sexta-feira, 13 de junho de 2014

Juízes em causa própria


Manuel Villaverde Cabral, Observador

Não esqueçamos que este tribunal pretensamente justiceiro é o mesmo que legitimou a trapaça dos deputados e permitiu que os dinossauros das autarquias se candidatassem na câmara ao lado...

Aquilo que se tem passado nas últimas semanas com o Tribunal Constitucional constitui um caso extremo do pior que há em Portugal no plano institucional, a saber, o sistema judicial. Com efeito, se os engenheiros e os médicos funcionassem como os juízes não havia ponte que não viesse abaixo nem doente que se salvasse. Não se trata apenas de mais um exemplo da pretensa independência e irresponsabilidade do chamado «terceiro poder». O comportamento da maioria dos membros do TC está para além do enviesamento político ou da febre ideológica. O próprio constitucionalista Vital Moreira o sugere. Trata-se, lamentavelmente, do caso mais exacerbado de corporativismo que o país sofre.

A maioria dos juízes do TC – altos funcionários públicos com uma remuneração-base de mais de 6 000€ e com a garantia da correspondente pensão ao cabo dos nove anos de mandato – assumiram-se sem pestanejar como os pretensos defensores das camadas de funcionários e reformados de luxo perante a necessidade imperiosa de cortes na despesa do Estado após a insensata deriva despesista dos governos anteriores. Toda a gente sabe, menos eles, que a redução das despesas do Estado é indispensável.

Ora, isso significa automaticamente diminuir as remunerações dos funcionários, quando não o próprio emprego, e conter rigorosamente as pensões acima de um «plafonamento» proposto oficialmente desde 1997 mas nunca posto em prática. Ao invés, o TC escondeu as suas benesses atrás do funcionalismo, inviabilizando assim as desejáveis poupanças orçamentais, depois de já as ter consentido e deixado de consentir… Esta defesa cega dos interesses da elite estatal não corresponde apenas a um desprezo absoluto pelas necessidades do país.

Em nome desta bizarra concepção de equidade, isto corresponde à ignorância do preço que os assalariados do sector privado têm pago em termos de desemprego e à profunda desigualdade em que se encontra a esmagadora maioria dos pensionistas da segurança social perante os do Estado. Por outras palavras, com estes acórdãos apresentadas num linguajar especioso e enigmático, o TC «constitucionalizou» o emprego estatal, blindando os privilégios da função pública, como se os funcionários descontentes não pudessem procurar trabalho mais bem pago no sector privado!

Pior do que irresponsável, este corporativismo, que se arrisca a rebentar de vez com as finanças do país, constitui uma clara usurpação de competências. Com efeito, os juízes estão a meter-se onde não são chamados, invocando a santa igualdade a propósito de tudo e de nada, como se as formas de reduzir as despesas estatais não fossem da estrita competência do governo, podendo ser alteradas amanhã por outro governo com idêntica legitimidade eleitoral.

Porém, insatisfeitos com o abuso de competências, ainda querem dar lições de economia política que ninguém lhes pediu. A verdade é que o TC é profissionalmente incompetente para se pronunciar sobre as vantagens e desvantagens económicas de um hipotético aumento de impostos, como pretendeu fazer, especialmente num país cujo aparelho estatal controlava directamente, no tempo de Sócrates, 53% do PIB, fora o que controlava indirectamente através de estabelecimentos para-públicos, favores e corrupção!

A não ser que o mundo onde vivem os juízes seja outro. Talvez eles acariciem o sonho, sem o confessar, de levar o actual governo a demitir-se e, no seguimento de uma retumbante vitória eleitoral do Dr. António Costa à frente de uma esquerda unida contra a ditadura da troika e da Sra. Merkel, que o novo governo devolveria aos funcionários e pensionistas tudo aquilo que o anterior lhes tinha roubado… Temo todavia que mais depressa teríamos de pedir – e pagar – um novo resgate, como aconteceria no dia seguinte à tomada do poder por um pretenso campeão da igualdade como o Syriza, vencedor das últimas eleições europeias na Grécia…

Ou talvez ambicionem mesmo a saída do euro em nome de um soberanismo que, da direita à esquerda, já só está ao alcance de muito poucos. Resta uma hipótese meramente escolar para ver como a justiça funciona em Portugal. Não esqueçamos que este tribunal pretensamente justiceiro é o mesmo que legitimou a trapaça dos deputados que permitiu, contra o óbvio espírito da lei, que os dinossauros das autarquias se candidatassem nas câmaras municipais do lado…

Admitamos então que o TC ignorava a justificada «aclaração» que o governo lhe pediu e imaginemos que o governo mantinha os cortes orçamentais a pretexto de aguardar pela resposta do tribunal… O que aconteceria? Suponho que o tribunal não mandaria a polícia prender o governo mas não deixaria de lhe pôr um processo por incumprimento dos acórdãos do TC… Quanto tempo duraria tal processo? Uma eternidade, seguramente! Recorda-me isto as palavras do insuspeito professor de direito Pedro Bacelar de Vasconcelos, quando escrevia a propósito da crise da justiça em Portugal: «Da porta da esquadra às grades do cárcere, da mesa do conselho de ministros ao hemiciclo de S. Bento, dos cidadãos cépticos às associações cívicas, tarda o sobressalto que agite este marasmo»!





domingo, 8 de junho de 2014

Espanha

Viva la tricolor!


Heduíno Gomes

1 – Como consequência dos vários casos de corrupção em que está envolvido, o chefe da casa real de Espanha acaba de abdicar.  Era coisa esperada como tentativa de salvar a monarquia espanhola do imenso desprestígio em que caiu, o que veio reforçar as convicções republicanas já existentes.



2 – Apesar da corrupção do rei e familiares, a que a pouco recomendável Letizia se juntou, os espanhóis, principalmente os castelhanos, estavam de certa forma gratos a Juan Carlos por este ter feito sem sobressaltos a transição do franquismo para a democracia. Mas esta gratidão esgotou-se.

3 – Subsistindo o republicanismo entre castelhanos e principalmente entre as nações dominadas por Castela, os republicanos apenas aguardavam a boa altura de se tornarem mais activos do que até agora, como já se viu em prelúdio nas ruas de Madrid, Barcelona e noutras cidades.

4 – Com o novo rei, e com aquela rainha plástica que em compostura não chega aos calcanhares da rainha Sofia, veremos aumentar a contestação à monarquia. Esta contestação vai inevitavelmente provocar a queda da monarquia. É uma questão de tempo e de conjuntura política.



5 – Ora, sendo indubitavelmente a monarquia o cimento do Estado espanhol, com a queda desta, veremos em três dias a autodeterminação pelo menos da Galiza, de Euskadi e da Catalunha.

6 – O que convirá a Portugal? O que convém a Portugal é que aquilo, aquele Estado vizinho centralizador e agressor, se desmorone. Nas nossas relações bilaterais com cada um desses novos estados assim restaurados seremos mais fortes.


La tricolor, bandeira da República Espanhola

7 – Por esta razão, qualquer bom português monárquico deve ser republicano em Espanha. Contudo, a apreciar a situação vamos ouvir monárquicos de salão sem perspectivas e convivas politicamente correctos lamentar a crise da monarquia espanhola e defendê-la. É por serem mais monárquicos do que portugueses ou defenderem mais os seus interesses ou vaidades pessoais do que Portugal.

8 – E com a recuperação da nossa querida Olivença sempre presente.
Com monarquia espanhola ou com república castelhana.



A portuguesíssima igreja da Madalena





sábado, 7 de junho de 2014

Em que país pensa que vive este TC?


José António Lima, Sol

O Tribunal Constitucional chumbou, agora, o alargamento dos cortes salariais dos funcionários públicos a partir dos 675 euros, previstos no Orçamento do Estado, bem como a redução nos subsídios de doença e de desemprego e até, imagine-se, o corte nas pensões de sobrevivência de viuvez acima de 2 mil euros.

Em que país pensarão estes senhores, funcionários públicos, que vivem? Na superavitária Finlândia? Ou numa estatista república do velho bloco de Leste?

Tendo o TC posto de lado a retroactividade do chumbo e deixado a porta aberta a que o Governo e a maioria PSD/CDS apresentem ainda uma nova proposta, rectificada, de corte nos salários do funcionalismo público (só para vencimentos acima dos 1.000 ou 1.100 euros), isso significa que o rombo desta decisão do TC no OE poderá ficar pelos 600 milhões de euros (substancialmente abaixo dos 1.500 milhões de que se falava). O que, ainda assim, poderá levar a aumentar o IVA em 0,75% ou 1% para compensar esse rombo.

Mas, para lá deste «chumbo mitigado» e do facto de as decisões terem agora dividido mais o TC (com votações de 8-5), a verdade é que se mantém a filosofia predominante nos juízes do Palácio Ratton.

Em 2012, consideraram inconstitucionais os cortes nos subsídios de funcionários públicos e pensionistas. Em 2013, impediram a lei da convergência das pensões públicas, que pouparia centenas de milhões de euros aos cofres do Estado.

Agora, em 2014, volta a mesma lógica empedernida do TC: que o poder político reduza o défice do Estado e faça a consolidação orçamental pelo lado da receita, mesmo que isso implique mais um «enorme aumento de impostos», porque o TC travará o essencial das medidas que visem reduzir substancialmente a incomportável despesa pública. Seja em cortes nos salários, nas reformas, nos subsídios ou até nas pensões de viuvez. Matérias em que os próprios juízes do TC se sentem directamente atingidos.

O problema não é de qualquer violação da Constituição. O problema é a interpretação restritiva e corporativa que estes juízes fazem do «princípio da igualdade» ou só deixarem o aumento de impostos como saída para se cumprir o «princípio da proporcionalidade». Em que país pensarão estes senhores, funcionários públicos, que vivem? Na superavitária Finlândia? Ou numa estatista república do velho bloco de Leste?





sexta-feira, 6 de junho de 2014

Razões para viver em Lisboa:
31, nem mais nem menos


Terreiro do Paço – Lisboa

Os jornalistas do site norte-americano Global Post estão fascinados com a cidade de Lisboa. O deslumbramento é tal que decidiram escrever um artigo com 31 razões para se viver na capital portuguesa, a segunda mais antiga da Europa.

1. Clima: «Há mais sol do que em Madrid, Roma ou Atenas», lê-se no site. Mas a grande vantagem, segundo os jornalistas, é que há sempre uma brisa vinda do Atlântico que funciona como «ar condicionado natural».

2. Cervejaria Ramiro: O melhor sítio para comer marisco, refere o artigo.

3. Praia: Está a apenas 20 minutos de distância e existem «aos molhos». «Em menos de uma hora podemos surfar no Guincho ou relaxar na areia branca da Arrábida», descreve o artigo.

4. Eléctrico: «O 28 existe e deixa todos felizes» é o título desta secção da notícia. O eléctrico leva-o a todos os pontos históricos da cidade de uma forma «cool» e barata.

5. Rio Tejo: Repleto de vida animal e vegetal, o Tejo é um rio «que mais parece mar».

6. Ritmos africanos e latinos: É a capital europeia que mais proximidade tem com estes géneros musicais. «Dezenas de bares põem Bossa Nova e servem caipirinhas e as discotecas passam música coladeiras e kizombas».

7. Vista: «A vista de Lisboa não chega aos pés das de Roma». Para a apreciar melhor, o site recomenda uma ida aos miradouros das Portas do Sol, São Pedro de Alcântara, Graça e Santa Catarina.

8. LX Factory: Este espaço trouxe vida «a um espaço esquecido na cidade», com «lojas arrojadas, restaurantes e galerias».

9. Ruas e ruelas: Uma das melhores coisas que se pode fazer em Lisboa é «perdermo-nos nos seus bairros mais antigos, como Alfama, Mouraria, Bica ou Madragoa» e apreciar as suas ruas «cheias de alma».

10. Futebol: Lisboa não está dividida pela língua, religião ou política, mas sim por preferência clubística, lê-se no site. «Poucos desportos são seguidos com tanta paixão quanto um jogo entre as duas equipas [Benfica e Sporting]».

11. Café: Segundo os jornalistas americanos, as «bicas» são dos melhores cafés do Mundo.

12. Cultura: Desde São Carlos até à Gulbenkian, passando pelo Museu Colecção Berardo e as dezenas de festivais ao ar livre, são múltiplas as opções de escolha.

13. Ginjinha: «Portugal é conhecido pelo seu vinho do Porto, mas a melhor bebida de Lisboa é este rico e doce licor», descreve o site.

14. Não matam o touro: Ao contrário do que se passa em Espanha, os touros não são mortos na arena no final de uma corrida. Para além deste facto, o artigo elogia ainda as «pegas» e a beleza do Campo Pequeno.

15. Bairros modernos: Basta andar umas estações de metro para passarmos do lado mais velho da cidade para «as modernas avenidas de Alvalade», com «lojas ‘cool’ e esplanadas apetitosas».

16. Comida boa e barata: «É fácil comer comida tradicional por cerca de 7 dólares (5 euros) em várias tascas», lê-se no artigo, que refere ainda o facto de os restaurante finos da cidade serem mais baratos do que os do resto da Europa.

17. Fado: É Património Cultural e Imaterial da Humanidade e, para os americanos, assemelha-se ao Blues. «O Fado deve acompanhar qualquer viagem por Lisboa», afirmam os jornalista, que destacam Ana Moura, Gisela João e Cristina Branco como alguns dos nomes a reter.

18. Oceanário: «Deve ser o maior aquário do Mundo», lê-se no título desta secção. O site considera que este deve ser a «maior atracção» da capital.

19. Pastel de Belém: São considerados os melhores bolos de Lisboa, lê-se na notícia.

20. Casas: «São mais coloridas que uma caixa de Lego»,descreve o artigo. Apesar de ser conhecida lá fora como «A Cidade Branca», os apartamentos amarelos, cor-de-rosa e azuis-bebé deixaram os jornalistas impressionados com as cores da capital portuguesa.

21. Legendas: Ao contrário da maior parte dos países europeus, Portugal não faz dobragens de filmes estrangeiros, mantendo os diálogos originais, o que é visto como uma mais-valia por este site.

22. Lojas antigas: Lisboa está cheia de pequenos estabelecimentos de meados do século XX, o que é considerado uma raridade em comparação com as restantes capitais ocidentais, que se renderam às grandes superfícies.

23. «Cheira bem…»: «…Cheira a Lisboa». O artigo do Global Post faz questão de fazer referência a uma das mais conhecidas cantigas populares portuguesas. No entanto, o site refere que tanto pode cheirar «a roupa lavada, acabada de pendurar, e a canela», como «a bacalhau ou a lixo acumulado após um dia de greve». Segundo o mesmo «faz tudo parte da experiência olfactiva».

24. Bares: A Pensão Amor e o Pavilhão Chinês são dois dos estabelecimentos que são destacados no artigo, para além dos bares mais pequenos e típicos do Bairro Alto e do Cais do Sodré.

25. Chiado: Tal como a Fénix, esta parte da cidade «renasceu» das cinzas após o incêndio que a assolou em 1988. Mesmo assim, consegue ser uma das áreas de Lisboa que mais gente atrai, devido às suas lojas, cafés e espaços culturais. No artigo, os jornalistas fazem questão de sublinhar a importância da Livraria Bertrand e do café A Brasileira, fundado em 1905.

26. Comida goesa: Os restaurantes Jesus é Goês e Cantinho da Paz são os únicos sítios no continente onde se pode comer pratos inspirados na gastronomia de Goa que fazem jus aos originais.

27. Contos de Fada: Se já falaram em Cascais, os norte-americanos não podiam deixar de fora «a mágica vila de Sintra» e os seus palácios.

28. Mercados: Tudo o que é fresco está nos mercados de Lisboa. O artigo dá destaque ao Mercado da Ribeira, o mais conhecido da capital.

29. Natureza: «Desde os jardins públicos até Monsanto, Lisboa está cheia de refúgios verdes», lê-se na notícia, que enaltece a quantidade de árvores existentes na cidade.

30. Gelado: Os autores do artigo não podiam deixar de fora o Santini, a gelataria que, apesar de ter nascido em Cascais, tem um espaço no Chiado. «Vale sempre a pena esperar na fila», escrevem.

31. Engraxar sapatos: Segundo o site, estes profissionais já desapareceram em quase toda a Europa, mas em Lisboa ainda existem homens «munidos de escovas, farrapos e potes de graxa».





quarta-feira, 4 de junho de 2014

A vergonha da legalização do aborto


Cláudio Anaia

Resumo com dados da Direcção Geral da Saúde 2013 apresentado ontem sobre a legalização do Aborto.

1. Em números absolutos em 2012 houve 18 615 abortos a pedido da mãe (modalidade introduzida pelo referendo de 2007) e em 2013 (números provisórios) houve 17 414, isto é, menos 1 201 abortos, menos 6,45% que no ano anterior.

2. Em 2012 houve cerca de 89 841 nascimentos e em 2013 estes foram 82 787, isto é, menos 7 054, menos 8%).

3. A incidência do aborto legal (abortos/nascimentos) aumentou de 21,3% (em 2012), para 21,7% (em 2013, números provisórios).

4. Em termos práticos isto significa que praticamente uma em cada cinco gravidezes termina em aborto.

5. A reincidência do aborto (isto é, quem abortou no ano, já o tinha feito no próprio ano e/ou em anos anteriores) aumentou de 26% para 27,8% (números provisórios de 2013). Isto é, aproximamo-nos de uma fasquia de um em cada três abortos, ser uma repetição (=utilização do aborto como método contraceptivo).

6. O aborto continua gratuito (não paga taxa moderadora), dá direito a uma licença de 15 a 30 dias, paga a 100%, e as grávidas dos Açores que vêm abortar a Lisboa tem direito a deslocações todas pagas para si e um acompanhante.





segunda-feira, 2 de junho de 2014

As eleições e os «cientistas» da «ciência Europa»


Heduíno Gomes

O evento eleitoral para o parlamento dito europeu traz mais uma vez à ribalta os «cientistas» da «ciência Europa».  São os «europólogos». Todos profissionais dessa «ciência».

Uns são especialistas dos «aspectos jurídicos». Sobre estes, até se compreende a sua especialidade, dado que o emaranhado do monstro europeu é uma realidade com que tem de se lidar e ela exige que haja quem possa fazer de GPS para que o Estado não meta demasiada água. Mas não é da sua competência definir como deveria ser a Europa civilizada.
A grande «cientista» Isabel Meirelles
Outros percebem muito dos «aspectos técnicos». Sobre estes, os experts, sabem o que se passa no seu micromundo técnico. E daí não passam nem os deixam passar. Sabem lá ou deixam-nos lá saber o que é a Europa civilizada!

E outros têm uma «grande experiência europeia», ou porque por lá passaram, ou porque por cá estagiaram. Sobre estes, há que notar que não são os experts mas sim os espertos. São os que não conhecem nada de nada a não ser os corredores do poder, eurocrático ou de cá, e utilizam esse conhecimento exclusivamente para fazer carreira. Querem lá saber da Europa civilizada! 
O grande «cientista» das causas marginais na Europa
E são precisamente estes de «grande experiência europeia» que vão agora representar os Portugueses! Os Zorrinhos, os Paulos Rangéis, os Carlos Coelhos, os Fernandos Costas, os Daniéis limianos...

Que vão eles defender para o parlamento dito europeu?

Defendem os valores da Civilização ou a barbárie?

Defendem a família natural ou a agenda dos invertidos e fufas?

Defendem o respeito pela vida ou a barbárie da eutanásia, do aborto e da experimentação sobre seres humanos?

Defendem o bem comum ou os seus interesses carreiristas e de grupos egoístas?

Defendem a Europa das nações ou o esmagamento das nações pelos grandes?

Defendem a identidade nacional ou a uniformização cultural?

Defendem a independência de Portugal ou a submissão a poderes estrangeiros?


O lobby controlador





Eleições para o Parlamento Europeu

A esmagadora abstenção
faz estremecer os chulos do sistema


Heduíno Gomes

esmagadora abstenção de 2/3 nas eleições para o Parlamento Europeu demonstra que a grande maioria dos Portugueses não se reconhece no sistema nem nas suas batotas – quer no sistema da União Europeia, quer no sistema da III República –, à sombra do qual uma minoria da alta finança, da burocracia de Bruxelas e dos seus criados de cá engorda.

Democracia? Sim, democracia. Democracia formal, como é o sistema assim designado. Que tudo permite. Por isso mesmo é que a democracia não é própria e necessariamente sinónimo de respeito pelo povo, de servir o bem comum, de servir a Nação, de educar segundo os valores da Civilização.


Poderá ser sinónimo ou não.

Mas não o é, certamente, quando a democracia é praticada pelos mediocres, pelos liberais decadentes e pela ladroagem. E, ao fim de 40 anos da dita, os Portugueses finalmente perceberam. Por isso se escusam a legitimar com o seu voto esta gente e o seu sistema.

Perante o alheamento popular em relação ao sistema, o que dizem os democratas (como se vê, a palavra não leva aspas porque a democracia pode ser isto mesmo, desde que legitimada pela formalidade do voto)?


Os entusiastas democratas deste sistema, isto é, os chulos do sistema, em pânico, lamentam a abstenção, «autocriticam-se» e procuram explicações e soluções – à sua medida. Mas alguns vão mais longe e tocam a criticar os próprios eleitores por, ao não votar, terem falta de civismo, calcule-se! E, muito democraticamente, como é o caso da consciência crítica do regime Miguel Sousa Tavares, sugerem tornar obrigatório o voto. Isto é, os democratas, tal como o menino Carlinhos que «ajudou» a velhinha a atravessar a rua, querem democraticamente obrigar as pessoas a serem democratas... Isto é, querem obrigar as pessoas a formalmente legitimar o seu sistema corrupto!


Portanto, caros Portugueses, preparem-se para as medidas correctivas dos democratas da III República.





domingo, 1 de junho de 2014

Passos Coelho e a Tecnoforma


Fernando Madeira, o ex-sócio maioritário da Tecnoforma, conta em entrevista à Sábado: «trabalhávamos sobretudo em Angola e começámos a sentir que havia problemas em avançar com alguns projectos na área da formação profissional.» Melhor do que falecer: recorre aos serviços do Pedro e cria uma ONG.

Estávamos no ano de 1996. Num restaurante no Porto Brandão, foi explicado ao Pedro o que se pretendia com esta organização não governamental (ONG) que viria a designar-se como Centro Português para a Cooperação (CPPC): «O objectivo era explorar as facilidades de financiamentos da União Europeia para projectos em Angola ou nos PALOPs [Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa].» O Pedro não se intimidou com a circunstância de uma organização de solidariedade e sem fins lucrativos poder não passar de uma forma expedita de conseguir negócios para a Tecnoforma: «Só posso dizer que ele foi receptivo ao que ouviu e disse logo que tínhamos de arranjar estas e aquelas pessoas e arranjou. Arranjou pessoas que eu não conhecia

Quem eram as pessoas que fariam parte desta ONG (testa-de-ferro da Tecnoforma)? «Pessoas com influência.» Luís Marques Mendes, então líder parlamentar do PSD (no consulado de Marcelo), Ângelo Correia e Vasco Rato (nomeado recentemente pelo Governo para presidir à Fundação Luso-Americana), mas também Eva Cabral, na altura jornalista da famosa secção laranja do Diário de Notícias e hoje assessora do alegado primeiro-ministro.

Com um agradecimento à revista Sábado, eis algumas passagens da entrevista (que merece ser lida na íntegra):

– No seu entender, Pedro Passos Coelho queria no CPPC gente com influência para quê?

– Que pudessem de facto, sei lá, movimentar, abrir ou facilitar a vinda de projectos para a ONG no âmbito da formação profissional e dos recursos humanos e que depois esses projectos pudessem ter a participação da Tecnoforma.

– Volto a perguntar, Passos Coelho sabia que esta ONG era criada com esse intuito?

– Tanto é assim, que eu cheguei a ir com ele a Bruxelas para um encontro com o comissário europeu João de Deus Pinheiro [militante do PSD, ex-ministro da Educação e dos Negócios Estrangeiros em três governos de Cavaco Silva e Comissário Europeu entre 1993/2000].

 E foram lá fazer o quê exactamente?

– Fomos lá apresentar o CPPC, o que nos propúnhamos fazer e saber da sensibilidade dele, nomeadamente que possibilidades de financiamentos havia para os PALOPs. E o João de Deus Pinheiro até nos deu logo uma ideia, dizendo que a Comissão Europeia estava a pensar num projecto para Cabo Verde, que era a criação de um instituto para formação de funcionários públicos. E que este instituto deveria servir também para formar pessoas para os outros PALOPs porque os quadros deles da administração pública eram muito deficitários. Disse-nos ainda que seria bom que criássemos um instituto em Cabo Verde e que a Comissão Europeia estava disposta a apoiar financeiramente uma coisa dessas.

– Esse encontro com João de Deus Pinheiro foi combinado por Passos Coelho, que era então vice-presidente do grupo parlamentar do PSD?

– Claro, eu não conhecia o Deus Pinheiro.

– Em Bruxelas, reuniram onde?

– Fomos ao gabinete dele, na sede da Comissão Europeia. O Pedro é que o conhecia, o Pedro é que abria as portas todas.

– E esse projecto chegou a avançar?

– Ainda fomos a Cabo Verde, mas não avançou. Reunimos na cidade da Praia com uns directores do Ministério da Educação, mas acho que eles estavam era interessados em criar pólos universitários e não institutos intermédios de formação profissional. As coisas não funcionaram.

– Foi a Cabo Verde também com Passos Coelho?

– Sim e com um cantor, o Paulo de Carvalho.

– Porque é que ele foi com vocês?

– Isso aí é outra história de que não quero falar. Ele apareceu no aeroporto de Lisboa. Acho que ele foi também para desbloquear, para tentar, mas dá-me a impressão que havia uma segunda agenda entre eles. Em Cabo Verde, depois das reuniões, eles foram depois para outro lado.

– Já conhecia o Paulo de Carvalho?

– Não, não, só da televisão.

– Marques Mendes esteve na escritura do CPPC?

– Sim, esteve lá. A única coisa que lhe digo é isto: paguei muitos almoços e jantares. Eu estava com o Pedro talvez de 15 em 15 dias ou uma vez por mês. Ele também aparecia na sede da Tecnoforma, mas era mais em restaurantes. Ou então íamos beber um copo. Ele vivia ainda em Campo de Ourique com a Fati [Fátima Padinha, do grupo as Doce e primeira mulher de Passos Coelho].

– Também se encontrava com ele na Assembleia da República?

– [Pausa] Encontrei-me com o Pedro várias vezes no parlamento, acho que era no grupo parlamentar do PSD.

(…)

– Mas pode dizer-me quem financiava o CPPC?

– Vinha tudo da Tecnoforma.

– O CPPC tinha um orçamento anual formal?

– A Tecnoforma pagava as despesas que aparecessem. As instalações do CPPC eram também na Tecnoforma, pois ficavam na sede da empresa, no Pragal [Almada].

– Ainda não me disse o que é que o CPPC concretizou durante os vários anos em que Passos Coelho lá esteve como presidente?

– Até 2001, só me lembro de um projecto de formação profissional no bairro degradado da Pedreira dos Húngaros, em Oeiras. O projecto nasceu de uma ideia do governo de Cabo Verde [muitos habitantes do bairro eram cabo-verdianos] e a partir de uma reunião qualquer que houve entre o Pedro e já não sei quem.

– Foi um projecto arranjado por Passos Coelho?

– Recordo-me que houve uma reunião entre nós para definir o que era preciso fazer, mas o projecto precisava também da aprovação do Isaltino Morais, que era o presidente da Câmara de Oeiras. O Pedro desbloqueou isso, fez o papel que se esperava dele. E tivemos uma reunião com o Isaltino Morais, que aprovou o projecto e isso foi essencial para a candidatura a um programa financiado pela União Europeia.

(…)

– Depois de vender a Tecnoforma em 2001, e de Passos Coelho ter sido contratado para consultor e depois para presidente da empresa, a facturação da Tecnoforma aumentou bastante em Portugal. Um dos projectos responsáveis por isso foram as acções de formação financiadas pela União Europeia, como o programa Foral, um caso que está a ser investigado hoje pelo Ministério Público (MP).

– Disso já não sei nada.

Tratou-se aparentemente de uma entrevista muito viva. Fernando Madeira, o ex-sócio maioritário da Tecnoforma, só embatucou quando a Sábado o questionou acerca das remunerações de Pedro Passos Coelho: «Eh pá, isso já não me recordo. É um bocado arriscado estar-lhe a dizer e era grave.» O alegado primeiro-ministro era então deputado em regime de exclusividade.





sábado, 31 de maio de 2014

Dia do irmão







A Comissão Europeia veta
a iniciativa popular pró-vida
Um de Nós (One of Us)


Orlando de Carvalho, Dies Domini

Os defensores da iniciativa pró-vida intitulada Um de Nós expressaram a sua decepção pelo veto da Comissão Europeia da proposta legislativa que teria proibido o financiamento da UE para a pesquisa com células estaminais, no dia 29 de Maio de 2014.

Tratou-se de um veto injustificado que vai contra os princípios democráticos do Princípio da Iniciativa dos Cidadãos Europeus. Este Princípio permite que cidadãos de países membros da UE possam submeter à Comissão Europeia para avaliação propostas de lei, desde que os respectivos projectos recolham mais de um milhão de assinaturas.

Um de Nós reuniu um total  1 901 947 assinaturas, das quais foram consideradas válidas 1 742 156, o maior número de assinaturas conseguidas até hoje para este fim, sendo  73 611 obtidas em Portugal.

Não obstante o expressivo número de assinaturas, a comissão, presidida pelo português Durão Barroso, no seu último dia em exercício, vetou a iniciativa (à semelhança daquilo a que nos vêm habituando os governos em Portugal a aprovar leis no último dia antes de serem substituídos), alegando que as pesquisas envolvendo células estaminais estão bem reguladas e é usado como último recurso.

Acrescentou que esta pesquisa pode oferecer tratamentos que salvam vidas.

A União Europeia divulgou que entre 2007 e 2013 financiou 27 projectos de pesquisa envolvendo células estaminais, no valor de 156,7 milhões de euros.

O grupo Um de Nós vai recorrer da decisão da Comissão para o Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias, no Luxemburgo, «que reconhece o respeito pela vida humana desde a concepção».

A iniciativa Um de Nós é promovida por um comité de cidadãos de vários países da União Europeia, incluindo Portugal.

Um de Nós teve o apoio expresso, de viva voz, do Papa Francisco em 12 de Maio e do Papa Bento XVI em 3 de Fevereiro, ambos em 2013, e tem tido o apoio activo de diversos bispos e organismos católicos e não católicos.





A Comissão Europeia dos maçons, abortistas,
feministas, homossexualistas e etc.



Em desrespeito pelos Europeus, a Comissão Europeia de Barroso acaba de vetar a iniciativa «Um de Nós». E assim agrada aos grupos dos maçons, abortistas, feministas, homossexualistas e etc.

Esta Europa é para combater e para acabar!






sexta-feira, 30 de maio de 2014

BPN já começou a cobrar no Multibanco

Apelamos ao boicote



BPN já começou a cobrar comissões no Multibanco!

Este começa e os outros irão fazer o mesmo.

Boicotem!

Eles cobram uma comissão por cada levantamento.

Atenção, num levantamento de 100, a cobrança pode ir até aos 5,83.

É dinheiro!

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Público

RTP


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