quinta-feira, 28 de agosto de 2014


Os condescendentes


Helena Matos

Centenas de jovens afluíram ao Centro Comercial Vasco da Gama, em Lisboa, numa acção convocada através do facebook.

O objectivo seria manifestarem-se contra o racismo.

Geraram-se confrontos entre grupos rivais de jovens.

Algumas lojas fecharam com receio de desacatos.

A PSP foi chamada.

Dois jovens foram acusados de resistência e coação a agente de autoridade.

Duas raparigas foram acusadas de posse de arma branca utilizada durante o roubo de um telemóvel e uns óculos a uma menor.

Um rapaz de 15 anos sofreu ferimentos provocados por uma chave de fendas.

Cinco agentes ficaram feridos.

Tendo em conta a juventude dos intervenientes, a presença da polícia (que, note-se, acabou com cinco agentes feridos) deve ser agradecida por todos, a começar pelas famílias dos jovens, pois nestas idades a distância entre um desacato e uma tragédia é uma linha finíssima. Mas há um problema: os jovens seriam maioritariamente negros e aí o desacato deixa de ser um desacato e torna-se um problema racial. Os polícias deixam de ser forças da ordem e tornam-se agentes da opressão. Os lojistas deixam de sofrer prejuízos e passam a símbolos da intolerância. Os jovens deixam de ser jovens em idade parva e com propensão para o disparate como são todos os jovens daquela idade para se tornarem em vítimas da discriminação e, por fim mas não por último, os jornalistas redigem as notícias sobre os factos com pinças não venha de lá a acusação de racismo. Por último vem como não podia deixar de ser o comunicado da associação que diz lutar contra o racismo. No caso a SOS Racismo.

O comunicado a denunciar o racismo é hoje uma peça incontornável. Segundo os jornais os acontecimentos do Vasco da Gama valeram a seguinte apreciação ao SOS Racismo: «São inúmeras as situações de aglomerados de jovens por todo o país, em particular em período de férias de Verão, são vários os furtos em espaços públicos e muitas as discussões e altercações que não ocasionam nunca nenhuma intervenção policial tão violenta como aquela ocorrida no Centro Comercial Vasco da Gama. E portanto, a única diferença deste caso residiu na cor da pele dos jovens que ali se encontravam.» Não sei onde viu em Portugal o SOS Racismo as inúmeras situações em que centenas de jovens confluem para um mesmo local, se envolvem em confrontos, alguns com armas brancas – saberão que uma chave de fendas pode matar? – e praticam furtos até que cansaditos desistem. Mas o que posso garantir é que qualquer pai ou mãe ao saber que os seus filhos estão envolvidos numa situação dessas espera que a polícia chegue a tempo de evitar o pior.

Mas o SOS Racismo vai mais longe e pergunta ainda «O que leva a PSP a impedir a mobilidade de jovens e a utilizar a força, só por serem negros?» E com esta pergunta chegamos ao cerne da questão: por eles serem negros a intervenção foi diferente ou deveria ter sido diferente? O que me parece que está subjacente a esta denúncia de racismo é na verdade uma reivindicação de racismo sob a forma de uma tolerância condescendente. Aliás se os envolvidos não fossem negros provavelmente estaríamos a discutir como foi possível que a PSP deixasse que um jovem fosse agredido com uma chave de fendas ou como é que as famílias não os conseguiram impedir de tais comportamentos. Muito menos alguém perante desacatos provocados por grupos de brancos ou de asiáticos se indignaria com o facto de a polícia procurar controlar as movimentações de jovens brancos ou asiáticos pois sendo brancos ou asiáticos os envolvidos dirigir-se a outros grupos seria uma absurda perda de tempo.

Mas como são negros não se discute nada disso. E espera-se de facto que os factos sejam olhados com uma condescendência que não é mais que racismo encapotado.

Esta condescendência é profundamente nociva pois na verdade ela fomenta a segregação. Ao contrário de muitas das pessoas que vivem exaltadas a denunciar discriminações e se indignam quando se pede que a polícia intervenha perante este tipo de comportamentos, utilizo os transportes públicos e matriculei os meus filhos em escolas públicas. Vi e vejo serem toleradas atitudes erradas, agressivas e ofensivas simplesmente porque são praticadas por ciganos, negros ou aquilo que em França se vai conhecendo como «les petis blancs». Vi e vejo as pessoas a mudarem de lugar no autocarro, a mudarem os filhos de escola, a deixarem de ir a uma determinada praia… Nunca se interrogaram porque são negros os seguranças dos supermercados nos bairros da periferia? Porque a eles ninguém os acusa de racismo quando proíbem um determinado cliente de entrar ou lhe pedem para abrir o saco antes de sair.

Sacrificado o serviço militar obrigatório no altar do alegado pacifismo, escaqueirada a escola pública em nome da pedagogia, não sobram além dos estádios de futebol e de alguns centros comerciais muitos espaços onde os filhos dos portugueses se cruzem independentemente da sua origem social e étnica.

O fim do marxismo levou a uma substituição das questões de classe pelos assuntos identitários. E assim, onde antigamente estava a luta de classes estão agora as comunidades. E tal como há quarenta anos os filhos da burguesia gritavam contra a sociedade de classes e as universidades se enchiam de estudos sobre a relação entre o marxismo e a linguística, o marxismo e a filosofia, o marxismo e a história, agora outros, nascidos em berço igualmente acomodado, estudam as questões de identidade das diferentes comunidades que paulatinamente substituíram a noção de classes. Em torno da luta contra a exclusão real e imaginada de cada uma das várias comunidades em que a sociedade está fraccionada foi criado todo um imaginário, uma linguagem, um acervo de teses, congressos, seminários, estudos, observatórios e um mundo de activismos.

A abordagem a cada comunidade varia no conteúdo mas nunca na forma: a comunidade é identificada enquanto tal sempre que é vítima, os seus comportamentos mais excêntricos ou mesmos contrários às leis do país – veja-se o caso dos direitos das mulheres entre os muçulmanos ou a expressão do ódio racial entre algumas dessas comunidades – são tidos como naturais ou uma reacção aos dominadores. Os actos condenáveis ou criminosos de alguns dos membros da comunidade são apagados. E assim chegamos ao paradoxo de os mesmos jornais que denunciam os problemas das famílias ciganas no acesso à habitação omitirem a condição cigana de alguns dos envolvidos na exploração de alcoólicos e doentes mentais. Se isto não é racismo o que é racismo? Aliás não me recordo que as associações que lutam contra o racismo tenham denunciado a presença de famílias ciganas na captação de mão-de-obra escrava para o sector agrícola em Espanha. Mas nunca é tarde para se fazer o primeiro comunicado.

Fechar os olhos perante incidentes como aqueles que tiveram lugar no Vasco da Gama pode levar a que se acentue ainda mais a clivagem entre os portugueses que se vêem como habitantes do seu país e aqueles que são apresentados como membros das comunidades. A condescendência que alguns tendem a confundir com a tolerância mas que não passa de uma banalização do desprezo é nesta matéria uma péssima companhia.





domingo, 24 de agosto de 2014


Deputado do PSD defende que justiça deve dar explicações

por Sócrates nunca ter sido julgado


Luís Claro

Duarte Marques diz que «ex-primeiro-ministro não tem vergonha na cara» por exigir explicações à justiça sobre detenção de Ricardo Salgado. «A justiça devia dar explicações, mas sobre o facto de nunca o ter prendido a ele», escreve ex-líder da JSD

O deputado do PSD Duarte Marques defende, num texto no Facebook, que a justiça deve dar explicações sobre o facto de «nunca ter prendido» o ex-primeiro-ministro, José Sócrates. O texto do ex-líder da JSD surge na sequência das declarações de Sócrates, na RTP, sobre o caso BES. O socialista defendeu que «a justiça ganhava em explicar-nos a todos porque deteve Salgado».

«Não vi até hoje nenhuma explicação que me convencesse que era necessário deter Ricardo Salgado», disse José Sócrates.

Duarte Marques, num tom indignado, critica as declarações de Sócrates e escreve que a justiça deve é dar explicações sobre o facto de nunca ter prendido o ex-primeiro-ministro. «Há tipos sem vergonha nenhuma na cara. Mas numa coisa tem razão: a justiça devia dar explicações, mas sobre o facto de nunca o ter prendido a ele», escreve o deputado social-democrata.

Ao i, Duarte Marques disse que depois de «tantos casos em que esteve envolvido já merecíamos, isso sim, uma explicação sobre o facto de nunca ter sido julgado judicialmente».







sexta-feira, 22 de agosto de 2014


Barbaridades contra a Língua Portuguesa


Brasil pretende acabar com o «h» no princípio das palavras
e substituir o «ch» pelo «x»

António Justo

A actual discussão no Senado brasileiro sobre a simplificação da ortografia revela-se contraprodutiva em relação ao acordo ortográfico. A crença de Ernani Pimentel e do «Movimento Simplificando a Ortografia» de que «a simplificação ortográfica é a porta para a eliminação do analfabetismo», revela-se como despiste ou desorientação. A iniciativa pretende inverter o desenvolvimento linguístico ao copulá-lo com a camada social menos desenvolvida; enfim, uma posição decadente tendente a que as árvores passem a ter a rama na terra e as raízes no céu.

Os Diálogos Lusófonos, tal como outros meios de comunicação brasileiros têm vindo a referir que o senador Cyro Miranda, presidente da Comissão de Educação, lidera um projecto da comissão conducente à simplificação da ortografia da língua portuguesa. O projecto «propõe a extinção da letra «h» no início das palavras e a troca de todas as expressões com «ch» pelo «x», passando palavras, tais como «homem e hoje», a serem escritas com a grafia «omem e oje» e palavras como «macho» a serem escritas «maxo». Exemplos das intenções em vista: flecha flexa, analisar analizar, blusa bluza, exigente ezigente, exame ezame, amassar amasar, açúcar asúcar, moço moso, deuses deuzes.
Segundo as intenções dos mentores do projecto, este poderia ser aplicado em 2016, após consulta aos países de língua portuguesa.

É estranho que o Brasil queira fazer equivaler a língua escrita à língua oral quando escreve dia e pronuncia dʒja ou dja. A língua não pode ser posta à disposição arbitrária de ideologias (socialismo mal-entendido) nem de lógicas a que falta a supervisão racional abrangente. Sem respeito pela linguística, atacam a ortografia, a etimologia, a conexão entre palavras cognatas.

Depois do tão discutido acordo ortográfico da língua portuguesa aprovado em 16 de Dezembro de 1990 que pretende criar uma ortografia unificada e em vigor desde 2009 aparecem forças radicais a quererem colocar-nos na fase antes dele; na realidade pretendem o desacordo agora incentivado em nome de uma massa anónima «não consumidora de cultura».

Ainda o acordo ortográfico não se encontra aplicado e já surgem novas propostas de tendências partidárias e nacionalistas a pretender novas mudanças em nome de uma democracia que quer ver a inclusão social dos seus povos à custa de simplificações arbitrárias e desaferidas, como se a produção intelectual, artística e científica se devesse orientar, pelo princípio do menor esforço, como parece pretender o «Movimento Simplificando a Ortografia». Pretende um nível simplista que evite o analfabetismo e que reduza o tempo de ensino da ortografia para impedir reprovações no currículo de aprendizagem. Esquece que as suas razões de liberdade, igualdade e economia teriam como consequência mais lógica a extinção da educação e das escolas ou a emigração de grupos mais conscientes para o ensino particular. Na sequência ter-se-ia de acabar com o estudo da História e de muitas coisas mais; sim, até porque, na realidade, em termos imediatos cultura não enche barriga.
Querer motivar a mutilação do português, com argumentos de que grande parte do povo brasileiro tem dificuldade em «escolher a letra adequada entre x/ch, j/g, s/x/z, s/ç/c/ss/sc/sç/xc/xç, presença/ausência de h inicial», seria desconhecer a história e a lógica da língua e desqualificar o ensino brasileiro e a capacidade de aprendizagem de um povo que é tão inteligente como outros países lusófonos que parecem ter menos dificuldades com a ortografia da língua.

Por trás da problemática em torno da ortografia, esconde-se também uma falta de sistemática na aprendizagem da língua e de um ensino que domine os rudimentos da língua mãe (o latim).

Não é certamente por falta de tinta mas talvez por protagonismo político de interesses ideológicos que se equivoca ao qualificar rigor de qualidade intelectual com «alienação do povo». Por trás de uma identificação com os interesses da pretensa massa popular esconde-se a atitude paternalista de que o povo simples deve ser poupado de elucubrações complexas querendo apresentar a língua como produto fácil e barato à altura do porta-moedas de um mercado orientado pelo poder da oferta e do mais barato.

A questão da língua não pode ser equacionada em perspectivas meramente políticas, geralmente de vistas reduzidas a mentalidades condicionadas a períodos eleitorais quatrienais ou quinquenais e a ideologias de massa anónima sem consideração pelos processos de individuação e diferenciação inerentes à evolução individual e colectiva.

A evolução da língua também não pode ser abandonada a pessoas, talvez de boa vontade mas que não têm a mínima ideia do assunto nem o respeito advindo do conhecimento do evoluir da língua.

Para trás anda o caranguejo!

A iniciativa é absurda e prejudicial porque para corresponder às necessidades imediatas de gente simples, opta por cortar os ramos frondosos da árvore linguística pelo facto de se estar com o sentido na sua madeira ou porque se quer fazer da árvore um arbusto para que qualquer gaiato possa subir a ela sem o mínimo de esforço ou dificuldade. Deixem-na continuar a ser uma grande árvore, uma casa grande onde todas as espécies de pássaros, grandes e pequenos, possam fazer o seu ninho, segundo as suas capacidades e potencialidades. Seria disparate cortar as asas às aves grandes para que todas possam viver nos primeiros ramos da árvore. Se a natureza e o desenvolvimento se deixassem reger apenas por princípios de massa ou democráticos não teria produzido a humanidade, para nos manter na igualdade do estádio das amebas ou das medusas.
A estratégia de comunicação anunciada pelo senador, de tencionar chegar a acordo com os outros países lusófonos, através de videoconferências, é testemunho de método manipulador de quem quer forçar a sua ideia de legitimação dúbia fruto do arbitrário para evitar a discussão nas legítimas instituições científicas competentes para a língua. Nestas coisas precisa-se tempo, calma, independência e ponderação para se evitar confundir um pirilampo com uma estrela. A iniciativa não passa de uma tentativa de desorganização e de desinformação no sentido de desviar as energias do último acordo ortográfico.

A reforma da língua é assunto para linguistas e disciplinas afins atentas às massas e aos diferentes interesses dos países lusófonos, longe de qualquer interesse hegemónico ou de estratégica particular. O resto corresponde a uma perspectiva minimalista e míope de que sofre em grande parte o nosso sistema democrático. O nivelamento da cultura por baixo tem sido um facto tendente a desacreditar e banalizar a democracia (de interesse comum a um capitalismo e a um socialismo radical); a democracia não deveria merecer tal desconsideração. Imaginemos que, para acabar com o racismo, os brasileiros determinavam manipular o gene da sua pele, de modo a todos os brasileiros conseguirem uma cor neutra para os seus habitantes! A intenção que se encontraria por trás do objectivo seria boa mas a estratégia e os meios para o alcançar seria inadequada, indiferenciada e de consequências catastróficos. A ideologia, por muito potente que seja, não deve desprezar as leis da evolução nem a variedade da realidade integral. Para trás anda o caranguejo!

A ignorância e a precaridade não podem constituir motivo de desenvolvimento cultural e linguístico. Os programas correctores de língua em via na internet serão um grande serviço para aqueles que confundem o «ch»  com o «x».

A língua portuguesa não existe isolada no mundo e, também por isso, não deve ser avaliada por critérios proletários simplistas nem pela dimensão populacional de uma nação! É óbvio que se mantenham os critérios de qualidade. O seu desenvolvimento não pode ignorar a riqueza atingida pelas línguas latinas nem o seu rico contexto. Tão-pouco poderá ser critério da afirmação de identidade de um país a negação da História nem o estádio cultural de um grupo social. Tal proposta, como o emprego de energia unilateral e exagerada na integração do galego no mundo lusófono só complica e ajuda a desmotivar a reflexão e a aplicação do acordo ortográfico.

O Português não é uma língua difícil. É uma língua muito rica e como tal complexa, com moradas para todos os estados do desenvolvimento social e intelectual até hoje possível e conseguido. Na riqueza de uma língua e na sua complexidade se reflecte o desenvolvimento de um povo. Tentar aniquilar as leis da evolução pode ser democrático mas não é natural nem razoável. A existência de favelas e de casas sem jardim não pode ser o motivo para se destruir os palácios e os jardins. O objectivo será construir acesso aos jardins e aos palácios para todos.

Sem querer negar a luta de classes e de interesses, precisamos primeiramente de sociedades adultas que discutam os problemas do seu desenvolvimento e daquilo que constitui a sua identidade, com realismo, sem complexos de superioridade nem de inferioridade.





quarta-feira, 20 de agosto de 2014


BES

A tragédia menor


Alberto Gonçalves

A propósito da solução para o BES, António José Seguro teme que os contribuintes venham a assumir os erros dos privados, António Costa lamenta que os pequenos accionistas se afundem com o «banco mau», a menina Catarina do BE disse umas coisas naturalmente desvairadas e o PCP, que ainda há semanas pedia a nacionalização do banco, acusa o Governo de resgatar o banco com dinheiros públicos. Eu, que acho misteriosa qualquer operação financeira acima dos cem mil euros, tenho uma única certeza: com ou sem BES, o «novo» ou o «velho», o fisco continuará a aliviar-me com regularidade.

Se o caso BES serve de alguma coisa, é de lição. O arranjinho encontrado é uma desgraça? Talvez, mas talvez não pudesse ser melhor, ou talvez, a julgar pelas assarapantadas reacções da esquerda, pudesse ser bastante pior. E este falso paradoxo é, afinal, uma educação acerca do máximo que se deve esperar da acção governativa, que nunca é a arte de procurar a resposta ideal, e sim a de tentar fugir à resposta catastrófica. Décadas de recorrentes desilusões democráticas teriam sido evitadas se os cidadãos – e os políticos – observassem esse simples preceito.

Esqueçam o pormenor (desculpem o eufemismo) do BES e pensem no «quadro geral»: o Governo é lamentável? Das indecisões às péssimas decisões, da retórica reformista à incapacidade de reformar, da fama «neoliberal» ao proveito dos impostos, do folclore de Relvas aos amigos na Santa Casa, claro que sim. Só que a questão é outra: descontados os fiéis e os oportunistas, alguém encontra nas oposições o esboço de um governo preferível? Dito de maneira diferente, o País estaria menos sufocado com o dr. Seguro ou o dr. Costa (a fim de evitar embaraços, nem menciono o PCP e as setenta agremiações destinadas a unir a esquerda)?

Semanalmente, diversos exaltados acusam-me, nas «caixas» de comentários do DN online, de escrever a expensas do poder ou de sonhar em alcançá-lo. Para mal da minha conta bancária, a primeira acusação é falsa; para bem da nação, a segunda é delirante: antes de irromper no fascinante universo partidário, tentaria a sorte como chofer de praça, carpinteiro de limpos ou pequeno traficante de analgésicos. A dignidade acima de tudo. Se pareço tolerar um Governo atroz é apenas porque as alternativas me parecem intoleráveis. Parece absurdo? Eis a política, sobre a qual toda a repulsa peca por escassa.






sábado, 16 de agosto de 2014


A Sicília fica aqui


André Macedo, Diário de Notícias, 14 de Agosto de 2014

Há uns anos, um alto quadro da Portugal Telecom contou-me isto. Foi lançado um concurso para atribuir a limpeza dos prédios e sucursais da empresa pelo país inteiro. Alguns edifícios não estavam incluídos, mas era um contracto importante e com valor. A empresa que o ganhasse tinha naquele acordo a sua razão de ser, ficava auto-suficiente durante aquele período de tempo, não precisava de se chatear a arranjar mais clientes. É fácil imaginar: se eu vender as lapiseiras todas à PT ou a outra multinacional qualquer e se não fizer um mau negócio, a probabilidade de ganhar escala e, por isso, dinheiro aumenta consideravelmente.

Chegaram três propostas à avaliação final, todas de companhias com designações irrelevantes e insuspeitas, isto é, que não denunciavam o que na verdade estava por trás de todas e de cada uma delas. Os contractos tinham todos diferenças financeiras e métodos próprios de apresentar o serviço, o que só por si era tranquilizador.

O que este alto quadro da PT me contou, salvaguardando que quem avaliou as propostas não percebera se fora por mera coincidência ou não (até porque só o notou mais tarde), é que as três propostas tinham por trás companhias de uma forma ou de outra ligadas ao universo Espírito Santo, fosse alguém da família, uma empresa do grupo ou simplesmente alguém daquela área de interesses. Aquilo dava sempre jackpot aos Espírito.

Na altura procurei desenterrar estes contractos, mas o assunto ficou por ali porque não tinha nem as datas nem os nomes das empresas, muito menos o acesso para puxar o fio que me pudesse conduzir onde eu queria. A PT já era uma empresa privada e, apesar de cotada em bolsa, este tipo de detalhes é mais difícil de apanhar do que no Estado; além de que esse alto quadro se mostrava convencido de que a PT não fora prejudicada, porque pagara, dizia-me ele, o preço adequado ao serviço comprado. Simplesmente não compreendia como fora possível aquela coincidência diabólica – as três empresas tinham todas ligações ao Grupo Espírito Santo, não haveria nenhumas outras pelo país?

Hoje as relações entre o BES, o GES e a PT transformaram-se numa espécie de triângulo das Bermudas onde foram engolidos não apenas 900 milhões de euros, mas também um quinhão importante da credibilidade daquela que já foi a maior empresa nacional. O caso da companhia de limpezas não era afinal mais do que um sintoma prosaico de um sistema viciado e de compadrio que acabou por arruinar a fusão com a Oi e pelo caminho destapou as reputações de porcelana de um grupo de gente sem escrúpulos. Na verdade, o que me preocupa não é a PT, o que assusta, o que perturba, é estarmos perante um modo de vida normal em Portugal. A Sicília, afinal, está aqui, somos nós, capisci?





sexta-feira, 15 de agosto de 2014


Carne de porco na cantina

para os muçulmanos...



Jean Leonetti, presidente do município de Antibes, território francês situado no departamento dos Alpes Marítimos, no Mediterrâneo, recusa suprimir a carne de porco nas escolas.

Os pais de alunos muçulmanos haviam pedido a eliminação da carne de porco nas cantinas das escolas de Antibes. O presidente recusou liminarmente o pedido e o município enviou uma nota a todos os pais a explicar a razão da recusa. Eis o essencial dessa nota.

Os  muçulmanos devem adaptar-se à França, aos seus costumes, às suas tradições, ao seu modo de vida, pois foi para aí que decidiram emigrar.

Para que compreendam que devem integrar-se e aprender a viver em França.

Para que compreendam que são eles próprios que devem modificar o seu modo de vida e não os Franceses, que os acolheram generosamente.

Para que compreendam que os Franceses não são nem xenófobos nem racistas, que aceitaram numerosos imigrantes, sobretudo muçulmanos, enquanto os muçulmanos não aceitam estrangeiros não-muçulmanos nos seus territórios.

Que, tal como os outros povos, os Franceses  não estão dispostos a renunciar à sua identidade, à sua cultura, apesar dos golpes baixos dos internacionalistas.

E que, se a França é uma terra de acolhimento, não são as «políticas» que acolhem os estrangeiros mas o povo francês no seu conjunto.

Para que compreendam, finalmente, que em França, com, e não apesar de, as suas raízes judaico-cristãs, as suas árvores de Natal, as suas igrejas, e as suas festas religiosas, a religião deve ficar no domínio privado. E por isso o município tem razão ao recusar toda a concessão ao islão e à charia.

Lembramos aos muçulmanos a quem a laicidade incomoda e que não se sentem bem em França que existem no mundo 57 magníficos países muçulmanos, na maioria sub-habitados, e disponíveis para recebê-los de braços abertos no respeito pela charia.

Se deixaram os vossos países para vir para França e não para outros países muçulmanos é porque consideraram que a vida é melhor em França do que nesses países.

Coloquem a vocês próprios a questão: porque estarão melhor em França do que de onde vocês vieram?

A cantina com carne de porco faz parte da resposta.








quarta-feira, 13 de agosto de 2014


É oficial:

Portugal está em deflação

e isso não é uma boa notícia


Economia e Finanças

Portugal está em deflação ou seja, os preços estão a descer quando comparado com os praticados há um ano e não a subir como é habitual. A taxa de variação média anual do índice de preços no consumidor entrou em valores negativos (-0,2%) pela primeira vez desde que em 2009 o país registou uma variação negativa dos preços de 0,8%. Este valor médio anual surge depois de seis meses consecutivos com taxas de variação homóloga negativas e depois de no último mês de que há registo (Julho de 2014) a queda se ter acentuado significativamente: passou de -0,4% em Junho para -0,9% em Julho. Esta evolução apesar de mais acentuada em Portugal não é contrária ao que se vai registando na União Monetária onde predominam países com inflação muito baixa ou mesmo em deflação. A previsão para a taxa de inflação de 2014 será assim revista em baixa devendo ser inferior a zero no final do ano.

A existência de deflação não é um cenário que deva merecer particular regozijo podendo inclusive, prolongar-se no tempo, e conduzir a uma forte crise económica. Note-se que todas as dívidas definidas num valor monetário fixo (como a dívida pública ou os créditos à habitação) têm tendência a ser mais difíceis de suportar pois apesar de a dívida continuar a representar o mesmo valor em euros, os rendimentos usados para a pagar têm tendência a reagir em baixa à descida prolongada dos preços fazendo com que o peso no orçamento nacional, empresarial e familiar seja maior. No limite, a deflação pode conduzir ao incumprimento do pagamento da dívida pois a deflação tende a funcionar como um imposto adicional sobre os devedores.

O inverso pode acontecer com os credores, se considerados isoladamente do sistema económico em que se inserem. Por exemplo, um depósito a prazo a taxa fixa contratado há poucos meses por um prazo longo poderá no final revelar-se uma poupança com uma taxa real de juro interessante pois apesar de o juro nominal poder ser baixo, como a inflação é negativa, essa evolução dos preços acresce ao aumento do poder de compra implícito no juro recebido. Ou seja ao juro real de, por exemplo, 2% depois de impostos há que somar a taxa de deflação o que faz subir o rendimento.  No fundo sucede o oposto face a uma situação de inflação positiva – crescimento generalizado dos preços. Este é um dos casos em que ter o dinheiro no colchão rende juros. Há um incentivo para que o dinheiro fique «parado», algo que é contrário à existência de inflação.

Se o cenário de deflação for tido como duradouro (o que parece ser o caso presente) as consequências para toda a economia não deverão deixar muitos incólumes pois podem-se instalar as características mais nefastas geralmente associadas a este fenómeno como seja uma tendência para adiar sucessivamente o consumo. Porquê? Porque os consumidores se souberem que «amanhã» os preços estão mais baixos tendem a adiar ao máximo todas as compras adiáveis de modo a efectuá-las ao menor custo possível.

A deflação pode funcionar como um letreiro de descontos permanentes em que se sabe que no dia seguinte o desconto será maior. Este comportamento, quando instalado, pode provocar uma retracção contínua da capacidade produtiva contribuindo para falências, perda de emprego e agravamento das pressões para que ocorra uma descida de preço. Os salários como preço do trabalho que são sofrerão também, a prazo, igual pressão (via desemprego e redução das componentes variáveis) agravando ainda mais  a espiral de descida de preços. A deflação permanente não é do ponto de vista económico preferível a um cenário de hiperinflação pelo menos no sentido em que ambos são difíceis de contrariar e têm consequências muito negativas para a economia e para a população.

Segundo o INE de quem é a autoria do gráfico aqui reproduzido e que compila esta informação, as principais conclusões quanto às classes de despesa que estão a ver os preços a descer (e a subir) são as seguintes:


«(…) Entre as classes com contribuições negativas para a variação homóloga do IPC destaca-se a dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas (classe 1), com uma variação homóloga de -3,1% em Julho (-2,5% no mês anterior). A classe do vestuário e calçado (classe 3) também teve um contributo relevante para a variação homóloga do IPC, em resultado da diminuição mais acentuada de preços verificada na entrada do período de saldos, com uma taxa de variação homóloga de -7,5% (-1,5% em Junho de 2014). 
Nas classes com contribuições positivas para a variação homóloga do IPC salienta-se a da habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis (classe 4), com uma variação homóloga de 2,2% (2,3% em Junho), influenciada em grande medida pelo sub-subgrupo das rendas efectivas pagas por inquilinos de residências principais. É ainda de referir o contributo positivo da classe das bebidas alcoólicas e tabaco (classe 2), com uma variação homóloga de 3,1% em Julho (2,9% no mês anterior). (…)»





domingo, 10 de agosto de 2014


Boicote estas marcas !



Quem financia o declínio da Civilização ocidental?

A cadeia da McDonalds está no topo da lista das empresas que mais patrocinam programas de televisão sexualmente decadentes.

As empresas da lista aqui apresentada são os piores criminosos em cada categoria, e McDonalds, YUM! Brands, e Toyota Motor Sales Inc., em particular, têm sido os principais financiadores de estações americanas promovendo a decadência moral.

Particularmente chocante é a publicidade da McDonalds, centrada na criança.

O último relatório do Watchdog TV, lançado em Maio, destaca as empresas que anunciam em programas que incluem brincar sobre o incesto, estupro, pedofilia, glorificação do adultério, palavrões, a violência brutal, incluindo o canibalismo, e carnificina de feitiçaria.

A lista foi elaborada por associações de família americanas.

Apresentamos aqui as marcas operando em Portugal.

McDonalds
YUM!
Mars
Colgate Palmolive
Virgin
Time Warner
Sony
Toyota
Samsung
Red Bull
Unilever
AT & T
Microsoft
L'Oreal
Hyundai





sábado, 9 de agosto de 2014


Soldado Milhões.
O português que enganou os alemães
na I Guerra Mundial


(Condensado de artigo de Olímpia Mairos para a RR)

Alcançou a fama quando, na Batalha de La Lys, se bateu sozinho contra uma avassaladora ofensiva alemã. Sozinho, Aníbal Augusto Milhais permitiu a retirada de parte das forças portuguesas e escocesas.


A história é contada na primeira pessoa.

«Eu já sabia de uns abrigos, em baixo, em Huit Maisons, e aí foi onde eu fui recolher. Foi onde eu então estive a dar fogo no dia 9 de Abril [de 1918]. Entrei para o abrigo, não vi ninguém. Só via fogo em roda de mim...»

Quem a conta é Aníbal Augusto Milhais. Em 1967, contou para uma velha máquina de bobinas a história da guerra em que participou e que fez dele um herói. Fê-lo a pedido e por insistência da filha Leonida Milhões.

A voz de Aníbal apresenta-se trémula, acusa já algum cansaço. A história é contada pausadamente.

«Mais tarde começaram então eles a avançar. Aí é que eu conheci que eram alemães. Foi então que eu lhes abri fogo. Medi-os à cinta e pronto. Essa invasão caiu toda. Passado uma hora ou isso, veio outra igual. Fiz-lhe fogo antes de chegar ao mesmo sítio dos outros. Mas mais tarde veio outra… – Cortei-a também. Foi aí que eu já não vi e não tornei mais a ver alemães».

Assim relatava Augusto Milhais, em 23 de Novembro de 1967, o feito que o tornou herói nacional. A gravação permanece na família.

É guardada como se de um tesouro se tratasse.


As origens

Aníbal Augusto Milhais nasceu em 1895, numa família pobre. Era o mais novo de três irmãos que ficaram órfãos bastante cedo e foram acolhidos por parentes mais próximos.

Ainda criança começou a trabalhar a troco de alimentação e de um abrigo, em casa das pessoas mais remediadas de Valongo, aldeia no concelho de Murça (desde 1924, Valongo de Milhais, em sua homenagem).

Nunca foi à escola. Começou a vida como «moço de recados», depois guardou rebanhos e bois e fazia «todo o tipo de trabalho agrícola», conta o neto, Eduardo Milhões Pinheiro, à Renascença. Os irmãos, João e Maria Rosa, emigraram cedo para o Brasil.

Aníbal permaneceu na aldeia a trabalhar como jornaleiro.

Em 1915 é apurado para a tropa. No ano seguinte, a 13 de Maio, assenta praça no Regimento de Infantaria (RI) n.º 30, de Bragança.


Segundo o neto, esta teria sido «a primeira vez que saiu da sua terra e do seu concelho».

No mês seguinte é transferido para o RI 19, de Chaves. Meses depois, parte para a guerra. Especialidade: «atirador especial».

A milhares de kms de casa

Já em França, Aníbal Milhais especializa-se em metralhadoras Lewis e é integrado no BI 15, de Tomar, como n.º 1 de uma das guarnições de metralhadoras ligeiras.

Rezam as crónicas que, a 9 de Abril, uma força portuguesa se viu atacada pelos alemães. A força chegou a ser destroçada, a situação era «a pior possível». Muitos portugueses foram mortos e os sobreviventes obrigados a retirar.

Como enganar alemães

Segundo Eduardo Milhões Pinheiro, o seu avô, «de forma voluntária, disponibilizou-se para ficar e cobrir a retirada de todos os seus companheiros».

«Ficou com a sua metralhadora no posto dele e foi criando a ilusão, nas tropas alemãs, que a posição estava a ser guardada por várias unidades do seu batalhão, porque ele fazia fogo de vários pontos distintos».

«Assim conseguiu empatar a ofensiva alemã durante tempo suficiente que permitiu a todos os seus companheiros recuar para linhas mais resguardadas, em segurança, sendo que a maior parte deles terá conseguido sobreviver», conta Eduardo Pinheiro.

Milhais, esse, continuou sozinho, a vaguear pelos campos. Tinha apenas «amêndoas doces» para comer.

Quatro dias depois da batalha, terá encontrado «um médico escocês a quem salvou de morrer afogado num pântano. Esse mesmo médico terá dado conta ao exército aliado dos feitos» do soldado transmontano.


«Vales milhões»

E foi assim, em plena I Guerra Mundial que o soldado português alcançou a fama, na Batalha de La Lys, em Abril de 1918.

A bravura do franzino e pequeno Aníbal, com pouco mais de um metro e meio de altura, valeu-lhe a Torre e Espada – a mais alta condecoração militar portuguesa – entre outras distinções.

O epíteto «Milhões» nasceu com um elogio do seu comandante, Ferreira do Amaral: «Tu és Milhais, mas vales milhões».


«Ele terá sido condecorado pelo que fez, mas também de forma simbólica como reconhecimento a todos os soldados que combateram, e sobretudo àqueles que tombaram na I Guerra Mundial», acredita Eduardo Pinheiro.

O regresso à terra

Em 1919, Aníbal regressa a Valongo, em Murça, compra uma parcela de terra que cultiva, casa e tem filhos. Vive com dificuldades e luta pela sobrevivência, dedicando-se aos trabalhos agrícolas.

António Milhões, 81 anos, filho do soldado Milhões, lembra-se bem dos primeiros tempos de criança, tempos difíceis e de muito sacrifício.

«Eram tempos muito duros. O meu pai trabalhou muito no campo, para criar os filhos», conta António, revelando que a família viveu períodos de fome, tempos em que «uma sardinha era dividida por três».

Orgulhoso do pai, António recorda-se dele como «um homem simples, bem-disposto e muito trabalhador». Lembra-se bem que o pai, a quem acompanhava nas tarefas do campo, começou por ganhar a vida com bois ao ganho: alimentava, tratava e utilizava os animais que outra pessoa com mais dinheiro comprara; quando eram revendidos, dividia-se o lucro.

«Era um mestre nas enxertias e na matança dos porcos e praticamente todas as pessoas da aldeia o chamavam, quando era necessário realizar esses trabalhos».

A vergonha de um herói emigrante

Do percurso de vida do soldado-herói há ainda a registar uma incursão pelo Brasil, em 1928.

Milhões teria trabalho assegurado numa fábrica do Rio de Janeiro, mas os compatriotas de Murça não aceitaram a vergonha de um herói emigrante.


«Fizeram uma colecta de forma a pagarem-lhe a viagem de regresso, dizendo-lhe que um herói da pátria não deve estar emigrado e, muito menos, fazer os trabalhos que lhe aparecessem. Deveria estar no seu país, como símbolo, como reserva de um conjunto de valores», conta Eduardo.

Não falar da guerra

De regresso à terra, o soldado Milhões retoma a actividade agrícola para sustentar os filhos. Teve dez, mas só oito chegaram à idade adulta. Dificilmente falava da guerra e sempre que o fazia era porque lhe pediam. Nunca deu grandes pormenores.

Mariana Rosa, 74 anos, conviveu de perto com o sogro, mas poucas vezes o ouviu falar da guerra. «Ele dizia que aquele tempo foi um tempo de tristeza e que só pedia a Nossa Senhora do Vale de Veigas que o deixasse regressar à terra.»

Eduardo Pinheiro realça que o avô até «mudava de conversa» quando alguém lhe puxava pelo assunto da guerra, mas refere que «ele falava muito de um seu companheiro», do qual só conhecemos a alcunha de «Malha-vacas» que ele viu morrer ao seu lado («despedaçado por um morteiro», no dia 9 de Abril).

«Essas marcas ficam para sempre e explicarão a resistência do meu avô em falar da guerra», conclui o neto.

O reconhecimento material da nação resumiu-se a uma pensão que se manteve nos 15 escudos por mês, pelo menos até o seu quinto filho ir à inspecção militar, no início dos anos 50.

Quando morreu, a 3 de Junho de 1970, aos 75 anos, as suas medalhas conquistadas no campo da glória valiam-lhe pouco mais de mil escudos mensais.


Mais elementos sobre o «Soldado Milhões» em:

https://www.youtube.com/playlist?list=PL3leal8pavx1h4vZCE0B_SdbSOQFcy1cU





sexta-feira, 8 de agosto de 2014


As transferências das ratazanas

Do Grupo mau para o Banco bom...


João Moreira Rato é um dos imprescindíveis
à salvação da Pátria!