sexta-feira, 19 de março de 2010

Crítica ao livro «Mudar» de Pedro Passos Coelho

No blog Mais Lusitânia ( http://maislusitania.blogspot.com/ ) pode ler a série de artigos de crítica ao livro Mudar de Pedro Pasos Coelho.
Nesta data, foram publicados os 4 primeiros pontos.

A crítica é feita em 9 pontos e a sua estrutura geral é a seguinte:

1 – Enquadramento e apresentação do candidato
2 – A ideologia política e a política do candidato
3 – A visão da cultura do candidato
4 – O sistema de ensino do candidato
5 – A economia do candidato
6 – O desenvolvimento regional do candidato
7 – A visão social do candidato
8 – A concepção do Partido e da Jota do candidato
9 – O nível intelectual e político e o estilo literário da excelsa obra do candidato

Especificamente sobre o sistema de ensino defendido por PPC, pode ler em http://maislusitania.blogspot.com/2010/03/pedro-passos-coelho-o-candidato-tomar.html .
 
A estrutura do ponto sobre o sistema de ensino é a seguinte:
 
4 – O SISTEMA DE ENSINO DO CANDIDATO

4.1 – Que condições para fazer uma abordagem séria do problema do ensino?
4.2 – Em que assenta uma abordagem séria do problema do ensino?
4.3 – Como fazem a abordagem os aprendizes de feiticeiros?
4.4 – O pedagogismo ou a destruição da pedagogia
4.5 – Servir o ensino e servir-se do ensino
4.6 – A qualidade do ensino
4.7 – A qualidade do ensino e a orgânica do sistema
4.8 – Ensino técnico a sério ou caixote do lixo do sistema de via única?
4.9 – A questão da moda de falar do ensino técnico – Lá falar, falam...
4.10 – O «problema de fundo» e o «problema central» do candidato
4.11 – A paisagem pedagógica de mediocridade onde se insere o candidato
4.12 – A influência no candidato da tese marxista da luta de classes na escola
4.13 – A não inocente bipolaridade do candidato
4.14 – Um traumatizadinho pedagógico, ‘tadinho!


quinta-feira, 18 de março de 2010

Eficácia, rapidez e louvor

Comentário à «Antipolítica e Estado Exíguo»

João José Brandão Ferreira

Com o título em epígrafe escreveu o general Eduardo Silvestre – meu camarada de armas que muito prezo por o considerar um bom profissional e pessoa de bem – um artigo num Diário de Notícias de há poucas semanas.

O escrito é curioso, levanta questões pertinentes e por isso – com a devida vénia – me proponho glosá-lo.

O articulista expõe o conceito de “anti política”, praticamente desconhecido em Portugal, considerando-o como uma intervenção cívica de contra poder, que tenta limitar a má governação pela pressão do escrutínio ético dos cidadãos assumindo, outrossim, uma atitude contra o monopólio político – partidário.

Sendo contra poder, não deseja, todavia assumir esse poder. Elabora, de seguida, sobre a perda de capacidades do nosso país, a caminhar para a situação que classifica de estado“exíguo”; para terminar dizendo que perante este plano inclinado a que se junta a inoperância e descrédito dos órgãos de soberania e da classe política em geral que considera “manifestamente incapaz de liderar e de inspirar confiança ao País”, restará às Forças Armadas (FAs) tomar novamente o poder, já que “os tempos se assemelham aos do final da I República”. Tem, contudo, claras dúvidas se as FAs “estão à altura de desempenharem de novo essa tarefa patriótica”.

Tirando a imprecisão da comparação do momento actual com o fim da I República – já lá iremos – e da aparente contradição entre o conceito de “anti política” e a intervenção das FAs em tomar o Poder, o escrito está lógico e coerente nas verdades expendidas.

Mas as questões verdadeiramente primaciais que o artigo levanta são as da legitimidade do Poder, e o que fazer quando a degradação do seu exercício vai subverter o que é suposto defender e garantir: a Segurança, a Justiça e o Bem Estar, da Nação organizada politicamente em Estado. Ou seja duas questões clássicas que não estão até hoje resolvidas!

Sem embargo, da leitura do artigo, pode-se facilmente concluir, estarmos em face do desaparecimento de Portugal (estado exíguo), e de uma extensa degradação da situação política, económica, financeira e social – o que justificará uma eventual intervenção política das FAs – o que, como se sabe, lhes está constitucionalmente vedado – sobrepondo-se assim à legitimação que os políticos em exercício, obtiveram através dos votos depositados naquelas caixinhas que ostentam o nome infeliz de “urnas”. Ou seja, é o próprio sistema, “soit dizant”, democrático que está em causa, através da sua falência prática!

Não deixa de ser curioso isto, quando se está comemorando os 100 anos da República!... E tudo se passando, ainda, depois do Dr. Mário, “pai da democracia”, Soares se ter esfalfado de repetir que “em Democracia há sempre uma solução para tudo” (desde que não falte o dinheiro para pagar favores e subsídios, acrescento eu …).

Ora como pelos vistos se passou a discutir, publicamente, as hipóteses de golpe de estado (a TVI 24H também abordou o assunto), vamos lá analisar a capacidade das FAs para pararem a queda do país no precipício (trata-se apenas de um estudo académico …).

Partilhando das preocupações do Gen. Silvestre quanto às capacidades das FAs, tenho que lhes acrescentar outras. Ao fazê-lo porém, irei inviabilizar a sua intervenção política. Para já. E o já, começa na situação que está longe de se assemelhar ao fim da I República. Basta dizer que a situação de instabilidade política, caos económico, bancarrota financeira, descrédito internacional e desordem (e violência) nas ruas não tem qualquer comparação possível. O que se passava então era já consequência de uma decomposição do estado e da sociedade que vinha da destruição do continente português, causado pelas invasões francesas, perda do Brasil, guerras civis, apodrecimento do regime monárquico e desgraças várias, que durou mais de 100 anos, pois pelas minhas contas só parou em 1933, com a aprovação de nova constituição desse ano.

É preciso não esquecer que em 1925/6, Lisboa assemelhava-se à Bagdad actual… Por outro lado o actual regime corrigiu os poderes do PR, que na Constituição de 1911 eram praticamente decorativos, para lhe dar alguma capacidade de manobra na Constituição actual. Ou seja a situação presente ainda tem muito por onde agonizar e está mais respaldada por via da União Europeia.

Agora, que existe uma tendência para regredirmos a 1926, isso existe.

A responsabilidade para resolver as crises existentes é do Poder Político. As FAs só devem intervir à beira do abismo (embora seja difícil determinar onde ele começa e se é desejável beber o “cálice” até ao fim). Fazê-lo antes é assumir uma responsabilidade que não lhes cabe e arranjar uma desculpa para os políticos.

Com isto dito, não creio que as FAs estejam capazes de intervir nos termos aduzidos, por várias razões que vou tentar enlencar:

Primeiro porque a Instituição Militar, ainda não recuperou das consequências, piores que menos boas, resultantes do que ocorreu a 25/4/74; Depois porque a geração quer está no topo da hierarquia ainda foi formada no anterior regime, fez a guerra ou passou pelo “PREC” e está, por razões várias, psicologicamente incapacitada para fazer seja o que for, a não ser ir aguentando o “barco” e mantendo a “cabeça fora de água”; depois porque as FAs perdem, quase mensalmente, capacidades (efectivos, dinheiro, material, quadros, dispositivo – tudo); para além disso o corpo de oficiais generais, está compreensivelmente “desnorteado” com a avalanche de barbaridades que se vão sucedendo, sem meios para actuar e sem saber exactamente o que fazer – e para além disso tem faltado uma base de entendimento e confiança mínima, entre eles.

Acresce a tudo isto o seguinte: fazer um golpe de estado e tomar o poder não exige grandes predicados nem dificuldades (no nosso caso); difícil é saber o que fazer no dia seguinte. Ora aqui é que adificuldade não é pouca, vai-se fazer o quê?

Devolver o poder a quem dele fez tão mau uso? Acabar com os partidos políticos, inventar um sistema novo? Como convencer homens sérios e capazes a quererem ir servir em vez de se servirem? Depois temos o ambiente internacional, sobretudo na área geopolítica onde nos inserimos, os problemas que nós enfrentamos são semelhantes aos de toda a Europa Ocidental. Além disto será necessário encontrar alguma forma de entendimento/neutralização das três únicas instituições com poder em Portugal,a saber: a Igreja,a Maçonaria e o Partido Comunista.

Finalmente, mas não menos importante, como se vai alimentar a população, já que o nosso tecido produtivo está nas ruas da amargura? a população perdeu hábitos de trabalho e sacrifício e não existem reservas alimentares que cheguem para uma semana!

Espero pois que numa próxima hipotética vez, se façam as coisas com alguma cabeça e profissionalismo e sem ingenuidades.

Estou em crer que seria desejável não termos que passar por mais nenhuma destas experiências, que se sucedem desde 1817.

Mas não estou optimista.






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segunda-feira, 8 de março de 2010

«Educação » sexual aqui ao lado, em Espanha

Ou nos organizamos rapidamente
ou vamos ter cá disto

Síntese das agências comentada

O governo socialista espanhol de Zapatero promove programas de «educação sexual» para crianças e adolescentes fomentando a promiscuidade sexual e a homossexualidade.

Desta vez trata-se de um «jogo interactivo» elaborado pela Cruz Vermelha Juventude, recomendado pelo Ministério de Educação e financiado pelo Ministério de Saúde dirigido a jovens de 15 anos.

O jogo «educativo» proposto aos jovens mostra o que se supõe ser uma festa normal em que as crianças se encontram. Depois são incitados a «conhecer-se» um pouco mais «num lugar íntimo» mas com preservativo. Depois, seguindo com o jogo interactivo, o rapaz ou a rapariga deve formar casal, com outro de diferente sexo ou do mesmo sexo, e seleccionar as opções de «relações sexuais»: beijos, masturbação, sexo oral, carícias, uso ou troca de brinquedos sexuais e sexo anal, nas quais é necessário ou não utilizar preservativo.

Este modelo de «educação» já é muito conhecido. A questão é que este modelo, a partir do ano escolar que vem, já não vai ser opcional mas obrigatório a partir dos 11 anos. Entretanto ninguém perguntou aos pais se querem educar a seus filhos neste modelo de sexualidade.

Como se vê, a Espanha está governada pelo lóbi de pederastas, que já ousa ir a este ponto. Cá, governados de igual modo que estamos, lá chegaremos aos mesmos métodos e mesmas propostas, interactivas ou escolares. É uma questão de tempo caso não nos organizemos rapidamente para lhes fazermos frente.



sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O rei Obó

  Uma pequena observação sobre a utilidade  
 dos presidentes da República                      


António Marques Bessa

É de comum entendimento que o Povo nunca foi considerado para nada. As formas políticas foram implantadas à margem. Num país profundamente monárquico fundado e dirigido por grandes reis até certo ponto do processo histórico, a minoria republicana, alojada nas cidades mais desenvolvidas, fez questão de assassinar o Rei e o Príncipe herdeiro e depois dar um golpe de baú e ficar com o poder com uns senhores licenciados que foram tornados grandes heróis à custa de propaganda tendenciosa e escandalosa, que pretende ocultar um horrível homicídio que funda a República e vários assassinatos que se seguiram. Neste ponto a História dos factos é clara. Não importa de que lado nos coloquemos, mas é um facto indesmentível que os assassinos impuseram a nova forma política que vigora.

De então para cá apareceu a nova figura que substituiria o Rei Constitucional : o Presidente da República. Ficando tudo como dantes, com os bandos políticos, que não chegam a ser partidos, os conluios, as negociatas estrafegantes entre políticos e banqueiros, os bandidos do costume, o apelo ao povo e à massa que quer pão e circo, com o carrossel de promessas nunca cumpridas mas que a massa esquece no dia seguinte, enfim com aqueles ingredientes que serviriam para preparar no caldeirão de um druida a poção de envenenamento precoce de um país, paralisando-o no tempo. Todos deveriam saber que Salazar é um produto da República, todos deviam conhecer que o mal começa na Monarquia final e que se estende e continua reforçada na República, eminentemente medíocre tal como era o regime monárquico que derrubou.


O TAL PR DA REPÚBLICA PORTUGUESA

Enfim, com a mania de copiar, como a macaco de Deus, as instituições derrubadas, a República entendeu que devia ter um Presidente representativo, um sujeito igual ao Rei Obó, que é um faz de conta.

Esse Presidente ficaria sempre amarrado pela tal Constituição, a coisa que é mortífera. Nesse papel que uns tantos sujeitos engendraram numa Assembleia Legislativa, convocada para o efeito e votada pelo povão ignorante. O tal Presidente, substituto do Rei, é um pobre diabo: um gato-sapato que pode fazer figura de urso quando quiser, arrotar umas postas de corvina, mas sem efeito algum. Está atado e bem atado e nunca se percebe porque razão tal posto desencadeia eleições ferozes, disputas terríveis nos quase-partidos, a não ser que seja tal ambição despertada pelo gabarito da vivenda que vai habitar, normalmente um palácio da Monarquia, dos formalismos de que se vai rodear, dos ordenados que vai receber, dos dinheiros do Orçamento que pode gastar, tendo para seu serviço uma enormidade de serventuários, que vão de humilíssimos contínuos a chefes de casas pomposamente designadas como «Casa Civil» e «Casa Militar» e depois assessores e intermediários de toda a espécie, que tenho dificuldade em compreender para que servem. A não ser que queira propositadamente fazer chacota com o cargo político. As mulheres destes ditos PR fazem de rainhas e visitam orfanatos, casas de rapariguinhas abandonadas, dão-se às obras de misericórdia, podem criar organizações onde pontificarão depois como grandes damas, porque o tempo está contado. O Presidente é sempre o Rei Obó, a Presidenta, coitada, faz o que pode no circuito em que se insere.

É infeliz verificar que o Cavaco do tempo antigo, combativo e normal, agora PR com a idade que conhecemos, tenha de fazer este papel tão triste e cuidadosamente obscuro, que não dignifica ninguém. Nem o povão, nem ele. O Obó podia sair duma espécie de lotaria popular, por sorteio. Qualquer infeliz dos bairros da lata, com algumas lições de piano, desempenharia o papel. Mas nunca se lembraria de evocar como grande referência a infeliz ideia da «ética republicana».


A TAL ÉTICA

Que ética é essa? Figurará nos pais gregos da Filosofia no celebrado livro «Ética a Nicómaco», mede-se por padrões clássicos de livros de ética ou é a nova ética de Rawls?

De facto, se é ética republicana, só pode ser a do assassinato justificado pelos últimos fins: a instauração de um novo regime político decididamente contra o anterior. É, no fundo, uma ética dos fins, o que justifica qualquer meio: qualquer Governo fica justificado: trata da sua vidinha e persegue os inimigos, mesmo aniquilando-os. Estavam certos os khmer vermelhos e está certa a alta chefia ilustrada da Coreia do Norte e os mortíferos assassinos talibãs e todos os assassinos em massa da História. Para chegar aos fins, nunca hesitaram nos meios a utilizar. Essa é a tal ética Republicana prática e conhecida em Portugal e não se venha dizer que era a da SPQR ,ou seja, da República Romana, porque logo se perguntaria pelas tribos, pelas famílias importantes, pelos escravos e pelo regime de propriedade.

A ética do rei Obó não pode ser a nossa. Como explicou bem de mais Max Weber, há uma ética de meios e há meios que não se podem utilizar porque destroem o ser humano na sua essência e potencialidade, reduzindo-o a um peão e a um escravo do sistema. Isto é o que se sabe, mas como o povo nunca sabe nada, nem nunca poderá reflectir sobre estas questões, é terrível que um rei Obó qualquer venha com estas conversas, em vez de se limitar à sua função decorativa e palaciana. Já não há ingenuidades nesta classe política velha, consumida e cheia dos mesmo vícios da I República. Também não há ingenuidades nos tarefeiros que se ascenderam ao poder, montados na máquina dirigente dos «quase-partidos», e ainda na onda dos votos do povo explorado como rebanho. Armam-se depois em guardadores de rebanhos, mas eles não são cães pastores: são os lobos. E não é que todos, desde o PR ao mais ínfimo na ordem de bicadas ou ordem do poleiro (pecking order), não querem desistir do protagonismos, das benesses , das compensações de estarem «ao serviço de Portugal». Portugal, com tantos que o querem servir nestes tempos, abafa e morre, porque o fim último é servirem-se dele. Afonso de Albuquerque, Dom João de Castro, D João II, para lembrar só alguns, serviram imemoravelmente bem Portugal. Comparem-se as obras, os feitos.

Será claro nesta altura de um tempo que se vive sem esperança, que quem deseja estar sossegado e contente no rebanho, pastoreado como ovelhas para o matadouro da lucidez e do que conta, por gente Obó a fingir que tem um grande palco de 200 milhões de fiéis, como o Presidente dos Estados Unidos, pode ficar a viver o seu miserável quotidiano. Mas nem o quer, sempre poderá dar um passo mais na floresta, como convidaria o velho e sábio Ernst Jünger que não nos cessa de provocar com a imagem de um mundo melhor e mais límpido: ora os altiplanos entrevistos no livro «Falésias de Mármore», ora a floresta que se vê como destino em «Ewmesville», que nunca foi um livro fácil. Mas o que é bom, nunca foi fácil. O que bom é ser um cidadão completo como o grande Sócrates, que bebeu a cicuta que lhe ofereceu a Cidade, podendo ter ido embora como o incitavam os seus admiradores. Aceitou a lei da Cidade e morreu. Descanse em paz e viva para sempre na nossa memória.


A simpatia jornalística pelos gays

Pedro Vassalo

Escrevo usando dois chapéus: o de ex-jornalista e de co-organizador da manifestação em defesa da família, no sábado em Lisboa. Reivindico o estatuto de ex-jornalista, porque este artigo versa sobre a cobertura do Públiico à manifestação de sábado. Paralelamente, reconhecendo-me como parte interessada, o assunto toca-me mais fundo e admito, até, perder alguma objectividade na análise ao texto do Públiico. Mas não me parece ser o caso. Vamos por isso aos factos: das 97 linhas, a 4 colunas, que o Públiico dedicou ao assunto (página 8, de 21/02), no texto assinado por Maria Lopes, 69 das linhas (ou seja mais de 70% da notícia) foram dedicadas a descrever uma “confusão entre activistas da Acção Nacional (AN) e um grupo de gays”. Convém, agora, cuidado na análise. Não se tratou de confrontos físicos, nem de empurrões ou desordem pública. Tratou-se apenas de “insultos fortes de dezena e meia (15) de rapazes da AN …enquanto os defensores do casamento gay lhes acenavam e mandavam beijos”. Já antes, Maria Lopes escrevia que (os gays) “estavam várias dezenas de jovens com tambores, apitos, serpentinas e cartazes”. Ou seja, a própria jornalista reconhece que a contra manifestação dos gays (sem qualquer espécie de autorização e com o único intuito de provocar) era superior, em número, aos que se deixaram provocar. Maria Lopes poderia ter-se interrogado sobre a existência desta contra manifestação, convocada com o único propósito de provocar. Mas nada. Poderia ter meditado que a ser assim não poderá nunca haver qualquer manifestação ordeira, como é pressuposto da democracia, porque bastam umas dezenas de arruaceiros que distraiam os jornalistas do conteúdo da mensagem do desfile. Como foi o caso! Poderia ter perguntado aos gays como se sentiriam se fosse ao contrário (imagina-se o coro de protestos). Poderia ainda ter notado que das milhares de pessoas na manifestação (a PSP refere 5 mil), apenas “dezena e meia”, ou seja 0,003%, se deixou arrastar na infeliz troca de insultos com os gays. Poderia ainda perceber que sendo (qualquer) manifestação um acto público, não é possível (mal ou bem) impedir quem quer que seja de participar. Finalmente poderia, num exercício de equilíbrio jornalístico, referido que a organização fez um esforço visível para ignorar os apupos dos gays apelando aos “rapazes da AN” para que fizessem o mesmo. E eu sei disso, porque estava lá (identificado) a fazer esse trabalho. Caso a jornalista quisesse, era impossível não ter percebido isso.

Maria Lopes não fez nada do muito que poderia ter feito. Preferiu gastar mais de 70% do espaço a dar voz a contra manifestantes que, insisto, sem qualquer autorização, só lá estavam com o propósito de provocar, e chamar a atenção dos media. Conseguiram.

Finalmente, poderia lembrar que nenhuma organização não partidária, ou sindical, junta 5 mil pessoas na Av. Liberdade. Poderia ter perguntado pelas dificuldades, como e quem paga o quê, o que os move. Nada! Poderia recordar que houve mais de 92 mil assinaturas reunidas em 3 semanas por causa disso (quantas é que os gays reuniram?). E não vale dizer que a Igreja patrocinava a manifestação. Porquê? Porque da última vez que a Igreja “desfilou” em Lisboa, fechou a cidade de Entre Campos aos Restauradores (com a Imagem de Nossa Senhora de Fátima). Eu sei que é difícil ao jornalista distanciar-se do facto, não se envolver e procurar a objectividade. Mas Maria Lopes exagerou. E ninguém lhe agradecerá, a começar pela comunidade gay, que não acredito se reveja naqueles arruaceiros e no método.

PS: Fui jornalista mais de 12 anos. Colaborei em rádios (RR e RDP) em Jornais (Correio da Manhã, Século, 24 Horas, Jornal de Negócios, Semanário) e na RTP. Fui “comentador / cronista” em rádios, jornais e na RTP. Chefiei secções de economia e fui autor de programas de informação.




sábado, 20 de fevereiro de 2010

Milhares de portugueses desfilam
em defesa da família

Dezenas de milhares de portugueses desfilaram hoje, em Lisboa, da Rotunda aos Restauradores, a favor do casamento entre pessoas de sexo diferente e contra o projecto de lei do Governo estabelecendo o «casamento» entre pederastas e entre lésbicas.

A manifestação, promovida pela Plataforma Cidadania e Casamento, contou com a adesão e presença de organizações de sensibilidades políticas e religiosas diferentes, todos juntos no mesmo objectivo: defender os valores tradicionais da família. A manifestação contou também com a presença de um grupo de motards da Associação de Motards Cristãos.

A manifestação foi um êxito, quer pelo número de pessoas participantes, quer pelo modo ordenado como decorreu, apesar de uma contra-manifestação de cerca de 20 indivíduos concentrados em frente ao cinema Sâo Jorge.
Este êxito abre boas perspectivas para a luta contra os propósitos antifamília de Sócrates.
 
 

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Carta aberta de militares de Abril ao Poder*


A propósito do chamado “Casamento” entre pessoas do mesmo sexo.

• A sociedade tem na Família e no Casamento as suas mais ancestrais fontes de natalidade, de educação, de solidariedade e de criação de riqueza e prosperidade.
• O Estado democrático, que em Abril de 1974 teve a sua génese na acção concreta de luta pela Liberdade, tem como pressupostos o respeito pela Sociedade, pela vontade e cultura de um Povo e ainda pelo exercício da cidadania.
• A sociedade portuguesa confronta-se hoje com um processo político que pretende introduzir uma alteração profunda no modelo e cultura da nossa sociedade ao permitir a celebração do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
• Tal decisão tem implicações vastas ao nível da Família, da educação, da solidariedade, da natalidade e até do desenvolvimento económico e social que não se limitam à legislatura em que são aprovadas. Uma vez aprovada tal lei, e celebrados casamentos, torna-se duvidosa a da sua revogação.
• Essa Lei carece por isso de uma legitimidade alargada.
• Foi rejeitada no Parlamento uma Iniciativa Popular de Referendo que protagonizava a liberdade do Povo para dizer Sim ou Não ao Casamento entre Pessoas do mesmo sexo. Foi um sinal claro da vontade popular a que o Poder virou costas.
• Em Abril de 74 derrubámos uma ditadura para conquistar a Liberdade, a Democracia e o Estado de Direito.
• Vivemos agora uma nova ameaça à Liberdade. Desta vez uma conjuntura política, que nega o legítimo expressar da Soberania.
• O mundo que hoje construirmos e a responsabilidade para a História que cada decisão contém, não podem esquecer as Futuras gerações. Hoje construímos o amanhã.
• O tempo é de responsabilidade, o tempo é de defesa do Bem-Comum, o tempo é de reconquista de Liberdade, o tempo é de exercício de Cidadania e da Ética.
• Por isso, no legítimo exercício dos nossos direitos e responsabilidades históricas, reclamemos que do Povo seja devolvida a soberania para decidir sobre o “casamento” entre pessoas do mesmo sexo.

Os subscritores

• General Hugo dos Santos
• General Aurélio Trindade
• General Garcia Leandro
• General Adelino Rodrigues Coelho
• General Rocha Vieira
• General Almeida Bruno
• General Manuel Monge
• General José Oliveira Simões
• General Pires Veloso
• Almirante Cavaleiro Ferreira
• Almirante José Carvalheira
• Almirante José Sarmento Gouveia
• Coronel Sanches Osório
• Coronel Manuel Amaro Bernardo
• Coronel Brandão Ferreira
• Coronel Américo José Fernandes Henriques
• Coronel Aníbal Rodrigues Da Silva
• Coronel Rogério Taborda e Silva
• Coronel Florindo Eugénio Baptista Morais
• Coronel Ribeiro Soares
• Coronel Manuel Rio de Carvalho
• Coronel Emídio Vicente
• Capitão Mar e Guerra Manuel Dias Figueiredo
• Tenente-coronel André Aires de Abreu
• Comandante Amadeu Anaia


* NOTA DA REDACÇÃO

É com satisfação que vemos alguns militares que participaram no 25 de Abril oporem-se à escalada de decadência desta III República, instalada com o próprio 25 de Abril. O texto apresenta várias considerações políticas e históricas muito contestáveis.  Mas o que nos une neste momento é a oposição ao clima de imoralidade reinante.


sábado, 13 de fevereiro de 2010

É já no sábado, dia 20 !

Se te sentes Homem de Família, junta-te a nós!

Se te sentes Mulher de Família, junta-te a nós!

Temos uma vocação:
A de multiplicar reproduzindo.

Temos um plano:
Lutar até vencer!

Vem! Vamos sair à Rua e mostrar que discordamos!

Vem! Vem pela tua Família, vem pela tua Descendência!

Manifestação pela Família e pelo Casamento.

Organiza-te!
Agrupa-te em autocarros a alugar,
      a ceder pelas câmaras ou outros apoios!
Vem de carro ou comboio!
Vem estar ali!

Vamos estar com eles!
Ou estamos com eles ou estamos contra nós!

http://www.casamentomesmosexo.org/manif/index21.html

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Toma nota na tua agenda!!!

[   Para ler pormenores, clicar na imagem   ]

Dois venenos do complexo social-industrial

[   Para ler o texto de Raquel Abecassis, clicar na imagem do texto   ]

Este é o Goulão,
do Partido Comunista moderno
e das drogas,
a favor da sua despenalização
e das salas de xuto.


 



Este é o Duarte Vilar,
da promiscuidade sexual dos jovens
e do aborto, que diz:
«Em relação à educação sexual não há na lei
nenhuma coisa que diga
que os pais devem dar uma autorização prévia.
E nós achamos muito bem.»



domingo, 7 de fevereiro de 2010

Sobe o número de homossexuais nos governos da Europa ocidental

Posições políticas mais influentes na Europa Ocidental estão a ser assumidas por indivíduos que se declaram publicamente como homossexuais.

Um artigo da Time.com, publicado em 18 de Janeiro, frisa a ascensão de vários homossexuais assumidos em várias posições em toda a Europa. Desses, o caso mais amplamente publicado é o de Johanna Sigurdardottir, primeira-ministra da Islândia, tornando-se assim a primeira líder mundial abertamente lésbica.
A Islândia não é o único lugar onde se vê crescente aceitação do homossexualismo entre autoridades eleitas. Há 11 homens e mulheres abertamente homossexuais, dois deles ministros, no Parlamento britânico. Ali, ambos os partidos adotaram medidas para acolher a homossexualidade de braços abertos: as mais importantes autoridades conservadoras em Outubro testaram a sua reputação anti-homossexualismo organizando a “primeira noite gay oficial” do partido num bar gay em Manchester como parte de uma conferência partidária mais ampla.

Em França, o Presidente Nicolas Sarkozy nomeou Frédéric Mitterrand, apresentador de televisão, invertido, como ministro da Cultura. O Maire de Paris, Bertrand Delanoë, membro do Partido Socialista e invertido assumido, é considerado um candidato potencial para a presidência francesa em 2012.

As autoridades da Alemanha incluem o ministro das relações exteriores e vice-chanceler Guido Westerwelle, o maire de Berlim Klaus Wowereit e o maire de Hamburgo Ole von Beust.

Embora não fosse uma autoridade governamental, James Rennie, diretor executivo da Juventude Escocesa LGBT, era considerado o mais importante assessor do executivo escocês sobre assuntos de jovens invertidos antes de ser preso como o líder suspeito de uma vasta rede de pedofilia em Maio do ano passado.

A política americana é uma história diferente: os homossexuais ocupam uma fracção menor de importantes posições eleitas. A Time informa que, de acordo com o grupo homossexual de militância política Victory Fund, 450 dos 511 mil cargos governamentais são ocupados por homossexuais assumidos.

No entanto, Obama tem vindo a ajudar a mudar esse clima com nomeações homossexuais para proeminentes posições ministeriais. Recentemente foi criticado por organizações pro-família por ter escolhido «Amanda Mitchell», um transexual, como assessor técnico no Ministério do Comércio.

O facto de Obama ter escolhido o conhecido líder  dos invertidos Kevin Jennings para a secretaria de “escolas seguras” da Casa Branca também provocou controvérsia depois de se saber que Jennings era director executivo da Rede de Educação Gay, Lésbica e Hetero (REGLH) quando o grupo ensinou práticas sexualmente violentas para adolescentes de Boston, no que ficou conhecido como o escândalo do “fistgate”. O grupo promovia uma lista de literatura pornográfica para crianças do grau 7-12 enquanto Jennings estava no comando.

Veja a cobertura relacionada de LifeSiteNews.com:

Pedophile Ringleader was Top Advisor to Scottish Gov't on Homosexuality and Children


Eye-Witness Teacher Says Safe Schools Czar Present at "Fistgate" Conference


Obama's "Safe Schools" Czar Dreamed of "Promoting Homosexuality" to Schoolchildren



José Sócrates é um homem de circo

A economia vai derrotar a democracia de 1976

Medina Carreira

José Sócrates, é um homem de circo, de espectáculo. Portugal está a ser gerido por medíocres, Guterres, Barroso, Santana Lopes e este, José Sócrates, não perceberam o essencial do problema do país.

O desemprego não é um problema, é uma consequência de alguma coisa que não está bem na economia. Já estou enjoado de medidinhas. Já nem sei o que é que isso custa, nem sequer sei se estão a ser aplicadas.
A população não vai aguentar daqui a dez anos um Estado social como aquele em que nós estamos a viver. Este que está lá agora, o José Sócrates, é um homem de espectáculo, é um homem de circo. Desde a primeira hora.
É gente de circo. E prezam o espectáculo porque querem enganar a sociedade.
Vocês, comunicação social, o que dão é esta conversa de «inflação menos 1 ponto», o «crescimento 0,1 em vez de 0,6». Se as pessoas soubessem o que é 0,1 de crescimento, que é um café por português de 3 em 3 dias... Portanto andamos a discutir um café de 3 em 3 dias... mas é sem açúcar.
Eu não sou candidato a nada, e por conseguinte não quero ser popular.
Eu não quero é enganar os portugueses. Nem digo mal por prazer, nem quero ser «popularuxo» porque não dependo do aparelho político!"

Ainda há dias eu estava num supermercado, numa bicha para pagar, e estava uma rapariga de umbigo de fora com umas garrafas, e em vez de multiplicar «6x3=18», contava com os dedos: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7...
Isto não é ensino... é falta de ensino, é uma treta! É o futuro que está em causa!
Os números são fatais. Dos números ninguém se livra, mesmo que não goste. Uma economia que em cada 3 anos dos últimos 27, cresceu 1%... esta economia não resiste num país europeu.

Quem anda a viver da política para tratar da sua vida, não se pode esperar coisa nenhuma. A causa pública exige entrega e desinteresse.
Se nós já estamos ultra-endividados, faz algum sentido ir gastar este dinheiro todo em coisas que não são estritamente indispensáveis?
P'rá gente ir para o Porto ou para Badajoz mais depressa 20 minutos?
Acha que sim?
A aviação está a sofrer uma reconversão, vamos agora fazer um aeroporto, se calhar não era melhor aproveitar a Portela?
Quer dizer, isto está tudo louco?"

Eu por mim estou convencido que não se faz nada para pôr a Justiça a funcionar porque a classe política tem medo de ser apanhada na rede da Justiça. É uma desconfiança que eu tenho. E então, quanto mais complicado aquilo for...

Nós tivemos nos últimos 10-12 anos 4 Primeiros-Ministros:
- Um desapareceu;
- O outro arranjou um melhor emprego em Bruxelas, foi-se embora;
- O outro foi mandado embora pelo Presidente da República;

- E este coitado, anda a ver se consegue chegar ao fim"

O João Cravinho tentou resolver o problema da corrupção em Portugal.
Tentou. Foi "exilado" para Londres. O Carrilho também falava um bocado, foi para Paris. O Alegre depois não sei para onde ele irá...
Em Portugal quem fala contra a corrupção ou é mandado para um "exílio dourado", ou então é entupido e cercado.
Mas você acredita nesse «considerado bem»? Então, o meu amigo encomenda aí uma ponte que é orçamentada para 100 e depois custa 400?
Não há uma obra que não custe 3 ou 4 vezes mais? Não acha que isto é um saque dos dinheiros públicos? E não vejo intervenção da polícia...

Há-de acreditar que há muita gente que fica com a grande parte da diferença!

De acordo com as circunstâncias previstas, nós por volta de 2020 somos o país mais pobre da União Europeia. É claro que vamos ter o nome de Lisboa na estratégia, e vamos ter, eventualmente, o nome de Lisboa no tratado. É, mas não passa disso. É só para entreter a gente.

Isto é um circo. É uma palhaçada. Nas eleições, uns não sabem o que estão a prometer, e outros são declaradamente uns mentirosos: - Prometem aquilo que sabem que não podem.

A educação em Portugal é um crime de «lesa-juventude»: Com a fantasia do ensino dito «inclusivo», têm lá uma data de gente que não quer estudar, que não faz nada, não fará nada, nem deixa ninguém estudar.
Para que é que serve estar lá gente que não quer estudar? Claro que o pessoal que não quer estudar está lá a atrapalhar a vida aqueles que querem estudar. Mas é inclusiva...

O que é inclusiva? É para formar tontos? Analfabetos?"

Os exames são uma vergonha.

Você acredita que num ano a média de Matemática é 10, e no outro ano é 14? Acha que o pessoal melhorou desta maneira? Por conseguinte a única coisa que posso dizer é que é mentira, é um roubo ao ensino e aos professores! Está-se a levar a juventude para um beco sem saída. Esta juventude vai ser completamente desgraçada!

A minha opinião desde há muito tempo é: TGV- Não!
Para um país com este tamanho é uma tontice. O aeroporto depende. Eu acho que é de pensar duas vezes esse problema. Ainda mais agora com o problema do petróleo.
Bragança não pode ficar fora da rede de auto-estradas? Não?
Quer dizer, Bragança fica dentro da rede de auto-estradas e nós ficamos encalacrados no estrangeiro? Eu nem comento essa afirmação que  é para não ir mais longe...
Bragança com uma boa estrada fica muito bem ligada. Quem tem interesse se façam estas obras é o Governo Português, são os partidos do poder, são os bancos, são os construtores, são os vendedores de maquinaria... Esses é que têm interesse, não é o Português!

Nós em Portugal sabemos resolver o problema dos outros: A guerra do Iraque, do Afeganistão, se o Presidente havia de ter sido o Bush, mas não sabemos resolver os nossos. As nossas grandes personalidades em Portugal falam de tudo no estrangeiro: criticam, promovem, conferenciam, discutem, mas se lhes perguntar o que é que se devia fazer em Portugal nenhum sabe. Somos um país de papagaios...

Receber os prisioneiros de Guantanamo?
Isso fica bem e a alimentação não deve ser cara...» Saibamos olhar para os nossos problemas e resolvê-los e deixemos lá os outros... Isso é um sintoma de inferioridade que a gente tem, estar sempre a olhar para os outros. Olhemos para nós!

A crise internacional é realmente um problema grave, para 1-2 anos.
Quando passar lá fora, a crise passará cá. Mas quando essa crise
passar cá, nós ficamos outra vez com os nossos problemas, com a nossa crise. Portanto é importante não embebedar o pessoal com a ideia de que isto é a maldita crise. Não é!
Nós estamos com um endividamento diário nos últimos 3 anos correspondente a 48 milhões de euros por dia: Por hora são 2 milhões!
Portanto, quando acabarmos este programa Portugal deve mais 2 milhões!
Quem é que vai pagar?
Isso era o que deveríamos ter em grande quantidade.
Era vender sapatos. Mas nós não estamos a falar de vender sapatos. Nós estamos a falar de pedir dinheiro emprestado lá fora, pô-lo a circular, o pessoal come e bebe, e depois ele sai logo a seguir...

Ouça, eu não ligo importância a esses documentos aprovados na Assembleia...
Não me fale da Assembleia, isso é uma provocação... Poupe-me a esse espectáculo....
Isto da avaliação dos professores não é começar por lado nenhum.
Eu já disse à Ministra uma vez «A senhora tem uma agenda errada"»
Porque sem pôr disciplina na escola, não lhe interessa os professores.
Quer grandes professores? Eu também, agora, para quê? Chegam lá os meninos fazem o que lhes dá na cabeça, insultam, batem, partem a carteira e não acontece coisa nenhuma. Vale a pena ter lá o grande professor? Ele não está para aturar aquilo...Portanto tem que haver uma agenda para a Educação. Eu sou contra a autonomia das escolas Isso é descentralizar a «bandalheira».

Há dias circulava na Internet uma notícia sobre um atleta olímpico que andou numa "nova oportunidade" uns meses, fez o 12ºano e agora vai seguir Medicina...
Quer dizer, o homem andava aí distraído, disseram «meta-se nas novas oportunidades» e agora entra em Medicina...
Bem, quando ele acabar o curso já eu não devo cá andar felizmente, mas quem vai apanhar esse atleta olímpico com este tipo de preparação...
Quer dizer, isto é tudo uma trafulhice..."

É preciso que alguém diga aos portugueses o caminho que este país está a levar.
Um país que empobrece, que se torna cada vez mais desigual, em que as desigualdades não têm fundamento, a maior parte delas são desigualdades ilegítimas para não dizer mais, numa sociedade onde uns empobrecem sem justificação e outros se tornam multi-milionários sem justificação, é um caldo de cultura que pode acabar muito mal. Eu receio mesmo que acabe.

Até há cerca de um ano eu pensava que íamos ficar irremediavelmente mais pobres, mas aqui quentinhos, pacíficos, amiguinhos, a passar a mão uns pelos outros... Começo a pensar que vamos empobrecer, mas com barulho...
Hoje, acrescento-lhe só o «muito». Digo-lhe que a gente vai empobrecer, provavelmente com muito barulho...
Eu achava que não havia «barulho», depois achava que ia haver «barulho», e agora acho que vai haver «muito barulho». Os portugueses que interpretem o que quiserem...

Quando sobe a linha de desenvolvimento da União Europeia sobe a linha de Portugal. Por conseguinte quando os Governos dizem que estão a fazer coisas e que a economia está a responder, é mentira! Portanto, nós na conjuntura de médio prazo e curto prazo não fazemos coisa nenhuma. Os governos não fazem nada que seja útil ou que seja excessivamente útil. É só conversa e portanto, não acreditem...
No longo prazo, também não fizemos nada para o resolver e esta é que é a angústia da economia portuguesa.
Tudo se resume a sacar dinheiro de qualquer sítio. Esta interpenetração do político com o económico, das empresas que vão buscar os políticos, dos políticos que vão buscar as empresas...Isto não é um problema de regras, é um problema das pessoas em si...Porque é que se vai buscar políticos para as empresas?

É o sistema, é a (des)educação que a gente tem para a vida política...

Um político é um político e um empresário é um empresário. Não deve haver confusões entre uma coisa e outra. Cada um no seu sítio. Esta coisa de ser político, depois ministro, depois sai, vai para ali, tira-se de acolá, volta-se para ministro... é tudo uma sujeira que não dá saúde nenhuma à sociedade.

Este país não vai de habilidades nem de espectáculos.

Este país vai de seriedade. Enquanto tivermos ministros a verificar preços e a distribuir computadores, eles não são ministros. São propagandistas! Eles não são pagos nem escolhidos para isso! Eles têm outras competências e têm que perceber quais os grandes problemas do país!

Se aparece aqui uma pessoa para falar verdade, os vossos comentadores dizem «este tipo é chato, é pessimista»...
Se vem aqui outro trafulha a dizer umas aldrabices fica tudo satisfeito...
Vocês têm que arranjar um programa onde as pessoas venham à vontade, sem estarem a ser pressionadas, sossegadamente dizer aquilo que pensam. E os portugueses se quiserem ouvir, ouvem. E eles vão ouvir, porque no dia em que começarem a ouvir gente séria e que não diz aldrabices, param para ouvir. O Português está farto de ser enganado!

Todos os dias tem a sensação que é enganado!



Dignidade do Primeiro-Ministro

José António Saraiva, Sol, 5 de Fevereiro de 2010



Entedamo-nos: o PS deve perceber que José Sócrates está à beira de deixar de ter condições para ser primeiro-ministro.

Escrevi por diversas vezes que ele tem muito jeito para o lugar.

Mas há uma linha que não pode ser ultrapassada: a que tem que ver com o respeito pela dignidade do cargo.

Ora Sócrates já a violou.

Ainda esta semana, ao atacar um jornalista em voz alta num local público, numa conversa chocarreira à hora do almoço com dois dos seus ministros, Sócrates mostrou que lhe faltam algumas condições essenciais para exercer o lugar que ocupa.

Um chefe do Governo não pode comportar-se assim.

Criticou-se o Presidente da República por alegadas diligências feitas por um seu assessor para publicar uma notícia num jornal.

Um ministro (Manuel Pinho) demitiu-se por, com alguma ingenuidade, fazer uns chifres para comentar o discurso de um opositor no Parlamento.

Outro ministro (Carlos Borrego) foi demitido há uns anos por contar uma anedota de mau gosto numa estação de rádio.

Pedro Santana Lopes caiu em desgraça após críticas do seu ministro Rui Gomes da Silva aos comentários de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI.

Ora Sócrates já fez muito pior do que tudo isto junto – e continua no Governo.

Atacou publicamente a TVI, o Jornal Nacional de sexta-feira e o director do Público – e, na sequência dessas críticas, verificar-se-ia a saída do director-geral da TVI, José Eduardo Moniz, o fim do Jornal Nacional e o afastamento da sua apresentadora, Manuela Moura Guedes, e a substituição de José Manuel Fernandes na direcção do Público.

Foi apanhado nas escutas do processo ‘Face Oculta’, discutindo com alguns dos seus homens de mão o modo de atingir aqueles objectivos.

E esses homens de mão – Armando Vara, Paulo Penedos, Rui Pedro Soares, – foram apanhados em escabrosos diálogos onde descaradamente discutiam tudo: os afastamentos de Moniz e Moura Guedes, o silenciamento do Público, o condicionamento do Correio da Manhã, a instrumentalização do grupo Controlinvest, e ainda a troca de favores com jornalistas, cujos nomes não tinham pejo em enumerar.

E isto – como o SOL descreve hoje em pormenor – contava com o envolvimento e a conivência de empresas públicas, que deveriam servir o bem comum e eram instrumentalizadas para participar neste ‘esquema’.

O poder bateu no fundo.

O primeiro-ministro já mostrou a sua face oculta e a sua entourage revela uma baixeza aterradora.

Depois dos casos da Universidade Independente, do Freeport, das escutas de Aveiro, das pressões de Lopes da Mota, ainda há quem tenha dúvidas?

José Sócrates tem jeito para o cargo – volto a dizê-lo.

Mas tem um problema de carácter que já não consegue esconder e que começa a envergonhar o lugar.

Não acredito que no PS todas as pessoas aprovem os seus métodos.

Não acredito que no PS não haja gente séria que comece a sentir-se incomodada.

Não acredito que sejam todos como Lello, Lacão ou Santos Silva – que, com frases apatetadas e grande descaramento, tentam esconder as evidências.

Mário Soares, que lutou na rua contra a ocupação do República, não se sentirá mal com a limpeza feita na TVI, com o uso de empresas do Estado para fazer golpes nos media, com os ataques a directores de jornais, com lamentáveis conversas sobre jornalistas feitas em voz alta em restaurantes?

Por muito que Soares veja em Sócrates um aliado na luta contra o PSD e Cavaco, não achará que ele começa a ser um aliado incómodo?

Soares gostaria de se sentar à mesa com Vara, com Penedos, com Rui Pedro Soares, com Silva Pereira, com Santos Silva, para discutirem a próxima golpada política e o próximo alvo da cruzada contra a imprensa que não se acobarda perante o poder?

Não acredito.

José Sócrates tem jeito para o cargo.

Mas está à vista de todos que a dignidade do cargo já convive muito mal com ele.