quarta-feira, 7 de julho de 2010

Que farei com este Presidente?

Ana Sá Lopes, jornalem 19 de Junho de 2010

 
Ex-líder do CDS diz que direita está "numa situação de vazio"

José Ribeiro e Castro não se lembra de umas presidenciais assim: "À esquerda e à direita ninguém acredita em ninguém", afirma ao i.

José Ribeiro e Castro, deputado, ex-presidente do CDS, sente que "nas últimas semanas há muito eleitorado a descolar de Cavaco Silva". "Não me recordo nunca de uma eleição presidencial assim. Há uma situação política suspensa das presidenciais e dá a ideia de que nos diferentes sectores partidários ninguém acredita em ninguém", afirma ao i o ex-líder do CDS, que vê na esquerda como na direita "uma situação de algum vazio".

"[Como presidente do CDS] Defendi o apoio a Cavaco Silva nas últimas presidenciais e lembro-me bem das dificuldades que tivemos. Alguns não votaram e não fizeram segredo disso, outros declararam mesmo que tinham votado em Manuel Alegre", diz Ribeiro e Castro, lembrando que foram apenas 33 mil votos que evitaram que há quatro anos Cavaco Silva fosse obrigado a ir à segunda volta. "A eleição à primeira volta foi curta."

Para o deputado centrista, não foi apenas a promulgação do casamento entre pessoas do mesmo sexo que afastou algum eleitorado conservador de Cavaco Silva. "Existem outras questões, nomeadamente a alergia que o Presidente da República manifesta aos referendos, quando os referendos foram uma conquista constitucional da AD", justifica. "É sabido que o Presidente da República é contra os referendos. Isto descontenta muito eleitorado que acha que o referendo é um instrumento legítimo. Não substitui a democracia representativa, mas é um instrumento da democracia". Ribeiro e Castro acusa o Presidente da República de "ter ignorado por completo a iniciativa do referendo" ao casamento gay que vários grupos católicos tentaram desencadear, com apoio de alguns políticos, como Ribeiro e Castro e Santana Lopes.

Para o ex-líder do CDS, a atitude do Presidente da República "foi pior que a da Assembleia da República" que, apesar de ter chumbado a iniciativa, a discutiu. "O Presidente ignorou por completo e isso também feriu as pessoas", afirma. Ribeiro e Castro acha mesmo que a questão da promulgação do casamento gay "foi apenas o detonador de outras questões que estavam adormecidas", e se não se traduzir numa nova candidatura à direita, o "descontentamento inorgânico" pode redundar numa "grande abstenção".

"Do ponto de vista do eleitorado a que o Presidente da República se dirigiu nas últimas eleições, tornou as coisas mais complicadas e incertas". Ribeiro e Castro aponta como "fundamental" a necessidade de colocar no processo legislativo "a sociedade e a família".

Sobre se, com a negativa de Bagão Félix, estaria disponível para protagonizar essa candidatura à direita, Ribeiro e Castro responde: "Não estou à janela, outros estão, existem outras pessoas".

Mas não nega totalmente que, no futuro, o cenário não se possa vir a colocar: "Há questões que merecem ser reflectidas e amadurecidas, exigem um exame mais complexo e profundo". Nomeadamente, se existem "condições políticas para uma candidatura", se teria "um significado útil" e se contaria também com apoios financeiros para se poder desenvolver.



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