segunda-feira, 20 de junho de 2011

Portugal precisa de Forças Armadas?

João José Brandão Ferreira       

        Com este título publicou o Coronel David Martelo um extenso e bem articulado artigo, onde analisa a importância das Forças Armadas (FAs) e o modo como são vistas pela Nação, em contraste com a falta de defesa institucional por parte dos órgãos de soberania e demais forças políticas e os maus tratos que, de um modo geral, recebe de comentadores e jornalistas que pontificam nos "média".
        Escusado seria dizer que o Coronel Martelo tem toda a razão nas explanações que fez. Falta porém perceber e apontar as razões que levaram e levam, a esta inacreditável e irresponsável falta de sintonia entre responsáveis políticos ­ que se repercute para a opinião pública ­ e a Instituição Militar (IM) que, aliás, está acima dos políticos e para além dos políticos, pois é, ela própria, uma emanação da Nação. Os políticos passam, vão e vêm, a IM está e fica.
        É sobre estes pontos que nos iremos debruçar, certamente com menor elegância do que o meu camarada Cor. Martelo, neste escrito. Sem embargo, com alguma acutilância.

                  "Mas, senhor ministro, eu entendo que o meu dever como
                   soldado que me orgulho de ser, consiste precisamente em
                   dizer o que penso, para que ao derrocar-se esta
                   nacionalidade se não diga que tendo uma oportunidade de
                   chamar a atenção do governo para a miséria militar da
                   Nação, eu a deixe escapar por comodismo ou cobardia".
                   General Gomes da Costa, no discurso de tomada de posse
                   do Ministro da Guerra, General Vieira da Rocha, em 15 de
                   Agosto de 1925.

Ler o texto completo aqui.

domingo, 19 de junho de 2011

Uma cultura de intoxicação


Manuel Pinto Coelho*, Público 2011-06-18


Não se duvide de que a indiferença generalizada perante a escalada do uso e abuso de drogas nos torna parte do problema

A toxicodependência é um fenómeno que tem vindo a alastrar e Portugal não foge à regra. Em algumas décadas, passou-se de um problema de "apenas alguns" para um fenómeno de massas, que afecta particularmente os jovens, ceifando sem piedade no seu infernal percurso de morte inúmeras vidas e esperanças.

As sociedades têm vindo a apostar, inconscientemente, no seu próprio embrutecimento. O nivelamento por baixo, a degradação dos padrões de qualidade têm levado, gradualmente, a uma frustrante cultura de desistência, disfarçada "aqui e ali" através de uma política mal conduzida de redução de danos e solidariedade distorcida.

Hoje em dia, crianças e adolescentes, cada vez mais cedo, vêm trivializando o uso de drogas em casa, no bar, na rua ou na escola, à vista dos familiares e educadores que, incrédulos, cada vez mais se vêm sentindo impotentes para obstaculizar o seu uso e abuso.

Nos dias de hoje, no nosso país, tem-se vindo a assistir a uma absurda narcotização colectiva, a uma verdadeira cultura de intoxicação pública e da opinião publicada - a classe política bem como a comunicação social, por não se sentirem confortáveis para falar do assunto ou por desconhecimento de causa, há muito que se demitiram das suas responsabilidades - que aceita sem pudor que as drogas vieram para ficar e que não resta outra solução senão acomodarmo-nos a elas.

Faz confusão a instalação de um clima de aceitação do inaceitável, a crescente tolerância social ao consumo de drogas, legais ou ilegais, uma verdadeira eutanásia, irracionalmente consentida, por quem nos deveria governar.

Não deixa de ser bizarro que, por um lado, se condene a aplicação da pena de morte e, por outro, se feche os olhos ao consumo de substâncias psicoactivas que não fazem mais que condenar em vida quem delas depende.

Não deixa de ser bizarro que se concorde com a fiscalização e controlo das armas e que se seja cada vez mais permissivo com a fiscalização e controle das drogas: "As autoridades deixaram de se preocupar com o pequeno tráfico e agora concentram esforços no grande. Deixámos de apreender gramas ou quilos, para passarmos a apreender toneladas" (Presidente do IDT, in jornal Expresso de 4/12/10).

Como é possível aceitar que o toxicodependente se suicide com doses diárias homeopáticas até morrer, simplesmente porque há quem pense que cada qual é livre de o fazer ou não?!

Sabendo-se que o dependente de drogas provoca dano a si próprio e aos que o rodeiam, como é possível que no nosso país, por razões humanitárias..., como vem expresso na Estratégia Nacional de Luta contra a Droga, seja dado a cada um o livre arbítrio de usar droga ou não - qualquer que ela seja, até 10 dias de uso ninguém tem nada a ver com isso... - e se continue a ignorar que, como dizia o pai do liberalismo moderno, John Stuart Mill (1806-1873), "a única situação que pode justificar que a coacção seja aceitavelmente exercida sobre qualquer membro de uma comunidade civilizada, contra a sua vontade, é quando se trata de prevenir o dano de outros" (On Liberty, 1959)?

Ao contrário dos nossos últimos Governos, é nossa opinião que todos aqueles que se continuam a drogar e não procuram tratamento deveriam ser penalizados através de coimas, eventualmente denominadas de "sociais", que poderiam incluir, por exemplo, inibição da licença de condução, inibição de crédito bancário, não-atribuição do subsídio de desemprego ou de outros subsídios sociais como o rendimento social de inserção.

Não se duvide de que a indiferença generalizada perante a escalada do uso e abuso de drogas nos torna parte do problema. Pelo contrário, o apoio e a preocupação com as pessoas que lutam com este tipo de problemas e os esforços para as conduzir para ambientes que as excluam são, e há-de ser, sempre uma questão de consciência, responsabilidade moral e solidariedade humana.

* Presidente da APLD - Associação para um Portugal Livre de Drogas























«Dr. Passos, não pague ao dr. Jorge Coelho»

Henrique Raposo, Expresso

Caro primeiro-ministro,

V. Ex.a deve evitar -- para já -- a reestruturação da dívida. Isso é a bandeira branca. Ora, para evitarmos chegar a esse ponto, para evitarmos atingir essa tragédia grega, V. Ex.a devia, isso sim, reestruturar a dívida que o Estado tem com as construtoras e concessionárias.
Ou seja, o meu caro amigo não pode pagar tudo aquilo que foi prometido à Mota-Engil & Cia. A despesa que a dupla Sócrates & Lino nos legou em termos de PPP é um ultraje que não pode ficar impune. Portanto, V. Exa. tem de dizer o seguinte ao dr. Jorge Coelho e demais homens do alcatrão: “amiguinhos, não temos dinheiro para pagar estas PPP e essas SCUT por inteiro”. O Tribunal de Contas afirmou que a última negociata das SCUT não tem fundamento legal. Mas, antes de ser um caso de polícia, este negócio é um caso, digamos, de bolso vazio: não há dinheiro.
Nós não podemos pagar isto tudo. Não é uma questão de opinião: é um facto matemático e fiscal. Como dizia Medina Carreira, o país vai ter de escolher: ou pagamos a saúde, ou pagamos as PPP e SCUT; ou aguentamos a saúde em níveis decentes, ou continuamos a alimentar o fetiche socialista pelo betão e alcatrão.

Os melhores cumprimentos,

um contribuinte idiota (e peço desculpa pelo pleonasmo)