sexta-feira, 28 de novembro de 2014


Libération arrasa José Sócrates


Rosa Pedroso Lima

Jornal da esquerda francesa publicou um artigo sobre a prisão do ex-primeiro ministro.

Título: «Sócrates, a queda de um oportunista sem ideologia».


O caso Sócrates, diz o «Libération», «corresponde a um novo degrau de imoralidade na vida pública»

Um político «duvidoso», «sempre borderline», «sanguíneo, autoritário e de estilo cintilante à la Sarkosy». É assim que o jornal francês «Libération» descreve José Sócrates, num artigo, publicado esta quinta-feira, sobre a detenção do ex-primeiro ministro português.

O caso Sócrates, diz o jornal, «corresponde a um novo degrau  de imoralidade na vida pública». No artigo, assinado pelo correspondente do «Libération» em Madrid, descreve-se as suspeitas que levaram à acusação do ex-governante por fraude fiscal, corrupção e branqueamento de capital. Explica-se como «o modo de vida em Paris chamou a atenção da brigada financeira portuguesa», como o seu motorista «fazia regulares viagens Lisboa-Paris para lhe entregar grandes quantidades de dinheiro em cash» e como o seu amigo e empresário Carlos Santos Silva serviu de pivô num esquema de transferencias financeiras. O «apartamento no valor de 2,8 milhões de euros, a frequência de restaurantes de luxo e as escutas telefónicas fizeram o resto».

E o resto é muito. Desde logo, o escândalo desmontou a imagem do «antigo líder socialista que, em maio de 2011 se demitiu, enquanto o seu país estava à beira da falência». Sócrates queimou o seu «retrato político bem merecido, de um cidadão honesto que serviu o seu país o melhor possível» e que «no final do seu primeiro mandato obteve resultados visíveis na mudança de uma administração pública anquilosada». Passou a ser «o líder duvidoso, esse produto mediático ou o politico Armani (citando o 'Público', que sublinhava o seu lado esquerda-caviar) envolvido em vários escândalos dos quais conseguiu, de cada vez, escapar às garras da justiça».

O texto do «Libération» termina com uma análise de Fernando Rosas, apresentado como historiador. «Desde o princípio, ele foi esse jovem lobo, oportunista, sem ideologia, obcecado por escalar todos os degraus até ao poder supremo, sempre borderline». Apresentado como «antigo militante do partido de direita, o PSD, passou para os socialistas em 1981» e acrescenta-se à biografia de Sócrates ter sido «admirador de Tony Blair» mas que «sempre conheceu um percurso pouco claro». «Há mesmo fortes hipóteses do seu diploma de engenheiro civil, obtido em 1980, ser falso», conclui o artigo.






Colecção de vídeos sobre os casos Sócrates


(Assim podes doutorar-te em socratismo)



https://www.youtube.com/watch?list=PLPAKyd_5x-2uKzGZZdNP0hJOLBB8f3Jz0&v=zEsgby13ULM&feature=player_detailpage





segunda-feira, 24 de novembro de 2014


O regresso dos Marretas








Carlos Alexandre: o juiz que enfrenta o sistema


Inês David Bastos, Diário Económico, 2 de Agosto de 2014

Temido por muitos, admirado por tantos, o juiz do «ticão», que tem os principais processos de corrupção não cede a pressões.

Não gosta das «forças ocultas» e vê o combate ao crime como uma missão. Recebe ameaças mas insiste nas buscas a poderosos.

O seu refúgio é Mação, a terra que o viu nascer há 52 anos.

Há quem pense que o juiz «não tem medo», há quem diga que o controla.

Quando na passada quinta-feira, pouco depois das 9h00, os noticiários começaram a avançar que Ricardo Salgado, ex-presidente do BES, estava a ser detido, as conversas nos cafés e nas ruas de Mação voltaram a focar-se em Carlos Alexandre.

O filho da terra que tinha partido há 35 anos para Lisboa em busca de um papel central na luta contra o crime ia interrogar o todo-poderoso da banca portuguesa e os seus conterrâneos voltaram a gabar-lhe a coragem.

Vasco Estrela é há dez meses presidente da Câmara de Mação, vila ribatejana que viu nascer a 24 de Março de 1962 Carlos Manuel Lopes Alexandre, filho mais novo de José Alexandre, carteiro de profissão, e de Narcisa, reformada da indústria de lanifícios.

O autarca não pertence à geração do juiz que fez buscas a Isaltino Morais e que levou Armado Vara a julgamento mas conhece-o bem. Até porque «toda a gente em Mação se conhece», diz ao Diário Económico, e o juiz nunca deixou de visitar a sua terra-natal aos fins de semana. É aí, aliás, que consegue descomprimir das complexas investigações aos crimes de colarinho branco que acompanha e desligar-se das pressões que, aqui e ali, vai sofrendo.

Mas quem é Carlos Alexandre? Para uns, é quase um «justiceiro», um Baltazar Garzon português.

É assim que é visto pela maioria dos seus conterrâneos, por amigos e por aqueles que com ele trabalham. Para outros, é um juiz com sede de protagonismo e intuitos persecutórios.

Uma crítica que usualmente é feita nos jornais mas sempre atribuída a fonte não identificada. Poucos arriscam dar a cara para criticar o juiz que nos últimos anos tem abanado o poder e o sistema e as declarações em «on» que existem são normalmente de amigos e aliados, que lhe elogiam a obstinação e reforçam essa imagem de «justiceiro». Tanto é amado, como odiado. Mas todos lhe têm respeito, nem que seja por temerem os segredos que possa conhecer depois de ouvir milhares e milhares de escutas que são feitas a individualidades portuguesas.

Juiz titular do Tribunal Central de Instrução Criminal, conhecido na gíria judiciária por «ticão», Carlos Alexandre teve e tem em mãos há oito anos os processos mais complexos e mediáticos no combate ao branqueamento de capitais, tráfico de influências, fuga ao fisco e associação criminosa.

Quem já não ouviu falar do caso Portucale, do BPN, da Operação Furacão, do Apito Dourado, do Face Oculta ou do Monte Branco? Tudo nomes de mega-investigações da PJ e do Ministério Público que passaram pela secretária do chamado «super-juiz». Todos processos que envolvem parte da elite política, empresarial e financeira nacional.

Sobre a sua vida privada e métodos de actuação pouco se sabe.

Carlos Alexandre não se expõe.

Estudou pela telescola, cursou Direito na Faculdade de Lisboa e começou desde logo a lutar por um lugar no «ticão», onde entrou como auxiliar em 2004. Dois anos depois era titular. Percebe-se que é firme na forma como actua. Diz quem o conhece que imprime um «cunho pessoal» ao que faz, que gosta de «participar em tudo», que tem preferência por fazer inquirições e despachos de pronúncia e faz questão de fazer buscas de surpresa, pela manhã.

Foi o que fez a Isaltino Morais, que lhe abriu a porta de casa ainda de roupão.

Este «voluntarismo» é o que mais irrita os suspeitos, os advogados e até muitos colegas magistrados. Na anterior direcção do sindicato, muitos não apreciavam os seus métodos.

Um juiz discreto que enfrenta as ameaças Carlos Alexandre não dá entrevistas, raramente fala à comunicação social e evita participar em seminários.

Mantendo esta linha não respondeu às questões do Diário Económico. As poucas vezes que falou foi para se insurgir contra o que pensava serem interferências no seu trabalho e para deixar o aviso de que não cede a pressões. Foi o que aconteceu em Fevereiro de 2011, quando o Governo de Sócrates lhe baixou o «plafond» do telemóvel para 15 euros e o juiz retaliou, entregando o aparelho ao tribunal. Ou quando – estava a pronúncia no Face Oculta prestes a sair – o PS veio dizer que ele não estava a conseguir dar conta de todos os processos e era preciso indicar um segundo juiz para o «ticão».

O magistrado não gostou, fez saber através de gente próxima que as estatísticas eram falsas e insinuou, numa carta dirigida ao Conselho Superior da Magistratura, que a intenção do governo podia «ter outros fundamentos». Afastá-lo, leia-se.

Mais tarde diria à revista Ânimo que, com ele, «a verdade fala sempre mais alto», como quem diz: não vale a pena ameaçarem. E as ameaças existiram, algumas veladas.

Ainda hoje, Carlos Alexandre se lembra do dia em que a sua casa em Linda-a-Velha, Oeiras, foi assaltada e deixaram um revólver desactivado em cima da foto de um dos filhos (tem dois).

Ainda hoje se comenta em Mação o estranho atropelamento de que foi vítima a sua mulher, Floribela, natural do Alandroal.

São recentes as ameaças veladas que recebeu de Angola – fotocópias de notícias publicadas no jornal do regime que chegaram ao seu correio – por causa da investigação a Álvaro Sobrinho, ex- presidente do BES Angola.

Os amigos perguntam-lhe como consegue.

Responde que não pode ter medo, que a lei e a justiça estão acima.

«Não sei se tem receio ou não mas o que o move é o cumprimento da lei e se os dados entregues justificam uma busca ele avança», diz ao Diário Económico um procurador que trabalhou com o «super-juiz».

Um magistrado judicial que o conhece dos tempos de estágio, em Cascais, acredita mesmo que Carlos Alexandre «não tem medo» e actua como actua, afrontando poderosos, porque «tem um sentido de justiça arreigado» e uma aversão profunda «às forças ocultas».

Pronuncia mesmo perante «dúvida razoável».

Não gosta do sistema instalado, assumiu a luta contra a corrupção como missão e vive a insatisfação de saber que há muito crime que não é investigado, diz quem com ele priva.

O magistrado que defende o fim dos paraísos fiscais tem tendência para levar arguidos a julgamento mesmo que a investigação mostre apenas «dúvida razoável».

Mas a lei permite que o faça.

Acaba por ver arguidos serem absolvidos em julgamento e essa é uma crítica que os inimigos lhe fazem. O juiz responde com rigor no trabalho.

Sabe que é escrutinado à lupa e não deixa pontas soltas nos despachos, nem erros processuais.

Não tem queixas, nem processos disciplinares no CSM, apenas uma lista numerosa de pedidos de escusa de juiz.

Os advogados tentam afastá-lo. Temem-no.

Para reforçar a sua confiança pediu uma inspecção. Teve «Muito Bom».

É nesta tensão, neste limbo, que vive o «super-juiz».

Um fio da navalha que não o travou na hora de pronunciar ex-ministros do PSD, de investigar quadros do PS e da vida empresarial no Face Oculta e de aparecer de surpresa no BPN com Rosário Teixeira, o procurador com quem faz equipa em muitas operações.

Sabe que tem muitos inimigos.

Em 2006, quando comprou casa em Linda-a-Velha e quis fazer remodelações, a Câmara de Oeiras, então liderada por Isaltino, embargou a obra e encharcou o juiz – já a mexer na investigação ao autarca por fuga ao fisco – de burocracia.

No fim, conseguiu resolver a situação mas não se livrou de multas.

É entre amigos de longa data que o «super-juiz» tenta fugir à pressão diária. Muitos destes amigos nasceram em Mação. E voltamos à terra.

Não se pode falar de Carlos Alexandre sem falar de Mação.

É aqui que despe a capa do «super-juiz» e tenta ser um normal cidadão. Se é que isso é possível. Sim ou não, Carlos Alexandre tenta. Na terra, dispensa a segurança pessoal que se viu obrigado a ter quando começou a receber ameaças.

Passeia pelas ruas e participa em actividades.

Gosta de ler mas os processos complexos tiram-lhe tempo, gosta de estar em família, aprecia tradições e um bom convívio com amigos.

Mas de trabalho só fala mesmo (e pouco) com os amigos de profunda confiança. «Em Mação, veste outra pele, até costuma assumir o sotaque maçanico», conta o deputado Duarte Marques, seu conterrâneo.

Nas festas da Páscoa, faz questão de carregar o andor, como católico convicto que é, relata o presidente da Câmara, e só assuntos de trabalho o fazem faltar ao jantar dos ex-alunos do colégio, o que aconteceu este ano. Mação poderá não receber tão depressa a visita do juiz. As investigações do Monte Branco e ao BES estão no auge, operações que atingem o todo-poderoso que fez arguido a semana passada. E que prometem fazer tremer, de novo, o poder. E o sistema.





domingo, 23 de novembro de 2014


O Império dos idiotas



Quando ontem cheguei ao Face dei de caras com um largo conjunto de posts, indignados uns, apoiantes outros, relativos à decisão da Câmara Municipal de Lisboa de não restaurar, no Jardim da Praça do Império, em Lisboa, os símbolos criados durante o Estado Novo e respeitantes às colónias.

Na linha da frente da oposição à recuperação desses símbolos encontra-se – de resto outra coisa não seria de esperar – o vereador José Sá Fernandes.

Segundo comunicado da CML publicado no seu site, o município não irá gastar dinheiro a recuperar símbolos do Estado Novo.

O comunicado só pode ter sido escrito por alguém com um qualquer atrofio mental.

Antes de mais, o património não tem ideologia.

Se os idiotas por trás desta decisão estão tão preocupados com o facto de serem símbolos do Estado Novo então, por uma questão de coerência, devem demolir toda a zona histórica de Lisboa porque, se formos a ver, foi toda construída quando existia, por exemplo e entre outras coisas, escravatura, religião de Estado e intolerância religiosa, gente a morrer de fome, execuções sumárias e pena de morte e, como durante o Estado Novo, Colónias.

Aliás, se Sá Fernandes e os idiotas que estão com ele tivessem uma réstia de cérebro a funcionar, teriam percebido que a zona se chama «Praça do Império» e foi criada – imagine-se – pelo Estado Novo.

Mais.



Se querem ser coerentes com o chorrilho de estupidez que largaram sobre isto, então tinham a obrigação de destruir o Padrão dos Descobrimentos, construído durante o Estado Novo, por alturas da Grande Exposição do Mundo Português, destruir a zona ribeirinha de Belém, construída durante o Estado Novo, para o mesmo evento, a zona de pequenas marinas da zona ribeirinha de Belém, construída durante o Estado Novo… e por aí fora…

A História não se recusa.

Nem pode.

A nossa história, doa a quem doer, é a história de um Império.

Fomos um Império desde o Século XV até ao Século XX.

Dominámos outros povos, escravizámo-los, explorámo-los.

Enriquecemos e empobrecemos.

Ajudámos e matámos.

É assim a história dos Impérios.

É assim a nossa história.Quem tem vergonha da sua história tem, em última análise, vergonha de si.


E nós podemos – e devemos – ter vergonha da cambada que nos governa e de darmos demasiada atenção ao futebol, mas não devemos ter vergonha da nossa história.

Quando idiotas não querem recuperar símbolos históricos porque acham que isso os faz ficar bem na fotografia de uma minoria de outros idiotas, está mais ou menos tudo dito.

António Costa faria melhor se viesse pôr na ordem a Câmara de que ainda é presidente.







O verdadeiro Supremo Magistrado da Nação







sábado, 22 de novembro de 2014


Angola:

É tudo por competência!


cleptomaniacamente

1. Ministro das Finanças: Carlos Lopes, marido da irmã da primeira-dama, Ana Paula dos Santos.

2. Ministro do Ensino Superior, Adão Do Nascimento, sobrinho do presidente, José Eduardo dos Santos.

3. Vice-presidente da Republica, Manuel Vicente, enteado da falecida irmã do presidente, José Eduardo dos Santos.

4. Secretário de Estado para Habitação, Joaquim Silvestre, irmão da primeira-dama, Ana Paula dos Santos.

5. Secretária do Presidente para Assuntos Particulares, Avelina dos Santos, sobrinha do Presidente, José Eduardo dos Santos, filha do seu irmão Avelino dos Santos.

6. Administrador do Fundo Soberano, Zenu dos Santos, filho do Presidente, José Eduardo dos Santos.

7. Secretário-Geral da casa militar, Catarino dos Santos, sobrinho de José Eduardo dos Santos, filho do seu irmão Avelino dos Santos.

8. PCA da EPAL, Leonildo Ceita, primo da primeira-dama.

9. PCA da ENANA, Manuel Ceita, primo da primeira-dama Ana Paula dos Santos.

10. PCA do Banco de Comércio e Indústria (BCI), Filomeno Ceita primo da primeira-dama.

11. Director do Instituto Nacional de Estatística, Camilo Ceita, primo da primeira- dama, Ana Paula dos Santos.

12. PCA da MECANAGRO, da GESTERRA e presidente da Federação Angolana de Hóquei em Patins, Carlos Alberto Jaime Calabeto, sobrinho e primo do presidente, José Eduardo dos Santos.

13. Governador do BNA, José Massano, amigo pessoal e ex-colega de Isabel Dos Santos, filha do presidente, José Eduardo dos Santos.

14. Vice-governador do BNA, Ricardo de Abreu, compadre e amigo pessoal de Isabel dos Santos, filha do presidente, José Eduardo dos Santos.

15. Ministra de Comércio, Rosa Pacavira, sobrinha da esposa de Avelino dos Santos, irmão do presidente, José Eduardo dos Santos.

16. Administrador da TAAG, Luís dos Santos, irmão do presidente, José Eduardo dos Santos.

17. PCA da ANIP, Maria Emília Abrantes Milucha, mãe da Tchize e Zé Dú dos Santos (Korean Dú), filhos do presidente, José Eduardo dos Santos.

18. TPA 2, empresa de comunicações entregue a Tchize e Corean Dú, filhos de José Eduardo dos Santos.

19 PCA da Sonangol, José Francisco de Lemos, primo da primeira-dama, Ana Paula dos Santos.

Chééé.......mininoooooo........!!!, isso é muiiiiita confusão nus cabéça di vélho ..





segunda-feira, 17 de novembro de 2014


Pinto Monteiro:

«Se corrermos a Europa, não encontramos

justiça melhor do que a portuguesa»


«Duarte Marques diz que «ex-primeiro-ministro (Sócrates) não tem «vergonha na cara» por exigir explicações à Justiça sobre detenção de Ricardo Salgado.» A justiça devia dar explicações, mas sobre o facto de nunca o ter prendido a ele.

O texto do ex-líder da JSD surge na sequência das declarações de Sócrates, na RTP, sobre o caso BES. O socialista defendeu que «a Justiça ganhava em explicar-nos a todos porque deteve Salgado». «Não vi até hoje nenhuma explicação que me convencesse que era necessário deter Ricardo Salgado», disse José Sócrates.

Ao i, Duarte Marques disse que depois de «tantos casos em que esteve envolvido já merecíamos, isso sim, uma explicação sobre o facto de nunca ter sido julgado judicialmente». IOL»

Mas claro que em Portugal há justiça e do melhor que se pode arranjar.

«Pinto Monteiro afirmou hoje que a Justiça portuguesa «não está bem», mas contrapôs que não encontra na Europa sistemas melhores.

«A Justiça não está bem, mas não está tão mal como isso. Se corrermos a Europa, não encontramos Justiça melhor do que a portuguesa», disse Pinto Monteiro.(...)»

Noronha Nascimento e Pinto Monteiro envergonharam a magistratura judicial ao assistirem à cerimónia laudatória de Sócrates.

Num tempo em que a memória se apaga diariamente com a avalanche ininterrupta de casos, a banalização do «escândalo» faz com que as situações verdadeiramente indignas passem despercebidas. A presença de Noronha Nascimento, ex-presidente do Supremo Tribunal de Justiça, e de Pinto Monteiro, ex-procurador-geral da República, no lançamento do novo livro de José Sócrates é um desses casos.

Para quem não se lembre, aqui fica um pequeno exercício de memória. Estamos a falar de dois magistrados que fizeram tudo ao seu alcance para impedir o escrutínio judicial em tempo útil das ordens de destruição das escutas telefónicas que no entender do Ministério Público e da Polícia Judiciária de Aveiro, deveriam ter levado à instauração de um processo-crime a José Sócrates.

Depois de Noronha decidir sobre a irrelevância das escutas ao telefone de Armando Vara, nas quais foi apanhado José Sócrates, Pinto Monteiro, que muito se riu com as escutas, ordenou a destruição dos CD, pelo fogo, na sede da Procuradoria-Geral da República – num autêntico auto-de-fé de escutas malditas – e mandou recortar as conversas transcritas em papel. Pelo meio, assistentes e arguidos do processo (como Paulo Penedos) opuseram-se a tal destruição, interpuseram recursos, mas os dois juízes conselheiros decidiram não esperar pelo escrutínio das suas decisões. Uma decisão imprópria do Estado de direito e que muito contribuiu para o desprestígio da justiça.

Apesar de não terem resistido à luz dos holofotes da cerimónia de Sócrates, Noronha Nascimento e Pinto Monteiro ainda não têm razões para comemorar. Não só parte das escutas a Sócrates continuam nos autos do processo Face Oculta, como a parte que foi irremediavelmente destruída pode levar à anulação de todas as escutas do processo e comprometer irremediavelmente a acusação que está a ser julgada em Aveiro – como muitos magistrados e juristas avisaram logo em 2010. Há ainda recursos pendentes.

Por tudo isto, a presença dos dois magistrados numa cerimónia laudatória de um ex-primeiro-ministro que muito beneficiou com as suas decisões judiciais envergonha a magistratura judicial. Tal só é possível num país em que os juízes são muito mal escrutinados pelos seus próprios órgãos disciplinares.

Por isso mesmo, o Conselho Superior da Magistratura deveria analisar e tomar uma posição sobre esta matéria – sob pena de os restantes juízes pensarem que é normal a promiscuidade entre o poder político e o poder judicial.

É nestes casos simbólicos que também se vê a importância do princípio separação de poderes. Não é só a mulher de César que tem parecer e ser honesta.





domingo, 16 de novembro de 2014


Menezes: acusação e defesa



Menezes chama quintal a quinta de meio milhão

Menezes diz que está a ser perseguido.

Património não bate com rendimento.



Tânia Laranjo

Um Luís Filipe Menezes aparentemente seguro e ao ataque. É assim que o ex-presidente da Câmara de Gaia regressa aos grandes palcos, numa entrevista ao Porto Canal que prometeu ser apenas a primeira que irá conceder às televisões. «Agora, ninguém me cala», garante o conselheiro de Estado, que fala depois numa mega conspiração contra si: onde cabem os jornalistas – designadamente do CM – e os adversários no PS, que «inventam polémicas que não existem».

O ex-autarca, cujo património está a ser investigado pela Polícia Judiciária (PJ) do Porto por suspeita de branqueamento de capitais, vai mais longe e garante que a quinta de Baião – que na permuta realizada em nome dos pais estava avaliado em meio milhão de euros e que o próprio tornou pública numa revista – não passa de «um quintal no Douro». Não explica, porém, como é que os pais a adquiriram, falando apenas em património que é anterior ao seu mandato autárquico.

Na entrevista ao Porto Canal, onde foi comentador e para onde assume querer voltar, Menezes revelou que o ordenado, em Gaia, era inferior a 2 300 euros por mês. Mas não conseguiu responder como é que conseguiu adquirir um T5 de meio milhão, na Foz do Douro, num edifício premiado. E como negociou tal valor, já que áreas idênticas na mesma zona custam, pelo menos, 750 mil euros.

O CM sabe que a investigação continua. Menezes não foi interrogado por estarem a ser reunidas provas pela PJ. O facto de ser conselheiro de Estado obriga a regras especiais.



A DEFESA DE MENEZES

Respondeu Menezes na referida entrevista que não tem de fazer streap tease a explicar-se publicamente a jornalistas, mas sim «às autoridades do meu país».

Como cidadão, que é, tem todo o direito a não fazer o streap tease. Mas não se esqueça de que, como membro da classe política, tem toda a obrigação de explicar tudo bem explicadinho «às autoridades do meu país», as quais, por sua vez, terão de falar verdade. Mesmo que fiquem a parecer sulistas e elitistas.

Ao mesmo tempo, do ponto de vista político, os eleitores poderão interrogar-se sobre as suas virtudes morais. E se ainda pretende propor-se a defensor do povo nesta também sua «república de putas» (a expressão é do académico republicano Unamuno), certamente terá de se explicar aos seus eleitores.

Salientamos aqui apenas a questão em causa e não as repetidas patetices políticas de que Menezes foi protagonista, sendo uma das mais graves a sua tara regionalizacionista, fruto da sua tara antilisboa e do seu caciquismo  local.


Heduíno Gomes (que não é de Lisboa e ainda por cima alentejano – mas sem complexos em relação aos gajos de Lisbaua!)





sábado, 15 de novembro de 2014


O dependentismo


Helena Matos

O legislador, na senda iluminista de levar ao povo a revolução que não escolheu, criou o dependentismo, com programa em 3 pontos: Para mim, deveres poucos ou nenhuns. Direitos todos. Amanhã logo se vê.

Nem liberalismo, nem socialismo. A ideologia mais popular na Europa actualmente é o dependentismo. O que é o dependentismo?

Antes de explicar o que é o dependentismo deixem-me que lhes conte a história de Sandra. Ou de Sabrina. Ou de Sofia. Nomes falsos por que a história verdadeira de uma jovem espanhola chegou recentemente aos jornais: de cima dos seus quase trinta aninhos, a nossa jovem acabou de conseguir que um tribunal obrigue o seu pai a pagar-lhe uma bem simpática mesada durante mais dois anos. Com a possibilidade de esse período ser alargado caso a dita jovem não consiga terminar até lá a licenciatura em psicologia que iniciou há largo tempo. A nossa jovem, ou melhor dizendo a nossa adulta que se recusa a deixar de ter vida de adolescente, é saudável, nasceu na classe média e nada a não ser a sua vontade ou falta dela a impediu de terminar o curso em seu devido tempo. Mas o tribunal que julgou a sua acção contra o pai considera que hoje em dia é penosa a integração dos jovens no mercado de trabalho.

Qual Podemos de Pablo Iglesias ou Frente Nacional de Marine Le Pen, o nosso verdadeiro terramoto político está nas mãos destes cidadãos nascidos nos anos 80 e 90 do século passado. Ao contrário das gerações anteriores que queriam ser independentes, estes jovens que há alguns anos seriam adultos lutam para ser materialmente dependentes. Por agora exigem aos pais que os sustentem. Amanhã exigirão a mesada a quem? Não são doentes e a avaliar pelas mesadas que reivindicam em tribunal não provêm de meios pobres. São oficialmente estudantes embora da maior parte não se possa dizer que estuda de forma regular. Alegam que não conseguem encontrar trabalho compatível com as habilitações de que se acham munidos e enquanto não cair do céu o lugar para que se acham dotados consideram que os pais têm de os sustentar nessa condição de estudantes mesmo que ocasionais.

A isto junta-se que a lei é omissa no que respeita ao limite de idade para se viver de uma mesada paterna pelo que não é de estranhar que dentro de alguns anos tenhamos quarentões neste grupo de indignados.

Quase sem darmos por isso, o legislador imaginou-se «grande educador» e instalou-se na relação que pais e filhos mantêm. E agora os tribunais sentem-se competentes para dizer a um pai que tem de sustentar um filho que é maior para tudo menos para trabalhar. Criámos leis e direitos contraditórios entre si e sem qualquer adesão à realidade: os mesmos pais a quem os tribunais, sobretudo em Espanha, criam a responsabilidade de continuar a sustentar filhos de 30 anos, apesar de estes serem saudáveis, são os mesmos pais a quem esses filhos já não ajudaram nas mais prosaicas tarefas domésticas porque havia o risco de tal ser considerado trabalho infantil.

A desautorização das famílias criou monstros legais como a britânica Cinderella Law que visa criminalizar a falta de manifestações de afecto dos pais para com os filhos, o que permite todo o tipo de arbítrios e subjectividades. Ou as chamadas «leis da palmada» que, visando combater os maus tratos às crianças, optam não por prevenir esses maus tratos, nomeadamente através de um acompanhamento mais eficaz das crianças que se suspeita poderem ser vítimas deles, mas sim por transformar a mais simples repreensão num caso de polícia.

Toda esta parafernália legislativa dos últimos anos, em que o Estado se assume como um bom educador por oposição às famílias, sempre vistas como ignorantes, não protegeu mais as crianças que precisavam de ser protegidas daqueles pais que excepcionalmente as maltratam. Mas acabou claramente a desautorizar a generalidade dos pais, ou seja, aqueles que se esforçam por tratar o melhor possível os seus filhos.

Há algo de disfuncional na relação que se criou com esta geração que em vários países europeus vai ao médico pediatra até aos 18 anos, mas que pode abortar a partir dos 16 sem que os seus pais sejam sequer informados. Mas se isto é válido para a perspectiva dos pais, ou se quisermos das gerações mais velhas, do ponto de vista dos filhos o resultado é bem mais complexo: criados numa concepção de direito a isto e àquilo, foram imbuídos de que o simples acto de nascer os revestia de vários direitos materiais.

Quanto a deveres, a simples enunciação desta palavra podia causar-lhes traumas vários. Enfim, desde que não se drogassem e fossem cumprindo as etapas da vida escolar já reuniam os requisitos básicos para serem considerados exemplares. Agora muitos já nem esse mínimo se sentem obrigados a cumprir e, quando se esperaria que, pelo menos uma vez adultos, trabalhassem, antes pelo contrário seguem para tribunal reivindicando que os pais os continuem a sustentar. E o legislador, sempre na senda iluminista de levar por força de lei o povo a viver a revolução que não escolheu, vai avalizando os argumentos do dependentismo.

O dependentismo, ou seja a convicção de que os nossos direitos materiais têm de ser garantidos independentemente da possibilidade de serem custeados ou de representarem um abuso sobre aqueles que têm de os custear, é hoje a ideologia mais popular na Europa.

Visto assim sob a perspectiva de uns meninos quase trintões que querem continuar no seu viver de estudante – se fosse agora, as tias do Vasquinho acabavam condenadas em tribunal e ele nunca dissertaria sobre o mastoideu no exame de Anatomia – é fácil caricaturizar o dependentismo. Mas pensemos na recente greve dos pilotos da Air France, na resistência às reformas empreendidas pelos governos italiano e belga, na língua de pau do Tribunal Constitucional em Portugal e confrontamo-nos com versões institucionais do dependentismo, essa ideologia cujo programa se resume a três pontos: «Para mim, deveres poucos ou nenhuns. Direitos todos. Amanhã logo se vê.»

Parece uma coisa de crianças e em parte é. Afinal o dependentismo infantilizou os europeus. Estes, sempre tão disponíveis para se deixarem enlevar por tudo aquilo que lhe parecesse uma vaga alternativa às suas democracias, não ficaram mais realistas após a queda do Muro de Berlim. Antes pelo contrário, os vendedores de utopias que por aí andam agora nem têm de se confrontar com o falhanço dos modelos alternativos.Valha a verdade eles também não defendem propriamente modelos alternativos de sociedade ou quando os defendem escondem-nos o suficiente porque sabem que ninguém quereria viver em tal inferno.

O que os infantilizados eleitores europeus querem não se distingue muito das exigências de mais mesada dos trintões espanhóis: afinal todos querem mais algum tempo de recreio. Se pudessem diziam como as crianças quando dantes brincavam na rua e as chamavam para ir jantar: «Já vou. Só mais um bocadinho!»






Cordão Humano pela defesa do Instituto de Odivelas



Ex.mo S.r Presidente da Republica, S.r D.r Aníbal Cavaco Silva,

Ex.mo S.r Primeiro Ministro, D.r Pedro Passos Coelho,

Ex.mas S.ras e S.res Deputados,

Ex.mas Amigas e Amigos do Instituto de Odivelas,

Ex.mas Meninas de Odivelas,


Vai realizar-se o Cordão Humano pela defesa da manutenção do Instituto de Odivelas.

O Cordão Humano terá terá início no Largo D. Dinis, no próximo dia 15 de Novembro a partir das 15.00h.

O Instituto de Odivelas, fundado em 1900, faz parte integrante da história, da cultura e da identidade da Cidade de Odivelas, proporcionando uma educação de excelência e contribuindo, ainda, para a coesão social e desenvolvimento económico local.

O Instituto de Odivelas, enquanto estabelecimento de ensino público, adquiriu uma dimensão e reconhecimento a nível nacional pela excelência do ensino e da formação que tem prestado ao longo dos seus 114 anos de vida.

Evitar a extinção do Instituto de Odivelas é mais do que uma questão local, é uma causa nacional, pelo que, apelamos à participação de todos.

Faça parte do Cordão Humano.

Junte-se a esta causa.

Um acto de cidadania.


Cumprimentos.


                                                                 Maria Teresa Magalhães


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sexta-feira, 14 de novembro de 2014


A nova Brigada do Reumático


João Miguel Tavares, Público, 11 de Novembro de 2014

Miguel Veiga deu ontem uma entrevista a este jornal a defender a subida ao poder de Rui Rio, para que faça «uma limpeza desejável no PSD». Luís Mira Amaral deu uma entrevista no sábado ao DN a desancar de cima a baixo Moreira da Silva, a quem chamou «ministro do CO2» e a quem acusou de ter «um discurso de talibãs verdes» por se atrever a taxar as gasolineiras. José Miguel Júdice tem-se desdobrado em entrevistas para demonstrar o seu apoio a António Costa segundo ele, «o político mais dotado da sua geração» e «a pessoa mais indicada para liderar o País nesta conjuntura».

A lista de sexagenários e septuagenários que são ou já foram da área do PSD e que dizem de Pedro Passos Coelho o que Maomé não disse do toucinho é impressionante. Uns sonham com Rui Rio (Miguel Veiga), outros com António Costa (José Miguel Júdice), outros nem com um, nem com outro (Mira Amaral), mas todos eles têm em comum uma profunda aversão a Passos Coelho e ao seu Governo.

Só que a aversão deles não é igual à aversão do desempregado, do operário, do funcionário público, do reformado, nem sequer à aversão de Pacheco Pereira – a sua aversão deriva da maior dificuldade que certos privilegiados hoje têm em aceder e em influenciar o poder político.

Aquilo que os incomoda não é o destino dos pobres. Aquilo que os incomoda é a crise, pela primeira vez, ter chegado aos ricos.

O embate de Moreira da Silva com o poderosíssimo sector das petrolíferas, o famoso «não» de Maria Luís Albuquerque a Ricardo Salgado ou a actual recusa do Governo em actuar na PT são das poucas decisões realmente decentes que o Governo de Pedro Passos Coelho tomou – critiquem-no por tudo e um par de botas, mas não por isso. Infelizmente, os privilegiados do regime fazem outras contas. Luís Mira Amaral está à frente do BIC de Isabel dos Santos e a gerir as ruínas do BPN, compradas ao preço da chuva.

Miguel Veiga é um «fundador» do PSD que há dois meses teceu inacreditáveis loas a Ricardo Salgado («um homem com mão de ferro em luva de veludo») numa vergonhosa «reportagem» da RTP, criticando de caminho Carlos Costa por ter acusado Salgado de forma «tendenciosa, prematura e injustificada».

E José Miguel Júdice, claro está, é José Miguel Júdice, só comparável à forma como Daniel Proença de Carvalho é Daniel Proença de Carvalho. Quando questionado pelo jornal i acerca da natureza dos problemas do Grupo Espírito Santo, Júdice respondeu assim: «A maior parte dos problemas do Grupo Espírito Santo resulta de a família não ter sido devidamente paga depois de expropriada.» É isso mesmo. A culpa de milhares de milhões a voar é sobretudo da injustiça das indemnizações há um quarto de século. Ah, já agora: segundo José Miguel Júdice, «Zeinal Bava, Henrique Granadeiro ou Ricardo Salgado são excelentes profissionais em qualquer parte do mundo.» Em qualquer parte do mundo, excepto em Portugal.

Receio bem que esta nova Brigada do Reumático, tal como a antiga, tenha uma enorme tendência para confundir os interesses de Portugal com os seus próprios interesses e a manutenção dos seus privilégios.

É por isso que convém separar os campos da crítica ao Governo com a precisão de um bisturi: a classe média tem mil e uma razões para se queixar de Passos Coelho, mas as suas razões não são as razões das classes altas representadas por Júdice, Veiga ou Mira Amaral. Os primeiros sonham com melhores políticos. Os segundos só sonham com políticos do antigamente. E eu, para esse peditório, já dei.





quinta-feira, 13 de novembro de 2014