20 000 assinaturas. Em Portugal, uma igual petição reuniu mais de 130 000, e não teve qualquer eco. 130 000 assinaturas num país cuja população é incomparavelmente menor do que no Brasil.

Devemos aproveitar para reflectir seriamente sobre o «A»O e os seus efeitos em Portugal. O exemplo vem-nos, aliás, do próprio Brasil. Nesse país, os argumentos aduzidos apontam para críticas de ordem científica ao «A»O. E junta-se a essas críticas o argumento da necessidade de uma «maior simplificação» da ortografia da língua portuguesa. Além de que por exemplo o linguista Evanildo Bechara assegura que o «A»O precisa de ser revisto. Revisto – e nem ainda entrou em vigor! Isto diz bem da consistência científica de um dos maiores atentados feitos à língua portuguesa.

Naturalmente, este adiamento sublinha a bondade das críticas feitas ao «Acordo», mostrando que nem em Portugal nem no Brasil (nem nos outros países lusófonos, que mostraram grandes reticências, sendo que Angola ainda não o ratificou) ele conseguiu um consenso mínimo em termos científicos.

A grande questão, agora, é saber se realmente há base científica para que algum dia ele venha a existir. Com este ponto suplementar: a partir do momento em que várias declarações, no Brasil, apontam para a necessidade de uma maior «simplificação» da língua portuguesa, o que se impõe perguntar em Portugal é: queremos nós, em Portugal, «simplificar» (seja o que for que isto queira dizer!) a língua? Ou privilegiamos (legitimamente também) a história da língua portuguesa na Europa, guardando por exemplo alguns traços etimológicos da sua origem e evolução ao longo dos séculos?

Simplificando a pergunta: haverá base, em termos de uma política científica do Português, para um acordo que não parece agradar nem a gregos nem a troianos? A resposta talvez seja: «Assim-assim». Em Portugal, é sob esta fórmula que se costuma esconder a falta de coragem e a aceitação tristonha do império da realidade, quando mais vale não pensar.

Em 2016, eis um cenário muito possível: Angola manterá a ortografia existente anterior ao «Acordo». Portugal seguirá, se não conseguir inverter o statu quo, o pobre «acordês». E o Brasil terá entretanto revisto e certamente «melhorado» o «Acordo», escrevendo numa terceira ortografia. Resumindo: cada qual escreverá de sua maneira, e ter-se-á esfrangalhado a ortografia comum que, até agora, era seguida por todos os países lusófonos, com excepção do Brasil. Ou seja: será um verdadeiro «acordo português», em que ninguém sabe acordar.


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Revista Times: Promotores do aborto têm
perdido as batalhas contra os pró-vidas
nos EUA

Na capa da sua edição de Janeiro de 2013, a famosa revista americana Times, assegura que «há 40 anos, os activistas do direito ao aborto obtiveram uma épica vitória com (a sentença da Corte Suprema no caso) Roe vs. Wade», que permitiu a legalização do aborto nos Estados Unidos, «desde então eles estão perdendo» para os pró-vidas.

Conforme explica Kate Pickert, autora do artigo de capa, desde que em Janeiro de 1973 a Corte Suprema dos Estados Unidos converteu num direito federal o acesso ao aborto, «o movimento pro-choise (abortista) vem perdendo» as suas lutas.

«Em muitas partes do país, actualmente, recorrer a um aborto é mais difícil do que na década de 1970».

Pickert referiu que «há menos médicos dispostos a realizar o procedimento e menos clínicas abortistas no negócio».

«Os activistas pro-choice (abortistas) foram ultrapassados por os seus adversários pró-vidas, que pressionaram com sucesso obtendo regulações estatais que limitam o acesso» ao aborto, acrescentou.

«Muitos estados pedem actualmente que as mulheres passem por aconselhamento, períodos de espera ou ultra-sons antes de se submeterem a abortos», referiu.

Para a jornalista americana, «a causa pró-vida está ganhando a guerra do aborto, em parte, porque utiliza uma estratégia organizada e bem executada».

Além disso, reconheceu, «a opinião pública está crescentemente» do lado pró-vida.

Graças ao ultra-sons pré-natal e aos avanços da neonatologia, os americanos podem agora saber como se vê um feto e que os bebés nascidos tão prematuramente como às 24 semanas agora podem sobreviver», afirmou Pickert.

A jornalista da Times disse que «apesar de três quartos dos americanos acreditarem que o aborto deveria ser legal em alguns ou todos os casos, a maioria apoia leis estatais que regulem o procedimento, e cada vez menos se identificam como ‘pro-choice’ nas pesquisas de opinião pública».

Pickert também retratou a divisão geracional que destrói por dentro a causa abortista, pois «os jovens activistas do direito ao aborto reclamam que as líderes das organizações feministas», que tinham 20 ou 30 anos quando se legalizou o aborto nos Estados Unidos, «não estão dispostas a passar a tocha às novas gerações».

Entretanto, para Kate Pickert, um dos principais motivos da derrota dos promotores do aborto é que «numa democracia dinâmica como a dos Estados Unidos, defender o status quo é sempre mais difícil do que lutar para mudá-lo».

Uma das expressões mais claras do avanço da causa pró-vida nos Estados Unidos é a multitudinária marcha nacional pela defesa da vida que mobilizam centenas de milhares de pessoas, com frequência ignoradas pelos média, todos os anos em Janeiro, no aniversário da sentença de Roe vs. Wade.

A última marcha, em 2012, reuniu mais de 400 mil pessoas que durante várias horas suportaram frio intenso, neblina e até chuva enquanto percorriam as principais ruas da capital Americana até à sede do Capitólio.


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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Igrejas católicas incendiadas
na Áustria e na França no Natal

Próximo do Natal de 2012 templos católicos foram queimados na Áustria e na França. Os incidentes poderiam ter sido originados por ódio à fé.

Na cidade de Amstetten (Áustria) três igrejas foram queimadas no dia 23 de Dezembro, enquanto que a representação do presépio do Menino Jesus foi queimada numa Igreja da localidade de Barby, na região de Saboia (França), no dia 18 de Dezembro.

Um jovem, que as autoridades consideram o principal suspeito do incêndio das igrejas na Áustria, não soube explicar os motivos às autoridades ao ser interrogado, e parecia confuso.

Não se exclui que esta tenha sido uma agressão anticristã, já que só as igrejas foram atacadas.

No caso de França, o presépio no interior da Igreja foi queimado entre as 7 e 8 da noite do dia 18 de Dezembro, sem nenhum vestígio de que se tratou de um acidente.

O sacristão do templo referiu aos meios de comunicação que não é a primeira vez que acontece um ataque contra a igreja.

Com efeito, em anos anteriores, a porta da Igreja foi danificada, um dos vidros do salão de reuniões da paróquia foi quebrado, diversos livros foram queimados, entre outros danos.

Nos dias seguintes os pais e crianças da paróquia construiram um novo presépio para substituir o que fora queimado.


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Parlamento europeu em sessão.
Verdadeiramente vergonhoso…


sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Prémios Má Despesa Pública 2012

(Atribuídos pelo blogue Má Despesa Pública)

Personalidade do Ano: Cavaco Silva
O exemplo tem de vir de cima. A Presidência da República não publica os contratos e os ajustes directos no espaço reservado para esse efeito na página oficial da própria Presidência. Após a publicação do livro Má Despesa Pública, no qual esta questão é destacada, a TVI24 decidiu fazer uma reportagem sobre o assunto. Na altura, a Presidência garantiu que iria passar a disponibilizar essa informação aos cidadãos. Os meses passaram-se e nada foi feito. O PR nem no facebook fala do assunto.

Autarca do Ano: António Costa
Têm-se sucedido os exemplos de falta de transparência na Câmara Municipal de Lisboa. Os contratos dos assessores políticos demoraram três anos a serem publicados, os gastos em iluminações de Natal duplicaram de um dia para o outro e informações simples como as ordens de trabalhos das reuniões do executivo municipal, resumos das actas, propostas, deliberações ou moções deixaram de ser disponibilizados no site da CML. Em nome do rigor.

Entidade Pública do Ano: Fundação Cidade de Guimarães
Num ano em que as fundações estiveram na berlinda e que se esperava uma nova ética dos seus responsáveis, eis que o presidente da Fundação Cidade de Guimarães, João Serra, se escusa a dizer a um jornalista quanto ganha de salário por mês. Como se não chegasse, a anterior administração está a exigir uma indemnização que pode somar dois milhões de euros. Entretanto, agora que a Capital Europeia da Cultura (organizada pela Fundação) está a chegar ao fim, começam a surgiu notícias de dívidas, atrasos e pagamentos. A novela promete.

Prenda do Ano: CP
Comboios suprimidos, greves que parecem não ter fim e o passe social sempre a aumentar. Mesmo assim, a CP lá consegue arranjar dinheiro para comprar pins de ouro e de prata. Os utentes é que deviam receber esta prenda.

Compra do Ano: Carro de Golfe do Banco de Portugal
O Banco de Portugal comprou um carro de golfe no valor de cinco mil euros. O Má Despesa quis saber onde é que se encontra localizado este carro de golfe e qual a relação entre o orçamento do Banco de Portugal e o grupo de golfe do Grupo Desportivo do Banco de Portugal. Ninguém nos respondeu, para (não) variar.

Concurso do Ano: Refeições da Assembleia da República
A Assembleia da República abriu um concurso para disponibilizar, pelo menos, 3 variedades de vodka, 16 tipos de whisky, 4 vermutes, 4 brandies e 8 licores. Uma vodka Eristoff sai a 2,05 euros e um Famous Grouse a 2,70 euros. Uma cerveja mini custa 45 cêntimos. E isto é só um pormenor do concurso para o fornecimento de refeições na AR, o qual não dispensa porco preto.

Subsídio do Ano: Associação de Ex-Deputados da Assembleia da República
A Associação de Ex-Deputados da Assembleia da República (AEDAR), segundo o orçamento da Assembleia da República, recebeu, só este ano, mais de 42 mil euros para a sua actividade. Isto para organizar passeios a Tomar e conferências do género «Como conviver com o seu corpo».

Frase do Ano: «Portugal não é um país corrupto»
«Digo olhos nos olhos: o nosso país não é um país corrupto, os nossos políticos não são políticos corruptos, os nossos dirigentes não são dirigentes corruptos. Portugal não é um país corrupto.» Cândida de Almeida, directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (01-09-2012)

Boy do Ano: Ana de Jesus Amaral da Câmara Pereira
Neste caso é uma girl. A filha de Gonçalo da Câmara Pereira recebe, da Câmara Municipal de Lisboa, mais de 23 mil euros, por um ano, para prestar apoio técnico ao Grupo Municipal do PPM. O pai é um dos dois deputados deste Grupo Municipal. Tudo em família.

Portugal no Seu Melhor: Presidência do Conselho de Ministros
A 31 de Janeiro o Má Despesa dava conta de que a Presidência do Conselho de Ministros tinha contratado Gonçalo Castel-Branco, por mais de seis mil euros mensais (72.618 euros num ano), para «serviços de consultoria técnica de conteúdos». Em pouco mais de 24 horas, segundo informação publicada no portal Base, este contrato transformou-se num outro contrato com o mesmo valor, mas repartido por três anos. É surpreendente, mas um dia bastou para multiplicar o prazo por três, apesar de o contrato original ter sido publicado em Outubro de 2011. É bom saber que na Presidência do Conselho de Ministros há leitores atentos do Má Despesa.

Viagem do Ano: Presidente do Município de Boticas e esposa foram a New Jersey
A Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro de New Jersey, EUA, convidou o presidente da autarquia de Boticas e a esposa para participarem, em representação do Município, no seu 21.º Aniversário. O casal não hesitou e o município pagou 6.700 euros pela viagem para ambos, durante oito dias. Desejamos que o passeio tenha servido como um elixir conjugal, pelo menos.

Obra do Ano: Mais um centro cultura em Ponta Delgada
São, no mínimo, 400 mil euros que a Câmara de Ponta Delgada destinou para a construção do Centro Cultural de Fenais da Luz. Seria uma nota de rodapé na má despesa não fosse o facto de a ilha de São Miguel preparar-se para receber dois museus de arte contemporânea. São Miguel arrisca-se a ser a maior região do mundo com maior número de equipamentos culturais por metro quadrado.

Mistério do Ano: A empresa polivalente
O Fundo Para as Relações Internacionais, I.P. pagou mais de 20 mil euros por serviços de restauro de obras de arte a uma empresa de fabrico de artigos de desporto. O Má Despesa escreveu sobre o assunto em Fevereiro. Aparentemente,o ministro da tutela acha isto normal.

Bons Exemplos do Ano: Centro Hospitalar do Alto Ave e Junta de Freguesia de Airães
Num ano desolador para os contribuintes, o Má Despesa destaca dois casos de responsáveis por cargos públicos que estão conscientes do momento que o país está a atravessar. São exemplos de sacrifícios em nome do bem comum.

O Centro Hospitalar do Alto Ave vendeu em leilão os nove carros dos administradores, os quais renderam 56 mil euros. Os administradores também abdicaram das senhas de combustível e do uso de telemóveis de serviço para poupar 600 mil euros para aplicar em investigação.

Na Junta de Freguesia de Airães, Felgueiras, três dos eleitos abdicaram da remuneração a que têm direito por lei (274,77 euros no caso do presidente, pouco mais de 200 euros para o secretário e a tesoureira). Com esse dinheiro conseguiram comprar uma carrinha para o transporte das crianças que frequentam o centro escolar. Ainda sobraram 8500 euros para os cofres da Junta.


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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

As finanças do PCP e a sua morte anunciada

Heduíno Gomes

A implosão da União Soviética veio criar aos partidos comunistas alinhados com Moscovo vários problemas. O mais óbvio problema foi o do desprestígio político adicional a que ficaram sujeitos com a desagregação do «paraíso» terreno que apregoavam. Mas a este juntou-se outro que foi corroendo os partidos moscovitas: o fim do financiamento das suas máquinas de organização e propaganda.

Em alguns países, os respectivos partidos comunistas não eram mais do que um escritório de propaganda soviética, editando um semanário de pequena tiragem e de nenhum impacto. Noutros países, como na Itália, na França e em Portugal, os partidos possuíam uma implantação importante. Em Inglaterra e Alemanha federal, os partidos comunistas eram reduzidos e praticavam o entrismo nos partidos socialistas, respectivamente o trabalhista inglês e o social-democrata alemão.
Mesmo antes da sua implosão, a União Soviética já se encontrava numa grave crise económica que fazia adivinhar o desfecho. Nesse período, com Gorbatchov, foram reduzidos e mesmo suprimidos os financiamentos às quintas-colunas soviéticas. E quando o sistema cai, o corte foi total e geral. Não apenas da parte da extinta União Soviética, como também da Alemanha de Leste, e de outros «países irmãos», acabaram-se os cobres.
O poderoso Partido Comunista Francês, com a sua imponente sede, de projecto simbólico da autoria do camarada Niemeyer, na Place Colonel Fabien, em Paris, teve de conter despesas e vender os anéis. Concretamente, os Picassos e outros que orgulhosamente decoravam a sua sede foram passados a patacos. E o PCF acabou por sucumbir.
O mesmo se anuncia agora para o PCP, que sistematicamente vêm apresentando buracos nas suas contas e se prepara para despedir uma série de funcionários.
A fonte de financiamento do PCP eram simbolicamente as quotizações. Mas mal davam para mandar cantar um cego. Internamente, depois do 25 de Abril, outra fonte eram também os municípios que dominavam, e que, pela redução da sua implantação política, têm vindo a perder. O mesmo se pode dizer dos sindicatos, que pagavam os ordenados dos funcionários do PCP e a sua propaganda, o que ainda hoje vemos.
Todas estas receitas e mais algumas geradas por certas estruturas económicas montadas no período ascendente são insuficientes para manter o aparelho encomendado pelos soviéticos – desde sempre os grandes financiadores –, que já não existem para pagar a encomenda. O PCP tinha também uma especial ajuda, em dinheiro e propaganda, da Alemanha de Leste. Tudo isto acabou. E com isto acabará por sucumbir o clássico PCP.
É pena que Cunhal não tenha vivido o suficiente para assistir.




Dos arquivos do Partido Comunista da União Soviética
(13 octobre 1983)
«Très secret. Du KGB au Comité central du Parti communiste de l'Union soviétique»:

«Au camarade Ponomarev, directeur du Département international,Compte-rendu de la rencontre avec le camarade Gaston Plissonnier (PCF) : conformément à vos instructions du 23 septembre dernier, la rencontre a eu lieu à Berlin avec le camarade Plissonnier et son homme de confiance, lors de laquelle nous avons remis aux amis français la somme d'un million de dollars qui leur a été assignée. Pour des raisons de sécurité, le camarade Plissonnier a refusé de signer sur place le reçu avec l'argent livré, se référant à un accord avec Moscou. Néanmoins, il a ordonné à son homme de confiance de signer le reçu de livraison sans indiquer le montant de la somme.»
L'aide apportée par le PCUS était aussi matérielle et concernent également les journaux affiliés au PCF. De 1982, année de la première livraison, jusqu'en 1989, la dernière, ceux-ci ont reçu gratuitement 4 058 tonnes de papier[13]. Le 10 juillet 1987, le Politburo approuve, « suivant la demande du PCF », la livraison de 1 300 tonnes de papier par an pour les années 1987 et 1988.

Pour la seule période de 1971 à 1990, le PCF encaissera cinquante millions de dollars (Parti communiste italien : 47 millions, Parti communiste des États-Unis d'Amérique : 42 millions).

Le secrétaire général de la CGTHenri Krasucki, membre du bureau politique du PCF, a demandé en mars 1985 au conseil central des syndicats de l'URSS d'accorder à son syndicat une aide urgente de 10 millions de francs (1 million de roubles convertibles). Cette demande a un caractère strictement confidentiel et seuls les dirigeants de la CGT membres du comité central du PCF ont été informés de cette demande. Cette aide sera accordée en 2 versements en 1985 et 1986 de 500 000 roubles provenant du comité du tourisme et d'excursion.


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Parlamento europeu em sessão. Verdadeiramente vergonhoso…



terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Falando abertamente

Daniel Pipes

O menu no meu voo, no início deste mês, pela Turkish Airlines assegurava aos passageiros que «não haveria carne de porco». O menu também oferecia uma boa selecção de bebidas alcoólicas, incluindo champagne, whiskey, gim, vodka, rakı, vinho, cerveja, licor e conhaque. Esta excentricidade de aderir e ao mesmo tempo ignorar a lei islâmica, a Shari'a, simboliza o singular e único papel público do islão na Turquia de hoje, bem como o desafio de compreender o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (conhecido pela abreviação turca, AKP) que vem governando o país desde 2002.
 
As discussões políticas sobre a Turquia tendem a concentrar-se na pergunta se o AKP é islamista ou não: Por exemplo, em 2007, eu perguntei «quais são as intenções da liderança do AKP»? «Ela … resguardou um programa islamista secreto e simplesmente aprendeu a dissimular os seus objectivos islamistas? Ou na realidade desistiu daqueles objectivos e aceitou o secularismo»?
 
Durante as recentes discussões em Istambul, eu fiquei a saber que turcos dos mais diferentes pontos de vista chegaram a um consenso a respeito do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan: eles preocupam-se menos com as suas ambições islamistas do que com as suas tendências nacionalistas e ditatoriais.A adopção plena da Shari'a, dizem eles, não é um objectivo viável na Turquia por conta da natureza secular e democrática do país, o que o diferencia dos outros países de maioria muçulmana (excepto a Albânia, Kosovo e Quirguizistão). Admitindo esta realidade, o AKP obtém apoio eleitoral cada vez maior por meio de uma coerção aprazível da população para que seja mais virtuosa, tradicional, devota, religiosa, conservadora e moral. Desse modo, ele incentiva o jejum durante o Ramadão e o recato feminino, desestimula o consumo de álcool, ensaiou criminalizar o adultério, indiciou um artista anti-islamista, aumentou o número de escolas religiosas, incluiu o islão no currículo das escolas públicas e introduziu questões sobre o islão nos exames de admissão às universidades. Colocado nos termos da Turkish Airlines, a carne de porco já foi eliminada e é uma questão de tempo até que o álcool também desapareça.
A Turkish Airlines proíbe carne de porco mas serve bebidas alcoólicas.
 Os meus interlocutores disseram-me que o objectivo é a prática islâmica, não a lei islâmica. Decepar as mãos, burcas, escravidão e jihad não estão no contexto, muito menos após o crescimento económico ter fortalecido a classe média, orientada para o islamismo que rejeita o islamismo do estilo saudita. Um líder da oposição observou que cinco distritos de Istambul «parecem-se com o Afeganistão», mas são a excepção. Eu ouvi dizer que o AKP procura reverter a antireligiosidade do estado criado por Atatürk sem enfraquecer aquele estado, com a esperança de criar uma ordem pós Atatürk, mais do que uma ordem anti-Atatürk. Por exemplo, ele procura controlar o sistema legal existente em vez de criar um sistema legal islâmico. O colunista Mustafa Akyol até afirma que o AKP não está tentando abolir o secularismo mas sim a «defender uma interpretação mais liberal». O AKP, dizem eles, tenta reproduzir os 623 anos do estado Otomano findado por Atatürk em 1922, admirando tanto a sua orientação islâmica quanto o seu domínio dos Balcãs e do Médio Oriente.
 
Mohamed Morsi poderia aprender
 uma ou duas coisas de Recep Tayyip Erdoğan.
Esta orientação neo-otomana pode ser vista na aspiração do primeiro-ministro em servir como califa informal, por meio da mudança de ênfase na Europa para o Médio Oriente (onde ele é um herói questionável das ruas árabes) na oferta da fórmula política e económica do AKP a outros países muçulmanos, particularmente o Egipto. (Erdoğan decididamente defendeu o secularismo durante a sua visita àquele país, para desalento da Irmandade Muçulmana e olha com desconfiança ao ver Mohamed Morsi empurrar goela abaixo a Shari'a aos egípcios). Além disso, Ancara ajuda o regime iraniano a esquivar-se das sanções, apoia a oposição sunita contra Bashar al-Assad da Síria, arranjou um confronto tumultuoso e gratuito com Israel, ameaçou Chipre quanto às descobertas de gás na sua costa marítima e até interveio no julgamento de um líder islamista do Bangladesh.
 
Como tudo na Turquia, o lenço de cabeça
 pode ter dimensões subtis.
Tendo ultrapassado o «estado profundo», particularmente o corpo de oficiais das forças armadas, em meados de 2011, o AKP adoptou uma forma cada vez mais autoritária, chegando ao ponto de muitos turcos temerem a ditadura mais do que a islamização. Observam com atenção à medida que Erdoğan, «intoxicado pelo poder», prende oponentes com base em teorias conspiratórias e escutas telefónicas, encena julgamentos só para inglês ver, ameaça acabar com novelas de carácter histórico na televisão, procura impor as suas preferências pessoais ao país, fomenta o antissemitismo, abafa a crítica política, justifica medidas enérgicas contra manifestações de protesto de estudantes contra a sua pessoa, manipula os média, pressiona o judiciário e desfere violentas criticas em relação à separação dos poderes. O colunista Burak Bekdil ridiculariza-o como «engenheiro social e chefe eleito da Turquia». Mais ameaçadoramente, outros vêem-no como a resposta da Turquia a Vladimir Putin, um semi-democrata arrogante que fica no poder por décadas.
 
Livre da supervisão das forças armadas apenas em meados de 2011, vejo Erdoğan provavelmente conquistando o poder ditatorial suficiente (ou para um sucessor) para alcançar o seu sonho e implementar a Shari'a plena.
 
Actualização de 26 de Dezembro de 2012:
 
Mais alguns factos sobre a Turkish Airlines (abreviação: THY):

– Oferecer refeições kosher, hindu e jainista.

– Orgulhar-se de ser a «Melhor Companhia Aérea da Europa» de acordo com o Skytrax, um grupo de consultoria britânico.

– Vangloriar-se de servir mais países do que qualquer outra companhia aérea, 91 países contra 88 da Air France.

– O principal átrio da classe executiva, no aeroporto Atatürk de Istambul, é (segundo a opinião de um passageiro) de longe o mais extraordinário do mundo, seja pelo design inovador, seja pela área para as crianças brincarem, biblioteca, mesa de bilhar, televisão, cinema, piano bar, mesquita, chuveiros, suítes para dormir e a gama de alimentos de qualidade. Tem capacidade para 2 000 visitantes.

– O governo turco possui 49% das acções da THY e de acordo com Orçun Selçuk, num artigo no Today's Zaman, a companhia aérea «é usada abertamente pelo governo como pilar para expansão da sua política externa». Além disso, segundo ele, serve «como ferramenta de poder de influência voltada para aumentar a atracção da Turquia entre o público estrangeiro».


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Parlamento europeu em sessão.
Verdadeiramente vergonhoso…

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Poço Vasco da Gama

Paulo Morais 

A ponte Vasco da Gama que foi a 1.ª PPP que teve a assinatura, à data, do 1.º ministro Cavaco Silva, que só fez duas PPP. Leiam, vale a pena, só assim percebemos a grandiosidade? destes negócios e para onde vai o nosso dinheiro. Ou o silêncio da múmia...
A construção da Ponte Vasco da Gama, a primeira parceria público-privada, foi um negócio ruinoso para o estado português.
A participação privada na nova travessia do Tejo nasceu de um embuste, a tese de que o Estado não teria dinheiro para construir a infra-estrutura e recorria ao apoio dos privados, a quem mais tarde pagaria determinadas rendas. Nada mais errado! Até porque os privados entraram com apenas um quarto dos 897 milhões de euros em que orçava o investimento. O restante foi garantido pelo estado português, através do Fundo de Coesão da União Europeia (36%), da cedência da receita das portagens da Ponte 25 de Abril (6,0%), e por um empréstimo do Banco Europeu de Investimentos (33%). O verdadeiro investidor foi o estado português, que assim garantiu a privados uma tença milionária ao longo de anos. Só em 2010, as receitas das portagens atingiram quase 75 milhões de euros.
Ao mesmo tempo, os privados eliminavam a concorrência, pois garantiam que ninguém poderia construir uma nova travessia no estuário do Tejo sem lhes pagar o respectivo dízimo.
Para piorar a situação, o Estado negociou, ao longo de anos, sucessivos acordos para «a reposição de reequilíbrio financeiro», através dos quais se foram concedendo mais vantagens aos concessionários. Ainda antes da assinatura do contrato de concessão, já o Estado atribuía uma verba de 42 milhões de euros à Lusoponte para a compensar por um aumento de taxas de juro. Mas os benefícios de taxas mais baratas, esses reverteram sempre e apenas para a Lusoponte. Sem razão aparente, o Estado prolongou ainda a concessão por sete anos, provocando perdas que foram superiores a mil milhões. E muito mais… um poço sem fundo de prejuízos decorrentes de favorecimentos à Lusoponte.
Aqui chegados, só há agora uma solução justa: a expropriação da Ponte Vasco da Gama, devolvendo aos privados o que lá investiram. As portagens chegam e sobram para tal. Não se pode é continuar a permitir que, por pouco mais de duzentos milhões de euros, uns tantos senhores feudais se tornem donos de uma ponte que não pagaram, cativem as receitas da «25 de Abril» e sejam donos do estuário do Tejo por toda uma geração.


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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Aguiar-Branco põe na gaveta
relatório incendiário

Helena Pereira, Sol
 
Um país onde «a corrupção e o nepotismo alastraram impunemente». Onde «as estruturas económicas são medíocres e tímidas». Onde se vive num «ambiente de rarefacção do Estado Social». Este é o retrato de Portugal, feito por um grupo de senadores, a quem o Governo pediu um trabalho sobre a revisão do Conceito Estratégico de Defesa.
 
O grupo, presidido pelo social-democrata Luís Fontoura, inclui pessoas como Adriano Moreira, Luís Amado, Jaime Gama, Leonor Beleza, Ângelo Correia, Gomes Canotilho, Pinto Balsemão, Figueiredo Lopes, João Salgueiro, o general Loureiro dos Santos e o almirante Vieira Matias.
 
A comissão, de 25 membros, tomou posse em Junho, numa cerimónia no Forte de S. Julião da Barra, a que o próprio primeiro-ministro compareceu. Depois, a 11 de Outubro, nova cerimónia formal, presidida por Passos Coelho, para a entrega do trabalho. Aguiar-Branco manifestou, nessa altura, o desejo que o novo CEDN fosse «um documento realista, exequível, que não seja apenas para registo da História, mas um guião mobilizador do que deve ser a intervenção do Governo».
 
O texto final devia ser levado a Conselho de Ministros até final do ano. As ideias, contudo, são polémicas e criaram desconforto, não só junto do Ministério da Administração Interna, como na Presidência da República, que não tiveram conhecimento do relatório. No caso da Presidência, há até razões formais para que isso tivesse acontecido: a legislação em vigor atribui ao Conselho Superior de Defesa Nacional, liderado pelo PR, competências prévias na aprovação deste documento.
 
Percebendo o problema, o Ministério da Defesa já nem quer comprometer-se com uma nova data para a aprovação do novo Conceito Estratégico, que está a ser trabalhado, há várias semanas, por membros da equipa de Aguiar-Branco. O trabalho da equipa de sábios é tido, no Ministério da Defesa, «como um contributo entre vários».
 
Aquele trabalho faz, por um lado, um diagnóstico muito negro da actual situação do país. Por outro, formula uma série de propostas polémicas, nomeadamente sobre a GNR e a PSP, que esta semana levaram inclusive à ameaça de direcção da PSP. Por último, na parte estrita de defesa, é muito ambicioso.
 
O texto é duro no que diz respeito às vulnerabilidades internas. Assim, Portugal é visto como «um protectorado» que luta «pela sua sobrevivência» e em que «a intervenção indébita e egoísta das corporações profissionais e económicas, está para além dos limites aceitáveis». E a crise que o país atravessa «pode desencadear fenómenos de contestação e radicalização, detonantes de uma conflitualidade político-social susceptível de pôr em causa o regime democrático». Já a Justiça, permitiu a «impunidade» dos «prevaricadores de colarinho branco».
 
Mas tem também várias propostas concretas que surpreenderam o próprio ministro da Defesa. Defende uma negociação com a UE que permita «aliviar o peso da dívida externa contraída pelo Estado após o início da crise financeira internacional».
 
Propõe ainda a criação de uma «unidade de Segurança Nacional que funcione no Gabinete do primeiro-ministro» para «sintetizar» a informação recebida dos Ministérios dos Negócios Estrangeiros, da Defesa Nacional e da Administração Interna, e do Sistema de Informações da República.
 
E defende uma separação entre PSP e GNR, com a primeira a ficar responsável pelas áreas urbanas e policiamento de proximidade, enquanto a segunda deverá combater a criminalidade mais violenta e o terrorismo – levando Miguel Macedo a demarcar-se publicamente de tal visão, vista como uma ingerência inaceitável.
 
Um dos membros da comissão de revisão do CEDN explicou ao SOL que os vários elementos organizaram-se em grupos de trabalho sectoriais e que é normal que não concordem necessariamente com todos os pontos do texto.
 
 
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Parlamento europeu em sessão.
Verdadeiramente vergonhoso…

 
 
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