quinta-feira, 30 de outubro de 2014


A incrível associação dos ex-deputados



Ex-deputados durante o colóquio sobre o interessantíssimo tema,
especialmente para os que aprovaram o chamado «casamento» dos invertidos,
«Como conviver com o corpo».

É isso mesmo, existe uma Associação de Ex-deputados da Assembleia da República (AEDAR) que, segundo o orçamento da Assembleia da República recebeu só este ano mais de 42 mil euros para a sua actividade. Se lhe parece muito, convém referir que sofreu um duro corte de 4,9 por cento face a 2011.

E o que faz a associação? A ver pela página no Facebook, com apenas 25 gostos, organiza passeios a Tomar e tertúlias com temas tão pertinentes como «Inovação Aprende-se». No blogue da associação o último post data de Julho e refere-se a outro colóquio, desta vez com o tema «Como conviver com o seu corpo», interessantíssimo tema, especialmente para os que aprovaram o chamado «casamento» dos invertidos. Certamente precisam deste apoio psiquiátrico.

Num exemplo de falta de transparência, o blogue da associação não explica como é gasto o dinheiro de todos nós. Fica-se apenas a saber que «o relatório, enviado a todos os associados da AEDAR, foi aprovado por maioria, tendo os participantes louvado a boa gestão e iniciativa da AEDAR».





segunda-feira, 27 de outubro de 2014


Zeinal Bava



(Chegou-nos anónima)

Atribuir o grau de doutor honoris causa ao Zeinal Bava nesta altura lembrou-me que pela mesma ordem de razões a Teresa Guilherme podia ser beatificada, por exemplo, ou a Manuela Moura Guedes podia ser coroada misse Portugal, ou o Paulo Portas podia ser graduado em almirante, ou o Miguel Relvas podia ser solista do Grândola, Vila Morena, ou o Mexia da EDP poderia ser o Thomas Edison da China e o ministro Crato poderia mesmo reencarnar num segundo Jesus Cristo depois de multiplicar, em vez de peixes e pães, o mesmo professor 95 vezes colocado com 104 horários.

Está a Universidade da Beira Interior de parabéns por esta justa e merecida distinção.

No chapelinho pode o novo doutor levar de recordação as belas cerejas da Cova da Beira, ou um queijinho da Serra.

Falta agora doutorar Henrique Granadeiro, talvez como clarim honoris causa... telegrafista por fios... emissor de mensagens por sinais de fumo... smoke mensages... O Granadeiro também merece um barretinho daqueles...





quarta-feira, 22 de outubro de 2014


Livro







domingo, 19 de outubro de 2014


Reparem bem nesta camisa…



Este modelo de camisa é produzido em grandes quantidades e vendido nas ruas de numerosos países muçulmanos, do Médio Oriente, na Indonésia, Paquistão e Índia. E estão na moda.

Celebram-se assim os atentados do 11 de Setembro sem se preocuparem com os milhares de mortos.

O racismo e as acusações de ofensas a outras raças e às suas convicções não se aplicam...

E depois pedem ajuda humanitária à mínima ocasião!





quarta-feira, 15 de outubro de 2014


Sócrates solidário


Sócrates não vê razões para terem detido Ricardo Salgado...





sexta-feira, 10 de outubro de 2014


Marinho Pinto diz que deputados ganham pouco



Publicado em 16 de Setembro de 2014 22:08

Marinho Pinto defende aumento do salário dos deputados (3 515 euros), para 4 800 euros, e que, ainda assim, não permite padrões de vida muito elevados em Lisboa

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Salário dos deputados «não é digno», diz Marinho Pinto, o eurodeputado que quer ser deputado, em entrevista à Renascença. Eis Marinho Pinto, o homem de esquerda que cita Thatcher.


Os deputados recebem pouco e não devem ganhar menos que os dez salários mínimos do bastonário da Ordem dos Advogados, 4 800 euros líquidos, que ainda assim «não permitem ter padrões de vida muito elevados em Lisboa», afirma Marinho Pinto, o eurodeputado que quer tornar-se deputado em Portugal.

Em entrevista à Renascença, diz ser um homem de esquerda, mas considera que essas distinções não existem hoje em Portugal. Cita mesmo Margaret Thatcher, figura pouco apreciada à esquerda.

Marinho denuncia que o Movimento Partido da Terra (MPT), pelo qual foi eleito eurodeputado, está ao serviço dos seus dirigentes e não tem a dimensão nacional de que precisa para concretizar as suas ideias. E diz ser «díficil» fazer «entendimentos políticos» com António Costa, responsável por um «tumulto no PS».

Mas não são só os deputados. Os órgãos de soberania em Portugal são mal remunerados, a começar no Presidente da República e a acabar nos juízes. Deveria haver essa cautela. E não há porque muitos políticos encontram formas, por vezes ilícitas, de suprirem essa deficiência.

Questionado sobre o que falhou com o MPT do qual se desvinculou, respondeu: «Não quero revelar publicamente as causas de uma separação. Sou advogado e sempre aconselhei os meus clientes que se divorciavam. Concluí que, por factos que não quero revelar publicamente a não ser que seja obrigado, não é possível realizar no MPT o projecto político que o País precisa para resolver os problemas nacionais».





quarta-feira, 8 de outubro de 2014


Centenas de milhar de manifestantes

que os media censuram...


No dia 5 de Outubro, tiveram lugar por toda a França manifestações, reunindo centenas de milhar de pessoas, a favor da família natural e contra o aborto, o chamado «casamento» entre indivíduos do mesmo sexo e os outros pontos da agenda das feministas e dos invertidos.


Alguém viu notícias nos nossos meios de comunicação, controlados pela esquerda e pelas estirpes visadas?

Eis algumas fotos.











Os donos da História e das palavras


Helena Matos

Portugal é um país em que o poder é naturalmente de esquerda e em que a não esquerda tem a função de, como oposição, mostrar que a esquerda é democrática

O propósito da deputada Rita Rato (a mesma que ainda não teve tempo para se informar sobre o gulag) de sanear os bustos de alguns presidentes da República veio recordar-nos que há em Portugal quem se considere dono da História. E que nessa qualidade não só se ache no direito de definir quem e o quê pode ou não ser recordado e em que estatuto mas que, não menos relevante, tem tido a capacidade de tornar normal o absurdo: no parlamento português, admiradores de Estaline passam por combatentes da liberdade e um partido que não se sabe quantos votos vale, os Verdes, tem um grupo parlamentar.

Isto para não nos alongarmos mais sobre a estranha patologia que leva a parte mais à esquerda do nosso hemiciclo a defender estrenuamente hoje aquilo que atacou violentamente ontem. E invariavelmente se a esquerda defende algo é porque lhe pode aplicar o termo «esquerda» e se ataca alguma coisa é porque essa coisa, facto, situação ou o que seja não é nesse momento de esquerda.

Veja-se o caso da homossexualidade sobre a qual o PCP tem hoje um entendimento oficial muito diferente do que tinha no ano de 1961 quando, para expulsar o seu dirigente Júlio Fogaça, invocou os seus comportamentos homossexuais. Dir-me-ão, quiçá a remoer interiormente que era escusado falar de tal coisa, que se estava em 1961. Pois estava e aí é que está o cerne da questão: os donos da História aplicam a todos os restantes mortais uma espécie de grelha revisionista que leva a que de D. Afonso Henriques aos participantes no Festival da Canção os protagonistas sejam avaliados positiva ou negativamente à luz do progressismo vigente: seria feminista? Praticava assédio? Pode dizer-se anticolonialista? Seria racista?… Acreditem: tivesse Fogaça sido ideologicamente próximo das bancadas à direita e o seu nome seria não só muito mais evocado nestes tempos como muita exigência de pedidos de desculpa se teria feito ouvir.

E aqui chegamos à outra zona de domínio da esquerda: a agenda e a respectiva linguagem. Só que nesta matéria, e ao contrário do que acontece na História, o absurdo está bem e recomenda-se. Por outras palavras, os desígnios censórios em relação ao passado do PCP, Verdes e BE, devidamente acolitados por alguns deputados do PS (com Jorge Lacão a destacar-se pelo radicalismo), já enfrentam resistência. Mas assim que se passa para o presente as palavras e os argumentos continuam como há quarenta anos: continua a discutir-se, ou melhor dizendo continua a ter de se confirmar como desfecho inevitável para qualquer mudança, o que a esquerda previa e cientificamente sabe que vai acontecer: antigamente era a sociedade sem classes, agora é a sociedade sem sexos. A criminalização do piropo é a mais recente conquista nessa luta pelo novo homem novo. (Fonte bem informada garante que o anterior homem novo morreu de síncope em Outubro de 1989 quando ouviu os manifestantes gritar em Leipzig para as autoridades comunistas «Nós somos o povo!» Mas há também quem diga que sobreviveu e morreu sim soterrado um mês depois em Berlim quando milhares de cidadãos da então RDA experimentaram passar para o outro lado do Muro de Berlim).

Obviamente continua a acreditar-se que os ricos podem pagar a crise, que são suficientemente ricos para isso e que tudo correria no melhor dos mundos se o fizessem. (Num sinal inequívoco do nosso empobrecimento, os ricos já não são os Mellos nem os Champalimaud mas sim a Alemanha.) Afirmar o contrário e questionar a razoabilidade de tal procedimento implica no mínimo ficar-se candidato a um prémio por impopularidade e alienar boa parte das hipóteses de fazer carreira política.

Mas é sobretudo quando chegamos às questões em que os direitos e o dinheiro para os garantir se cruzam que se torna mais evidente que o imaginário e o discurso vigentes continuam no mesmo sítio em que a esquerda os colocou há décadas: questionar a sustentabilidade da segurança social é estar a favor do lobby disto ou daquilo. Defender a racionalidade nos gastos do SNS que, note-se, serão sempre crescentes, dado o envelhecimento da população e a evolução da ciência médica, leva quase a acusações de tentativa de homicídio: oficialmente cada um de nós deveria viver a escassos metros de hospitais com todas as especialidades onde nos farão sempre todos exames e mais algum sem esquecer o acesso a medicamentos inovadores. Perguntar quanto tempo poderemos continuar a afectar recursos ao SNS sem discutir que se têm de fazer escolhas é algo que levará à crucificação mediática de qualquer político.

No caso do arrendamento, proteger os inquilinos é sinónimo não da existência no mercado livre de casas para arrendar mas sim de congelamento de rendas para os actuais inquilinos. Não importa que esta política tenha tido os desastrosos resultados de todos conhecidos: prédios de aluguer a cair no centro das cidades e periferias cheias de jovens endividados para comprar casa. Menos importa que inúmeros comércios pagassem rendas irrisórias em locais privilegiados. O que importa é repetir expressões como «proteger os inquilinos» e dizer que a loja A e o café B não podem desaparecer.

Considerar que o contribuinte não pode ser obrigado a pagar os concertos mais as performances que não sei quantos artistas querem fazer por esse país fora é estar a atacar a cultura. Mesmo afirmar o óbvio como fez Isabel Jonet quando declarou: «Pior inimigo dos desempregados são as redes sociais», «as pessoas ficam dias e dias inteiros agarradas ao Facebook, a jogos e a amigos que não existem e vivem uma vida que é uma total ilusão» leva a que logo os jornais escrevam «Isabel Jonet critica desempregados que passam o tempo agarrados ao Facebook». Escassos minutos depois já as tricoteuses do twitter e do facebook, que da luta contra a pobreza e a fome nada sabem, soltam as fúrias.

Podia continuar a dar exemplos mas na verdade eles levam-nos invariavelmente ao mesmo sítio: um país em que o poder é naturalmente de esquerda e em que a não esquerda tem a função de como oposição mostrar que a esquerda é democrática. Note-se que em Portugal ninguém se diz de direita. Logo aquilo que temos é uma definição do espaço político sobrante não por aquilo que é mas sim por não ser de esquerda, atitude que per si é vista como uma espécie de pecado original. Não admira portanto que ao não se ser de esquerda imediatamente se acabe classificado como fascista, capitalista, reacionário, neo-liberal… Afinal, da inteligência à honestidade., passando pela cultura e pela solidariedade, existe uma escala que coloca essas qualidades no topo à esquerda. Quanto mais para a direita se caminha mais ignorante e insensível se é. Se por acaso tal não sucede isso é a excepção que confirma esta regra.

O problema da não esquerda em Portugal é que não tem nome, não tem discurso, não marca a agenda e lá no fundo, no dia em que as contas o permitirem, gostava mesmo era de ser socialista.





domingo, 5 de outubro de 2014


Onde já vai no Brasil o «Aborto Hortográfico»

Jabuticaba no Senado



Ana Maria Machado

Não faz muito tempo, você comprou uma torradeira e, em casa, não conseguiu ligá-la. A legislação agora exige três pitocos nos plugues dos novos aparelhos, que não servem mais nos dois buracos da tomada de sempre. Foi preciso comprar um adaptador. Uma chatice, mas mais seguro. Progresso tecnológico. É para o bem de todos, o governo sabe o que faz. Mesmo quando o novo padrão é tão original quanto jabuticaba, que só tem no Brasil. Não serve para qualquer aparelho importado que por acaso você tivesse. E tome adaptador. Você acabou chamando um eletricista e trocando todas as tomadas da parede. Ufa!

Pois aí vem nova surpresa. Você nem imagina o que o Senado anda debatendo a sério, considerando a hipótese de mudar geral. Sem ao menos reparar no ridículo da esquisitice. Se for aprovado, vira lei. Só que, desta vez, não vai haver eletricista que dê jeito. Discute-se uma reforma ortográfica brasileira. Brasileiríssima, que nem jabuticaba. Ainda que sem as delícias da fruta.

«Mas não fizeram uma reforma ainda outro dia? Para que outra?», talvez você pergunte. Vamos esclarecer. O que se fez há pouco tempo (aliás, num processo que ainda não se encerrou) foi um acordo ortográfico entre países de língua portuguesa. Não uma reforma. O objetivo foi que se escreva da mesma maneira o português falado em qualquer parte do mundo. Assim, passa-se a ter um padrão unificado em documentos internacionais que se queira redigir no idioma. E os leitores de todos os países lusófonos passam a se acostumar com a grafia única, que nos permitirá ler livros uns dos outros com menos estranheza (já bastam as do próprio vocabulário, por vezes tão diferente).

Precedido por outros acordos e protocolos em busca desse entendimento, o processo foi amplamente discutido durante 18 anos, em negociações entre filólogos e instituições responsáveis. Venceu impasses e divergências de todo tipo. Foi aprovado pelo legislativo dos países interessados. Foi assinado e promulgado pelos presidentes do Brasil e de Portugal em 2008. Entrou em vigor em janeiro de 2009, com prazo de adaptação estendido no Brasil até dezembro de 2012. Em Portugal, até 2016.

Sabe-se lá por que (ou por quem), na semana antes de terminar nosso prazo oficial, entre o Natal e o Ano Novo de 2012, a presidente Dilma resolveu prorrogá-lo. Não chegou a fazer nenhuma diferença prática. No Brasil, como já estávamos fazendo, continuamos todos usando a ortografia que segue o acordo — é como se escreve neste jornal e nos livros publicados no país e como se ensina nas escolas. Todo mundo entende. A experiência poderá, eventualmente, revelar a necessidade de pequenos ajustes. Mas não é disso que se trata agora.

A jabuticaba que está na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado é outra. É uma proposta de reforma ortográfica, para que se passe a escrever como se fala, «para simplificar e aperfeiçoar a ortografia», de modo a facilitar a alfabetização. Sem letras que não se pronunciam e sem duplicidade de grafia para o mesmo som. A justificativa populista é ajudar as crianças, ensinando-as a escrever, por exemplo, «O omen xora porqe qer caza para abitar» (sic).

Nem vale discutir os detalhes dessa ideia estapafúrdia. Questiona-se é a premissa, em nome de uma pretensa inclusão social.

Nada disso é necessário. O linguista Marcos Bagno lembra que as línguas mais faladas e escritas internacionalmente (como o inglês e o francês) têm ortografias complicadas e nem por isso deixaram de se difundir. Não precisaram de jabuticabas simplificadoras. Será que as crianças deles são mais capazes que as nossas?

O filólogo e acadêmico Evanildo Bechara insta a CE do Senado a não levar adiante a proposta de «simplificação», um equívoco talvez baseado em «amnésia ou ignorância». A professora Marília Ferreira, presidente da Associação Brasileira de Linguística, encaminhou aos senadores documento em que sublinha que o que dificulta o processo de alfabetização de crianças oriundas de segmentos sociais de pouca familiaridade e contato com a língua escrita não é a ortografia. É a falta de uma experiência letradora significativa anterior e paralela ao processo escolar.

Há casos em que essa vivência falta também a muitos professores, lembro eu. Sinal de melhora: gente vinda de um ambiente iletrado está chegando à alfabetização nas últimas décadas. Algo a se celebrar. Mas também sinal de alerta: a formação de nossos professores precisa ser de melhor nível, capaz de incorporar alternativas pedagógicas mais eficientes, de corrigir eventual falta de intimidade com a cultura escrita e de compensar desigualdades de origem. Precisa capacitá-los a alfabetizar.

Tomara que o Senado consiga perceber isso. Mais clareza nas prioridades, gente. O remédio é qualidade na educação. Não é jabuticaba.


Ana Maria Machado é escritora.
Originalmente publicado no Globo em 20 de Setembro de 2014.





terça-feira, 30 de setembro de 2014


«A Plan for the Improvement of English Spelling»


A Plan for the Improvement of English Spelling by Mark Twain or M. J.Shields

For example, in Year 1 that useless letter «c» would be dropped to be replased either by «k» or «s», and likewise «x» would no longer be part of the alphabet. The only kase in which «c» would be retained would be the «ch» formation, which will be dealt with later.

Year 2 might reform «w» spelling, so that «which» and «one would take the same konsonant, wile

Year 3 might well abolish «y» replasing it with «i» and Iear 4 might fiks the «g/j» anomali wonse and for all. Jenerally, then, the improvement would kontinue iear bai iear with Iear 5 doing awai with useless double konsonants, and Iears 6-12 or so modifaiing vowlz and the rimeining voist and unvoist konsonants.

Bai Iear 15 or sou, it wud fainali bi posibl tu meik ius ov thi ridandant letez «c», «y» and «x» — bai now jast a memori in the maindz ov ould doderez — tu riplais «ch», «sh», and «th» rispektivli.

Fainali, xen, aafte sam 20 iers ov orxogrefkl riform, wi wud hev a lojikl, kohirnt speling in ius xrewawt xe Ingliy-spiking werld.

Mark Twain (1), 1835-1910

«The heart of our trouble is with our foolish alphabet.
It doesn't know how to spell and can't be taught.» – Mark Twain

[Transcrição (e imagem de ecrã) de «The I18n Guy web site», página A Plan for the Improvement of English Spelling by Mark Twain or M. J. Shields.]

(1) – Não existem provas irrefutáveis de que este texto seja mesmo da autoria de Mark Twain. Outras citações do mesmo referem M. J. Yilz como autor, em carta ao jornal «The Economist» (1971).



[Uma adaptação possível]


Plano para melhorar o sistema ortográfico do Português

Por exemplo, no 1.º ano, essa letra inútil que é o «C» akabava e seria substituída ou pelo «K» ou pelo «S», da mesma forma que o «X» deixaria de fazer parte do alfabeto. O úniko kaso em que «C» se manteria seria na forma «CH», a qual se eliminaria também mais tarde.

No 2.º ano poder-se-ia reformar a letra «U», por forma a que «quem» e «um» fikassem kom a mesma konsoante, enquanto no 3.º ano também se poderia abolir o «U», trokando-o por «O»,

e no 4.º ano já se poderia akabar kom a konfozão entre «G» e «J» de oma vez por todas. De forma jeral, por konseginte, teríamos então melhorias kontínoas, ano após ano,

e xegaríamos ao 5.º ano já sem a xatise das konsoantes doplas, até qe nos anos 6 a 12, o asim, já poderíamos finalmente akabar kom o oso das restantes vogais e konsoantes sonoras e modas.

Aí pelo désimo qinto ano seria finalmente posível pasar a otilizar as letras redondantes «C», «L» e «N» — nesa altora já oma simples recordasã dos velos do Restel — em sobstitoiçã de «CH», «LH» e «NH», respektivamente. Por fim, segados ao term de 20 ans de reform.





segunda-feira, 29 de setembro de 2014


Os laços de longa data

que unem Cavaco e Salgado


Tudo começou na década de 60, quando Ricardo Salgado foi aluno do professor Aníbal Cavaco Silva. Desde então, o actual Presidente da República e o ex-presidente do BES não mais voltaram a quebrar laços. Uma amizade que o jornal i detalha (10 de Setembro de 2014 – jornal i online) e que coloca dúvidas em relação ao conhecimento de Cavaco sobre a situação que o banco atravessou.


As críticas à actuação do Presidente da República em relação à crise do BES não têm fim à vista, mesmo depois da divisão do banco em dois. Ainda na noite passada, Augusto Santos Silva acusou o chefe de Estado de «sacudir a água do capote» no que a este assunto diz respeito, por alegar conhecer apenas o que lhe foi transmitido pelo Governo.

Mas a amizade entre Cavaco Silva e Ricardo Salgado, que esteve mais de 20 anos à frente da instituição bancária, é de longa data e não é segredo para ninguém.

O jornal i recua no tempo, na sua edição de (10 Setembro de  2014 – jornal i online), relembrando como tudo começou, na década de 60. Nessa altura, Cavaco Silva foi professor de Ricardo Salgado no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (actual ISEG).

Desde então, os dois nomes que os portugueses tão bem conhecem não mais perderam contacto. Entre encontros no estrangeiro e jantares privados, a relação entre ambos foi-se fortalecendo, com Ricardo Salgado a incentivar Cavaco Silva a concorrer às eleições presidenciais de 2006.

O banqueiro financiou, inclusivamente, a campanha em 22 482 euros, o limite máximo estipulado por lei. A família Espírito Santo foi, de resto, a que deu o maior contributo a nível de financiamento.

Quatro anos passados, Ricardo Salgado apoiou, mais uma vez, a recandidatura de Cavaco Silva a Belém, cadeira que este veio a reconquistar em 2011 e em que ainda hoje se mantém «sentado».

Os laços de amizade que unem os dois homens acentuam as dúvidas em relação ao conhecimento que o Presidente da República teria sobre a situação que o BES atravessava quando disse, em Julho, que o banco estava estável.


Conheça a história da relação entre Cavaco e Salgado


O Presidente da República tem sido criticado por ter dito em Julho que o banco estava estável. No domingo justificou que só pode saber do que se passa verdadeiramente no banco quando o governo ou as entidades oficiais lhe comunicam

O Presidente da República respondeu este fim de semana a quem o acusa de ter induzido em erro os pequenos investidores que compraram acções do BES poucos dias antes da decisão de recapitalização do banco. Cavaco Silva justificou que as suas declarações de Julho, dando conta que o BES estava estável, tinham por base a informação oficial de que dispunha e adiantou mesmo que espera ter sido avisado atempadamente pelo executivo de Passos Coelho e pelas entidades oficiais assim que houve conhecimento dos reais problemas do banco. Os canais de informação, porém, entre Cavaco e o universo Espírito Santo sempre existiram. Nesta última declaração, o chefe de Estado disse não ter «ministérios», «serviços de execução política», nem «serviços de fiscalização ou investigação» para conseguir informação além da que o executivo lhe disponibiliza. Mas desde há muitos anos que são conhecidas as ligações com a família Espírito Santo e a amizade com Ricardo Salgado.

O i foi recuperar o início de uma relação entre professor e aluno que começou na década de 60 e os encontros que mais tarde começaram a traçar uma maior proximidade: desde jantares privados a apoios financeiros à corrida a Belém de 2006.

A REUNIÃO DAVOS O mediático encontro de 1989 num hotel da Suíça foi um marco nas relações entre o banqueiro e o então primeiro-ministro, mas não o início. Salgado já havia sido aluno de Cavaco no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (actual ISEG) na década de 60. É, no entanto, naquela reunião que é comunicada por Salgado e Manuel Ricardo Espírito Santo a Cavaco Silva a intenção da família de retomar parte do império perdido. O chefe do executivo encontrava-se naquele país para estar presente no Fórum Mundial de Davos. Nos últimos 20 anos muita coisa tinha mudado e é ali – no bar do pequeno hotel encerrado para aquela reunião – que Cavaco fica a conhecer os planos da família Espírito Santo para o futuro próximo. Queriam regressar a Portugal com o objectivo de ganhar a privatização do Banco Espírito Santo Comercial de Lisboa – nacionalizados em 1975 – no âmbito da política de liberalização económica promovida pelos governos de Cavaco.

PRESSÃO PARA CANDIDATURA A BELÉM O retorno em força dos Espírito Santo ao país acontece dois anos depois da reunião no hotel da Suíça, ainda durante o executivo liderado por Cavaco Silva. Mas se até então as conversações poderiam não passar de meras formalidades, as dúvidas ficam desfeitas quando anos mais tarde, em 2004, Salgado convida Cavaco para um jantar na casa do Estoril, onde em Julho deste ano foi detido no âmbito da Operação Monte Branco.

Aníbal Cavaco Silva chegou com a sua mulher ao jantar onde além de Ricardo Salgado estava Durão Barroso – então primeiro-ministro –, Margarida Sousa Uva, Marcelo Rebelo de Sousa e Rita Amaral Cabral. Na altura o semanário «Expresso» adiantou que o convite tinha como objectivo «pressionar Cavaco a candidatar-se às eleições presidenciais [de 2006]». O banqueiro terá referido nesse encontro que a presença de Cavaco em Belém seria importante para o país, uma vez que se encontrava numa situação económico-financeira cada vez mais complicada.

A conversa privada rapidamente se tornara pública, uma vez que dentro do PSD havia movimentações para a corrida a Belém e alguns sectores do partido estavam preocupados com a possibilidade de Pedro Santana Lopes avançar.

Contactado então pelo «Expresso», Ricardo Salgado confirmou o encontro e admitiu a existência de uma relação de amizade: «[Tratou-se] de um jantar privado de casais que têm laços de amizade.»

MAIS QUE AMIZADE Mas o apoio à candidatura não se ficou pelas palavras dessa noite. Ricardo Salgado fez questão de, no ano seguinte, doar o máximo permitido por lei à candidatura de Cavaco – que entretanto já havia anunciado que estava na corrida a Belém. De acordo com o «Diário de Notícias», que consultou as contas das campanhas de 2006, a família Espírito Santo foi uma das grandes financiadoras do actual Presidente da República, tendo doado 104 928 euros – o que representa mais de 5% do total. Só Salgado doou 22 482 euros, o máximo então permitido por lei. O banqueiro foi mais longe que Oliveira Costa, então presidente do BPN, que apenas doou 15 mil euros.

Os apoios da banca a Cavaco não foram exclusivos da família de Ricardo Salgado, mas os dos Espírito Santo foram exclusivamente para Cavaco. Segundo o mesmo jornal, por exemplo, a candidatura de Mário Soares – ainda que tenha tido financiamento da banca – não recebeu qualquer donativo proveniente do universo Espírito Santo.

Ainda assim, no livro «O Último Banqueiro» é referido que Ricardo Salgado também terá incentivado Soares a concorrer contra o social-democrata. Apesar de haver mais apoios para uns que para outros, a obra refere que o objectivo do banqueiro era que o BES fosse «o banco de todos os regimes».

UMA RELAÇÃO QUE SE MANTEVE Apesar de  dizer várias vezes que o banco agradava a todas as cores políticas, a verdade é que Salgado volta a dar a mão a Cavaco em 2010. Num evento organizado pelo «Económico» o banqueiro defendeu a recandidatura: «O presidente Cavaco Silva é uma referência nacional. Acho que se deve recandidatar.» As contas das presidenciais de 2011 ainda aguardam publicação de acórdão, pelo que não são conhecidos os valores das doações.

Outros factos comprovam a proximidade entre o Presidente da República e os Espírito Santo. Um deles foi a compra do Pavilhão Atlântico pelo consórcio liderado por Luís Montez, o empresário de comunicação genro de Cavaco Silva, numa operação financiada pelo BES Investimento.


Cronologia

1989 Cavaco Silva, então primeiro-ministro, e Ricardo Salgado encontram-se na Suíça, juntamente com Manuel Ricardo Espírito Santo. Os membros da família Espírito Santo revelam que têm vontade de regressar ao país e assumir novamente a Tranquilidade e o Banco Espírito Santo.

2004 Um jantar na casa do Estoril de Ricardo Salgado juntava o primeiro-ministro Durão Barroso, Marcelo Rebelo de Sousa e Cavaco Silva. O «Expresso» noticiou que o encontro tinha a finalidade de mostrar apoio à candidatura de Cavaco nas eleições presidenciais de 2006.

2004 Cinco membros da família Espírito Santo doaram mais de 104 mil euros à Campanha de Cavaco. Segundo o «Diário de Notícias», a família Espírito Santo foi mesmo uma das grandes financiadoras, representando mais de 5% do total doado a Cavaco Silva. Salgado doou o máximo permitido, na altura, por lei: 22 482 euros.

2010 Ricardo Salgado pressiona Cavaco a recandidatar-se à presidência da República. E chega a dar a sua posição em público, num evento organizado pelo «Negócios»: «O Presidente Cavaco é uma referência nacional. Acho que se deve recandidatar». Cavaco respondeu, numa entrevista à RTP a partir de Luanda, dizendo que irá pensar em família nesse cenário.

2014 21 Julho – Durante uma viagem à Coreia do Sul, Cavaco acalma os ânimos e diz que o BES está estável. Adianta que a entidade bancária não é permeável aos problemas do Grupo Espírito Santo.

03 Agosto – É anunciada a recapitalização do Banco Espírito Santo e a sua divisão em dois bancos: um bom e um mau.

07 Setembro - Após criticas de que terá induzido investidores em erro ao dizer que o banco estava estável, Cavaco reage dizendo que as suas declarações tinham em conta as informações que lhe foram prestadas pelo executivo de Passo Coelho, bem como pelas entidades oficiais. Disse esperar que o Governo lhe tenha dado as informações assim que teve acesso às mesmas.





domingo, 28 de setembro de 2014


Onde estão as famílias?


Inês Teotónio Pereira, Jornal i, 27 de Setembro de 2014

O problema da família, a fatalíssima crise da família, é só um: a família eclipsou-se. Não é tida nem achada em tema nenhum

Quando se fala de crianças, de educação ou de idosos, o link automático direcciona-nos para o Estado ou para a escola. A família é raramente mencionada. Diz-se que a família, tal como os valores, está em crise. Diz-se que a família é um conceito dinâmico, e de tal forma dinâmico que até já se criou uma nova espécie, as novas famílias – como se não fosse tudo a mesmíssima coisa. Diz-se que é o Estado que deve educar as crianças através de programas curriculares herméticos, fechados e idênticos para todas as elas no conteúdo, na forma e no tempo. O Estado é a nossa grande família. Ao Estado cabe proteger os avós, educar as crianças, empregar os pais, integrar os imigrantes, travar os emigrantes, garantir a igualdade das mulheres, inverter da curva da natalidade e até melhorar os rankings internacionais do sucesso escolar. Às famílias cabe votar e pagar impostos.



Ler mais em: http://www.uniaodasfamiliasportuguesas.blogspot.pt/2014/09/onde-estao-as-familias.html





sexta-feira, 26 de setembro de 2014


Nunes da Silva sobre as PPP:

«Transferência do risco para o Estado

é uma das maiores vigarices»


(Lusa)

O professor do Instituto Superior Técnico Nunes da Silva afirmou hoje que a transferência do risco de tráfego das concessões rodoviárias para o parceiro público em troca da disponibilidade das infraestruturas é uma «das maiores vigarices» que já viu.

«A passagem do risco do tráfego para o ente público em troca da disponibilidade é uma das maiores vigarices que eu já vi na minha vida», afirmou o professor universitário e vereador da Câmara Municipal de Lisboa, que está a ser ouvido na comissão de inquérito às parcerias público-privadas (PPP) rodoviárias e ferroviárias.

A remuneração das concessionárias em função da disponibilidade, em vez do critério baseado no tráfego, é uma transformação que foi concretizada, a título de exemplo, nas renegociações das antigas SCUT (vias sem custos para o utilizador) aquando da introdução de portagens.

Com esta alteração, o risco de tráfego passa para o concedente, que passa a pagar o volume de tráfego previsto no cenário base inicial – que, na maioria das vezes, é superior ao tráfego real – na forma de pagamentos por disponibilidade da infraestrutura.


Fernando Nunes da Silva disse, em resposta ao deputado do CDS-PP Hélder Amaral, que, nos últimos anos, «as PPP foram transformadas na maior transferência de dinheiro público para a banca, através de um intermediário que são as empresas de obras públicas».

Fernando Nunes da Silva criticou ainda a forma como são feitos os estudos de tráfego, afirmando que são contratados «gabinetes de estudos que se sabia, à partida, que respondiam àquilo que era pedido».

O professor do Instituto Superior Técnico (IST) afirmou mesmo que «há estudos de tráfego que são encomendados depois de a decisão estar tomada» e condenou a definição de limites para a realização de estudos.

A este propósito deu como exemplo o despacho do antigo ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações Mário Lino que atribuiu ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) a missão de estudar as alternativas para a localização da terceira travessia do Tejo, um projecto actualmente suspenso.

«É evidente que quando [o antigo ministro] diz ao LNEC exactamente os termos do que deve estudar, deixando de fora qualquer tipo de comparação possível», limita o âmbito da análise, afirmou Nunes da Silva, sublinhando a importância de o «ente público ter vontade de conhecer a realidade».

O professor universitário rejeitou, no entanto, que as PPP tenham «em si próprias um pecado mortal, original», desde que seja cumprido um conjunto de pressupostos, que inclui a «boa-fé nas negociações» e a comparação com a solução em que o Estado é o contratante da obra pública.

«Como em qualquer contrato, [nas PPP] é preciso saber se ambas as pessoas estão de boa-fé e tem de haver honestidade política», defendeu, acrescentando que, «muitas vezes, nem é preciso ter uma grande capacidade técnica, basta apenas não roubar e não deixar roubar».





domingo, 21 de setembro de 2014


Moedas na Europa







quinta-feira, 18 de setembro de 2014


Há, mas são verdes


António Costa

As mudanças na política fiscal parecem ser, agora, a chave para todos os problemas do País.

A uma necessidade, surge uma comissão que propõe alterações fiscais, mais impostos e mais taxas, muitas vezes sem a necessária visão global do que deve ser um objectivo de redução de impostos. Desta vez, é a «fiscalidade verde», uma expressão que esconde uma falácia. Há, mas são verdes?

A comissão da fiscalidade apresentou uma proposta de reforma de impostos com incidência ambiental que mais não é do que a criação de incentivos para sermos ambientalmente responsáveis. Como se sabe que não seremos assim tanto, passou-se rapidamente a criar taxas e impostos sobre tudo e mais alguma coisa, em concreto 59 novas taxas, desde as que recaem sobre os sacos de plástico à constituição de uma taxa de carbono, para tornar mais cara a utilização de automóveis, por exemplo.

Sabemos a importância dos incentivos, e alguns são pertinentes. Jorge Moreira da Silva percebeu o filão político que tinha entre mãos e, no fundo, assume o trabalho da comissão como seu, dá-o como proposta do Governo. Promete a neutralidade fiscal – já veremos de que forma – e acredita que os impostos verdes são socialmente bem aceites. Mas há um equívoco, por serem verdes, leia-se politicamente relevantes, não são melhores, continuam a ser impostos, e não são necessariamente mais justos do que os impostos que pagamos, por exemplo, para garantir uma escola pública ou uma saúde pública.

Em primeiro lugar, criou-se a ideia de que a política fiscal é a resposta para tudo. Não é, sobretudo quando corresponde a mais impostos. Para promover a natalidade, venham incentivos fiscais para os pais que prometem procriar. Para a fiscalidade verde, venham mais taxas que ponham os consumidores na ordem. Fica um exemplo: o que contribui mais para o uso do transporte público? Uma dedução fiscal no passe ou transportes a horas?

Em segundo lugar, esta é uma reforma necessária que surge no tempo errado. Portugal tem um nível de carga fiscal elevado, demasiado elevado, e a prometida neutralidade não chega. De que forma nos é prometida esta neutralidade? Parte resultaria da redução da sobretaxa de 3,5% em sede de IRS. Portanto, o que nos estão a dizer é que querem substituir um imposto excepcional e transitório por uma taxa definitiva. Não, obrigado.

Quando o Governo garantir um corte efectivo da despesa – este ou outro – estarei disponível para discutir novos aumentos de impostos. Agora, não chega o «há, mas são verdes».





segunda-feira, 15 de setembro de 2014


Olá, Curdistão


Daniel Pipes

Antes de dar as boas vindas ao surgimento do estado do Curdistão no Norte do Iraque, confesso ter-me oposto, no passado, à sua independência.

Em 1991, após o fim da guerra do Kuwait, quando Saddam Hussein atacou seis milhões de curdos no Iraque, apresentei três argumentos contra a intervenção americana em favor dos curdos, ainda correntemente ouvidos hoje em dia:

1 – A independência poderia significar o fim do Iraque como estado.

2 – Poderia incentivar agitação curda na Síria, Turquia e Irão, levando à desestabilização e a conflitos de fronteira.

3 – Provocar a perseguição de não-curdos, causando «enormes e sangrentas migrações populacionais».

Mapa mostrando o Governo Regional do Curdistão,
com a recente conquistada província de Kirkuk, em verde.

As três hipóteses estavam totalmente erradas. Dado o péssimo histórico do desempenho tanto na política interna quanto externa, o fim de um Iraque unificado promete certo alívio, assim como também as agitações curdas em países vizinhos. A Síria conta com fracturas em três componentes étnicos e sectários: curdos, árabes sunitas e árabes xiitas, que prometem benefícios a longo prazo. A separação curda da Turquia impede, de forma positiva, as impulsivas ambições do já presidente Recep Tayyip Erdoğan. De forma semelhante, a fuga dos curdos do Irão, ajuda a diminuir esse super agressivo mini-império. Longe dos não-curdos abandonarem o Curdistão iraquiano, como eu temia, está acontecendo justamente o contrário: centenas de milhares de refugiados estão invadindo o Curdistão, a partir do resto do Iraque, a fim de se beneficiarem da segurança no Curdistão, tolerância e oportunidades.

Posso explicar esses erros: Em 1991, ninguém podia imaginar que um governo autónomo no Iraque ia prosperar desta maneira. O Governo Regional do Curdistão (GRC), criado no ano seguinte, pode ser chamado (com um pequeno exagero) de Suíça do Médio Oriente muçulmano. A sua população, armada, orientada para o comércio, almeja ser deixada em paz e prosperar.

Também não era possível saber em 1991 que o exército curdo, peshmerga, iria consolidar-se como uma força competente e disciplinada, que o GRC iria rejeitar os métodos terroristas então notoriamente usados pelos curdos na Turquia, que a economia iria gozar de um boom, que as duas famílias políticas mais importantes dos curdos, os Talabanis e os Barzanis, iriam aprender a coexistir, que o GRC usaria de diplomacia responsável, que a sua liderança assinaria acordos de comércio internacionais, que dez instituições de ensino superior seriam criadas e que a cultura curda iria florescer.

Mas tudo isso aconteceu. Segundo a estudiosa israelense Ofra Bengio, «O Curdistão autónomo demonstrou ser a região mais estável, próspera, pacífica e democrática do Iraque».

Erbil, a capital do Curdistão iraquiano está florescendo.

Qual é o próximo passo no projecto do GRC?

1.º – Após perdas significativas para o Estado Islâmico, é o de reciclar e rearmar o peshmerga e aliar-se tacticamente com ex-adversários, com o governo central iraquiano e com os curdos turcos, passos que terão implicações positivas para o futuro do Curdistão.

2.º – A liderança do GRC assinalou a intenção de realizar um plebiscito sobre a independência, que assume correctamente, irá gerar um tremendo apoio popular. A diplomacia, no entanto, ainda não acertou o passo. O governo central iraquiano, é claro, opõe-se a isso, o mesmo acontecendo com as grandes potências, reflectindo a habitual cautela e preocupação em relação à estabilidade. (Lembre-se do «discurso do Erro Colossal de Kiev» de George H. W. Bush em 1991).

Entretanto, dado o histórico de alto nível do GRC, as potências externas deveriam estimular a sua independência. Os média pró-governamental na Turquia já apoia. O vice-presidente dos EUA Joe Biden poderá basear-se no seu plano de 2006 sugerindo «oferecer a cada grupo étnico/religioso, curdo, árabe sunita e árabe xiita, espaço para gerir os seus próprios negócios, deixando o governo central encarregado de gerir os interesses comuns».

3.º – Já pensou se os curdos iraquianos juntassem forças nas três fronteiras, como já fizeram outras vezes, e formassem um Curdistão único com uma população de cerca de 30 milhões de habitantes e porventura um corredor para o Mar Mediterrâneo? Um dos maiores grupos étnicos do mundo sem um país (uma reivindicação controversa: como por exemplo, os Kannadiga da Índia), os curdos perderam a oportunidade quando dos acordos pós Primeira Guerra Mundial porque não tinham o requisito de ter intelectuais e políticos.

Cada mapa dos povos curdos difere um do outro.
Este mostra uma estimativa da sua extensão geográfica,
incluindo um corredor para o Mar Mediterrâneo.

O surgimento agora de um estado curdo irá alterar profundamente a região, incluindo simultaneamente um país novo de tamanho considerável, desmembrando parcialmente os quatro vizinhos. Uma perspectiva dessas deixaria consternada a maior parte do mundo. Porém o Médio Oriente, ainda preso pelo desprezível acordo Sykes-Picot secretamente negociado pelas potências europeias em 1916, bem que precisa de um salutar abanão.

Visto dessa perspectiva, o surgimento de um estado curdo faz parte da desestabilização em toda a região, perigosa, porém necessária, que começou na Tunísia em Dezembro de 2010. Assim sendo, ofereço as boas-vindas, de coração, às suas quatro partes em potencial, para que se juntem rapidamente a fim de formarem um único Curdistão unido.